Procurava um Marido, encontrei um Cachorro!

Abalada, esquecida, desesperada, desempregada, largada no altar e despejada junto como o cachorro do meu finado chefe... Dá pra piorar? Claro que dá... O policial mais gostoso de Nova York, Uchiha Sasuke, tinha que aparecer na minha vida!

Classificação K+ por enquanto...

Naruto não me pertence... A história é uma ADAPTAÇÃO do livro "Procurava uma marido encontrei um cachorro" da Karen Templeton... RECOMENDO! Minhas fics são sem fins lucrativos...

Capitulo – Dez

Ah aqueles discursos sobre motivação. Asfixiada com o cheiro da fumaça, agarro o meu robe, enfio os pés no primeiro par de sapatos que encontro (que por acaso são as mules com sola plástica transparente), pego a bolsa na bancada da cozinha, minha pasta, o laptop e o celular que está sobre a poltrona, e levo tudo embora comigo. No corredor, me deparo com gritos e xingamentos e cerca de um milhão de pessoas, todas se esbarrando, as crianças excitadas e falando sem parar, os velhos andando em círculo como aqueles brinquedos de corda quando já funcionam mal.

Amarro a faixa do robe em torno da cintura, sem largar toda a minha tralha, equilibrando-me nessas mules idiotas. Permito-me dois ou três segundos para acordar e entender a situação. Vejo dois bombeiros uniformizados apressados e orientando, aos gritos, a multidão na direção das escadas. Certa de que eles têm coisa melhor a fazer, por exemplo, ah, apagar o fogo no APARTAMENTO LOGO EM CIMA DO MEU, resolvo assumir a tarefa de conduzir os velhinhos mais confusos e amedrontados pelo corredor em direção à escada, a qual nenhum deles deve usar desde 1966. Sim, eu também estou morrendo de medo, mas pelo menos tenho uma ideia do que se passa.

- Não há razão para se preocupar, tenho certeza que essa evacuação geral não passa de uma precaução - digo sorrindo para uma pobre velhinha. Ela traz na cabeça uma fileira de rolinhos presos ao cabelo branco muito ralo que reveste um frágil couro cabeludo cor-de-rosa. Está usando um robe novo e engomado, estampado de flores tropicais, chinelos de plástico nos pés, e cheira levemente a naftalina e perfume velhão. Segura o meu braço com uma força surpreendente. - Tenho certeza que nenhum apartamento será danificado - afirmo.

A velhinha arregala os olhos quando nos aproximamos da escada.

- Vai me ajudar a descer?

- Pode apostar. Segure firme... muito bem...

Damos um passo em direção à escada, enquanto os outros moradora movimentam-se desordenadamente ao nosso redor. O barulho é ensurdecedor.

- Qual é o seu nome? - pergunta a velhinha.

- Sakura.

Ela olha para mim e se apresenta:

- Meu nome é Esther. Esther Moskovitz.

- Prazer em conhecê-la, Sra. Moskovitz.

Ela sorri.

- Que bom, uma jovem que me chama pelo sobrenome. Hoje em dia, ninguém mais usa chamar o nosso sobrenome - diz ela, mexendo-se na velocidade de uma geleira pelo piso de cerâmica. - Todo mundo quer logo ser amiguinho e acha que pode chamar pelo nome como se tivesse esse direito.

Apesar de toda a carga que já estou levando, vejo-me consideram a hipótese de pegá-la no colo e carregá-la escada abaixo. Porque, nesta velocidade, quando eu conseguir chegar com ela lá fora, ou o fogo: terá sido apagado, ou o prédio já terá desmoronado.

- Você é aquela garota que acabou de se mudar, não é?

- A-ham.

Tudo bem, mais três passos e começamos o que vai ser uma descida torturante.

Ela dá mais um passo cauteloso, depois me olha de novo.

- Você é judia?

- Só meio-judia. Vamos, agora é só abaixar o seu pé até o próximo degrau...

- Droga - diz ela num resmungo quando seu joelho estala como um revólver. – E a outra metade é o quê?

- Italiana.

Ela suspira, nitidamente desapontada.

- Que pena. O meu neto acabou de se divorciar e está de volta no mercado. Mas italiana não serve. Sua última mulher era italiana -diz ela, como se isso explicasse tudo.

Ouço tinidos, pisadas fortes e apito beiro com olhos cor de chocolate aparece na plataforma abaixo e logo avalia a situação.

- Venha, querida - diz ele para a velhinha. Seu sorriso é amplo e de parar o coração, e eu tenho certeza que esse homem tem uma esposa grávida e filhinhos em casa. Ele estende os braços. – Quer uma carona?

Antes que a Sra. Moskovitz tenha chance de pensar, ele gentilmente a pega no colo e a carrega pelas escadas. Por cima do ombro dele, vejo a expressão assustada, chocada, da velhinha, ser substituída por uma alegria quase infantil. Desço atrás deles, e, finalmente, alcanço o andar térreo e saio para a noite úmida e quente. O bombeiro volta a confiar a Sra. Moskovitz aos meus cuidados e nos encaminha para o lugar onde os outros moradores evacuados se encontram, de olho fixos no incêndio num fascínio silencioso. Olho também e perco o fôlego ao ver chamas saindo pelas janelas, lambendo tudo na noite.

- Ah, meu Deus - diz a Sra. Moskovitz -, aquele apartamento logo abaixo é o seu, não é, querida?

Minha garganta fecha. Consigo apenas acenar com a cabeça.

