Autora: Blanxe
Revisora: Andréia Kennen
Casal: SasuNaru
Gênero: Yaoi, Romance, Angst, MPREG, tragédia.
Aviso1: Trechos em itálico e negrito indicam falas internas entre Kyuubi e Sasuke.


Quando você não for forte o suficiente,
eu lhe darei a força que você necessita
Não deixe a mágica que lhe dei, se transformar em ilusão...

(Tsukiko Amano – Kousen)

oOo

3º mês

Sasuke esperou que Naruto dormisse. O que não demorou tanto tempo assim. O jinchuuriki tinha uma facilidade incrível em fechar os olhos e, em minutos, estava ressonando. Assim, aproveitava-se da sonolência dele, para acariciar sua barriga. Ainda não era muito visível, mas uma elevação discreta já se formava no abdômen do loiro. Geralmente, ele não permitia que alisasse sua barriga, dizia que era estranho, contudo, Sasuke acreditava que Naruto ficava, na verdade, encabulado com aquele tipo de atenção. Por isso, esperava ele ficar cansado ou realmente dormir, para tocá-lo.

Naquele momento, dividiam a cama de casal do quarto principal da casa onde passaram a morar juntos. Estavam nus, afinal, haviam feito sexo há pouco tempo. Um fino lençol branco cobria-os da cintura para baixo. Naruto tinha o rosto virado para o lado, enquanto o corpo descansava desleixadamente com as costas sobre o colchão.

Sasuke ficou admirando-o, reparando em sua inocência e vulnerabilidade enquanto dormia. Poderia passar horas daquele jeito, se assim quisesse, e não se cansar. A convivência diária e constante com o outro adolescente o estava afetando muito mais do que um dia poderia cogitar. O que sentia por Naruto desafiava qualquer coerência ou dimensionamento e isso só vinha se agravando com o passar dos dias.

Por esse motivo, ainda guardava a ordem da Hokage na memória. Precisava sondar o que estava ocorrendo com Kyuubi. Mas preferira não questionar Naruto diretamente; sozinho, tiraria suas conclusões. Era exatamente o que pretendia naquele momento. Seria fácil entrar no subconsciente do jinchuuriki e averiguar o que existia de errado com o demônio de nove caudas enquanto Naruto dormia.

E foi o que fez.

Dentro da mente do loiro, Sasuke notou o quão mais sombrio aquele lugar parecia estar. Escuro e ligeiramente frio. Andou pelas galerias mentais até estar de frente para a jaula onde a besta deveria estar adormecida. No entanto, nada via lá dentro, além de um breu opressivo.

Ficou ali parado, observando, esperando. A presença, então, começou a se manifestar. Os olhos virulentos se abriram no meio daquele negror ao fundo da cela. Mantendo-se impassível, Sasuke escutou o demônio se dirigir a si.

- Invadindo sem pedir permissão outra vez, Uchiha?

- O que você está tramando?

Seu questionamento gerou uma risada no monstro escondido na escuridão, que reverberou sombriamente por aquela galeria, causando uma ínfima insatisfação em Sasuke.

- Não me esqueci de quando perguntei sobre qual seria o seu plano ao oferecer uma gravidez a Naruto e você disse que eu era perspicaz. – relembrou ao demônio.

Kyuubi cessou o riso e retorquiu com sarcasmo:

- Você está atrasado, Uchiha.

- Se estiver arquitetando algo contra Naruto… - iniciou sua ameaça, porém, foi cortado pelo ser do outro lado das grades.

- Ele é meu hospedeiro. – a raposa atestou e, a seguir, ironizou: - O quão esperto eu seria, ferindo quem me abriga?

Aquela justificativa não era convincente o suficiente para Sasuke. Naruto poderia ser ingênuo e estar confiando cegamente naquele ser demoníaco, mas o Uchiha não. Estava mais do que confirmado que Kyuubi agira com segundas intenções ao oferecer a gravidez ao jinchuuriki e Sasuke permaneceria ali até conseguir as respostas que necessitava.

- Qual o seu objetivo, então? – indagou à raposa. - Por que Naruto não consegue entrar em contato com você?

