Enigma milenar:
Finalmente saíamos da caverna, e nossos olhos puderam vislumbrar novamente o céu e a luz levemente dourada. Estava quente ali fora, dos dois lados ainda seguiam paredes rochosas, mas estas eram secas e avermelhadas. Estávamos no desfiladeiro do qual Castor nos falara.
Hyoga seguia pouco à frente, sem conseguir olhar para mim. Podia ver seu rosto, e perceber que ainda estava envergonhado, com os olhos baixos. Mas, por algum motivo, parecia triste, e isso me angustiava um pouco. O alcancei, segurando sua mão, com o rosto baixo e vermelho. Ele me olhou, um pouco confuso, mas deu um discreto sorriso, e aceitou meu gesto.
Alguns minutos se passaram na caminhada. Estava tudo calmo, até um redemoinho de penas de pavão cruzar-se ante nosso caminho. Ao que parece, Hera tem um modo bastante especial de chamar a atenção para si, mesmo que por meio de seus servos.
Um par de asas da águia abrem-se à nossa frente, brilhantes, espalhando suas penas abundantes ao vento, mostrando o majestoso corpo de um leão, com o pelo sedoso, sobre o qual se sustentava a cabeça de uma mulher, com curtos e negros cabelos lisos, os olhos se abrem calmamente, alaranjados, profundos e brilhantes, de pupilas contraídas como as de um felino.
-- Respondam ao enigma da Esfinge... Ou sejam por ela enforcados. Quem será o primeiro a me desafiar?
Shiryu dá um passo à frente.
-- Meus amigos já lutaram contra os que vieram antes. Eu a desafio, e se não for capaz de decifrar seu enigma, terei de lutar com todas as forças.
-- Hum... – debochou ela – Existiu apenas um homem, desde o início do universo, capaz de responder à minha pergunta, e ele não passava de um coitado que terminou a vida cego e sem ninguém ao lado.
-- Cada um é um. Não sou este homem, meu destino sou eu quem traço, e o meu fim eu verei quando chegar a hora. Faça a pergunta.
-- Muito bem... Responda se puder: Qual é o animal que possui quatro pernas pela manhã, duas pela metade do dia e três pela noite?
Shiryu parou, e concentrado pensou, vasculhou as memórias de todas as histórias contadas pelo mestre, imaginou a situação mais lógica possível.
-- Não se perca em pensamentos, jovem Cavaleiro, ou darei seu tempo por acabado.
Pensou mais um pouco, esforçando-se ao máximo, até que finalmente ergueu o rosto, confiante, e respondeu:
-- É o homem!
-- O que?! – espantou-se a Esfinge.
-- A manhã é quando ele ainda engatinha; pela metade do dia, é adulto e se sustenta sobre as duas pernas; a noite simboliza a velhice, quando se apóia à bengala. Assim respondeu Édipo, na peça de Sófocles. Meu mestre também me contava algumas histórias da Grécia.
Eu e Hyoga nos entreolhamos, nosso mestre, Camus, também lia muito, e nos lembrávamos deste livro. Exclamamos em uníssono, sorrindo:
-- Na mosca!
-- Maldito seja... Vou acabar com você e seus amiguinhos!
-- Péra lá! – torna Ikki – Ele decifrou a porcaria do enigma, você tem mais é que ficar na sua.
-- Cale-se, idiota! Eu disse que se não decifrassem seriam enforcados, mas tem outras formas de matar vocês.
-- Ela não tinha se matado quando Édipo respondeu a pergunta? – estranha Hyoga.
-- Isso é idéia desse tal de Sófocles... Eu não sou burra. Só deixei ele passar porque ele tinha seu destino fatídico para cumprir. Mas hoje é diferente.
Ao elevar seu cosmo, as penas de suas asas giram em torno de seu corpo, brilhando como se fossem prateadas, os olhos brilham, as garras crescem, também brilhando como prata. Shiryu se prepara para a batalha, os longos cabelos negros dançam, pouco elevados, com seu cosmo esverdeado. A Esfinge avança, rápida e certeira com suas garras, mas as esquivas do Cavaleiro são eficientes. O chão, no lugar onde ele estava a milésimos de segundo, leva as profundas marcas de garras afiadas como espadas de perfeito corte.
