Capítulo 10 - O Tempo Passa.
MEU PEQUENO HERDEIRO
SAKURA
Três meses haviam se passado e agora eu estava com cinco meses de gestação. Minha barriga estava grande o suficiente para aparecer nas roupas largas que eu agora usava, não tinha como mais esconder, não que eu estivesse escondendo.
Contei para a Mizukage que estava grávida no mês retrasado, pois não podia esconder dela. Ela ficou espantada e me perguntou como eu tinha engravidado, pois não se ouvia boatos de eu ter algum namorico pela aldeia ou coisa assim. Ela até cogitou a ideia do pai ser Chojuro - seu braço direito -, pois nós tínhamos nos tornado muito amigos nesses meses em que eu estava aqui na aldeia.
Espantei-me e logo disse para ela que o pai do meu filho era de Konoha. E pedi para que não falasse nada para o pessoal de lá. Ainda estava muito magoada com o Sasuke e não queria que ele soubesse desta gravidez, não ainda. Não iria interromper a missão para voltar a Konoha. Iria ter meu filho aqui e concluir a missão para depois voltar.
Esse tempo que ficarei longe de Konoha será perfeito para pôr minha cabeça no lugar e agir com cautela, para não cometer os mesmos erros que cometi.
Não vou privar o meu filho de conhecer o pai, longe disso, mas só sinto muito dele não o conhecer cedo. Sei que estou sendo egoísta de privar meu filho nos primeiros anos de sua vida sem o pai, mas não tenho a mínima estrutura emocional de encarar o Sasuke de frente depois de tudo que ele me fez.
Eu iria desmoronar novamente.
Também nem sei como será sua reação quando souber que é pai. Talvez ele fique feliz e contente, pois este será uns de seus objetivos concluídos, reconstruir o clã Uchiha depois do massacre. Ou talvez ele nem queira, que me despreze novamente, que rejeite o meu filho, quer dizer, o nosso filho.
Eu já o amo tanto, mesmo aqui dentro, eu o amo como nunca. É um pedacinho de mim que crescia aos poucos, um pedacinho daquele cretino que ainda amo tanto.
Talvez eu nem saiba como será minha reação neste dia quando ficar cara a cara como ele. Quando o dia chegar para colocar os pontos dos "Is". Mas uma coisa eu sei, não vou deixar meu filho desamparado, e nem sofrer se quando o pai o rejeitar. Eu vou estar lá firme e forte para protegê-lo, como uma leoa que protege sua cria. Não vou deixar ninguém o machucar e nem o ferir. Passarei por cima de tudo e de todos. Viverei apenas para ele, dedicarei todo o meu amor e atenção que ele precisa.
Estava no restaurante de dangos - uns dos melhores por aqui -, pois estava com muita vontade de comê-los. Desejo de grávida eu acho. Sempre achava que isto era frescura, mas eu garanto que isto não é. A vontade aparece quando você menos o espera. Sem contar os enjoos horríveis.
Agora está ameno, pois sentia muito pouco, mas no começo da gravidez foi horrível. Lembro que tinha vezes que eu parava no meio do treinamento dos novos recrutas médicos para voltar para casa, pois estava incapacitada de continuar. O bom eram que todos me compreendiam e eram atenciosos comigo, principalmente Hotaru. Ela tinha se tornado uma ótima amiga.
— Olá, Sakura, sozinha por aqui?
Ergui meu olhar vendo Chojuro parado de frente para a minha mesa. Abri um sorriso animado. Tinha semanas que eu não o via.
Chojuro era um belo rapaz. Cabelos curtos num tom azulado claro, pele pálida e olhos pretos por detrás dos óculos de grau. Ele era um dos sete espadachins da nevoa e braço direito da senhora Mizukage. Chojuro era um amor de pessoa, e eu tinha muito afeto por ele. Era ele que me deixava para cima quando estava para baixo. Era ele que passava o seu tempo livre comigo para não me deixar sozinha. E ele vinha sendo um bom amigo comigo. Ele era tímido, mas bem legal.
— Chojuro, você anda sumido. – minha voz soou animada, deu um gole do meu chá verde.
— Estava em missão. - ele sentou-se na cadeira em minha frente. – Acabei de chegar e estava passando quando te vi aqui. Vim te dizer olá.
Ele abriu um sorriso mostrando seus dentes pontudos. Geralmente Chojuro é bem tímido, mas acho que ele superou esta timidez comigo.
— Olá! – disse sorrindo e apontei para um prato cheio de espetinhos de dangos. – Aceita?
— Não, obrigado. – ele olhou para minha barriga. – E como vai o bebê, futura mamãe?
