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Mairon adentrou os aposentos com Melkor e ali eles se fecharam. O maia sabia o que ia acontecer. Eles já haviam posto em dia as conversas sobre tudo o que ocorrera na Terra Média durante a ausência de Melkor; já haviam falado com Moriel no palantír; já haviam feito rituais juntos no templo; já haviam até mesmo confirmado os votos de casamento na frente dos edain.
Só faltava mesmo era aquilo.
Mairon se viu "nervosa" e não sabia porque. Gostava dele, adorava-o mesmo, a ponto de ter investido todo aquele esforço em sua volta. Não tinha nada que desejasse mais que estar ao lado dele. Mas de repente, após tantos anos em celibato, a ideia do sexo a assustou.
Não sabia por que. No passado, adorava fazer sexo com ele. Mesmo na primeira vez entregara-se com tanta espontaneidade e sem maiores dificuldades. Após a volta da primeira prisão dos Valar, ele também recebera Melkor com entusiasmo em sua cama. O que era aquilo então?
Resolveu deixar pra lá. Certamente era apenas uma coisa de momento, por ter ficado tanto tempo sozinho.
Melkor sentou-se ao lado dela no leito, acariciou seus cabelos e a beijou com paixão. Depois, lentamente, foi deitando-a sobre a cama e se deitou por cima dela. "Era esperado", Mairon pensava. "Era esperado, eu sabia que ele ia querer". Em seguida, uma das mãos do vala passou para dentro do vestido que ela usava e tomou seu seio com naturalidade, acariciando-o devagar. Mairon arfou de prazer. Parecia começar a "lembrar" como era afinal, mas mesmo assim as lembranças ainda não estavam muito nítidas.
As mãos de Melkor não tardaram em explorar o resto do corpo "da" maia, pegando tudo, acariciando tudo, não deixando nenhum pedaço sem seu toque.
- Hun, meu bem - sussurrava ele, a voz já demonstrando seu desejo - Faz tanto tempo que eu quero isso...
O vala, ao contrário de Mairon, sentia-se como se nunca houvesse ficado muito tempo sem fazer aquilo. Ainda mais agora, que tinha novamente um fána e energia ilimitada.
Logo, Mairon estava "nua", despida pelas mãos do companheiro. Ele reparou que o maia ainda estava um pouco constrangido, travado, como se na verdade se sentisse ainda mal adaptado àquela realidade, e Melkor quis portanto deixá-lo um pouco mais solto.
Beijou a seu pescoço e acariciou primeiro o interior de suas coxas, e depois enfim chegou ao meio das pernas dela. Era exatamente como se lembrava: quente, úmida, acolhedora.
- Oh, Mairon... que saudades eu tive de você.
Ainda proferindo esta frase, Melkor começou a estimular o ponto de prazer dela, chupando o pescoço dela ao mesmo tempo e com a outra mão lhe acariciando os seios. Mairon sentiu o prazer afluir por seu corpo, fechando os olhos e gemendo de prazer.
- Hun...
- Geme pra eu ouvir, meu bem...
- Oh, Melkor...
- Geme...
O vala a beijou na boca, sua língua invadindo a boca dela enquanto a garganta dela ainda emitia gemidos que ele sentia direto em sua boca. Não parou a estimulação por um segundo sequer, já se sentindo completamente duro no meio das pernas.
Mas não a sentia ficar mais úmida com a excitação. Ainda estava tensa, e ele resolveu fazê-la gozar uma vez antes de iniciar a penetração de fato. Continuou estimulando-a, beijando-a ao mesmo tempo em que o fazia, e o prazer inevitavelmente foi aumentando.
- Mairon...!
- Oh, Melkor... isso está...
- Está bom?
- Huun...!
O prazer tomava conta do corpo do maia, porém, sua mente continuava bloqueada. Ele decidiu continuar, pra ver onde aquilo ia dar... quando de repente se aproximou do clímax.
- Hun... hun, Melkor...!
- Geme pra mim...!
Quando de repente o tom de voz do maia mudou completamente. Transformou-se quase num grito de terror. Instintivamente, saiu do contato com Melkor e se encolheu a um canto, como se estivesse com medo.
