Rin entrou debaixo das cobertas de sua cama. Fechou os olhos, enquanto Helen apagava a vela que havia no criado-mudo e saía do quarto, fechando a porta silenciosamente. Então começou a contar de um a cem para ter certeza de que a criada havia descido para o andar inferior e se recolhido.

Ansiosa, pulou da cama, correu até o guarda-roupa, escolheu um vestido bem simples e o colocou por cima da camisola. Depois foi até a penteadeira onde ajeitou o cabelo, fazendo duas tranças que prendeu no alto da cabeça.

-#Sapatos – murmurou.

Seria inconcebível andar pela rua descalça.

Consultou o relógio que havia em cima da lareira. Meia-noite e dois. Ela tentara convencer os irmãos a voltarem mais cedo do jantar na casa dos Gurnsey, mas Miroku estava determinado a ganhar pelo menos um jogo de charadas. Por conta daquilo, estava atrasada.

Sabia que o marquês de Deverill tinha pouca paciência e , como não estava parado na esquina para encontrar uma mulher com quem fosse se divertir, duvidava que ele a esperasse por muito mais tempo.

No último momento, decidiu usar um chapéu. Assim, se alguém passasse pela carruagem não a reconheceria, já que estaria com o rosto meio coberto. Afinal, o que pretendia Era apenas sentir o sabor da liberdade, não arruinar sua reputação.

Respirou fundo, procurou tomar coragem e partir para grande aventura. Claro que ir nadar à noite com um amigo em quem confiava não era assim tão notável. Ela já completara vinte e um anos e nadava desde os oito.

Colocou a mão na maçaneta da porta e continuou hesitante.

Abra a porta, Rin, ordenou a si mesma e, num ato que exigiu um bocado de coragem, viu-se no corredor silencioso, mas ainda iluminado pelas velas que havia nas paredes. Se tivesse um tremendo azar, toparia com alguns dos irmãos, vagando pela casa. Fez uma pequena prece para não encontrar nenhum criado também.

O coração parecia querer saltar de seu peito. Se essa seria a aventura de sua vida, não tinha certeza de sobreviver a algo mais extenuante. Na verdade, escapar da casa e do olhar vigilante de Melbourne a deixava mais do que preocupada. Mas aquela sensação desapareceria quando estivesse na caruagem de Sesshoumaru Isso, se chegasse até ela.

Parou no hall de entrada, atenta a passos, vozes ou alguma coisa que indicasse que não era a única acordada na mansão. O silêncio era sepulcral.

Demorou um pouco a seguir, lembrando-se que os irmãos deveriam ser informados sempre que saísse de casa. Por certo, nenhum deles permitiria que ela nadasse no Hyde Park à meia-noite, mesmo que não soubessem que ela tinha a intenção de se despir lá. Por isso, começava ali a violar as regras e sentir o perfume da tão aclamada independência.

Desse modo, a saída devia ser mais sigilosa possível.

O relógio da sala bateu, lembrando-a de que estava muitos minutos atrasada. Testar a paciência de Sesshoumaru era arriscado, era melhor se apressar. Contou a té cinco, abriu a porta e viu-se no jardim. Segurando a saia com uma das mãos, correu até a esquina, murmurando a cada passo:

Por favor, esteja lá. Não me decepcione, Sesshoumaru.

No silêncio da noite, debaixo de uma lâmpada de gás, um coche preto estava estacionado. De repente, ocorreu a Rin que alguém poderia ter ouvido sua conversa com Sesshoumaru, e poderia se Naraku a aguardá-la na escuridão. Receosa, diminuiu o passo, mas não parou. Não iria desistir levada por medos imaginários.

Quando chegou mais perto, o escudo amarelo de Deverill ficou visível, estampado na porta da carruagem e ela soltou um suspiro de alívio. O marquês viera e a estava esperando. O cocheiro a ignorou, parecia olhar para direção oposta. Sem dúvida, estava acostumado com os encontros secretos de Sesshoumaru em horas tardias.

Rin bateu à porta da carruagem, que imediatamente se abriu.

-#Boa noite minha querida – Sesshoumaru a cumprimentou e estendeu a mão para ajudá-la a subir os degraus do coche.