— Vai bem, anda chutando muito ultimamente. - sorri dando uma mordida em meu dango. Amava falar de meu filho quando perguntavam. Acho que vou ser uma mãe coruja.
— Já sabe o sexo do bebê?
— Sim. Bati outra ultrassonografia semana passada e deu para ver. É menino.
— Um campeão. – sorriu, e de repente ele ficou sério. - E o pai, Sakura?
Meu sorriso foi morrendo aos poucos.
— Não quero falar sobre isso, Chojuro.
Não gostava de falar quando alguém perguntava sobre o pai de meu filho. Sasuke pode ter sido emancipado de seus crimes, mas muita gente ainda o odeia e o julga por ter virado um nukenin, se juntado a Akatsuki e feito várias atrocidades. Mesmo ele ter voltado para o nosso lado o passado dele ainda o condenava.
— Tudo bem. Não está aqui quem falou. – ele levantou as mãos para cima em sinal de rendição. - Mas uma hora essa criança vai perguntar pelo pai.
— Eu sei, e não vou mentir para meu filho quem é o pai dele. – suspirei. - Mas só não estou preparada para este assunto agora.
— Você sabe que pode contar comigo para o que precisar, não é?
— Sim.
— É sério, Sakura. Não hesite em nada. - Chojuro me fitava tão intensamente que fiquei um pouco desconfortável. Ele corou levemente. – Eu gosto muito de você, não quero que sofra. Eu percebi que você está muito magoada e acho que isso tem a ver com o pai de seu filho.
— Chojuro...
Ele me interrompeu.
— Não, Sakura, não me interrompa. E-eu gosto mesmo de você, quero ficar com você. Você é linda, simpática e linda. Eu acho que estou apaixonado por você.
Droga. Isso não pode estar acontecendo. Bem que eu sentia que ele me olhava diferente esses dias. Ele era super atencioso comigo, mas eu não podia acreditar que ele estava apaixonado por mim. Não quero ferir seus sentimentos, mas não estou em condições de amar ninguém. Meu coração está muito ferido, e talvez essa ferida não cicatrize nunca.
— Chojuro, eu adoro você. Sério. Você é muito legal, mas eu não posso. – balancei minha cabeça para os lados. – Eu sinto muito, mas não posso corresponder seus sentimentos. Eu estou muito machucada, e eu acho que nunca vou amar alguém novamente. Desculpe.
Vi seus olhos abaixarem e fitar algum ponto da mesa que não sejam os meus. Eu me sentia péssima por deixá-lo triste, pois não posso fazer nada. Levei minhas mãos para frente e agarrei sua mão, o fazendo seu olhar pairar em mim. Sorri amigável.
— Olha, você é um cara muito legal, um fofo, mas eu não o amo.
— Você o ama, não é?
Franzi o cenho, sentindo meu coração acelerar.
— Ele quem?
— O pai do seu filho.
Suspirei cansada, largando sua mão. Sorri amarga.
— Eu sou um caso perdido.
— Ele é muito babaca por não querer uma garota linda como você.
Corei, e meu sorriso se tornou tímido.
— Não fique com raiva de mim. – disse eu. – Eu gosto de você, Chojuro, mas como amigos.
Chojuro suspirou derrotado e deu um sorriso triste.
— Tudo bem, Sakura. – ele me olhou. – Não vou ficar com raiva de você. Acima de tudo você é minha amiga.
Sorri animada.
— Obrigada, Chojuro.
— Não precisa agradecer. Gosto de ser seu amigo. – disse ele sincero.
— Também gosto de ser sua amiga.
Ficamos algum tempo conversando, tínhamos deixado aquele assunto constrangedor de lado. Mas alguma coisa me dizia que aquele assunto ainda seria abordado.
SASUKE
Fazia sete meses que a Sakura havia saído para esta missão. Três meses atrás os médicos, junto de Lee e Neji voltaram para Konoha, mas ela não veio. Sentia um vazio grande em meu peito, como se eu tivesse perdido algo muito valioso. E é claro que perdi. Perdi a pessoa que mais me amou, e por um orgulho besta meu.
Realmente eu mereço tudo de ruim mesmo. Eu não passo de um fodido de merda, que fode com tudo. E fodi a única chance que tinha de ser feliz.
Meses atrás puxei assunto com quem não quer nada com o idiota do Naruto. Perguntei, quando Sakura voltaria, mas ele me disse que não sabia. Tudo dependia quando ela concluísse a missão, em dois anos no mínimo.
Droga!