- O que foi, Mairon?
O maia não conseguia responder. Tremia de terror, e o pior, não sabia porque.
- Eu... não sei. De repente me veio essa sensação tão ruim!
- Mas no meio de um amasso tão bom, meu bem? Eu pensei que estivesse gostando...
- E eu estava.
O vala abraçou a companheira pelas costas e beijou seus ombros.
- Mairon, nós ficamos muito tempo separados. Nesse tempo, você sabe, eu não pude ter ninguém por estar no Vazio. E não gostaria de ter mesmo que pudesse. Eu já não me imagino com ninguém que não seja você. Mas você...
- Eu também não tive ninguém. O único que chegava perto de mim o suficiente era Moriel, com quem obviamente eu nada tive por ser meu filho. De resto, eu mantinha distância das pessoas. Os elfos de Eregion me tinham como a um deus, e por isso mesmo não me tocavam. Os edain de Númenor começaram sendo muito altivos comigo, mas logo em seguida também se renderam ao meu status de "divindade" e também mal ousavam chegar perto.
- Então... meu bem, o que há? Por um acaso alguém de Valinor tentou abusar de você? Assim, quando fugiu de Angband com Moriel? Se tentou, me diga que eu acabo com a raça do infeliz.
- Não. Ninguém tentou. Eonwe foi compassivo até demais e também nunca encostou em mim.
- Então...?
Após uma pausa, o maia disse:
- Acho que sei o que foi.
- Sim?
- Quando você foi preso, eu passei por um período muito longo de luto e dores na alma. Moriel me apoiou muito, mas mesmo assim foi difícil. Com o tempo consegui reagir e me tornar "funcional", mas nunca foi a mesma coisa. No começo, eu tentava... sabe... me satisfazer sozinho. Sabe, pra ao menos tentar matar as saudades suas. E eu... me tocava pensando em você. Mas o pensamento em si somente me deixava cada vez mais deprimido. Então...
- Hun?
-...então quando eu chegava ao clímax, e depois do mesmo, eu me sentia horrível por não estar consigo. E me lembrava de todo o terror do que haviam lhe feito. E chorava por horas. O ato de me dar prazer portanto começou a me trazer mais dor que proveito. Portanto... eu parei de me tocar. Simplesmente me transformei numa máquina de guerra, e pensei: só vou voltar a despertar esse meu lado quando Melkor estiver em Arda e eu puder sentir prazer sem me sentir péssimo por não tê-lo comigo.
- Oh, meu bem... e sua mente parece que ainda não se abriu totalmente para o fato de que eu estou de volta, ao menos não sexualmente.
- Sim. Não se abriu.
- Você ainda associa orgasmo a terror. Mas que pena, Mairon.
- Eu também acho horrível. Pensei que já estaria pronta pra tê-lo como homem assim que voltasse e me desejasse. Mas não.
- Está tudo bem...
O vala abraçou novamente ao maia e este, consternado, virou-se de frente pra ele e se abraçou ao companheiro, chorando.
- Melkor, não quero que mais nada tire a si de mim...!
- Não vão mais tirar, meu bem... nunca mais.
- Oh, Melkor...!
Aquilo tudo ainda era muito recente. O vala ainda se adaptava à vida em Arda, e o maia sentia ainda como se fosse um ranço daquela coisa toda, de toda aquela dor milenar, como se ela não pudesse ser extinta somente com a presença de Melkor. Após algum tempo assim. Mairon reparou que a "ferramenta" do consorte ainda estava dura.
- Hun... seria uma pena deixá-lo assim.
- Ah... nisso eu posso dar um jeito.
- Não. Deixe que eu dou.
- Mas Mairon, você...
- O problema está com o meu orgasmo, não com o seu. Logo... se só você gozar, não haverá problema.
- Mairon, você vai ficar sem nada?
- Por enquanto, não me importo.
E foi até a túnica do amante, retirou dela as presilhas e expôs aquela magnífica ereção a si. Como ele agora tinha fána, parecia mais magnífica ainda.
- Mairon... somente faça o que quiser, sim?
- E eu quero.