- Espero que tenha seguro de aluguel, pois a água e a fumaça farão um estrago terrível.

Engulo em seco, pergunto se ela está bem e aviso que preciso me afastar só um pouquinho... para dar um telefonema. Tsunade atende ao segundo toque, com a voz pesada do sono.

Caio em prantos.

- Sakura? - diz ela, hesitante. - Ah, me Deus, Sakura! O que aconteceu, meu anjo? Você está bem?

- Preciso de você - é só o que consigo dizer.

- Estarei aí em um instante - diz Tsunade. - Fique firme, minha querida, está bem? Chegarei já, já.

Passados vinte minutos, um táxi para e Tsunade voa para fora. Caio nos seus braços, soluçando como uma boba. Percebo que ela olha para cima.

- Espera... aquele é o quinto andar, não é?

- O apartamento logo acima do meu.

Observamos um bombeiro alçado sobre a rua, em uma caçamba acoplada por um guindaste à traseira de um caminhão, apontar a mangueira para uma das janelas. Iluminada pela luz sinistra das chamas ondulantes, a mangueira dá um solavanco e começa a lançar água dentro do apartamento. Galões e galões de água, todos descendo alegremente para dentro do meu apartamento, encharcando os meus móveis, o meu tapete, os meus livros... as minhas coisas. As minhas coisas, droga. Sem me soltar, minha mãe nos vira para podermos ver a multidão de pessoas.

- Sabe quem mora lá?

Já parei de chorar e consigo seguir seu olhar.

- A-acho que é o homem de camiseta branca sem manga. Aquele de bigode espesso.

Minha mãe me abraça forte, seca o meu rosto com a palma da e me deixa para ir falar com o homem que, com toda certeza, é o responsável por arruinar o pouco da minha vida que ainda restava para ser arruinada. Logo depois ela retorna. Percebo que está usando suéter sobre uma camisola de algodão.

- O óleo pegou fogo na cozinha. Eles estavam fritando alguma coisa. Não entendi tudo, ele fala um dialeto espanhol que não conheço...

- Galinha - digo, quase sem voz.

- O quê? - pergunta ela.

- Eles estavam fritando galinha?

Ela me fita como se eu tivesse falado um absurdo.

- Não faço ideia. Enfim, eu só queria me certificar se eles tinham algum lugar para passarem a noite.

Minha vez de não acreditar.

- Você só pode estar brincando comigo.

- Nããão, por que eu estaria brincando com você?

- Você ia realmente oferecer às pessoas que foram responsáveis por destruir o apartamento da sua própria filha um lugar para ficar?

Ela franze os olhos escuros, e, através deles, vejo que está chocada, em vez de irritada.

- Não, eu não tinha planejado levá-los para casa conosco. Mas conheço lugares onde poderiam ficar e receber ajuda. Acontece que eles têm parentes no Bronx e ficarão lá por algum tempo, segundo me disse o homem. Mas, sinceramente, Sakura... – Ela solta um suspiro. - Aquelas pessoas devem ter perdido tudo o que possuíam. Na realidade, eles agora são sem-teto. Você, não.

Ela se aproxima, tira a minha pasta de mim e se afasta em direção ao táxi. Grudo nela, abraçando a bolsa - e os pensamentos - junto ao peito. Quando passo pela família do andar de cima, vejo o homem com quem minha mãe falou com um bebê no colo. Uma mulher que deve ser a esposa segura o braço dele, enquanto fita seu apartamento com os olhos arregalados de preocupação. Outras três ou quatro crianças aconchegam-se a ela, uma delas, menina, com o dedo na boca.

E... seguro dentro da gaiola que descansa ao pé do homem, o galo vira a cabeça para mim.

- Me desculpe - digo, algum tempo depois, no táxi.

Na escuridão, sinto a minha mãe se mexer do outro lado do banco.

- Pelo quê?

- Por ser tão desagradável.

Ela solta uma gargalhada.

- Você passou por muita coisa nesse último mês. Tem todo o direito de ser desagradável.

De uma maneira bizarra, aquilo me conforta. Às quatro horas da manhã, as ruas estão quase desertas. O táxi consegue pegar todos os sinais abertos; chegamos em casa em poucos minutos.

Casa.

Perco o fôlego, chocada de ver a facilidade com que voltei a pensar na casa da minha mãe como sendo minha. Mas isso vai ser por pouco tempo, digo a mim mesma, quando a Nonna, na sua camisola ordinária através da qual dá para ver os seios que mais parecem tetas de vaca, nos recebe na porta e pega a minha bolsa. Não posso ficar aqui. Nem um segundo a mais do que o absolutamente necessário. Tão logo... Tão logo o quê? A Nonna me conduz ao meu antigo quarto, onde minha cama de casal de antigamente está feita para me receber. Não tenho dinheiro, a essa altura também não devo ter mobília, e o meu emprego paga uma ninharia. Domino o pânico que ameaça tomar conta de mim, e lembro a mim mesma que poderia ser pior, que eu poderia ter morrido.

Aquelas pessoas do andar de cima poderiam ter morrido. Seus filhos...

- Conversamos domani, si? - diz a minha avó, puxando as coberta para cobrir os meus ombros como se eu fosse uma menininha. Seu sotaque carregado (ela não falava inglês até se casar com um soldado americano durante a guerra) me envolve como uma brisa suave. - De manhã fazemos planos. Pensamos o que fare. - Ela se debruça sobre mim, toca meu rosto com os lábios frescos e macios, e sua comprida trança branca escorrega por cima do ombro e faz cócegas no meu pescoço. - Está segura, cara - murmura ela, e em seguida sai do quarto na ponta dos pés.