-#Não sabia que ainda estaria aqui – ela murmurou, sentando-se em frente a ele.

No escuro, usando um casaco preto e calça com colete cinza, Sesshoumaru parecia estar mais atraente. As linha marcantes do rosto estavam apenas insinuadas pela sombra, conferindo-lhe um certo mistério excitante.

Àquela altura, ela já não sabia se o pulsar acelerado do coração e os arrepios que percorriam seu corpo de alto a baixo eram por conta da presença máscula de Sesshoumaru ou pela própria aventura a que estava se expondo.

-#Eu disse que a esperaria aqui – ele sussurrou, fechando a porta da carruagem.

-#Sei que estou atrasada, desculpe-me.

-#Ainda estamos dentro do previsível. - Sesshoumaru tirou um frasco do bolso e o ofereceu a Rin. - Uísque?

Ela se sentiu tentada a experimentar. Mas achou melhor recusá-lo:

-#Não, obrigada. Porém, mantenha-o por perto. Posso precisar mais tarde.

Ele guardou o frasco sem beber.

-#Tem razão.

Pela primeira vez, Sesshoumaru pareceu relutante.

-#Não quero obrigá-lo a se envolver em minhas aventuras – disse, desapontada, não com ele, e sim com a vida que os colocava em posições tão distantes. O que para ela representava uma grande conquista, para ele deveria ser algo monótono, considerando sua experiência e reputação. - Posso arranjar uma carruagem e ........

-#Seria bem mais interessante vê-la chegar em casa, molhada e em uma carruagem alugada.

Ela sorriu apesar do nervosismo. Para alguém tão perigoso, Sesshoumaru tinha um jeito especial de deixar as pessoas à vontade.

-#Muito bem. Estamos indo ao Hyde Park?

-#Foi o que pediu, não? No entanto, alterei um pouco o combinado inicial. Eu não permitiria que se banhasse nas águas sujas da represa, mas encontrei um pequeno lago, bem agradável e meio escondido, no canto nordeste. E tem uma atração adicional, está o mais longe possível da Mansão Griffin.

Longe de casa e da segurança que a propriedade lhe proporcionava, Rin pensou. Por um momento, sentiu-se inquieta.

Sesshoumaru percebeu a ansiedade.

-#Eu disse a você como me relaciono com as mulheres. O interesse deve ser mútuo ou não há acordo. Assim, se a qualquer momento quiser desistir, é só avisar que mandarei Dawson manobrar a carruagem e levá-la de volta para casa. Ou, se preferir, diga apenas a Dawson, e ele o fará. Meu cocheiro tem instruções de receber as suas ordens acima das minhas.

O gesto surpreendeu Rin, e, embora não quisesse admitir, acalmou-se.

-#E se eu ordenasse a ele que o deixasse nesta rua e me levasse de volta para casa?

-#Eu voltaria a pé para casa. Não muito feliz claro.

-#Então devo me refrear para não fazê-lo – comentou ela, rindo.

-#Obrigado. - Sesshoumaru observou o traje de Rin com curiosidade. - Interessante escolha da roupa.

Ela lutou para não enrubescer, apesar de que sempre acontecia quando os olhos de Sesshoumaru se detinham em alguma parte de seu corpo.

-#Pensei que vestir alguma coisa simples seria mais apropriado.

-#Já que não vai usá-la por muito tempo, é o que quer dizer? A não ser que planeje nadar completamente vestida......

-#Apesar de confiar em você, Deverill, acho que quanto menos souber do que pretendo fazer, melhor será.

-#Como desejar. Estava apenas curioso. Não me recordo de nenhuma mulher com quem me relacionei ter nadado em um lago de Londres. Não de propósito naturalmente.

-#Então vou lamentar por elas depois que eu o tiver feito.

-#Eu já lamento desde já, porque, mesmo as tendo conhecido tão bem, não sei nada sobre seus hábitos de banho.

-#Não é assim tão mau – Rin opinou, mantendo um tom suave de voz. - Não lamento conhecê-lo.

