Recomeço – capítulo 9
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
Na sexta a noite Jensen foi até um bar para encontrar-se com Sebastian, não estava em seus planos para a noite, mas como o amigo insistira muito, acabou cedendo.
Além deles, foram mais três amigos da faculdade. Conversaram, beberam e riram muito, e a noite acabou sendo bem relaxante para todos.
No fim da noite restaram apenas Jensen e Sebastian na mesa do bar, então a conversa acabou se tornando um pouco mais íntima...
- Então Jen, você não me falou mais sobre aquele seu paciente suicida, como andam as coisas?
- Ah, o Jared... Bom, acho que hoje tivemos um grande progresso. Não posso afirmar ainda, mas eu aposto todas as minhas fichas que sim.
- Aí está o Doutor Jensen, operando milagres! – Sebastian disse rindo.
- Eu só faço o que posso... o que está ao meu alcance, mas tem dado certo até agora. Apesar de ter um longo caminho pela frente ainda.
- E você e a Daneel? Ainda estão em clima de lua de mel?
Sebastian notou que Jensen baixou o olhar ao ouvir falar nela...
- Está tudo bem entre nós.
- Então por que esta cara? Alguma coisa errada?
- Não, é só que...
- Jen, você sabe que pode se abrir comigo, não é? E eu nem vou te cobrar a consulta!
- Eu sei sim, mas é que... Não há nada de errado. Nós temos saído bastante, conversado, o sexo está melhor do que nunca...
- E então? Não era isso o que você queria?
- É esse o problema! Era tudo o que eu queria... Então por que... merda! Por que eu não estou me sentindo feliz?
- Você não...
- Ela tem sido muito atenciosa, parece que realmente está tentando mudar, eu também estou me dedicando mais a ela, mas eu estou sempre com a sensação de que tem algo errado, sabe? De que falta alguma coisa, e eu não faço idéia do que possa ser.
- Talvez você não a ame como achou que amasse... Talvez você só sentisse falta da sensação de segurança que o casamento lhe dava.
- Sebastian, não me venha com esse papo de psicólogo pra cima de mim, ok? Tem que ser outra coisa. Eu devo estar sendo afetado pela paranóia dos meus pacientes, só pode ser isso. Acho que eu preciso mesmo de férias.
- O que você quer dizer com isso? Qual é o paciente que está afetando a sua sanidade? Hein, Doutor Jensen?
- Não é isso... É só que... eu acho que já bebi demais! Essa pôrra toda está mexendo com a minha cabeça!
- Por que você não me conta? Lembra? Amigos!!
- Não é nada, é que... você começa a ouvir umas histórias, e... E começa a se questionar... Será que o amor é mesmo só isso? Eu sempre achei que a amasse, e agora eu já não tenho tanta certeza... Droga! Ele... confunde a minha cabeça!
- Você está falando do Jared?
- Esquece, cara... Eu devo estar enlouquecendo... Eu estou com a mulher que amo, e eu sou muito feliz, é isso!
- Nossa! Agora você me convenceu! – Sebastian disse ironizando.
- E quem é você pra falar de mim, afinal? A sua vida também é uma droga!
- Não, a minha vida não é uma droga. Eu me divorciei por escolha minha, quando a coisa não deu certo, eu pulei fora... não fiquei insistindo no mesmo barco furado.
- Claro, você é sempre tão sensato!
Sebastian riu...
- Não Jen, você é quem sempre foi o cara sensato da dupla, esqueceu? Mas isso já faz algum tempo!
- É, eu sei disso, mas eu preciso ir agora, a Daneel está me esperando.
- Você sabe que horas são? Não por nada, mas acho que ela não deve mais estar te esperando.
- Merda! Não é que eu me esqueci completamente! Bom, eu vou ter que esperar até amanhã e enfrentar a fera...
- Boa sorte, meu amigo!
Jensen voltou para o seu apartamento, tomou um banho demorado para relaxar, e foi se deitar. Ficou por algum tempo pensando sobre o que tinha conversado com Sebastian, e então pensou em Jared... Em como aquele sujeito o deixava cada vez mais curioso com sua história. Pensou em como seria viver um amor tão intenso quanto o que ele viveu, de chegar ao ponto de querer desistir da própria vida...
Pensou que Jared deveria ser bem maluquinho, agia por impulso, fazia o que queria sem pensar muito nas conseqüências. Ao contrário de Jensen, que pensava mil vezes nas consequências antes de tomar qualquer decisão. As pessoas são mesmo um mistério a ser desvendado! Jensen concluiu antes de pegar no sono...
Despertou pela manhã com a campainha tocando, e ao abrir ainda sonolento, ficou surpreso ao ver que era Daneel.
- Cansei de esperar por você ontem a noite, Jen!
- Oi, eu... é... entra!
- Onde você esteve? – Daneel perguntou enquanto se sentava no sofá macio.
