Capítulo X - Uma adorável Hospede.
O silêncio se instalou no pequeno recinto enquanto as damas se olhavam confusas. Hinata se afundou no sofá com um mau pressentimento.
Os olhos incrivelmente verdes de Sakura focaram-se na figura loira e esbelta de Ino, cheio de censura. Em resposta a jovem Baronesa encolheu os ombros com uma expressão de que não tivera outra opção.
Kushina rapidamente se recompôs do susto inicial e presenteou as visitas com um lindo sorriso escondendo o seu descontentamento.
— Mas que surpresa maravilhosa vê-las por aqui.
— O prazer é todo meu. – cumprimentou a Baronesa Yakito. – espero que não se incomode com a nossa presença Viscondessa Uchiha, encontramo-nos com a Baronesa Yamanaka e logo soubemos que viria para o campo. Notei a oportunidade perfeita para passar um tempo com as amizades.
— Oh! Não é incomodo algum – sorriu sem jeito a anfitriã.
Todos sabiam, e principalmente a Baronesa e sua filha que as duas eram visitas indesejadas, mas aparentemente as damas não se incomodavam com isso.
— Vim para o campo descansar, logo estarei próxima a dar a luz e acho o campo um lugar mais apropriado para ter um filho.
— Compreendo minha jovem – sorriu a velha mulher puxando uma linha de expressão desdenhosa. Afinal, a mulher de cabelos peculiares e modos muito discutíveis havia fisgado nada menos que um Visconde, membro de uma das famílias mais importantes da Inglaterra. Não conseguia admitir que uma jovem vinda de uma família sem nenhum status como os Harunos conseguisse um partido como aquele. Sua filha Shion sim, merecia um alto posto na sociedade, era por isso que a sociedade Londrina decaia a cada ano, com o numero maior de associações com a burguesia. – prefiro a cidade, pois é um lugar mais equipado e com os melhores médicos.
— Porém, é uma tradição antiga os filhos da família Uchiha nascerem nessa casa – rebateu Sakura com uma veia saltando. Mas que mulher desagradável, pensou.
— Sim, a tradição é algo muito importante – sentenciou com um ar de superioridade.
O silêncio novamente dominou o recinto. Ino permanecia apagada com uma expressão culpada no rosto enquanto a jovem Shion não tirava os olhos da Hyuuga. Não precisava ser muito inteligente para notar que a loira carregava uma aura assassina em volta do pequeno corpo e que todo esse desejo de morte se dirigia para uma única pessoa presente naquela pequena sala.
— Acredito que queiram se refrescar?! – exclamou Kushna determinada levantando do sofá.
Tomava a rédea da situação.
— Sim - a mulher concordou sendo acompanhada pela filha, não seria muito vantajoso enfrentar a condessa Namikaze.
Levantou-se do pequeno assento emanando um ar desdém superioridade seguindo elegantemente em direção até a porta.
— Nos deem licença.
— Mas é claro – sorriu Kushina – acompanharei vocês até o quanto. Sakura está muito cansada.
Quando não podia mais ouvir os passos das mulheres o ar voltou a circular na sala.
— O que você estava pensando Ino-porca? – indagou Sakura mal contendo a raiva.
— Não me chame assim testuda. – retorquiu à loira.
— Ora sua..
— Se acalme madames – interrompeu Haru apavorada com a atitude das duas damas, enquanto Hinata tentava conter o riso.
Ino e Sakura pareciam duas crianças brigando.
— Eu não tive outra escolha. Aquela velha apareceu justamente quando estava me preparando para partir. Quando soube para onde estava indo se auto convidou. Não pude fazer nada.
— Por que não mentiu?
Sakura colocou as mãos na cintura com uma sobrancelha erguida enquanto o pé batia insistente no chão.
— Eu tentei, mas sabe como é o Sai, tagarela, falou tudo. – suspirou se encostando ao sofá. – tenho a seria impressão que já sabiam, por que estavam preparadas para uma viagem.
Hinata entrecerrou os olhos, muito desconfiada. A baronesa não era uma pessoa agradável e muito menos sua filha, mas por que Sakura estava tão alterada assim? Quais seriam os reais motivos para ter desagradado tanto assim à viscondessa? Por alguma razão que não sabia explicar tinha a impressão que tudo dava voltas em torno dela, no entanto, preferiu esperar, pois parecia que as damas haviam se esquecido de sua presença.
— Ino como pode fazer isso! Você es...- as palavras de Sakura ficaram suspensas no ar para desapontamento de Hinata. Kushina olhava a jovem Viscondessa com uma aura assassina e de súbito a jovem se deu conta da presença da Hyuuga.
Definitivamente estavam tramando algo, concluiu Hinata aborrecida.
— A baronesa e sua filha já se instalaram. – comentou taciturna.
— Me desculpe. – murmurou Ino.
— Não há do que se desculpar – ignorou Kushina balançando a mão de maneira a não demonstrar importância, porém, era muito visível sua contrariedade.
Kushina não estava nada satisfeita com aquelas visitas.
— Posso saber por que todos estão tão aborrecidos com a presença da baronesa e sua filha? – indagou Hinata não aguentando mais aquela situação.
As mulheres se entreolharam.
— É simples minha cara. – tomou a palavra a Condessa. – estamos entre amigas, portanto não preciso ponderar as palavras, na verdade nunca as pondero – riu consigo mesma enquanto as outras esboçavam sorrisos divertidos. – o fato é que não suportamos a Baronesa. É simples assim.
Hinata entreabriu a boca para refutar, mas não tinha o que dizer, no final concordava plenamente com a opinião de todas e essa verdade lhe tirava a oportunidade, ou melhor, dizendo, o direito de exigir que lhes dissessem o que estavam tramando. Mas logo descobriria e rezava para que suas suspeitas fossem equivocadas, pois se tivesse um fundo de verdade nelas, talvez a presença da Baronesa e sua irritante filha pudesse a salvar de um lobo faminto, ou melhor, de um Duque faminto.
— Eu compreendo. – murmurou pensativa - bem, vou me retirar, estou um pouco cansada. – anunciou se levantando elegantemente.
Ela estava desconfiada, descobriu Kushina enquanto observava a delicada dama se afastar da sala. Sim ela estava e a presença de Yakito não ajudaria.
Afundou-se no sofá.
