Capítulo 9 – O Casamento

O quarto de Gina era um pouco maior que o de Rony e assim como no quarto do irmão, havia duas camas, e uma escrivaninha que ficava de frente a janela, por onde se podia ver o pomar que os meninos jogavam Quadribol. Na parede havia um pôster das Esquisitonas, uma bandeira do Puddlemere United, uma foto da garota com Guga Jones e outra foto grande dela ao lado de Rony, Harry, Hermione, Neville e Luna.

Hermione abriu a porta do quarto procurando não fazer barulho, a ruiva estava deitada, virada para a parede.

– Você demorou, - comentou Gina atenta, quando Hermione entrou no quarto, - aconteceu alguma coisa?

– Seu irmão como sempre tentando me irritar, - respondeu Hermione raivosa se sentando na sua cama e encostando-se à parede.

Gina não disse nada, só virou para ver Hermione melhor.

– Hermione, você quer me contar alguma coisa?

– Como? – perguntou Hermione um pouco tensa, se interessando mais pela borda do vestido do que encarar Gina.

– É simples, - disse Gina séria, - não é que você está estranha. Você está muito estranha, está distraída. Não está nenhum pouco parecendo com a Mione que eu conheço! Aconteceu alguma coisa entre você e Harry?

– Lógico que não! – retrucou Hermione rápido, - Harry é meu melhor amigo, você sabe disso. Não está acontecendo nada entre agente, - completou ela tentando convencer mais a si mesma.

Gina fez cara de descrença e Hermione percebeu, por mais distraída que ela estivesse, ela ainda era Hermione Granger.

– Gina, eu nunca...

– Não diga nunca Hermione, - interrompeu Gina, - nunca é uma palavra muito forte. Olha, para mim tudo bem. Eu te digo desde a primeira vez que conversamos: você e Harry têm algo diferente um com o outro. Só vocês não conseguem enxergar. Aliás, só vocês não, creio que Rony também não perceba. Mas até mesmo ele vai perceber uma hora ou outra.

Hermione estalou a língua com impaciência, mas Gina não ligou.

– Harry faz tudo o que você deseja, mesmo que não perceba! Você tem um controle sobre ele que ninguém tem. Já parou para ver o tanto que você o mudou? Eu já imaginava que isso poderia acontecer cedo ou tarde.

– Controle? Qual controle? Ele ficou com aquele livro idiota quando eu fui contra, ele sai noites seguidas por Hogwarts quando eu peço pra ele não se arriscar, você não sabe como ele é teimoso! Ele sempre está do lado de Rony! Você está totalmente enganada.

– Você não percebe Mione que Harry tem um olhar só para você? Que ele possui um modo de sorrir só para você? Algo que ele não para mais ninguém.

– Gina, pára com isso! Harry é como um irmão!

– Mione, - disse Gina, - eu nunca admiti, mas eu sempre tive um pouco de inveja por esse controle que você tem sobre ele. Nem você percebe. E olha que você sempre está atenta a tudo! Tudo isso que você disse são apenas alguns ingredientes de uma poção que não levam ao seu resultado final.

Ela fez uma pausa, Mione estava mais desconcertada do que nunca. E Gina sabia que Hermione jamais ficaria daquele jeito por causa do seu irmão.

– Eu entendo vocês dois, Mione – continuou Gina. – Quantas vezes eu te disse que isso poderia acontecer e você não me escutava? Por mim tudo bem, mas veja bem, eu não sou meu irmão. Tome cuidado com a reação dele! Você sabe como ele é cabeça dura e não tenho a mínima idéia quando ele vai perceber, ele é mais lerdo do que Harry. Eu já tive meu conto de fadas com Harry e sei que tudo que é bom dura pouco. Prefiro que ele fique com você do que uma Cho ou uma Romilda Vane da vida.

– Gina... - começou Mione completamente desconcertada.

– É até engraçado essa situação, - interrompeu Gina, os olhos brilhando de malícia – você geralmente percebe tudo em relação aos sentimentos de qualquer pessoa. Mas quando se trata de Harry, fica mais embaraçosa do que Filk agitando uma varinha.

– Agora me escute Gina...

– Eu vou descansar agora, - disse Gina se virando, - mas quando você quiser me contar o que está se passando, eu estarei aqui. Sou sua amiga, assim como você me ajudou no que pôde durante esses cinco anos. Porém não nego que eu te invejo, aliás não só eu, provável que boa parte do mundo mágico também. Não nego que gostaria de estar no seu lugar.

E deixando Hermione ainda mais perdida, Gina não demorou a adormecer.


