Nota inicial: Bem, como minha amiga Assistente de Roteiro (a Nalu) me disse que o capítulo anterior tinha pouco diálogo, esse está praticamente só "na conversa". Eu tinha mesmo experimentado aumentar mais os trechos narrativos no capítulo anterior. Então, aumentei os diálogos nesse. Contudo, vocês leitores, podem sentir que leram esse novo capítulo em um piscar de olhos. E eu digo: isso é normal ocorrer quando a história é mais focada nas falas, pois não tem muito daqueles parágrafos descritivos (o encher linguiça) que deixa o texto maior. Mas, vou tentar (entre um capítulo e outro) balancear o tipo de escrita, e assim, tentar tornar a leitura agradável a todos. Mas, deixem suas opiniões dizendo o que estão achando da narração, hai? Se preferem mais diálogos (como é o caso da Nalu) ou se preferem menos diálogos e mais cenas descritivas. Ou... o meio termo. Review-me. :D (a opinião de vocês é muito importante para essa ficwriter continuar fazendo um bom trabalho).
Agora chega de conversa, né? Vamos ao capítulo.
Boa leitura.
Os Garotos
Capítulo 8
Dia dos Namorados – Parte I
Hyoga se virou e abriu um grande e espantado sorriso. Não acreditava em quem estava vendo.
- Nina?
...
Algum tempo depois, dentro do quarto do loiro. Anina explicava para o ex-vizinho de vilarejo, que a irmã mais velha, Elian, havia ganhado um tratamento para tentar reverter seu estado de mudez e, por esse motivo, elas passariam um tempo ali, no Japão.
- Aí, essa médica japonesa ofereceu o tratamento.
- Uma médica japonesa? – o loiro retornou a afirmação em forma de pergunta, tentando entender melhor o que Anina queria dizer. – Como a conheceram?
- Sim. – confirmou a menina, elevando as mãos para a cabeça e começando a desfazer a sua longa trança. - Na verdade era um grupo grande, com vários profissionais. Eles estavam fazendo pesquisa, excursões, essas coisas de gente "estudada". Aí... – a menina se sentou de costas para o loiro na cama. – Termina de desfazer para mim eu não consigo! E está apertada de mais!
- Eu não sei fazer isso...
- Ow, larga de ser chato! É só ir desenlaçando, Hyoga! Por favor! Essa trança apertada está machucando meu cérebro.
- Ah, certo. – Ele resolveu fazer o que ela pedia. – Mas e aí, continua.
- Então, eles se encontraram pela internet pelo que ouvi. Aí, alguns deles ficaram hospedados lá em casa. Sabe que o nosso vilarejo não tem muitas pousadas, né?
- Sei...
- Então, acabamos nos tornando amigos, porque eu fui um tipo de guia deles, entende?
- Hm.
- Aí, quando a médica se deparou com o caso da Elian, ela ofereceu para o papai, um tratamento gratuito. Mas, teria que ser aqui no Japão. - A menina suspirou mais aliviada ao sentir os cabelos soltos. – Nossa, obrigado. Está bem melhor assim.
- Até que não é complicado desfazer. – Hyoga estendeu o elástico que retirou do cabelo para ela, a menina havia voltado a sentar na cadeira da escrivaninha, para ficar de frente para ele. E só então, o loiro percebeu o quanto Anina era feminina. Rosto delicado, olhos claros, e longos cabelos loiros.
- O que você está olhando?!
- Calma, Xerife. – ele ergueu às mãos. – Eu só estou admirado. Você se parece mesmo uma menina.
- Há-Há! – ela riu irônica. - Muito engraçadinho você. – acrescentou, puxando o elástico da mão dele e prendendo o longo cabelo novamente, desta vez, em um rabo de cavalo. – Agora está melhor.
- Mas é incrível. – admirou-se o loiro.
- O quê é "incrível"?!
- Seu pai ter deixado você vir com ela, e não a Ernine.
- Ah, sim! – esbravejou a pequena, em tom de indignação. – Quer dizer que a Ernine é responsável e eu não posso ser, é isso?
Hyoga riu.
- Não, Nina. – ele negou, pacientemente. - Mas a Ernine é adulta. – explicou.
- Só que a Ernine não vai poder ficar extrapolando agora, afinal, ela está grávida. E de verdade, agora. – a pequena frisou, com um sorriso sapeca no rosto.
A boca do loiro se entreabriu de surpresa.
- Jura?
- Pois é. – Hyoga a viu concordar fazendo um bico e inchando as bochechas brancas; era uma cara evidentemente de emburrada.
- É impressão minha, ou você não gostou dessa ideia?
- O problema é que agora todos estão venerando a Ernine, muito mais do que antes. Ela está quase chegando ao status de "deusa" na vila, só porque está carregando o primeiro neto dos Hagnovisk! – ela pronunciou em um tom pomposo. - Ninguém mais me dá bola. Isso é irritante.
Hyoga riu novamente.
- Não tem mais idade pra ficar com ciúmes de um bebê.
- Ah, não enche! - A menina olhou a caixa encima da cama do loiro, então a apanhou. Presente? – perguntou, observando que o rosto do amigo ficara levemente vermelho. – É seu aniversário, não é?
- É sim.
- Desculpe-me? Eu não sabia, por isso não trouxe nada.
- Tudo bem. Acho que nem cheguei a mencionar a data, não tinha como você adivinhar.
- É, isso mesmo. – ela revirou a embalagem de um lado a outro, ouvindo algo se mover dentro dela. – É pesado. É de alguém especial? Posso abrir? Tô me coçando de curiosidade.
- Abra. – Ele permitiu. Mas, engoliu em seco, observando-a rasgar o embrulho. Por algum motivo, seu coração acelerou. Ainda sentia o calor que o beijo do Shun deixara em seu corpo.
- Uau! Que vidro lindo! – exclamou Nina, desrosqueando a tampa de metal do frasco quadrado e borrifando o conteúdo para o ar. Em seguida, ela fechou os olhos e inspirou a fragrância. Hyoga copiou os gestos da menina, e inalou àquele aroma cítrico que se impregnou o ambiente. Shun tinha um gosto bem refinado, era um perfume que nunca sentira na vida. – Nossa que gostoso. – Hyoga viu Anina abrir os olhos e então, tentar ler o nome na embalagem: - "Eau Sauvage, Dior" que língua esquisita é essa?
- É francês.
A menina ergueu seus grandes olhos atentos, que ainda carregavam um ar de criança arteira, para o amigo à sua frente.
- Como sabe? – perguntou, evidentemente curiosa.
- O mestre do meu mestre, Camus, era francês. – se explicou o loiro. – E ele ensinou alguma coisa ao mestre Cristal, que em consequência, passou para mim.
- Nossa! – ela se admirou mais uma vez, voltando seus olhos para o vidro. - A Ernine me falou uma vez que os melhores perfumes do mundo são os franceses. – explanou. - Esse deve ter sido muito caro... O que significa esse nome?
Hyoga pigarreou, um tanto constrangido.
- Que é? – ela arqueou uma das sobrancelhas. – Diz logo o que significa! Ou não sabe?
- Claro que sei, significa: "Água selvagem" e Dior deve ser o nome de que fez o perfume. – expôs sem rodeios, soltando um suspiro depois.
- Uau! – a garota exclamou, sorrindo abertamente. - Será que a pessoa que te deu isso lhe considera um selvagem, hein?
Hyoga só revirou os olhos, sabia que o nome geraria alguma piada infame. Mas decidiu não dar bola, e então, ouviu Nina continuar.
- Deixa eu ler o restante: "Notes: Citron, Romarin, Petit-Grain et Basilic, Vétiver".
- "Com notas Cítricas de alecrim, Grãos de almíscar e âmbar, vetiver." - traduziu Hyoga, fazendo Nina sorrir ainda mais.
- Nossa! Você sabe mesmo francês!
- Sei muito pouco.
- Quem te deu?
Hyoga tomou o vidro da mão dela.
- Não te interessa.
- Hmmm... vai fazer segredo, para mim, é? Sabe que eu descubro! – a pequena o avisou, pegando a caixa do perfume e a revirando, até que encontrou um envelope. – Viu! Aqui! Não disse! Sempre tem um cartão. – ela mostrou o achado, toda eufórica.