— Estava indo tão bem. – murmurou pesarosa colocando a mão na tez branca – pelo jeito nosso plano foi por água a baixo. Só falta aquele teimoso do meu filho não vir. Nesse caso ate que seria melhor, caso viesse aquele urubu não tiraria as garras dele e assim não teríamos a chance de deixa-los a sós.
— Me perdoe – gemeu Ino profundamente arrependida.
— A culpa não é sua. Aquela ave de carniça adora sobrevoar a vitima.
— Senhora ! – exclamou Haru num misto de espanto e divertimento.
A ruiva a encarou com seus lindos olhos azuis escuros e sorriu gentilmente. Era uma mulher muito bela principalmente naquele vestido de campo lilás e seus cabelos de fogo presos em uma trança com várias presilhas de diamante.
— Minha querida, eu só não digo o que penso dela em suas fuças por que essa sociedade e cheia de não me toque, principalmente a nobreza, se fossemos plebeias já teria dito umas boas verdades aquela múmia.
Sakura e Ino caíram na gargalhada enquanto Haru a olhava com admiração a dama. Kushina ganhava mais uma nova admiradora.
Hinata virou a esquerda em vez de subir as escadas. Precisava de ar puro e um lugar silencioso para pensar com calma sobre os acontecimentos recentes. Os jardins da casa de Sakura pareciam um lugar perfeito para isso.
Em poucos passos se encontrou em um oásis cheio de flores coloridas e perfumadas. Balsamo para um coração atormentado. Sentiu uma pontada no peito. Aquele lugar era lindo e cheio de vida ao contrário dela. Ela estava morrendo, sua vida se esvaia de seu corpo aos poucos e por mais incrível que parecesse não era de todo um mal. Estava vivendo intensamente coisa que nuca fizera antes.
E essa paisagem lhe trouxe à memória um belo cavalheiro de cabelos loiros. Não saberia o que fazer se Naruto aparecesse naquele lugar. Nunca soube muito bem o que fazer na frente de um homem. Sempre havia sido desajeitada quando se tratava da espécie masculina. Corava-lhe a face só de recordar suas atitudes diante dos poucos homens que lhe haviam dirigido à palavra, pouquíssimos. Envergonhada gaguejava como uma idiota e mal conseguia olhar no rosto dos senhores. Exceto Naruto, ele foi o único com quem havia conseguido manter um diálogo longo. Esse fato extraordinário ela poderia atribuir a recente determinação que adquiriu após ter consciência de sua morte e também por que no fundo soubesse que Naruto era alguém inatingível para uma pessoa como ela. A miragem de um rio no meio do deserto para alguém com sede. Hinata nunca conseguiria alcança-lo, não era mulher para ele.
O coração contraiu-se ainda mais.
Apertando o peito, na tentativa de parar aquela dor insuportável, virou-se para partir. Necessitava sair daquele lugar que lhe fazia se sentir tão só e voltar para a segurança de seu quarto escuro. Foi quando estacou no meio do caminho.
Não sabia por que fazia isso. Que Diabos! Amaldiçoou. Estava dolorido, cansado e muito mal-humorado, e tudo por causa de uma mulher, uma maldita mulher que estava brincando maliciosamente com ele. Não entendia suas atitudes e nem queria entende-las, se aprofundasse muito em seus sentimentos talvez descobrisse algo que não queria saber. Mas de qualquer forma estava ele, o Sexto Duque do Clã Uzumaki, molhado, casado e ponderando voltar pelo caminho por onde veio, incerto se queria ou não prosseguir com aquela tortura. Se irrompesse aquela porta, como o louco que estava parecendo, exigindo vê-la, provavelmente Hinata pensaria que ele estava correndo atrás dela e principalmente havia tido sucesso em seu jogo.
Mas queria vê-la ou não?
Que Inferno! Amaldiçoou, passando a mão pelos cabelos húmidos, alguns fios colavam na fronte bronzeada. Não podia fazer isso, era muita humilhação.
Quando dava meia volta para ir embora à resposta para aquela pergunta que tanto ignorava surgiu diante de seus lindos olhos azuis.
Hinata estava mais linda do que nunca envolta a nevoa que começava a se formar no final da tarde. Parecia uma fada, não, uma deusa cheia de mistérios e perdida em seus pensamentos.
Maldição! Como era linda, amaldiçoou uma terceira vez, aquilo já estava virando um habito.
Sem ao menos notar Naruto se viu caminhado em direção a Hinata que parecia ficar mais pálida a cada minuto que se aproximava. Era difícil de decifrar aquele olhar perolado, era medo, surpresa ou algo mais que não conseguia identificar. Não se recordava que era tão baixa e frágil e que o vestido escuro, azul marinho com rendas delicadas em azul anil, deixava-a ainda mais bela. Principalmente o decote baixo que realçava os seios fartos sussurrando uma promessa de prazeres.
Engoliu em seco. Aquilo estava saindo do controle. Era a primeira vez que a via depois do baile e já estava tendo pensamentos sensuais com ela. Era tudo culpa da abstinência, sim, a falta de uma mulher em sua cama estava lhe provocando esses delírios com uma jovem fora dos padrões de beleza londrinos. Só poderia ser essa a explicação de suas atitudes estranhas.
— Boa tarde milady! – cumprimentou com uma foz forte e firme sem nenhum indicio da tormenta interior que sentia.
— Tarde – murmurou Hinata apreensiva evitando olhar ao rosto belo e viril.
O rosto sério do Duque fitou a dama enquanto o silencio tenso pairava por entre dois. O que dizer para aquela mulher sem lhe parecer um completo idiota? Não admitiria nunca a verdade.
— Não imaginava vê-la por aqui. – mentiu num tom casual.
Hinata encarou-o confusa.
— Eu vim a negócios com Sasuke – continuou Naruto passando as mãos nos cabelos revoltos.
Hinata apertou os lábios em uma linha fina pedindo com todo fervor que Kami lhe desse forças para não desmaiar diante do Duque. Ele estava tão bonito naquela calça negra e camisa branca que contrastava com a pele morena, e o casaco negro, realçando o poder perigoso que ele irradiava. Sim, ela precisava de forças, por que sentia que sua leve dor de cabeça começava a aumentar.
— Interessante sua Excelência. Espero não estar tomando seu tempo. – comentou dando um passo ao lado.
— Não! De modo algum – intercedeu Naruto aturdido com a eminencia de perdê-la novamente. Algo de muito errado estava acontecendo com ele, não aguentava a ideia de ficar longe dela. – passou bem depois do baile?