-#Só conhece o meu lado bom – ele murmurou. - Veja, chegamos ao parque. Agora falta pouco para alcançarmos o lago. Importa-se em me antecipar só um pouco o que vai fazer? Devo levá-la até a água, depois me virar de costas e ficar de guarda? Ou devo esperar na carruagem enquanto se banha em paz?

Ela queria que Sesshoumaru fosse junto, mesmo que aquela fosse a pior idéia do mundo.

-#Eu me sentiria...... melhor se pudesse ficar por perto, mas, uma vez que me indique a direção do lago, posso ir por conta própria.

Ele concordou.

-#Trouxe uma manta ou alguma coisa para cobrir o corpo molhado? - Sesshoumaru perguntou.- Estou preocupado com que fique doente.

-#Esqueci completamente desse detalhe.

-#Mas eu não – atestou triunfante, tirando uma manta de um baú, debaixo do assento.

Os dedos de ambos se tocaram quando o marquês entregou a ela uma coberta. Poderia ter sido acidental, mas, desde o último beijo que haviam partilhado, Rin não tinha mais certeza de nada. Nem desejava ter. Imaginava que Deverill se excitava ao estar do lado dela tornava a vida bem mais interessante.

-#Obrigada. A que horas acha que devemos voltar? Stanton se levanta antes das cinco, acredito.

-#Depende de quanto tempo pretende ficar na água.

-#Bem, só poderei afirmar ao descobrir a temperatura da água.

Ele não riu, antecipando o encantamento de vê-la mergulhar apenas a ponta do pé.

-#Achei o lugar, mas não posso garantir que a água não esteja gelada.

-#O que é justo. - Ficou sem saber o que mais dizer e o silêncio perdurou por alguns instantes.

A carruagem aproximou-se do local onde ficava o lago.

-#Vou tentar não demorar – ela prometeu.

-#Leve o tempo que quiser, Rin. Este é o seu momento de liberdade.

Ela soltou um suspiro profundo.

-#Por que será que estou tão ousada? Isso está me deixando com os nervos à flor da pele.

Sesshoumaru sorriu maliciosamente.

-#Começo a achar que não está tentando provara nada a ninguém, mas sim a você mesma. Se nada não a fizer se sentir feliz, arrumarei uma viagem de balão ou......

-#Não me esquecerei disso – ela falou, rindo, sem perceber a malícia daquele silêncio proposital no final da frase. - Oh, está bem escuro aqui, não é? - Olhava através da janela da carruagem.

-#Acenderei uma tocha à beira do lago. E estarei por perto, mantendo guarda. Mas, se desistir.....

A carruagem parou finalmente, e Rin desceu.

-#Quero seguir adiante! - ela exclamou.

-#Muito bem. Venha por aqui – Sesshoumaru disse, após pegar uma lanterna que havia na carruagem.

Atravessaram uma área de vegetação exuberante que conduzia ao lago, cercado de enormes carvalhos. Rin parou à margem.

-#É como imaginei – ela murmurou.

Ele sorriu, satisfeito.

-#Este lago é usado como pia batismal, o fundo deve ser bem firme. - O marquês colocou um lampião em cima de uma pedra, depois começou a se afastar. - Vou ficar ao lado das árvores. Chame quando estiver pronta para sair.

-#Obrigada.

Ele ainda a observou colocar a manta num canto e tirar os grampos dos cabelos, que caíram como uma cascata sobre os ombros delicados, acariciando a pele macia e se agitando com a brisa. Engoliu em seco e se esforçou para dar as costas àquela visão magistral.

-#Divirta-se – Sesshoumaru conseguiu dizer.

Deus! Só em vê-la soltar os cabelos com toda a inocência o deixava surpreendentemente excitado. E não podia fazer nada. Tinha obrigação de se manter a distância, não apenas por ela, mas por Bankotsu.

Parou e encostou-se em uma árvore.

-#O que está acontecendo Sesshoumaru?! - resmungou, passando as mãos pelo rosto.

Oh, havia dito a Rin que se divertisse. Enquanto isso, teria que ficar ali, contando os minutos que começavam a se arrastar.

Ouviu o barulho da água. Mantendo o olhar na lua nova, ele se recusou a imaginar as curvas do corpo de Rin, agora molhado pelas águas do lago. Já tinha passado dos limites beijando-a, não só uma, mas duas vezes. Não cometeria esse erro novamente. Nem mesmo que isso acabasse com sua tranqüilidade.

