Capítulo Dez: Intimidade Parte II
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"Doutora Haruno, apresente-se na recepção."
E foi Hinata quem ela encontrou na recepção, tão corada que parecia estar passando mal.
Surpresa e, ao mesmo tempo aliviada por poder fugir um pouco de Taichi, Sakura sorriu para a amiga. Ela não sabia como a Hyuuga havia convencido Dori a anunciá-la em meio às confusões que eram as noites do hospital, mas desconfiava que era exatamente pelo fato de Hinata ser uma Hyuuga.
Seus olhos passaram levemente pelo relógio, constatando que logo seria meia-noite e não conteve o franzir de sobrancelhas, quando ficava frente a frente com a amiga.
"Oi, Hinata. Algum problema?" indagou, preocupada.
"Não, não." Respondeu ela, sem graça ao perceber Sakura analisá-la, como se pensasse o que poderia estar doendo ou ferido. "É que eu estava fora a treinamento essa semana e, como cheguei faz pouco, tive vontade de vir ver você, Sakura-chan."
"Entendo. Mas eu estou no meio do turno. Receio que não poderemos ter mais do que dez minutos de conversa." Disse Sakura, mordiscando o lábio.
Hinata balançou a cabeça, mostrando que o horário era irrelevante, e deu um sorriso tímido e nervoso.
"Não tem problema." Murmurou, juntando a ponta dos dedos indicadores.
Quando elas se acomodaram na desconfortável sala vazia utilizada para os médicos poderem tomar seu café restaurador, Sakura já sabia que havia alguma coisa incomodando a amiga. Hinata jamais tivera o hábito de fazer visitas ao seu trabalho, pois achava que poderia interromper alguma coisa importante.
Portanto, para tê-la ali, tão miúda, os temores e os problemas que tomavam conta dos seus pensamentos deviam estar barulhentos demais para que ela simplesmente não os deixasse para o dia seguinte.
"Eu soube que Uchiha-kun foi ferido." Começou, acanhada.
Sua voz, embora gentil, e o sufixo usado para referir-se a Sasuke fê-la lembrar-se de Maya há momentos atrás e Sakura resolveu apenas confirmar com a cabeça e evitar demais comentários.
"Ele está bem. E o seu treinamento? Foi bastante cansativo? Me sinto culpada ao falar isso, Hinata, mas eu sequer tive tempo de sentir sua falta ou de ver Tenten." Desabafou Sakura, coçando a cabeça. "Tenho estado tão ocupada no hospital...e quando saio tenho de terminar de acertar essas coisas todas para a cerimônia, entende? Mas já me parece que eu durmo e acordo aqui dentro." Deu um risinho desanimado.
"Não tem problema, Sakura-chan. Eu entendo você." Disse Hinata, gentilmente.
"Que bom. Quer um café?"
Sakura ergueu-se da poltrona dura, enfiando a mão no bolso para catar as moedas para dois expressos na máquina ao canto do cômodo.
"Não, obrigada."
"Um café só não faz mal." E logo depois ela voltou carregando dois copos fumegantes e enfiou um nas mãos de Hinata.
"B-bem," com os olhos voltados para a espuma da bebida, a Hyuuga suspirou. "eu queria me desculpar com você, Sakura-chan." Murmurou.
"Desculpar?"
"É. Eu sei que você não faz idéia do que eu falo, mas eu-eu não gosto de ficar de mal com minha consciência, entende? Esses dias...senti raiva de você, Sakura-chan." A voz de Hinata parecia engasgada, os dedos apertando o copo de plástico do café. "Por causa...por causa do Naruto-kun."
Sem se ofender, se preocupar ou se irritar, Sakura ficou em silêncio, tomando seu café, esperando-a falar.
Ela sabia que só podia ser algo do tipo. Hinata era uma pessoa incrível, mas sua paixão aparentemente não correspondida parecia uma obsessão em sua vida tão discreta.
A herdeira dos Hyuuga jamais fora provida de tanta personalidade, jamais tivera um espírito bravio para contestar decisões ou se impor, ou erguer a voz ou todas essas coisas que se esperavam de alguém que um dia governaria alguma coisa. Para que ela sentisse ódio ou rancor de alguém, só podia envolver Naruto, já que ele parecia ser uma das poucas coisas que impulsionava sua vida.
Sakura adorava a amiga, mas tinha pena dela, às vezes.