- Eu saí com uns amigos, e acabei me demorando além da conta, me desculpe!
- Hmm... e por acaso o Sebastian era um deles?
- Era sim, por que?
- Eu detesto aquele sujeito! Sempre levando você para o mal caminho!
- Ele é um ótimo cara, Daneel, é só implicância sua!
- Ok, eu não quero brigar com você por causa dele. Eu estava pensando que nós poderíamos... sei lá, passar o fim de semana juntos.
- Claro, pra mim está ótimo, eu só preciso tomar um banho agora, me dá só uns minutinhos...
- Tudo bem, eu vou fazer um café para você enquanto isso.
Daneel passou praticamente o fim de semana inteiro no apartamento de Jensen, e estava sendo muito bom, estavam praticamente em clima de lua de mel. Jensen procurou se desligar de seus problemas, ou melhor, dos problemas dos seus pacientes, e dedicou o máximo da sua atenção a ela, conversaram bastante, e como era de se esperar, acabaram novamente na cama...
No domingo a noite, depois de fazerem amor, permaneceram abraçados na cama... Jensen estava muito quieto, pensativo...
- O que deu em você, amor?
- Por que?
- Ficou tão calado, de repente!
- Dan, eu estava pensando... Era assim no começo, não era?
- Como?
- Quando nos casamos... talvez não "assim" mas, havia muito desejo, não havia?
- Eu acho que sim... mas por que isso agora?
- É que... eu não gosto de deixar nada pendente, e já que nós estamos recomeçando...
- Você está querendo bancar o psicólogo pra cima de mim? Ou isso é algum tipo de terapia de casais? – Daneel disse brincando.
- Eu só estou querendo entender, Dan... Onde foi que nós erramos? Onde foi que a coisa toda se perdeu? Nós... nos amávamos e era muito bom, eu me lembro. Mas, com o tempo... sei lá, algo se quebrou, e eu só gostaria de entender quando e por que.
- Não sei Jen, mas talvez quando você passou a achar que os seus pacientes eram mais interessantes do que eu... E a dedicar mais tempo a eles do que a mim...
- Eu também não sei, Dan... mas acho que isso começou um pouco antes... Talvez na época em que você tinha persistentes crises de enxaqueca, cada vez que eu tentava me aproximar, e que mesmo eu te pedindo um milhão de vezes para procurar tratamento médico, você insistia que não era necessário. Talvez por que elas não existissem realmente...
- Eu não acredito que você...
- E então, depois de eu ser rejeitado por muitas e muitas vezes, aí sim, acabei desistindo de tentar, e passei a me dedicar cada vez mais aos meus pacientes... Algo que me ajudava a me sentir útil, e diminuía a minha frustração.
- Então em resumo, a culpa foi toda minha?
- Não, a culpa foi de nós dois, mas eu ainda estou querendo entender... Você tinha um amante na época?
- O que?
- Tinha? Eu não estou te julgando, Dan... Eu só gostaria de recomeçar do zero, sem haver nada pendente entre nós.
- Não Jensen, claro que não!
- Ok - Jensen suspirou cansado.
- Sabe amor, eu estou chegando a conclusão de que a gente se entende melhor na prática, do que na teoria... Você não concorda? – Daneel disse enquanto se sentava no quadril de Jensen, se insinuando...
E depois de se amarem mais uma vez, Daneel adormeceu, mas Jensen continuou acordado na cama, pensativo... Já não estava mais tão seguro de si, era melhor ir devagar, para não acabar se machucando mais uma vez.
Na verdade não tinha certeza de ter feito a escolha certa. Talvez Daneel nunca o tivesse amado de verdade, talvez o casamento, e agora o retorno, só lhe fossem convenientes, já que as coisas não tinham dado certo com Christian.
Como percebeu que de forma alguma conseguiria pegar no sono, Jensen levantou e foi para a sala, onde juntou todas as anotações que havia feito sobre um de seus pacientes, e começou a ler cada uma delas com atenção, para ver se não tinha deixado nada passar. Jared era muito imprevisível, precisava estar sempre preparado, e com uma carta na manga para qualquer eventualidade. A medida em que lia, foi fazendo mais algumas anotações, e quando percebeu já estava quase amanhecendo, então voltou para a cama para tentar dormir um pouco.
Na segunda feira Jensen deixou Daneel de volta em seu apartamento, e seguiu para o seu consultório.
Verificou a sua agenda com Katie, atendeu alguns pacientes, e perto do meio dia, recebeu uma ligação um tanto interessante da clínica onde Jared estava internado. Resolveu o assunto por telefone, mas a tarde de qualquer jeito teria que ir lá para ver Jared, onde acabaria matando a sua curiosidade.
Teve boas notícias ao falar com a enfermeira Nancy, que lhe contou que Jared parecia bem mais disposto, e que finalmente estava conversando com as outras pessoas da clínica, inclusive com ela. Jensen ficou realmente feliz com a notícia, afinal isso já podia ser considerado um grande progresso.