Uma nova rodada de lágrimas escorre dos meus olhos e molha o travesseiro. Detesto sentir pena de mim mesma, mas a minha resistência foi para o espaço. Neste caso, é uma boa pedida curtir um pouco a minha auto piedade, certo? Mesmo estando sozinha nesta curtição.

Ah, meu Deus. O que eu mais temia aconteceu.

Segura? Sim, suponho que estou. Pelo menos, fisicamente. Mas o que restou, além de uma aliança que eu nem sei se terei coragem de vender? E um vestido de noiva da Vera Wang que deve estar em algum canto do apartamento de Sai e Hiro. Tudo, tudo me foi tirado. O homem que eu amava, meu apartamento, meu emprego... até mesmo meu cão. Está bem, Geoff nunca foi meu, mas você sabe o que eu quero dizer. O problema é que aqui estou, aos 31 de idade, recomeçando do zero.

Esta foi a gota-d'água. Estou exausta. Derrotada. E, pior, minha situação não é muito diferente daquela em que viviam os vagabundos que sensibilizavam os meus pais, deixando-me ressentida, muitos anos atrás. O corpo de bombeiros permitiu a nossa entrada no apartamento na tarde do dia seguinte. Sim, está horrível, como a Sra. Moskovitz garantiu que aconteceria. Não há propriamente danos causados pelo fogo, mas tudo cheira a churrasco. E o estrago causado pela água...

Quando vejo o meu lindo sofá da Pottery Barn ensopado e coberto de fuligem, começo a chorar.

- Venha - diz minha mãe numa voz branda. - Vamos ver o que podemos salvar. - Há firmas especializadas em limpar peças danificadas por fogo - diz ela, enquanto eu cato os destroços encharcados. (E eu reclamando da banheira do apartamento de cima que transbordava!) - Não parece haver nenhum estrago no quarto, além do cheiro terrível de fumaça, portanto é possível que as roupas tenham se salvado - continua ela.

Meus documentos, contas e tudo mais estão dentro de um arquivo de metal, portanto toda essa parte não foi afetada, assim como metade dos meus livros, que precisarão ser muito bem arejados. A outra metade, que está nas prateleiras mais próximas da cozinha, está arruinada, assim como toda a minha mobília, minha impressora, enfim, todo o meu conjunto de entretenimento. Em silêncio, pego uma das caixas que trouxe comigo e jogo nela as pastas do arquivo.

- O seu seguro deve cobrir a maior parte – diz Tsunade.

Sim, tenho seguro de aluguel. Pelo menos isso. Mas não pagará a substituição de todas as minhas coisas, mais os custos iniciais do aluguel um outro apartamento. Fico deprimida só de pensar em passar por tudo aquilo de novo.

Na mesma tarde, telefono para a companhia de seguros para solicitar o ressarcimento. Do outro lado da linha, uma voz feminina muito gentil e simpática, com um sotaque sulista, pede que eu aguarde um pouco enquanto ela procura a minha conta. Ouço as batidas nas teclas do computador e uma música suave ao fundo. Depois, um "Ah, meu Deus."

Fecho os olhos.

- Algum problema? - pergunto, se bem que é óbvio que existe algum problema; se ultimamente tudo relacionado a mim dá errado, por que isto seria uma exceção?

- Bem, hum, de acordo com os nossos registros, não recebemos o último pagamento do seu seguro.

- Ah, não, deve haver algum engano. Eu mandei esse cheque em... — Pego na bolsa o talão de cheques e, ansiosa, folheio rapidamente os canhotos.

Dou uma risada nervosa.

- Por favor, espere um segundo, estou um pouco nervosa e não estou conseguindo me concentrar aqui...

- E perfeitamente compreensível - diz a voz gentil e simpática. - Não tenha pressa, querida.

No entanto, mais duas folheadas frenéticas não indicam haver um cheque para a companhia de seguros. É, estou frita.

- Qu-quando foi mesmo que venceu?

- No dia 25 de maio.

O que significa que os trinta dias de tolerância acabaram... ontem.

Agradeço à gentil moça e desligo, pensando em acabar comigo também, mas sei que não tenho cojones para isso. E nunca me perdoaria se levasse a Nonna a ter um ataque de coração. Nunca, jamais na minha vida eu esqueci de pagar uma conta. Jamais. Mas está claro que essa me escapou.

Olho para o céu e pergunto:

- Por quê?

Como não receberia mesmo nenhuma resposta, faço o que qualquer mulher normal faria na minha situação: vou para a cama. Quatro, cinco manhãs depois, quem vai saber, sinto minha mãe aproximar-se e sentar-se na minha cama. Não preciso olhar para que suas mãos estão apoiadas nos quadris.

- Muito bem, acabou o luto. Levanta daí.

- Sai você daqui - resmungo e, em seguida, cubro a cabeça com as cobertas.

- Ei! É a sua mãe que está falando com você.

- Sei disso.

As cobertas são puxadas de volta. Droga, está. muito claro.

- A Nonna está preocupada.

Esse era o único argumento que eu poderia de fato considerar para tirar a minha carcaça da cama. E Tsunade sabe disso.

- Hinata telefonou, querendo saber por que não consegue falar para o seu celular.

- E suponho que você tenha contado a ela.

- Não é propriamente um segredo.

Mudo de posição, agarrada ao lençol como um bebê à sua manta.

- Quer dizer que ela já deve ter ligado para Ino, certo?

