CAPÍTULO 10

O alvo errado

Cercadas por loucuras...

-Puxa, acho que andaram estimulando essa estátua aí...

-Vai ficar vestida?

...mas também por muitos inimigos...

-Que interessante. Justamente a que mais odeio?

...qualquer erro pode custar muito caro...

-Divirta-se.


Mégan negou:

-Não, não estou escondendo nada, Ted...

Ele largou o pescoço da bruxa, lançando-a ao chão. Mégan desabou com um grunhido de dor.

-Então qual é o interesse em ter os frascos com você? Hein? – Ted chutou uma cadeira, que perdeu um dos pés com um estalo de madeira sendo partida. – Me disse que para a magia funcionar só é preciso que as garotas não recuperem as qualidades perdidas! E, se estou lembrado, a sua filha teria de preservar os frascos até que o ciclo lunar se completasse!

-Isso mesmo – confirmou Mégan, apoiando-se nos móveis para levantar-se. – Só pensei que os frascos ficariam mais seguros aqui, longe das meninas...

Ted avançou e ergueu-a novamente, dessa vez utilizando a gola da blusa para tirá-la do chão.

-Elas descobriram sobre a Magia do Aprisionamento?

-Não...

-Sua filha está querendo entregar os frascos a elas? Não teve sangue-frio suficiente para mutilar a alma das coleguinhas de escola?

-Marjorie é mais fria do que eu e você... somados.

A declaração da mulher era verdadeira; Ted reconheceu a verdade nas pupilas dilatadas. A mulher pensava mesmo aquilo da filha, e Ted reconheceu um certo respeito na declaração. Ou temor...

Ele soltou-a, mas sem usar a força física para arremessá-la outra vez.

-Então por que não deixá-la com os frascos?

Mégan sacudiu os ombros.

-Precaução. Você mesmo disse que essas garotas são espertas, que conseguiram até mandá-lo para a cadeia. Mais cedo ou mais tarde elas podem descobrir o que foi feito...

-Nem mesmo elas podem chegar até a sua filha – sibilou Ted. – É impossível ligar Marjorie a mim. A não ser que ela mesma contasse, mas, como você disse, sua filha tem frieza suficiente para seguir em frente, de modo que não consigo imaginar como as garotas colocariam as mãos nos frascos.

-Ainda assim, eu acho...

-Você acha que é melhor os frascos ficarem por aqui – Ted completou a frase, sorrindo desdenhosamente. – Quanto cuidado! Não sabia que me considerava tanto para se preocupar com a magia mais do que eu, o grande interessado... – ele pegou uma colher de pau que estava mergulhada num caldeirão e começou a mexer o líquido. – A não ser, volto a insistir, que existam interesses obscuros que eu desconheça.

Mégan vacilou o olhar.

-Não estou entendendo...

-Vamos supor que, ao contrário do que eu penso, não serei o único beneficiado pela Magia do Aprisionamento – ele mexeu a poção. – Que naquele líquido maldito borbulhassem interesses próprios da bruxa que o preparou.

Mégan estremeceu, e antes que pudesse se recompor, Ted registrou o tremor. Ele olhou para as janelas da cabana.

-Estranho... Não senti nenhuma corrente de ar frio percorrendo a cabana... Você sentiu, Mégan? Acho que sim. Tremendo desse jeito... – ele largou a colher de pau e aproximou-se da bruxa, sério. – Não sou seu filho, seu sobrinho, nem mesmo um primo distante, e no entanto, está tão aflita em pensar que a magia não funcione... Ah, não sou de cair em ladainhas ou falsos sentimentalismos. Sei que existe algo velado em sua preocupação. Não faço idéia do que possa ser, mas torço para que não me prejudique, e deve entrar nessa torcida também, afinal a minha ira não resulta em boa coisa.

Ele deu dois tapinhas leves no rosto de Mégan.

-Estou de olho em você.

Ted deixou a cabana em seguida. Mégan largou-se numa cadeira, e permaneceu parada e quieta por vários minutos. Depois se levantou para agarrar-se ao espelho. Ele sempre lhe transmitia uma sensação de conforto.

-Vai dar tudo certo. Ele não pode mudar mais nada... Quando souber que foi enganado, já será tarde demais... Já estará destruído.

Mas Ted não dormia no ponto.

Enquanto Mégan abraçava-se ao espelho e prendia-se em sua confiança de que tudo aconteceria como o previsto, Ted decidia ir até Hogsmeade.

Precisava de um aliado verdadeiro dentro de Hogwarts. Alguém que não lhe passasse a insegurança que agora sentia em Marjorie Crane. E, acima de tudo, que odiasse cada uma das Encalhadas.


Joyce e Alone aparataram perto da casa onde aconteciam as reuniões sigilosas do clube Pênis Forever. Seguindo as orientações de Joyce, as duas usavam blusas de capuz para preservar a identidade.

-Parece até que estamos indo à reunião de alguma seita maluca – reclamou Alone. – Esse capuz é muito incômodo!

-Todas as penisitas chegam assim. Se forem seguidas por alguém e questionadas a respeito do que acontece lá dentro, podem dar uma desculpa aceitável. Elas são muito cuidadosas. Não é possível aparatar dentro da casa.

-Existe uma senha para permitir a entrada, não é?

-Isso. Não me recordo qual é, mas podemos convencê-las a abrir...

-Eu sei qual é! – exclamou Alone, enquanto passavam pelos portões cinzentos da propriedade.

-Sabe direitinho? Cada palavra??

-Sim! Jamais esqueci! – dito isso, a euforia fez com que ela puxasse Joyce para a porta da casa. Ela deu duas batidas na porta e uma voz questionou do outro lado:

-Qual é a senha?

-"Pênis, pintão, do meu coração,

variado em cores, tamanhos, formatos,

anatômico ou chato, redondo, envergado,

és o símbolo do macho, aqui cultuado,

seu poder e encanto, sempre exaltado,

sou penisita e vou valorizá-lo,

órgão querido, órgão amado".

-É, é isso aí! – exclamou a voz masculina do outro lado da porta, abrindo-a para que as garotas passassem.

Joyce olhava para Alone com o queixo caído.

-Não posso acreditar! Como... Como conseguiu decorar todas as palavras de acesso?

-Mamãe sempre as cantou para mim antes de dormir – disse Alone. – Era minha cantiga de ninar favorita!

-Vão entrar ou ficar conversando aí fora? – perguntou o porteiro, impaciente.

Joyce e Alone entraram e viram que estavam na sala da residência. Muitas estátuas decoravam o ambiente; homens e mulheres esculpidos sem roupa.

-Belas estátuas – elogiou Alone.

-A madame tem muito orgulho de todas elas. Só não se conforma das estátuas masculinas estarem com o falo em repouso.

-Seria um escândalo! – exclamou Alone, recebendo um beliscão de Joyce.

O porteiro de fato a olhou com cara de poucos amigos antes de encaminhá-las para um canto da sala. Ele afastou uma tapeçaria e revelou uma estátua escondida.

-Ela queria que todas fossem assim.

Essa estátua parecia-se muito com as outras, mas a diferença estava na virilha; Joyce comentou:

-Puxa, acho que andaram estimulando essa estátua aí...

-Ele deve ter se excitado com as estátuas nuas do outro cômodo – disse Alone, parando de rir quando viu que era fuzilada pelos olhos do porteiro.

-Foi uma estátua especialmente encomendada pela madame. O clube está oculto na parede atrás dela.

-O que precisamos fazer pra entrar lá?

-Apertem o pênis.

