Hinata acordou com dor. Essa cama era, oficialmente, a pior de toda. Suas costas e pescoço doíam, and o cheiro que vinha do colchão a deixava tonta. Pelo menos estava quentinha.

Ai, algumas coisas bateram em sua mente. Primeiro de tudo, tinha seu chakra de volta e se sentia mais forte. Mas isso também significava outra coisa. Para que isso acontecesse, precisava estar perto de Sasuke. Muito perto. Tentar sentir seu corpo não foi fácil, estava quase todo dormente devido aquela coisa dura e encaroçada que estava deitada. Apesar disso, seu Byakugan tracejou claramente o braço que descansava em sua cintura. Ela estava bem no fim da pseudo-cama, mas o homem atrás dela havia se aproximado. O rosto dele, no momento, estava enfiado no meio dos cabelos negros, e a respiração quente que batia em seu pescoço, a fez corar por alguma razão.

A moça soluçou. Seu braço direito era pesado e ainda assim, descansava confortavelmente em cima dela, fazendo-a se sentir aconchegada. Ela piscou ao sentir todo o corpo dele pressionado a ela. Havia abraçado-a enquanto dormia. Endureceu sem saber o que fazer. Era estranho, mas era agradável. Ainda assim, seu rosto estava prestes queimar os lençóis em segundos. Lentamente, pegou o pulso dele e tentou levantá-lo, concentrando-se em não acordá-lo. Apenas o toque fez o moreno ciente dos movimentos, e sua mão apertou o torso dela em um abraço forte. O homem, subconscientemente, enterrou o braço entre os seios dela. Estava a ponto de chutá-lo para fora da cama, mas sentiu-se enrijecer de novo. Algo a cutucava perto do bumbum. Algo... duro.

Com um guincho, reuniu seu chakra na palma da mão, e usando os Punhos Gentis, acertou-o no peito. O Uchiha voou para fora da cama e caiu no chão com um baque. Hinata também roulou da cama, se levantando. Caminhou para trás até atingit uma parede.

"O que diabos há de errado com você?"

Viu o homem rastejar, tentando recuperar o fôlego. Ficou de joelhos, seus braços o firmavam na cama. Seus olhos vermelhos a furaram como adagas. Devagar, levantou-se, esfregando o peito. A morena não aguentou o olhar dele e afundou o rosto nas mãos.

"Você... O que você esta fazendo?" Sua voz era abafada, mas o rapaz conseguiu entendê-la.

Sasuke estava confuso. Por que ela o atacaria enquanto dormia? Tinha seu chakra de volta, o que significava que deviam estar perto o suficiente um do outro para que ela absorvesse. O homem olhou para baixo e encontrou a razão para a súbita pancada.

"Ah, não seja criança." Ele esfregou a nuca sentando-se na cama, suas costas viradas para ela.

"C-criança? V-você... você..."

Ele virou a cabeça para olhá-la com o canto dos olhos. Seu Sharingan estava desativado, foi substituído pela cor preta mais intensa que existia.

"Eu sou um homem. Isso é o que acontece pelas manhãs..."

A moça espiou por entre os dedos.

"O que?"

Ele suspirou. "Você não tinha um primo ou alguma coisa parecida? Ele não te contou sobre essas coisas?"

Ela balançou a cabeça em pânico. "Não! Neji-niisan nunca fari..." Ela parou, olhando para baixo.

"Ah," ele continuou. "Certo. Você é a princesa Hyuuga. Não te ensinaram sobre esses processos tão primitivos do organismo masculino. Além disso, seu primo foi morto na guerra, não é?"

Os olhos dela se atiraram sobre ele. "Não fale dele. Não desse jeito."

"Não vou." Um suspiro escapou de seus pulmões. Sasuke esfregou suas têmporas, tentando afastar o sono. Que horas são? Ele piscou se sentindo estranhamente revigorado. Pela primeira vez em algum tempo, havia conseguido dormir bem. Olhou para a garota, que ainda se encostava na parede do outro lado do quarto. "Acalme-se logo. Vamos embora."