Com o cosmo elevado, Shiryu ataca rapidamente, mas cada um de seus golpes de artes marciais eram repelidos pelos movimentos de suas asas, e os contra ataques com as garras eram barrados por defesas de quem conhece bem a arte de combates corpo a corpo. Afastam-se, uma energia prateada brilha em torno da inimiga, que faz dançarem uma vez mais as penas ao seu redor. Ela as lança contra o Cavaleiro, que é obrigado a defender-se com o escudo, mas ainda é arrastado para trás. No chão ficam os vincos fundos feitos por seus pés.
O ser alado respira profundamente, uma poderosa energia concentra-se em sua garganta, solta um ensurdecedor rugido, que se torna mais agudo ao final, atordoando a todos que estão próximos a ela. Caímos de joelhos, apertando as mãos contra os ouvidos, em vão, o cérebro parecia estar a ponto de explodir. Ajoelhada ao chão, solto um grito desesperado, sentindo todo o corpo fraquejar. Shiryu se mantém de pé, com todas as forças, mas também está atordoado pelo grito.
Prepara-se para atacar novamente, mas sua atenção é desviada por um instante. Perturbada que estava, ao abrir novamente os olhos minhas pupilas contraem-se verticalmente como as dela. Olhava diretamente para o campo de batalha, e ao atentar para meus olhos, a Esfinge parece se perturbar.
-- Impossível... Essa menina! Esses olhos!
Não tivemos tempo de pensar, ainda atordoados, agora confusos, não a vimos avançar rapidamente para mim, e tomar meu pescoço em suas garras.
-- Preciso levá-la à senhora Hera.
-- Do... Que está falando...? – pergunto, tentando respirar.
-- "EXCALIBUR!!"
O braço que me segurava é cortado, Shiryu explodira seu cosmo, e a fitava seriamente, ainda com o braço elevado.
-- Seu adversário sou eu! Não fará nada contra ninguém enquanto eu estiver de pé.
-- Maldito! Morra!!
O cosmo que avança contra o Cavaleiro é ameaçador, rápido como um raio, poderoso. Mas ele não se aflige, mantém estável sua energia, gira os braços em torno de si mesmo, desenhando o caminho do dragão.
-- "CÓLERA DO DRAGÃO!!"
Ela não consegue chegar ao seu alvo, seu corpo é elevado aos ares, num grito de desespero e incredulidade. Não sobrevivera, com certeza, mas antes que seu corpo venha ao chão, as penas de pavão a envolvem novamente, e ela desaparece em pleno ar.
Shaka aproxima-se de mim, com expressão de indagação.
-- Nem me pergunte, Shaka, não faço idéia do que ela viu em mim...
-- Mas afinal, o que há com seus olhos? – pergunta Sorento.
-- Suas pupilas se contraem como as de um felino, em certas situações. – explica Hyoga, o único que sabia de tal fato.
-- Mas o que isso tem a ver? – pergunto, ainda sem entender.
-- Isso eu não sei... – responde, mas no fundo tinha suas suspeitas.
--
Nala: Nha!! Q doida!! O q as pessoas têm contra meus olhos??
Hyoga: Hum...
Nala: Q foi...?
Hyoga (olhar sério): Nada...
Nala: Como nada? Vc tá c/ essa cara de perdido...
Hyoga: Não é nada...
Nala: Vc sabe de alguma coisa?
Hyoga: Eu ñ! Pq saberia?
Nala: Pq vc tá c/ jeito de q sabe!
Shun: Vc sabe?? O q tá acontecendo, Hyoga, fala!
Hyoga: Eu ñ sei de nada! (sai emburrado).
Shiryu: Mas afinal, o q deu nele?
Ikki: Vai saber...
Shun: Ele anda muito estranho...
Shaka: Ora... Deixem o rapaz c/ seus pensamentos.
Odisseu: Mas eu concordo... Ele parece saber alguma coisa...
Pátroclo: Ele parece chateado... Será q vai ficar bem?
Aquiles (estreita o olhar): Vc ñ precisa se preocupar c/ ele, Pátroclo. Cada um c/ seus problemas.
Pátroclo: Eu só...
Aquiles (emburrado): Hum. (e sai)
Pátroclo (indo atrás dele): Peraí... Aquiles!
Ikki: Xiii... Tá todo mundo c/ esquisitisse, hj? O.o
Shun: Bom... Vamos pro próximo capítulo... E esperemos q o clima melhore...