Joyce estendeu a mão e agarrou o falo do porteiro por cima da calça, apertando com força. O pobre homem gemeu e xingou.

-O meu não... – ofegou. – O da estátua...

-Oh... Desculpe... – disse Joyce, soltando o porteiro, que tombou de pernas arriadas no chão. Ele contorceu-se de dor, soltando uma profusão de palavrões.

-Como pôde ser tão lerda, Joyce?

-Achei que fosse alguma espécie de suborno indecente! No estilo "peguem no meu 'amigão', me excitem e eu deixo vocês passarem"!

-Se isso fosse verdade, e todas pegassem nele assim, o cara já estaria com o pinto inflamado, mané.

Elas esperaram que o porteiro se livrasse do acesso de dor. Quando ele conseguiu se levantar, Alone olhou receosa para o falo da estátua.

-Aperta você, Joyce.

-Que frescura, Alone! Você já pegou em um antes!

-Não na frente dos outros!

-Ah, tá bom! Por acaso sou eu que tenho dois namorados?

-É diferente...

-Se não apertarem isso logo, vou pedir para que se retirem... – informou o porteiro.

-Tudo bem, eu aperto... – disse Alone, fazendo uma expressão de nojo. Seus dedos trêmulos seguraram o falo ereto de pedra. Ela sequer olhava para a estátua.

-Isso é um desrespeito! – reclamou o porteiro. – Onde já se viu uma ofensa tão grande?

Joyce o olhou, confusa.

-Sua... sua amiga demonstra total desrespeito ao amado pênis. Devia perder o título de penisita. Pega nele com nojo...

-Pegue nisso direito, Alone!

-Nisso?? – indagou o porteiro, ofendido.

-Não... É... Pegue no tão lindo fofinho cuti-cuti pênis da estátua! Saiba que... – Joyce ficou séria. – É uma honra.

-Sim. Claro... – Alone agarrou com vontade e apertou com força.

A estátua soltou um gemido:

-Ui... Aaaaah....

Alone tirou a mão, depressa, olhando para a estátua com os olhos arregalados, imaginando que veria uma expressão de prazer. "Devo estar ficando louca", pensou.

A estátua revelou um corredor estreito e curto. Joyce e Alone avançaram rapidamente, antes que o porteiro cismasse novamente com a demora. O corredor terminava numa sala ampla e retangular. No centro da sala, havia uma passarela que conduzia ao palco. O fundo do palco era coberto por uma cortina; nela via-se o nome do clube, PÊNIS FOREVER, bordado em amarelo.

-Chegamos... – murmurou Alone, impressionada.

De ambos os lados da passarela, cadeiras eram dispostas para acomodar as mulheres. Joyce e Alone permaneceram paradas, hesitantes, sem saber aonde ir.

-Parece que alguma coisa está para começar – disse Alone à amiga.

-Sim. Deve ser algum desfile de bilongas.

-Mamãe não perderia um desfile desses – falou Alone, com tanta naturalidade que só mesmo Joyce para não olhá-la com estranheza. – Ela deve estar em algum lugar...

-ALONE! ALONE! – elas ouviram uma voz e logo localizaram a mãe de Alone; a bruxa ergueu-se de sua cadeira e se aproximava da filha.

A mãe de Alone não era nem um pouco discreta. Usava colares e pulseiras dourados, roupas curtas e coladas no corpo. Os cabelos eram alisados em excesso, formando uma chapa escura que escorria por seus ombros. Ela abraçou a filha e depois cumprimentou Joyce.

-Oi, Sra Bernard – cumprimentou Joyce.

-Oh, não, sem formalidades, chuchu! Me chame sempre pelo nome, não se esqueça!

-Claro. Christtinnah.

-Com dois T, dois N e um H no final! – comemorou Christtinnah Bernard, orgulhosa. – Nome de diva!! Você noivou mesmo, Joyce?

-Sim – Joyce mostrou o anel.

-Nossa, que anel mais lindo!! – ela deu pulinhos de excitação; Joyce acabou acompanhando-a. – Divas!! Somos divas!!

Alone pigarreou.

-Mamãe, vai ter algum desfile?

-Ah, sim, e hoje é um desfile muito especial. Conseguimos peças com curvaturas diferenciadas.

-Fala das bilongas como se falasse de roupas – observou Alone.

-Mas elas não acabam "vestindo" a gente? – questionou Christtinnah. – Minha "danada", por exemplo, se sente peladinha quanto não tem uma bilonga pra cobri-la.

-Mamãe, eu estou aqui, não se esqueça – lembrou Alone, corando.

-Ingrata – reclamou Christtinnah. – Se não gostasse tanto de vestir a amiguinha você não teria nascido.

-Em momentos como este eu penso que não seria tão ruim se a sua amiguinha fosse adepta do nudismo.

A iluminação se apagou, deixando apenas um conjunto de luzes focando a passarela. O desfile estava prestes a começar.

-Preciso me adiantar, meninas, vou abrir o desfile hoje à noite – disse Christtinnah, rodando diante das garotas para exibir sua roupa. – Como estou?

-Diva!! – exclamou Joyce, e dessa vez Alone também acompanhou a mãe nos pulinhos de animação. – Somos divas!

-Gosto de ver como contagio você quando estou por perto, Joyce – falou Christtinnah, ajeitando o decote e empinando o bumbum antes de subir na passarela. Assim, provocante, ela se aproximou do microfone, que a aguardava suspenso no ar.

Quando se sentaram em uma das poltronas da frente, no lado esquerdo da passarela, Alone pôde enxergar melhor o microfone. Tapando a boca com a mão, perguntou à Joyce:

-Eu estou enxergando mal ou o microfone tem formato de bilonga também?

-Ele é uma bilonguinha de mentira. Uma bilonga sonora – explicou Joyce, sorridente. – Agora silêncio, o desfile vai começar.

Christtinnah iniciou a locução:

-Boa noite, penisitas! Abro aqui a exibição desta noite. Lembro a todas que o tema do nosso desfile é "Os Encurvadinhos". Uma seleção criteriosa foi feita por mim e pelas diretoras do clube para não permitir fraudes. Garantimos que todos são curvados naturalmente.

-Como pode ter certeza disso? – questionou Alone à Joyce, mas a pergunta saiu tão alta que a mãe da garota a escutou e, para piorar, respondeu-a.

-Seleção manual – Christtinnah lambeu um dedo. – Mas chega de papo e vamos conferir os nossos modelos da noite!

Alone só teve um vislumbre do homem vestido com um manto escuro, de máscara no rosto, e do furo no manto que deixava de fora apenas a "parte" admirada pelas penisitas, antes de esconder os olhos com as mãos.

-Joyce, ele está mais excitado que a estátua lá fora! Minha nossa, que vergonha...

-Eu estou adorando – a voz de Joyce estava cheia de animação. – Silêncio, quero me ater aos detalhes!

Christtinnah começou a narrar, enquanto o modelo andava de um lado para o outro:

-Na passarela, modelo anatômico, com ligeira curvatura para a esquerda. Ideal para mulheres que procuram rapidez, mas qualidade. Atinge a velocidade de 70 idas e vindas por minuto, se for devidamente estimulado.

-Ele é um robô? – perguntou Alone à Joyce.

-Claro que não.

-70 idas e vindas por minuto?? Deve ser uma máquina, mané! Estão "vendendo" o cara? – ela ainda estava com os olhos escondidos.

-Não seja boba, Alone. É só uma propaganda daquilo que podemos ver daqui...