- Eu devo admitir que subestimei a sua linhagem. – comentou Kyuubi, observando atentamente o humano prepotente que estava mais adiante. - O sangue do seu clã maldito é mais forte do que previ que fosse e isso me repeliu.

- Sobre o que está falando? – o moreno inquiriu, desconfiado.

- O filhote. – foi tudo o que Kyuubi disse, fazendo os olhos de Sasuke, até então, profundamente indiferentes, se arregalarem.

Inicialmente, uma preocupação absurda o dominou. Enquanto estivera pensando o que o nove caudas estaria planejando para prejudicar Naruto, jamais cogitara que seu alvo, desde o princípio, pudesse ser seu filho.

A raiva começou a consumi-lo.

- Essa sua carranca não assusta ninguém, além dos tolos que acreditam que você é alguma coisa, Sasuke Uchiha. – Kyuubi desdenhou. - Se eu quisesse, o filhote estaria morto em um piscar de olhos.

- Não ouse! – ameaçou, entre dentes.

A forma da raposa agigantou-se por trás das grades, mas Sasuke sequer se intimidou. Ele continuou a encará-la com severidade, enquanto escutou-a dizer:

- Ou o quê? – a raposa rosnou.

Sasuke respirou fundo. Tinha que se controlar. Perder o foco seria uma grande besteira em um impasse como aquele. O seu filho estava bem - o sentia -, então, se Kyuubi não fizera qualquer mal à criança, era porque não pretendia realmente feri-la. O que necessitava desvendar era o motivo da reclusão de Kyuubi e agora qual papel que seu herdeiro teria no plano do demônio.

- Que utilidade um bebê poderia ter pra você? – inquiriu, retomando uma postura neutra.

- Algumas. Dentre elas: ser meu corpo. – Kyuubi informou, com um repuxar se formando no canto de sua mandíbula.

A revelação pegou Sasuke totalmente desprevenido. Ficou estático, somente escutando o resto do que a raposa tinha a lhe dizer:

- O filhote serviria para que eu ganhasse a minha liberdade. Por que acha que induzi Naruto a seguir adiante nesse sentimento idiota que tem por você? Acha que foi pelos belos olhos azuis dele?indagou, sarcástico.- Não. Eu queria um corpo humano, mas não qualquer um. Eu precisava que estivesse dentro do fedelho para que eu conseguisse me transferir e assumir uma nova vida e a ideia de ter uma linhagem como a sua mesclada ao meu inato poder, me pareceu extremamente conveniente.

- Então, tudo o que você passou pro Naruto foi uma mentira. – Sasuke concluiu, sentindo a garganta seca. O choque e o receio de que seu filho seria uma ponte para que Kyuubi ganhasse uma forma, uma vida, ainda o abalava internamente. - Desde o início não houve amizade alguma de sua parte, só o interesse de escapar e se fundir a um ser humano.

- Não tire conclusões sobre meu vínculo com Naruto, Uchiha. Minha ligação com ele não lhe diz respeito.alertou, num timbre mais sério. Mas, raciocinando melhor, eu deveria ter induzido o moleque a se deitar com o Kazekage. Teria sido mais fácil e certamente eu estaria fora dessa prisão em alguns meses.

Um vinco se formou entre as sobrancelhas do moreno e vocalizou seu questionamento:

- O que o Kazekage tem a ver com isso?

- O desinformado Uchiha não sabe, não é? – riu Kyuubi escarnecedoramente, no entanto, não se deu ao trabalho de responder a dúvida que implantara na mente do vingador. – O Kazekage é forte, mas não tem essa força que o seu clã ostenta. Foi justamente esse sangue ruim que me bloqueou.

Naquele momento, Sasuke desviou-se da insinuação feita por Kyuubi e se ateve ao que dissera sobre sua linhagem. Não teve dificuldades de raciocinar em cima daquilo que o demônio lhe contava e chegar a uma dedução.

- Quer dizer que meu sangue não permitiu que tivesse sucesso em seu plano? – sugestionou, esperando pela confirmação.

- O filhote é forte, Uchiha. – afirmou o demônio. - Ele é mais forte do que você pode cogitar. O chakra dele, as malditas linhas do seu clã, impede que meu intento se conclua.

