Fiz esse cap de madrugada e cheia de cafeína, então eu peço que não levem meus erros de ortografia a mal, rs.
POV Lily
Ao todo, a aula de feitiços do professor Flitwick transcorreu bem normal, se não fosse pelo fato da minha cabeça estar borbulhando de ideias loucas e pensamentos bobos a respeito da pequena conversa com Potter na escada do corredor.
Ele estava realmente querendo dizer que Amos iria me "atingir" com alguma coisa?
Não. Definitivamente, não foi no sentido literal.
Mas em sentido literal ou não, isso poderia ser um problema.
- Srta. Evans - chamou o profº Flitwick. - Continue praticando!
Empunhei minha varinha em um floreio exasperado, afastei uma mecha ruiva dos olhos e voltei aos exercícios aplicados pelo professor, que no geral consistiam em apenas aumentar e diminuir as penas da pomba.
- Isso é muito chato. - Lene estava entediada.
Olhei para ela sorrindo; Lene finalmente havia me encontrado na sala de aula depois de nos perdermos na multidão à beira do lago. Ela disse que precisou sair urgente porque acabou passando mal.
E devia estar mesmo. Lene era uma das garotas mais sortudas de Hogwarts por ter sido convidada pelo Gustav Lewis para ir ao baile!
E isso me lembrava que Amos ainda não havia me convidado. Ele me convidaria? Porque o que eu mais queria era que ele esquecesse o "encontro fracassado" que tivemos no fim de semana. Assim quem sabe, eu poderia voltar ao meu sonho eterno de futura esposa de Amos Diggory!
Antes que eu pudesse voltar a minha lamentação interior sobre ainda não ter sido convidada, alguém me atingiu em cheio nas costas com alguma coisa pontuda e dura na esperança de chamar minha atenção.
Olhei para trás depressa com os olhos lacrimejando de dor e percebi que Flamy fazia sinal para própria mão me indicando que ela possuía um pergaminho.
- Manda para cá! - sussurrei.
Lene, que não perdia um bilhete durante as aulas, deu uma tremenda estocada no coitado do pombo em cima da mesa deixando-o atordoado, e se virou depressa olhando o bilhete ao meu lado.
Flamy: Sabe da notícia? Ouvi dizer que McGonnagal está pensando em te escolher como Monitora Chefe ano que vem.
Afastei o papel e sorri para Lene ao meu lado.
Lily: Jura? Achei que ela estivesse zangada comigo por eu ter começado o ano meio aérea nas aulas.
Lene arrancou o papel das minhas mãos.
Lene: Pois é, Flamy. Não sei se a Lily presta para Monitora Chefe. Ela é nerd demais para isso.
Flamy: Já que você diz...
Lily: Eu não sou nerd! E eu realmente não presto para Monitora Chefe, mal consigo tratar das minhas tarefas de monitora...
Lene: Pensa bem, se o Monitor Chefe for gato, vale a pena!
Flamy: Monitores são nerds. Nerds não costumam ser gatos.
Lene: Não costumam.
Lily: Pois eu acho que...
Tirei o pedaço de pergaminho rápido de cima da nossa mesa assim que o Flitwick se aproximou para saber dos nossos grandes feitos durante a aula.
Lene amassou o bilhete depressa e jogou-o na lixeira no fim da aula, e tudo o que ouvimos foi o lamento de Flamy que estava um pouco atrás de nós.
- Não quer ser Monitora Chefe? - Lene estranhou.
- Ah, você sabe - peguei minha mochila e fomos saindo da sala. -, eu queria poder aproveitar meu último ano sem preocupações!
- Vendo por esse lado - saímos da sala. -, é até um motivo aceitável.
Sorri para Lene mais uma vez enquanto íamos em direção ao Salão Principal para almoçar e discutir as novidades com o resto das garotas, até que fomos interrompidas pela aparição de James Potter na nossa frente.
James estava sozinho no corredor de frente para nós. Ele ajeitou a mochila no ombro e passou a mão pelo cabelo naquele hábito irritante que só ele costumava ter.