-Eu não quero ver nada... Já acabou?

-Não, aí vem o próximo modelo!

Alone espiou os rostos das mulheres presentes. Algumas chegavam a se debruçar na passarela para ter uma melhor visão. Ela respirou fundo, arrependida de ter se oferecido para acompanhar Joyce. O pior era saber que seria preciso acompanhar o desfile até o fim.


Na sala de Augusto, coberta por pétalas de rosas vermelhas, o professor tirou a camisa. Lanísia tocou-lhe o peito e deu uma mordidinha em um mamilo.

-Isso... É essa a garota que eu estava procurando e parecia não mais existir...

-Impossível não me soltar aqui, tão segura com você – disse ela, cheirando a pele do professor. – É incrível. Mesmo entre o aroma das rosas, o cheiro do seu corpo, tão másculo, é o mais delicioso que existe. Me arrepia inteirinha.

Ele enlaçou-a pela cintura, subindo as mãos pelas costas da garota.

-É, posso sentir o quanto está arrepiada...

-Não esqueci a promessa que me fez durante a aula... – ela deu uma mordida perto do umbigo, as mãos apertando o traseiro de Augusto por cima da calça.

-Vai querer me secar?

-Sim, quero explorá-lo à vontade – ela endireitou-se para fitá-lo nos olhos.

-Não acha que para me secar eu preciso estar molhadinho? Ou será que estou enganado?

-Já pensei nisso, professor – disse Lanísia, caminhando até a prateleira onde havia deixado a taça de vinho. Mostrou a Augusto, seu sorriso sapeca levando-o a suspirar; como sentiu falta daquela expressão atrevida. – Topa tomar um banho de vinho tinto?

-Se você vai me secar, aceito qualquer coisa.

Ela desceu a mão até a braguilha da calça de Augusto e acariciou o membro do professor.

-Tire tudo então.

-Será um alívio me livrar dessas roupas – disse Augusto, descendo a calça e a cueca enquanto Lanísia assistia a tudo, sentada em uma cadeira com as pernas cruzadas, sorvendo goles do vinho. – Elas não conseguem conter o meu desejo, como você pode ver com os próprios olhos.

Lanísia olhou para a intimidade pulsante de Augusto, sorridente.

-E olha que só estamos no começo da nossa detenção... – ela largou a taça e levantou-se. Começou a circular o corpo do professor, contemplando-o por inteiro. – Sua virilidade é tão intensa que é visível só pelo olhar... Eu sinto-a até mesmo percorrendo o ar que o envolve.

-Já se satisfez com isso?

-Jamais – ela arranhou o peitoral do professor com a ponta da unha. – Deite-se sobre as rosas.

Augusto fez o que Lanísia lhe pediu. Ela acompanhava atentamente cada movimento dele.

-É incrível ter um espetáculo como você me esperando.

-Venha logo pra cá – ele convidou-a, mordendo o lábio. – Deixe a brincadeira com o vinho para depois...

Ela pegou a garrafa e encheu a taça.

-Hum-hum... Temos bastante tempo para preencher, e quero usá-lo muito bem.

-Vai ficar vestida? – ele perguntou, fingindo-se decepcionado.

-Quem tomará um banho será você, não eu.

Ela pegou o lenço guardado na calça de Augusto e, com a taça e o lenço nas mãos, sentou-se sobre as pétalas de rosas. Augusto fez menção de agarrá-la, mas Lanísia desvencilhou-se, entornando um pouco de vinho sobre as coxas dele. Ela aspirou o odor da bebida misturado com o cheiro da pele. Em seguida, passou o lenço e secou-o com leves movimentos circulares.

Augusto ofegou e seu corpo inteiro deu um solavanco repentino, surpreso com os movimentos das mãos de Lanísia.

-Estava certa – ele disse, sentindo o vinho escorrer por seu peitoral e deslizar suavemente em direção ao umbigo. – O banho foi uma ótima idéia.

-Chegou a duvidar disso? Eu sei muito bem onde tocá-lo, como tocá-lo. É por isso que você me quer tanto.

-Tão nova e tão experiente...

-Digamos que o material ajuda – ela sussurrou, o lenço em suas mãos descrevendo círculos enquanto o vinho desaparecia do peitoral do professor.

Lanísia percorreu assim todo o corpo de Augusto, secando-o nos pés, nas costas, no pescoço, cada canto coberto por vinho sendo estimulado por suas mãos precisas. Propositalmente, Lanísia deixou a intimidade do professor por último. Ele gemeu com mais intensidade ao sentir as gotas de vinho caírem ali.

-Agora você acaba comigo...

-Não é bem assim – ela sorriu, secando-o, envolvendo o membro de Augusto com a mão e movendo o lenço para cima e para baixo; Augusto fechou os olhos, dominado pelo prazer.

Lanísia parou. Augusto abriu os olhos e viu-a de pé, jogando o lenço para o lado.

-Não vai continuar?

-A brincadeira acabou – anunciou, tirando a roupa. Nua, ela debruçou-se sobre o corpo de Augusto. – Agora é você que vai acabar comigo.

Ela deixou o corpo deslizar sobre a intimidade do professor, sentando-se sobre ele. Augusto posicionou as mãos ao lado do quadril da jovem.

-Voltamos à hierarquia tradicional, então? Eu comando a situação??

-Você nunca deixa de comandar.

Ele começou a movimentar-se, ainda deitado no chão, tendo Lanísia debruçada sobre ele. Todo o corpo de Lanísia tremia a cada investida do professor. Os gemidos e urros delirantes misturaram-se. Augusto admirava o corpo de Lanísia, os seios movendo-se conforme ele investia, e tal visão o fazia agir com mais desejo e intensidade cada vez que arremetia para dentro dela.

Chegaram ao ápice minutos depois, mas não foi o fim da detenção. Augusto estava insaciável, o desejo não havia recuado um milímetro sequer mesmo depois de terem se amado. Ele então deitou Lanísia sobre as pétalas, abriu suas pernas e penetrou-a novamente.

Agarrados e unidos num só corpo, concluíam juntos que não havia detenção como aquela...


Hermione e Serena estavam escondidas atrás de um grupo de árvores que cercavam a entrada para Hogsmeade. Mione mantinha a atenção na estrada, aguardando o momento que Rebecca apareceria. Serena, por outro lado, remexia-se inquieta.

Mione procurava ignorá-la, mas a movimentação frenética finalmente fez sua paciência atingir o limite.

-Qual é o problema, Serena? Está com pulgas no corpo?

-Não... Só me sinto desconfortável com essa roupa toda preta. Parece até que estamos indo a um funeral... Não entendo porque eu preciso usar luvas, toca e óculos escuros! E ainda tem essa gola da blusa que tem que ficar erguida... – ela mexeu na gola.

-Sua pele e o cabelo dourado são muito chamativos, precisa escondê-los. Você parece um fantasma de tão branca que é! Se Rebecca olhasse para trás ia pensar que estava sendo seguida por uma assombração!

-E ela não vai estranhar nem um pouco ao olhar para uma pessoa vestida desse jeito numa noite de calor!

-Faremos de tudo para não sermos vistas, já disse, com disfarce ou não! Agora, fique quieta, tem alguém vindo.

Era Rebecca. A mulher passou pelo esconderijo das meninas, que se espremeram contra o tronco de uma das árvores até que ela se distanciasse alguns metros. Quando sentiu que já seria seguro deixar o esconderijo, Mione fez um sinal para que Serena a seguisse e, juntas, elas começaram a percorrer as ruas de Hogsmeade, sem perder Rebecca de vista.