"Não tem problema, Hinata." Disse, vendo que ela tinha dificuldades em continuar a se explicar. "Você sabe que eu sempre estarei aqui quando você precisar de mim. Eu irei me casar, Naruto está apenas com ciúme. Não se martirize tanto."
"Mas ele ama você, Sakura-chan."
"Ora, Hinata, você sabe como é o Naruto. Ele tem aquele espírito competitivo acima do habitual, distorcido, eu diria. Ele não me ama, definitivamente. Talvez como amiga, mas não do jeito que sai esbravejando por aí." Falou ela, com descaso. "Agora toma o seu café."
Hinata bebericou o café como uma criança que atente a um pedido da mãe, a franja caindo por sobre os olhos perolados. Os cabelos compridos caíam sobre os ombros.
Carinhosamente, Sakura tirou uma mexa de cabelo da frente do seu rosto, colocando-a atrás da orelha.
"Hinata," e Hinata ergueu a cabeça, um pouco assustada. "você precisa pensar mais em si mesma, está bem? Você precisa decidir se vai se declarar para ele ou se vai continuar nesse amor platônico. E, se ele for levado adiante, se você tencionar guardar isso para você pelo resto da sua vida, esqueça-o. Mas esqueça-o querendo esquecê-lo, procurando alguém, procurando paz consigo mesma. Você fará isso? Você me promete isso?"
Algumas gotas de café caíram no colo da Hyuuga, que, trêmula, sacudia seu copo praticamente cheio. Ela baixou os olhos para que pudesse observar o estrago, procurando uma justificativa para fugir.
"Olha para mim." E Sakura ergueu o queixo dela, forçando-a a encará-la. "Promete?" insistiu.
"Doutora Haruno, apresente-se na sala 3, stat."
Ao ouvir o chamado, ela praguejou mentalmente. Quando percebeu, Hinata sumira da sala, apenas o café preto abandonado em cima da mesa.
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Sasuke soltou um resmungo, impaciente.
Após a visita de Sakura, a enfermeira que se encarregara de "atender a todas as suas necessidades", como a própria havia falado, se bestificara de tal modo que já não trabalhava direito.
Estivera ciente da paixonite da moça por ele desde que a vira olhar com aqueles olhos que estava tão habituado a ver desde criança, daquelas meninas enamoradas e sem qualquer pingo de senso de ridículo. Realmente, Sasuke não se importava, contanto que ela não se atrevesse a passar do platonismo.
Porém, Sakura mostrara-se tão hostil com aquela Maya que ele, se fosse alguém como Naruto, por exemplo, se sentiria penalizado.
"Desculpe, Uchiha-sama." Ela murmurou, enquanto passava um comprimido e um pequeno copo plástico com água para Sasuke. "Eu talvez tenha sido inconveniente. Foi mais forte do que eu, sinto muito. É um comprimido analgésico, você já tomou ele antes." Explicou Maya, vendo o olhar desconfiado dele para o remédio.
"Que seja." Ranzinzou, enfiando-o na boca e tomando a água.
"Eu posso lhe fazer companhia, se você quiser, Uchiha-sama."
Sasuke conteve o sorriso irônico que ameaçou surgir em seus lábios. Não bastasse o incômodo de ser obrigado a ficar ali, ainda havia essa criança pedindo para entrar no páreo com Sakura.
Encostando-se nos travesseiros, resolveu tirar um cochilo. Era a melhor maneira de passar o tempo.
Logo, sua noiva zelosa apareceria para exigir satisfações sobre as liberdades que havia dado àquela enfermeira e ele sabia que teria de escutar longos minutos de reclamações e insegurança. Ele queria se preparar psicologicamente para quando esse momento chegasse, pois Sakura sempre fora neurótica com seu ciúme.
Ele não percebeu quando dormiu ou quanto tempo dormiu, mas, tempo depois, seus olhos negros se reabriram de maneira suave e Sasuke encarou o teto do quarto.
"Dormiu bem, Uchiha-sama?" escutou aquela voz ao seu lado, gentilmente.
"O que você está fazendo aqui?" indagou, vendo Maya ali parada, admirando-o.
A enfermeira corou.
"Você não respondeu quando eu perguntei se poderia lhe fazer companhia. Eu achei que não faria mal se eu ficasse, talvez você precisasse de alguma coisa, não é?" ela deu um sorriso maroto, passando a mão no cabelo, procurando ajeitá-lo.
Os lábios de Sasuke se crisparam desagradavelmente.
"Você não é muito profissional, não é?" perguntou, aborrecido.