Já passava das quatro horas da tarde quando Harry e Rony acabavam de se arrumar para o casamento. Enquanto Harry, usando suas vestes negras com pequenos detalhes verdes, tentava achatar mais sua franja; Rony se mirava no espelho realmente satisfeito consigo mesmo, o traje a rigor azul marinho dada por Fred e Jorge era bastante melhor que a marrom cheia de babados que sua mãe certa vez lhe dera. Utilizando sua varinha, Rony ainda tentava bagunçar mais o cabelo. Harry sorriu abertamente lembrando-se de alguém que tinha o mesmo hábito do amigo.

– Você já é feio o bastante Rony, - disse a voz de Fred Weasley, - Tentar piorar não ajuda.

– Em todo o caso, podemos fazer queimar sua sobrancelha e ela ficaria parecida com a do Baile do Torneio Tribuxo, - comentou Jorge, aparecendo ao lado do irmão a porta do quarto. Os dois vestiam vestes tão negras como a de Harry, ficando ainda mais idênticos.

– Seus debilóides, - respondeu Rony se afastando do espelho, mas ainda mirando seu reflexo de longe.

– Foram esses debilóides que te deram vestes a rigor Rony, - disse Harry rindo.

– Até você, Harry?

– Preste atenção no que Harry diz com sabedoria e use melhor suas palavras maninho,... - disse Jorge.

– Ou podemos fazer suas lindas vestes se tornarem marrom e cheio de rendas, - completou Fred com a varinha levantada e um sorriso malvado no rosto.

– Em todo caso, não é por isso que perdemos nosso tempo vindo aqui – falou Jorge.

– É, - disse Fred, olhando para Harry - temos um recado para você.

– Pode dizer.

Gabrielle está o esperando para você se sentar ao lado dela durante o casamento.

– Ela disse que ficaria encanthé se você o fizesse, - disse Fred com um olhar sonhador, olhando para Jorge.

Rony deu uma risadinha e Harry até começou a rir também, mas o rosto de Hermione veio a sua mente e ele mudou sua fisionomia.

– Digam a ela que eu não posso, - disse Harry.

– É claro, - comentou Jorge, o olhar tão sonhador quanto Fred, - se você não for com Rony, ele vai acabar ficando com Tia Muriel.

– Ah, calem a boca! – disse Rony, Harry abafou o riso.

– Bem, na realidade, papai quer conversar com você Harry. Ele pediu para te chamar, - disse Jorge.

– Ele está na garagem, se divertindo com o Anglia como um trouxa que está aprendendo a dirigir - falou Jorge.

– Em todo caso, precisamos ir, vemos vocês no casamento, - comentou Jorge se virando para sair.

– Temos uma surpresa para aprontar e umas primas veela para aguardar, - disse Fred piscando para Harry e acompanhando o irmão.


Harry encontrou o Sr. Weasley sem problemas, o único entrave foi quando passou perto ao quarto de Gina, e o garoto teve vontade de entrar lá para ver o que elas estavam fazendo.

– O senhor me chamou Sr. Weasley? – indagou Harry entrando na garagem.

O pai de Rony estava examinado o Ford Anglia atentamente, e se assustou quando Harry chamou por ele.

– Você veio rápido Harry, - disse sombriamente, usava veste marrom escuro, sua careca mais reluzente que o costume.

Ele retirou os olhos do carro e olhou para o garoto. Harry ficou aguardando o pai de Rony se manifestar.

– Queria conversar com você, Harry. Pensei em conversar com você mais cedo (Harry corou um pouco, mas o Arthur Weasley pareceu não notar), porém você estava com Hermione e eu não quis atrapalhar.

"Rony me contou que vocês não vão voltar a Hogwarts, disse que vocês têm uma missão a cumprir e se negou a me dizer qualquer coisa a respeito. Eu não preciso pensar muito para imaginar o que é Harry, se eu estiver seguindo uma linha de pensamento razoavelmente correta, creio que você está seguindo ordens de Dumbledore, certo?"

– Está sim senhor. Eu não queria que Rony e Hermione viessem comigo, vai ser muito arriscado, porém eles não me escutam.

– Você sempre muito preocupado Harry, mas eles jamais vão deixar você sozinho. Amigos servem para isso.

"Eu não vou perguntar para onde vocês vão ou qual é o motivo dessa partida. Se Dumbledore não nos contou nada, ele realmente tinha suas razões e na maioria das vezes estava certo em relação a melhor decisão a ser tomada."

Ele tornou a olhar com carinho o Ford Anglia a sua frente.

– Eu tentarei explicar a Molly depois que vocês partirem. Ela levará um choque, ficará com muita raiva, você sabe, mas ela entenderá. Vocês já têm uma data de partida?

– Iremos depois do casamento, - respondeu Harry, achava que não tinha porque esconder a verdade do Sr. Weasley.