Dois anos era muito tempo, tempo demais. Mas quem eu quero enganar, eu praticamente humilhei a garota depois de uma noite que passamos juntos. À noite em que ela havia se entregado para mim. Fui o único que tinha a tocado, o seu primeiro homem.
Maldição, mil vezes maldição.
Como eu disse, eu mereço ser sofrer mesmo. Eu sou o meu pior inimigo. O melhor que eu tenho que fazer era deixá-la em paz, mas o problema era que eu sou egoísta demais para deixá-la ir. Só de imaginar ela com outro cara a tocando me deixava insano. Um ódio crescia dentro de mim. Ela era minha, só minha.
Estava voltando para casa depois de um dia cansativo de trabalho nas reconstruções da vila. Eu já estava de saco cheio disso, não via a hora dos outros meses acabarem para poder voltar a fazer missões. Pelo menos assim a tiraria um pouco de minha cabeça.
A nova posse do Kakashi foi meses atrás, fiquei surpreso quando soube que ele se tornaria Hokage. Quem diria. Pensei que Naruto ficaria bolado com isso, pois não seria dessa vez que ele realizaria seu sonho, mas ele levou isso numa boa. Parece que meu amigo estava realmente crescendo psicologicamente, mas para mim ainda continuará um idiota.
Ele ficou bem popular aqui na vila depois que salvou o mundo da guerra, todos o amavam. Acho que agora se tornou ao contrário, agora todos me desprezam e todos amavam o Naruto.
Fazer o quê?
As ruas estavam escuras e poucas pessoas passavam pelas ruas. Eu caminhava por aquelas ruas desertas até chegar o meu novo apartamento, onde agora era meu lar. Um pouco mais a frente havia alguém encostado a uma parede de uma casa qualquer. E conforme eu me aproximava eu percebia que era uma velha senhora que estava vestida um pouco molambenta. Ela olhava para o chão, enquanto uma trouxa de pano enrolada estava ao seu lado. Ignorei e passei em frente dela, mas sua voz rouca ecoou pela rua deserta:
— Você acha que ferrou com tudo, não é?
Ignorei e continuei a andar. Velha louca.
— Deixou a chance de reconstruir sua vida passar por suas mãos. – ela continuou, e isso aguçou um pouco minha curiosidade, mas continuei andando. – Mas não se aflija, pequeno Uchiha, você tem sorte, terá uma nova chance.
Parei de andar quando a velha disse meu sobrenome. Virei-me bruscamente para trás, encontrando-a a alguns metros de distância, no mesmo lugar. Ela olhava para o mesmo ponto no chão.
— Quem é você? – perguntei.
Ela ergueu o canto da boca para cima.
— Alguém. – disse ela, franzi o cenho.
— Só me faltava essa, perder meu tempo com uma velha gagá. – virei meus calcanhares para ir embora, mas a velha voltou a falar:
— Alguém que foi de extrema importância para você e que partiu desta vida, voltará. Mas voltará reencarnado no corpo de outra pessoa que está para vir a este mundo.
Parei no mesmo lugar e voltei a olhar para trás.
— Do que você está falando?
— Em breve você saberá. – e pela primeira vez ela olhou para mim. Seus olhos estavam brancos. Ela era cega. – Você vai ter outra chance de ser feliz, só basta saber fazer as escolhas certas.
— O quê...
Não tive tempo de terminar a frase, pois a velha desapareceu num redemoinho de vento. Ainda dei alguns passos para frente, mas foram em vão. A velha desapareceu, sem deixar rastros.
Fiquei algum tempo ainda parado, processando o que ela tinha dito. O que será que ela dizia? Que pessoa que estava para vir este mundo?
— Velha maluca.
Mas a única coisa que passava em minha cabeça naquele momento era o rosto da Sakura. Olhei para o céu estrelado e murmurei comigo mesmo:
— O que você deve estar fazendo agora, Sakura?
SAKURA
— Ah! Hotaru, me ajuda! — gritei o nome de minha pupila que estava em minha casa.
Estava sentindo pontadas fortes na barriga – contrações -, um líquido escorria de minhas pernas. A bolsa havia estourado, eu estava entrando em trabalho de parto.
Havia duas semanas que tinha tirado licença maternidade, e estava em casa. Minha barriga estava enorme, eu estava enorme. Havia renovado meu guarda roupa com vestidos de grávida. Nesse tempo aluguei um apartamento para viver. O quarto de meu menino estava arrumado com o berço, à cômoda completa com o enxoval, as paredes todas pintadas de azul, com detalhes de ursinhos.
— Sakura-san, aconteceu alguma coisa? – Hotaru apareceu no meu quarto me vendo apoiada com o corpo encostado na cômoda.