A morena o encarou e o loiro quis morrer diante daquele olhar. Agia como um garoto enfeitiçado por uma bela cortesã.
— Sim. – murmurou envergonhada. Só a menção do baile à fez recordar a proposta. Para sua maior vergonha havia proposto tal absurdo aquele homem. Estava ficando louca.
— Hinata – chamou, segurando o cotovelo da pequena dama aproximando-a do seu corpo, sua voz carregava um mistura de sentimentos intensos que perturbava Hinata. – sobre o que discutimos... Hinata.
A morte eminente seria a explicação tola que daria a Haru para o que ocorreu. Jamais admitiria que o verdadeiro motivo do seu mal estar era a proximidade de Naruto e a vergonha.
Tudo ficou escuro.
— Finalmente acordou – exclamou uma voz aliviada.
A morena apertou os olhos meio atordoada, se acostumando com a claridade enquanto a cabeça latejava fortemente. De repente o desespero tomou seu corpo. Começava, estava ficando mais próxima da morte?
— Você está bem Hinata-chan? – indagou Haru preocupada.
— Estou. Só com um pouco de dor de cabeça. – murmurou com dificuldade.
— Você acha que é... – se interrompeu Haru quando um individuou irrompeu o quarto sem aviso.
— Isso não é jeito de entrar no quarto de uma dama. – reclamou uma voz aguda e muito zangada.
Sakura estava parada ao lado da cama fuzilando Naruto com o olhar. O loiro nem ao menos prestava atenção, estava atento ao rosto pálido da mulher desfalecida na cama, meio a cordada, meio sonolenta. Parecia com dor.
— Chamaram o médico? – indagou.
— Sim Sua Graça, mas ele ainda não chegou. – informou Haru assustada.
Naruto parecia ter um demônio no corpo
— E porque diabos ele ainda não chegou. O pagam para que - resmungou enfurecido. – mandem o lacaio ir atrás dele e tragam-no imediatamente, a dama precisa de cuidados.
Hinata estreitou os olhos para enxergar melhor, Ainda não havia se acostumado com a claridade do ambiente.
— Eu estou bem, não preciso de um médico. – protestou.
— Mas é claro que precisa – determinou o homem com a expressão séria.
Hinata em reação ergueu o fino queixo e rebateu muito irritada:
— É claro que não preciso de nenhuma consulta. Estou me sentindo muito bem. - retorquiu determinada – por favor, saída do meu quarto, não seja inconveniente.
Naruto respirou fundo inflando os pulmões consequentemente aumentando ainda mais o amplo peito na intensão de se acalmar, mas naquele momento parecia mais um leão enfurecido.
A tensão cresceu no pequeno quarto lilás e era tão intensa que as duas testemunhas poderiam jurar que sentiam o cheiro da tempestade chegando e ar frio que esta trazia sempre consigo. Mas era admirável ver como a jovem Hyuuga enfrentava com muita coragem aquele demônio de olhos azuis.
Sakura entendeu naquele momento por que Naruto se sentia tão fascinado pela morena. Ela simplesmente não se parecia com nenhuma mulher que conhecia e nem ela mesma se compararia a Hyuuga.
— Não seja tola, você desmaiou de repente e está tão pálida quanto um defunto.
Hinata bufou na cama apertando os lençóis, com dificuldade inclinou o frágil corpo para frente. Haru lhe auxiliou a ficar em uma posição menos humilhante. Quando se sentido confortável mirou suas lindas orbes peroladas com fúria para aquele belo homem irritado.
— Como se atreve a me chamar de tola? Ninguém além de mim tem a autoridade para dizer se me sinto bem ou não. – empinou o nariz com desdenhem.
O Uzumaki encarou aquela figura pequena, frágil e arrogante como se fosse a coisa mais estranha da face da terra, muito mais que os espécimes peculiares de países longínquos trazidos por antropólogos e aventureiros. Aquela plebeia atrevida o estava recriminado por lhe perguntar sobre seu bem? Depois de toda a preocupação que havia sentido? Como era ingrata.
— Ah! Eu esqueço que a educação passou muito longe da sua casa. – alfinetou o loiro arrancando um gemido de irra de Hinata.
— O mal educado nessa situação milorde não sou eu, mas sim você, se nunca te disseram antes, é de muito mau tom entrar sem bater e principalmente nos aposentos de uma dama ainda por cima como um louco mandão. – arqueou uma sobrancelha após o golpe final, não contendo em seguida o sorriso de satisfação no rosto ao notar a expressão furiosa do Duque.
Os incríveis olhos azuis a encararam avermelhados pela ira. Naruto parecia um demônio que tinha o imenso desejo de estraçalhar algo em pedaços e o alvo nesse caso era ela.
Permanecerem em silencio por um longo tempo, enquanto as testemunhas da discussão observavam temerosas o casal aguardando o desfecho. Hinata teve certeza que ele faria algo contra ela, ele estava a ponto de bater-lhe e quando Naruto se inclinou para frente fechou os olhos esperando o soco que não nunca chegou. A respiração irregular dele foi o que lhe atingiu aturdindo os seus sentidos, pois pela primeira vez desde que ele chegara foi dar-se conta da colônia de madeira, tão masculina que deixava suas pernas bambas.
— Isso não ficará assim, milady. – surrou entre os dentes e logo em seguida partiu sem dizer nada, deixando uma Hinata entorpecida.
As testemunhas se entreolharam confusas e Hinata soube muito bem o que elas se perguntavam, pois ela mesma também fazia a mesma indagação. O que havia acontecido ali afinal?
O estilhaço de um vaso ecoou pelo lado oeste da mansão Uchiha. Uma pobre criada se recolhia a um canto cobrindo o rosto na intensão de se proteger da fúria de sua dama. A jovem parecia estar possuída por um demônio, esbravejava de um lado ao outro atirando objetos e vestidos para todos os lados.
— Maldita! Vadia, prostituta!
— Cale-se Shion. – esbravejou a Baronesa. – esses não são modos de uma dama.
A loira a olhou furiosa e ofegante com os cabelos totalmente desalinhados.
— E os dela o são? Você viu mamãe, aquelazinha se atirou nos braços dele. Como ela ousa fazer isso? Vou mata-la.
— Acalme-se Shion. – respirou profundamente contendo a irra que também sentia. – podemos notar o quão baixo é aquela espécie, não há do que se preocupar, não passa de uma cortesã qualquer e pelo que notei não passara também de um simples passatempo para sua Excelência.