Em seguida, chupou ao membro do outro com perícia. Mesmo após milênios de abstinência, ele sabia como fazer. Aquela parte para si não foi problema, pois a felação não tinha ligação alguma com seu martírio anterior. Após tanto tempo sem ser tocado, Melkor se sentiu maravilhado. Tomou aos cabelos da consorte com as mãos e passou a fazer vai-e-em com os quadris dentro da boca dela.
- Mairon... isso, me chupa, vagabunda...!
O maia sorriu por dentro. Se Melkor já estava usando aqueles adjetivos, era porque estava realmente gostando.
Fez assim até que o vala gozou em sua boca, e Mairon engoliu tudo. Com essa parte estava tudo bem. Nada de traumas, nada de dores.
Portanto, chupou-o mais uma vez. E outra, e outra, até chegar de manhã e "ela" precisar fazer a ablução para os rituais do templo. Como Melkor tinha fána, aguentava agora diversas "sessões" daquilo sem se cansar. E realmente fora bom, mas ficava em si uma sensação de que algo estava faltando. Claro que estava faltando, mas o Vazio o ensinara a ser paciente. Pobre Mairon, passara por tudo aquilo, o trouxera do Vazio... não custava ter um pouquinho de paciência afinal de contas. Não fora fácil pra ele.
Foram ambos para os ritos, os quais foram realizados como de costume. Agora com Melkor presente, os edain se sentiam cada vez mais entusiasmados com o culto. Trouxeram suas oferendas, fizeram seus pedidos e a maioria o vala atendia, somente para aquietar ao espírito deles. Apenas não atendia aqueles que pudessem ser realmente ruins para o reinado da escuridão. Até mesmo começara a parar o processo de envelhecimento de alguns deles, para que não o acusassem de falsas promessas.
No entanto, quando algumas das jovens donzelas se ajoelharam perante o vala, ele, de forma involuntária, as observou mais atentamente por um segundo. Durou muito pouco, mas Mairon percebeu na hora. Nada disse, mas quando ficaram a sós outra vez, ele comentou:
- Bem que agora as edain te sabem bem, hun?
- As edain? Ora, eu só estava reparando em como este povo daqui é mais alto e mais belo que os edain da Terra Média.
- Oh, sim... em breve vai querer saber também se fodem como as da Terra Média!
- Mairon, que conversa desagradável!
- Desagradável é ver a meu marido, a quem eu fiquei dando prazer até de manhã, ficar mirando jovens mortais na minha frente!
- Está com ciúmes de edain?!
- Ora...! Sim!
E então o maia, que ainda estava em sua forma feminina, desatou a chorar. Melkor suspirou.
- Assim também não, Mairon. Não foi pra isso que voltei a Arda!
- E foi pra isso que o trouxe de volta? Somente porque... porque ainda não consigo manter relações sexuais completas consigo, devo ser rejeitada em troca de edain?!
- Quem disse que está sendo rejeitada? Mairon, eu acabei de confirmar meus votos de casamento com você!
- O que não o impede de desejar outras mulheres!
- Como isso é complicado, Mairon...! Escute, só pra você não achar que estou com más intenções. Antes de você eu tive outros amantes.
- É, e deve estar com saudades de provar gostos diferentes, não?
- Não. Escute. Eu não tinha te contado isso antes porque era... um detalhe sórdido que eu não cria ser necessário contar. Mas veja. Mairon, quando eu tinha amantes, nem sequer os edain ou os eldar haviam despertado. Quando comecei a ter você de amante, quase na mesma hora eu deixei de ter outros. De lá pra cá eu só tive você. Mas... Mairon, entenda. Quando eu tinha amantes avulsos, eles eram maiar. E eles não... bem... suportavam manter relação sexual comigo até o final. Na verdade, ontem quando você teve aquele surto de terror eu pensava que era isso acontecendo, justamente porque agora eu tenho fána e todo o fogo negro novamente a meu dispor. Mas provavelmente não é, porque ontem eu nem sequer te penetrei, e também porque no começo de tudo, quando começamos a nos encontrar, eu ainda tinha fána e você suportava - e desfrutava - bem. Quando da sua primeira vez comigo, eu perguntei se aguentava a minha "pujança"¹, não era só em relação ao tamanho do meu pau.