Apesar de a situação ser séria, Sasuke sentiu-se orgulhoso de si mesmo e do pequeno que Naruto abrigava. Saber que, por causa de seu DNA, Kyuubi fora incapaz de transferir-se para assumir a vida do bebê, o deixava um tanto mais tranquilo.

- Nesse período, por que cortou contato com Naruto?

- Tentar arrumar um meio de transpassar o chakra, me enfraqueceu. – alegou o bijuu e em seguida completou, enfadado: - Além do mais, o fedelho com toda essa paixonite me estressa. Agora cai fora, eu preciso descansar.

Viu Kyuubi ir se aninhar no fundo da cela novamente, porém, apegou-se a sua missão ali.

- Precisamos saber como o bebê pode ser concebido e quais os cuidados que teremos que ter com essa gestação.

- Estou cercado, realmente, por imbecis. – lamentou o nove caudas. - Diga àquela mulher que vocês chamam de Hokage para ficar atenta e não tratar essa gestação como a de um humano normal. Naruto não é uma fêmea, logo, meus cálculos podem falhar. Mas, quando chegar a hora, abram o bucho do fedelho e tirem o filhote. Fácil e indolor.

Fácil e indolor pra quem? – pensou Sasuke. Kyuubi estava simplificando muito quando estavam tratando de algo anormal como uma gravidez masculina. Queria saber mais, fazê-lo lhe dar detalhes, mas o demônio já havia se perdido na escuridão novamente.

- A propósito, Uchiha… - Kyuubi interferiu os pensamentos do moreno, com uma voz sonolenta. - diga ao fedelho, por mim, que é um menino.

Confuso, Sasuke pegou-se indagando:

- O quê?

- O filhote… - a raposa sussurrou, a voz quase desaparecendo. - é um menino.

A presença de Kyuubi desapareceu completamente, mas Sasuke sequer se importou. Ainda digeria aquela informação com uma felicidade crescente que não conseguiria definir o teor, se acaso lhe perguntassem.

Até então não parara para questionar o sexo da criança que havia gerado. Talvez, porque fosse algo que não lhe faria grande diferença. Porém, descobrir que seu bebê era um menino, lhe trazia um novo grau de reconhecimento ao pequeno.

Aos poucos, o futuro herdeiro de seu clã ganhava muito mais do que a característica de um ser utópico e indefinido.

Ele ganhava forma…

Ele ganhava o coração de Sasuke.

oOo

4º mês

Naruto decidira não sair de casa, aquele dia. Acordara com uma preguiça fora do normal e, nem tinha nada para fazer. Tsunade vetara-lhe toda a diversão que costumava ter: não podia treinar, não podia lutar, não podia sair em missões, não podia deixar a vila, não podia nada. E tudo ficava mais tedioso sem Sasuke por perto. O Uchiha cada vez mais se via envolvido com treinos e sua meta de entrar para a ANBU. Naruto estava confiante de que o outro garoto conseguiria sem muitas dificuldades, afinal, Sasuke era disciplinado e forte. Gostaria de ter a capacidade de ser como ele. Bem, forte Naruto sabia que era, mas disciplinado… esse já era um quesito que não preenchia.

De qualquer forma, seu desejo não era servir como ANBU e sim conquistar o posto de Hokage. Mas, por enquanto, esse objetivo teria que se manter suspenso.

Levantou-se da cama e começou a andar a esmo pelo quarto. Olhou para a janela e notou a tarde que se esvaía, tingindo o céu de um leve violeta. Inconscientemente, levou a mão a sua barriga ligeiramente estufada, que elevava a frente da camisa de malha branca que usava. Franziu o cenho e ergueu o tecido, fitando a protuberância em seu abdômen. Fez uma careta, vendo o início de deformação do selo desenhado em volta de seu umbigo. A barriga o incomodava. Não estava pesada, mas era estranha.

Admirou por mais alguns segundos, alisando a superfície abaulada. Ficava se imaginando daqui a alguns meses. Estaria com a barriga bem maior. Definitivamente, a alteração não lhe agradaria, provavelmente ficaria ridículo com uma barriga grande, mas pensar que ali dentro existia um ser inocente, amenizava a estranheza da modificação que seu corpo sofria. Era o seu filho e de Sasuke também. Uma extensão de ambos que em breve viria ao mundo. Isso o enchia de um sentimento de completude e ansiedade, mesmo que fosse achar horrível aquela deformação em seu corpo.