- Querida, se bem a conheço, Hinata deve ter colocado um anuncio no Post. Nossa, Sakura, seu hálito está horrível. Agora, levante e comece a agir, anda. Vou a uma reunião na faculdade e estarei de volta na hora do almoço. A tinturaria disse que a sua roupa estará pronta esta tarde.

Olho para o pijama que estou usando desde a noite do incêndio e que, a esta altura, já deve ter se fundido à minha pele.

- E quer me dizer o que eu devo usar até lá?

- Dê uma olhada nas gavetas e no fundo do closet. Ainda têm coisas de quando morava aqui.

Meus olhos se arregalam.

- Você guardou as minhas roupas velhas?

- Não exatamente. Apenas nunca pensei em jogar fora.

É, essa é a Tsunade, que guardaria jornais até eles se decomporem se a Nonna não os jogasse fora escondido.

Faço um esforço para me sentar, abraçando os joelhos.

- Odeio dizer isto, mas tenho exatamente 264 dólares na minha conta. Até entrar algum dinheiro, não poderei tirar as roupas da tinturaria.

- Não se preocupe com isso...

Dou um pulo quando minha mãe empalidece e cai na cadeira da escrivaninha.

- Tsunade! Você está bem?

Com a mão trêmula, ela cobre o peito.

- Nada que os pimentões recheados da sua avó não curem.

- Escute - digo, finalmente me desvencilhando dos lençóis e saindo da cama. - Isso não é coisa para se brincar. Pode ser sério. Sabe muito bem que enjôo e vertigem costumam ser os primeiros sinais de ataque cardíaco nas mulheres.

Tsunade revira os olhos para mim, levanta e puxa a blusa para baixo, por cima da saia.

- Isto não é um ataque de coração, Sakura. É azia. Com alguns antiácidos ficarei bem. Agora, vá se lavar, pelo amor de Deus. Não vou demorar.

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Na verdade, agora que estou na vertical, não é tão mau assim. Talvez um pouco estranho, pois, por alguma razão, esperava que o meu quarto estivesse exatamente como o deixei há uns 12 anos. Em vez disso, metade dele está entulhado com arquivos e estantes de livros, e a minha cama, a cômoda de gavetas e uma velha escrivaninha estão amontoados junto à parede como crianças ameaçadas. Todos os meus pôsteres as minhas bonecas, os livros que considerei muito juvenis para carregar comigo quando me mudei, não estão aqui. Pelo menos, não os vejo. Assim como as minhas roupas, tenho certeza que devem estar guardados em alguma gaveta ou armário, banidos porém não exterminados.

Procuro na cômoda uma roupa de baixo, um short e uma camiseta. Eu usava mesmo shorts tão curtos? Que assanhamento. Vinte minutos depois, de banho tomado e vestida, caminho com esforço até a cozinha e encontro a Nonna, como sempre, cercada de tigelas, rolos de pastel e toda a parafernália de cozinha, cantarolando, enquanto cumpre a sua missão de alimentar as pessoas. Vestindo uma roupa larga de cor escura que devem vender em uma daquelas lojinhas abarrotadas da Delaney Street, ela sorri exultante quando me vê e abre os braços. Entro no seu aconchego, precisando curvar-me para abraçá-la. A Nonna é baixa mas firme como o tronco de uma árvore, e sempre cheira levemente a cebola e alho, e também a talco.

- Senta, senta. Vou preparar seu café da manhã. Se sente melhor hoje?

- Ligeiramente. O que está preparando?

- Goela de pato recheada. Buona idéia?

- Maravilhosa. - Ela me dirige outro sorriso amplo, e eu melhoro mais um pouco para me sentir quase bem.

Deixo a Nonna me alimentar - com panqueca, salsicha, ovo mexido e café – e depois sinto-me razoavelmente pronta para enfrentar o mundo. Ou o que sobrou do meu mundo, pelo menos. Ligo o celular, telefono para todas as pessoas que imagino que possam precisar saber onde estou, incluindo a loja, para avisar que ainda necessito de mais alguns dias de folga. Elise Suderman, a chefe do ateliê de design, não está feliz, mas não tem muito o que fazer. Ora, francamente. Qual é a pior coisa que eles porém fazer? Despedir-me? Aaaaah, estou morrendo de medo.

Depois, telefono para a firma do bufê, ainda na discagem rápida do celular. Não faço ideia do que vou falar, ou de como pretendo pagar a conta que já está atrasada, mas penso que o mínimo que posso fazer é manter os canais de comunicação abertos.

- Mas nós já recebemos um cheque na segunda-feira - diz o contador com um tom de perplexidade na voz.

Minha mão aperta com força o celular.

- O Sr. Munson pagou a conta?

- Exatamente. Inclusive, pagou dez por cento a mais para compensa: o transtorno, segundo explicou.

Com a cabeça zunindo, telefono para o florista e ouço a mesma história.

O hotel? Sim. Tudo pago.

Chega. Quero dizer...

Está bem, é uma boa notícia, certo? Uma coisa a menos para me preocupar, um problema resolvido. Ainda assim... Não sei... Alguma coisa está... me incomodando, mas estou muito surpresa para descobrir o que é. Por cima dos protestos estrondosos da Nonna, lavo a minha louça do café. E é exatamente quando estou secando as mãos no pano de prato kitsch feito de toalha que me vem o significado de Kiba pagar todas as contas.

Agora está terminado.