- Nina, me dá isso. – pediu o loiro, estendendo à mão para ela.
- Deixa eu ler pra você. – Ela propôs, subindo encima da cama para ficar fora do alcance do amigo, entretanto, assim que abriu o envelope e retirou a folha de caderno de dentro deste, sua feição de moleca sapeca se inverteu para uma cara de desânimo. - Ei, quem consegue ler esses garranchos?!
Hyoga tentou segurar o sorriso, apertando os lábios.
- Isso se chama Kanji (1) – informou o loiro, e então, a viu descer da cama e lhe devolver o envelope. Em seguida, ela retornou para o leito e sentou-se, emburrada.
- Assim, não vale! – esbravejou, jogando seu corpo para trás e sentindo-o pular no colchão. - Você sabe um monte de língua. A doutora que trouxe eu e a Elian para cá, está ensinando japonês para gente desde quando ela estava lá no vilarejo. – informou. - Mas eu aprendi a falar, não a ler esses quadradinhos e riscos que eles chamam de letras.
Hyoga sorriu mais uma vez, e então leu o cartão rapidamente com os olhos. E teve que engolir o nó que se formou na sua garganta ao terminar. Suspirou.
Nina sorriu para expressão de bobo apaixonado que o amigo fazia, a conhecia muito bem. Afinal, era idêntica a da irmã mais velha, quando falava do Alexandre, o marido dela. E então ela se virou na cama, e deitou-se de bruços, amparando seu rosto com ambas às mãos, para visualizá-lo melhor.
- É dele, né? – ela inquiriu, rompendo o estado de êxtase deste. - Finalmente estão juntos, estou certa?
Hyoga saiu do transe, ficando levemente envergonhado.
- É. – concordou em um suspiro. – E ele está me desejando feliz aniversário, só.
O que era mentira, óbvio. Shun não havia dito só aquilo, e o loiro não estava acreditando no que estava escrito. Releu a carta com os olhos mais uma vez, sentindo o calor do constrangimento lhe enrubescendo as maçãs do rosto.
"Hyoga, não consigo parar de pensar em você. E principalmente nos seus beijos. Quando nossos corpos se unem, sinto algo dentro de mim se aquecer. Meu coração dispara. É algo tão bom, que chego a sentir medo. Medo de não conseguir me controlar e me perder... Mas sei que em seus braços, eu estarei seguro. Queria que esse dia fosse mais especial para nós. Pena que o meu irmão não anda ajudando. Planejei te dar um beijo na boca na hora que te entregasse o presente. Mas se eu não o fiz é porque me acovardei, desculpe. Ainda é um pouco difícil tomar iniciativa, mas eu treinei bastante. Se eu consegui, espero que tenha gostado. Também, espero que goste do aroma dessa colônia, a vendedora disse que significa "água selvagem" para homens que têm uma "pegada intensa". Eu não sei bem o que ela quis dizer com isso. Mas eu acho que tem haver com o abraço intenso. E acho que combina com a forma que você me aperta nos seus. É embaraçoso escrever isso, desculpe novamente. "#^-^#". Feliz aniversário. Shun."
- Até eu sei que em um monte de rabiscos desses não deve estar escrito só isso... – Anina interrompeu os pensamentos do loiro. – Mas tudo bem, é particular. – ela emendou, sacudindo os ombros. - E ele deve ter escrito algo bem embaraçoso, porque a sua cara está toda vermelha.
- Pirralha! – resmungou ele, guardando perfume e a carta na gaveta da sua cômoda. E acabou por ver a embalagem do presente que comprara para Shun, o qual não teve coragem de dar à ele da última vez. Pensou em devolvê-lo a loja, mas sempre dizia para si mesmo: "Amanhã, amanhã". E no final, não teve coragem.
- Me conta, como está indo o namoro? – ele ouviu a pequena interromper seus pensamentos pela décima vez, então voltou a fechar a gaveta. Já sabia que agora poderia dar o colar, e faria isso quando tivesse uma boa oportunidade. - Você criou coragem e o pediu? – Nina foi mais direta.
- É. – concordou categórico. - Estamos namorando. Mas não está sendo fácil, Nina. – informou ele, virando-se para ela e encostando-se à cômoda.
- Por quê?
- Me dá um lugar aí... – ele se desencostou do móvel e se aproximou dela. - Deixa eu sentar, que eu te conto tudo.
Após acomodar-se na beira cama, Hyoga narrou para amiga de vilarejo o pedido de namoro que fez a Shun. Explicou também, sobre a desconfiança e a marcação cerrada de Ikki. E também disse a ela, o quanto o namorado tem medo que o romance deles seja descoberto pelo irmão mais velho.
- Pelo jeito, para vocês terem tanto medo desse tal de Ikki, ele deve ser um monstro cuspidor de fogo!
- É... Talvez ele seja algo pior.
E assim que Hyoga fez essa conclusão, os dois se sobressaltaram ao ouvirem uma subida desenfreada pelas escadas. E pela segunda vez naquele final de tarde, Hyoga achara que era Seiya, mas novamente, foi a sua porta que fora escancarada, e foi um Ikki furtivo quem apareceu, gritando.
- ONDE ESTÁ O SHUN?!
O susto daquela entrada repentina e do grito do mais velho da casa, fez Nina se arquear da cama e grudar assustada no pescoço de Hyoga.
Ikki por sua vez, franziu as sobrancelhas ao presenciar a cena. Quem era aquela garota na cama do loiro, e ainda por cima, agarrada à ele?
- Hyoga?
- Ah, Ikki, essa é a...
- A namorada do Hyoga. – a menina interrompeu o loiro fazendo os dois arregalarem os olhos assustados.
- O QUÊ?! – exclamaram ambos, em um grito.
Então, a menina desceu da cama. Caminhou até o mais velho, e se deteve de pé enfrente dele, mas teve que elevar a cabeça para olhá-lo, já que este era claramente, bem mais alto que ela.
Ikki crescera muito nos últimos anos, e hoje ele era o mais alto da casa, deveria medir entorno de 1,85 de altura. Hyoga e Shiryu tinham praticamente a mesma altura, o primeiro 1,80 e o segundo 1,79. Enquanto Shun e Seiya eram exatamente da mesma altura: 1,70. Apesar de que, os dois ainda eram muito novos e ainda poderiam crescer mais. Enquanto isso, a pequena Anina, tinha algo entorno de 1,60.
- Então, Hyoga... – disse ela, sorridente. - Agora que vim para o Japão, não precisa mais esconder, não é? Eu sou Anina Hagnovisk, prazer, senhor! – ela se apresentou. - Você deve ser o responsável pelo meu namorado, né?
- Hyoga?! – Ikki o chamou novamente, como se pedisse dele uma explicação. Ignorando a pequena à sua frente e encarando o outro por cima da cabeça dela.
- Ah... Err... Bem. – o loiro coçou a nuca e também se levantou. – Ela é do vilarejo onde eu nasci. – tentou achar uma explicação para algo que ele nem sabia, afinal, não entendia o que a menina queria ao se apresentar a Ikki como sua "namorada". - O avô dela era governante da vila, e...
- Na verdade eu e as minhas irmãs consideramos o vovô como pai, pois foi ele quem nos criou depois que nossos pais morreram. – ela cortou o tom gaguejante do amigo, em seguida, prosseguiu se explicando. - Ele queria que o Hyoga escolhesse a minha irmã Ernine, a mais velha, para desposar. Mas a Ernine já gostava de outra pessoa, o Alexandre. Então, quando nos conhecemos, foi, amor a primeira vista? Não é, Amor? – perguntou ela, voltando-se para o loiro e abraçando-se ao pescoço dele, acrescentando um beijo estalado na face deste.
- É... – concordou Hyoga, ainda muito confuso.
Ikki apontou o dedo indicador para os dois e o balançou. Então, parou. Franziu as sobrancelhas. Fechou o punho arqueado. Não estava acreditando naquilo. Repousou as mãos na cintura. Suspirou. Pensou.
