Capítulo VII - Entre Átomos
*Uma Pequena Teoria*
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa.
Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes.
Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas.
No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los. (A Menina que Roubava Livros, Prólogo)
Era a quinta vez que viajava (ou sexta, não sei se podia contar quando deu de cara com aquela cerca branca) entre as dimensões dos mundos, é claro que não havia numerado o número de vezes que foi da Soul Society para o Mundo Humano, e vice-versa, mas aquilo não contava, pois desde que tivera um acidente com um aspirador de pó maligno, era obrigado à passar por aquelas experiências nada agradáveis. Geralmente apagava e acordava dando de cara com algo mais estranho e bizarro ainda do que ele já tinha visto, seria perda de tempo comentar sobre as outras vezes que ele foi parar em uma dimensão estranha, apenas vou dizer que um deles era um completo deserto e após um encontro nada amigável com um robô dourado tagarela e outro que lembrava um aspirador, resolveu que era melhor seguir em frente para a próxima dimensão, que não foi nada muito mais animadora, se é que pode-se chamar animadora uma floresta com bichinhos de cores berrantes e que faziam sons mais berrantes ainda, e um desses bichos cor de rosa (que lembrava um chappy) cantou(?) algo que fez Renji adormecer, e quando acordou estava com a cara repleta de desenhos.
O humor de Abarai já não andava pelos melhores dias, e agora que flutuava, ou navegava, nadava? Não sabia, estava transitando entre um túnel multicolorido, que nunca havia visto antes, procurava tentar tocar algumas das bolhas fruta-cor que passavam por ele, quem sabe se pudesse escolher o mundo, acabaria achando o Wakame mais rápido? Inúmeras tentativas infrutíferas depois, resolveu deixar-se flutuar por entre o túnel, até que sentiu que as cores passavam mais rápido por entre ele até ficar num branco total, e estava chegando no fim do túnel, de onde vinha uma luz brilhante. Renji estava literalmente indo para a Luz.
Fechou os olhos, torcendo para não cair em algum planeta de lava, ou no meio do mar, e sentiu-se submergindo em uma superfície muiito diferente, o barulho de coisas abafadas se chocando deixou-o desnorteado, e abriu os olhos para ver se era realmente água, mesmo não se sentindo molhado, mas seu corpo estava reagindo de forma estranha. Havia algo errado com ele. Tudo que viu foram formas amarelo, azul, vermelho, azul, verde, rosa, roxo, amarelo, vermelho, preto, vermelho verde vermelho. O que era aquilo? Tentou pegar uma das formas arredondadas, mas estava soterrado e o desespero começava a aflorar em seu corpo, debateu-se tentando nadar entre aquelas coisas, buscando a superfície, mas bateu com a cabeça em uma parede, tateou tateou até conseguir submergir. Olhou para os lados confuso, apenas a cabeça para fora, seu corpo continuava soterrado. Em uma parede oposta a figura de um palhaço e o logotipo House O'Fun.
- Isso é uma... - olhou para os lados, vendo outros brinquedos do playground. - Piscina de Bolinhas? Arrrggggg!
Começou a debater-se frustrado, tentando se livrar das inofensivas bolinhas coloridas de plástico, mas parecia que elas estavam contra ele e cada vez que se mexia o soterravam mais ainda. Dez minutos depois, exausto, suando, agarrando-se à uma rede de proteção, apertava alucinadamente o botão de teletransporte no relógio-chappy-vermelho.
- Tuuuruuuu- emitiu um alarme no relógio, parecido com o de um aeroporto, e a voz de uma mulher que parecia de uma aeromoça avisou - Faltam 15 minutos para a opção de teletransporte ser habilitada. Agradecemos pela compreensão, lojas Yuuko.
- Mas... O QUÊEE? - gritou Renji, escorregando novamente para dentro da piscina - Por que eu sou o ultimo a saber de tudo? - começou a chutar e bater nas bolinhas, praguejando contra aquela bruxa.
Ainda estava "extravasando sua raiva" quando uma figura peculiar, com os olhos inchados, usando uma um roupão azul marinho parou na entrada da piscina, olhou para Renji, que havia parado de se debater, e colocou os dedos indicadores nas têmporas, se concentrando.
- Ahn... o que você está fazendo? - Perguntou Renji, olhando intrigantemente para o homem de roupão.