Todos os três lugares disseram que os cheques estavam datados de antes do incêndio, o que significa que ele poderia ter entrado em contato comigo, se quisesse. Não ter feito isso só podia significar uma coisa: ele não mudaria de ideia. Ou sequer me permitiria a cortesia de uma explicação cara a cara.

Percebo que, no mês que passou, agi como uma pessoa sentada ao lado de um leito de moribundo, orando por um milagre, sem querer deixá-lo ir embora enquanto ainda houvesse um fio de esperança. Ah, querida, a esta altura, o corpo já foi carregado e enterrado, e não sobrou nada para eu me segurar. Minha avó desvia os olhos do seu trabalho e olha para mim com uma expressão preocupada.

- Você está bem?

Sacudo de cima de mim os últimos farrapos de falsa esperança e sorrio para ela. De certo modo, estou aliviada. Livre, até. Muito deprimida, mas livre.

- Estou, sim - respondo. Depois, volto para o meu quarto, e, pela primeira vez desde o meu retorno, aproveito para reabsorver o lugar que, por falta de opção, eu chamara de "lar" nos primeiros dois-terços da minha vida.

O apartamento é uma daquelas construções antigas nobres e grandiosas, comuns a muitos prédios do período pré-guerra ao norte da Rua 96. Os cômodos são espaçosos, o pé-direito alto, a madeira do chão a está levemente gasta, as paredes já receberam uma centena de mãos de tinta, e os tetos são adornados de cornijas e de mofo. As janelas foram substituídas há sete ou oito anos, mas, na minha infância, lembro de meu pai brincar que quase se podia medir a velocidade do vento pela distância que as cortinas alcançavam dos peitoris quando voavam para fora.

Não deveria surpreender-me com o fato de esta casa me fazer lembrar do meu pai. Agora, porém, enquanto aprecio uma coleção de fotografias penduradas meio tortas na parede que dá para a cozinha, meus olhos lacrimejam diante de uma foto de nós três, creio que no meu aniversário de cinco anos, logo depois de nos mudarmos do pequena apartamento de três quartos na Rua 114 para cá.

Ao lado do meu pai, Tsunade parece quase mignon. Jiraya Haruno tinha 1,95 m de altura, cabelo branco crespo e abundante. Vestindo suéteres praticamente idênticos e calças jeans, estamos sorrindo como tolos na foto, meu pai abraçando a minha mãe possessivo e puxando-a para si, com o rosto aninhado no cabelo dela. Eu estou em pé entre os dois, de mãos dadas com ambos. Certamente pareço feliz na foto, não pareço?

Saio dali, e, diante da sala de estar, sacudo a cabeça. Esse é um dos dois cômodos que, há muitos anos, a Nonna desistiu de tentar convencer Tsunade a arrumar. "Menos é mais" não é um conceito muito familiar para a minha mãe. Pilhas de livros, jornais e revistas, parecendo a silhueta de uma cidade bêbada, ocupam quase todo o espaço que não esteja tomado pelos móveis; móveis esses que, quando eu era pequena, eram muito confortáveis, mas, agora, estão tão surrados que dá pena. Será que Tsunade continua distribuindo o salário dela? Ou será que simplesmente não pode se dar ao trabalho de telefonar para a filha e pedir que a ajude a procurar alguma coisa menos surrada?

O quarto de Tsunade, que é a antiga sala de jantar, fica ao lado da sala de estar. Através das portas francesas entreabertas, consigo vislumbrar roupas que já não são mais usadas, além de mais pilhas de livros que competem com as revistas e os jornais espalhados pela cama desfeita.

Tenho de sorrir. Sim, essa é a minha mãe, uma mulher ocupada demais existindo para se preocupar em arrumar sua bagunça.

E tem a minha avó, penso, ao parar em frente a um quarto que enveredaria um fuzileiro naval. Ou uma freira. Debaixo de um crucifixo (uma coisa chamativa, horrível, que, quando criança, eu achava absolutamente fascinante) fica uma cama de solteiro, muito bem-feita, ao lado de uma cadeira de balanço sem braço, forrada de tecido, trazida da Itália pela Nonna há mais de cinquenta anos. A cômoda de madeira escura apenas uma imagem da Madona sobre um paninho de renda; não uma partícula de pó na imagem.

Como essas duas mulheres conseguiram morar juntas por tanto tempo sem uma enlouquecer a outra?

E que estranho eu não ser igual a nenhuma delas.

Já no "meu" quarto, ligo o ventilador que está sobre a cômoda, volto para a cama que ainda não arrumei; sento-me de pernas cruzadas, os cotovelos sobre os joelhos, o queixo nas mãos, e analiso como estou me sentindo. Decido que não estou mal, mas também não estou bem. Nesta fase, pela lógica e fiel à minha natureza, eu deveria estar me recuperando, dando, resolvendo que caminho devo seguir. Por alguma razão, isto está acontecendo. Se bem que não consigo identificar propriamente se é por rebeldia ou simplesmente porque estou cansada.

Eu deveria convocar uma Sessão de Fofoca.

Por outro lado, talvez não seja uma boa idéia. Da forma como me sinto agora, o cinismo de Ino me faria perder o controle. Para não mencionar o sorriso sereno de Hinata. Com um suspiro, levanto-me da cama e resolvo (porque não é cor se eu tivesse um compromisso ou algo assim) verificar que coisas meu passado minha mãe guardou. O armário de ripas de cedro é razoavelmente grande, com muitas prateleiras e aberturas.