- Eu achei que... – Ikki engoliu o que iria falar. Não conseguia imaginar que suas desconfianças estivessem erradas. Hyoga namorando? E uma menina? Aquilo não fazia nexo.
- Achou?
- Nada. – ele inspirou profundamente, soltando um grande suspiro de resignação. - De qualquer forma, vocês não podem ficar no quarto sozinhos. Quantos anos têm essa pirralha, Hyoga? Ela tem cara de quem tem uns doze anos!
A menina fez um bico, cruzou os braços no peito e, novamente, parou na frente de Ikki, encarando-o com os olhos fumegantes.
- Está me chamando de baixinha, pirralhenta, catarrenta e raquítica, é isso?!
Ikki riu de lado.
- E se for? – ele a encarou, olhando para baixo. – Você não parece ter idade para namorar.
- Fique sabendo, senhor grandalhão-metido, que eu já tenho quase dezessete anos!
- Então, é uma anã?
- QUÊ?! - A garota pisou no pé do mais velho, fazendo lágrimas escorrerem dos seus olhos.
- Nina?! – assustou-se o loiro.
- Isso doeu!
- Repete, gigantão?! – instigou ela, vendo Ikki segurar o pé com as duas mãos. - Acha que eu tenho medo desta sua cara feia, e dessa cicatriz de bandido que você tem no meio desses olhos de gato, é?! Vem, vem, pode vir! Eu sei me defender! – fazia ela gestos de golpes de luta livre no ar.
- Hyoga... – o mais velho olhou a cara de embasbacado que o loiro fazia. - Tem certeza que isso é uma garota?
- ISSO?!
A menina grudou no braço de Ikki, dando-lhe uma dentada.
- AIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!
...
- Tadaima! (2) – anunciou Shun, ao entrar em casa com a mochila pendurada em um dos ombros e uma sacola em uma das mãos.
Então, ele ouviu uma balburdia estranha vinda da cozinha, enquanto desamarrava os cadarços do seu tênis. E de repente, viu Ikki irromper no hall com o pano de prato pendurado em um dos ombros, vestido com seu avental preferido, o que tem uma ave fênix bordado na frente.
- Onde esteve, Shun?!
- Na academia. – informou calmamente, descalçando os tênis e pisando no chão da casa só de meia. – Você mesmo que me matriculou lá, onii-san, esqueceu?
- Shun, você não estava lá. Eu liguei na hora do intervalo e me disseram que você tinha saído.
- Eu tinha ido procurar uma confeitaria para trazer isso. – explicou o caçula, erguendo o embrulho para o irmão.
- Doushite? (3)
- É um bolo. Para comemorarmos o aniversário do Hyoga.
Ikki ficou em silêncio por um instante. Apanhou a sacola que o irmão lhe estendia e ficou paralisado, observando-o. Será que já poderia confirmar que estava ficando neurótico?
- Ei, eu não me aguentei de curiosidade e vim vê-lo também. Mas será que dá pra sair da frente, senhor gigante! – Shun ouviu uma voz. E só então percebeu dois pesinhos atrás de Ikki.
O mais velho se pôs de lado.
- Você é muito intrometida, garota! Deus, será que já não me basta o Seiya?!
- Quem é? – Shun admirou a menina que vestia uma calça jeans lavada, uma camisa branca de manga cumprida. Roupas totalmente avessa ao clima quente que estava fazendo. Ela também tinha o cabelo loiro amarrado no alto da cabeça, e se não fosse o rosto e a voz feminina, poderia confundi-la com um menino facilmente. Mesmo assim, ela era bonita.
- Essa é a Anina Pentelha Hagtiti!
- Hagnovisk, grandão! – ela empurrou Ikki para o lado e estendeu à mão para Shun. Abrindo um grandioso sorriso. – Haji- Hajimemashite, Shun-kun (4). Ouvi muito falar de você.
- Hajimemashite, Hagnovisk-san. – Shun segurou a mão da pequena, correspondendo ao cumprimento.
- Ah, não! Isso soou como um palavrão. Por favor, me chame de Nina. – Ela pediu.
- Ah, certo, Nina. – concordou Shun, sorrindo, soltando da mão dela. – Mas... quem falou de mim pra você? – perguntou curioso.
- O namorado dela. – foi Ikki quem informou.
Shun olhou do irmão para a garota. Não entendera.
- Namorado?
- Hyoga. – expôs o mais velho, seguindo para cozinha. - Vamos comer esse bolo. Você já jantou Shun?
- Comi algo na academia.
Shun respondeu ao irmão, e em seguida olhou a menina com uma expressão de perplexidade, o coração havia acelerado estranhamente ao ouvir aquilo. Como assim, namorada do Hyoga? Não estava entendendo nada.
Então, a pequena, como se lesse seus pensamentos, lhe explicou.
- Não sou namorada de verdade, relaxa. – contou ela, em um sussurro. – Mas depois te explico, melhor. Eu tenho um plano. Vem! – ela segurou o pulso dele e o puxou para dentro da casa.
Realmente, ele não estava compreendendo. Assim, deixou ser puxado. E ao entrar na cozinha, percebeu que todos estavam ali, já preparando a mesa para o bolo. Cumprimentou os irmãos com um "Konbawa" e após a resposta, seus olhos pararam encima do loiro que estava sentado no extremo da mesa, encarando-o. E esse olhar firme de Hyoga encima de si, dizia "não se preocupe", então, suspirou mais aliviado.
- Obrigado pelo bolo, Shun. – agradeceu ele.
O caçula apenas sorriu em resposta ao agradecimento do "amigo". Então, Shiryu terminou de ascender as dezoito velinhas que dispôs encima da cobertura branca feita de glacê e do "Happy Birthday to You" escrito com calda de chocolate. E Seiya, foi o primeiro a puxar os "Parabéns para você" cantado, louco para acabar com a parte formal e experimentar a guloseima. Fora o início de uma noite bem agradável.
Depois dos "Parabéns" e de se fartarem do bolo que tinha recheio de creme com morangos, Shiryu se propôs a lavar as louças que foram sujas. Ikki foi para sala, fazer a contabilidade das despesas do mês. E os quatro restantes: Hyoga, Shun, Seiya e Nina, foram para o quintal da casa apreciar um pouco do ar da noite.
Seiya – que tivera uma afinidade imediata com a Anina – explicava à ela as regras do futebol e, por incrível que podia parecer, a pequena loira estava muito interessada no assunto. Enquanto isso, Hyoga – que estava sentado ao lado de Shun na calçada da casa - explicava para o namorado sobre a menina e o tal "plano".
- Fico feliz que ela queira nos ajudar fingindo ser sua namorada Hyoga, acho que isso vai diminuir um pouco da "perseguição" do meu irmão.
- Ela é uma boa menina. É esperta. E bola uns planos malucos que dão certo. – confessou Hyoga sorrindo. – Mas, Shun. Será uma ajuda temporária. Quando o tratamento da irmã dela, a Elian, terminar, ela vai embora. – informou Hyoga, voltando a ficar sério. – Assim, eu ainda acho que o melhor que temos a fazer, é enfrentarmos o Ikki de vez. Quanto mais cedo, melhor.
O caçula sentiu um arrepio de pavor ao ouvir aquilo.
- Hyoga, por favor.
- Shun? "Por favor" digo eu. Se ficarmos escondidos, só vai tornar as coisas cada vez mais difíceis.
- Mas você não ouviu o que o meu irmão falou ao Shiryu àquele dia no corredor, Hyoga! Ele nunca vai aceitar.
- Você não quis me contar o que ele disse, Shun! Como vou adivinhar? Mas seja o que for, por você... – o loiro buscou uma das mãos dele e apertou entre às suas, vendo o menino se sobressaltar e olhá-lo nos olhos com a face levemente corada. – Por você, pelo seu amor, eu sou capaz de mover montanhas, literalmente.
O ar no peito do caçula falhara. Ele não duvidava das palavras do namorado. Todavia, enfrentar o irmão, indispô-lo, depois de tanto exigir dele que ficasse junto de si, parecia no mínimo redundante. Tinha tanto medo de perder seu onii-san, que isso lhe doía. Mas também, tinha medo de perder Hyoga.
Estava dividido.
