Quando os sonhos se tornam realidade

9. A Detenção e o Dia Seguinte

Depois da conversa com Hermione, Lys esforçou-se muito para responder certo a tudo o que os professores perguntavam. O seu dia foi muito normal, com algumas dificuldades, como ela já esperava. Quando a noite chegou, Lys fez os seus trabalhos de casa e depois sentou-se num sofá em frente à lareira. Harry estava em castigo com Dolores Umbridge, Ron desaparecera misteriosamente mais uma vez e Hermione estava muito atarefada a fazer mais "chapéus". Pelos vistos, estes estavam a desaparecer rapidamente às mãos dos elfos domésticos, o que deixava Hermione extremamente feliz. Nisto, Sayoko entrou na sala comum.

- Olá! – exclamou, no seu bom-humor habitual.

- Olá, Sayoko – cumprimentou Elysa.

- Tudo bem contigo, miúda? – perguntou Sayoko, sorrindo.

- Hum hum – assentiu Lys.

Nesse instante, um dos gémeos Weasley apareceu na sala vindo do dormitório dos rapazes. Os olhos de Sayoko esbugalharam-se ao ver o ruivo. Ele estava muito bem vestido e trazia um sorriso maroto no rosto. Dirigiu-se a Sayoko e cumprimentou-a com um beijo na face direita. Depois, inclinou-se para Elysa e cumprimentou-a com dois beijos nas faces.

- Vamos? – perguntou o gémeo a Sayoko.

- Estou pronta, Fred.

- Olha, sabes do Harry? – inquiriu o ruivo a Lys.

- Não. Porquê?

- Nada, esquece. Parece que vamos ter de passar sem o Mapa do Salteador (N.A: Mapa do Maroto, como chamam no Brasil).

Sayoko puxou-o pela mão, disse um adeus a Lys e os dois saíram pelo buraco do retrato da Dama Gorda. Passado algum tempo, o gémeo entrou novamente na sala comum.

- Esqueceste-te de alguma coisa, Fred? – perguntou Lys.

- Eu sou o George – disse o ruivo, sorrindo.

- Ah, OK.

- Por falar no Fred, sabes dele?

- Ele saiu daqui com a Sayoko.

- Filho da mãe – disse George, entre dentes.

- O que foi? – inquiriu Elysa.

- Nada, nada. Até amanhã – despediu-se George, subindo as escadas para o dormitório.

- Tchau!

Para onde será que eles os dois foram… Estou tão curiosa… Lys estava em pulgas. Decidiu seguir o par. Apressou-se a sair da sala comum e caminhou rápida e silenciosamente pelo corredor, quando virou a esquina, viu o ruivo e a morena ao fundo do corredor. Abrandou o passo e seguiu-os. Quando eles pararam em frente a uma tapeçaria com um homem a ser atacado por trolls, Lys escondeu-se na esquina. Viu Fred a passar três vezes em frente à tapeçaria e, de súbito, uma porta apareceu na parede nua e fria. Fred agarrou a mão morena de Sayoko e puxou-a para dentro da abertura. Elysa apressou-se a chegar à porta antes que ela se fechasse. Para travar a porta, colocou o seu pé na abertura. Espreitou para dentro da sala. Era uma sala espaçosa e acolhedora, com algumas poltronas e uma mesa redonda ao centro. Parecia uma sala própria para se jogar às cartas.

- Tens a certeza que ninguém nos encontra aqui? – perguntou Sayoko.

- Praticamente ninguém conhece o segredo desta sala. Podemos estar à vontade.

Sayoko soltou uma risada marota, como um convite a Fred. O ruivo encostou Sayoko à parede e começou a beijar-lhe o pescoço. Elysa ficou um pouco envergonhada, mas continuou a observar o par. Pouco tempo depois, Fred já estava com os lábios colados aos da morena e, alguns minutos depois, estavam já os dois deitados num sofá, enrolados um no outro. Elysa achou que já chegava. Não queria ver o que se iria seguir. E já era tarde. Encostou a porta cuidadosamente e seguiu para a sala comum. Mas, ao virar uma esquina, deu com uma pessoa que não queria nada ver. Filch.

- Oh não. Estou tramada – murmurou Lys.

- Ora, ora. Que está a menina a fazer aqui?

- Eu… eu… - gaguejou a rapariga, sem conseguir arranjar nenhuma desculpa.

- Bem, bem. Estou a ver que alguém vai ter castigo hoje à noite. Siga-me.

Elysa seguiu o homem até ao seu gabinete. Filch mandou-a sentar-se numa incómoda cadeira de madeira.

- Ora bem, vejamos… A masmorra está a precisar de ser limpa…

Nisto, ouviu-se uma sineta.

- Nem pense em sair daqui, ouviu?! Já volto.

O homem saiu e, passado algum tempo, voltou trazendo consigo um rapaz loiro que esperneava e resmungava.

Malfoy?!, surpreendeu-se Lys mentalmente.

- Bem, a noite está a ser produtiva. Vão os dois limpar as masmorras. Acompanhem-me.