– Entendo. O nosso futuro é sombrio Harry, eu trabalho, desde que saí de Hogwarts, no Ministério. E nunca, nem mesmo na última vez que Voldemort tentou assumir o controle, tivemos uma situação tão ruim. Infelizmente, creio que o Ministério cairá a qualquer instante, pois não temos mais alguém como Dumbledore que mantinha Voldemort com certo receio de agir. Ou na melhor das situações, mergulharemos numa guerra civil.

O Sr. Weasley voltou a encarar Harry nos olhos e passando levemente pela sua cicatriz.

– Eu desejo sorte a você e aos meninos, nessa jornada. Sinto intimamente que o futuro está ligado ao sucesso de vocês. E o incrível, é que eu fico relativamente tranqüilo quando penso sobre isso. Dumbledore dizia que você era nossa maior esperança, e quando falava isso, dizia com uma paz impressionante. Sei que enfrentaremos tempos mais difíceis do que nunca, aliás, já estamos vivendo. Mas eu tenho fé em você, Harry.

Harry sorriu constrangido, queria ser poderoso como todos achavam que ele era, gostaria de saber das coisas como Dumbledore, e as palavras do Sr. Weasley poderiam ser encorajadoras por um lado, mas pelo outro dava-lhe mais responsabilidade. Não disse nada, contudo, se sentiria desalmado se falasse.

– E que você seja forte, Harry, - continuou o Sr. Weasley. - Tenho certeza que você já sabe que em uma guerra, o lado mais afetado é o lado certo, porque aqueles que lutam pela felicidade e pela paz sofrem mais pela perda dos seus entes queridos. Foi assim na última vez, e dessa vez tenho certeza que não mudará.

"E é por isso Harry, que eu lhe faço uma pergunta. Você está preparado para matar? Está preparado para usar as maldições imperdoáveis se precisar?"

– Ah...

Ele não sabia responder, não havia pensado nisso. O Sr. Weasley lhe deu um olhar paterno que só podia ser igualado ao que Dumbledore e Sirius lhe deram certas vezes.

– Eu entendo sua indecisão Harry. Não o censuro. Mas pense a respeito, nem Você-Sabe-Quem, nem seus Comensais hesitaram em utilizar contra vocês.

– Eu sei, Sr. Weasley.

– Fico feliz que você entenda e peço novamente. Pense a respeito. Você não precisa ser como os Comensais que matariam por qualquer coisa. É diferente, veja Olho-Tonto, por exemplo, ele sempre evitava usar as maldições imperdoáveis, principalmente matar seu oponente, mas há uma hora Harry que essa hora bate a nossa porta. Eu sempre evitei usá-las, só que se chegar a hora e a segurança da minha família estiver em jogo, eu não vou hesitar Harry. Pela minha família eu mato, eles são tudo para mim. E quando eu falo família Harry, eu incluo você e Hermione também.

Harry Potter ficou bastante encabulado com as palavras de Arthur Weasley, por outro lado ficou feliz, para ele os Weasley era sua família também.

– Eu me sinto parte da família também Sr. Weasley e me lembrarei das suas palavras quando chegar o momento.

O Sr. Weasley caminhou até o armário que ele guardava suas ferramentas trouxas e olhou para seus instrumentos com muito carinho.

– A outra coisa que quero lhe dizer Harry, é sobre o casamento. Era para você utilizar a poção Polissuco hoje, mas não será necessário...

– Sério? Por quê?

– Dumbledore teve uma idéia, e as idéias dele são geniais, você sabe. No ano passado quando Gui e Fleur decidiram se casar, Dumbledore deu um rolo de pergaminho enorme para os dois. Disse que ali eles poderiam por o nome dos convidados do casamento que ninguém poderia comparecer sob disfarce nem entrar no casamento sem ser convidado. E quem tentasse entrar, teria um destino muito mais terrível que uma palavra dedo-duro na testa...

O garoto riu, sabia de onde Dumbledore tinha tirado aquela idéia. Genial.

"... embora eu não tenha entendido o que ele quis dizer. Enfim, assim todos estariam seguros, principalmente você, que não precisaria tomar a porção e ter de se passar por outra pessoa. Como você vê, Dumbledore fez de tudo para você ficar bem durante esse verão. Grande homem.

– Não bastaria utilizar o desiluminador?

– Não, - respondeu o Sr. Weasley, - o desiluminador tem poderes enormes, mas não poderia proteger tantas pessoas.

O pai de Rony se sentou no banquinho ao lado do carro, Harry tomou coragem para fazer a pergunta que estava marretando sua cabeça desde que ele deixara a rua dos Alfeneiros.