O ruído no térreo da casa tomou a atenção do loiro, que soltou a camisa e adiantou-se em sair do quarto, descer e confirmar que se tratava de Sasuke. O sorriso escancarou-se em seu rosto, sentindo-se mais aliviado por vê-lo de volta.

Com alguns meses de convivência diária, acabava experimentando uma sensação a qual não estava acostumado. Sendo desde o nascimento uma pessoa solitária e excluída, Naruto até o retorno de Sasuke a Vila vivia bem e lidava com a solidão à sua maneira, vivendo em seu pequeno apartamento. Todavia, agora a falta que o outro garoto fazia, lhe deixava inquieto. Gostava da nova vida que vinha levando com o amante, e de ter a presença constante de alguém como nunca tivera antes. A ausência do moreno era sentida de maneira intensa, mesmo que disfarçasse.

Sasuke olhou Naruto como rotineiramente fazia - do seu jeito indiferente – e conforme se aproximava, foi estendendo-lhe uma sacola plástica que trazia em uma das mãos.

O cheiro já conhecido e venerado pelo loiro adentrou-lhe as narinas, mas ao invés do costumeiro semblante de satisfação e gula, o rosto do jinchuuriki se contorceu.

- Teme, tira isso de perto de mim. – ele pediu dando um passo para trás.

Sasuke elevou uma sobrancelha e estranhou:

- Mas é ramem, mal-agradecido. Trouxe do sabor que você mais… – abriu a sacola, buscando uma das embalagens lacradas que exalava o aroma saboroso da refeição e elevou para mostrar ao outro. –- …gosta. – contudo, olhou ao redor e não havia nenhum sinal do amante, mas escutava os passos corridos no assoalho polido da casa. – Naruto?

Naruto se sentia um idiota. Seu estômago, do nada, resolvera se rebelar contra si. Primeiro, pensou que tivesse sido algo que comera anteriormente, mas quando o cheiro do ramem se intensificou em seu olfato, só teve tempo de correr para o banheiro. No sanitário, convulsionava para fora todo o conteúdo que ingerira durante o dia.

Quanto mais se lembrava dos fios que tanto adorava degustar, mais a ânsia de vômito se intensificava. Passou uns bons minutos agachado em frente ao vaso sanitário até que a revolta dentro de si se amenizasse e percebesse que não estava sozinho no ambiente.

Tentando estabilizar sua respiração pesada, passou a mão pelo rosto, sentido a pele ligeiramente coberta por uma camada finíssima de suor frio e olhou de soslaio na direção da porta.

Sasuke encontrava-se parado na entrada do banheiro, observando-o de um jeito intenso e quietamente.

- Não me olhe assim, bastardo. – resmungou, emburrado.

O moreno nada disse, mas assim que ele lhe deu as costas, Naruto sabia que no dia seguinte Tsunade estaria em cima de si, lhe fazendo perguntas e querendo lhe impor todo tipo de exames.

Sasuke era cauteloso. Irritantemente cauteloso. Qualquer sinal de que algo poderia estar errado, ele corria para a médica que cuidava de sua delicada situação. O excesso de zelo incomodava Naruto, pois, algumas vezes, fazia com que se sentisse como uma criança irresponsável.

Mas não havia meio de convencer Sasuke de que sabia tomar conta de si mesmo. Por isso, no dia seguinte pela manhã não o surpreendeu a visita de Tsunade a casa onde moravam. Raramente, Naruto ia até a Hokage para exames ou consultas, geralmente, ela era arrastada até sua residência, para evitar o quanto fosse possível que ele ficasse se expondo durante a gravidez. Temiam que o seu estado gerasse desconforto aos moradores da Vila, sendo ele um jinchuuriki. Mesmo assim, ele saía pela cidade, já que sua condição não era tão evidente assim, ainda. Mas os rumores se espalhariam como praga futuramente, tinha certeza disso.