Quando pequena, eu costumava atormentar minha mãe escondendo-me dentro e recusando-me a responder quando ela me chamava... até que o tom da sua voz indicava que ela não estava mais brincando. Mas era bom mesmo que por alguns minutos, fingir que ninguém podia me achar ou me irritar, ou perturbar os meus pensamentos. Aos dez ou onze anos contudo, já superara esse hábito, o que foi triste porque fiquei realmente sem um lugar onde estar sozinha.

Puxo a cordinha para ligar o lustre do teto. Que crime. Aqui estão meus anos de adolescência enfurnados para a eternidade - as roupas, os pôsteres, tudo enrolado um dentro do outro em um canto, as caixas de livros. E, na prateleira superior, uma caixa de madeira manchada e surrada que ainda cheira a óleo de linhaça e terebentina.

Aquilo desperta em mim algo que eu achava que há muito ter estava morto e esquecido. Puxo a caixa para baixo, quase bato com a cabeça nesse processo, depois a coloco sobre a minha mesa de trabalho para poder abri-la. O batimento do meu coração acelera, meus dedos formigam, como um amante desnudando sua amada após muitos anos de separação.

Os tubos tortos, deformados e borrados estão agrupados confusamente. Pego um deles, aperto delicadamente e vejo que ainda está macio. A maioria das crianças nas minhas aulas de arte preferiam trabalhar com acrílico, cujas cores são mais vivas e o tempo de secagem é menor. Eu, não. Eu adorava o cheiro do óleo, a intensidade sutil das cores, paciência com a experimentação de uma neófita com as misturas matizes, até mesmo as diferentes texturas e sensações dos diversos mentos. Eu era uma romântica patética e chegava a amar a sensação de união com os artistas de muitos séculos atrás. Comecei a interessar-me pela pintura mais ou menos na época em que abandonei o armário.

Durante horas deixava-me vagar pelo mundo que eu criara com os seus pincéis, esquecida das confusões que estavam acontecendo no apartamento. Meus pais encorajavam minhas explorações e nunca hesitavam em comprar o material que eu precisasse, por mais caro que custasse um tubo de alizarina vermelha ou um pincel redondo de zibelina pura Número 10. Mesmo durante as semanas em que só tínhamos macarrão com queijo para comer.

Nossa. Isto não é consciência culpada, é?

Fucei mais ainda o fundo do armário e descobri uma pilha de telas, algumas pela metade, outras apenas iniciadas. E o meu velho cavalete...

Entro no terceiro quarto, agora vazio, aquele que Tsunade oferecera para eu usar como escritório. Ou outra coisa qualquer. É o quarto virado para o norte, devido a uma projeção esquisita da cede do prédio. Uma cômoda desgastada pelo uso e um par de cadeiras são os únicos itens a quebrar a monotonia do chão vazio e das paredes. A velha cortina horizontal enrola-se toda num estalo quando a uma luz clara e forte inunda o quarto.

- Descobriu as suas tintas, hein?

Mesmo suave, a voz da minha mãe me faz dar um pulo e acordar sonho. Deus... O que eu estava pensando? Em voltar a pintar? Como se o motivo que me fez desistir não mais existisse?

- Você devia ter jogado essa tralha fora há muitos anos - respondo com voz estridente, oca, no quarto vazio.

-A tralha não era minha para eu jogar fora. - Uma ripa do chão range quando Tsunade entra no quarto com os braços cruzados. Ela se dirige para a janela e, depois de tentar durante um minuto, consegue abri-la. Um vento quente entra no quarto, trazendo sons do trânsito, vozes, o choro de uma criança em algum lugar do edifício. - Isto daria um excelente estúdio, não acha?

Olho em volta e dou de ombros.

- Acho que sim.

Tsunade senta-se em uma das cadeiras, uma coisa do estilo missionário que eu sempre detestei.

- Você era boa, Sakura. Nunca entendi por que desistiu.

Suas palavras provocam ao mesmo tempo orgulho e aborrecimento. Tsunade não é de elogiar sem razão. Tampouco é dada a ver as coisas pelo ponto de vista de outra pessoa.

- Sabe muito bem o que me fez desistir.

- Você preferiu escapar pelo caminho mais fácil.

- Porque não faço o tipo artista morto de fome. E você sabe disso.

- Nem todos os artistas morrem de fome.

- Não, só a maioria. Escuta, quantos dos seus amigos já consegui sair do anonimato, que dirá chegar ao topo? Você sabe muito bem as probabilidades são contrárias ao sucesso. Até mesmo a ganhar o ciente para o sustento. Eu precisaria ter um parafuso solto para sequer considerar a hipótese de seguir uma carreira de pintora.

- E então teve medo até de tentar.

- Eu não quis tentar. Não é o mesmo que ter medo.

-Não?

- Cristo, Tsunade!

- Sinto muito.

Solto uma gargalhada.

- Está bem, eu não sinto muito. Porque me mata saber que você prefere passar a vida decorando a casa dos outros, executando a ideia de outra pessoa, a expressar a sua própria.

- E já lhe ocorreu pelo menos uma vez que talvez, só talvez, eu goste do que faço?

- Acho que você se convenceu de que gosta.

Levanto os braços vencida, dou meia-volta e marcho para o meu quarto. Em poucos segundos, ouço a tranca de corrente bater contra porta e sei que minha mãe está saindo outra vez. Por que brigo com ela? É mais fácil resolver as diferenças entre os palestinos e os israelenses do que entre mim e minha mãe. Mesmo assim, sempre caio na armadilha. Com a garganta inexplicavelmente fechada, guardo tudo de volta no armário que volta a ficar abarrotado. Quando as coisas acalmarem um pouco, cuidarei de jogar tudo fora.