– Sr. Weasley, - começou ele, - o senhor não acha estranho as atitudes de Dumbledore? Ele ter arrumado tudo para que eu ficasse na casa de Hermione e chegasse bem até lá, a segurança aqui na Toca para o casamento. – Harry fez uma pausa, - Não parece para o senhor que...

– Dumbledore estava agindo como se soubesse que estava para morrer? – indagou Arthur.

– Bem, é isso mesmo.

O Sr. Weasley passou a mão pela careca reluzente.

– É muito estranho Harry, para mim parece claro que ele sabia que alguma coisa estava para acontecer, por mais maluco que isso possa ser. Mas por outro lado isso é só a minha e pelo visto a sua opinião. Jamais saberemos o que se passava pela cabeça de Dumbledore.

Harry concordou intimamente com o Sr. Weasley, embora aquilo não o animasse nenhum pouco. Ele ficou muito tempo ao lado de Dumbledore no ano passado. Por que o professor não havia lhe dito nada?

– Bom Harry, é melhor irmos andando, os convidados não vão demorar a chegar e mesmo com toda segurança, acho melhor você levar sua capa por precaução.


Quando Harry se sentou ao lado Rony na terceira fileira de cadeiras, para aguardar o início dos casamentos, debaixo de um sol ameno, ele ficou perdido nas palavras do Sr. Weasley. Hermione ainda estava se arrumando, pelo que Harry constatara.

Ainda assim, ele não teve muito tempo para pensar nas palavras de Arthur; vários convidados eram conhecidos e vinham cumprimentá-lo.

A primeira foi Luna Lovegood, que morava próximo a Toca, e pela segunda vez na vida, Harry viu que ela ficava muito bonita quando se arrumava. Hoje em um vestido vermelho, os cabelos penteados corretamente, Harry a abraçou carinhosamente, ela podia ter comentários impróprios muitas vezes, mas era alguém que ele dava muito valor. Junto de Luna estava seu pai, Xenofílio, que em contraste a filha, usava uma roupa azul berrante, tinha um olhar vesgo e cabelos brancos que lembravam a algodão doce. Tinha o jeito sonhador da filha e pelo jeito sabia dizer coisas inconvenientes como Luna.

– É um prazer Harry, - disse o Sr. Lovegood quando o cumprimentou, - é muito bom descobrir que minha filha possui amigos.

Harry não soube o que responder enquanto Luna apenas distribuía seu sorriso que lembrava que ela poderia sim ser normal; Rony por outro lado fazia olhar de descrença, uma louca vontade de rir.

Depois de Luna, vieram Neville e a avó, a Sra. Longbottom apertou a mão de Harry e Rony com aquela mão imponente e o olhar intimidador de sempre. Harry também conheceu Ted e Andrômeda, pais de Tonks, a mãe Andrômeda mirou Harry com um olhar diferente, como se quisesse ter falado alguma coisa, mas não ficou muito tempo, eles tiveram que ver se a filha já estava pronta. Após eles, Hagrid apareceu, Rony e Harry quase tiveram suas costas amassadas pelo abraço forte do guarda-caça de Hogwarts. Por fim, veio Madame Maxime, que foi professora de Fleur na França e cumprimentou Harry com um aperto de mãos que poderia ter quebrado todos os ossos dela sem qualquer problema. Depois disso a diretora de Beauxbatons se sentou ao lado de Hagrid, que não conseguiu esconder sua felicidade.

Membros da Ordem também estavam presentes, como Olho-Tonto, em umas vestes cinzentas bastante diferentes, numa angulação diferente por causa da perna de pau e Kingsley com suas vestes azuis, a voz profunda quando cumprimentou Harry. E por fim Héstia Jones e Dédalo Diggle com suas vestes roxas e a cartola sempre da mesma cor, que obviamente caiu quando ele cumprimentou o garoto. Todos eles se sentaram a uma fileira atrás de Hagrid e de Madame Maxime.

E por último veio uma senhora muito idosa, um jeito rabugento, sendo acompanhada por Carlinhos Weasley, que fazia força para não fugir.

– Ronald, é você? – perguntou a senhora. Rony a encarou e fez uma cara de quem estava com dor de barriga, mesmo assim levantou para cumprimentá-la. - Seus cabelos estão muito longos, parece mais Ginevra. Sua mãe não sabe cortá-los? Não conheço metade desses convidados...

Carlinhos piscou para Harry e antes que Rony pudesse perceber, sumiu no meio dos convidados. Harry abafou uma risada.

–... e você quem é? – indagou a senhora encarando Harry e quando enxergou sua cicatriz ela se assanhou. – Céus você é Harry Potter. Pensei que fosse mentira de Ronald. Bom, você parece menos retardado quando visto de perto.

– Essa é tia Muriel, Harry.

Harry já imaginava.