Encontrou Jared no quarto, concentrado em alguma coisa no seu notebook.
- Hey, como é que estamos hoje? – Jensen perguntou com um sorriso.
Jared apenas o olhou por algum tempo, como se estivesse analisando alguma coisa, e Jensen não sabia por que, mas aquele olhar realmente o perturbava.
- Na mesma, não é? Entediado... puto... e de saco cheio! - Jared disse de mau humor.
- Eu também estou ótimo – Jensen disse brincando.
- Não é o que parece.
- E o que parece?
- Você entrou aqui com o seu sorriso mais forçado, sinal de que alguma coisa não está bem.
- E o que você está fazendo? – Jensen disse mudando de assunto.
- Estava olhando os e-mails...
- Alguma coisa interessante?
- Eu não tive coragem de abrir.
- Nenhum deles?
- Não, eu exclui todos sem ler. A maioria era de logo depois do acidente, eu posso imaginar o que continha neles...
- Ok, eu tive duas notícias interessantes hoje... Uma é que você finalmente parou de se isolar, o que eu fiquei muito feliz em saber.
- A Nancy é uma fofoqueira – Jared disse com um sorriso.
- Ela é uma ótima pessoa.
- É, eu sei.
- Mas tem outra coisa... Hoje pela manhã me ligaram daqui, dizendo que um amigo seu estava ameaçando colocar fogo na clínica se não o deixassem ver você...
- O que?
- Você tem idéia de quem seja?
- Ameaçando colocar fogo na clínica? – Jared riu – Só pode ser o Chad!
- Quem é o Chad?
- Um grande amigo.
- Você nunca falou dele pra mim.
- Eu não falei sobre nenhum amigo pra você, até agora você só me perguntou sobre o Jason.
- Ok, então você quer me falar sobre o Chad?
- O que ele fez, afinal? Desistiu e foi embora?
- Eu falei com ele ao telefone, e disse que se ele quisesse te ver, teria que conversar comigo primeiro.
- Qual é, Jensen? Agora você já está apelando... Usando de chantagem até com os meus amigos?
- Ele concordou, vai até o meu consultório amanhã pela manhã. Mas antes eu gostaria que você me falasse dele. Quando vocês se conheceram? São amigos de infância?
- Eu o conheci há pouco mais de três anos, em uma festa.
- Que tipo de festa?
- Uma festa do jornal que o Jason trabalhava... Ele foi premiado por um artigo que escreveu, e eles deram uma festa por isso.
- Fale-me sobre essa festa...
Jared revirou os olhos e bufou...
- Você não se cansa mesmo, não é? Ok... Nós estávamos morando juntos há uns três meses, e foi a primeira vez que nós fomos juntos a um evento assim, sabe? Eu estava nervoso... esse lance todo ainda era meio estranho pra mim.
- E como foi?
- Foi... incrível. O Jason estava bem tranquilo, ele não ligava pra nada mesmo, mas quando eu cheguei lá, eu fiquei surpreso... Eu fui recebido como... Sei lá, parecia que todo mundo já me conhecia há tempo, eu me senti muito a vontade, e na verdade eu não conhecia ninguém ali, além dele. No fim da festa, não deu nem tempo da gente esperar chegar em casa pra... Nada, esquece...
Jensen riu...
- Então o Chad já era amigo do Jason?
- Não, eles só trabalhavam juntos, o Chad só fazia uns bicos lá uma vez por semana, na época.
- Mas foi o Jason quem apresentou vocês?
- Sim, e sabe quando você conhece alguém, e logo vê que tem muita afinidade? Foi assim com o Chad. Nós conversamos muito aquela noite, e logo nos tornamos muito amigos.
- E depois disso, ele e o Jason também se tornaram amigos?
Jared riu...
- Não.
- Estranho, não é?
- Era meio que... intriga da oposição - Jared disse sorrindo.
- Ciúmes?
- O Jason jamais admitiria, mas era sim.
- O Chad, ele é...
- Só meu amigo, nada mais. Sempre foi assim. Mas o Jason achava que ele tinha outras intenções comigo, eu não sei por que...
- E você tem certeza que ele não tinha?
- Absoluta. O Chad só saía com mulheres, e nunca demonstrou nenhum outro tipo de interesse em mim.
- Ok, e você gostaria de vê-lo?
- Sim.
- Então eu falo com ele amanhã, e marco algum dia para ele vir aqui.
- O que você quer com ele, afinal?
- Jared, eu estou trazendo visitas para você por minha conta e risco, você não acha que o mínimo que eu posso querer, é conhecer estas pessoas antes?
- Ok. Mas vê se manera, tá! Eu não quero ser zoado pelo resto da vida por causa disso.
- Prometo que eu vou tentar! – Jensen disse rindo.
Continua...
Beijinhos, e obrigadinha a todos que estão acompanhando!!
Mary.