- Está tudo bem, cara?

A Nonna está no vão da porta, com as mãos negligentemente cruzadas sobre o estômago, e as sobrancelhas que ainda não perderam a cor escura muito franzidas, aproximadas uma da outra. Eu suspiro.

- Tsunade e eu tivemos uma briga.

- Isso eu vi - diz ela com um leve sorriso. - O apartamento não é tão grande. Ela quer que você volte a pintar, si?

- Como se eu pudesse.

- Por que não?

- Porque simplesmente não é isso que eu faço agora, Nonna. Nem sou a mesma pessoa.

A Nonna entra no meu quarto, senta na cama e, estendendo a mão, me puxa para sentar ao seu lado.

- Você acha que seu talento não existe più?

Não estava em condições de pensar sobre isso com seriedade.

- A pintura fez parte da minha vida em uma época que eu precisais de uma válvula de escape para tudo o que estava passando depois da morte de papai. Agora, não preciso mais. É só isso.

E também já superei aquele armário.

As mãos da Nonna são macias e leves quando tocam as minhas. Contudo, quando as aperta, me passa o que parece ser a força concentrada de todas as gerações de mulheres que vieram antes dela. Seus olhos, escuros e por demais avaliadores, encontram os meus.

- A sua mamma, ela não é - come sei dice?- diplomática, não? Mas io acho que ela fala verdades que você não quer ouvir. - Ela me puxa para plantar um beijo bem suave na minha testa. - A sua pintura, ela vem da sua alma. Também não acho boa coisa negare à sua alma o que precisa dizer. Você sabe, tudo o que eu peço da vida neste momento é pelo menos uma aliada.

- Nonna, eu...

Meu celular toca, escondido em algum lugar da sala como um grilo fantasma. Enquanto nós duas procuramos o raio do telefone – a Nonna finalmente o descobre debaixo dos lençóis -, tento me recompor. Só para toda essa frágil compostura ser mandada para o espaço no instante em que atendo.

- Já era tempo de você atender o celular! E que história é essa de ser expulsa do seu novo apartamento pela fumaça?

Agora sei qual é a sensação de estar na reta de colisão de um asteróide.

A Nonna sai do quarto e leva consigo mil anos de força feminina.

- Por favor, não grite comigo, Sasuke - digo numa voz macia. - Não estou com humor para isso.

Ouço um suspiro do outro lado da linha.

- Droga, Sakura, sinto muito, não era minha intenção ser tão agressivo. Mas eu ligava para o telefone da sua casa e não atendia. Tentava o celular, também nada. Fiquei preocupado, pensando... - Outro suspiro. - Não quero parecer pessimista, mas toda vez que viro as costas, mais alguma coisa acontece a você.

- Eu que o diga. - Depois de levar um bom tempo para processar, acrescento: - Estava preocupado comigo? Por quê?

- Porque, como eu disse, parece que você tem um aviso nas costas que diz "Acabe Comigo". Por isso, imaginei que não faria mal tentar saber como você estava. E Paula também tem ficado no meu pé querendo saber de você.

- Mas por que ela não telefonou?

- Se eu não consegui, como ela poderia?

Tem razão.

- Então... como soube do incêndio?

-Esta manhã, finalmente, fui ao seu antigo apartamento, na esperança de que um dos seus vizinhos soubesse de alguma coisa. Um dos caras que moram no apartamento em frente ao seu - o almofadinha - disse que você acabara de telefonar e que estava morando de novo com a sua mãe.

- Ah. Pois é.

- Acho que devo lhe dar meus pêsames.

- Ei, você conheceu a minha mãe.

- Mas foram uns poucos minutos, há mais de dez anos.

- E aposto que se lembra, com uma clareza cristalina, cada segundo daquele encontro, não é?

Sasuke solta uma gargalhada.

- Agora que você mencionou, é, sim. Mas as pessoas mudam.

- As pessoas, talvez. Tsunade, não. - Caio de novo na minha cama e cubro os olhos com as costas de uma das mãos. Sabe, não faço idéia de por que ele me ligou. E sabe do que mais? Realmente não me importa. Certo, o homem é controlador e um pouco atrevido, mas no momento ele é tudo que tenho. Imagino que, se deixasse as lágrimas brotarem neste instante, ele não consideraria isso um sinal de fraqueza feminina. Eu consideraria, mas ele, não. Assim, deixo elas brotarem.

- Estou cheia, Sasuke - digo, com a voz trêmula. - Até um mês atrás, minha vida estava ótima, tudo ia muito bem, sabia? Depois, bam-bam-bam - sem casamento, sem emprego, sem casa, sem casa de novo, sem cachorro...

- O cachorro? O que aconteceu com ele?

Expliquei sobre Curtiss e o testamento. Eu não estava soluçando ou algo assim, só dava uma fungada ocasional. Aparentemente, o suficiente para levar o policial durão no outro lado da linha a ficar todo carinhoso e gentil. O que, para mim, estava bem.

- Ei - diz ele. - Que tal você vir aqui no Quatro de Julho?

- Aqui... onde? - pergunto, com o lenço de papel pressionado contra o nariz.

- Aqui. No Brooklyn. Na minha casa. Quero dizer, na verdade na casa de Paula e Itachi. Consegui tirar a noite de folga, e eles vão preparar um jantar ao ar livre. Você não pode imaginar como, do telhado, dá para ver bem os fogos da Macys. Então, venha. Vai ser divertido.