- Lily, posso falar com você? - James me encarou nervoso.
- Não. - Me afastei puxando Lene para frente.
Ele segurou meu ombro de repente em um gesto rápido e forte, como fizera há duas horas atrás, na frente da sala de feitiços, me impedindo de continuar.
- Por favor, você não me deixou terminar aquela hora. - Seus olhos castanhos fixaram-se nos meus.
Droga! A última coisa que eu queria naquela irritante manhã, era cruzar o olhar com os lindos olhos de James Potter novamente, ficar hipinotizada por eles e sem poder pronunciar uma palavra coerente.
- Eu já entendi o que você queria. - Desviei o olhar.
James olhou de mim para Lene, parando nela suplicante como se pedisse que minha amiga tomasse alguma atitude.
- Ah, eu combinei de encontrar com a Maria antes do almoço. - ela disse.
E lá se foi a Lene, a última esperança de me livrar do Potter. Por que ela sempre fazia isso comigo?
Teria que me lembrar de dar o troco depois.
- Eu já estava te procurando há algum tempo. - James alargou o nó da gravata e massageou o pescoço evitando o meu olhar.
- Sério?
- Acho que começamos mal naquela hora. - Ele voltou a me encarar.
- Não. Você começou mal. - Retribui o olhar.
- Eu só queria te pedir para...
- Tomar cuidado com o Amos? - falei.
Fiz algum esforço para encará-lo nos olhos sem me hipinotizar, pestanejar ou ficar sem fala. Eu precisava ser forte para me livrar de James de uma vez por todas.
Ele parecia bem nervoso estando ali, e eu agradeci aos céus que ele estivesse para que não notasse o meu nervosismo mútuo.
As sobrancelhas de James se arquearam com a minha pergunta nada sutil.
- Esqueça o que eu falei antes da aula. - Ele piscou com força. - Eu queria me desculpar.
Parei estupefata.
Andei mais um passo em direção à ele como se o desafiasse, mas não consegui demonstrar que não estava surpresa. Arregalei meus olhos para ele sem conseguir acreditar.
Desde quando James Potter era o tipo de garoto que pedia desculpas?
Quer dizer... Ele era o maroto que azarava garotinhos novatos sem piedade, que enganava Filch durante as detenções, e que desmoronava a pilha de livros do professor Flitwick toda a vez que a aula se tornava tediosa demais.
E até onde eu sabia, ele não se desculpara por nenhuma dessas infrações fúteis.
- É, eu queria me desculpar. - ele concluiu imeditamente e suspirou. Era como se ele estivesse acabado de tirar um enorme peso dos ombros.
Se desculpar deve ter sido realmente difícil para ele, já que eu nunca o vira executando este humilde e nobre ato.
Eu não conseguia mais sentir o meu rosto de tanta incredulidade que eu devia ter expressado.
- S-se d-desculpar? - droga de gaguejeira!
Os olhos de James assumiram um castanho bem claro, quase mel, e quase possível de ser penetrado. Ele passou a mão pelos cabelos outra vez, só que desta vez eu a segurei.
James me olhou extasiado. Por um breve momento eu continuei segurando a mão dele a caminho do cabelo.
E quando percebi o que estava fazendo, soltei-a depressa, antes que ele tivesse oportunidade de debochar de mim.
- Sério, pare de fazer isso. - Eu disse sem gaguejar, mas extremamente sem graça.
James sorriu para mim. O famoso sorriso que deixava qualquer garota aos seus pés.
Para o azar dele, eu já havia provado que não era esse tipo de garota há alguns anos.
Mas não deu outra, e lá estava eu admirando o sorriso de James Potter completamente perdida sobre o que estávamos conversando.
Espera... Potter e Evans não conversam. Eles fazem acordos.
- Mas, voltando ao assunto - fui direta e objetiva, apesar de ainda estar nervosa. -, pelo o que exatamente você quer se desculpar?
Os olhos de James rapidamente voltaram ao normal e me encararam como se não acreditasse no que estava prestes a fazer.