O homem se levantou e foi para o banheiro. Hinata apenas o olhou de esgoela e estava certa que preferia morrer a pensar naquele lugar em que ele se encontrava e tudo que ele poderia estar fazendo, que ela não queria saber. Finalmente relaxou, e tentou respirar normalmente. Se apressou em colocar o casaco e se sentou na cama. Ainda sentia o toque dele, por mais estranho que fosse, não podia mentir para si mesma. Estar nos braços de um homem não era uma coisa tão ruim. Claro, se este não estivesse tentando estuprá-la. Balançando a cabeça de novo, tentou matar a lembrança do homem loiro que a raptou. Hinata não conseguia esconder o fato de ter ficado feliz que o Uchiha o matou. Talvez a tenha protegido por suas próprias razões, mas a salvou mesmo assim.

A herdeira viu o homem voltar com passos decididos, mas sua mão esquerda ainda esfregava o peito. Talvez não deveria tê-lo socado com tanta força. Seu chakra já havia que se dissipado por completo. Assistiu-o vestir a capa, tentando o máximo não ficar encarando-o, especialmente olhar para certos lugares. Esperava que a situação 'lá' tivesse melhorado.

"Vamos," ele a chamou abrindo a porta.


"Onde estamos indo?"

"Comer."

Hinata estava levemente surpresa. Comeu um pouco, mas seu estomago começava um protesto e se sentia feliz com a ideia. Ainda assim, se sentia boba por perceber que Sasuke também precisava de comido. De alguma maneira havia esquecido que ele também era humano.

O seguiu até outro pequeno edifício mal iluminado com um homem feio e mal cheiroso. A moça assistiu o usuário do Sharingan ir até o balcão e apontar algo para a garçonete. Ela assentiu e falou algo, mas ele pareceu não ter dado atenção a ela. A mulher tinha longo e ondulados cabelos loiros, e lindos olhos cinza. Seu sorriso era de derreter o coração, e ainda assim, o Uchiha se apressou a lhe entregar dinheiro e retornar a mesa do canto, onde Hinata se sentava. Ele não disse nada, apenas acenou com a cabeça quando a moça loira trouxa dois copos de água para ele. Ainda sorria para ele timidamente, suas bochechas avermelhadas. Gostava dele.

A Hyuuga a analisou com os olhos, observando a outra se esconder atrás de uma porta. Quando retornou o olhar para o homem, notou que ele olhava de volta.

"Está com ciúmes?"

Ela piscou. "Do que deveria sentir ciúmes?"

Pela primeira vez o viu sorrir. Não um sorrisinho, mas um sorriso genuíno. Era pequeno e se desfez em um segundo, mas não podia negar que lhe caia bem.

"Tem razão. Ela não tem metade dos seus atributos."

Levantando uma sobrancelha, a herdeira corou um pouco. "O que quer dizer?"

"Esqueça."

A garçonete estava de volta com uma bandeja nas mãos. Os serviu uma sopa, que pareciam tomates esmagados e uns pães. A moça disse algo a Sasuke, mas ele apenas balançou a cabeça e ela saiu.

"Entendeu o que ela disse?"

"Perguntou se queríamos mais alguma coisa."

"Então você entende essa língua?"

"Um pouco. Passe um tempo aqui, mas sei falar pouco sem que os outros percebam que sou estrangeiro. As pessoas aqui são muito desconfiadas."

A Hyuuga acenou e continuou encarando o que parecia uma sopa de galinha. Tomou uma colherada e estava salgada e oleosa. Mas ia ter que dar.

"Tente comer o máximo que puder," o homem disse. "Sei que não é o que te alimentam no seu castelo, mas vai ter de se acostumar."

Se acostumar? "Quanto tempo pretende me manter aqui?"

