Incertezas - capítulo 10

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Dean/Sam/John

Sinopse: Sam é um garoto de 17 anos, vivendo uma adolescência conturbada... Tem problemas de relacionamento com a família, é doce e inocente, mas ao mesmo tempo encrenqueiro, curioso e cheio de dúvidas... principalmente quanto ao amor que sente por seu irmão Dean, agora com 21 anos ( Slash / AU).

Nota: Os três não são caçadores.


Dean seguiu o caminho de volta para casa sentindo um aperto no coração, com a nítida sensação que as coisas nunca mais seriam como antes.

Alguma coisa tinha se quebrado, sentia como se faltasse um pedaço de si mesmo... Sabia que bastava uma palavra sua para que Sam jogasse tudo pro alto e voltasse atrás, mas a razão mais uma vez lhe impedira de fazer isso.

Tinha vontade de chorar e gritar, mas nem sequer isso conseguia fazer... Precisava deixar Sam seguir seu caminho, sabia que por mais que doesse a separação, este era o caminho certo a seguir.

Em pouco tempo Sam o esqueceria, iria estudar, fazer novos amigos, namorar, e finalmente conseguiria tirar da cabeça aquelas idéias malucas de estar apaixonado por Dean. Porque Dean sabia que isso era apenas uma fase pela qual Sam estava passando. Ele teve uma adolescência difícil, e ainda sentia muita falta da mãe. John como pai também não colaborava nem um pouquinho, então Dean sabia que Sam descontava a sua carência nele, que fora quem mais esteve ao seu lado desde que Mary morreu.

Dean acreditava fielmente que isso tudo iria passar, que com a distância Sam iria retomar sua vida, e que algum dia os dois iriam rir muito disso tudo...

Bom, isso era o que pensava em relação ao que Sam sentia, mas e quanto a si mesmo? Conseguiria tocar a sua vida, sem pensar a todo momento naquela noite em que se deixou levar pelas emoções, e acabou cometendo o maior pecado de amar seu próprio irmão? Conseguiria esquecer a maciez da sua pele, dos seus lábios, a sua voz, os sons que Sam emitia na hora do sexo, seus gemidos, seu calor... Como poderia esquecer tudo isso e seguir em frente?

Dean saiu de seus devaneios ao chegar em casa, e ver que John estava de braços cruzados na porta o esperando.

- O que deu em você, Dean? Este carro nem estava pronto ainda, você não podia ter saído com ele...

- Eu não teria feito, se o senhor não tivesse saído com o meu carro.

- Eu tive um chamado de um cliente, não podia deixar ele na mão.

- E quanto ao seu filho? O senhor não se importou em deixá-lo na mão?

- Eu não...

- Tudo bem o Sam ir de táxi até a rodoviária, porque afinal o senhor não podia mesmo deixar um maldito cliente na mão...

- Dean, eu não...

- Que merda pai! Que merda o senhor ta fazendo? Já não bastou ontem a noite? E eu aposto que o senhor nem se despediu dele, não é?

- Dean, você sabe que eu não gosto de despedidas, e depois, logo ele vai estar de volta.

- Logo? Eu nem sei se ele vai aparecer para o Natal! Por que, Pai? Só me diz por que...

- Do que você está falando?

- Da frieza com que o senhor sempre tratou o Sam, por exemplo...

- Dean, eu sempre tratei vocês por igual, que bobagem é essa, agora?

- Bobagem? Antes eu nunca me meti, porque foi um pedido do Sam, mas o senhor acha que eu nunca estranhei a sua forma de tratar ele... sempre implicando com o que ele fazia, sempre criticando...

- Você sabe muito bem que era ele quem sempre vivia me provocando... Ele fazia de tudo pra infernizar minha vida, e isso foi desde moleque...

- Talvez esta seja a forma que ele encontrou pra chamar sua atenção, não é?

- Olha Dean, chega desta conversa, ok? Para mim não existe diferença entre vocês, mas talvez eu tenha me expressado mal, e agora me deixa, que eu tenho um carro pra entregar. – John disse e saiu em direção a oficina.

Dean socou a parede com raiva, mas em seguida se arrependeu porque machucou sua mão, o que doeu pra valer...

O ônibus seguiu viagem, e Sam colocou seus fones de ouvido e ligou a música Black in Black do AC/DC, que era uma das preferidas de Dean... Se recostou no assento tentando dormir, afinal a viagem seria longa, mas foi em vão, sabia que não iria conseguir pegar no sono por pelo menos três dias.