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Rin prendeu a respiração quando a água fria envolveu seu corpo. Deveria ter escolhido nadar à tarde. Mas a indiscrição que cometia não poderia acontecer, a não ser naquela escuridão e longe de olhares curiosos. Bankotsu desfaria o acordo se ela rompesse as regras do bom senso e da decência. Não que estivesse naquele momento fazendo algo imoral.

Porém, não poderia dizer o mesmo com referência aos pensamentos nada inocentes com um certo marquês, considerado o exemplo de libertinagem.

Aos poucos seu corpo foi se adaptando à temperatura da água. Não estava tão ruim, pensou, submergindo completamente. Depois nadou para o centro do lago.

Nadar na escuridão provocava uma estranha sensação, nunca experimentada nos tempos de criança. Sentia o corpo, a pele, as vibrações, os desejos todos aflorarem à vontade. Até o roçar dos cabelos em seus seios provocavam arrepios.

Talvez a presença de Sesshoumaru por perto fosse a razão ela compreender definitivamente o que era ser mulher.

Mais do que nadar, queria agora os beijos e as ousadias do marquês.

Procurou afastar tais pensamentos e se concentrar no prazer de estar ali. De repente, lembrou-se do irmão mais velho e na reação que teria se a soubesse nadando nua com um pervertido como guardião. Ele certamente cairia morto, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Para expulsar qualquer energia positiva que pudesse interferir na glória daquele momento, nadou até que os braços e as pernas começaram a doer. Mesmo relutante em deixar o lago, sabia que chegara a hora de encerrar a aventura e sair dali. Precisava voltar para casa antes que os criados acordassem.

Levantou-se, firmou os pés no leito do lago e começou a caminhar pela margem. Sabia que não repetiria tamanha ousadia. O que era uma pena. Mesmo assim, sempre teria como recordação aquele momento de extrema liberdade.

Já em terra firme, começou a puxar a vestido e deu com dois olhos estranhos a observando, ali mesmo, aos seus pés.

Seria um esquilo? Um ouriço?

Não era de sua natureza ter medo de bicho algum, contudo estava nua e isso a fazia sentir-se fragilizada.

Soltou um gemido, sem saber que atitude tomar . Fez um movimento com o pé, procurando espantá-lo, mas o animal reagiu, arreganhando os dentes ameaçadoramente.

-#Sesshoumaru......- chamou em voz baixa.

Por mais baixo que tivesse sido o chamado, o marquês surgiu do nada.

-#Rin?

Ela de imediato voltou à água e esperou que Sesshoumaru se aproximasse.

-#Alguma coisa errada?

-#Há um bicho embaixo do meu vestido.

Sesshoumaru foi até a pilha de roupa com olhar duvidoso.

-#Tem certeza?

-#Posso garantir nunca ter ouvido um vestido de seda rosnar. Livre-se desse animal para que eu possa sair da água, por favor!

Ele a observou por um momento, depois procurou um pau ou alguma coisa que pudesse espantar o bicho.

Encontrou o que queria e bateu no chão perto do vestido. O animal em vez de fugir, assustado, agarrou com os dentes a ponta do galho que Sesshoumaru tinha nas mãos. Praguejando o marquês usou da força e conseguiu movimentar o ramo na direção das árvores. O que aconteceu, porém, foi que homem, bicho e galho caíram no lago. Rin não conseguiu conter o riso.

-#Oh, muito bem. Muito obrigado – ele resmungou, enquanto tentava se colocar de pé. Estava totalmente encharcado!

-#Desculpe – ela pediu, não contendo o riso. - Mas quem já teve a chance de ver o marquês de Deverill cair no lago do Hyde Park?

Sesshoumaru pensou em responder, mas o estranho animal o mordeu e depois nadou até a margem, saindo do lago e sumindo por entre as árvores.

A situação era tão ridícula que o próprio marquês não conteve o riso. Tirou uma bota depois a outra, jogando-as para fora da água.

-#O que pensa que está fazendo? - ela perguntou sentindo um arrepio percorrer a sua espinha.