"Uchiha-sama, eu-"
"Por favor, se essa sua paixonite por mim vai atrapalhar o meu tratamento hospitalar, eu prefiro que outra enfermeira me atenda." Disse Sasuke, friamente, numa voz grave. "Não gosto que as pessoas fiquem me observando enquanto durmo. Você não tem intimidade comigo e não está aqui como enfermeira, portanto, saia."
Maya ficou pálida e seus olhos se encheram de lágrimas, antes de sair correndo, porta afora. E Sasuke suspirou, perguntando-se quem seria a próxima a cair nos seus encantos.
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"Ela já foi?" Foi a primeira coisa que Sasuke ouviu quando Sakura entrou no quarto, seu tom ciumento acentuado.
Ele sorriu.
"A Maya?" perguntou, apenas para provocá-la.
"É, a Maya." Respondeu Sakura, amarga.
"Já."
Eram duas da madrugada quando ela tornou a entrar no quarto dele, ainda excessivamente aborrecida pela cena que horas antes.
Prendendo Taichi junto à emergência que inicialmente devia ter sido sua, Sakura aproveitou para dar uma escapada das obrigações e ir ver o Uchiha. A irritação que sentia estava atrapalhando seus pensamentos e, horrorizada, notou que por pouco não cometera um erro de diagnóstico.
Refazendo o coque desfeito, ela resolveu que devia tratar dos seus problemas amorosos antes que fizesse alguma burrada realmente feia. Mas, quando viu Maya passar correndo por ela em meio às lágrimas, um pontinho de satisfação brotou em seu peito e Sakura já estava um pouco mais leve quando enfim entrou no quarto de Sasuke, disposta a dar-lhe alguns esporros.
Shizune gritava furiosa pelos corredores, xingando a incompetência daqueles médicos e daquelas enfermeiras, esbravejando a decadência do hospital. E sua voz era ouvida ao longe, quando dava uma bruta bronca em Momichi.
"Eu não vou nem perguntar o porque da Maya ter passado correndo por mim." Havia uma nota de desprezo em sua voz ao citar o nome da moça e ela estava brava quando tornou a falar. "Muito bonito você, não? Fica dando trela para essas adolescentes. Você é bem grandinho para essas coisas." Resmungou, cruzando os braços.
"Elas me perseguem." Sasuke arqueou os ombros.
Um sorrisinho surgiu no rosto dela e ele percebeu que tinha amainado sua fúria.
Sakura encarou-o, seus olhos e cabelos negros, a face um pouco mais pálida que o normal. Por um momento, num pensamento egoísta, ela gostou dele ter se ferido, à parte de todo o desespero inicial. Assim, Sasuke estava mais perto dela do que há uns bons dias não estava.
Ela gostaria que ele ficasse só mais um pouquinho, para que pudesse matar toda a saudade que a abateria quando ele se recuperasse e enfiasse a cabeça novamente naquelas missões perigosas.
"Há quanto tempo eu não te vejo assim, seguidamente." Falou, antes que pudesse se conter.
Sasuke franziu as sobrancelhas.
"Você está sempre muito ocupado arriscando a vida para dormir todas as noites do lado da sua noiva, como uma pessoa normal." Sakura não evitou o desdém. "No fundo, você gosta disso, Sasuke. Você gosta de voar para longe."
"Bem, se eu pudesse, não estaria aqui." Comentou ele, com descaso.
"Por que não foi? Você pode muito bem pular a janela."
"Não fui por você." Soltou Sasuke, friamente. "Não bastam às cobranças, sei que você me infernizaria se eu apenas me atrevesse a colocar os pés no chão. Ficaria horas explicando ser minha médica, dizendo que eu deveria atender as suas ordens, como se eu fosse um prisioneiro."
Sakura sentiu-se esbofeteada diante daquelas palavras.
"Você não se importa, não é mesmo? Não se importaria de morrer." Murmurou.
"Não, não me importaria."
"Mas você me deixaria." Os olhos esmeraldinos encheram-se de lágrimas, misto de raiva e mágoa, e seu maxilar ficou duro com a força que fez para não derramá-las. "Me abandonaria de novo. É a sua especialidade." Despejou.
Sasuke pareceu pensativo por um momento.
"Eu não gostaria de deixá-la." Disse, sincero.
Uma lágrima caiu e mais outra e outra, e Sakura soltou um soluço engasgado, enquanto levava o dedo até o canto de olho, secando-o inutilmente.