— Mas mamãe. – resmungou mimada sapateando os pés e balançando as mãos como uma criança de cinco anos a quem foi negado o brinquedo favorito. – ela quer roubar o Duque de mim.
— Mas não o conseguirá Shion.
— Ele só tinha olhos para ela. Até entrou em seu quarto.
— Só para comprovar o quão baixo é essa mulher. – respondeu calma tomando a xicara de chá.
— Mas mamãe, e se ele não pedir minha mão. Já estou indo para a segunda temporada e nem ao menos tive um pretendente com um titulo decente. Mery vai se casar com um Conde e Asuna foi pedida em casamento por um Marquês. E eu só despertei o interesse de um mero barrão e um visconde. – deixou-se afundar na cama alta com colchões de plumas. - não quero ficar para traz. Eu preciso ser uma Duquesa nada menos que isso. – levantou-se de um salto da cama e olhou determinada para sua mãe. – aquelas metidas ainda irão beijar o chão por onde eu pisar. Todos sentirão inveja de mim.
— Meu bebê, você não merece nada menos que isso. – sorriu a baronesa se aproximando de sua linda filha. – todos ficarão aos seus pés, não duvide disso.
— Como mamãe, se ele nem ao menos olha para mim? E agora tem essa vadia rondando ele.
Yakito afogou os cabelos loiros e cacheados de sua preciosa filha pensativa.
— Deve haver um meio de se livrar dessa cortesã. – murmurou.
— Como faremos isso?
— Ainda não sei. Mas tenho a impressão que já ouvi esse nome antes. Hyuuga.
— Nunca ouvi nome tão desagradável. – desdenhou Shion
A mulher velha riu agraciada pela ambição de sua filha, nada menos do que esperava de sua prole. Precisavam pensar alto, não só pelo status, pois não lhe agradava muito a Condessa e o Conde Namikaze, mas tinham fama e poder e seu filho era Duque, nada mais e nada menos que o titulo mais alto da nobreza abaixo da família real, mas também pelo lado financeiro, seu falecido marido não havia deixado muito dinheiro. Em verdade perdera metade da fortuna em casas de jogos e com prostitutas. Estavam atoladas em dividas e precisavam desesperadamente de um marido muito rico para sustenta-las.
Naruto Uzumaki era o homem ideal para os seus planos, bonito, par de reino e com muito dinheiro no banco. Salvaria ela da ruina e ainda por cima seria um desafio delicioso conseguir que sua filha colocasse as garras no solteirão mais cobiçado de Londres.
E tudo estava indo muito bem, Naruto parecia interessado em Shion até aparecer à misteriosa mulher, Hyuuga Hinata. Precisava dar um jeito nela e o mais rápido possível.
— Não se preocupe querida, os homens nunca se casam com rameiras, as procuram, mas sempre contraem matrimonio com moças de boa família como você.
— Tem certeza mamãe? – indagou Shion com seus lindos olhos azuis escuros esperançosos.
— Mas é claro. – sorriu a mulher. – confie em sua mãe. Mas como diz o ditado: o seguro morreu de velho. Não há nada de errado em garantir a vitória, não é meu amor?
A loira presenteou a mãe com um belo sorriso perverso.
— Com certeza mamãe. O que iremos fazer?
— Ainda não sei, mas acredito que pensaremos em algo até amanha. – sorriu a mulher para filha já maquinando algo terrível.
Hinata sentiu um arrepio na espinha e novamente pressentiu que algo iria acontecer.
— Que lugar mais fúnebre – exclamou Sasuke adentrando o recinto mau iluminado.
— Não, não acenda as luzes – ordenou Naruto com a voz pastosa.
A casa dos Uchihas era uma das poucas que tinham a mais inovadora das invenções da era moderna, a eletricidade.
Sasuke arqueou uma sobrancelha. Naruto estava sentado em uma poltrona próximo a janela fechada pelas pesadas cortinas de veludo vermelhas, em uma mão mole pendia a garrafa de whisky e na outra um copo vazio.
Era uma cena deplorável.
— O que ocorre?
— Não me passa nada – resmungou chacoalhando a garrafa e constatando que esta estava vazia.
— Vejo que não lhe passa nada. - comentou irônico.
— Está zombando de mim Sasuke? – indagou Naruto meio torpe devido a embriagues.
O amigo apenas sorriu em resposta.
— Baka. – resmungou
— Nunca imaginei que um dia eu veria o imperativo numero uma de traz para frente embriagado por causa de enganos de uma mulher. – murmurou o Uchiha pensativo.
O loiro depois de um tempo em silencio jogou a garrafa vazia em um canto, mal humorado.
— Há anos não escuto esse apelido.
— Foi o Kakahi-senpai que lhe atribuiu esse apelido. Você era um idiota na época e continua sendo um.
— Você realmente não me respeita, não é?! – perguntou, porém em um tom mais afirmativo do que questionador.
— Segundo Sai depois de anos de amizade o respeito acaba.
Os dois homens adultos e importantes caíram na risada. Era mais um daqueles momentos onde não precisavam de explicações ou palavras vagas, pois se entendiam apenas um olhando para outro. Valia apena todos os escárnios e as chacotas. Era uma amizade para vida toda.
Quando as risadas se esvaíram pelo ar e o silencio tomou a sala para si, os sorrisos sumiram dos rostos elegantes e tudo ficou sério.
— Isso realmente me preocupa Naruto.
Naruto encarou o rosto serio do amigo em silencio.
— Por que a preocupação? Sou um dobe mais ainda sei me cuidar.
— Será que realmente o sabe? – murmurou Sasuke perdido em seus pensamentos.
— É claro que eu sei - respondeu Naruto sem muita confiança.
Ela havia dito "meu lorde quer brincar?" e desde então não conseguiu parar de pensar naquilo. Depois daquele fatídico baile suas noites haviam sido povoadas por essas palavras e muito mais. Ardia por ela. E tal qual foi sua surpresa em vê-la naquele jardim, não a desmedida e sensual Hinata que o excitava até a medula dos ossos, mas sim, uma flor frágil e vulnerável com aqueles imensos olhos prateados pedindo abrigo.
Não era a mulher que lhe fizera uma proposta tão indecente, mas mesmo assim, não tinha perdido o encanto, o desejo. O maldito desejo que lhe atormentava.
Estava perdido.
