Harry entrou a passos largos na sala matinal, azul-clara, da Casa Chan, batendo as luvas
contra uma das coxas, o manto ondulando atrás de si. Lady Chang estava sentada á mesa do café-da-manhã, examinando as colunas sociais e com aparência angelical em um vestido de seda verde enfeitado com pequenas rosas.

Levantou os olhos quando Harry entrou e sorriu. O sorriso da viscondessa de Chang era famoso por levar homens mais fracos a caírem de joelhos. Harry nem mesmo se sentou.

—Pois não?— inquiriu ele, não exatamente de forma rude, mas tampouco amigável. —Do que se trata? é melhor ser importante. Draco e eu planejamos viajar para Knox Ridge hoje de manhã para ver com o guarda-caça se a nevasca afetou os preparativos para a caçada de sábado.

—Terminei a lista— disse Cho regiamente, abanando um pedaço de papel no ar. Diante do olhar vazio de Harry, ela disse, medindo as palavras: —A lista. Para a caçada. Sobre os arranjos dos quartos de hóspedes. Nossa, Harry, o que você tem? Ficou bem estúpido de repente!

Harry deu um passo á frente para pegar a folha dos dedos brancos da viscondessa, dobrou-a sem nem olhar para o papel e o pôs em bolso interno.

—Você poderia ter enviado isso— disse desgastado — em vez daquela mensagem cifrada para eu vir o mais rapidamente possível. Quando recebi o seu recado, pensei… Ora, não importa o que eu pensei.

A viscondessa riu, um riso tinlintante que algum tempo atrás lhe provocava arrepios de prazer na espinha acima. Agora, aquele artifício simplesmente irritava Harry.

—Mas, se eu mandasse a lista, não teria o prazer de tomar o café-da-manhã com você.— Ela sorriu, mostrando as covinhas do rosto, de um jeito que alguma dia alguém deve lhe ter dito que era encantador.—E sei o que você pensou. Você pensou no pior, tenho certeza. Diga-me, o que o atemoriza mais: Meu marido descobrir sobre nós ou eu descobrir sobre uma outra pessoa?

Harry deu uma olhada no bufê posto no aparador. Havia presunto e faisão com ovos, além de pãezinhos crocantes e vários potes de gelé um prato e se serviu. —Seria preciso alguém um pouco mais ameaçador do que o seu marido para me amedrontar, Cho — disse ele, pondo uma grande porção de ovos no prato. —E, quanto a você descobrir outra pessoa, posso descobrir que a minha vida ficaria consideravelmente menos complicada se isso acontecesse.

Cho fez um biquinho sedutor. —Pobre Harry.— Ela o seguiu com os olhos enquanto ele se movia ao longo do bufê, fazendo o aparador parecer minúsculo em comparação com o seu tamanho.—Parece que não o vejo há séculos, querido— disse ela tentando manter o tom alegre e despreocupado. —Faz mais de quinze dias, se não me engano. Os seus novos parentes estão dificultando a sua vida social?

—Novos parentes?— Sem tirar o manto, Harry sentou-se á mesa e pegou um garfo. —Ah, você quer dizer o menino.

—Sim, o menino. E sua tia solteirona.

Harry deu um sorriso malicioso e provou o faisão. Nada mau. A cozinheira de Cho era francesa e tinha a tendência de não medir esforços para complicar uma refeição. Com o café-da-manhã ela conseguia se sair razoavelmente bem. Nada de molhos e cremes misteriosos.

—Ora, vejamos — disse Harry mastigando com ar pensativo. —Hoje é quinta, não é? No espaço de uma semana, o novo duque de Potter deixou três babás apavoradas a ponto de abandonarem o emprego, envolveu-se mais de dez vezes em trocas de socos com empregados dos estábulos, quebrou um jogo de chá de porcelana que foi um presente do rei para a minha mãe, jogou tinta na cabeça do seu tutor francês e fez Evers ter um ataque apoplético ao praguejar diversas vezes e sem nenhum constrangimento à mesa do jantar.

Lady Cho riu. —Ele parece mesmo um Potter, sem dúvidas. E a solteirona liberal?

—O que você disse?

—A solteirona liberal. Como ela é? Você deve apresentá-la ao vigário. Eles devem se dar muito bem.