Sesshoumaru parou, maneou a cabeça e olhou para Rin sem se perturbar.

-#Vou nadar. Não disse que se eu quisesse, poderia lhe fazer companhia?

O coração de Rin bateu em descompasso.

-#Mas eu ........ estou sem roupa.

Em segundo, ele tirou as própria roupas, jogando-as em cima do casaco que já estava no chão.

-#Vou tentar recuperar o tempo perdido.

Rin pensou em retrucar dizendo que isso não era necessário, mas nem seu olhar nem a mente podiam ir além da visão deslumbrante daquele peito nu e do abdome musculoso.

-#Mas já estou saindo da água...... - ela gaguejou, forçando-se a encará-lo novamente.

-#Então faça isso. Precisa de ajuda?

-#Sesshoumaru eu............

-#Quer que eu vá embora? - ele perguntou em um tom sensual.

-#Não quero – ela apressou-se em responder antes que se arrependesse da própria ousadia.

Sesshoumaru submergiu completamente na água, enquanto ela se afastava para a parte mais funda do lago para poder endireitar o corpo que estivera curvado nos últimos minutos. Sabia que aquilo era loucura, mas ao mesmo tempo uma voz marota de sua mente dizia que seria doida se deixasse o momento passar.

Como uma criança se divertindo, ele emergiu e submergiu mais uma vez, deixando à vista somente o movimento do pé descalço.

De repente, Rin tomou consciência do canto dos grilos e do barulho da água que soavam como notas de musicas no ar. Sentiu a respiração ofegante, e o coração batendo forte. Quando Sesshoumaru emergiu a uma pequena distância, com a água escorrendo pelos cabelos loiros, e a linhas marcantes do rosto, refletindo o luar prateado; Rin sentiu que a brisa leve os trasportava para um mundo onde só valiam os sentimentos e sensações.

-#Sesshoumaru?

-#Sim, minha querida?

-#Você me beijaria de novo? - ela sussurrou o pedido, estranhando ser dona de tamanha sensualidade no tom de voz.

-#Eu a alertei sobre o que poderia acontecer a partir de um terceiro beijo – ele respondeu suavemente.

-#Sei disso.

-#Vou pensar no assunto – ele disse, e mergulhou novamente.

Rin ficou à espera do próximo movimento do marquês, irritada com a provocação. Afinal já havia dado o primeiro passo, por que ele insistia em estragar a noite mais importante de sua vida? Não teria coragem de ousar tanto novamente, confessando a um homem o quanto o desejava.

De súbito, lábios ardentes tocaram seu ombro desnudo, e uma mão forte acariciou os cabelos molhados que cobriam os seios exuberantes. Movida por uma emoção desconhecida, ela ficou imóvel, deliciando-se com as carícias que aquela boca sequiosa proporcionava á pele do pescoço, aventurando-se para o colo.

-#Resolvi atender ao seu pedido. - A voz grossa sussurrada ao ouvido, deixou-a totalmente entorpecida. - Mas vou lhe dar mais uma chance de mudar de idéia agora. Tem certeza de que é isso mesmo que quer?

-#Sim, esta é a aventura que desejo. Mas, apenas por esta noite.

Sesshoumaru precisava entender que não tinha intenção de embarcar em um romance porque, além de matar os irmãos de desgosto, seu futuro estaria arruinado.

-#Ora, querida, este é o acordo que todo homem sonha em fazer.

Ainda de mão dadas, ele fez um movimento para trás e Rin perdeu o equilíbrio, apoiando-se contra o peito musculoso..

-#Esta é sua noite – ele murmurou, afastando seus lábios por um momento. - O que quer fazer? O que quer que eu faça?

-#Não quero nenhum movimento estudado........

E entremeando os dedos pelos cabelos molhados do marquês, sedendo aos impulsos mais desvairados, deixou-se embarcar naquela espiral estonteante, tomando uma vez mais a iniciativa de beijá-lo.

A sensação era extraordinária: os lábios de Sesshoumaru tocando sua pele quente; corpos que se roçavam, envolvidos pela água fria, causando pequenas e alucinantes sensações de choque de temperatura.