— Você sabe que não acredito em você. Eu e Sakura tememos que essa relação seja desastrosa.
— Desastrosa – riu-se Naruto de tal absurdo. – por que o seria? Não se preocupe Sasuke, não estou perdido de amores por essa dama, nem faz o meu tipo, apenas me intriga só isso. Na verdade ando muito aborrecido ultimamente.
Sorriu sentindo um estranho aperto no peito. Não se fixaria nessa questão, seus instintos predadores lhe alertavam do perigo iminente se ao caso descobrir do que se tratavam suas reais motivações.
— E falando em diversão, acho que sei o que posso fazer para acabar com esse aborrecimento hoje anoite – sorriu levantando-se da poltrona e deixando o amigo sozinho na escuridão.
— Sim, é apenas aborrecimento. Eu espero que seja só isso mesmo Naruto, para o seu bem, que seja só isso.
O relógio marcava oito horas em ponto e Hinata descia com todo o seu esplendor a suntuosa escadaria da mansão Uchiha, a muito contragosto, diga-se de passagem. Não queria descer, preferia fazer sua refeição na segurança do seu aposento, mas Haru havia insistido para que descesse, pois se continuasse na cama chamaria mais atenção sobre o seu estado de saúde. E mesmo que fosse muito animador se aninhar nos lençóis de seda e travesseiros de plumas, não almejava de modo algum que descobrissem seu pequeno segredo.
Naquela noite quente em especial, trajava um lindo vestido cor vinho, de corpete baixo realçando os seios fartos e os cabelos presos em um coque alto na cabeça. Aquele era um dos seus vestidos mais ousados e por insistência de Haru acabou por usa-lo.
— Não era o seu plano seduzir o Duque? – indagou quando Hinata deu sinais de retroceder.
— Sim, mas começo a considerar a hipótese de abandonar tal intento. – sorriu sem jeito olhando seu reflexo no espelho apenas de anáguas e meias.
Não era uma mulher mundana, sedutora, não as quais com certeza Naruto se relacionava.
— Vamos Hinata, não seja modesta. Já o pôs louco agora mais cedo. Juro que no começo não entendi do porque brigar com ele, mas pensando bem vejo que você é um gênio. – sorriu Haru – ele não tirará os olhos de você essa noite.
Hinata desejava que não, ou sim? Bem, não sabia ao certo o que queria. Uma parte dela, a que conhecia muito bem pedia com todo fervor poder fugir para um canto escuro e ficar lá, sozinha, já a outra Hinata que começava a conhecer ardia só apenas em pensar naqueles lindos e intensos olhos azuis a devorando.
Deu pequenos tabas no rosto avermelhado. Aquilo estava fugindo do controle.
No entanto conteve o folego quando adentrou a sala onde se encontrava o restante dos visitantes. E de todos os olhares naquela imensa sala luxuosa um único foi capaz de fazê-la esquecer de como respirar.
Aqueles olhos azuis a miravam com tamanha intensidade que tinha certeza que sua pele já tinha há muito se assemelhado a cor do vestido.
— Ai está você, nossa bela adormecida. – murmurou Kushina, interrompendo aquele olhar intenso. – como se sente? Está linda. Adoro a cor vermelha. – lhe sorriu piscando os olhos.
— Mui-muito o-obrigado – gaguejou Hinata muito envergonhada. – a senhora está linda também.
— Que delicadeza. – sorriu Kushina em seu lindo vestido verde-água de estampas florais. – adoro me reunir com os meus queridos, isto me põe muito feliz. Por favor, sentem-se e vamos aproveitar a noite.
Hinata se sentou em uma poltrona próxima a um divã ao lado de Ino e Haru, as jovens loiras conversavam animadamente sobre a moda londrina daquele ano. Mas a morena não conseguia prestar atenção na conversa, mesmo olhando apenas suas mãos podia sentir a forte presença do Uzumaki.
Em um momento, não aguentando mais a curiosidade voltou-se discretamente para Naruto, no entanto ele não a olhava mais, estava entretido em uma conversa com seu amigo Sir Sabaku que havia chegado poucas horas antes.
— O vermelho lhe cai bem. – elogiou Ino animada.
— Oi? – indagou perdida.
A loira sorriu e olhou para o outro lado da sala, onde se encontrava Naruto e Gaara.
— Lhe disse que vermelho lhe cai bem. – aproximou um pouco mais a cabeça da Hyuuga e lhe sussurrou. – e o vermelho é uma das cores que ele mais gosta.
— Quem? – pergunto com o rosto queimando.
— Quem mais?! Naruto – sorriu de orelha a orelha.
Seu olhar se dirigiu para o homem elegante próximo a lareira, e naquela fração de segundo encontraram os incríveis olhos azuis, e o que viu a assustou, estava escuros e intensos. Sentiu um tremor na base da espinha. Havia visto desejo naqueles olhos?
— Não sei do que está falando. – respondeu rígida olhando para o outro lado.
Depois daquele olhar nada mais aconteceu, o resto da noite transcorreu tranquilo. O jantar foi um verdadeiro banquete havia todos os tipos de pratos exóticos e tradicionais. Não haviam economizado na comida e Hinata nunca comera tão bem. Estava tão esplendido que Kushina fez questão de parabenizar o cozinheiro que inflou como um pavão de tão orgulhoso que ficou.
Havia se divertido muito, mas algo havia lhe incomodado a noite inteira e esse incomodo se chamava Uzumaki Naruto. Ele não tinha lhe dirigido à palavra e muito menos um olhar a noite toda, no entanto, Hinata tinha certeza que lhe fez sentir sua esmagadora presença. Durante todo esse tempo dedicou sua inteira atenção a jovem debutante Shion que não cabia em si de tanto orgulho. Kushina observava o desfecho da noite pesarosa, todos os seus esforços para emplacar uma conversa em que se encontrassem os dois jovens não havia tido sucesso. Naruto fazia questão de ignorar a presença de Hinata e mesmo que ela não quisesse ter a atenção do nobre sentia um forte desapontamento no peito.
Estava triste, decepcionada. Por quê? Por que não era para ela aquele sorriso maroto e encantador, nem o destino daquele olhar travesso, de alguém que está preste a fazer uma traquinagem. Sentiu seu coração contrair e as lagrimas nublarem seus olhos.
— Com licença. – pediu quando as mulheres se serviam de chá na sala de estar enquanto os homens fumavam um charuto na biblioteca ao lado.
