Cap. 10

Já estava escurecendo quando o loiro conseguiu chegar ao seu apartamento, devia ser no mínimo 19h e provavelmente o pequeno ainda estava no estúdio. Entrou em casa e percebeu que estava quase tudo do jeito que deixará, procurou pelo pequeno não o encontrando, decidiu esperar-lo, afinal, uma hora ele voltaria. Sentou na confortável cadeira do seu escritório e ligou seu computador, o escritor estava começando a sentir uma pequena pontada de inspiração e assim começou a escrever...

Já havia se passado mais de 2h depois que Eiri começará a escrever, e nada do chibi chegar em casa. Estava ficando extremamente tarde, era praticamente impossível que o 'Empresário maluco' de Shuichi estivesse o prendendo na gravadora até essa hora. Seu texto ou o que você preferir chamar estava quase pronto faltava apenas alguns toques finais. O loiro decidiu ir até a cozinha, nada como comida para um pouco de inspiração. Olhou a porta da geladeira e reparou que seu bilhete não se encontrava lá, abriu-a e viu que a cesta de doces também não.

"—Será que ele?" Pensou alto, afinal, Yuki sabia muito bem que o pequeno entedia as coisas ao pé da letra, e amaldiçoou a si mesmo por não ter feito um bilhete explicando melhor, ou dizendo que voltaria em dois dias no máximo.

Pegou uma cerveja e voltou para o seu quarto, terminou de corrigir o texto que redigira, o imprimiu e guardou no bolso da blusa, juntou as chaves do carro e o celular, tinha que ir atrás do seu pequeno, senão, só Deus sabe que dia ele iria voltar.

Shindou estava nesse exato momento quase se matando de tanto rir, assistia um filme com seu amigo Hiro e nunca rira tanto durante sua vida. Já haviam jantado e aproveitando tanto a noite e a madrugada para ver os filmes mais bobos que encontrarem pela programação, já que estariam de folga no dia seguinte. Shuichi sempre gostara de passar as noites com o amigo por causa de coisas assim, sempre vendo filmes, rindo, sendo bobos e conversando. Era um alivio para ele. Entretanto, algo dentro dele não o deixava esquecer sobre toda a confusão, ainda tinha que se desculpar com o Yuki, esclarecer algumas coisas e primeiramente, saber onde 'aquela coisa' estava.

O loiro se encontrava no parque que sempre acostumava ir, ainda dentro de seu carro estacionado com o celular na mão. Já tinha ligado para Touma e ido pessoalmente na N-G, sem sucesso algum. O cunhado não havia visto o pequeno durante todo o dia e quando foi a gravadora informarão que ele já tinha saído. Pensou em ir até a casa dos pais do chibi, mas lembrou-se das brigas e broncas com o pai do rosinha por não aceitar o filho morando com outro homem. Yuki se esforçou mais um pouco, tentando lembrar ou imaginar um lugar que o cantor poderia estar...

"—Hiroshi!" Gritou para si mesmo, dando partida no carro e dirigindo até o prédio que o ruivo morava

Em menos de 10min, já se encontrava perto da casa do guitarrista. Saiu do carro e foi até a portaria, tocando interfone em seguida. Não sabia se era sorte ou desespero, mas se lembrava tanto do endereço quando o numero do apartamento de Hiro.

"—Quem é?" Pode reconhecer a voz do outro, foi um alivio ouvir a voz de Hiroshi.

"—Só responde sim ou não!" Apesar do alivio, o mais velho ainda continuava sério. "—Shuichi está ai?"

"—Sim..."

"—Ele está com raiva?"

"—Não."

"—Ele pode ou quer conversar?"

"—Sim."

"—Pede para ele descer..." De alguma forma, o loiro se sentia aliviado.

"—Sobe, ele não vai acreditar em mim se eu disser que está ai." O escritor pode ouvir o som da tranca da porta se desfazendo, permitindo a passagem.

O prédio que Hiro morava não era grande e nem luxuoso, simples, porem bem arrumado, não demorou muito e o loiro já estava em frente à porta do guitarrista, e podia ouvir as risadas histéricas de Shuichi. Suspirou e tocou a campanhinha sendo atendido quase imediatamente.