Quando pressionou seu corpo frágil contra o dele, percebeu que formava uma única escultura humana, moldada com o perfume do desejo e da paixão. De repente, ao senti-lo excitado, implorando-lhe a entrega total à masculinidade que, latejante, insinuava-se pelas cochas macias, resolveu perdurar um pouco mais o prólogo de sua aventura única.

Então, ela resolveu mergulhar, afastando-se o suficiente para instigá-lo a vir procurá-la debaixo d'água. Não demorou muito para sentir-se presa a braços fortes.

Abruptamente o ar faltou e ela emergiu. Sesshoumaru surgiu à sua frente.

-#Cristo, não pretendia afogá-la.

-#Não foi isso. Sesshoumaru ....... Eu quero ver você.

Ele não pareceu nem um pouco surpreso com o pedido, por isso porque provavelmente tinha feito a mesma coisa com muitas outras mulheres, talvez naquele mesmo lago. Rin sentiu um frio na espinha, então gemeu quando ele a puxou de encontro ao corpo viril e capturou mais uma vez sua boca.

-#Espero que aquela maldita doninha tenha ido embora – Sesshoumara murmurou, nadando até a margem, saíndo do lago. Pegou a manta e imediatamente a estendeu no chão.

-#Talvez devêssemos ter ficado na água – ela sugeriu, dando uma olhada nos arbustos em volta, saiu da água correndo.

-#Você não entendeu o pretexto, minha querida – ele retrucou, deitando sobre a manta, e puxando-a para deitar-se ao seu lado. - É que eu também quero vê-la.......

-#Mas já viu tantas mulheres nuas antes ...... - Rin sentiu o rosto arder em um misto de ódio, ciúme e vergonha. - E também me viu quase nua naquela noite terrível.

-#Oh, sim. Admito que observei cada detalhe do seu corpo. Você tem ocupado um bom espaço em meus pensamentos. Vou tornar esta noite perfeita para nós dois.

Sorrindo, ele acariciou-a no rosto com a ponta dos dedos, depois tomou-a em um beijo ávido. No momento seguinte, com a mão em concha, capturou um dos seios. Foi um toque leve e lânguido, mas a antecipação do próximo passo a deixavam os seios, enquanto a boca quente descia pela pele arrepiada até encontrar os mamilos já túrgidos.

-#Sesshoumaru! - ela gemeu, inclinando a cabeça para trás e arqueando as costas, oferecendo-se sem preconceitos.

Renderam-se ao bailado de línguas, enquanto as mãos grandes se apossavam dos seios. Rin sentia espasmos de prazer a cada novo toque e nova sensação.

Pensar com lógica seria impossível; cada pedacinho de seu cérebro estava focado em apenas memorizar o movimento sensual. Aquela noite seria única, nada passaria sem ser fotografado na memória.

Não havia mais espaços para acanhamentos pueris, assim ela agarrou o membro rijo.

Com os olhos fechados, Sesshoumaru sentiu-se pronto para consumar o ato, ao sentir que as mãos delicadas começavam a massageá-lo. Um leve sorriso iluminou seu rosto, ao mesmo tempo em que suas mãos deslizavam pelo ventre macio, até atingir os pêlos sedosos da virilha de Rin.

Inebriada, ela deixou-se cair sobre a manta enquanto o sentia explorar sua intimidade. Agora, a boca ávida movia-se por seu corpo, a língua atrevida, sedenta por se fartar do líquido que lhe escorria pelas coxas bem torneadas.

-#Oh, Deus – gemeu enquanto ele continuava com aquele doce tormento.

Rin sentiu a bruma da morte iminente. Imaginou que não seria capaz de suportar o calor tão intenso, a paixão alucinante, todo aquele desvario de emoções.

A doce descoberta começou quando Sesshoumaru descansou os joelhos entre suas coxas e se inclinou para outro alucinante beijo. Pele pressionava pele. Rin segurou a respiração quando começou a penetrá-la vagarosamente. Ela sentiu a pressão, e então uma dor aguda, seguida por uma sensação indescritível quando começaram os movimentos rítmicos da dança mais primitiva.

Com as unhas encravadas na pele das costas largas, ela seguiu a mesma cadência, com o coração retumbando, desafiando qualquer outro instrumento de percussão.