Contudo, dois sorrisinhos maliciosos fizeram os dois despertarem do clima denso. A dupla Anina e Seiya haviam largado a conversa de lado e agora observavam com um ar de encantamento o casal apaixonado. E até suspiraram juntos ao vê-los "pegar na mão".
- O que houve? – perguntou Hyoga aos dois.
- É que o amor é lindo! – respondeu Seiya, brincalhão.
- Ei, podem se beijar. – avisou a menina, se arqueando para alcançar a janela da sala e espichando os olhos para dentro. – O chatão está distraído na escrivaninha, olhando um monte de papéis.
Seiya também ser ergueu, acompanhando a nova amiga.
- É mesmo, ele está fazendo a soma das despesas, se beijem logo! – apressou Seiya.
- Assim é estranho. – comentou Shun, olhando para a mão do loiro que apertou mais firmemente à sua. Então sentiu à outra mão dele segurar seu queixo e arqueá-lo levemente. Seu coração disparou.
- Obrigado pelo presente, pela carta, eu adorei tudo.
- Que bom. – respondeu, deixando a vermelhidão da vergonha tomar por completo seu rosto. Então, ele percebeu que Hyoga estava cerrando seus olhos azuis e se aproximando da sua boca. Engoliu em seco, e fechou os seus também, e esperou acontecer o encontro dos lábios, enquanto sentia uma corrente elétrica de ansiedade varrer-lhe.
Ainda era uma sensação estranha beijar alguém que tinha o mesmo sexo. Contudo, não era só a sensação de estranheza que fazia o estômago revirar, e sim, o fato de estarem fazendo aquilo escondido e ao mesmo tempo, na frente de outros. O medo se misturava a aflição, e isso aumentava o tremor e o ritmo desenfreado do seu coração. E era essa sensação tão peculiar, que aflorava seus nervos deixando seu corpo todo sensível.
Assim, os arrepios que correram sua espinha dorsal ao sentir a boca de Hyoga tocar na sua o fez estremecer involuntariamente. E não foi só a boca dele que começou a se mover, - úmida e delicadamente - sobre a sua, mas também, as mãos. A primeira - que ainda estava apertando uma das suas - agora se entrelaçara aos seus dedos. E a outra, - aquela em seu rosto - agora escorria por sua pele, dedilhando, seguindo o caminho da nuca. E ao chegar nesta, os dedos se embrenharam entre os fios, e se encerraram nestes, puxando-os levemente e proporcionando mais firmeza ao encontro dos lábios, fazendo além de tudo, os arrepios aumentarem de forma descomedida, subindo e descendo por todo seu dorso.
Hyoga beijava de uma forma fantástica. Era como se ele conseguisse, - através daquele encontro tão intenso dos seus lábios - varrer da sua mente, todos os temores que sentia sobre o irmão, e fazê-lo ainda, se entregar apenas àquele momento. Esquecendo-se até, que o beijo estava sendo assistido.
Nina e Seiya se entreolharam boquiabertos. Mas a menina reparou que Seiya parecia mais espantado que ela, então ela pôs a mão no queixo dele e o elevou, fazendo-o fechar a boca.
- Está quase babando... – cochichou ela, sorrindo de um jeito bem arteira. – Você acha estranho? – quis saber.
- Er... não sei. – respondeu o moreno sincero, sentindo-se um tanto confuso. – Eu ficava brincando com o Shun, tentando beijá-lo, sabe? Mas na realidade, eu nunca tinha visto isso antes, dois meninos se beijando. Dá um frio no estômago.
- É... Eu sei do que está falando. Mas, eu acho que me acostumei a presenciar coisas proibidas. Afinal, minha irmã Elian gosta de meninas. E sabe, quando eu a vi beijando a namorada pela primeira vez, foi estranho. Eu estava escondida encima de uma árvore. Aí as duas saíram de mãos dadas de dentro de casa, e se sentaram justamente embaixo de mim. Então, elas ficaram se olhando um tempão. E eu achei estranho porque a Maria costuma falar muito, acho que ela fala pelas duas. Então eu pensei que tinha algo diferente no ar, de início, deduzi que elas haviam brigado. Foi quando elas começaram a se aproximar, mais e mais, e aí... Smak! Beijaram-se. E eu quase caí da árvore e estraguei tudo.
Seiya sorriu, ficando levemente ruborizado.
- Entendo... Eu acho que é assim que estou me sentindo agora. Mas confesso que também estou com um pouco de ciúmes. O Shun era pra ser meu. – resmungou o moreno, fazendo um bico, em um tom, evidentemente de brincadeira.
- E o Hyoga era pra ser meu. – ela resolveu aderir a brincadeira do outro. - Estamos no mesmo barco? – perguntou, arqueando as duas sobrancelhas.
- Parece que sim. – concordou Seiya, erguendo as suas também.
Então, os dois riram cúmplices.
- Está vendo, olha como eles estão se beijando. – mostrou Seiya. - É de uma forma tão intensa, que estão alheios ao que está acontecendo entorno deles.
- Deve ser legal. Um dia eu vou beijar desse jeito.
- Você ainda é uma BV?
- Claro que não, idiota! Eu já...
Mas Anina não terminou, pois sua atenção foi tomada por um barulho vindo de dentro da casa, então ela se lembrara que estava de vigia. E ao se erguer e olhar pela janela da sala não avistou Ikki na cadeira, e ainda, ouviram um "track" vindo da porta de entrada, e em seguida, a maçaneta desta se moveu.
Sem pensar duas vezes, a dupla se atirou no meio do casal que se beijavam. Seiya puxou Shun e o derrubou na grama, subindo encima dele; e Anina sentou-se no colo de Hyoga e agarrou-se ao pescoço do loiro.
Ikki ao abrir a porta e presenciar a cena de Nina e Hyoga, ficou perplexo, não imaginava que já estavam naquele nível de intimidade.
- Que posição é essa? – perguntou olhando para os dois.
- Eu estava ensinando um...
- Não perguntei para você, Seiya. – Ikki interrompeu a justificativa do mais novo.
- Ufa! – suspirou o moreno, saindo de cima de Shun e sentando-se ao lado dele.
- Eu estava beijando meu namorado, não posso? – foi a pequena quem deu a resposta em tom bem malcriado.
- Hyoga, você deveria ter mais cuidado. – Ikki a ignorou mais uma vez. - Afinal, você agora é um adulto, não quer ser preso por abuso infantil, não é?
- Eu não sou criança, seu gigante! – esbravejou ela, levantando-se do colo de Hyoga e voltando a encarar Ikki. – Só sou um pouco mais baixa que você.
- Só um pouco? Tem certeza?
- Grrrrrrrrrrrrrr... – ela grunhiu, cerrou os punhos e inchou novamente as bochechas. - Você me irrita!
- E pare de grunhir que nem cachorro, Pamina! – bronqueou Ikki. - Só alguns minutos conversando com o Seiya e já parece a cópia feminina dele.
- Quê?! – exclamaram os dois mencionados, totalmente indignados.
- E meu nome é A-NI-NA! – expôs ela, batendo o pé no chão.
- E o meu nome não é "Gigante".
- Ikki, nós só estávamos namorando. – Hyoga se levantou, e tentou explicar.
- Não importa, mais! Eu só vim avisar que chamei um táxi. – informou, bem na hora que o veículo encostou ao portão da casa e buzinou. – Melhor você ir, Pirralha. São quase dez horas e esse não é horário de criança está na rua.
- Eu não sou Pirralha, muito menos criança! Você é muito pior que meu avô! – ela mostrou língua para Ikki. – Tchau, amor! Nos vemos amanhã! – a pequena se despediu de Hyoga, e também, acenou para os outros dois sentados na grama. – Tchau Shun, Tchau Seiya!
- Tchau, Nina. Gostei de você. – respondeu Seiya.
- Eu também gostei de você, Seiya! Gostei de todos menos daquele chato ali! – ela complementou – Digam "tchau" para o Shiryu por mim. E espero que você me ensine a jogar futebol qualquer hora dessas.
- Vai ser um prazer!
- Ja ne, Nina. – se despediu Shun, e acrescentou em um tom mais baixo: - Arigato.