"Vou acreditar nas suas palavras." Sussurrou ela, com a voz embargada.
"Eu não vejo nada errado em morrer. Já estou acostumado à morte, nessas alturas. Mas não gostaria de perder você ou de deixá-la." Finalizou Sasuke, repetindo a afirmação anterior.
Ela estendeu a mão e tocou o cabelo dele, gentilmente. E seus dedos desceram até o rosto, acariciando a bochecha, o lábio superior com a ponta do seu dedo e Sasuke não fez nada para negar a carícia, deixou-a ali, acalmando a si mesma, sentindo a pele dele, sempre tão gelada.
Ainda chorava, quando o encarou.
"Doutora Haruno, apresente-se na sala 12, stat."
Sakura ignorou por um momento o chamado, os olhos ainda postos sobre os dele, sua mão sentindo-o, acariciando seu cabelo.
"Eu te amo. Deixe-me cuidar de você." Pediu, enquanto dava alguns passos para trás. "Não foge de mim."
Sasuke ficou em silêncio e Sakura tomou rumo para a sala 12, deixando-o só com seus pensamentos.
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Na saída do seu turno, as seis da manhã, Naruto a esperava na porta.
Ela olhou-o, escorado no poste em frente à porta, os braços cruzados e encarando o chão, tão distraído que obviamente não notara sua presença e não notaria nem a daqueles que passavam ao seu lado, os primeiros trabalhadores seguindo seu curso.
Fazia algum tempo que Sakura não o via. Ocupada com a própria vida, os próprios problemas, o trabalho, Sasuke, casamento, que coisas ou pessoas como Naruto acabavam sendo esquecidas.
Sentia-se um pouco culpada, mas dizia a si mesma que não era sua culpa. Eles já não eram mais integrantes do time 7 ou subordinados de Kakashi, o loiro não poderia esperar que ela fosse encontrá-lo todas as manhãs. Naruto inicialmente ficara chateado e logo depois tratara de disfarçar as mágoas do seu coração através de sorrisos enviesados.
Quando ele aparecia ali, na porta do seu serviço, era porque estava precisando de alguém, precisando de ajuda.
"Oi, Naruto." Cumprimentou, aproximando-se dele.
Erguendo a cabeça rapidamente, o loiro encarou-a com os orbes azuis bem abertos, pego de surpresa.
"Oh. Olá, Sakura-chan." Acenou com a cabeça, desencostando-se do poste, e cruzando então os braços atrás da cabeça, minou a já curta distância que havia entre eles. "Estava esperando você." Disse ele. "Você não vai mais me ver, então eu tive que vir procurá-la."
"Sei." Murmurou Sakura, cansada demais para reiterar com a mesma animação.
Ela bocejou, sentindo o corpo dolorido.
"Está cansada, Sakura-chan?" indagou Naruto, levemente preocupado.
"Um pouco." Respondeu, coçando a cabeça. "Olha, Naruto," olhou em volta, pensativa. "eu acabei de sair do meu turno. Me acompanha até em casa?" pediu. "Então a gente conversa."
Por longos cinco minutos, ambos caminharam em silêncio.
O sol nascente fazia com que os pássaros abandonassem seus ninhos, dando voltas pelo céu. E, ouvindo aqueles pios e cantos incessantes, eles mantiveram os olhos baixos na direção do chão, como se já não houvesse assunto, como se fossem estranhos – e talvez já estivessem se tornando.
Ela pigarreou, decidida a dar logo um fim para aquela conversa, fosse qual fosse o tema. Seu corpo pedia apenas algumas horas de sono e não queria realmente se forçar a convidar Naruto para um café.
"Hmm, tudo bem com você?" perguntou ela, mais por praxe do que por interesse.
"Nem tanto." Havia desânimo na voz de Naruto. Olhou-a brevemente, então decidiu falar logo, vendo o desinteresse dela. "Eu-Hinata-chan, ela decidiu que era melhor que nós nos afastemos. Ela...Hinata se tornou uma parte especial da minha vida, após você ser brutalmente arrancada dela pelo seu casamento." Ele a olhou, acusador. "Compreenda, Sakura-chan, que eu te amo, mas se você prefere aquele imbecil...enfim-"
Naruto interrompeu a si mesmo naquele momento, deixando a conclusão das suas palavras no ar, enquanto voltava o olhar para os pássaros no céu. E Sakura não fez menção de interrompê-lo em sua observação, um pouco surpresa pela maneira como o loiro se expressara, claramente.