Seus pensamentos logo vagaram para a noite passada, em que estivera nos braços de Dean. Parecia ter sido tudo um sonho, não fosse pela dorzinha incômoda em seu traseiro, diria que nada daquilo tinha sido real... Ficou confuso, pensando se Dean tinha feito aquilo mesmo porque desejava, ou se tinha feito por pena, ao vê-lo sofrendo... Era melhor apenas guardar as lembranças e não pensar no motivo, senão acabaria enlouquecendo...

Depois de longas horas de viagem finalmente chegou ao destino. Estava muito cansado, e foi direto conhecer o alojamento onde ficaria, e ao chegar ao seu quarto, se largou na cama e adormeceu... Despertou com um barulho horas depois, e ao abrir os olhos viu alguém, que imaginou ser o seu colega de quarto, arrumando as coisas em seu armário.

- Hey... pensei que você não fosse acordar nunca mais... Eu sou o Simon...

- É... eu... eu sou o Sam – Disse sonolento, sentando na cama.

- Puxa, você capotou aí mesmo, hein!

- Eu viajei por horas, estava mesmo cansado.

Sam ficou observando e notou que Simon era muito bonito...

- Você já conhece o lugar? Já foi ver a faculdade?

- Não, eu cheguei faz só algumas horas...

- Então vamos, eu te levo pra conhecer...

Bom, pelo menos agora já conhecia alguém, então não seria tão assustador... e a noite, ao retornar ao dormitório, quando ficou sozinho, Sam ligou para Dean...

- Hey, como foi de viagem? Correu tudo bem?

- Aham, ta tudo bem – Sam tinha os olhos marejados.

- E... você não tem nada pra me contar?

- Eu quero voltar pra casa, Dean! – Sam disse chorando, o que cortou o coração de Dean.

- Escuta Sammy, se acalma, por favor... Hoje é só o primeiro dia, logo as coisas vão melhorar...

- Eu não gostei daqui Dean, é estranho, e todo mundo fica me olhando...

Dean riu...

- Sammy, você já se olhou bem no espelho alguma vez? Você tem noção do quanto é bonito? É claro que as pessoas vão te olhar, seu tonto!

Sam teve que rir... Dean sempre conseguia isso.

- Eu já estou com saudades...

- Eu também Sam, mas você tem que ser forte... Assim que começarem as aulas você vai ter com o que se manter ocupado...

- Eu sei, e eu vou desligar agora, o Simon está voltando...

- Quem é o Simon?

- Meu colega de quarto...

- Hmmm... Bom, pelo menos você não está sozinho...

- É... até mais, Dean!

- Até mais, Sam...

Dean desligou o telefone e foi para o quarto, para que o pai não o visse chorar. Nunca pensou que fosse doer tanto, queria tanto poder estar lá para proteger Sam...

Na primeira semana Sam ligou todos os dias, mas tinha pouca privacidade, afinal não estava sozinho no dormitório, então passou a ligar cada vez menos...

Era muito difícil falar com Dean ao telefone, sem poder olhar dentro daqueles olhos verdes, e a distância machucava cada dia mais... Já fazia um mês que Sam estava longe, e se sentia cada vez mais angustiado, precisava saber o que Dean sentia a respeito, e Dean sempre fugia do assunto...

- Oi Dean...

- Oi Sam, como você está?

- Eu preciso saber, Dean...

- Do que você está falando?

- Daquela noite... por que você fez aquilo? Foi por pena de mim?

- Pena? Claro que não Sam, que idéia...

- Então por que, Dean? Me fala? Eu preciso saber o que você sente, por favor...

- Sammy... foi... foi um impulso, ta legal? Eu quis, eu te desejei... Mas foi um erro, e você sabe disso... Isso tem que acabar, você precisa seguir sua vida e me esquecer...

- Droga Dean! Eu esperava ouvir outra coisa...

- Sam, nós já conversamos sobre isso, nós somos irmãos, não dá pra simplesmente passar por cima disso...

- Sabe o que eu esperava, Dean? Que você largasse tudo aí e viesse pra cá, pra ficar comigo... Você nem iria precisar me tocar, só ter você aqui perto de mim já seria suficiente...

- Então para de sonhar, porque eu não vou fazer isso Sam, você sabe que não...

- Ta, então você quer mesmo que eu te esqueça? Que eu siga a minha vida sem você? – Sam chorava baixinho, não queria que Dean percebesse.

- Quero sim, é isso mesmo que eu quero. Vai ser melhor pra todo mundo...

- Mas eu ainda posso te ligar?

- Sammy, eu disse pra você seguir a sua vida, mas eu ainda sou seu irmão, e vou estar sempre aqui, sempre que você precisar...