Rebecca seguiu até o Lorenzo´s. Mione e Serena observaram do outro lado da rua, enquanto o atendente enchia um copo com uma bebida que elas reconheceram como Demência. Rebecca pegou o copo e dirigiu-se a uma das mesas.

-Procure não se movimentar muito – orientou Mione, agachando-se atrás de uma lata de lixo; Serena fez o mesmo. – Ela pode olhar para cá e...

-Olá, meninas! – Mione ouviu Serena cumprimentando, erguendo-se do esconderijo para acenar.

As colegas de Hogwarts que passavam pela rua não reconheceram Serena por baixo de todas aquelas roupas. As duas meninas deram-se as mãos e, apavoradas, iniciaram o escândalo:

-SOCORRO!! LADRÃO! LADRÃO!!

-Aonde? Aonde? – berrou Serena, esperneando.

-Fica quieta, Serena! – ralhou Mione, segurando-a.

A movimentação foi imediata. Mione e Serena ficaram sem ação, incapazes de planejarem uma rota de fuga enquanto observavam Lorenzo e seu funcionário saltarem o balcão, os clientes do bar deixarem as mesas, todos eles se precipitando em direção às duas, varinhas em punho para abaterem a dupla de "bandidos".

-Oh, estamos perdidas, vamos ser presas...

-Cale a boca, Serena! Não íamos roubar nada!

-O que faremos??

-Estou de cara limpa, faça o mesmo. Tire os óculos, a touca, mostre quem você é!

Serena ia fazer isso, mas os bruxos se aproximaram e cinco varinhas apontadas em sua direção não formam um convite para movimentos bruscos. Ela ficou parada enquanto via, por trás dos óculos escuros, a expressão de Lorenzo suavizar-se enquanto reconhecia Hermione.

-Mione! Relaxem, pessoal, ela é aluna de Hogwarts também! – informou aos outros. A desconfiança pairou sobre a figura disfarçada ao lado da garota. Lorenzo perguntou a Mione. – Quem é esse?

Antes que Mione respondesse, Serena grunhiu:

-Por favor, não me matem...

-Você não vai matar ninguém por aqui! – rosnou um bruxo grandalhão, cuja varinha quase tocava a testa de Serena.

-Não, eu não, só pedi...

Mione puxou a touca de Serena e jogou seus óculos longe. Um "Oooooh" de espanto percorreu a multidão. Lorenzo riu.

-Serena! Já devia ter imaginado... Pelo que vejo, tudo não passou de um mal entendido – ele procurou as garotas que tinham pedido ajuda e mostrou quem eram os supostos ladrões. – São apenas colegas de escola, elas não iam assaltar vocês.

-Sinto muito – disse uma das meninas. – Nos assustamos com a roupa que ela usava – apontou para Serena. – A noite está tão quente. Parecia que ela queria esconder o rosto...

Alguém tossiu. Todas as cabeças voltaram-se na direção do som, e só nesse momento Mione e Serena perceberam que o plano tinha fracassado. Rebecca não poderia mostrar-se mais satisfeita com a situação.

-De fato é algo curioso – ela comentou. – Vejam bem, elas estão usando roupas escuras, na certa para camuflarem-se na noite... Estavam escondidas e Serena nem podia ser reconhecida... Queriam fazer algo errado, com certeza.

-Não importa o que queríamos fazer – disse Mione, encarando-a. – Seus poderes de inspetora limitam-se aos terrenos de Hogwarts, e não estamos na escola para explicarmos cada um dos nossos passos. A propósito... Não tem nenhum show hoje à noite, Rebecca?

-Show? – perguntou Lorenzo. – Que tipo de show?

Os lábios de Rebecca perderam a cor. Irritada, ela não deu resposta, ignorou todos os olhares e empurrou as meninas. Elas protestaram:

-Enlouqueceu? – perguntou Mione, tentando livrar-se das mãos da mulher.

-Não, mas agora vocês vão me ouvir.

Mione e Serena trocaram um olhar intrigado, mas deixaram-se levar por ela. Ela conduziu-as a uma rua paralela, cujas lojas já estavam fechadas. Serena e Mione ficaram encostadas a uma parede, atentas ao desabafo de Rebecca.

-Estão indo contra o que combinamos! Faço tudo conforme recomendam, estou de saco cheio de servi-las no grupo de ajuda, mas não demonstro minha insatisfação. Não deviam sequer mencionar a palavras show na frente de outras pessoas!

-Não demonstra sua insatisfação? – questionou Mione. – Acabou de fazer isso! Doidinha para nos comprometer, buscando deixar os outros com dúvidas na cabeça. Só me pergunto o que não seria capaz de fazer para nos prejudicar.

Rebecca deu uma risadinha.

-Não acredito que chegaram a esperar que eu morresse de amores por vocês.

-Nem queremos isso – respondeu Mione. – Mas agüente seu castigo calada. O nosso silêncio em troca do seu. Não falamos nada a respeito de seu emprego como dançarina e você não reclame das suas humilhações. É algo justo, pensei que também olhasse por esse lado.

Rebecca fechou os olhos, contendo uma onda de ira.

-Está certo. Vou voltar ao bar...

-Ainda não se desculpou – lembrou Serena.

Rebecca gaguejou, incrédula:

-D-desculpou?? Preciso pedir desculpas?

-Por ter tentado nos prejudicar, oras! – disse Serena. – Não é o comportamento correto de uma empregada diante de suas patroas.

Rebecca apertou os olhos novamente, demonstrando o esforço que desprendia para não revoltar-se diante das meninas. Por fim, conseguiu falar, entredentes:

-Desculpe.

-Não vai voltar a acontecer? – perguntou Serena, com um sorriso travesso, deliciada com as reações de Rebecca.

-Não.

-Acho que agora podemos deixá-la ir embora, não concorda, Serena? – perguntou Mione, divertindo-se com a situação.

-Sim, mas comporte-se – recomendou Serena à Rebecca, que não voltou a olhá-las e desapareceu pela outra rua.

Mione e Serena caíram na gargalhada.

-O plano fracassou, mas já ganhei a noite só por humilhá-la – disse Serena, secando as lágrimas. – É muito engraçado vê-la se desculpando no momento em que queria nos mandar "tomar" em lugares nem um pouco agradáveis.

-Sim... – Mione respirou fundo, tomando fôlego. – Antes de voltar pro castelo, vamos falar com o Lorenzo. Ele deve estar se perguntando até agora o que fazíamos escondidas diante do bar.

-Posso tomar um copinho de Demência?

-Serena, está se tornando uma alcoólatra!

-Não, apenas uma demente.

-Isso você sempre foi.

-"Demente" é a pessoa viciada em Demência, Mione – retrucou Serena, sentindo-se ofendida pelo comentário.

Elas empurraram as portas de entrada do bar, mas não chegaram a passar dali. Mione correu os olhos pelo ambiente e não localizou Rebecca em canto algum. Ela não se encontrava em nenhuma das mesas, tampouco no balcão de pedidos. Serena fez uma sugestão:

-Quem sabe ela não está no Cantinho de Amor e Pegação?

-Rebecca tem preocupação suficiente com a própria imagem para não freqüentar lugares assim. Ela foi para outro lugar.

Serena exclamou, assustada.

-Será que foi se encontrar o...?

-É o que vamos descobrir – disse Mione, decidida, e a determinação da garota lançou-as numa busca às cegas pelas ruas e vielas de Hogsmeade.