—Acho que não.— Harry fez uma careta. —Ela não tem tido muita sorte com vigários. Eu a encontrei recebendo uma proposta de casamento de um deles na Escócia. O sujeito estava esfregando a canela, que tinha tido um encontro forçado com a ponta de uma das botas dela.

A viscondessa piscou os olhos na direção dele e perguntou, evidentemente confusa:

—Ela estava sendo pedida em casamento por um vigário?—Harry raspou o presunto do prato de porcelana fina.—Isso mesmo.—Ele mastigou, olhando para fora pelas janelas da sala, para o intacto cobertor branco que cobria o terreno ao redor da casa.—Você tem café?

Ao contrário do que normalmente faria, Lady Cho não levantou um dedo para servi-lo. Parecia um tanto distraída. Ficou sentada, com uma mulher de prata imóvel no ar. Harry a examinou e, dando de ombros, serviu-se ele mesmo de uma xícara de líquido fumegante do bule de prata que estava sobre a mesa.

—Mas eu não compreendo— disse Lady Cho devagar. —Pensei que essa Srta. Granger fosse uma solteirona, uma velha donzela.

Harry provou o café, descobriu que ainda estava quente demais e acrescentou creme.

—Donzela, sim; velha, não. Ela só tem vinte anos e parece ter quinze, se você quiser saber a minha opinião.

—Vinte!— Cho franziu as sobrancelhas. —Mas, Harry, ela não passa de uma menina!

—Ummm — concordou Harry, com a boca cheia.

—Mas você não pode permitir que ela fique em Potter com você! Uma jovem não casada e sem acompanhamento de uma chaperon…

—Ela tem uma chaperone. É a Sra. Praehurst.

—A Sra. Praehurst! Ora, Harry. A nossa festa deste fim de semana! Como podemos fazer a nossa festa este fim de semana com uma jovem por perto?

Harry deu de ombros mais uma vez, um pouco irritado com a teatralidade da viscondessa. —O que eu posso fazer Cho? Jogá-la para fora na neve?

—Você não pode mandá-la para ficar com algum parente em Londres ou alguma coisa assim?

—Não, não posso mandá-la para Londres. Em primeiro lugar, ela não foi apresentada à sociedade e não vou patrocinar uma temporada para ela, por mais problemática que a presença dela em Potter possa vir a ser. Você tem uma ideia do que custa para casar uma moça decentemente hoje em dia? E, mesmo que eu estivesse disposto a fazer isso, ela nunca deixaria o menino. É por isso que precisei trazê-la para cá, lembra-se? — Balançou a cabeça, desgostoso. —O que houve com você? Ficou bem lerda desde que eu a vi pela última vez.

—Estou bem certa de que você perdeu o juízo.— A voz de Lady Cho assumiu um tom estridente. —O que você tem na cabeça ao permitir que uma jovem assim vá morar em Potter? Ela vai arruinar tudo!

Pelas amplas janelas, Harry notou uns cinco ou seis veados abrindo caminho através das árvores sem folhas lá embaixo, ao lado do córrego Ashbury. Ficou olhando aquelas criaturas castanhas e esbeltas, lembrando-se inexplicavelmente da imagem de Hermione Granger.

Como um veado, ela tinha pernas longas e finas como caniços, na verdade mais magra do que ele gostava que suas mulheres fossem.
Mas uma pessoal mal notava esse defeito ao ver seus olhos cor de mel e brilhantes. E, como Harry sabia melhor do que ninguém, apesar de esbelta, ela era macia onde contava…

—Harry? Você está me ouvindo? — Lady Cho tinha levantado a colher de prata para bater no alto do seu ovo mole, mas, em vez disso, ela a usou para bater na mesa. —Harry!

Ele afastou com dificuldade o olhar dos veados. —Pois não?— Harry sorriu, pouco á vontade. —O que você estava dizendo, Cho?

Lady Cho apertou os olhos até que eles se tornassem duas fendas.

— Eu estava dizendo que não compreendo por que você não a expulsa.

