Harry Potter e o Mistério da Ordem

Capítulo 10.

Hermione e Ron levaram um susto quando viram Harry e Ginny passarem pelo quadro da mulher gorda. Os dois amigos vieram correndo na direção deles.

- Vocês nem sabem o que acabamos de ver. – Ginny disse, exasperada.

Harry e Ginny dividiram as falas enquanto explicavam o que tinham visto. Hermione estava com uma expressão séria ao final da narrativa dos amigos, e Ron estava ainda abobado com a história.

- Mas vocês têm certeza que eram Tonks e Becky? – questionou Ron.

Ninguém respondeu, Ginny apenas revirou os olhos em resposta à pergunta idiota do irmão.

- Porque será que Becky estaria numa reunião com Dumbledore? – Hermione tinha ficado bastante curiosa em relação a isso.

- Talvez ela tenha tentado pedir pra ensinar aqui. – Ginny falou, se lembrando da conversa que tivera com Lívia uma vez.

- O quê? – perguntaram os três de uma vez, e a ruiva começou a contar tudo que a colega tinha lhe dito sobre Becky.

- Então vai ver que Dumbledore recusou o pedido dela. – Ron comentou.

- Mas onde a Tonks entra nessa história? – Ginny perguntou curiosa.

- Bom, quando conhecemos a Becky na Toca, ela disse que conheceu os marotos e minha mãe...

- Então se ela conheceu o Sirius, provavelmente conhecia a Tonks também. – Hermione completou, sabendo que Harry sempre tentava evitar mencionar o padrinho.

Ninguém disse mais nada. A menção do nome de Sirius ainda causava certo estranhamento em todos eles. Aquele momento definitivamente acabou com a noite deles. Para completar a situação, depois que os meninos subiram, Hermione ainda perguntou:

- Tem uma coisa que ficou sem explicação, Ginny. – as meninas estavam subindo as escadas em direção a seus respectivos quartos, mas de repente a ruiva acelerou o passo e bateu a porta do quarto, deixando Hermione do lado de fora, com uma pergunta incompleta.

Ginny demorou um pouco para se tranquilizar, ainda estava tentando formular uma mentira para usar como resposta para a pergunta que não deixara Hermione concluir, mas sabia que a amiga não teria esquecido pela manhã. O que responderia quando Mione perguntasse o porquê de ela e Harry estarem juntos na biblioteca? Ela até escaparia, pois seus NOMs eram esse ano e poderia dizer que estava estudando, mas acabara de perceber que tinha deixado Harry numa fria.

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Becky chegou a tempo para o jantar, assim como prometera à Sra. Weasley, mas não falara nada sobre o emprego que tinha conseguido.

Estava agora em seu quarto, arrumando as suas coisas e quando finalmente estava fechando o malão, alguém bateu na porta e ela respondeu com um simples "Entre".

Molly entrou já perguntando se Becky estava bem, pois a achou muito estranha durante o jantar, mas quando viu as malas fechadas e o quarto vazio, pois ela já havia retirado tudo, - ainda tinha uma única veste bem engomada e dobrada em cima da cabaceira, que ela usaria para seu primeiro diz em Hogwarts – Molly encarou a hóspede com um pouco de tristeza nos olhos.

- O que eu fiz? Por que você está indo embora, minha querida?

Becky sorriu e fez um aceno pedindo que Molly sentasse ao lado dela. A mulher segurou as mãos da ruiva delicadamente, pois esse pouco tempo que passara ali, já sentia o carinho materno, e começou a explicar.

- Não é nada disso, Sra. Weasley. Eu agradeço muito pela recepção que tive aqui, poucas pessoas recebem um desconhecido em sua casa, ainda mais de um jeito tão carinhoso. – Molly sorriu.

"Passei pouco tempo aqui, mas já me senti em casa. Agradeço por tudo, mesmo. Mas eu não poderia ficar aqui para sempre, e ainda mais tendo que achar um emprego."

- Eu entendo querida. Mas fique pelo menos até conseguir um. – insistiu, Molly.

- Aí é que está, eu já consegui.

- Já? Onde?

- Fui conversar com Dumbledore hoje...