– Onde está o Carlinhos? – perguntou Muriel olhando sua volta. – Aquele traste deve ter ido atrás de outros convidados. Rony percebeu o que estava para acontecer, mas não conseguiu fugir a tempo.

– Vamos Ronald, - disse Muriel, - quero ver a noiva e ver se ela é bonita de verdade. Creio que minha tiara vai ajudá-la, por mais que ela seja francesa. Me leve até ela, com cento e sete anos preciso de cuidados. E depois me arrume um bom lugar, não quero sentar aos fundos.

Rony olhou para Harry pedindo por ajuda, mas Harry apenas deu um tchau animado para ele.

Harry ficou olhando Fred e Jorge nas fileiras logo atrás contando piadas para umas garotas loiras que Harry supôs serem primas de Fleur. O olhar de Harry encontrou o de Jorge que deu uma piscadela e continuou sua piada para as garotas, e pelo jeito que as garotas olharam para Harry e riram, Harry não demorou a supor que o motivo da piada fora ele.

Um cheiro agradável e suave se materializou e Harry sentiu uma mão leve e carinhosa sobre seu ombro, ele não precisava se virar para saber que era Hermione. Mesmo assim ele se virou sorrindo. Ele não conseguiu conter a surpresa, ela estava em um vestido lilás esvoaçante, os cabelos brilhantes com uma tiara prata.

– Como estou? – perguntou Hermione sentando-se ao seu lado, o sorriso cintilante.

– Uau... você está... poxa... – disse Harry sem arrumar palavras, derramando um pouco de água da boca, as sobrancelhas erguidas.

– Gostei. Você não poderia me dar elogio maior, - disse Hermione, o sorriso ainda mais largo, - Você também está encantador.

Rony não demorou a voltar, quando viu Hermione também se admirou ("Sempre surpreso", respondeu a amiga; Rony pareceu um pouco desapontado). E reclamou de sua tia Muriel também ("Diabo de morcega velha, um pesadelo como sempre", disse furioso).

Quando Harry olhou a sua volta, viu que todas as cadeiras estavam ocupadas, havia mais de cem convidados ali facilmente. A banda de bruxos que Harry não conhecia começou a tocar uma música, o casamento começara.

No momento seguinte, Gui e Lupin se postaram a frente do pequeno altar.

O Sr. Weasley e a Sra. Weasley foram os primeiros a entrar, passaram pelo corredor sorrindo, o Sr. Weasley visivelmente emocionado, a Sra. Weasley sorrindo e acenando para os parentes, trajando um conjunto de vestes amestistas e um chapéu da mesma cor.

Um suspiro coletivo fez erguer os bruxos e bruxas reunidas quando Ted Tonks e sua filha adentraram o corredor. Ninfadora estava com os cabelos negros e lisos completamente soltos as costas, a face rosada, o nariz tantas vezes de porco agora fazia um ângulo reto perfeito, o vestido prata discreto. Estava bonita como Harry jamais percebia, seria aquela forma o seu jeito real?

Logo atrás vieram o Sr. Delacour e Fleur, ele sorrindo, ela parecia deslizar ao seu lado, o vestido um branco simples a tiara de Tia Muriel reluzia em sua cabeça, a aura que ela refletia era incrível. E Harry reparou que ela embelezava a todos sobre quem sua beleza incidia. E quando Fleur e Tonks entraram sobre o altar, Gui parecia jamais ter trombado com Greyback e Lupin parecia mais feliz e jovial que jamais Harry havia visto. Por fim, vieram Gina e Gabrielle ambas em trajes dourados, sorridentes, trazendo as alianças dos dois casais.

– Senhoras e senhores, - disse uma voz cantada, e, com um leve choque Harry reparou com um leve choque que era o mesmo bruxo franzino que presidira o funeral de Dumbledore, que estava em frente aos dois casais. – Estamos aqui reunidos perante os dois casais...

– Rony, - chamou a voz de Carlinhos Weasley num sussurro, - Mamãe quer você aqui na frente, a família toda sentada junta. Chame Fred e Jorge.

Rony não estava satisfeito quando levantou, deu uma olhada nos amigos e foi se sentar ao lado da família, Fred e Jorge foram logo atrás um pouco mais animados.

Com o passar do tempo, Harry acabou distraindo da palestra do bruxo que celebrava o casamento. Olhava para o pôr-do-sol perfeito que se estabelecia no horizonte e depois começou a brincar com os cabelos de Hermione.

Ele percebeu que Hermione havia passado algo diferente no cabelo, depois percebeu que a pele da amiga estava mais reluzente que o costume, o perfume que ele sentiu quando ela chegou era diferente do cheiro que ela tinha no dia-a-dia, as unhas estavam com um esmalte branco. E ele ficou confuso por perceber tudo isso, eram coisas que ele não percebia antigamente, ou percebia e não prestava a devida atenção? Por fim, viu que os pelos do braço de Hermione se arrepiaram com o toque de sua mão.