— Expulsá-la? Não posso, Cho — Harry deu uma risadinha e provou o café novamente. Estava melhor. — Toda a criadagem se tornou extremamente afeiçoada a ela. Além disso, se eu a mandasse embora, o menino nunca me deixaria em paz. A única situação em que a casa está calma é quando ele está com ela. — Balançou a cabeça, desconcertado. — Nunca vi nada igual. Todos os lacaios da casa estão apaixonados por ela, as criadas todas adoram o chão sobre o qual ela anda, a cozinheira me anunciou um dia desses que daqui para a frente tenho que ir ao pub A Cabra e a Bigorna se quiser bucho, porque a Srta. Granger não gosta e a cozinheira não vai mais preparar nada que a tia de Sua Graça não gostar. Se eu não soubesse que não é nada disso, eu diria que a belezinha enfeitiçou a todos eles…

— Belezinha? — os lábios pintados de Lady Chang se apertaram, formando uma linha muito fina. Seguindo o olhar de Harry pela janela, ela ficou olhando sem ver os veados que destruíram os seus salgueiros.— E essa belezinha? Ela é uma escocesa típica não é? Magra, alta e com dentes aos pedaços? Desajeitada? Quieta e dissimulada?

Harry balançou a cabeça, os olhos ainda presos nos veados.

— Nem um pouco. Ela é uma coisinha muito bonita, na verdade. Mas tem um temperamento forte. Diz tudo o que pensa. Pelo menos foi o que fez até ficar de cama com amidalite…

— Amidalite!

— Amidalite. Por ter ficado exposta ao clima de Yorkshire, segundo disse Parks. Houve um acidente. A carruagem virou e nos deixou a todos encalhados durante horas na Estrada Post. Draco não lhe contou? Eu tomei um cavalo emprestado do seu estábulo…

Cho pegou um guardanapo e delicadamente limpou a boca com ele,daí disse:

— Harry, você teria a gentileza de dizer à Sra. Praehurst que me espere para o jantar hoje á noite?

Harry tirou os olhos dos veados e ficou olhando para a viscondessa do outro lado da mesa. — O quê?

— Não diga 'o quê', Harry. É vulgar. Há algumas coisas que devo discutir com a Sra. Praehurst antes da chegada dos nossos convidados amanhã, por isso acho que o melhor é eu passar por Potter hoje á noite. Lembre-se de lhe dizer para me esperar, está bem?

Harry continuou a olhar fixamente para ela.

— Arabella — disse ele, com cautela — o que você está tramando?

— Tramando? Não sei do que você está falando. — Cho delicadamente tomou o seu chá.


(N/a): Oi gente tudo bom com vocês? Juro que estou tentando adaptar esses capítulos o mais rápido possível, mas, tem algo chamado escola que sempre atrapalha. Enfim, nem preciso dizer que esse jantar promete né? Vou fazer o impossível para postar logo os capítulos que mostram ele logo(sem pressão, mas reviews ajudam a adaptadora postar mais rápido!)

E por falar em reviews, fiquei tão empolgada com as reviews do capítulo passado! Fiquei muito feliz em saber que a história está agradando tanto vocês, muito obrigada mesmo, gente!

Lis Martin: Quem é o leitor que não sofre da síndrome de "só mais um capítulo!"? Muitas perguntas e eu prometo que até o final você vai ter respostas para TODAS elas (HAHA eu fazendo carinha maligna). Espero que tenha gostado da atualização e não deixe de comentar! Bjoos, flor.

Midnight: Heii querida,Harry pode ser até meio besta, mas ele não é uma graça? Quero um desses para mim kkk - quero todos para mim. E te prometo que(pelo menos, eu achei) quando Mione fala para Cho "correr" é hilário, mas, bem, eu sou uma besta risonha mesmo, então... Espero que tenha gostado da atualização, bjoos

Witchysha: Esse site é cheio de frescura mesmo, mas como diz o ditado, antes tarde do que nunca hein? Fiquei muito feliz em saber que você está adorando a fanfic e realmente essa história que ele conta de que o sobrinho não ficaria sem ela ou que é muito caro casar uma mulher decentemente é tudo conversa dele, na verdade, ele que não conseguiria ficar longe dela. Espero que tenha gostado da atualização e estou ansiosa pela sua review. Bjoos, florzinha.

Luna Wesley: Estou muito feliz em saber que você está acompanhando a fanfic e pode ficar tranquila que Harry vai aprender uma coisa ou outra sobre amor. Espero que tenha gostado do capítulo, bjoos!

Nety Granger: Acho que tempo é uma coisa que me falta hoje em dia, adoraria que o dia tivesse mais que 24 horas,mas fazer oq né? Enfim, sempre divago,ahhh quando a Mione sair daquele quarto uma das primeiras coisas que ela vai fazer é por chang galinha para correr com certeza e espero que você não perca essa cena e continue comentando, bjoos florzinha!

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