Tsunade lhe inquiriu como uma mãe severa, porém, preocupada. O delator de seu mal-estar havia saído cedo para seus treinos e lhe deixara sozinho para enfrentar a médica. Para sua sorte, ela não era tão neurótica quanto o amante e, sentada à beira de sua cama, garantiu:

- Diga a seu marido que não precisa se preocupar. – Tsunade ordenou. - Essas indisposições são normais durante a gestação, pelo menos comumente são.

- Normais até quando? – Naruto quis saber, aproveitando que a médica estava ali mesmo.

- Depende. – ela disse, dando de ombros. - O organismo de cada pessoa é diferente. Pode passar logo ou durar a gravidez inteira. O importante é você não deixar de se alimentar bem e tomar as vitaminas que prescrevi.

Naruto parou por um segundo em silêncio. No fundo, não estava tão preocupado consigo. Apesar dos pesares, sua gravidez não vinha sendo problemática ou lhe causando preocupações, como era para Sasuke, Tsunade e os outros amigos que já sabiam sobre sua condição. Quem sabe fosse mesmo inconsequente quando o assunto era seu próprio bem-estar, mas não conseguia evitar colocar o amante em suas prioridades, principalmente agora que estavam juntos.

- Baa-chan, já conseguiu algo que ajude o Sasuke? – perguntou, com os olhos azuis em expectativa.

- Está se referindo aos olhos dele? – a Hokage quis se certificar. Ao receber um aceno positivo do garoto recostado na cama, replicou: - Não. Ainda não. Mas estou pesquisando um método.

- Eu poderia ajudar. – sugeriu, se endireitando. – Eu não to fazendo nada aqui e seria mais rápido.

- Você? Ajudar a pesquisar? – ela retorquiu, ironicamente. – Ora não me faça rir, Gaki. Você precisa cuidar dessa encrenca em que se enfiou. – ela bagunçou os fios loiros da cabeça do garoto e se levantou, sorrindo pela expressão emburrada do mais novo. – Eu aviso assim que tiver algo novo sobre o caso do Sasuke.

Naruto a viu partir e suspirou. Esperava mesmo que ela fosse capaz de conseguir uma cura para a degeneração dos olhos de Sasuke.

oOo

5º mês

Naruto escutava apreensivo, enquanto Tsunade, acompanhada de Shizune, conversava seriamente com Sasuke na sala de sua casa. Sentados formalmente no piso corrido, ela encarava o moreno, detalhando o procedimento que seria adotado caso o jovem concordasse com o método que encontrara para sanar o problema causado com a obtenção do mangekyou.

- Eu vou usar um selo no fundo de sua córnea durante a cirurgia, esse selo será forte o suficiente para travar qualquer progressão de sua habilidade ocular. – a Hokage explicou. - Por mais que você use ou treine, o mangekyou não evoluirá, isso impedirá que a cegueira lhe atinja, mas limitará sua capacidade de especial. É um preço mínimo a se pagar pela cura.

Naruto olhou, silenciosamente, de Tsunade para Sasuke, temendo a resposta dele. Orgulhoso do jeito que o moreno era, poderia se negar a ter seu poder principal limitado. Mas era o melhor que Tsunade conseguira com as pesquisas que fizera. Sasuke precisava entender que ele ainda tinha como aprender outras técnicas e continuar se superando. Iria dizer isso a ele, mas, para a sua surpresa, o moreno antecipou-se, respondendo a Godaime:

- Faça o que tem que ser feito.

Tsunade não aparentou surpresa, mas Naruto sim. A pronta aceitação do Uchiha, admirou o loiro que até ficou sem fala durante um período. O garoto ao seu lado, tão sério e compenetrado, estava mudando. Não era algo brusco ou que fosse ser notado pelos amigos e pessoas de seu convívio, mas o loiro via de perto e sentia como Sasuke estava tomando uma postura diferente. Esteve acostumado por tempo demais com o outro seguindo por caminhos errados, desafiando a todos, ofuscado por aquela aura enegrecida; poderia ser esse o motivo de seu maior estranhamento. Depois do assassinato dos conselheiros e de sua absolvição, Sasuke vinha pouco a pouco se adequando e aceitando com menos hostilidade o convívio com os antigos companheiros e estar sob as ordens da Hokage.