- Ta bom Dean, até mais...

- Até...

Após desligar o telefone, Sam se atirou na cama e chorou desesperadamente... Mas decidiu que faria o que Dean queria, iria seguir a sua vida...

Parou com as ligações, afinal ouvir a voz do irmão sempre tornava as coisas piores, mas passou a enviar e-mails, afinal, querendo ou não, Dean era também o seu melhor amigo, e era também com quem sempre desabafava e contava suas coisas, fosse o maior dos problemas, ou uma besteira qualquer, Dean sempre estava disposto a ouvi-lo...

***

Dean,

Desculpa eu estar escrevendo e-mail ao invés de te ligar, estou evitando isso porque cada vez que eu ouço esta sua voz sexy ao telefone, eu acabo ficando excitado, e como divido o quarto com alguém, isso definitivamente não é uma boa idéia.

Os dias tem sido bem corridos, a faculdade não é a mesma moleza que era na escola, é trabalho em cima de trabalho o tempo todo. Bom, e como eu não tenho mais você e o John para infernizar, tenho mesmo me dedicado aos estudos, nem preciso te falar que as minhas notas continuam ótimas, não é?

Acabei de trocar de dormitório, a duras penas, aprendi que transar com o colega de quarto definitivamente não é uma boa idéia.

Eu sinto muito a sua falta Dean, tanto que chega a doer...

Se eu sobreviver, assim que der te escrevo novamente.

Com amor,

Sam.

***

- Caralho Sammy, é bom mesmo que suas notas estejam boas, pra compensar um pouquinho a sem-vergonhice... Tava demorando pra você aprontar, não é? Bom, não seria o meu irmãozinho se nao aprontasse... Também tenho saudades... Ah, e o John vai bem, já que você não perguntou...

***

Um mês depois...

Dean,

Resolvi seguir seu conselho, ou um deles pelo menos, e arranjei uma namorada. O nome dela é Jéssica, ela é muito inteligente e divertida. Quando eu a vi pela primeira vez, achei que estivesse sonhando Dean, ela parece um anjo de tão linda... Não sei se isso vai durar, mas eu estou tentando. Ah, o sexo também está sendo muito bom, apesar de eu sempre ficar com a sensação de que falta alguma coisa... Bom, ela é também uma grande amiga e uma ótima companhia, você iria gostar dela, com certeza.

PS. Eu ainda te amo, Dean! Se você mudar de idéia algum dia e quiser vir pra cá, eu largo tudo por você...

Sam.

***

- Hahaha... você com uma namorada?? Sem ofensas...

É claro que falta alguma coisa Sammy, ela não tem um pau, não é mesmo, seu safado! Bom, vou esperar que este seu anjo possa fazer milagres e consiga te converter... Torço sempre por você! Mas não vou mudar de idéia... Se cuida, irmãozinho!

***

Mais um mês depois...

Dean,

Como você já deveria ter previsto, meu namoro com a Jess não durou, mas apesar de tudo, continuamos grandes amigos. Ela é um amor de pessoa... Pois é, esta semana precisei ficar um tempo depois do horário e tirar umas dúvidas com o Mark, meu professor de matemática, loiro, sarado, de olhos azuis... Bom, você pode imaginar como foi, não é? Minhas aulas de "reforço" renderam bastante... Acabei de saber que ele é casado, mas sem problemas, eu não sou ciumento... a não ser quando se trata do meu irmão mais velho. E por falar nisso, você não me falou mais nada a seu respeito. Você está namorando alguém, Dean? Pode me falar, juro que não vou ter um ataque...

Com amor,

Sam.

***

Sam,

Presumo que suas notas de matemática estejam ótimas... Caralho, um professor, Sam? Você vai acabar expulso da faculdade por atentado ao pudor...

E eu não estou namorando, se isso te preocupa, só pegando umas e outras, mas nada sério...

***

E depois de quase dois meses...

Dean,

Eu tenho pensado muito em você ultimamente... Acho que quanto mais tempo sem você, mais a saudade aperta... Resolvi seguir seu outro conselho e procurar um psicólogo... é, um psicólogo... Incrível o que a gente acaba contando para uma pessoa totalmente estranha... Bom, eu quase saí do consultório numa camisa de força... Depois de ele ouvir todas as minhas loucuras, me aconselhou a me manter longe de você por um tempo, fazer atividade física para gastar energia, e a me relacionar com outras pessoas. Ele acha que se eu quiser realmente, eu posso mudar meus sentimentos em relação a você. Na verdade, eu estive pensando, e não sei se eu quero deixar de te amar Dean, seria algo como deixar de respirar para mim...