"—Shu, olha o que o vento trouxe." Brincou o amigo, abrindo mais a porta dando passagem para o maior entrar.

O pequeno arregalou os olhos e ficou estático, muito diferente de segundos atrás, quando ria sem controle. O escritor mantinha uma expressão séria, apesar de todo o seu corpo tremer assim que viu o pequeno encolhido de forma extremamente fofa no sofá agarrado a almofada.

"—O-oi...?" Disse baixo e meio sem jeito, afinal, para Shu toda boa conversa se começa com um cumprimento.

"—Vim te buscar." O loiro tentava controlar sua voz para que saísse firme apesar de todo o nervoso.

"—Me buscar?"

"—Quer conversar aqui mesmo?" O pequeno apenas ficou olhando para o outro como se pensasse na resposta.

"—Até amanha, Shu!" Disse o amigo, sorrindo e o puxando do sofá, sabia que o cérebro do amigo às vezes empacava e ele precisava de uma mãozinha para sair do lugar.

"—Até... amanha?" Duas coisas que Shindou não dava conta de fazer eram andar e pensar ao mesmo tempo, principalmente quando estava tão nervoso quanto agora, foi preciso Yuki agarrar seu braço e o puxar para fora do apartamento.

Guiou o pequeno até o veiculo, e logo depois deu partida dirigindo rapidamente até em casa, precisava chegar logo, resolver tudo logo e fazer tudo ficar bem... Logo. Não demorou muito para que o carro de Eiri estivesse estacionado na garagem e o 'casal' estivesse entrando em casa. Shuichi rapidamente foi até o sofá e se jogou contra o mesmo, precisava sentar e raciocinar rápido -coisa que ele definitivamente não conseguia- tudo que tinha que falar. Entretanto, certo loiro estava muito mais nervoso do que o pequeno, apensar de não demonstrar isso, suas mãos tremiam e ele quase não consegue trancar a porta por isso. Jogou suas chaves longe, indo até o sofá aonde se encontrava o chibi, sentando-se um pouco distante.

"—Shuichi... Err..."

"—Oi..." Disse o pequeno, ele ainda acreditava que um 'oi' era um bom começo.

"—Não, o que quero te dizer é que..." O escritor encarava levemente o nada, soltando alguns suspiros de nervosismo."—Eu... sinto muito."

"—éeh..." Sussurrou, mesmo que já esperasse por isso, ainda sim, era uma surpresa ouvir aquilo de Yuki. "—Pelo que?"

"—Por tudo... pela minha falta de paciência, por não ser compreensível, por ser coração frio..." Sua irmã tinha razão, assim que começara os sentimentos iam fluindo exatamente em forma de palavras. "—Eu sei que não sou a melhor pessoa, sei que não sou um bom 'namorado'... Mas eu lhe peço desculpas." Suspirou.

"—Bem..." O chibi ficara sem palavras, nem em sonhos ele imaginava ouvir tudo aquilo.

"—Sabe, quando eu fiquei sabendo que aquele ruivo..." Segurou-se para não xingar o amigo do pequeno e acabar com tudo de novo. "—[...]Quando ele te beijou, eu não sei... Uma raiva se apossou de mim."

"—Estava com ciúmes?"

"—Você tem duvidas disso?" Disse o loiro, finalmente olhando para o pequeno, percebendo que ele o encarava com os olhos abertos e uma expressão de quem ia chorar a qualquer momento. "—Me desculpe, por ter ido embora e por ter te machucado..." Aproximou-se um pouco mais do pequeno, agora olhando bem nos olhos dele, pelo menos tentando. "—Eu fui pra casa do meu pai, pensar... e arranjar um jeito de engolir meu orgulho idiota e me desculpar contigo."

"—Yu-ki..." Lágrimas teimosas começaram a rolar pelo rosto do pequeno, mas não eram de tristeza ou chateação, eram de felicidade que nem ele mesmo sabia de onde vinha. "—E-Eu também... Me desculpa, desculpa, desculpa!" O cantor passava a mão pelo rosto de maneira violenta, tentando secar todo aquele 'aguaceiro.' "—Eu também não sou dos melhores, sei que sou ciumento, sei que sou uma criança chata e irritante que grita o tempo todo, sei também que sou inseguro e cabeça oca... Mas... eu, eu te amo, Yuki!" As lágrimas não paravam, o menor já balançava a cabeça e limpava o rosto com as mãos freneticamente. "—Yuki, me perdoa ter... Feito tudo isso..." Soluçou. "—E que eu, eu... Te amo tanto, droga!"