A nova situação deixava Naruto imensamente feliz.

Quando a Godaime e Shizune partiram, ainda parados à porta - vendo-as se distanciarem da residência -, Naruto tocou a mão do moreno.

- Você é forte, Teme. Sempre vai ser meu rival, não se esqueça disso, 'ttebayo.

Sasuke sorriu de canto e seus dedos entrelaçaram-se aos do loiro ao seu lado.

- Mesmo com essa cirurgia, sempre serei mais forte que você, Dobe.

- Quem disse isso? – Naruto o olhou, se sentindo indignado com a arrogância do Uchiha, afinal, lá estava ele, tentando animar o amante, e ele continuava sob um pedestal, inabalável.

Sasuke virou-se e beijou o loiro, repentinamente. Naruto, pego de surpresa, sentiu a língua do outro forçar a entrada em sua boca e após lhe garantir o acesso, teve a cavidade explorada de forma sensual, que fez com que o menor ofegasse em meio ao beijo e as pernas quase fraquejassem.

Sasuke se afastou, com um sorriso vitorioso adornando-lhe os lábios, para então, indagar irônico:

- Ainda quer que eu responda a sua pergunta, Naruto? Será que ainda se lembra do que perguntou?

Naruto grunhiu, entendendo muito bem a implicação feita pelo amante.

- Não fique cheio de si só por causa de…

Enrubesceu, imediatamente, ao sentir a mão de Sasuke por baixo de sua blusa, novamente tocando sua barriga.

- Teeemee!

Por mais que brigasse, por mais que reclamasse e dissesse para não fazer aquilo, Sasuke sempre o contrariava. Parecia determinado a irritá-lo, ou somente persistir naquele tipo de carinho que o deixava constrangido. A barriga já estava bem inchada e, para Naruto, não era nada bonita. Mas qualquer argumentação ali, naquele momento, morreu em seus lábios, quando a boca do moreno cobriu a sua mais uma vez, fazendo-o perder qualquer argumento que fosse esbravejar diante do rosto dele.

Às vezes, chegava a concordar com a superioridade que Sasuke clamava ter sobre si, pois um simples beijo era capaz de trazer abaixo a mais forte das defesas de Naruto.

oOo

Tomou cuidado, vestindo roupas largas e escuras. Fez o possível para chegar até o hospital sem ser muito notado. Nada o impediria de estar lá. Sasuke não ficaria satisfeito, porém, estava pouco se importando com a opinião dele naquele instante.

Tsunade havia feito a bendita operação, mas não mandara ninguém para avisá-lo sobre como se desenvolvera a cirurgia.

Velha pinguça!

Se pensou que ele ficaria quietinho esperando a boa vontade dela, a Godaime se precipitara redondamente, mais uma vez. Ou estava bêbada demais para lembra-se que ele existia e que esperava notícias do Uchiha.

Adentrou a clínica à surdina. Sequer teve problemas, pois naquele horário os corredores estavam vazios. Foi procurando até encontrar o quarto onde estava internado Sasuke e apressou-se até o leito onde o jovem parecia descansar com uma bandagem que lhe enfaixava os olhos por completo.

- Dobe, o que infernos está fazendo aqui? – a voz monótona inquiriu, demonstrando seu aborrecimento.

Naruto se sobressaltou, não esperando que Sasuke estivesse acordado, muito menos que reconhecesse sua presença ali.

- Desculpe por me preocupar com você, bastardo. – pediu, irônico. – Eu tomei cuidado. À uma hora dessas, acho que ninguém me viu.

- "Achar" não é o bastante. – Sasuke grunhiu.

Estavam tomando cuidado para que aquela gravidez não fosse descoberta, por medo da reação das pessoas, apesar de Naruto ter deixado escapulir uma vez, quando ainda estava nos primeiros estágios, dentro da lojinha de ramem. Apesar da estranheza, os donos receberam melhor do que poderia esperar aquela notícia e até lhe deram, no dia, uma tigela extra do macarrão que mais gostava. Entretanto, não teria como prever se todos seriam tão compreensíveis assim.