Ela apenas abriu um grande sorriso e correu em direção ao portão, mas antes de sair, voltou-se para os dois parados perto da porta e então gritou para Hyoga:
- Amor, vamos marcar de nos ver em outro lugar, e quem sabe assim, podemos fazer "aquilo" sem ninguém perto pra ficar nos gorando. – ela acrescentou Ikki em seu olhar, querendo deixar claro que o "alguém" referido, era especificamente ele.
Hyoga, Shun e Seiya ficaram vermelhos ao mesmo instante ao ouvir a insinuação.
- Ei, moleca do que você pensa que está falando, hein?! – gritou Ikki, agora com o semblante sério. - Eu vou ligar para o seu avô, continue com esse assanhamento e verá!
- Tente. – desafiou ela. - Mas sinto lhe dizer, Gigantão, que ninguém irá atendê-lo, afinal, na nossa vila não chega fiação de telefone. E outra coisa: estou falando de namorar, beijar e andar de mãos dadas. Afinal, eu sou criança e inocente, não é? Do que eu poderia estar falando?! – ela sorriu, piscando um dos olhos e mostrando a ponta da língua entre os dentes. – Bye, bye!
Despediu-se por vez, e atravessou o portão, entrando no táxi.
- Hyoga isso não é certo. – avisou Ikki, voltando-se para o loiro.
- Nada é certo pra você, Ikki. Senhor da moral e dos bons costumes. – ironizou o loiro passando por ele na porta e seguindo para dentro.
Mas o mais velho segurou seu ombro, impedindo-o de seguir.
- Eu só não quero que aconteça o mesmo que houve com o Shiryu.
- Humpf! – o loiro puxou seu ombro de volta. – Não comigo, pai! Pode apostar! – o loiro frisou e entrou.
Então Ikki observou Shun e Seiya, que não haviam se mexido de onde estavam.
- O que estão esperando aí sentados? Para dentro! Hora de dormirem, amanhã é dia de aula! E eu já falei para pararem com essas brincadeiras de agarramento. Isso não é coisa que dois "machos" fazerem.
- Mas onde você está vendo "macho" aqui, benhê? – brincou Seiya, subindo encima de Shun novamente.
- Seiya, não! – reclamou Shun. - Yamero!
Ikki revirou os olhos e suspirou. Não ligava com àqueles dois, sabia que aquilo era brincadeira do Seiya. Entrou em casa e coçou o queixo, fixando os olhos no fim da escada. Algo era certo, não havia engolido àquela história de namoro do Hyoga. Aquilo estava lhe cheirando a fachada. Afinal, porque ele lhe diria aquela frase de maneira tão convicta?
"Não comigo, pai! Pode apostar!"
...
Assim, mais dez dias se passaram. Era sábado, 14 de fevereiro, dia de São Valentim, ou melhor, dia dos Namorados. [5]
Shiryu foi o primeiro a descer as escadas da casa abruptamente.
- Ohayo, otou-san! – desejou ele ao mais velho ao entrar na cozinha. Tomou o seu chá - que Ikki deixava servido para esfriar – em um só gole. Ao terminar, repousou a xícara na mesa e estalou os lábios, e então, se despediu. - Ja ne, otou-san!
- Porque a pressa? – perguntou Ikki curioso, já que era incomum vê-lo tão afobado.
- A Iva está chegando no voo de agora, nove e trinta. - disse ele, confirmando as horas no relógio do pulso. - Vamos passar o dia dos namorados juntos, eu te falei Ikki. Eu estou ansioso pra ver a barriga dela. – informou, abrindo um sorriso de lado a lado no rosto.
O mais velho entendeu, e retribuiu o sorriso. Compreendia bem o que Shiryu estava sentindo, pois, na verdade, sentia-se mais pai do Shun, do que irmão. Afinal, cuidara do caçula desde quando este era apenas um bebê de colo.
- Então, vai! Não se atrase.
- Certo, Itekkimassu!(6)
- Iteresshai. (7)
Ikki consultou a hora no relógio de parede da cozinha, tinha muitas coisas para fazer naquele dia. E a primeira, era terminar a dissertação de Direito Penal para aula de segunda-feira. Iria fazer isso na biblioteca da faculdade. Depois, tinha que ir ao último dia de trabalho, e ainda, no meio da tarde, deveria se apresentar no escritório de advocacia onde conseguira estágio. Subiu a escadaria da casa, repassando mentalmente sua agenda, parou na frente da porta do quarto dos caçulas e chamou pelo moreno.
- Seiya, apresse-se! Vai se atrasar!
- Já estou indo, otou!
Ao ouvir isso, o mais velho retirou seu avental e seguiu para o quarto, precisava pegar seu material e ver porque Shun não havia descido ainda, afinal, o chamou ao sair da cama. Então, ao ascender à luz, que estava exaurida devido às cortinas escuras na janela, viu Shun todo embrenhado no meio dos seus lençóis, e ainda, abraçado ao seu travesseiro.
Jogou o avental no chão, perto do guarda-roupa, e foi até a janela, abrindo as cortinas e deixando a luz do dia claro que fazia do lado de fora, iluminar todo o recinto. Não podia ficar bravo com Shun. Já que este andava cansado, por sua culpa. Afinal, foi ele, Ikki, quem exigira que o caçula fizesse tantas atividades.
Retornou a cama e sentou-se na beira desta. Escorreu os dedos na face clara do mais novo e então, o viu se remexer preguiçosamente na cama. Amava tanto seu irmão que sentia o peito apertar só em contemplá-lo dormindo tão angelicalmente. Suspirou, deixando o peito inflar desse sentimento bom. E sorriu, ao vê-lo descerrar seu par de límpidos olhos verdes, vagarosamente, incomodado com os fachos de claridade que vinha de fora, tornando a tonalidade dessas duas esferas, ainda mais transparentes.
- Ohayo, onii-san.
- Ohayo... está muito cansado ainda?
Shun voltou a fechar os olhos e meneou a cabeça de um lado ao outro, então os abriu novamente e com um leve sorriso, ergueu os braços para o mais velho.
- Já dormi suficiente, me ajuda?
Ikki riu.
- Manhoso. – sussurrou ele, pegando-o no colo e retirando-o da cama, em seguida o pôs em pé e manteve os braços entorno da cintura fina dele. Enquanto Shun manteve os dele, envolvendo seu pescoço. – Você não é mais àquele bebezinho que eu carregava no meu colo, lembra?
- Mas quem se esquece disso é você, onii-san. Fica me protegendo de mais. Posso ficar mimado, sabia?
O mais velho riu mais abertamente. Era verdade. Estava sendo super protetor, mas não sabia como mudar aquilo. Ergueu uma das mãos e a pôs no rosto de Shun, acariciando-o levemente.
- Eu te amo.
O caçula o abraçou, aninhando a cabeça no peito de Ikki e apertando-o com força.
- Eu também, onii. Muito. E cada dia mais.
Ikki sentiu um aquecer na sua face, e então se desvencilhou do abraço, suspirando profundamente.
- Está bem, agora chega de melodrama. Se arrume. Está atrasado.
- Mesmo?! – Shun observou o mais velho incrédulo. Contudo, o viu balançar a cabeça em um "sim". Desta forma, correu até a mesinha de cabeceira e olhou no seu celular, confirmando o que Ikki lhe dissera. – ONII-SAN, porque não me chamou mais cedo?! – esbravejou.
- Eu o chamei... – Ikki abafou os ouvidos com ambas as mãos.
- EU VOU CHEGAR ATRASADO!
E como era de costume, ao ir afobado para o banheiro, Shun tropeçou no tapete e acabou batendo com a testa na porta. Ikki fechou um dos olhos, fazendo uma careta, "acho que isso deve ter doído", pensou. Era sempre assim, quando o caçula estava atrasado, virava um atrapalhado dez vezes pior que Seiya. Sorriu, ouvindo-o reclamar enquanto se levantava com a mão na testa e entrava no seu lavabo.
- Não ria, onii-san! A culpa é sua!
- Manhoso...
Assim, alguns minutos depois, Shun e Ikki desceram as escadas, Seiya já esperava o colega, impacientemente ao pé da porta. Hyoga pelo horário, já deveria ter ido.