No castelo, Marjorie viu quando Ana Abbot, a monitora da Lufa-lufa, entrou na sala comunal. Ela nunca havia reparado como o distintivo, seu mais novo objeto de desejo, brilhava tanto...

Queria aquele distintivo para si. E, enquanto observava Ana cumprimentando os colegas, encontrou uma forma simples de ocupar um cargo que já estava preenchido...

Deixá-lo vago outra vez.

E naquela mesma noite.

Marjorie, então, correu ao dormitório para dar início ao ritual de substituição.


Depois do que pareceram horas, Alone ouviu a voz de sua mãe pedindo para que todos os modelos que desfilaram dessem uma última volta pela passarela. Sob os aplausos entusiasmados de todas as mulheres – Joyce, além dos aplausos, assoviou alto – eles seguiram o pedido. Quando Alone abriu os olhos, os homens cobertos de mantos se afastavam para a saída do palco; felizmente os mantos eram fechados na parte de trás.

-Acabou? – perguntou Alone à Joyce.

-Não, agora sua mãe vai anunciar o que vai rolar na próxima reunião... Ah! Veja, ela está se aproximando do microfone!

Christtinnah Bernard iniciou os avisos:

-Lembro a todas que a próxima noite é a Noite da Circuncisão, com novas exibições ao vivo. Sim, será a Noite dos Carequinhas, podemos chamar assim! Também informaremos qual foi o Encurvadinho favorito, que concorrerá na eleição da Vara do Mês. Favor deixarem seus votos na caixa de votação ao lado do banheiro. O jantar será oferecido no salão ao lado. Obrigada pela presença, penisitas!

As mulheres começaram a se dispersar. Joyce precisou de certo esforço para tirar Alone da cadeira – a amiga estava pálida e transpirava muito – mas conseguiu puxá-la até Christtinnah, que descia da passarela naquele momento.

-Alone, linda, gostou do desfile? – perguntou, aparentemente sem perceber o estado deplorável da garota. – É tão bom que você é maior de idade agora, sempre quis trazê-la aqui. Gostou muito, não gostou?

-É... Foi ótimo... – mentiu Alone. – Mas não viemos até aqui para entrar no clube, mãe.

-Não? Então por que vieram?

-Joyce precisa de ajuda... – Alone olhou para a amiga, pedindo com o olhar que ela prosseguisse.

-Eu... ãh... Não estou mais sentindo desejo... Pelo menos não da maneira que sentia antes...

-Ohh, isso é um caso sério – observou Christinnah, horrorizada. – Assistir ao desfile não te deu vontade de...?

-Não... É vergonhoso admitir isso, mas não! De qualquer forma, eu adorei assistir... Não querer entrar no brinquedo não me impede de admirá-lo, se é que você me entende...

-Sim, entendo, mas não sei como é. Eu sempre quero brincar neles – ela riu, corrigindo-se ao reparar o incômodo que o comentário provocou na filha. – Desculpe, querida, isso foi muito deselegante.

-Demais, mãe – retrucou Alone.

-Eu tenho algo que vai ajudá-la, Joyce – disse Christtinnah. – Um afrodisíaco muito raro e poderoso. É o item mais caro da nossa grande variedade de produtos eróticos. Por favor, me acompanhem – ela chamou-as, movimentando os dedos carregados de anéis.

Elas passaram pelo salão de jantar, onde as mulheres se serviam e conversavam animadamente. Alone não pôde deixar de perceber quais eram os alimentos mais presentes nos pratos das penisitas.

-Peru, bananas, cenouras, pepinos... Estou certa ao pensar que o formato e o nome desses alimentos fizeram com que eles fossem escolhidos para o jantar?

-Óbvio filha! As penisitas admiram tanto o órgão masculino que precisam lembrar-se dele em todos os momentos possíveis! Veja como elas estão felizes!!

-Não quero olhar pra essas loucas...

Christtinnah Bernard apertou o braço da filha, repreendendo-a e acelerando o passo para afastarem-se do salão de jantar.

-Nunca mais ofenda as integrantes do clube! Se alguma delas escuta...

-Só disse a verdade!

-Não! Mulheres de respeito estão ali, se divertindo, e não merecem ser chamadas de loucas! Ali temos avós, bisavós, professoras...

-Puxa, tem alguma professora de Hogwarts por aqui? – perguntou Joyce, desviando-se de uma estátua nua que marcava o início do corredor em que acabavam de entrar.

-Bom, Sprout veio algumas vezes...

-Mamãe! Isso é quebra de sigilo! – exclamou Alone, espantada.

-Que nada, ela não aparece mais por aqui – Christtinnah riu, recordando-se de algo engraçado. – Sprout dizia que gostava das bilongas porque, diferente das plantas, elas não precisam ser cultivadas para crescer e ficarem no ponto.

Alone e Joyce olharam uma para a outra, em choque. Alone precisou de apoio para não cair; suas mãos tocaram uma estátua, mas ela logo se recompôs e se afastou ao ver que estava segurando no traseiro da estátua masculina.

-Vai demorar muito pra nos passar o afrodisíaco? – ela perguntou à mãe, ansiosa para deixar aquele lugar o quanto antes.

-Não, a lojinha fica aqui – ela abriu uma porta e acendeu as luzes.

Joyce seguiu Christtinnah, mas Alone recusou-se a entrar.

-Por que a frescura agora, Alone? – perguntou Joyce.

-Eu já tenho idéia do que estão vendendo aí dentro, e já cansei de ver brinquedos em formato peniano, mané. Por hoje chega! Harry e Colin que não venham querer graça hoje. Já vi bilaus demais...

Joyce saiu poucos segundos depois, com um frasco de vidro na mão. Para alívio de Alone, o formato oval do vidro não lembrava em nada o órgão tão amado pelas integrantes do clube. Christtinnah saiu a seguir, encostando a porta às costas.

Tocou o vidro com a unha pontuda e começou a explicar:

-Dentro deste vidro está a substância mais poderosa que existe para despertar o desejo. O Tesão da Trepadeira, arrancado da própria seiva de trepadeira. Mas cuidado: tome apenas um gole de cada vez. O poder é assombroso. Você sentirá uma vontade incontrolável de fazer sexo. Portanto, tome na hora certa, e com moderação.

Joyce pegou o frasco com respeito renovado depois daquelas palavras.

-Nem tenho palavras para agradecê-la, Christtinnah. Era tudo o que eu precisava! Juca vai sentir que voltei ao meu estado normal, tudo ficara bem de novo, e ainda teremos casamento!!

-Uma dica... – ela pediu para que Joyce aproximasse mais, apesar de não haver ninguém por ali além das três. – Tome três goles na lua-de-mel que você mata o cara na primeira noite.

-Mamãe! Joyce ama o noivo dela, sabia?

-Ama? Oh, que vergonha, isso foi deselegante... Achei que estivesse dando algum tipo de golpe, por isso lhe passei essa dica valiosa, Joyce, sinto muito... Mas, sabe de uma coisa, uma das nossas integrantes tem o apelido de Viúva Negra. Quando se casa, ela toma vários goles do Tesão da Trepadeira, fica insaciável, o homem não dá conta e acaba tendo um ataque do coração... Ela já matou cinco com esse esquema!

Joyce engoliu em seco.

-É... Vou ter muito cuidado com esse afrodisíaco... Pode se tornar um veneno se eu bobear! Podemos ir agora, Alone?

-Sim, por favor, vamos logo...

-Eu as acompanho até a saída – disse Christtinnah, agarrando o braço da filha. – Agora me conte, queridinha, já estão ensaiando para a formatura?