Quisera tornar-se mulher plena por tanto tempo, antes mesmo de saber precisamente o que era. Jamais imaginou que poderia possuí-lo da mesma forma com que se entregava. Por um breve momento que fosse, monopolizava todas as atenções e sentimentos; sentiu-se dona daquele corpo másculo que rendia-se às suas aspirações mais íntimas. Sesshoumaru gemeu, aprofundando a penetração, pressionando o corpo frágil com o peso de sua masculinidade.

Segundo o compasso natural, os movimentos e as estocadas se tornaram mais rápidos, e, com um grunhido, ele alcançou o seu clímax. Gentilmente largou o corpo saciado sobre o dela, os lábios acariciando-lhe o pescoço, mordiscando o lóbulo......

Abraçado daquela forma, os corações pareciam um só batendo em uníssono.

Bem devagar, a névoa que os envolvia naquele doce delírio começou a se dissipar, os sons dos grilos e sapos voltaram e os trouxerem de volta ao mundo.

O cenário era o mesmo, mas a realidade de Rin estava modificada para sempre. Estava amparada por braços fortes com a bênção da lua que os envolvia em seu manto prateado. Qualquer outro homem que ela conhecesse depois desta noite não seria como Sesshoumaru, mas ela manteria para sempre a lembrança do modo como ele a fizera sentir, desde o primeiro instante em que haviam se deitado sobre até o ato consumado. Isso significava alguma coisa, mas não se arriscaria a arruinar a magia daquele momento com explicações desnecessárias.

Um beijo mais terno veio selar a comunhão dos corpos satisfeitos pelo prazer. Ele encontrou os lábios ainda quentes, embora inchados de tantas carícias.

Até para o experiente marquês aquele ato de amor fora único, surpreendendo-o com a vontade de não parar de beijá-la. Estranhou também que Rin não usara de recurso algum para seduzi-lo. Ao contrário, fora sincera ao extremo ao confessar o desejo reprimido e demolira qualquer possível preconceito ao se entregar com ardor e entusiasmo. Coroando ainda com a promessa de não fazer exigência alguma.

Foram inúmeras as mulheres que passaram por sua cama, mas Rin fora a única a tatuar seu coração com as tintas do mais profundo amor.

Sesshoumaru estremeceu com a friagem da noite e sentiu que ela também tremia

-#O que está achando de sua aventura? - perguntou.

Ela apenas sorriu.

-#Não poderia sonhar com algo semelhante.

-#Bem, considerando que já é de madrugada e minhas roupas estão nesse estado, eu......

-#Sei, sei. Se não voltarmos logo, metade da criadagem estará acordada para me cumprimentar à porta da frente.

-#E não queremos isso, não é?

Claro que não. Isso significaria que ele seria forçado a se casar com Rin, esto é, se sobrevivesse da bala que Bankotsu certamente acertaria em seu peito.

Mesmo diante do possível desastre que aquela aventura poderia ter, Sesshoumaru desejou compartilhar o que sentia, queria contar que fora uma experiência única. Mas, Rin continuava calada, observando as estrelas, perdida em pensamentos.

Com a razão já se apossando daquele universo mágico, resolveu então se vestir, enquanto ele o observava atentamente.

Fale alguma coisa, ordenou-se, procurando compor alguma frase espirituosa que a deixasse mais à vontade e ele não parecesse um completo idiota apaixonado.

-#Casarem você com algum bobalhão seria um desperdício – comentou, estendendo a ela um dos sapatos enquanto calçava a bota.

-#Pelo menos posso dizer que fui protagonista de uma aventura sem ter que pedir permissão a ninguém.

Os olhares se encontraram e conversaram em um silêncio eloqüente, até os amantes trocarem um último beijo, agora carregando de uma emoção diferente, cheio de promessas.

-#Acho que é melhor voltarmos para casa antes que se arrependa do que fez.

-#Não há a menor chance de isso acontecer.

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Gente fui o mais rápida do que pude desa vez, espero que tenham gostado....
Gente e meia-noite to morta.....

Espero reviews, se der eu coloco mais um capitulo na sexta-feira....