Deus... Aonde foi parar o mês de junho? Mas ainda faltam cinco dias para o Quatro. Solto um suspiro trêmulo.

- Ah, não sei...

- Sakura, se tem alguém que precisa de uma mudança, uma chance, alguma coisa, é você, certo?

Giro o corpo para me deitar de lado e apoio-me em um dos braços.

- Eu... não posso.

- Por quê?

- Porque... porque simplesmente... não posso.

- Porque não teve três meses para pensar e decidir se isso se encaixa ou não com os seus planos de vida, certo?

Quase dou uma risada.

- Não sou tão analítica assim.

- Então o que é? Ah, se está em dúvida por causa de Amy...

- Não, claro que não - minto.

- ...está tudo terminado.

- Ah? - Eu me sento. - Ah, que pena, Sasuke... sinto muito.

- Não se preocupe. Eu sabia que ia acontecer, mas não queria admitir.

Sasuke procura agir como o homem forte mas não consegue.

- O que aconteceu?

- Uma palavra. Filhos. O problema é que... ela não quer filhos. Na verdade, para ser justo, ela já tinha dito isso há muito tempo. Acho que eu pensei... não sei. Que talvez, se as coisas caminhassem bem entre nós ela mudasse de ideia. - Ele suspira. - Acho que ela percebeu que era melhor terminar logo. Na verdade, já estava querendo terminar há algum tempo. Quando nós saíamos, só discutíamos em vez de namorar. Finalmente, terminamos naquela noite em que fui à sua casa. Lembra, o que levei a comida chinesa?

Como se eu precisasse refrescar a memória. Claro que a paranoia logo bate.

- E... é por isso que está me convidando para ir lá? Porque de repente está sem companhia?

- Não, claro que não. Entendo que você possa pensar assim, mas o fato é que eu nem ia convidá-la pois achava que a sua reação seria mais ou menos essa. Mas depois que começamos a conversar e você disse que está muito angustiada, achei que valeria a pena tentar.

Fico em silêncio.

E Sasuke diz:

- Ei, gosto de você, sabia? Gosto de estar com você, de estar alguém que é diferente de todas as outras mulheres que conheço. Sinceramente, não é nada além disso. Claro, se o sentimento não é mutuo, se você não curte a minha companhia...

Ainda estou absorvendo o que tenho quase certeza ser um elo quando percebo que quase perdi a minha vez de falar.

- Ah, não, Sasuke! Não é nada disso. Eu também gosto de você. – Provavelmente mais do que deveria. - É só que... ah, droga, não sei. Eu seria uma péssima companhia.

- Então somos dois. O que decide, afinal?

Ah, Deus. Sinto que estou fraquejando. Olho para as unhas dos meus pés e me pergunto como elas ficariam pintadas de vermelho. Ou talvez de azul.

- Desde que não seja um programa do tipo paquera ou algo assim.

- Lá vem você de novo com essa história de paquera - diz ele irritado. - Olha, Sakura, pode chamar do que quiser, está bem? Não faz diferença para mim. Raios, você pode ficar com a Paula e as crianças a noite toda se quiser. Quero dizer, eu saio dali e me enforco, mas vou entender.

Dou um sorriso sem graça.

- A noite é para você, Sakura - diz ele baixinho. - Está bem? É só você vir.

Hesito. De fato, não há nenhuma razão para eu não ir. Kiba definitivamente faz parte do passado. O que não significa que eu esteja aberta para alguma coisa, não é bem isso, é só... É só um jantar ao ar livre, tenha dó. Um convite para assistir aos fogos que não assisto desde pequena, quando a Macys fazia o show neste lado da cidade. E estou precisando sair um pouco de mim mesma, ainda que só por uma noite.

- Es... tá bem.

- Não me derrube com o seu entusiasmo.

- Está bem. Eu irei. Eu quero, sim.

- Tem certeza?

- Nenhuma. Mas irei de qualquer forma. Só me diga qual é o trem que devo pegar.

- Esqueça isso. Eu saio do trabalho às quatro horas, passo aí e pego você.

- Não precisa...

- Você já nasceu assim tão teimosa, ou é alguma coisa que tenha desenvolvido ao longo dos anos? Não vou seqüestrá-la, pelo amor de Deus.

- Eu sei, é só que...

- Fiz um juramento de proteger as pessoas, Sakura - diz ele suavemente. – Um juramento que levo muito a sério. Não farei nada a você, ou com você, que não seja da sua vontade. A não ser que continue ser tão chata. Nesse caso, não está mais aqui quem falou.

Faço um aceno de cabeça, depois me lembro que ele não está me vendo.

- Desculpe. Eu só estou...

- Eu sei - interrompe ele. - Já estive lá. Raios, eu estou lá. Me diga onde você mora. E por favor, mantenha-me informado se mudar de endereço de novo, combinado?

Eu sorrio e dou o endereço da minha mãe. Quando desligo, uma vez repito para mim mesma que não tenho nenhuma razão me preocupar. Nenhum motivo.

Continua...

Finalmente Sakura chegou ao fundo do poço tadinha... Nesse capitulo não tem como não rir da desgraça dela! rsrsrsrs... Vocês vão se divertir muito com a Nonna ainda! E convite de Sasuke no final do capítulo? Hummmm...Veremos...

E cadê meus reviews pessoal? O site disse que mais de 600 pessoas entraram pra ler a his´toria, mas ninguém comentou nadinha... Poxaaaa... Quero saber o que vocês estão achando... bjus