Afinal o que estava acontecendo com ela. Não tinha nenhuma relação com aquele homem e nem a queria. Então por que chorar por seu abandono?
— Desculpa – murmurou ao se chocar com um empregado que passava pelo escuro corredor. – Eu...
— Tsk. Mal educada como sempre. – zombou uma voz rouca.
— O-o qu-que vo-voce faz aqui? – gaguejou olhando para os lados, confusa.
— Preciso dar-lhe explicação por onde ando ou o que faço?!
— Não. – respondeu Hinata, como podia um único ser humano causar-lhe tristeza e irritação em um período tão curto de tempo. – com sua licença. – pediu escondendo os olhos nublados.
— Onde pensa que vai? – sussurrou Naruto segurando firmemente o braço de Hinata. – não comecei.
— Começou o que?
Um sorriso perverso surgiu no rosto de Naruto. Havia tentado, jurado que não iria prestar atenção naquela mulher, mas fracassara nesse intento. Ela estava tão irresistível naquele vestido vinho que revelavam mais do que podia imaginar um dia ver. Não conseguira ficar longe dela. Estava ali como um idiota implorando que ficasse só para se embriagar mais com seu doce perfume.
— Oras, acha que me esqueci de nosso acordo – sussurrou no ouvido sentindo uma onda de prazer quando a mulher estremeceu – quero brincar.
— A-agora?
— Sim. – sorriu empurrando gentilmente Hinata para dentro de uma sala.
O recinto era amplo e mal iluminado. Apenas algumas lâmpadas estavam acessas e uma lareira com o fogo quase extinto. O lugar tinha cores sóbrias e enormes estantes forradas de livros, além de uma pesada e imponente mesa de madeira de lei vinda do Brasil e uma poltrona de espaldar alto. Parecia o escritório do Visconde Uchiha.
Abraçou o corpo contendo o tremor que sentia, naquele instante era apenas uma presa diante do predador, um leão faminto. Sim, ele estava faminto, pois lhe devorava com os olhos.
Em silencio e olhando para ela moveu com a graça de um predador em direção ao aparador enquanto era observado atentamente por Hinata. Despreocupado serviu duas taças com whisky e voltou-se para junto de Hinata.
— Toma – ofereceu a jovem com um sorriso misterioso nos lábios.
— Não bebo – murmurou Hinata assustada.
— Não faça isso Milady, não queira me ver zangado – advertiu com um belo sorriso no rosto.
Hinata sentiu as pernas tremerem. Estava em perigo. Apanhou o copo entre as mãos tremulas e bebeu um gole. Não cairia mal no final das contas beber um pouco, talvez a ajudasse a encontrar alguma saída para aquela situação. Precisava sair daquela sala o quanto antes. O liquido desceu pela garganta esquentando o corpo. A tontura momentânea provocada pelo álcool lhe revigorou a coragem desaparecida.
— Não estou gostando disso – disse por fim com mais coragem.
— Não?! – arqueou uma sobrancelha, irônico.
— Claro que não. Não admitirei que me trate assim, Milorde.
— Assim como?! – perguntou se aproximando mais do corpo frágil e sedutor de Hinata. Era divertido encurrala-la como um ratinho.
— Assim. – murmurou nervosa bebendo outro gole de whisky que desceu ainda mais quente pela garganta. – sendo encurralada como uma criminosa.
— Eu?! – exclamou com uma surpresa inocente. – jamais faria isso. Se bem que - deu mais um passo em direção a Hinata. – não seria difícil que você estivesse envolvida em algum crime passional.
— Eu não. Nunca!
— Sim. Provavelmente alguém já morreu de amores por você. Não me parece ser uma mulher que se importa com seus pobres admiradores. Afinal, deixou plantados muitos em Londres. – murmurou bem próximo do corpo delicado.
A Hyuuga tentou protestar, dizer que nunca tivera uma pretendente e muito menos uma legião de admiradores, mas as palavras se perderam no caminho. Naruto a mantinha presa no braço forte apertando-a contra o corpo rígido dele.
— Eu não sou tolo como os outros e não serei um brinquedo em suas mãos – murmurou no ouvido da dama que quase desfaleceu.
Estreitou-a em seus braços enquanto ela apertava inutilmente a camisa de linho branca para escapar, mas logo se deixou envolver tremula. Naruto lentamente desceu o rosto para o da Hyuuga. Antes que sua firme boca a tocasse sequer, sentiu-a totalmente desorientada, até parecia uma virgem inexperiente, coisa que ele sabia que não era. O demônio rugiu no peito. Desceu ainda mais a cabeça roçando os lábios na face corada em uma lenta sedução. Hinata sentia a caricia de seu folego na pele a queimando. O fogo do inferno, pensou vagamente, arqueando as costas. Eram as chamas do demônio a tentando e ela aceitando muito bem disposta seu convite diabólico.
Percorreu lhe os lábios com a língua, com uma delicadeza tão sensual que Hinata sentiu as penas fraquejarem. E então a raposa demônio pegou suavemente o lábio inferior com os dentes e quase Hinata perdeu os sentidos. Não estava preparada para aquele ataque, nem sequer imaginou que uma sedução se daria assim, nem com as instruções de Kurenai. Mas Naruto continuou implacável. Sentiu um estremecimento de desejo no fundo dela e deixando escapar um gemido de prazer quando ele introduziu a língua em sua boca e tudo girou. Apoiou-se no corpo do seu algoz como se fosse sua única tabua de salvação enquanto ele devorava sua boca e levava sua alma para longe.
— Muito bom – murmurou Naruto, com a voz rouca e sedutora recuperando o folego. – cada vez melhor madame. Perita nessa arte.
Hinata ruborizou intensamente diante do comentário.
— Como ousa ofende-me quando é você que me agarrou?!
Riu sem poder evitar, e a estreitou com mais força, aumentando a pressão das mãos ao redor dela. Estava ali ardendo de desejo e ela agindo como uma pobre virgem.
— Ah! Mas se me lembro bem foi você quem começou. Achei que estava mais do que acertado eu apresentar minhas armas. Não acha?
— Aquilo foi outra situação – murmurou
— Outra situação? Não vejo diferença alguma nesta aqui – sorriu. – vamos, como quer que eu prossiga? Ou posso escolher a melhor opção. Não me importo de ser aqui no sofá.
O coração parou no peito ao ouvir proposta tão indecente. Ele realmente estava levando a serio aquele blefe.