Hermione reparou que Harry a observava com uma atenção que não era típica, chegava a ser engraçado.

– Estou tão feia assim? – perguntou Hermione num sussurro ao pé do ouvido de Harry.

– Está horrorosa, - disse Harry sorrindo, mas retirando as mãos do seu cabelo e olhando para frente, perdendo-se no chapéu da Sra. Weasley.

Hermione encostou seu joelho no dele, tentando atrair a atenção de Harry, ele não afastou o corpo do dela, mas tampouco olhou para a amiga.

Os pensamentos de Harry estavam confusos demais. O que estava acontecendo com ele?

Então numa última tentativa de trazer Harry para perto dela, Mione esticou o braço e puxou a mão do amigo, entrelaçando nas suas. Harry olhou para ela, Mione tinha o sorriso maroto no rosto e ele retribuiu. Ela conseguia atrair sua atenção mesmo quando ele queria pensar em outras coisas.

Há uma pequena distância dali, Hagrid sorria a ver aquela cena dos garotos. Às vezes era bom ser gigante, além de você ter uma visão mais alta, conseguia enxergar a uma distância superior a qualquer humano.

– Remo João Lupin, você aceita Ninfadora Andrômeda Tonks...?

Harry ficou feliz ao ver que o casamento estava acabando, ele não gostava nada que demorasse demais. Apertou um pouco mais a mão de Hermione que olhou para ele sorrindo, mas agora os olhos dela estavam com algumas lágrimas, obviamente pelo casamento. Harry as limpou gentilmente, o que fez Hermione corar um pouco.

Se eles tivessem olhado para frente, teriam visto que Gina escolhera àquela hora para ver o que eles estavam fazendo, seu olhar retornou ao casamento, um sorriso amarelo, como se não soubesse se devia ficar feliz ou triste com aquela situação.

– Guilherme Arthur Weasley, você aceita Fleur Isabelle Delacour...?

Na primeira fila Andrômeda Tonks, Madame Delacour e Molly Weasley choravam em silêncio. Hermione chorou um pouco mais, e encostou seu ombro ao de Harry, logo o ombro dele ficou molhado, mas ele não se importou. Sons de trombeta próximo onde eles estavam, anunciava que Hagrid havia retirado do bolso seu lenço do tamanho de uma toalha. O olhar de Harry e Hermione se encontraram e eles riram silenciosamente, a amiga desviou o olhar e tornou a encostar no ombro do amigo, as lágrimas ainda desciam.

–... então eu vos declaro unidos pela vida eterna.

Hermione levantou o rosto, enxugando o resto das lágrimas.

O bruxo de cabelos tufos, que celebrava o casamento ergueu a varinha sobre os dois casais. Apontou a varinha para um balão que Harry não havia notado até então. E quando o balão se abriu,

BUUM!

O bruxo caiu de costas xingando tamanha a explosão que acontecera e que definitivamente não estava no script. Aparentemente, alguém (e Harry tinha certeza que ele não era o único que sabia), colocou uma caixa de fogos ali. Estrelas reluziam em cima dos casais e dos convidados. Fogos iam de encontro ao céu e brilhavam. Neles Harry pôde distinguir os rostos de Fleur, Tonks, Gui e Lupin claramente, a apresentação durou quase cinco minutos. Os convidados batiam palmas. E Harry conseguiu distinguir os rostos de Fred e Jorge fingindo cara de surpresa pelo que aconteceu, a Sra. Weasley encarando os filhos com as sobrancelhas formando uma linha única. Mas Gui e Fleur, Tonks e Lupin estavam definitivamente felizes pelos fogos.

Os casais saíram pelo corredor entre as cadeiras, os familiares logo atrás.

– Vamos Harry,- disse Hermione puxando o amigo, - precisamos cumprimentá-los.

Enquanto se misturavam a multidão para cumprimentar os amigos, Harry pôde escutar que uma música mais animada começava em algum lugar. Garçons saíam de todo o lugar.

Quando Harry e Hermione puderam cumprimentar Gui e Fleur, Harry mal conteve suas lágrimas, entretanto quando ele foi abraçar Tonks e principalmente Lupin, as lágrimas venceram, e o amigo de seu pai e Sirius chorava tanto quanto ele.

– Vamos, Mione. Precisamos achar Rony e ainda não temos uma mesa.

Harry puxava a amiga no meio dos convidados. Muitos deles paravam para ver o próprio menino-que-sobreviveu.

– Precisamos achar uma mesa, Harry, - falou Hermione, - E você se importaria de sentarmos longe da Muriel?