— Hotaru, a minha bolsa estourou. – eu dizia ofegante, enquanto sentia as dores das contrações. - Vai nascer.
— Ai meu Kami! – ela me equilibrou em seu ombro e me levou para sentar na cama. - Nós temos que ir ao hospital
Senti outra contração e gritei de dor, as contrações estavam vindo cada vez mais forte. Hotaru foi ao quarto do bebê e pegou a bolsa azul arrumada que tinha preparado para esta ocasião.
Ela voltou com a bolsa azul de ursinho pendurada ao lado de seu ombro e com o outro equilibrou meu corpo e saímos em passos lentos até a porta de meu apartamento.
Quando estávamos na rua, encontramos com Chojuro, que quando nos viu veio correndo em nossa direção com a cara assustada.
— Sakura, o que aconteceu? – ele perguntou.
— Chojuro, a Sakura vai dar a luz. – disse Hotaru com uma voz esganiçada. - Nos ajude a chegar ao hospital o mais rápido possível!
— Tá. Aguente firme, Sakura. – disse ele.
— Me leve logo, eu não aguento mais! - gritei diante da dor que estava sentindo.
Chojuro me pegou no colo e foi o mais rápido possível até o hospital. Assim que chegamos fui direto para uma marca e me levaram para a sala de parto. As dores estavam aumentando e sentia que iria morrer de tanta dor.
— Ahh!
A obstetra que tinha cuidando de minha gravidez chegou à sala de parto com sua equipe. Depois de algum tempo que pareceram dias finalmente meu filho nasceu.
— É um menino bem saudável.
Eles me mostraram e olhei aquela coisinha linda, que eu tanto amava. Lágrimas saíram de meus olhos quando o peguei em meus braços ainda sujinho com o meu sangue, e o beijei sua testa.
Meu filho.
A enfermeira pegou-o em meus braços e o levou para limpá-lo.
Meia hora depois estava no quarto, deitada em minha cama, esperando a enfermeira entrar com o meu filho. A porta foi aberta e por ela entrou Mei-sama junto de Chojuro, que sorria bobamente.
— Querida. - começou a Mizukage chegando perto de minha cama, com um olhar materno. - Assim quando soube que tinha entrado em trabalho de parto vim o mais rápido possível. Como você está?
— Destruída, mas sinto que valeu a pena os meus esforços. - me senti um pouco enfraquecida diante do esforço que tivera que fazer.
— E o bebê? – perguntou Chojuro.
— Estão para trazê-lo a qualquer momento. – respondi.
E como se minhas palavras fossem mágicas, a porta de meu quarto foi aberta, entrando Hotaru com o meu pequeno pacotinho em seus braços.
— Olha só o que eu tenho aqui? - ela sussurrou, se aproximando com o meu bebê, o trazendo até mim.
Ajeitei-me na cama e o peguei. Elas tinham dado banho nele, e ele estava cheirosinho e com as roupinhas que eu tinha trazido. Ele era branquinho, os cabelinhos ralos eram tão negros quanto o do pai.
— Ele é lindo. - disse com lágrimas nos olhos, mexendo em sua mãozinha pequenina.
— É muito lindo mesmo, Sakura. – a Mizukage estava toda derretida, passando a mão levemente na cabecinha dele.
De repente ele abriu os olhinhos e vi a cor deles. Eram verdes que nem os meus, mas a cara era do pai. Ele era muito parecido com o Sasuke.
— Ele tem os seus olhos, Sakura. - disse Chojuro.
— É. - disse o olhando. - Meu pequeno, a mamãe te ama muito. - levei meus lábios até sua cabecinha e o beijei.
— Engraçado – comentou a Mei-sama, -, ele me parece com alguém que eu conheço.
— Ele é o filho da Sakura-san, então é provável que se pareça com ela, Mizukage-sama. – disse Hotaru.
— Não. – disse ela ainda olhando meu bebê e depois olhou para mim com um olhar que dizia tudo, e sorriu irônica. – Tá explicado tudo agora.
Ela sabia quem era o pai, pela sua cara.
— Já sabe qual nome vai dar a ele? – perguntou Chojuro me fazendo desviar o olhar da mulher que me olhava para ele.
— Sim. – olhei para meu bebê.
Tinha pensado muito sobre aquele assunto, desde quando soube que era menino eu estava com essa ideia na cabeça. Não sabia por que eu estava fazendo aquilo, mas eu sentia lá no fundo de mim que eu tinha que fazer. Sentia que era o certo. Olhei para as três pessoas paradas a minha frente e disse o nome do deu filho com toda certeza do mundo.
— Ele se chamará Itachi. Itachi Haruno.