— De modo algum, não, eu não...
As palavras foram abafando por Naruto que voltou a beija-la e, gemendo de prazer, a fez retroceder até deixar as contas apoiadas na parede, esmagando seus pulsos contra o frio concreto. A boca de Hinata era doce com um leve toque de amargo do Whisky. Sua pele ardia ao contato daquela mulher excitada, e de repente se surpreendeu percebendo que era a primeira vez que tentava refrear o libertino que havia nele. Queria devorá-la, mas antes precisava, necessitava torturá-la pelo orgulho ferido. Suspirou ao mesmo tempo em que Hinata derretia em seus braços.
— Desejo devorá-la – lhe sussurrou.
— Sim? – murmurou inconsciente, com a respiração entrecortada e perdida em um negro vazio que lhe roubava totalmente a capacidade de raciocinar.
Rendia-se com uma meretriz nos braços daquele homem pecaminoso. Sem um mínimo de vergonha.
— O que devo fazer? – disse Naruto com a boca junto a dela – Salve-me Hinata.
— Sa-salvá-lo? – sussurrou Hinata ao mesmo tempo assustada e excitada.
— Sim. Salve-me de você. É melhor que tudo o que acariciei em minha vida. – murmurou tocando com os dedos lentamente a têmpora de Hinata. Os olhos azuis estavam escuros de desejo e a Hyuuga se viu perdidas neles.
Aquilo era uma sedução? Se o era, agora entendia como tantas jovens caiam em desgraça. Como resistir àquelas palavras tão doces, aquele toque. Era a perdição.
— Por favor, Hinata – implorou numa voz urgente e rouca.
A única finalidade, disse a si mesmo, era fazê-la entender que não se brincava com o Sexto Duque Uzumaki, e que estava anos luz na arte da sedução. Mas não imaginava que lhe arderia o corpo de tanto desejo, que ferveria lhe o sangue nas veias e principalmente seu autodomínio minguaria com um castelo de barro sob a chuva em apenas beija-la em uma sala escura.
— Por favor. – voltou a repetir. – feche os olhos.
Como uma boneca Hinata fechou, e ele voltou a beijá-la na boca, absorvendo avidamente seu suspiro de excitação, seduzindo até o último fôlego. Até que de repetente parou. Hinata suspirou em protesto até perceber que ele se afastava dela. Ao abrir os olhos notou que Naruto olhava com o cenho franzido para a porta.
Logo esta abriu.
— Oh! Desculpa. – murmurou uma loira muito constrangida – interrompi algo.
— Sim..
— NÃO. – interrompeu Hinata, aproximando com passos rápidos ao mesmo temo vacilantes em direção de Ino. – não atrapalhou em nada. – sorriu Hinata muito nervosa.
Era sua chance de escapar do lobo, pelo menos por hora.
— Não mesmo? – olhou um tanto descredita.
— Na-na verdade, su-sua Excelência estava me propondo.. – olhou para os lados um pouco apavorada, não sabia o que dizer e também não poderia ficar expondo seu rosto em chamas para Ino, logo essa perceberia se já não estava desconfiada que eles estavam em um interlúdio amoroso.
— Propondo o que? – indagou Naruto irônico, cruzando os braços na altura do peito.
Hinata vasculhou a sala em busca de uma ideia até que seus olhos perolados pousaram em uma mesa de jogos.
— Propondo me ensinar a jogar poker – sorriu.
— Poker? – repetiu Naruto.
— Que legal! – exclamou Ino animada. Esse tipo de jogo não era permitido para damas de respeito.
— Quando foi...
— É muito gentil da parte de Sua Excelência me ensinar. Quer aprender também Ino?
A loira olhou meio receosa para Naruto que não parecia nada animado.
— Não sei. – falou incerta.
— Me recuso a ouvir uma negativa. – insistiu Hinata, mais confiante, com a presença de Ino tudo ficaria bem – vamos.
Puxou a loira até a mesa.
— Sua Excelência não vem? – indagou com um lindo sorriso no rosto e um certo brilho travesso no olhar.
Ela estava burlando-se dele, percebeu. Mas não seria por muito tempo. Isso ele tinha certeza, pensou enquanto se encaminhava em direção as damas.
Neji se encostou à cadeira olhando muito sério para a pequena missiva que acabara de receber. Há uma semana havia contratado um detetive particular para descobrir o paradeiro de sua prima e as noticias não eram lá muito agradáveis.
— Do que se trata? – perguntou uma mulher de longos cabelos negros e feições calmas. – noticias de Hinata?
— Digamos que sim querida. – murmurou com o cenho franzido.
— O detetive a encontrou? Ela esta bem? – parecia realmente preocupada.
Neji olhou a esposa, Yui era uma mulher muito bonita, calma e serena, transmitia uma tranquilidade e conforto a todos ao seu redor muito ao contrario dele, que sempre de algum modo intimidava seus empregados e conhecido. Era totalmente diferentes ele muito serio e ela muito alegre, mas era nessas diferenças que se complementavam.
— Temo o pior.
— O não! – exclamou Yui cobrindo a boca com as mãos, os olhos começando a marejar. – Ela não..
— Não, de modo algum. Hinata está viva, mas suas atitudes estão muito estranhas. Começo a me preocupar com sua saudade mental.
— Por quê? O que ela fez.
— Pelo que me diz o detetive Hinata vendeu todas as suas ações por um montante de vinte mil libras.
— Isso é bom. – sorriu interrompendo o marido.
— Seria. – continuou Neji calmamente – se não tivesse se demitido da casa dos Inuzukas viajado para Londres sem nenhuma acompanhante e se instalado no Landmark Hotel na suíte mais cara.
— A Hina-chan fez isso?! – exclamou a mulher incrédula.
— Sim. O fez. E tem mais. Comprou roupas caríssimas e saiu para passeios, opera além de frequentar bailes sem nenhuma proteção a não ser por uma jovem desconhecida a quem contratara. E para piorar tendo como companhia também uma das Condessas mais escandalosas de Londres, Namikaze Kushina e sendo vista ao lado de um libertino terrível, um tal de Uzumaki Naruto. – balançou a cabeça não contendo toda a consternação diante de tais atos impensáveis – ela só pode está ficando louca.
A morena olhou o marido, um homem forte, de expressão determinada e começou a rir descontrolada. O Hyuuga arqueou uma sobrancelha, confuso.