-Ainda não, mas começaremos os ensaios no fim de semana.

-Harry e Colin estão ansiosos?

-Sim... Suponho que sim... – Alone mordeu o lábio, notando que não tinha uma resposta concreta para fornecer à mãe. Quanto tempo passara a sós com os dois depois que se safaram do incêndio na sala de aula? Quase nenhum...

A mãe notou o seu ar distraído e questionou-lhe:

-Algum problema entre vocês?

-Não... Pelo menos por enquanto...

-Ainda estão implicando muito com o relacionamento de vocês?

-Algumas pessoas têm dificuldade em aceitar... Escrevem palavras ofensivas, empurram os garotos, me xingam quando passo no corredor. O pior é sentir que na maioria das vezes os professores apóiam esse tipo de coisa.

-Continue ignorando-os, minha filha. Eu, que sou sua mãe, não vejo problema algum. Deve continuar com a sua postura firme e decidida, que, aliás, sempre foi a sua maior virtude, herdada de minha parte, é claro... – ela beijou a bochecha da filha, deixando-a manchada com batom rosa. – O foco é a sua felicidade, doa a quem doer.

-É... Acredito que sim...

A incerteza de Alone persistia. Elas estavam de volta ao salão de desfile, perto de pegarem o corredor para a saída do clube, mas Christtinnah parou de caminhar e imobilizou a filha, suas mãos firmes segurando-a pelos ombros. Por um minuto, ela analisou o rosto de Alone, enquanto as duas garotas esperavam para descobrir qual era o motivo para aquele exame repentino.

-Você está vacilando...

-Não, mãe, não estou...

-Está sendo vencida por seus colegas preconceituosos, eu não posso acreditar!

-Já disse que não estou!

-Então posso confiar que no dia do Baile de Formatura vou vê-la dançando com Harry e Colin?

Alone suspirou profundamente.

-Não sei... Não iriam aceitar. O baile é formado por pares, então...

-Não vai tentar?

-Na certa seria eliminada da competição de Rainha do Baile se insistisse muito. "Se você não se adéqua às regras, então não poderá participar", essa é a linha de pensamento da direção...

-Não seria capaz de abrir mão de competir pelo prazer de ir ao lado dos dois homens que ama?

Alone tinha a resposta na ponta da língua, pronta para provar à mãe que faria de tudo por amor. Mas o "sim" travou em sua garganta enquanto ela imaginava-se entrando no salão de baile entre dois acompanhantes...

Os olhares horrorizados dos bruxos e bruxas convidados; a vergonha estampada no rosto de seus professores, aqueles que lhe ensinaram por tantos anos, irritados com o rumo que a aluna tão linda tomou; o burburinho percorrendo a multidão, risadinhas e críticas ecoando mais do que os seus saltos altos.

Ela sentiu o rosto arder, só em imaginar.

Como ficaria se aquilo realmente acontecesse? Por isso, quando conseguiu falar, foi outra resposta que passou por sua garganta:

-Não... Eu não deixaria a competição, nem mesmo por eles...

-Me diga que é o seu espírito competitivo que está prevalecendo nessa decisão... Se não for, vou achar que isso é uma brincadeira, que você não é minha filha, e sim outra aluna de Hogwarts disfarçada!

-Claro que é isso, mãe. Acha que eu admitiria não participar de um evento tão importante?

O sorriso forçado satisfez Christtinnah, que abraçou a filha. Elas então prosseguiram até a saída, e Alone gostou quando a mãe e Joyce começaram a conversar sobre os modelos da noite. Dava-lhe tempo para imaginar novas situações no baile, agarrada a Harry e Colin, dançando, comendo, bebendo. O rubor não deixava seu rosto, e ela sabia que não era a competição que a impediria de ir com os dois homens...

Era a vergonha. O medo. A insegurança.


Rebecca estava nas ruínas de uma casa abandonada do povoado. Olhava diretamente para a luz do luar que se filtrava através das tábuas quebradas que tapavam uma das janelas. Tentava manter o controle. Estava num lugar escuro ouvindo palavras vindas de um prisioneiro foragido.

-Fique de olho em Marjorie Crane – sibilou Ted na escuridão, quase concluindo as instruções. – Ela esconde os frascos com as qualidades das garotas. Precisa recuperar esses frascos e trazê-los para mim.

-Não consigo enxergar o que ganharei ajudando-o.

-Você as odeia tanto quanto eu. Vi a discussão na rua, a maneira como elas a humilharam... Sem as qualidades, estão se tornando apenas reflexos daquilo que foram. Isso já está abalando a vida delas, e, com a sua ajuda, vai prejudicar ainda mais. Uma vez que os frascos estejam comigo, em segurança, elas não poderão recuperá-los e serão somente reflexos para sempre.

Rebecca fitou-o nos olhos pela primeira vez. Agora se sentia confiante para isso. Diante dela não havia mais um prisioneiro ameaçador, mas um cavaleiro vingador pronto para ferir suas inimigas.

-Elas vão sofrer muito.

-Sim, é essa a intenção – confirmou Ted. – Perderão os namorados, ficarão infelizes, e de modo irreversível. Vão sofrer tanto que não estranharei se pedirem para morrer...

-Vai matá-las?

-Não todas. Uma delas me desperta um interesse especial...

-Qual delas?

-Lanísia.

-Que interessante. Justamente a que mais odeio?

-No caso dela, não penso em matá-la, mas escravizá-la. Trancá-la num lugar isolado e usá-la pelo resto da vida. Ela acende meus instintos como nenhuma outra jamais conseguiu.

-Será um ótimo castigo para ela – Rebecca sorriu com a perspectiva.

-Se me ajudar deixarei presenciar o sofrimento de todas elas. Imagine só, poderá cuspir no rosto de Lanísia, rir da garota enquanto ela me satisfaz sexualmente, acorrentada a uma cama... – Ted gargalhou. – Ela me tira do sério. Fico alucinado quando vejo nosso futuro.

-Está tão confiante de que vai conseguir?

-Muito. Só preciso dos frascos. Descubra o esconderijo de Marjorie e tudo vai acontecer exatamente dessa forma.

-Será fácil descobrir...

-Não conte muito com isso. Não deixe que ela perceba o que você procura, ou a brincadeira vai se tornar muito perigosa.

-Marjorie Crane? Perigosa? – ela deu uma risada de incredulidade, mas a seriedade do olhar de Ted a silenciou.

-Tão perigosa quanto a mais traiçoeira das serpentes. Não a provoque.

Rebecca acenou afirmativamente.

-Tudo bem. Preciso ir... Voltar ao bar pra tomar uma bebida. Estou muito contente com tudo isso, tenho que comemorar!

Eles despediram-se com um aperto de mão.

Mione e Serena caminhavam pela rua quando perceberam o movimento na porta do casarão. Não havia tempo para se esconder, de modo que as duas simplesmente estancaram, imóveis como estátuas, contando com a sorte para não serem vistas. Felizmente, era Rebecca quem saía do casarão, a pessoa que as duas tanto procuravam, e ela seguiu pelo outro lado da rua, sem olhar na direção das garotas. Infelizmente, ela estava sozinha.

-Talvez estivesse com alguém – supôs Mione. – E a pessoa ficou dentro da casa! Vamos verificar!

-Esquece, Mione! Eu não vou entrar nessa casa horrorosa! E mesmo que não seja o Ted, se encontrar com alguém num lugar sombrio como este não é um bom sinal!

Elas ouviram o ruído de uma porta rangendo nas dobradiças. Imobilizaram-se outra vez.