"Não é necessário que fiquemos nessa exata cidade. Na verdade, será melhor ir embora cedo. Porem, vou te manter perto de mim até que eu consiga te persuadir a fazer o que eu quero."

"E o que quer de mim exatamente? Eu já consertei seu braço."

Sasuke olhou para a mão esquerda e moveu os dedos. "Meus braços não é a razão de eu ter te trazido comigo."

"Então qual é?"

O homem congelou seu olhar nela e se inclinou um pouco para falar baixinho. "Quero que me ajude a destruir Konoha."

A moça ficou em silencio. Por um momento o encarou, avaliando se ele falava sério. Quando finalmente entendeu, com calma, se levantou da cadeira.

"Você está louco."

"Sente-se."

"Não."

"Sente-se antes que eu o faça."

"Vou embora." Hinata se virou, mirando a porta. Seus pulsos foram pegos por ele quase instantaneamente.

"Você perdeu o juízo?"

"Me solte," ela disse entre dentes, tentando soltar-se do aperto.

Sasuke se enfureceu. Pegou sua outra mão e a puxou para ele. As pessoas os encaravam com bastante interesse. "A única razão de eu não ter te matado foi por pura cortesia. Agora, termine sua refeição."

Ela encarou de volta, sem saber se queria bater nele ou não. Era um bastardo. E ainda assim, se ela fizesse uma cena ali, as pessoas iriam atrás deles sem demora. Além disso, mesmo que conseguisse fugir, pra onde iria? Ela olhou para baixo, o que era o suficiente para que ele entendesse. Estava se acostumando as expressões dela. A soltou e calmamente voltou para sua cadeira. A morena havia perdido o apetite, e agora estava sentada olhando a comida.

"Coma."

"Não estou com fome. Coma você."

Seus olhos negros analisaram o rosto bonito, mas ele não discutiu. Puxou o prato dela e terminou a sopa rapidamente. Ele parecia gostar dessa gororoba. Porém, também não gostava daquela sopa.

"Vamos."

"Para onde?"

"De volta a taverna. Você parece propensa a causar tumulto." O homem se levantou e ajeitou a capa se direcionando à porta. Uma voz familiar soou às suas costas antes que saíssem do prédio. Se virando, o Uchiha encarou a garçonete. Ela se apressou até ele, olhando os pés. Disse algumas palavras, e entregou a ele um pedaço de papel, e correu de volta, se ocultando de suas vistas.

Já na rua, o rapaz abriu o papel e leu as escritas.

"O que é isso?" Hinata perguntou sem controlar a curiosidade.

Com as sobrancelhas em pé, olhou para ela e amassou o papel na mão, jogando-o na canto da rua.

"Parece ser um convite para um encontro."


Trancando a porta atrás dele, Sasuke tirou a capa e jogou em cima da cama granulosa. Se sentou em uma das pequenas cadeira e esperou que a garota fizesse o mesmo.

Ela também tirou a capa, a dobrou perfeitamente e deixou em cima da mesa, bem à sua frente.

"Você não pode destruir Konoha."

"Por que não?"

"É a sua cidade natal e..."

"Era minha cidade natal quando eu era uma criança ignorante," ele interrompeu. "O fato de eu ter nascido e ter sido criado lá não me faz querer puopá-la."

A herdeira se moveu em sua cadeira. Esse homem era insano até os ossos. "Como pode querer algo assim?"

"É filha única, Hinata?"

Ela piscou. "Não. Tenho uma irmã."

"Então como se sentiria se sua irmã assassinasse cada pessoa do seu clã? Como reagiria ao saber que é o único sobrevivente, somente para desperdiçar espaço vivendo num mundo desesperador e vazio? Não iria querer matá-la?"

Ele esperou que ela respondesse, mas ela não o fez.

"Claro que quereria," continuou. "Então, depois de finalmente ter lhe tirado a vida, não desmoronaria ao saber que tudo o que ela fez foi para te proteger? Para proteger a vila que não merece tal sacrifício?"

"Hanabi..." Hinata tentou acalmar a situação. "Ela não é assim."