- Shun, estamos atrasados!
- Eu sei, Seiya!
- Eu deixo vocês na Kanagoe antes de ir para Universidade. – informou Ikki, pegando a chave do carro no porta-chaves preso da parede próximo da porta.
- Têm aula hoje, onii-san? – perguntou Shun, sentando-se na soleira da porta e calçando seus tênis.
- Na verdade, vou terminar um trabalho na Biblioteca de lá, e depois tenho que ir na empresa. Vamos, vamos, conversamos no caminho. – os apressou Ikki, empurrando-os para fora da casa.
...
Na May Okane, Hyoga abriu a porta de correr, e viu sua sala vazia, havia sido o primeiro a chegar. Entrou e largou a mochila na sua mesa. Estava ansioso. Havia planejado um dia perfeito para ele e Shun, e estava rezando para que Ikki também estivesse bem ocupado. Os dois iriam matar aula depois do almoço, no Kiyosumi Garden [8]. Entregara o bilhete para o Seiya e esperaria dar início da aula para mandar uma mensagem via celular confirmando se ele recebera. Então, seus pensamentos foram cortados pelo barulho de mais alguém entrando. Era Ken. O colega entrou bocejando.
Hyoga suspirou, revirando os olhos para cima, tudo que o loiro menos queria naquele momento era ser importunado por Ken logo tão cedo.
- Ohayo. - desejou o garoto se aproximando de si e sentando-se encima da sua carteira.
- Ohayo. – respondeu ao cumprimento. - Caiu da cama?
- Praticamente... Uáaaaaaa! – ele bocejou novamente, esticando os braços para cima e se despreguiçando. - Ele observou o loiro. – E você, também chegou cedo, não é?
- É... Mas, eu só acordei cedo.
- E então, já comprou o chocolate para o seu queridinho?
- Ah, Ken, não começa! – pediu Hyoga. - Está cedo de mais para você ficar me infernizando, não acha?
- Ah, é? Eu te infernizo? – inquiriu o menino, agora totalmente desperto. - Estou sempre do seu lado Hyoga. Gosto de você de verdade. E é isso que pensa sobre mim?
- Eu não esqueci que você quase me colocou em uma encrenca no dia que o Shun chegou. – Hyoga fez questão de lembrá-lo.
- Aquilo foi coincidência. – replicou o outro.
- Vindo de você, eu tenho minhas dúvida.
Ken realmente pareceu ofendido.
- Quer saber, foda-se você! – disse ele, levantando-se da carteira e seguindo em direção da porta, abrindo-a de forma exagerada.
- Chooto (9), Ken! – gritou Hyoga, entretanto, Ken não lhe deu ouvidos.
O garoto não queria mais ouvi-lo, fechou a porta nervosamente, e ao virar-se para o corredor, acabou trombando com Juashi que estava chegando. Ambos caíram no chão. Ken caíra por cima, e os materiais dos dois espalharam-se entorno deles.
O rapaz que tinha as feições parecidas com as de Shun sacudiu a cabeça, tentando se recuperar do esbarrão. Todavia, ao fazer àquilo, Juashino acabou sem querer, admirando o belo rosto que o menino tinha, e então, foi invadido por uma sensação estranha – e ao mesmo tempo repugnante – um embrulhar esquisito de estômago. Arrepiou-se de horror. Segurou os ombros do garoto e o empurrou com força para trás, fazendo-o sair de cima de si, e cair sentado de bunda no chão. E ainda no chão, engatinhou para trás e alcançou a parede, se afastando dele, como se este fosse lhe contagiar com alguma doença incurável.
- Itai (10)! – Ken reclamava da dor nas nádegas. – Seu, Grosso! Estúpido! Só podia ser amigo daquele outro arrogante lá dentro.
- Bicha!
- Ô Jua-chan? – Ken o chamou, sem paciência. - Porque não faz um favor pra humanidade e se MATA, seu maldito preconceituoso!
- Aê, a recíproca é a mesma, cara!
- Saco!
Depois de se alfinetarem, o que já não era estranho, Ken começou a recolher seu material e foi o primeiro a se levantar e seguir andando. Estava sem paciência pra ficar discutindo com aquele ali. Juashi também recolheu o seu, mas notou algo que não era dele debaixo de um dos seus livros, e que parecia...
Uma barra de chocolate? (11)
- Matte yo (12), Ken! – pediu ao outro.
- Que é?! – O rapaz se virou, chateado. Então, seus olhos escuros se sobressaltaram. Espantou-se ao ver o chocolate que trouxera para Hyoga sendo estendido pelas mãos sujas daquele garoto que não o suportava. Sentiu uma raiva insana lhe assolar, e engoliu em seco. Passava por cada carão por causa daquele loiro idiota, que estava começando a ficar cansado daquilo.
- É seu, né, não? Você não o ganhou de alguma garota?
Ken negou com a cabeça. Em seguida, deu de ombros. A expressão de chateação mais evidente em seu rosto.
- Faça o que quiser com isso. Jogue fora. Coma. Eu não ganhei de ninguém, eu iria dá-lo a alguém. Mas essa pessoa não o merece. – disse ele magoado, em seguida, deu as costas para o outro e voltou a caminhar.
Juashi ficou olhando para a barra que estava com um embrulho vermelho até bonito e coçou a cabeça, sem graça. Aproximou-se da lata de lixo do corredor, mas algo o fez estancar. Um pensamento. Nunca ganhara um chocolate antes. E era desperdício jogar algo tão suculento fora. Sacudiu os ombros, e o guardou no bolso, senão tivesse coragem de comê-lo, daria para Kina, a irmã.
...
Na Kanagoe Fuji...
Aliah chegara à sala com uma imensa e exagerada cesta recheada com os tipos mais refinados de chocolate, e a depositou encima da sua carteira. A colega Kary - que se sentava à mesa enfrente da sua - se sobressaltou.
- Liah-chan, vai dar chocolate para todos os garotos da escola?
- Me erra, Kary. – resmungou a outra. – Você sabe muito bem quem é o único ser nesse mundo, que merece meus chocolates.
- Não é um pouco de exagero? Você acha que ele vai aceitar tudo isso? Vai matá-lo de dor de barriga.
Enquanto isso, no corredor.
Seiya deu uma espiada para dentro da sala, então viu a Aliah conversando distraidamente com a amiga Kary. E fora realmente como o irmão imaginara, ela havia trazido chocolate, e em uma cesta imensa. Shun, que vinha logo atrás, foi parado pela décima primeira vez para receber mais um chocolate.
- Arigato, Akane-san. – disse ele à menina da sala três, do primeiro ano, que se despediu com o rosto todo corado. Então ele guardou mais este dentro da mochila. – E então, Seiya?
- Acho que você vai sufocar com tanto chocolate, ela não trouxe só um.
- Dois? – Ele viu o colega menear a cabeça em um "não". – Três? – Mais uma vez Seiya balançou a cabeça negativamente. – Quatro? – Seiya ia negar e Shun segurou seus ombros. – Quantos, Seiya?
- É incontável. Tá tudo dentro de uma cesta, E-NOR-ME.
- Ah, não. – o japonês de olhos verdes, soltou seus ombros. – Aonde vou guardar tudo isso até o final da aula? Vão derreter! Será que é tudo para mim?
- Shun, é a Aliah. Sua fã-perseguidora número um.
O menino suspirou.
- Eu te ajudo a comer! – Seiya tentou animá-lo e, então, viu o irmão contorcer o rosto, quase em uma cara de nojo. – Quê? Não diga que não gosta de chocolate?
- Seiya, eu não aguento tanto chocolate, e mesmo assim, eu tenho que me cuidar. Você sabe que trabalho como modelo.
- Ah, Shun! Isso é coisa de bib-...
- De quê? – o mais claro o instigou a prosseguir.
- Ah é... – o moreno coçou a nuca, sem graça.
- Amamya-kun?
- Hai? – ele virou-se para ver quem era, e se deparou com mais uma das suas colegas de sala.
- É pra você. – disse a menina, estendo-lhe uma caixa pequena, que estava toda envolta em um embrulho branco e rosa.