O loiro segurou as mãos do chibi, fazendo-o olhar enquanto o choro não cessava de jeito nenhum, afinal... Era o Shindou, que Eiri amava e conhecia, aquele que o havia feito o que ninguém fez, que lhe fazia companhia, que lhe atormentava, o único que o suportou até hoje.

"—Shuichi..." Sussurrou, abraçando o pequeno do jeito mais forte que conseguia, como se não fosse largar nunca e o mesmo o retribuiu na mesma intensidade, ainda chorando desesperado do jeito de sempre e soluçando pouco. "—Eu t-também..." gaguejou um pouco. "—Também t-te amo, Shu..." O maior falou, baixinho como num sussurro, próximo ao ouvido do chibi, fazendo-o paralisar e depois não sabia se continuava chorando ou sorria. Opitou por fazer os dois.

Shuichi apertou mais o abraço, escondendo o rosto na curva do pescoço do Yuki, ainda chorava, mas de maneira controlada, afinal, estava feliz. Foi se acalmando aos poucos até finalmente se sentir seguro o bastante para encarar o maior. Separou-se do abraço secando o rosto pela ultima vez recebendo a ajuda do loiro, que passava gentilmente a mão pelo rosto do pequeno, secando todas as lágrimas.

"—Droga! Eu to tão... feliz." Disse rindo de si mesmo, olhando para o maior.

"—Bem, se está feliz... Então significa que está tudo bem, não é?" O loiro sorriu de volta, coisa rara de acontecer, mas em momentos como esse... Acontece.

"—Uhum!" Afirmou, dando o melhor sorriso que tinha.

"Eu lhe abraço, envolvendo-te com o calor que emanade meu corpo"

Eiri pousou levemente uma de suas mãos na nuca de Shuichi, enquanto a outra se encontrava em sua cintura, puxou o pequeno delicadamente fazendo seus lábios roçarem, para depois começar um beijo apaixonado e calmo. O coração de ambos batia alto, as mãos do mais novo tremiam e ele se agarrava a cintura do outro.

"Eu quero lhe amarnão importa o tempo ou onde você está, você por inteiro para sempre"

Se beijaram apaixonadamente, de maneira que parecia a primeira vez, as línguas de ambos se acariciavam, ora eram mordidas, mas sempre de uma maneira carinhosa. Yuki puxou mais o corpo de Shuichi para si, colando-o mais ao seu, dando leves selinhos por toda face do menor até chegar em seu pescoço.

"—[...] Ah, eu tenho isso aqui pra você..." Enfiou a mão em seu bolso, tirando um papel dobrado e levemente amassado.

"—Hm, que isso?" Shu pegou o papel olhando rapidamente e o abrindo, vendo que tinha um texto.

"—Não sei, mas acho que pode virar musica ou algo assim... Escrevi enquanto pensava em você." Eiri passou os braços pelo corpo do chibi, em uma espécie de abraço o confortando no sofá enquanto o mesmo lia.

"Suas lágrimas que transbordam sua tristeza, suportarei o peso de todas elas, não precisa chorar sozinho, você sabe, porque eu estou bem aqui a seu lado"

Um grande sorriso se formou no lábio do pequeno. Shuichi deu um demorado selinho no namorado, que depois virou um beijo cheio de paixão e desejo...

O que aconteceu depois? Bem, eles continuaram juntos. Se ainda brigavam? Pode apostar que sim, brigas bobas de casal, mas sempre com uma reconciliação em menos de 5min. Se continuaram a se amar mesmo depois de tudo e ainda continuam? Bem, acho que o sim é meio obvio, não é mesmo? Eles aprenderam a conviver e amar os defeitos um do outro, e a perdoar também... Então, podemos dizer que esses dois tiveram um final mais que feliz, certo?

E ah, Shuichi também aprendeu, que não importa o quanto ele tente não se importar, ele simplesmente se importa!