"Bem, meu irmão era. Causou a si mesmo imensa dor, porque a vila decidiu que nosso clã era uma ameaça. Pode ter certeza que não se sentiria da mesma forma que eu?"

"Eu... Eu não sei..."

"Eu sei. E você se sentiria sim. Você é gentil, frágil e calma. Mas se é igual a mim. Simplesmente teve a sorte de ter um clã que obedece cegamente a todas as ordens sem questionamento."

"Não sou igual a você." Ela olhou diretamente para ele, determinada a continuar assim.

"Acha mesmo?"

"Sim."

"Tenho certeza que mataria alegremente qualquer um que tentasse machucar sua família e os que ama. Não é tão diferente de mim quando pensa ser."

A Hyuuga continuou encarando-o. A vela que haviam acendido, causava uma sombra profunda no rosto dele, o fazendo parecer ainda mais assustador que o normal. A pequena chama brincou com os olhos vermelhos.

"Você não precisa destruir a vila toda, Sasuke-san. Apenas as pessoas responsáveis pelo que aconteceu ao seu clã. A maioria de Konoha são pessoas inocentes."

"Não importa."

"Claro que importa. Tem pessoas lá que se importam com você. Naruto-kun, Kakashi-san, Sakura-san... Tantas pessoas querem vê-lo de volta…"

O Uchiha riu, assustando a moça. "Não brinque comigo. Ninguém dá a mínima pro que acontecer comigo."

"Bem, eu me importo. E não vou deixar que continue com esse plano insano que vai acabar matando você."

O homem ficou em silencio por um momento, um pouco surpreso com as palavras dela. "Você nem ao menos me conhece. Por que se importaria tanto ao ponto de arriscar a própria para me parar?"

"Eu o conheço o suficiente. Você está certo. Consigo entender você. Se isso tudo tivesse acontecido comigo e com meu clã..." Respirou fundo e tentou não imaginar tais coisas. "Provavelmente teria ficado doida também. Não consigo imaginar como se sentiu ar ver seus parentes e sua família..."

Ela parou sem conseguir continuar. Futucando a capa que estava em cima da mesa, manteve os olhos nela. O usuário do Sharingan estava muito quieto. Ela se sentiu por ter relembrado aquelas lembranças.

"Me desculpe..." Sussurrou.

Sasuke se levantou e andou até ela. Tirou a capa das mãos dela, jogando a coisa no chão, e se inclinou por sob a mesa em frente a ela. Ele pegou o queixo dela com os dedos e olhou dentro daqueles olhos, examinando-os por alguns segundos. A moça olhou de volta com interesse. Percebeu que, depois dessa conversa, não tinha mais medo dele. Podia entendê-lo perfeitamente agora.

"Você e eu..." A voz dele não passava de um murmúrio. "Nós não somos tão diferentes, afinal."


Nota

Gente, me desculpem por não ter postado na quarta e na quinta. Eu peguei uma infecção estranha, com direito a injeção de benzetacil e tudo (dói pra cachorro!), e fiquei no hospital nesses últimos dias, mas as coisas já estão melhorando.

Eu traduzi esse capítulo todo num pau só, então talvez ele contenha mais erros de português, concordância, coerência, etc. Mesmo assim, espero que gostem da essência.

Eu particularmente, amei esse capítulo. Sou casada, e meu marido acorda assim quase todos os dias, mas eu nunca consegui imaginar o Sasuke tendo essas reações tão... humanas, e simplesmente achei uma graça! A-D-O-R-E-I!

Peço desculpas mais uma vez. Estou numa onda de má sorte... rsrs. Eu prometo que vou recompensar, postando mais de um capítulo por dia, para que fiquemos dentro do cronograma.

Deixem reviews! É importante tanto para mim, que fico inspirada a traduzir com mais frequência e qualidade, quanto para a autora, que sempre vem aqui dar uma olhadinha.

Beijos e até semana que vem!