- Ah, arigato, Sayaname-san! – Ele apanhou o presente que a menina lhe estendia, e então se curvou. Esta, apenas lhe sorriu um tanto vermelha, em seguida, passou por eles e entrou na sala. Então, Shun guardou mais àquele chocolate dentro da mochila. – Acho que vou abrir uma Bombonier depois de hoje. – disse à Seiya.
- O que os dois estão fazendo aqui, que não entraram na sala ainda?
- Yukihiro-sensei, Ohayo! – cumprimentaram.
- Ah, Ohayo. – O professor ruivo aproveitou para revirar seu bolso e retirar algo de dentro deste, e então estendê-lo na palma da mão para Shun.
O caçula viu que no centro da mão do professor, havia uma pequena bolota dourada. Shun fez uma expressão de quem não estava entendendo, então o educador explicou com uma cara enfadonha. Afinal, não lhe agradava em nada ser pombo correio do filho do Imperador.
- É um chocolate importado, presente do Sazaiake-sama.
- Do Kazu-chan?
- "Yumihito-sama", Amamya. – o mais velho fez questão de corrigi-lo. - Respeite-o, ele é o filho do Imperador. Agora pegue isso, e vamos entrar. – ele puxou a mão do menino e depositou o chocolate de embalagem dourado no centro desta.
- O filho do Imperador é um mão-de-vaca? – inquiriu Seiya, franzindo a cara para o chocolate que era ínfimo, praticamente do tamanho de uma bala. - Que chocolate minúsculo!
- Seiya! – Shun o repreendeu.
- Para o seu governo, Ogowara, esse chocolate importado custou em torno dois mil dólares. E não é só por causa do cacau requintado que está no centro dessa trufa, mas porque essa pequena bolota que serve de embalagem é uma jóia feita de ouro e incrustada de diamantes. E ela pode servir como um pingente.
- Sugoi! - Shun e Seiya se admiraram ao ouvirem aquela explicação.
Então, o caçula devolveu o chocolate imediatamente nas mãos do seu mestre.
- Gomenasai, Yukihiro-sensei! Mas eu não posso aceitar. Diga ao Ka-... , ao Yumihito-sama, que agradeço a gentileza, mas dispenso. Algo tão valioso deve ser dado a alguém que ele tenha mais próximo.
O professor ruivo suspirou. De alguma forma concordava com a fala do aluno. Mas, havia feito uma tremenda besteira, não deveria ter tido o valor. Aquela foi a estratégia de Yumi para que Shun aceitasse o presente. No entanto, não aguentou ouvir a provocação de Seiya e abriu a boca. E agora, se Yumihito soubesse que Shun recusou seu presente porque soube do valor, ele iria mandá-lo lavar a casinha dos cachorros por um mês!
- Eu não posso levar de volta, Amamya. Por favor, aceite. – ele repôs o objeto na mão dele.
- Não, sensei, eu recuso. – Shun o devolveu mais uma vez.
- Shun larga de ser burro! – Seiya trovejou, olhando o vai e vem do presente.
- Seiya, não se intrometa. – pediu o irmão.
- "Nossa, o professor está demorando..." – Yukihiro ouviu a conversação dentro da sala aumentando.
- É melhor entrarmos. – conformou-se ele, querendo iniciar a aula, antes que esta virasse um caos e a coordenação lhe chamasse atenção. - Eu vou levar uma boa bronca por isso, mas...
- Shun, ainda temos o problema chamado Aliah, né? – Seiya interrompeu a fala do mestre.
- O que houve? O que tem a Aliah?
- Ela trouxe uma cesta gigante de chocolate e eu não tenho onde guardar àquilo. – explicou Shun ao professor.
- Deixe tudo na coordenação até o horário de ir para casa. Lá tem ar condicionado.
- Mas é que...
- Ele não vai para casa depois que sair daqui, e sim, se encontrar com o...
- Seiya! – Shun tampou a boca grande do irmão.
- Acho que entendi. – comentou o professor, sorrindo de lado. Havia tido uma grande ideia. - Escute, Shun. Porque não fazemos um acordo. Você fica com o chocolate do Yumi, e eu deixo você fora da sala por hoje, me ajudando, digamos... Em um trabalho extracurricular. E ficará bem escondido da chuva de chocolate. Até a hora que você for embora, o que me diz?
Shun ficou perplexo, era chantagem. Contudo, um acordo tentador. Não podia levar uma cesta de chocolate para o encontro com o Hyoga. E Seiya tinha treino depois da aula. Além do que, iria receber muito mais ao longo do dia. Não tinha escolha.
- Hai, eu aceito, sensei.
- Yosh (13)! – comemorou o professor.
- Mas diga à ele que não tenho como retribuir algo desse tamanho no "White Day".(14)
- Shun, se você telefonar agradecendo, será o maior presente que Yumi irá receber, eu garanto.
- Hai. – o caçula se deu por vencido.
...
Shiryu, após pegar Iva no aeroporto, seguiu com ela de táxi até o templo Kirei onde passariam o dia todos juntos. Lá, ela foi muito bem recepcionada pela família da amiga Kazuko, com a qual conviveu um ano.
Após os cumprimentos, cada um voltou seus afazeres e deixaram os dois a sós no amplo quintal arborizado do templo, de onde dava para ouvir os gritos de "Hai!" das aulas de Kendo (15), ministradas por Ryu aos sábados.
Contudo, Shiryu não conseguia se conter de nervosismo. Iva estava com uma barriga de seis meses de gestação. Apesar de faltar apenas três meses para o nascimento do bebê, a barriga não parecia muito grande na opinião dele. E ela não havia mudado muita coisa, ainda tinha o restante do corpo muito magro. O que preocupou em demasia o chinês.
- Têm certeza que está bem, Iva?
- Shiryu, vai perguntar quantas vezes?
- Mas é que... está tão pequena. Eu vejo grávidas com barrigões enormes.
- Ainda vai crescer Shiryu, falta três meses. E é só um bebê, não ser mais que isso.
- Mesmo assim... – Ele suspirou. - E os enjôos?
- Shiryu, Iva estar bem. – avisou a loira sorrindo-lhe gentilmente. - Vir aqui para passear com você. Não para vê-lo preocupado.
- Queria tanto que o bebê nascesse aqui, Iva.
- Eu também, Shiryu. Mas você irá ver o nascimento lá, não é?
- Está programado para quando mesmo? Você ficou de me confirmar.
- Dia sete de maio.
- Claro que vou.
A loira sorriu gentilmente.
- Arigato. – ela disse sorrindo. E então, Shiryu suspirou, repousando a mão encima da barriga dela e acarinhando-a mais uma vez.
- Ei, filhinha. – Shiryu falou para a barriga. - É o papai, está me ouvindo?
- Ela mexeu, acho que está ouvindo bem.
- É, eu senti. – concordou ele com os olhos marejados. - Estou realmente feliz que esteja aqui, Iva.
- E eu também estou feliz de estar aqui, Shiryu. Ficar feliz que você manter relação com a amiga Kazu e a família dela.
- É como eu lhe disse por telefone, na verdade, eu trabalho aqui agora.
- E eu não estar atrapalhando?
- Nem se estivesse. – explicou o chinês. - Eu faltei aula hoje, mas meus professores e até o diretor sabem qual foi o motivo. E o Kirei-ojii foi muito gentil em me ceder o dia de folga. Quer dizer... o Ryu vai cobrir minhas aulas...
- Quem ser Ryu?
- Ah, ele é...
- Shiryu-sama! – gritou uma voz, e então dois olharam o rapaz parado na porta do Dojo (16). - Continuem repetindo esse movimento, eu já volto! – avisou ele para os alunos.
- HAI, SENSEI! – estes concordaram em resposta.
- Você vai conhecê-lo agora. – o pai do filho de Iva apontou para porta do Dojo.
E então a menina abriu um grande sorriso enquanto via o jovem vestido com uma Hakama (17) preta, um Dogi (18) branco e um rabo de cavalo preso no alto da cabeça, vir na direção deles.
Ryu parou na frente dos dois e então, franziu o cenho para moça loira.