– Lógico que não! Você viu o Rony?

Eles olhavam a volta e a única mesa que continha só uma pessoa era a que Luna Lovegood estava sentada. Ela mirava o gnomo congelado atentamente

– Tudo bem se sentarmos com você? – perguntou Harry.

– Ah, claro! Meu pai foi entregar os presentes para os noivos e depois disse que iria procurar sangue de gnomo no jardim, - ela olhou para Harry e Hermione e seu olhar cintilou quando viu as mãos deles entrelaçadas. Harry soltou a mão de Hermione imediatamente.

– Por quê? – perguntou Harry.

– Sangue de gnomo é essencial para fazer uma Pedra Filosofal, mas você não pode retirar a força, precisa achar no chão.

– Entendo, - disse Harry.

A música mudou e os primeiros a entrar na pista de dança foram Fleur e Gui, Tonks e Lupin, sobre aplausos gerais. Rony vinha atrás, uma jarra de cerveja amanteigada e copos na mão.

– Obrigado Rony, - disse Hermione pegando um copo.

– Onde você estava? – perguntou Harry.

– Estava com meus pais cumprimentando os convidados, - respondeu com displicência, mas Harry viu que suas orelhas ficaram ligeiramente escarlates.

– Adoro essa música, - falou Luna, se levantando e indo dançar sozinha, não demorou muito e Harry viu Gina se juntar a menina.

Os três amigos ficaram ali sentados tomando cerveja amanteigada, distraídos. Harry viu Luna agitar os braços de um jeito diferente, fazendo Gina rir. Não passou muito e Neville se juntou a elas. Com certeza depois de Rony e Hermione, eram os três que ele mais gostava.

– Eu vou ao banheiro e já volto, - disse Rony com uma displicência não usual, Harry percebeu mais uma vez que as orelhas dele estavam vermelhas quando ele se levantou.

Harry olhou para Hermione, ela observava o grupo de amigos dançando.

– Então Srta. Granger, - disse em um tom que lembrava Dumbledore, - concede-me a honra?

– Pensei que você já tinha esquecido a sua promessa. Já imaginava qual a praga que eu deveria rogar.

Eles se levantaram e dançaram, Harry sendo guiado por Hermione. Dança nunca seria o forte dele. As suas costas viu um desajeitado Olho-Tonto dançando com Madame Maxime, um Kingsley muito constrangido sendo levado por Héstia Jones e ao canto Carlinhos e Hagrid bebiam whisky de fogo cantando a altos brados, "Odo, o herói".

Harry era levado de um lado para outro por Hermione quando viu uma coisa que ele não gostou, Rony sumia para um escuro bravio com Fred e Jorge atrás de três veela risonhas. Hermione não podia ver aquilo; ele puxou a amiga mais para o meio da pista. Harry havia esquecido que era com Hermione que ele estava lidando, a menina que sempre estava atenta a tudo ao seu redor.

Ele concentrou o máximo que pôde para não dizer nada a respeito, tentou guiar Hermione o que foi uma surpresa para a menina. Harry notou que muitos bruxos olhavam para ele, mas ele não ligou.

Mais uma música havia acabado, o pé direito de Harry pedia uma cadeira, mas ele não podia deixar Hermione agora.

– Então, mais uma? – perguntou Harry.

– Você não quer dançar com mais ninguém?

– Não, Gina está dançando com Neville. E Gabrielle é francesa. Você quer dançar comigo de novo?

– É claro, Arry. Mas por que tanto entusiasmo? Posso saber?

– Bom, não sei quando terei uma oportunidade desta de novo.

Depois de algum tempo, Hermione não sabia quantas músicas eles já haviam dançado, mas estava realmente satisfeita consigo mesma por fazer Harry dançar tantas músicas seguidas. Em um sentimento totalmente novo, ela esqueceu tudo ao seu redor, esqueceu de Rony, de Gina e de todos os outros. O mundo dela era ela e Harry. Pena que o amigo insistia em trazê-la de volta.

– Eu tenho medo Mione, - disse Harry no ouvido da garota, no meio de uma dança. Tonks passou pelos dois sorrindo.

– Medo? – repetiu a garota.

– É. Já perdi muito Mione, já perdi muitos do que eu amo. Tenho medo de perder de você e Rony.

– Eu entendo você, Harry. Mas agente não pode viver o tempo todo tendo pensando nos nossos medos, senão como vamos seguir em frente?

– Você tem razão.

– Eu também tenho muito medo de perder você, - comentou Hermione ao ouvido do amigo. - Porque você daria tudo, até sua vida para acabar com Voldemort.

Harry não respondeu, tentava prestar mais atenção na música.

– Me prometa uma coisa Harry?

– Como? – perguntou o garoto voltando a si.