- Estou tentando usar a Força para controlar sua mente, você se tornará meu servo zumbi, e vai começar a separar as bolinhas de plástico por cor, daqui a 10 segundos - respondeu o do roupão, tão rápido que Renji quase não o entendeu, devido ao sotaque americanizado. Agora, vocês me perguntam: Mas o Renji sabe falar inglês? É claro que não, mas seu relógio-chappy-vermelho tem 1001 utilidades. - Oh, droga, isso nunca funciona. Sua mente não deve ser tão desenvolvida para entender as ordens da minha.
- ...- é, não havia o que responder, Renji apenas deu de ombros, estava lidando com mais um maluco. Só precisava aguentar mais 10 minutos para sair daquele inferno colorido.
- Sou o doutor Sheldon Cooper. - falou a figura,andando nervosamente de um lado para outro da borda da piscina. - Phd, e preciso desta piscina com formas arredondadas e coloridas para um experimento de física.- completou, olhando ferozmente para o cara com cabelo de abacaxi vermelho e usando um kimono preto, tentando o expulsar. Colocou a mão no queixo, tentando se lembrar onde já havia visto alguém parecido com o ser à sua frente. - Huuum...
- O quê? - manifestou-se Renji, pela primeira vez, incomodado com tanta análise sobre si mesmo.
- Não vi nenhum cartaz na entrada sobre algum evento ocorrendo aqui, mas tenho certeza que eu já vi alguém parecido com você em um daqueles desenhos japoneses que o Leonard assiste.
-Ah... é mesmo? - perguntou confuso, saindo da piscina de Bolinhas, e escondendo Zabimaru em suas costas.
- Devo dizer que foi uma tentativa frustrada a sua de tentar parecer com o Rurouni Kenshin.* - observou Sheldon, entrando na piscina de bolinhas e nadando para a borda oposta, pegou uma braçada de bolinhas e colocou na borda, começando à separá-las por cor.
- Com licença? - perguntou Renji, entediado, após ver que ainda faltavam 8 minutos. Sheldon estava arrumando uma pilha com bolinhas azuis, e ignorou-o. - Para que um físico precisa de bolinhas coloridas?
- Estou tentando descobrir por que os elétrons se comportam como se não tivesse massa quando viajam em uma folha de grafeno. - respondeu Sheldon mecanicamente, enquanto franzia o cenho para metade das bolinhas que caíram na piscina.
- Folha de... grafeno? - Ah não, devia ter ficado quieto, pior do que um maluco, é um físico maluco e com tiques estranhos.
- O grafeno é o material mais forte já medido, cerca de 200 vezes mais forte do que o aço estrutural, e também o material mais fino do Mundo, tem um átomo de espessura. - discursou o físico, enquanto tentava construir os átomos de carbono. - Seria necessário um elefante, equilibrado sobre a ponta de um lápis, para quebrar uma folha de grafeno.
- Ah, legal. - murmurou Renji, olhando nervosamente para o relógio. Três minutos. - Eu vou... olhar por ai.
- Ordeno que me consiga algo para fazer as pontes. - mandou Sheldon, tentando usar a "Força" novamente, Renji teve vontade de atirar Zabimaru na cabeça dele. Saiu pisando firme e bufando, mas ao ver uma figura com uma lanterna disparou para o lado oposto e se escondeu dentro de uma casinha de bonecas.
- Ei, você! O que está fazendo ai? - perguntou um guarda gordinho, para um Sheldon com os olhos surpresos.
- Estou construindo átomos de carbono. - respondeu, a contra gosto, após receber mais uma "lanternada" ameaçadora nos olhos. "Malditos servidores do Império!"
- Ah, tudo bem, de que hospital você fugiu? - perguntou o guarda,após uma análise rápida de Sheldon.
- Mas que infâmia, eu não fugi de nenhum hospital!
- Sua mãe sabe que você saiu no meio da noite para invadir um playground? - inquiriu o guarda, sabia como lidar com essas situações. Sheldon abriu a boca algumas vezes, olhando raivosamente para o guarda e procurando o samurai com os olhos. Nada. De dentro da casinha de bonecas, Renji abafava o riso.
- Sou o doutor Sheldon Cooper, PhD em física, pode confirmar com o Leonard, mas por favor, não ligue para minha mãe! - tudo que não precisava era sua mãe lhe dando sermão sobre o que a bíblia dizia de invasões.
Meia hora depois...
- Você pode tentar, mas nunca me pagará! - desafiou Leonard, submergindo nas bolinhas de plástico e nadando.
- SheldoooN! - gritou Leonard, tentando pegá-lo, mas o colega era muito mais rápido.
- BAZINGA!