Ela desconfiou que talvez fosse a presença de Hinata que estivesse lentamente modificando o intelecto e o jeito de agir e de pensar de Naruto.
"A Hinata mudou algumas coisas em mim." Ele tocou o próprio peito, sem saber o que se passava pela cabeça dela. Sua voz ainda era um pouco alta, porém, menos espalhafatosa. "Ela é uma grande e querida amiga. E me faz sofrer saber que ela sofre, saber que ela está tentando me afastar, me jogar para longe." Naruto apertou o tecido da camiseta, onde antes a tocara. "Me ajude." Pediu ele, suplicante.
Sakura ficou em silêncio e já podia avistar os contornos do seu apartamento ao dobrar a esquina, tentando colocar suas próprias conclusões em ordem.
"Me ajude, Sakura-chan." Os dedos de Naruto tocaram seu ombro, suavemente.
"Naruto, você ama a Hinata?" perguntou Sakura, parando de andar. Sua expressão séria mostrava que não estava para brincadeiras, como talvez ele pudesse ter imaginado. "Você ama a Hinata?" repetiu, mais pausadamente.
Naruto arregalou os olhos, surpreso pelo teor da questão.
"Ela é-"
"Não, Naruto. Pense bem, analise bem. A presença dela para você, o sorriso dela para você. Você ama a Hinata?"
Silêncio.
"Eu tentei, do jeito que ela queria." Ele disse, subitamente.
"Naruto, você-você sabia...?" a voz de Sakura foi morrendo em sua garganta diante da constatação de que, por si só, Naruto tomara um passo na direção da Hyuuga, que compreendera, entendera finalmente.
Mas o rosto sério do loiro não dava margem a uma felicidade genuína, como ela imaginou que ele sentiria. Tão abandonado e solitário, como se mostrava, suas palavras e até mesmo sua expressão anunciavam a catástrofe, pedindo desesperadamente para que ela estendesse sua mão e o agarrasse.
E, num estalo que fez com que uma vertigem violenta acometesse todo seu corpo, Sakura percebeu que Hinata já tomara consciência da não-reciprocidade dos sentimentos dele. Não da falta de conhecimento, mas da aversão.
"Hinata, há um tempo atrás, sorriu para mim e disse que eu era especial para ela. Eu entendi naquele momento. Embora eu tenha tentado, eu acho que não está funcionando. Eu a beijei um tempo atrás." Ele murmurou, encarando as próprias mãos. "Sakura-chan, ela está deliberadamente me empurrando para longe, ela que é tão importante para mim...fugindo, se escondendo..."
Pensar que Hinata continuara apenas no platonismo tornou-se subitamente estúpido.
A Hyuuga, que aparecera na noite passara para lhe ver, o desespero em seus olhos refletindo nos gestos trêmulos, no ódio que tomava seu coração. Nauseada, Sakura sentiu vontade de correr. Ela não queria escutar o que estava por vir.
"Ela é a amiga mais importante que eu tenho." Disse Naruto e, então, seus braços seguraram os de Sakura, a expressão decidida em seu rosto fazendo-a procurar se afastar. "Eu tentei, Sakura-chan, por ela, por mim...mas não adianta. Eu continuo amando você." Ele puxou-a contra si, apertando-a.
Imóvel, Sakura tomou consciência da imensidão da adoração que Naruto tinha por ela.
"Me ajude." Pediu ele, a voz abafada contra seus cabelos, sentindo o cheiro de shampoo que exalava deles. "Traga a Hinata-chan para mim, para que eu continue tentando...Sakura, não me abandone." Suplicou Naruto.
Empurrando-o com violência, ela deu as costas e saiu correndo, ainda sentindo a respiração dele no seu pescoço, deixando-o lá, prostrado, largado e frustrado.
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N/A: Naruto um pouco diferente. Optei por fazê-lo um tanto mais maduro e psicologicamente perturbado huhuashuas Ele finalmente criou cérebro para ter confusões sentimentais dignas, né, gente? Dêem um desconto ;D Acho que esse foi um capítulo particularmente dramático, em meio as aparições engraçadas da Maya. Enfim, ficou legalzinho, vai...xD
No próximo capítulo, que eu postei em contíguo desse, está o especial que eu disse. Deixem comentários tanto no cap da fic como no especial, hein? n.n E valeu a demora, porque vieram dois de uma vez só xD
Please, leiam, continuem acompanhando e deixem reviews \o