– Quero que você me prometa uma coisa.

– Se eu puder, - admitiu Harry.

– Me prometa que você não me deixará sozinha?

– Você precisa de um Voto Perpétuo?

– Seria melhor, mas não preciso, eu confio nas suas promessas.

– Então tudo bem, prometo que não te deixarei sozinha.

Ela parou de dançar e segurou Harry, eles se abraçaram e mais uma vez o mundo parou ao redor deles. Hermione deu um beijo na bochecha do amigo, eles ficaram se encarando por algo que pareceu horas. O coração de Harry pedia uma coisa com urgência, o cérebro dele pedia para ele se conter. Algo chamou sua atenção ao seu lado, era Rony que mirava Harry e Hermione com os olhos arregalados.

Harry e Hermione encararam o amigo, Rony se dividia entre a raiva e a dúvida.

– Não sabia que você gostava de dançar, - disse Rony para Harry.

– Eu tenho praticado, - disse Harry com certa ironia.

– Desde quando voc...

– Poupe-me Rony, - disse Hermione com raiva, - você vem dar um show agora é? Eu não estou dançando com Vítor ou com McLaggen, era com Harry! Você não parece muito constrangido por ter ido para um escuro com uma veela e aparecer com um chupão no pescoço, não é?

– Você viu? – perguntou Rony.

– A festa inteira viu Ronald.

Harry não precisava presenciar mais uma discussão dos dois. Já sabia no que ia dar, ele largou os dois discutindo no meio da pista e se sentou um pouco. Viu Gina, Luna e Neville dançando sem perder o fôlego; Ted Tonks dançando de um jeito diferente com a Sra. Weasley, os olhos ainda vermelhos. Hagrid havia parado de cantar "Odo, o herói" e dançava com Madame Maxime.

Na mesa a sua frente, Olho-Tonto estava sentado ao lado de Kingsley, Dédalo Diggle e Héstia Jones, todos muito satisfeitos. Então um ímpeto saudoso abateu o coração de Harry coração, ele reparou que seu lugar não era mais ali, ele devia partir. Harry se levantou discretamente e quando viu que ninguém estava olhando, jogou a capa sobre si. Desviou dos convidados no seu caminho com certa dificuldade e entrou na casa, subiu até o sótão e não demorou a encontrar o que estava buscando.

– Edwiges?

A coruja olhou para o seu dono, Harry lhe ofereceu os dedos que ela mordeu carinhosamente. Píchi pulava alegremente ao lado, Errol dormia silenciosamente.

– Edwiges, chegou a hora de seguir meu destino. Eu preciso cumprir o meu dever. Infelizmente, você terá de ficar. Você me entende?

A julgar pelo olhar de censura da coruja ela não entendia nenhum pouco. Edwiges era como uma parenta para Harry, tecnicamente foi a primeira amiga que ele fez no mundo bruxo.

– Eu sinto muito, não é seguro. Você vai ficar bem aqui. Assim que eu estiver resolvido, eu venho te buscar, ok?

A coruja piou baixinho tristemente e Harry se virou para sair. Podia ser sua coruja, mas ainda assim era sua amiga.


Harry estava puxando a mala, não havia ninguém a vista. Estava pronto.

– Vai a algum lugar? – perguntou Hermione

Ela e Rony estavam na porta. Hermione já trazia seu malão. Ela ainda estava um pouco rosada, Rony tinha o rosto ainda lívido.

– Não está pensando em nos deixar por aqui, está? – perguntou Rony, um sorriso aflorando.

– Lógico que não, - respondeu Harry. – Vocês estão prontos?

Hermione se adiantou e pegou o chinelo velho de Rony. Harry não entendeu, Rony franziu as sobrancelhas.

– Diga-nos onde fica o Largo Grimmauld, Harry. Você é o fiel do segredo agora.

– Vamos para o Largo Grimmauld, número 12, em Londres e eu como fiel do segredo dou permissão para vocês entrarem na minha casa.

Rony puxou sua mala e Harry entendeu o que Hermione estava para fazer, ela puxou sua varinha e bateu uma vez no chinelo.

Portus.

Os amigos colocaram a mão sobre o chinelo e Harry sentiu seu corpo sendo puxado.

Ele estava indo enfrentar seu destino e não estava sozinho. Com Rony e Hermione ao seu lado, Harry sentiu que poderia derrotar qualquer bruxo que cruzasse seu caminho.

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Boa noite galera! Mais um capítulo postado... Me adiantei um pouco, era pra postar amanha. Mas amanhã e sexta são dias complicados.
Desculpe-me por qualquer erro, não revi novamente e o tamanho do capítulo tbm, é interessante, toda vez que eu tento diminuir um pouco as páginas, ele acaba ficando muito maior.