Alguém saía do casarão. Elas quase desmaiaram ao reconhecer Ted Bacon.

Com as mãos nos bolsos, de cabeça baixa, Ted afastou-se pelo outro lado. Mesmo após ele ter desaparecido, foram necessários mais do que poucos segundos para que Serena e Mione conseguissem esboçar qualquer reação.

-Estávamos certas! – disse Mione, olhando para o rosto estupefato da amiga. – Rebecca está aliada a Ted! Foi ela quem nos provou aquela dor!

-Reunião de emergência máxima! Em Hogwarts! Agora!

Elas não podiam imaginar que tinham mirado o alvo errado...


Enquanto isso, em Hogwarts, a garota que lhes causara a dor da Magia do Aprisionamento aguardava por Ana Abbot nas masmorras.

Contara uma história qualquer para atrair a monitora até lá, pedindo que mantivesse em sigilo o encontro das duas. Era essencial ter um álibi em situações como aquela...


Joyce e Alone aguardavam as amigas na sala comunal. Distraidamente, Joyce passava o vidro de afrodisíaco de uma mão para a outra.

-Não deve tomar até que as meninas voltem! – lembrou Alone. – Pode se controlar, mané!

-Devia tomar logo! Elas estão demorando tanto, daria tempo de sobra pra amar o Juca e depois voltar. Pelo menos uma rapidinha...

-Pelo que minha mãe disse você vai querer bem mais que uma rapidinha depois de tomar o Tesão da Trepadeira...

Joyce afastou-se da amiga, apertando o vidro.

-Vou tomar e você não vai me impedir.

-Joyce, espere só mais um pouco.

-Não... – ela recuou, atenta à Alone. Girou a tampa do vidro, enquanto recuava.

-Joyce, não faça isso!

-Já estou fazendo.

Alone tentou distraí-la.

-Veja! Aquele rapaz está pelado!

-Ah, esse truque não cola comigo hoje, Alone. Já vi muitas bilongas para me importar com isso.

-Joyce, só espere mais um pouco... Oh, não...

Joyce virou o vidro e bebeu um gole.

-Viu? Estou me sentindo bem, Alone. Nada que saia do controle. Vou até o Juca e já volto!

Mas Lanísia, Mione e Serena acabavam de chegar, interrompendo os planos pervertidos de Joyce. A garota voltou a sentar-se, proferindo um palavrão em voz baixa. As três meninas sentaram-se no sofá, diante das cadeiras ocupadas por Alone e Joyce. Com a voz baixa, Mione relatou a descoberta feita por ela e Serena no povoado.

-Rebecca é uma pilantra! – vociferou Lanísia. – Vamos agora mesmo até a diretora contar que ela trabalha como dançarina de strip-tease!

-Calma – pediu Mione.

-Mas esse segredo não é a nossa arma contra ela? – perguntou Alone, enquanto Joyce deixava a cadeira e ia sentar-se sobre o braço do sofá.

-Sim... – respondeu Mione – ...mas não acho prudente agirmos sem saber o que ela fez conosco, o que nos causou tanta dor! E o que conseguiremos com isso? Só tirar Rebecca da escola... Acredito que seja melhor aguardar...

Ela franziu a testa, olhando para Joyce. A garota estava sentada no braço do sofá com as pernas abertas, movendo-se para frente e para trás.

-Joyce... Está se esfregando no sofá? – perguntou Mione com uma careta.

-Ãh? – perguntou Joyce, distraída, parando os movimentos. – Eu? Não... Imaginem, que absurdo! Podem continuar com a reunião.

-Mione deve estar certa – disse Serena. – Temos que decidir qual será o próximo passo, encontrar uma forma de desmascararmos Rebecca. Já sabemos que foi ela quem nos causou a dor, mas falta descobrir o que ela fez e com que propósito!

-Isso... – Mione parou de falar. – De novo, Joyce?

A garota tinha saído do braço do sofá e agora estava deitada sobre o encosto, as pernas arreganhadas estremecendo enquanto ela se esfregava.

-Opa, vocês perceberam...

-Não, imagine, você só está fazendo o sofá tremer! – resmungou Lanísia.

-O que está acontecendo, Joyce? – perguntou Serena.

-Só estou... com um desconforto, uma coceirinha na amiguinha... Só isso...

-É ridículo de ver.

-Mas é o jeito, Mione, a não ser... A não ser que queira me ajudar e dar uma coçadinha aqui... – ela piscou um olho.

-Argh, eu não – disse Mione, com repulsa. – Saia daí, Joyce!

Ela desceu do sofá. Alone explicou:

-Joyce tomou um afrodisíaco que minha mãe recomendou, por isso está com esse fogo todo. Relaxa, Mione, ela não está seduzindo você. Ela transaria com um gorila se passasse por ela.

-Gorila?? Aonde? – perguntou Joyce, as pernas ficando bambas de expectativa.

-Nossa, ela está fora de si – disse Mione, encarando-a assustada. – Não tem como continuar a reunião desse jeito. Joyce, vá procurar o Juca e resolva esse problema de uma vez!

-Obrigada, Mione! – ela beijou a mão da amiga e disparou, saindo da sala comunal.

-Com esse afrodisíaco acho que ela vai dar conta do recado.

-Não tenha dúvidas disso, Mione – falou Alone. – Mamãe garantiu que ele é eficaz.

-Imagino que vai levar muito tempo para Joyce e Juca se desenroscarem... – Lanísia espreguiçou-se. – Por que não descemos para jantar? Estou faminta.

-Humm... – Alone cutucou-a com a mão. – Andou se esforçando muito durante a detenção?

Lanísia ruborizou-se.

-Meninas, depois eu conto... Estou muito envergonhada agora... – ela começou a enrolar os cabelos, tão tímida que Serena beliscou o próprio braço para acreditar no que estava presenciando.

-E eu que pensei que você tinha perdido a capacidade de ficar vermelha – comentou Alone, esfregando os olhos e confirmando que aquilo era real.

-Deve ser fraqueza – sugeriu Mione, dando tapinhas amigáveis no ombro de Lanísia. – Um pedaço de bolo de chocolate e a nossa Lanísia estará de volta!

Elas deixaram a sala comunal. Desciam a escadaria de mármore quando Alone tomou coragem para fazer uma observação à Mione.

-Você também não está se sentindo fraca?

-Eu?? Não... – arqueou a sobrancelha, intrigada. – Por que está fazendo essa pergunta?

-Bom, é que... Não é só a Lanísia que está estranha ultimamente... Estou te achando um pouco vagabunda...

-Vagabunda?? – Mione gritou, irritada, parando no meio da escadaria; Lanísia e Serena, que vinham logo atrás, não conseguiram parar. Elas trombaram e despencaram juntas pelos últimos degraus da escadaria, embolando-se na queda.

Agarrada ao corrimão, Alone ficou boquiaberta diante no amontoado confuso de braços e tornozelos formado pelas três garotas, quando finalmente pararam no piso do saguão.

-Meninas, eu lamento! – ela agachou-se ao lado de Mione, que tentava se libertar da perna esquerda de Serena, pressionada ao seu pescoço. – Não quis ofendê-la, Mione...

-Claro que não. Vagabunda é um elogio tão lindo que eu costumava chamar a minha avó assim – retrucou Mione.

-A sua também? – perguntou Alone. – A minha sempre gostou! Era a minha querida "Vovó Vagaba".

-Estava sendo irônica, a minha família não tem elementos estranhos como a sua... Serena, tire essa perna daqui!

