Os dias passavam e a rotina de Malfoy repetia-se constantemente o mesmo ambiente, o mesmo horário, os mesmos locais, as mesmas pessoas. Era um circulo vicioso quebrado pelas cartas do filho. Ainda não se decidira a aparecer com a esposa numa das reunioes da livraria, era doloroso pensar nisso, como se iria sentir Astoria ao aperceber-se dos sentimentos dele por Granger, o que não seria dificil, visto a sua esposa o conseguir decifrar facilmente. Eram estes os seus pensamentos num pequeno momento livre no consultório, pousara os oculos que usava regularmente para ler na mesa.
Bateram à porta, devido ao surto de sarapintose que abalava a comunidade mágica londrina. As urgências do hospital estavam cheias, todos os cuidados eram poucos. Malfoy calçara as luvas de pele de dragão e colocara uma pequena mascara sobre a boca e nariz como forma de prevenção. As macas estavam espalhadas por todos os cantos dos corredores dificultando o acesso. Os seus colegas de trabalho andavam sem mãos a medir, tinham de impedir que a infecção se manifestasse até à uvola, com o risco do paciente ficar sem voz. Fora uma tarde sem duvida atarefada para o loiro, que só desejava voltar para casa.
Quando finalmente o relogio tocara as 19:00, finalmente voltou ao seu consultório para arrumar as suas coisas. Na secretária estava uma coruja com o "profecta diário" e também uma carta do ministério. O choque apoderou-se dele ao colocar os olhos sobre a capa do jornal, uma fotografia do seu pai durante o tempo que passou em Azkaban. O titulo em negrito dizia: LUCIUS MALFOY INOCENTE? INVESTIGAÇÕES CONTINUAM!
Agora estava tudo explicado, os olhares estranhos que lhe lançaram durante o dia, a estranha simpatia de alguns colegas de trabalho, o "Está tudo bem Sr. Malfoy?". Não teve coragem de abrir a carta, muito menos o jornal, cujo artigo muito provavelmente seria escrito por Rita Skeeter, ela tinha uma queda para estes tipo de caso. Pegou então nas coisas e colocou na mala o jornal e a carta e apressou-se a chegar à lareira mais proxima.
Astoria estava na sala, quando Draco surgiu na lareira, com o rosto pálido e olhos vermelhos. Olhava para um envelope aberto.
"Senhor Malfoy
Informamos por este meio, que o processo referente à condenação de seu Pai, Lucius Malfoy foi aberto devido a discrepanncia de dados. O ministério da Magia está neste momento a averiguar as causas do acidente, cuja culpa lhe fora atribuida á 18 anos. Esperaremos a sua colaboração em todo o processo. Noutra carta, dar-lhe-emos novas informações com novos dados
Atenciosamente
Kingsley Shacklebol"
Malfoy precisava de provas, era a unica forma de provar a inocencia do pai, e trazer de novo a honra aos Malfoys, que à 18 anos fora perdida. O unico lugar onde ele poderia encontrar alguma coisa era no antigo escritório do pai, era lá que ele mantinha os seus pertences e as coisas relacionadas.
Parecia ter cido escrita antes da batalha que vitimara Sirius Black, e levara o pai á sua primeira estadia na prisão de Azkaban, prevera ele que tal fosse o desfecho e o destino que o aguardara
"Querido Severus
Desculpa mandar-te esta carta agora mas prevejo que seja o meu ultimo dia em liberdade antes de ir para Azkaban. Peço-te que não me visites, não iria aguentar ver-te sem te poder tocar, sentir a tua pele fria na minha face. Seria humilhante, doloroso, sequer imaginar que poderia ser a ultima vez que me irias ver vivo, possivelmente, não sei o que me aguarda dentro daquelas grades que nos irão separar.
(...)
Toma conta do Draco por mim, como tens feito todos estes anos por mim, na minha ausência, pois caso eu seja apanhado apenas prevejo um futuro negro para ele e para Narcisa. Ajuda-a no que precisar, apesar de tudo, ela continua a ter um carinho especial por ti, apesar de saber da nossa relação.
(…) Sabes que mesmo assim amo-te, apesar da tua relutância nas minhas palavras (…)
Se não te vir depois, espero que encontres esta carta, e sigas o que te peço.
Graciosamente
Lucius Malfoy"
Como esta haviam outras cartas, rascunhos, escritos... declarando o amor de Lucius a um meio sangue, que perdera a vida algo em vão. Compreendia agora a dor do pai após a "Batalha final", o porquê das noites passadas no escritório, sem jantar nem dormir, a razão dos olhos inchados e vermelhos de manhã as quais o pai atribuia o stress e insónias como causa.
No entanto não acreditava nos seus olhos, como poderia o seu pai ter escondido aquilo, enganando -o durante tantos anos, mantendo assim um caso com o seu professor preferido. Pelo que sabia, Snape era um homem discreto representando o oposto do pai, que com um sr exuberante e altivo, atraia as atenções facilmente. Haviam-se conhecido no primeiro dia de aulas de Snape, que após a selecção deste para slytherin, foi felicitado por Malfoy, prefeito na altura, mas à quanto tempo durava este romance? Reuniu todas as cartas que encontrara, ordenando-as por ordem cronológica, era uma história mais velha que ele. As cartas revelavam as preocupações de Lucius em relaçao a Narcisa, declaravam a confusão sentimental de Lucius, que afirmava amar os dois de tal forma. Uma outra relatava a revelaçao da relação a Narcisa, que naquele momento entrara no quarto e trocara olhares com Draco, sabia que cartas ele tinha na mão, ela mesma já as tinha lido antes de as reunir e guardar, os seus olhos fixaram-se no chão de madeira.
-Sei o que estás a pensar filho, deves achar que fui uma idiota por continuar com o teu pai, mesmo sabendo que …, tu sabes, mas eu amava-o e sabia que ele no fundo também me amava…
-Mãe, … - Fora interrompido pela mãe
O teu pai guardou algumas das suas memórias, nos seus ultimos dias de vida em liberdade, armazenou-as, sob o pretexto que no dia em que encontrasses as cartas e as lesses. Também têm - Dito isto retirou-se da sala
- Mãe há quanto tempo sabia disto?
Narcisa parou á soleira da porta, tensa de punhos fechados, durante um minuto antes de retomar o caminho, sem dar uma resposta. Draco por seu lado continuou na divisão, procurando qualquer coisa que podesse indicar a inocência do pai, mas nada o ajudava, apenas encontrava cartas do ministério, de Snape, de outros devoradores da morte.
Wennie viera chama-lo para o jantar, que decorrera num silêncio desagradável, Narcisa parecia desconfortável com a ideia do filho haver descoberto da relação do pai com Severus. Só Astoria parecia confusa com a situação, nunca vira aquela expressão na face da sogra, nem nos olhos de Draco.
Após o jantar Draco foi dormir, no dia a seguir ia aproveitar para uma pausa, eram demasiadas informações, demasiadas novidades ao mesmo tempo. Iria passar certamente pela livraria, lá iria ter algum sossego e uma companhia que não o questionasse nem o julgassem.