As masmorras eram frias e sujas. Uma humidade nauseabunda pairava no ar. Elysa tentou evitar um esgar de nojo.

- Bem, têm até amanhã de manhã para limparem isto tudo.

Quando estava quase a alcançar a porta para sair das masmorras, virou-se e acrescentou:

- Ah, quase me esquecia. Têm de limpar tudo sem magia – e saiu.

Elysa tapou o nariz com os dedos, pois o cheiro a podridão era muito intenso. Depois estremeceu. Estava com frio. Não tinha trazido nada que a aquecesse e estava a ficar gelada até aos ossos. Nisto, sentiu algo quente a cobrir-lhe as costas. Virou-se e deu de caras com um rosto belo e magro.

- Malfoy… – murmurou.

- Não quero que te constipes – declarou o loiro num tom desinteressado e, ao mesmo tempo, carinhoso. Acabara de colocar a sua capa nos ombros nus da rapariga.

- Temos muito trabalho a fazer – comentou Lys.

- Mas, antes, eu quero fazer uma coisa.

Malfoy lançou-lhe um olhar provocante e começou a aproximar-se da rapariga. O coração de Elysa pareceu acelerar. O loiro estava cada vez mais perto. Lys já podia ver pormenorizadamente os olhos cinzentos e frios do rapaz, a sua boca fina e rosada, os seus traços finos e belos. Os lábios do rapaz colaram-se aos de Elysa. Primeiro, o beijo foi leve, mas logo Malfoy o aprofundou, tornando-o arrebatador ao ponto de deixar a rapariga sem fôlego. Mas ela não queria parar. Não queria que aquele momento acabasse nunca. Era o seu primeiro beijo. Subitamente, Malfoy descolou a sua boca da de Lys, e sussurrou-lhe ao ouvido:

- Vamos, temos que trabalhar.

Elysa assentiu e pôs mão à obra, olhando, ocasionalmente, o loiro com ternura.

Quando terminaram de limpar a masmorra putrefacta, Lys despediu-se de Malfoy com um beijo leve nos lábios e correu até ao dormitório. Quando se ia enfiar na cama, ouviu a voz de Hermione:

- Não precisas de fingir que dormiste aqui. Sei perfeitamente que não passaste cá a noite.

- Eu não fiz nada de mal – tentou desculpar-se Lys.

- Não preciso de explicações. Não tenho nada a ver com o que andaste a fazer. Mas não penses que te desculparei se te apanhar, afinal, sou Prefeita.

- Eu estive em detenção.

- A sério? – perguntou Hermione, desconfiada, enquanto se levantava.

- Juro-te! – exclamou Elysa, desesperada. Detestava que não acreditassem nela.

- Está bem. Eu acredito em ti.

- O Harry queixou-se muito do segundo castigo com a Dolores "Cara-de-Sapo" Umbridge? – questionou Lys.

- Não. Parece que ela só o obriga a escrever frases.

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- HARRY! – gritou Elysa, ao reparar na mão do amigo.

- O que é que foi? – perguntou Harry, cansado.

- Isso é que é escrever frases?! – Lys estava escandalizada.

Harry acanhou-se. Não contara a ninguém o que Umbridge o obrigara a fazer. Não queria queixar-se.

- Harry… Como é que consegues suportar isso? – expressão de Elysa era a do mais puro horror.

- Não é tão mau como parece… - é pior, pensou o rapaz, mas não disse nada.

A rapariga pegou-lhe na mão e observou-a melhor. Eram os únicos que ainda permaneciam na sala comum. Todos os outros já tinham ido dormir. Mas Lys não tinha sono, as lembranças de Malfoy ainda lhe povoavam a mente. Deixara-se ficar no sofá até todos terem ido dormir. Pouco tempo depois, Harry voltara do terceiro castigo.

- Ó Harry… Ela não te pode fazer isto!

O rapaz esboçou um sorriso entristecido e murmurou:

- Mas está a faze-lo. Só te peço uma coisa, não comentes isto com ninguém.

- OK – assentiu Lys, olhando ternamente o amigo.

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Draco Malfoy estava deitado na sua cama, tentando, inutilmente, adormecer. Mas a sua mente pregava-lhe partidas, fugindo constantemente para as recordações do beijo de Elysa. O loiro revirou-se na cama.

Porque é que ela não me sai da cabeça?, perguntava a si próprio, furioso.

Ele detestava não ter controlo sobre os seus pensamentos e emoções. Revirou-se mais uma vez e fixou o amigo que dormia profundamente na cama ao lado, ressonando um pouco.

Sorte a tua, Blaise, disse mentalmente, Quem me dera conseguir dormir para esquecer aquele raio de rapariga.

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N.A.:

Olaaaaa!

O capítulo ficou bom? O que acharam da entrada em força do Malfoy? Mandem-me reviews, porque senão não continuo! Tenho que pedir desculpa por ter demorado a actualizar, mas com a minha outra fic, esta vai demorar um bocado mais a ser actualizada. Mas não a vou esquecer! E tenho também de pedir desculpa por o capítulo ser tão pequeno, mas não tinha inspiração para mais… -.-'

bjos e até ao próximo capítulo,

LyRa