Hesitou um pouco, mas logo perguntou se a ruiva poderia guardar um segredo e ela assentiu.

- Bem, fui falar com ele a respeito de poder entrar na Ordem. – Molly pareceu surpresa, mas não disse nada. – E quando cheguei lá, ele me propôs dividir o cargo de professora de Transfiguração com a professora McGonagall.

- Que notícia boa, querida. Já que é assim, vou pedir para você ficar de olho naqueles meninos, e me avisar caso aquele quarteto esteja armando algo.

As duas riram e Becky disse que sim.

- Becky, a respeito da Ordem...

- Sra. Weasley, eu realmente tenho um grande motivo para querer entrar na Ordem, mas por enquanto eu não posso falar. Em breve, todos saberão.

Molly e Becky se encararam por um instante. Molly viu os olhos da morena de encherem d'água e percebeu que ela realmente falara a verdade, e devia ser algo realmente importante para que ela não pudesse falar tão abertamente.

- Saiba que terá nosso voto, querida.

- Nosso? – Becky ainda não sabia sobre os novos integrantes da Ordem, conhecia apenas os antigos e a maioria estavam mortos.

- Sim, o "nosso". Eu, Arthur e meus filhos Charlie e Bill.

- O Bill também? – Molly afirmou. – Obrigada.

As duas se abraçaram e logo Becky continuou.

- Mas ainda quero fazer um pedido à senhora.

- Claro, fale.

- Poderei passar as férias aqui? Eu realmente gostaria de poder fazer parte dessa grande família, que vocês têm aqui.

- Com certeza. – Molly sorriu.

Uma batida na porta foi ouvida e as duas acharam estranho, pois já estava tarde. Molly desejou boa noite à mulher e abriu a porta.

Lupin cumprimentou a ruiva e entrou no quarto. A Sra. Weasley lançou um olhar animador à mulher e saiu.

- Desculpa vir tão tarde, mas eu realmente precisava falar com você.

- Sente-se. – Becky ainda estava triste pela rejeição do amigo, e manteve a cabeça baixa.

- Becky, por favor, olhe para mim. – Lupin delicadamente levantou sua cabeça, de forma que os dois se encarassem, mas de repente ela riu. Um riso fraco, mas que conseguiu quebrar a tensão.

- Está rindo do quê?

- Lembrei dos tempos de Hogwarts. Quando eu ou Lily estávamos tristes, você sempre fazia isso e depois de uma longa conversa, conseguia nos acalmar. Com você a conversa só funcionada "olho-a-olho", lembra disso?

Lupin fez que sim com a cabeça e os dois riram, e logo estavam relembrando vários momentos que viveram em Hogwarts e perceberam o quanto sentiam falta daquele grupo.

- Remus, me desculpe. – implorou a morena, fitando-o firmemente.

- Pelo quê?

- Por que ter abandonado vocês, por ter sido fraca e egoísta quando fugi naquela noite. Me desculpa por não ter feito contato com vocês e principalmente, me perdoe por eu não estar aqui quando o Sirius...

Becky não conseguiu continuar e simplesmente desabou. Toda a alegria que estava sentindo há alguns minutos evaporou e no momento só restava a raiva que sentia de si, a vergonha d ter feito o que fez e a angustia de não ter mais o único amigo que lhe restou.

Remus abraçou a amiga, enquanto a confortava q dizia que a perdoava. Quando ela se acalmou, os dois se separaram e ele começou a falar.

- Também tenho que te pedir desculpa, por ter sido tão rude contigo desde que chegou.

- Com uma condição.

- Qual?

- Que eu possa ter meu velho amigo de volta. – disse um pouco envergonhada, mas logo ele assentiu.

Lupin ficou sério de repente e Becky estranhou, mas logo entendeu o motivo.

- Não acha que foi muito precipitada em pedir a sua entrada na Ordem? – perguntou cuidadosamente.

- Lupin, eu preciso me sentir útil, entenda. Passei todos esses anos fora da Inglaterra, e quando volto sou bombardeada de notícias ruins. Soube dos momentos difíceis que vocês passaram, enquanto eu estava no Brasil, vivendo tranquila. – explicou.

