9ª Excessividade- Ficar sempre por cima
Sirius Black tinha a terrível mania de sempre se comportar como o macho da relação. Passaram-se algumas semanas e não havia um dia em que eles não madrugavam fazendo amor.
Até o dia em que a semana da lua cheia começou.
De acordo com o calendário lupino, a lua cheia começou, naquele mês, numa segunda feira, e duraria até a segunda da próxima semana. Mas nenhum dia seria tão ruim quanto na quinta feira, quando ocorreria a transformação completa.
Os dias anteriores aos da quinta feira seriam os mais irritados de Remus, pois ele ficava vulnerável e nervoso com muito freqüência. Mas nada que Sirius Black não pudesse agüentar, certo?
Errado.
Remus foi convocado para uma missão urgente por Dumbledore no domingo, e saiu de casa logo que acordou, deixando Sirius dormindo como um anjo na cama com dossel. Amava aquela vista, mas simplesmente não podia ficar mais um segundo olhando sem que mudasse de ideia, mandasse a ordem pras cucuias e agarrase Sirius.
Voltou somente no dia seguinte, cansado e precisando de colo. Estava machucado e mal humorado, só de pensar que já era semana de lua cheia. Abraçou Sirius, que o abraçou de volta mas com certa relutância.
- Cuide de mim, Black - murmurou. Havia cortes em seu peito e por todo o seu corpo e, mesmo relutante e revoltado com o homem, Sirius o obedeceu.
Deitou-o na cama, fez carinho pelo tronco do homem e beijou levemente cada cicatriz lupina. Pegou uma toalha úmida e começou a limpar os cortes recém feitos.
- Ai - Remus suspirou, fechando os olhos.
- Dói Moony?
- Dói - a palavra foi cortada por um gemido de dor.
- Vou cuidar de você... - sussurrou no ouvido de Remus, que já o olhava cheio de desejo.
- Faça amor comigo, Sirius. - murmurou, sedento.
Sirius o beijou com doçura, passando a mão pelo pescoço do outro e começou a acariciar os cabelos do homem. Remus agarrou-se a cintura do moreno e com a outra mão percorreu toda a extensão das costas dele, parando na barra da camisa e tentando abrir. Sirius parou o beijo e tirou as mãos do homem de seu corpo.
- Não hoje, Moony - cantarolou, rindo.
- O que? - Remus o olhou, sentando na cama. - O que houve, Black?
- Você me abandonou ontem. Me deixou sozinho.
- Black, você sabe que eu não tive escolha...
- Podia ter deixado um bilhete! Me dado um beijo de bom dia! Qualquer coisa!
- Se eu não deixasse logo essa casa não conseguiria sair mais! Você sabe disso, Black - ficou zangado. Regra: não mexa com um lobo em seu período critico.
- Bom agora você pode deixar essa casa a qualquer hora hoje, porque você não vai ter nada! - gritou
- Ótimo! Estou indo então!
Saiu do quarto e bateu a porta. Andou até a cozinha, tentando se acalmar, mas nada funcionava. Estava furioso, e pior, ainda estava excitado. Por que diabos Sirius Black era tão teimoso?
Remus sabia a resposta. Porque ele o mimava. Ele deixava-o fazer tudo o que ele queria.
Mas não hoje, pensou. Hoje ele vai fazer tudo o que eu quiser. Hoje eu dito as regras.
Subiu a escada correndo, já suando de ansiedade, mesmo estando sem camisa.
E todo mundo sabe que um lobo em seu período de lua cheia não é paciente, nem mesmo carinhoso.
Ele é selvagem.
Chegou à porta do quarto de Sirius e abriu-a, deparando-se com um Sirius Black olhando pela janela. O moreno virou-se e encarou surpreso, o rosto nervoso de Remus.
- O que houve Lupin? - indagou, encarando-o. Remus não falou nada, só andou na direção de Sirius e o pegou pela cintura, colando seus labios nos labios do outro.
- Você vai fazer o que eu quiser hoje, Black - rosnou
- E por que eu deveria? - arqueou a sobrancelha. Estava gostando daquela brincadeira.
- Porque você é meu - e começou a devorar a boca do outro com tanta fúria e selvageria que o moreno ficou sem ar, mas logo o acompanhou.
Remus jogou Sirius na cama e colocou os joelhos envolta dele, prendendo-o. Voltou a beija-lo e tirou a camisa do moreno, dessa vez sem hesitação.
Ele estava no comando.
- Não se preocupe Sirius, não vou te machucar. - sussurrou na orelha do moreno.
- O que você vai fazer?- murmurou, agora com um pouco de receio
- Vou ter você. Só pra mim. - murmurou em resposta, terminando de tirar a roupa dos dois. Black engoliu em seco.
- Remus, você sabe que eu... Eu nunca...
- Ficou por baixo? - sorriu maliciosamente - deuses Sirius, pensou que eu tivesse esquecido? Afinal, você nunca amou ninguém além de mim. - Remus beijou todo o peito do moreno, que soltou um gemido.
- Eu... Eu não... - gaguejou, e, quando percebeu que as mãos de Remus o preparava, soltou o ar pesadamente. - Não me machuque, Moony - sussurrou.
- Não adianta usar meu apelido, Black - sorriu, como um maroto - Você negou o lobo. E bem, ele não ficou nada contente - e continuou seu trabalho.
Quando aconteceu, Sirius gritou. Depois que já havia se acostumado a ser o que recebia, não sabia se gemia de prazer ou de dor. Doía, é claro, mas Sirius não ligava porque aquilo estava o matando de prazer.
Quando acabou, os dois ofegavam. Era como se não respirassem há anos. Remus deitou e abriu os braços, sentindo logo em seguida Black deitar ao seu lado, apoiando a cabeça no peito dele e as pernas por cima das dele.
- Esta com dor? - murmurou, acariciando a cabeleira negra do parceiro.
- Um pouco - se remexeu desconfortável. - Sabe Remus, acho que devíamos fazer isso mais vezes, só pra praticar...
- Seu safado.
-... Porque você precisa pegar a pratica...
- Esta dizendo que eu não fui bom? - arqueou a sobrancelha, fazendo Sirius soltar uma risada parecida com um latido cansado.
- Você foi delicioso, Moony.
- Seu safado.
- Eu? Você acabou de me estuprar e me chama de safado? - Remus corou.
- Me desculpe - Sirius riu outra vez.
- Pelo amor de deus Remus, está pedindo desculpa por ter me dado a maior noite de prazer da minha vida?
Remus não respondeu, somente sorriu e beijou o topo da cabeça do moreno, que se aconchegou mais ao seu lado.
Dormiram abraçados. Até o final das férias, quando Remus recebeu mais missões para a ordem.
Mas Remus Lupin sempre conseguia dar escapadas do trabalho de Dumbledore e Sirius Black sempre as aproveitava.