- Então, é essa a minha rival? – perguntou cheio de desdém.
Continua...
Errata: Minha amiga Zi, boa noveleira que é. Se prende a detalhes, e me fez lembrar de uma caca. No trecho do capítulo passado, existe um erro no pensamento do Shiryu quando o Ikki está tendo àquela conversa tensa com ele: "Como ele tinha tanta convicção no que estava afirmando, sendo que todos até agora só suspeitavam?". Então, na verdade o Shiryu e o Seiya não suspeitavam, os dois têm certeza. Porque o Shiryu até teve um "papo cabeça" com o Hyoga e o Seiya também. Vou corrigir essa falha. Obrigado minha ruiva! Pessoas, se verem incoerência, erros no texto podem apontar também, como a história é muito longa, às vezes eu posso comer bola em alguma coisa. Agradeço a ajuda! xD
Ufa!
Sei que o capítulo foi menor para o tanto que esperaram. (Desculpa batida e esfarrapa D) But... Eu não tive escolha, eu perdi o capítulo pronto no meu HD externo, então demorou e ainda, saiu diferente e menor que o outro, mas as ideias ainda são às mesmas.
Esse Dia dos Namorados irá durar mais dois capítulos e então, teremos mais um salto na história. =)
Gostaria de agradecer as leitoras novas: Sasami-kun, obrigado por favoritar a história e por postar sua review, espero vê-la mais vezes por aqui. E a Lara que tinha deixado review, lá atrás e eu não agradeci, muito menos desejei boas vindas, então Okaeri paras as duas! :D
A Lara também sugeriu que eu trouxesse os Gold Saints de volta a vida. Lara sua ideia é tentadora, mas juro, se eu for fazer isso meu foco do enredo vai se alongar muito e eu tenho preguiça. Fora que não sou tão fã dos Dourados, assim, e por isso, tenho medo de deturpar a personalidade dos mesmos. (:D) Mas... Eu tenho outras fics com eles, e também, tenho ideias para fazer novas, se você continuar por aí, logo verá. Mas pode mandar suas sugestões, de repente, não se encaixa aqui, mas se encaixará em outras que eu venha fazer. (e a resposta cabe para todos os leitores, quem quiser dar sugestões para novos trabalhos, fiquem à vontade. xD)
Agradecimento especiais à todos que postara suas reviews e me deixaram aquele apoio básico. Sabe que essa história só continua por causa de vocês, não é?
Bem, é isso aí.
Meu beijo coletivo!
See you next.
P.S: o meu amado Rafa me abandonou por um cueca. Estou achando que é um daqueles da produção do programa, eu sabia que isso não daria certo. Eu falei para o Soujiro-san, mas ele não tem pulso firme. Y.Y
Vocabulário de Expressões e Observações.
1 Os kanji - são caracteres de origem chinesa, da época da Dinastia Han, que se utilizam para escrever japonês junto com os silabários katakana e hiragana. No Brasil, Kanji, também é sinônimo de ideograma. Sempre foi muito utilizado na confecção de tatuagens. Devido ao imenso e variável número de kanji's, o ministério da educação japonês definiu, em 10 de Outubro de 1981, a jōyō kanji, uma lista de 1945 kanji oficiais, distribuídos por ordem de traços, de 1 até 23. (fonte: Wikipédia).
2 Tadaima: Voltei ou estou de volta. (Para quem chega em casa)
3 Doushite. – O que é isso?
4 Hajimemashite – Prazer em conhecê-lo (a).
5 Dia de São Valentim – Valentine's Day (no original). O nome dado para esse dia vem do nome do bispo Valentim, que lutou contra as ordens do imperador Cláudio II na Europa da idade média. A ordem do imperador proibia o casamento durante as guerras, pois acreditava que os solteiros eram melhores combatentes. Mesmo assim, o bispo continuou celebrando casamentos, mas, foi descoberto e condenado à morte pela igreja. Enquanto estava preso, muitos jovens davam-lhe flores e bilhetes dizendo que os jovens ainda acreditavam no amor, assim a data de sua morte, passou a ser considerado o dia representativo para àqueles que acreditam no amor. 14 de fevereiro. Já no Brasil, o dia dos Namorados é celebrado no dia 12 de Junho, véspera do dia de Santo Antônio, considerado pela nossa cultura, o santo casamenteiro. (fonte: Wikipédia)
6 Itekkimassu: Estou indo.
7 Iterasshai: Vá e volte com cuidado.
8 Kyosumi Garden – O jardim que existe desde quando Tókio ainda era chamada de "Edo" aproximadamente trezentos anos atrás. O local servia de jardins para as mansões dos lordes feudais (os daimyo) que viveram em Edo para servirem o Shogun Tokugawa. Mas o jardim só passou a ser aberto à visitação do público a partir de 1923. Atualmente, ele fica aberto das 09h00 as 16h30; Tendo seu horário estendido, somente no feriado do ano novo. (Recomendo que digitem o nome do "kyosumi Garden" no Google imagens, para terem ideia da beleza do lugar. ;D) - (fonte: japanican . com – reportagem escrita por Takako Mitsuya em 27.08.2008);
9 Chooto – um momento.
10 Itai – Isso dói. Está doendo. Que dor, ou ainda só "ai".
11 A tradição da entrega de chocolate no dia dos Namorados no Japão – Então, no Japão, o dia dos namorados é o dia onde as meninas demonstram seu carinho, amor, admiração (etc.) por alguém do sexo oposto. Não são necessariamente os namorados, mas pode ser os amigos, pais, irmãos, alguém por quem elas têm algum carinho ou agradecimento. A tradição também diz que tem mais significado quando a menina prepara pessoalmente o chocolate. Eu não sei como funciona com os homossexuais, mas bem, eu acredito que o Uke (que é o passivo da relação) deve dar o chocolate. Também, não tenho certeza se isso acontece. Contudo, o Ken iria fazê-lo, até porque ele não liga para padrões ou regras.
12 Matte yo – Espere, ai!
13 Yosh – Legal! Isso, aí!
14 White Day – a tradução literal é o "O Dia branco". Neste dia acontece o reverso, quem dá presente as meninas, são os meninos que receberam o chocolate. É uma forma de agradecimento pelo carinho que estas prestaram. Entretanto, os meninos normalmente não retribuem com chocolate, eles dão outro presente. O White Day acontece um mês depois do dia dos Namorados, ou seja, no dia 14 de Março.
15 O kendo ou quendô é uma arte marcial japonesa moderna (gendai budo), desenvolvida a partir das técnicas tradicionais de combate com espadas dos samurais do Japão feudal, o Kenjutsu. O praticante de kendo é chamado de kenshi ou kendoka. E a espada utilizada é feita de bambu. (Fonte: Wikipédia)
16 O dojo ou dojô (pronuncia-se DÔ-JÔ) é o local onde se treinam artes marciais, especialmente as nipônicas. Muito mais do que uma simples área, o dojo deve ser respeitado como se fosse a casa dos praticantes. Por isso, é comum ver o praticante fazendo uma reverência antes de adentrar, tal como se faz nos lares japoneses.
17 Hakama é um tipo de vestimenta tradicional japonesa. Cobre a parte inferior do corpo e se assemelha a uma saia larga. Existem dois tipos de hakama: Inteiriço - como uma saia; e Dividido - como calças, chamado de umanori "hakama de equitação". Originalmente eram usados por samurais para proteger as pernas enquanto andavam a cavalo. Hoje em dia, hakamas são usados apenas em situações extremamente formais, como a cerimônia do chá, casamentos e funerais; também por atendentes de templos xintoístas e por praticantes de certas artes marciais japonesas, como aikido, iaido, kenjutsu, kendo, do-jutsu, kyudo. (fonte: Wikipédia)
18 Dogi ou Do-gi: É aquela parte de cima das vestimentas de artes marciais japonesas, o qual tenha aparência de um roupão; normalmente eles possuem mangas cumpridas, é aberto no peito, e fechado por uma faixa amarrada na cintura. (fonte: by me :D. Não achei nenhuma definição interessante. Mas quem tiver alguma dúvida do que seja, digita "Dogi ou Do-gi" no Google imagens e vocês saberão como é) :D