- Tudo bem, eu entendo. Mas você falou sobre aquilo com Dumbledore? – perguntou, preocupado.

- Tive que contar. – disse triste

- Você está bem?

- E por que não estaria? – perguntou com um sorriso nervoso.

- Sabe muito bem ao que me refiro. A morte de Sirius abalou a todos nós. Eu vejo a cena toda noite e aposto que o Harry também. – comentou triste.

- Você sabe que não estou bem em relação a isso. – enxugou as lágrimas que escorriam pelo seu rosto e prosseguiu: - Mas eu tenho que ser forte, Lupin. No momento, estou focada na possibilidade de me aproximar dele. – ele assentiu e disse:

- A respeito disso, quero que saiba que no momento certo, vou te ajudar a contar, mas acho melhor por enquanto você ser apenas uma pessoa legal e confiável para ele.

- Entendo.

- AH, e esqueci de lhe dar os parabéns. Tonks me contou sobre você lecionar em Hogwarts.

- Obrigada. Vou tentar usar isso como forma de conviver mais com ele e conhecê-lo melhor. – sorriu confiante.

- Só não me diga que ficou com o cargo de DCAT?

- Não, eu era professora de Transfiguração lá no Brasil e continuarei aqui. Vou dividir as turmas com a McGonagall. Mas porque perguntou especificamente sobre DCAT? – disse, sorrindo desconfiada.

- Porque dizem que é um cargo amaldiçoado.

- Que? – agora ele realmente a deixara confusa.

- Desde que Harry entrou em Hogwarts, nenhum professor de DCAT passou mais que um ano. Eu mesmo fiz parte da lista de professores de DCAT do Harry. – disse, rindo.

- Você também já lecionou lá?

- Sim, me aproximei do Harry quando fui professor dele, no terceiro ano. Foi o mesmo ano que reencontrei Sirius e que os dois se aproximaram. – contou alegre. Becky sorriu enquanto imaginava a cena de Harry e Sirius se conhecendo.

- Mas o que aconteceu para você não ter durado mais anos por lá?

- Bom, na noite em que Harry conheceu o padrinho, era noite de lua cheia e eu me esqueci de tomar a poção. Acabei machucando Sirius quando ele tentou defender Harry, Ron e Hermione de mim.

Lupin contou toda a história à amiga. Falou sobre Petigrew, sobre os dementadores, sobre a fuga de Sirius e como a notícias de que ele era um lobisomem se espelhou por Hogwarts, forçando-o a abandonar o cargo. Depois disso, Becky ainda fez muitas perguntas e ele fez questão de responder todas.

Ele olhou para o relógio e se assustou.

- Becky, eu tenho que ir. Já é quase meia-noite, a Tonks deve estar preocupada com a minha demora.

- Fiquei tão feliz quando ela me contou sobre vocês.

Ele se despediu dela e desejou boa sorte no seu primeiro dia em Hogwarts. Depois que ele saiu, ela pôs o pijama e deitou. Tinha sido um dia bem conturbado, mas mesmo assim ela foi dormir feliz.

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Ginny acordou com uma pessoa a balançando.

- O que é? – resmungou ainda de olhos fechados.

Depois de muita insistência, Ginny finalmente abriu os olhos e fitou a colega de quarto que ao perceber que a ruiva a olhava, apontou para o relógio e ela rapidamente pulou da cama.

- Ginny, qual o seu problema? Você está estranha desde ontem. – a morena perguntou.

- Nada não. Só estou preocupada com o quadribol. Harry deve marcar os testes em breve. – mentiu.

Lívia abriu um longo sorriso.

- Sério? – seus olhos brilharam.

- Por que toda a animação? Você pretende tentar? – Ginny agora estava curiosa e as duas atrasadas para o café da manhã, então continuaram conversando, mas já andando em rumo ao salão.

- Pretendo e vou. Pode parecer estranho, mas lá no Brasil eu jogava como batedora. – comentou insegura, pois as reações a esse comentário nem sempre eram legais.

- Bom, que é estranho eu não posso negar, mas pelo menos não vamos competir na mesma posição.

- Ufa, que bom mesmo. Você joga em qual?