- Deixe de ser tão ranzinza e cale a boca, Teme! – censurou, sentando-se numa cadeira ao lado da cama. – Diz aí: Como foi a cirurgia?

- Você não consegue segurar essa curiosidade nem por uma noite, Dobe? – debochou o Uchiha, sabendo que Naruto ficaria irritado por estar evadindo a pergunta.

- Eu não sei, mas to segurando meu punho agora pra não socar a sua cara. – Naruto rebateu, escutando uma pequena risada cheia de deboche vinda do moreno.

- A Hokage disse que correu tudo bem. – decidiu contar e não implicar tanto com o loiro devido ao estado de gravidez dele. – O selo travou qualquer evolução futura do mangekyou e posso ir para casa amanhã. Então, que tal você dar meia-volta e me esperar quietinho lá?

- Não to afim. – Naruto negou, teimoso.

De nada adiantaria voltar. Acabaria sem sono. Não ia admitir perante o moreno, mas tentara dormir sem ele aquela noite, antes de decidir que iria até o hospital. Entretanto, a cama espaçosa e sem a presença do outro, o deixara inquieto. Acostumara-se com o calor do corpo dele, o conforto que passara a encontrar em seu abraço e, até mesmo, com o irritante carinho que ele insistia em fazer em sua barriga quando pensava que não estava notando.

Sem o amante por perto, Naruto sentia-se como há algum tempo atrás: terrivelmente solitário e vazio.

- Dobe, combinamos que você evitaria se expor o má-… - Sasuke interrompeu o que falava ao sentir o lado do leito hospitalar ceder e o lençol ser erguido enquanto outro corpo se acomodava ao lado do seu. Não podia ver – as bandagens que envolviam e tampavam seus olhos, impediam -, mas reconhecia sua aproximação.

- Só um pouco. – Naruto pediu.

Sasuke suspirou e assentiu com a cabeça, prevendo que "o pouco" de Naruto seria muito. Mesmo assim, nada mais disse. Como sempre, procurou, por debaixo da blusa, o abdômen inchado do loiro e o tocou, alisando e sentindo a energia interna que vinha do bebê.

- Kyuubi disse que é um menino. – Sasuke lembrou, já tendo contado anteriormente para o loiro sobre o sexo da criança que Naruto abrigava. - Já pensou em como gostaria que se chamasse?

- Ramen. – o loiro resmungou, fazendo o cenho de Sasuke se franzir.

- O quê?

- Um prato grande de ramen. – Naruto disse, arrastado.

Só então Sasuke notou que o outro garoto já caíra no sono. Sentiu vontade de rir, mas não o fez para não acordá-lo. Desconfiava que o mais novo deveria estar muito cansado. Sendo assim, continuou com o carinho no abdômen do amante; pensando nas várias possibilidades de nomes para o seu pequeno, até que ele próprio acabou se entregando ao sono, confortado pela proximidade do seu loiro, mas perdendo o leve movimentar interno que forçou a barriga de Naruto exatamente onde sua mão estava pousada.

oOo

Continua...


Notas da Autora:

Eu estou bem ciente das novas revelações sobre a gestação de um jinchuuriki, segundo Kushina Uzumaki. Mas, não estarei abraçando a ideia de que uma gestação humana, sob a hipótese levantada, dure 10 meses. Seria coerente que a gestação fosse menor, prematura, mas estender-se por mais 1 mês, não. Bem, me valho da licença poética de permanecer na lógica de que a gestação do Naruto é, acima de tudo, humana: nove meses.

Resposta das Reviews sem E-mail:

Thais - Que bom que gostou do capítulo anterior! A parte do Sai, ao pintar o quarto, foi um sutil empurrão proposital que ele deu no Sasuke para que este tomasse uma atitude com Naruto... E a parte das alianças eu tentei fazer algo diferente de um pedido de casamento tradicional, pra não ficar tão feminino... Espero que tenha curtido esse cap também! Muito obrigada por comentar!

Inu - Eu estou pra atualizar a The Sacred Line. Sei que prometi não demorar, mas houveram problemas e, infelizmente, não deu pra fazer aquilo que eu pretendia. Peço só mais um pouquinho de paciência, ok?