De qualquer forma, saí de lá com a impressão de que quem precisa de uma camisa de força é ele...

Eu estou tentando Dean, mas você já parou pra pensar no quanto a vida é injusta comigo? Por que justo o cara mais lindo, interessante e gostoso do mundo tinha que ser logo o meu irmão??

Com amor,

Sam.

***

Sammy,

Fico muito feliz que você tenha decidido procurar ajuda, e estou torcendo, do fundo do meu coração para que você consiga... E Sam, se relacionar com outras pessoas não quer dizer que você tenha que pegar a metade da população masculina da faculdade... Se cuida!

***

Com o passar do tempo, a quantidade de e-mails diminuiu significativamente, assim como o que vinha escrito neles. Sam ultimamente mencionava apenas coisas corriqueiras, dificilmente citava algo pessoal. Dean chegou a conclusão que finalmente Sam estaria conseguindo o tirar da cabeça.

Num ponto se sentia aliviado por isso, mas em outro sentia medo... medo do distanciamento que havia entre eles, medo de perder Sam para sempre...

Dean tentava o aconselhar, mas no fundo não sabia como lidar com os próprios sentimentos. Começou a sair para noitadas com garotas e bebida, para ver se conseguia seguir adiante e tirar seu irmão da cabeça, mas no fim das contas isso não ajudava muito.

A noite, quando ficava sozinho naquele quarto, não conseguia pensar em outra coisa além de Sam. Tinha noites em que acabava dormindo na cama dele, abraçado ao seu travesseiro, sentindo seu cheiro que ainda estava lá... A saudade o consumia por dentro... Pensava se Sam ainda sentia o mesmo, e torcia para que não, pois tudo o que mais queria era ver seu irmão feliz, e se isso significasse se afastar dele, então estava fazendo a coisa certa...

Sam não voltou para casa no natal e nem nas férias de verão... Foi idéia de seu psicólogo, maldito psicólogo... sugerindo que permanecesse longe de Dean. E Dean não reclamara, afinal ele mesmo tinha sugerido que procurasse ajuda, agora tinha que colaborar para não estragar tudo.

Mais de três longos anos se passaram desde que Sam saíra de casa, e hoje Dean completava 25 anos... Dean recebeu alguns amigos, mas nem isso conseguiu levantar seu ânimo...

Ficou lembrando de Sam mais do que nunca neste dia... Seu irmão sempre lhe fazia alguma surpresa... Uma festa, um presente, um bolo de chocolate, que era o preferido de Dean, tornava sempre esta data especial... Agora seu peito chegava a doer de saudades...

A noite, após todos terem ido embora, Dean foi até o seu quarto, e estava sentado na cama quando tocou seu celular... Olhou no visor, e era um número desconhecido...

- Alô... – Não obteve resposta...

- Alôô... Mas que filho da puta...

- Deixa de ser boca suja Dean, sou eu...

Dean ficou de boca aberta, seu coração disparou ao ouvir aquela voz...

- Sammy? Porque demorou tanto pra falar?

- Eu estava me acostumando com a sua voz novamente, me desculpa...

- Eu, é... – Dean estava tão surpreso e nervoso, que nem sabia o que falar...

- Feliz aniversário Dean! Bom, eu não posso te mandar um bolo de chocolate, mas eu mandei seu presente, deve estar chegando nos próximos dias, acho que você vai gostar...

- Sa... Sammy, obrigado... é... eu fico feliz que você lembrou. – Dean falou com os olhos marejados.

- Como eu podia esquecer, Dean?

- Mas então... é... o que você anda aprontando?

- Tudo na mesma... estudando, trabalhando em meio período... sabe, está sendo bom me manter ocupado...

- Ah sim, que bom... e você... continua morando no alojamento?

- Não, na verdade eu... eu estou dividindo um apartamento com alguém. – Sam falou receoso...

- Hmmm, bom, eu fico feliz por você – Dean mentiu.

No dia seguinte John apareceu com um embrulho que chegou pelo correio... Uma caixa de uns trinta centímetros... Dean rasgou o embrulho com pressa, e abriu um imenso sorriso ao ver o que era... Uma réplica exata do Impala em miniatura...

- Filho da mãe! Onde ele conseguiu isso? É igualzinho... perfeito!!

Até mesmo John teve que rir da felicidade do filho, que parecia uma criança que acabara de ganhar um brinquedo novo...


Continua...

Espero que não me odeiem muito pelo capítulo... rsrs

Beijos!!