- Já joguei como apanhadora e artilheira.

- Uau, você deve ser fera, então.

Ginny riu e continuou a falar:

- Mas vou fazer teste para artilheira, pois além de Harry ser o apanhador e capitão do time, jogo melhor com a goles. – a ruiva deu um sorriso, orgulhosa.

- Então você já está dentro, já que é amiga do Harry.

- Se eu ver que tem uma pessoa melhor que eu, pode ter certeza que eu recuso. – disse com firmeza.

As duas pararam de conversar ao chegar ao salão, e começaram a andar procurando os amigos. Lívia os avistou primeiro e cutucou Ginny, sinalizando para que ela a seguisse.

- Caramba, pensei que não vinham mais. – comentou Ron.

- A dorminhoca aqui, - Lívia disse apontando para a ruiva – passou da hora.

Ron riu, mas Harry e Hermione gargalharam.

- Ei, vocês estão rindo do que? – perguntou a ruiva ao mesmo que tempo que os acertava com pedaços de pão.

- Ah, nada não. É só porque eu estava comentando com Hermione, que isso era mal de família. – e eles riram ainda mais.

- Calado, Potter. – disseram os ruivos em uníssono.

- Harry, mudando de assunto, quando você vai marcar os testes para o time?

- Mudando de assunto, é? Perguntou a primeira coisa que veio à cabeça, não é, dorminhoca? – zombou.

A resposta da garota foram dois bacons na cara de Harry.

- Ei, não desperdiça. – reclamou Ron e a irmã apenas o ignorou.

- Ok, ok. – disse enquanto limpava a gordura do rosto. – Ainda não sei, já que antes preciso pedir para McGonagall reservar o campo para os testes.

- Certo, mas quando pretende marcar?

- Vou tentar na sexta, depois das aulas.

- Fechado. Ah, e saiba que esse ano uma menina tentará ficar com a posição de batedora. – avisou sorridente, já que provavelmente haveria mais uma garota no time.

- Uma garota? Como batedora?

Ron começou a rir, enquanto Harry parecia interessado no assunto, já que com uma batedora poderia planejar novas estratégias para o time.

- É mesmo? E quem é?

- Eu.

Até Ron parou de rir ao ouvir a voz de Lívia. Harry arregalou os olhos surpreso, e Hermione estava completamente chocada.

As quintanistas riram com a reação dos amigos, mas a conversa não pode continuar porque Dumbledore levantou pedindo silencio.

- Antes de terminarmos o banquete e todos irem para seus respectivos afazeres, tenho uma novidade para contar.

Todos os alunos começaram a comentar e o diretor apenas levantou o braço mais uma vez, e todos se calaram.

"Tenho que lhes informar que a Professora McGonagall não lecionará mais para os alunos de 1º ao 4º ano. Os alunos de 5º ao 7º ano continuarão em sua responsabilidade. Agora quero apresentar a professora que a partir de hoje lecionará até o 4º ano. Dêem as boas vindas à Becky Biltch."

A mulher se levantou, mas fez uma cara feia em menção ao seu sobrenome, mas logo sorriu e parecia realmente muito animada.

Os cinco só repararam naquele momento, que havia uma pessoa a mais na mesa principal. Entreolharam-se surpresos, mas Lívia parecia não ter gostado da presença da mulher ali. Hermione e Ginny repararam, mas não comentaram nada.

Aproveitando a bagunça que se estabeleu no salão, Ginny escreveu algo num guardanapo e jogou em Harry. O garoto a olhou de cara feia, mas ela indicou o papel e Harry leu.

"Preciso falar com você. E LOGO."

Harry olhou preocupado, mas a garota nem olhou, apenas disse que precisava ir, se despediu deles e saiu com Lívia, mas enquanto se levantava da mesa, conseguiu colocar outro papel no bolso da calça de Harry.

Ele esperou os amigos se distraírem, para enfim poder ler o segundo bilhete da ruiva, e esse o deixara bastante preocupado, pois estava escrito: "Eu sei o que você está tramando"

"Esse sim era um belo jeito de iniciar um dia em que minha primeira aula é de DCAT, com Snape." Pensou Harry.