— Do que está rindo Yui?
— De você – respondeu quando conseguiu controlar o acesso de riso.
— De mim?
— Sim. Você poderia deixar de ser tão protetor e responsável pelo menos uma vez em sua vida.
— Não sou assim. Apenas estou preocupado com os meus. Hinata não sabe os riscos que corre. – murmurou um pouco constrangido.
— Eu acredito que ela saiba muito bem o que está fazendo. Não vê Neji, finalmente ela floresceu.
— Como?
A mulher segurou com carinho as mãos do marido e lhe sorriu.
— Finalmente Hinata resolveu viver. Sempre achei tão triste o modo como levava a vida.
— Que absurdo Yui, Hinata era uma mulher responsável e decidida..
— E infeliz. – interrompeu a morena determinada. – será que nunca percebeu como ela sofria a sombra de solidão que havia em seus olhos. Alegro-me por ela ter se aventurado por esse caminho. Quem sabe agora ela não encontre a felicidade.
— Mas Hinata nunca reclamou.
— Ela nunca reclamaria Neji. – balançou a cabeça pesarosa, Neji era um homem teimoso e determinado como a sua prima e todos os Hyuugas, não adiantaria discutir com ele, seria uma batalhas perdida. – o que pretende fazer?
— Vou busca-la. O detetive descobriu que ela está na casa de campo da Condessa Uchiha. Irei amanha mesmo.
Yui sorriu rezando para que Hinata conseguisse escapar do primo. Neji amava a prima, mas não entendia o coração de uma mulher. Precisava agir logo.
— Não fale alto. – repreendeu uma mulher. – podem acordar.
— Desculpa – cochichou outra.
— Então poderiam me dizer qual é o motivo para essa reunião clandestina na calada da noite? – indagou a mulher ruiva com as mãos na cintura. O penhoar estava meio aberto deixando a vista de todos os seios farto.
— Bem – começou a loira – tenho algo muito importante para falar. - suspirou com um ar dramático.
— Desembucha Ino-porca. – resmungou Sakura. Não sairia a escondida de sua aquecida cama ao lado do marido para ser expectadora dos melodramas de Ino. Nem queria imaginar a ira de Sasuke se descobrisse que não estava ao seu lado. Ele era muito possesivo às vezes.
— Não me interrompa testuda.
— Olha sua...
— Calem as duas. – ordenou Kushina muito irritada. – diga logo Ino.
— Bem. Lembram-se que sai logo depois da Hyuuga-san? – as mulheres assentiram.
— Na verdade ela estava estranha. – murmurou Sakura pensativa.
— Então - voltou a falar a loira irritara pela intromissão de Sakura. - estava passando pelo corredor quando ouvi um barulho, achei que fosse de algum animal, quando entrei na sala, não sabem o que vi – arqueou as sobrancelhas com uma expressão dramática. Sakura teve a vontade de socar lhe à cara.
— O que você viu porca?
— Olha como fala comigo...
— Ino!
— Ah, Sim. Eu vi Naruto e Hinata. Parecia que estavam se beijando.
As mulheres se entreolharam, surpresas.
— Mas eles fingiram é claro e Hinata veio em minha direção dizendo que Naruto tinha proposto ensina-la a jogar poker.
— Você os deixou a sós, não foi?! - indagou Kushina muito seria. Desejava que tudo corresse bem, precisava que corresse bem.
— Na verdade não. – mordeu o lábio inferior sentindo-se culpada.
— Por que não? – olhou furiosa a loira.
Ino se encolheu na cadeira apertando o robe sob o olhar da condessa. Kushina era linda e muito gentil, mas conseguia se tornar também implacável quando alguém fazia algo que não lhe agradava. Não era atoa que quando era mais jovem as amigas a haviam apelidado de pimenta sangrenta. Era temida e respeitada por todas.
— Não tive outra escolha Hinata não me deixou partir. Ficamos o resto da noite jogando. Até que foi divertido. – murmurou pensativo.
— Isso significa que nem tudo está perdido. – murmurou Haru pensativa.
— Isso minha querida. – concordou a ruiva – mas que casal mais complicado.
— O que faremos agora. Tem também a baronesa.
— Era disso que estava pensando. Precisamos achar um meio de fazer meu teimoso filho ficar ao lado de Hinata.
— Mas será que ela está mesmo interessada? Ela parecia tão assustada quando entrei.
Haru mordicou os lábios nervosa. Havia prometido que não iria dizer a ninguém os planos de Hinata. Mas não faria tanta diferença aquelas mulheres estavam realmente determinadas em juntar os dois. Mesmo contra a vontade deles.
— Ela está sim. Posso ver nos olhos dela. Mas como vamos uni-los. – insistiu Kushina. Queria muito ver seu filho feliz e seu instinto de mãe lhe dizia que aquela mulher era a certa. Hinata o faria feliz, mas temia que sendo o seu filho teimoso como era, acabasse não enxergando a grande verdade. Por isso iria intervir naquela história.
— Eu tenho uma ideia.
Todas olharam para quieta Haru na expectativa.
— Hinata não sabe montar a cavalo, mas sempre teve vontade de aprender.
Um estonteante sorriso surgiu nos lábios da Condessa.
— Cavalgar. Perfeito menina, brilhante.
— Então, amanha iremos cavalgar? – indagou Ino curiosa.
— Acho que sim querida. – confirmou Kushina já desenvolvendo o plano b.
Uma mulher encostou-se a porta. Sim Cavalos, Hyuuga. E então algo surgiu em sua mente. Sim, já ouvira aquele nome, Hyuuga, a preceptora dos Inozukas. Seus olhos opacos e cruéis se estreitaram. Não podia acreditar que ela não passava de uma plebeia, preceptora. Como ousava se atrever no caminho de sua filha, mas já sabia o que fazer para parar aquela mulher.
Sorriu.
Naquela manha definitivamente tiraria uma pedra do caminho.
...
Olá peço mil perdões por ter esquecido de postar aqui, mas no entanto não foi inteiramente minha culpa a demora do capitulo, o meu final de ano vou muito tumultuado, primeiro a facul, depois os preparos para me mudar de casa e por ultimo a falta de internet devido a demora da operadora em instalar a linha, resumindo, não postei aqui...
Peço desculpas e gostaria de agradecer todos os comentário, muito obrigado.
Espero que tenha apreciado o capitulo, se alguém ainda estiver acompanhando a fic =.=
Inté mais o/