-Pensei que não estivesse com pressa – falou a garota, libertando o pescoço de Hermione e sentando-se no chão para limpar a roupa. – Parecia tão entretida na discussão.

Mione revirou os olhos, a impaciência ardendo em cada centímetro do rosto. Ela rejeitou a ajuda oferecida por Alone e ergueu-se sozinha. Espanou o pó com as mãos enquanto Alone se desculpava novamente.

-Tudo bem, eu desculpo, mas espero que não repita essa ofensa!

-Nem estava te ofendendo! Quis dizer que você está diferente nos últimos dias. Você está parecendo uma va... Enfim, esse nome feio que eu usei. Mas não é isso. Eu a conheço por tempo suficiente para estranhar certos comentários, determinadas atitudes que contradizem a verdadeira Hermione.

Mione deu uma risada debochada.

-Está delirando, Alone, só pode ser isso... Andem, vamos nos apressar ou nem a sobremesa vamos conseguir comer!

O Salão Principal era uma confusão de ruídos; talhares tilintando, conversas, gritos, palmas. Elas encontraram um espaço vago na mesa da Grifinória e serviram-se de grandes pedaços de bolo de chocolate, cuja cobertura farta derramava-se pelas bordas dos pratos. Por algum tempo, elas nada disseram, apenas saborearam a sobremesa enquanto registravam a movimentação no ambiente.

Lewis acomodou-se ao lado de Serena para pôr fim à tranqüilidade. E de maneira definitiva.

-Por que demorou tanto, maninha? – ele perguntou depois de beijá-la no rosto.

-Dei uma volta em Hogsmeade com a Mione. Como vão as coisas?

-Agitadas. É duro se concentrar nos estudos com tantas novidades sobre a formatura pipocando a cada dia! O último boato que surgiu é que teremos aulas de dança com uma mulher.

-Que droga! – reclamou Mione, largando o garfo. Quando surpreendeu Alone fitando-a com um olhar que dizia "eu-não-falei-que-você-está-diferente?" ela voltou a comer, tentando mostrar-se indiferente ao fato de que não teria aulas com o professor que idealizara em seus sonhos.

-Manda bem na dança, maninha? Porque eu sou péssimo, todo desajeitado!

-Tive algumas aulas quando era pequena. Acho que ainda saio bem em alguns passos... – os olhos de Serena ganharam um brilho súbito. – Vamos testar os meus conhecimentos?

-Aqui??

-Ah, vamos, Lewis! – ela levantou-se, sentindo o calor das mãos dele. – Nunca ouvi falar que é proibido dançar aqui no salão!

-Acho que é o tipo de coisa que devemos perceber sozinhos – replicou o garoto, olhando ao redor. – Todo mundo vai olhar para nós dois se fizermos isso.

-E qual é a graça de dançar sem um público?

A alegria de Serena era contagiante; Lewis não pôde resistir aos apelos da irmã. Mesmo constrangido, ele não impôs resistência quando Serena conduziu sua mão em torno da cintura dela. Ele ofegou ao sentir a curvatura do corpo dela; Serena mordeu o lábio e riu, divertindo-se com o nervosismo do garoto. Em seguida, começou a movimentar-se, bailando em círculos, os pés de Lewis procurando acompanhá-la.

Algumas pessoas pararam para observar, mas a dança improvisada não concentrou todas as atenções como o pessimismo de Lewis havia previsto. E todos olhavam por admirarem o casal, a incrível sincronia na dança, como se tivessem ensaiado por horas a fio.

Serena fechou os olhos, e em sua imaginação transportou-se para outro lugar, somente com Lewis e mais ninguém... Ela ouviu uma pessoa batendo palmas...

As palmas, tão próximas, iam dar início a uma incrível ovação de todos os presentes...

Mas não foi isso o que aconteceu. Na verdade, ela sentiu uma tensão percorrendo o ar; as vozes das amigas, que antes cantarolavam uma melodia para o casal, tinham parado subitamente. Serena interrompeu a dança e abriu os olhos.

Viu que quem os aplaudia era Draco Malfoy.

Inconscientemente, Serena apertou a mão de Lewis com mais força. Era impossível não sentir medo; os olhos cinzentos de Malfoy perfuravam-na como navalhas, passando do rosto dela para o de Lewis, sem parar.

Draco parou de aplaudir e, concentrando-se em Lewis, perguntou:

-E você ainda insiste que são apenas irmãos?

Agora sim, todos no Salão Principal pararam para olhar o que acontecia ao lado da mesa da Grifinória. A fúria de Malfoy e o desprezo de Lewis pressagiavam uma encrenca.

Só não esperavam o que a dócil garota de cabelos dourados ia fazer...


-Foi por aqui, Ana.

-Tem certeza, Marjorie? – perguntou Ana Abbot, a monitora da Lufa-lufa. Ela percorria uma das masmorras junto com a garota.

-Sim. Eles me ofenderam, e foi horrível. Sonserinos nojentos!

-Fique calma. Vou ver quem são e depois os levarei até os monitores da Sonserina. Eles saberão o que fazer.

-Não contou a ninguém que ia vir até aqui comigo... Contou?

-Não... Nossa, veja só, suas mãos estão frias! Relaxe! Vamos acabar com esse clube ilegal e ninguém saberá quem foi a informante.

-Muito bom saber disso – sibilou Marjorie, a parca iluminação das masmorras escondendo seu sorriso maldoso.

-Estamos chegando?

-Acho que sim... Ah, sim, é aqui mesmo! – Marjorie indicou uma porta fechada, quase imperceptível. – Será que estão aí dentro? – indagou, baixando a voz.

-Vamos descobrir – disse Ana, abrindo a porta.

Ela encolheu-se, enojada com as teias de aranha que se grudaram aos seus cabelos assim que passou pela porta. Era uma espécie de depósito para objetos antigos. Móveis empoeirados, quadros descascados, tudo coroado por teias e grossas camadas de pó. Ana tossiu e olhou para Marjorie.

-Tem certeza de que foi aqui? Esse lugar parece abandonado há séculos!

Ela notou que Marjorie havia tirado uma caixa de madeira da bolsa.

-O que tem aí?

Marjorie deu passos discretos para trás. Uma gargalhada foi ganhando forma, conforme ela recuava. Ana franziu o cenho.

-Por que está rindo? Marjorie, não estou compreendendo...

-Fique calma. Vou trancá-la aí dentro, mas não ficará sozinha.

Ana começou a correr para a saída, alarmada.

-Marjorie...

-Será que estranhariam ao encontrá-la envolta por esses amiguinhos? – ela abriu a caixa, sacudindo-a.

Ana parou ao ver-se cercada pelas enormes aranhas e escorpiões, que cruzaram o ar ao seu redor. Uma viúva negra de aspecto ameaçador grudou-se às suas vestes; ela jogou-a longe, gritando. No pânico, tropeçou num baú e caiu no chão. Recolheu a mão do piso empoeirado no instante exato em que um escorpião negro ia tocá-la.

Ana berrou, indefesa, sem escape. Estava encurralada.

-Divirta-se – foi o conselho de Marjorie, antes de bater a porta, bloqueando o berro de desespero dado por Ana no instante em que sentiu a picada do escorpião na coxa, o veneno mortífero sendo injetado enquanto uma aranha marrom subia em seu ombro, preparando-se para participar do espetáculo.


N/A: E assim termina o décimo capítulo da fic! Por favor, deixem os seus comentários, só assim a fic pode agradar a todos!! Até o próximo!