Ambos riram. Mas logo o vala retomou a conversa.
- Era sobre você conseguir consumar uma relação sexual completa comigo sem "pedir arrego" ou mesmo perder o fána. Quando eu pedi Arien em casamento, tentei tomá-la à força diante de sua recusa. E eu sequer a tomei², mas somente a tentativa a deixou completamente arrasada. Ela, a maia do sol. Até hoje dizem que ela nunca conseguiu deixar a um homem chegar perto dela outra vez por causa do que lhe fiz - e eu nem consumei nada com ela.
- Sei. E o que isso tem que ver com as edain?
- Não percebe? Se maiar menos poderosos que você não conseguiram consumar relação comigo direito, que dirá de edain! Morreriam assim que eu começasse a penetrá-las!
- Mas... você não se importa de matá-los em sacrifícios, por que ligaria de matá-las no sexo?
- Francamente Mairon, não é agradável ver a um amante seu sucumbir em seus braços no meio do coito. Acredite, não é. É bem diferente de sacrificar em um altar, vá por mim. Eu não tenho tesão em mortos.
Mairon virou os olhos, e Melkor, vendo que ele ainda não estava completamente convencido, continuou:
- E mesmo que houvesse outrem disposto a fazer sexo comigo aqui e eu soubesse que aguentaria. Eu não ia querer. Eu quero você, Mairon. Estou com você há cerca de dez mil anos, mesmo que uns quatro mil tenham sido de separação. Mas não quero, de verdade. Por favor, não vamos gastar nosso tempo brigando quando até alguns dias estávamos separados, sem esperança de voltarmos a conviver.
Mairon suspirou.
- Está bem. Apenas ainda sinto insegurança em face de tudo isso. Oh, por favor, não se aborreça comigo...
- Eu não vou me aborrecer, meu bem.
Sendo assim, ambos se abraçaram e se beijaram. Mas a desconfiança não saíra totalmente do espírito de Mairon. Ora, se aquelas edain muitas vezes estiveram dispostas a oferecer seus filhos como sacrifícios a Melkor, não ofereceriam a seus corpos para coito - mesmo que nesse coito morressem? Já havia muitos fanáticos no culto a Melkor - e isso em grande parte graças a Mairon mesmo. Mas de qualquer forma, decidiu não pensar muito naquilo.
Àquela noite, dormiram juntos mas não fizeram nada de sexual. Mairon resolveu adormecer pois gastara muita energia no rito do dia anterior.
E eis que quando acordou, não viu a Melkor na cama.
A desconfiança voltou a seu espírito. De súbito, imagens das mulheres cercando a seu homem e querendo agradá-lo sexualmente - mesmo com o custo de suas vidas - lhe invadiram a mente, e o terror o tomou.
- Melkor!
Não, não podia deixar aquilo acontecer. Tinha de transar com ele, mesmo que passasse todo o terror do mundo. Não podia perdê-lo após todo aquele esforço dispendido.
Mas isso ficaria para depois do rito. Respirou fundo e tentou fixar sua cabeça somente no culto, o qual presidiria em breve. Entrou na sala para tomar o banho purificador, quando...
...deu um grito de susto ao ver Melkor nu, dentro da banheira, seus olhos verdes observando com malícia.
- Eu estava te esperando, meu bem.
To be continued
OoOoOoOoOoOoO ¹Vide a fic "Olhos de Fogo". ²Nos HoME originais de Tolkien, Melkor a estupra de fato. Ela se retira dos círculos do mundo e Melkor fica para sempre queimado, por assim dizer. Depois Tolkien tirou isso do Legendarium. Na fic eu coloco que ele não estuprou - engraçado que eu os tolero assassinos, mas estupradores acho que seria "mais embaixo" ainda. Não conseguiria admirar a um personagem estuprador, então nas minhas fics ele não conseguiu consumar o ato. Eu ia fazer o "lance" da banheira nesse cap mesmo, mas ia ficar enorme. Portanto subdividi. Beijos a todos e todas!