- Quero me desculpar por tudo.
Meu queixo caiu. Eu podia jurar por Morgana na fogueira que aquele não era o James.
Simplesmente era bom demais para ser verdade.
Rapidamente, encaixei uma expressão de dúvida no rosto, apesar de em nenhum momento ter me questionado sobre sua resposta. Porque a verdade era que James tinha realmente muito pelo que se desculpar.
E eu achei que ele jamais iria querer fazer isso.
- Só acho que ele não é o cara certo para você. - James falou.
É claro que para ele não havia, todo mundo sabe que James Potter sempre esteve disposto a infernizar a minha vida.
- Bom - desviei o olhar. -, não posso fazer nada quanto a isso, Potter.
James esboçou um sorriso convencido.
- Eu sei. Só queria me desculpar.
- Tudo bem. - Por incrível que pareça, eu sorri. - Vou pensar nas suas desculpas.
Ele me encarou atordoado, provavelmente sem acreditar. Eu também não estava acreditando que fui gentil com ele.
- Afinal, você me tratou bem durante aquele café da manhã. - James voltou a sorrir. - Eu não tinha motivo para ser rude com você.
Eu fiquei ali parada observando James se afastar no corredor do segundo andar. Só ouvindo o barulho de seus passos se afastando surpresa demais para tomar alguma reação.
E eu continuaria parada ali durante um tempo, se não tivesse me lembrado de uma coisa.
Do que ele estava se desculpando, exatamente?
Bom, ele havia batido no meu futuro marido. Mas isso não deveria ter sido alguma ofensa à minha pessoa, já que Amos ainda não é, oficialmente, nada meu.
E ele havia gritado comigo na Ala Hospitalar, o que me irritou bastante... Além dele ter me humilhado publicamente todas as vezes que havia me chamado para sair no meio do Salão Principal.
Se bem que...
James não precisaria ter gritado comigo se eu não tivesse invadido a Ala Hospitalar e gritado com ele antes.
E estando ali, parada no meio do corredor depois de ter recebido suas desculpas, eu me sentia extremamente culpada por tudo.
De modo que alguns segundos depois, me peguei fazendo algo que jamais me imaginaria fazendo em toda a minha vida.
- James! - Corri até ele.
Sim. Eu corri até ele.
Porque, como James, eu também tinha um grande peso nas costas que precisava tirar. E iria ser imediatamente.
No fim do corredor, James parou estático e se virou para mim com os olhos castanhos arregalados e os braços pendendo ao lado do corpo, quase inertes.
- Lily? - ele perguntou surpreso.
Depois da pequena corrida até ele, parei à uns dois passos pronta para dizer o que eu sabia que deveria dizer desde que James viera até mim se desculpar.
- Eu, quer dizer... - Corei até a raiz dos cabelos. - Eu queria me desculpar também.
Ele me encarou da cabeça aos pés, como se perguntasse se eu estava realmente ali. Eu também me perguntaria se fosse ele.
- Pelo o que, exatamente? - ele perguntou.
Pois então, uma monitora pedindo desculpas à um maroto era realmente um estopim digno da paz mundial.
- Por ter gritado com você aquele dia. - Sorri sem acreditar no que estava dizendo.
- Ah...
- Bom, o Amos não é nada meu para que eu tenha gritado com você por ter batido nele. - Olhei triste para o chão.
- Vocês estavam saindo, não estavam? - James falou.
- É, estávamos. - Conclui.
- Então - ele chegou mais perto. -, a culpa era minha por ter estragado seu encontro.
- Mentira.
Levantei a cabeça para James, que me encarava surpreso com minha decisão. Ele olhava para os lados esperando minha explicação.
- Eu já havia estragado indo atrás da Lene.
Para a minha surpresa, tudo o que James fez foi gargalhar alto. E eu tive que sorrir com ele, querendo ou não, sua risada era contagiante.
- Então não foi nenhum de nós dois quem estragou. - Os olhos de James brilhavam. - Foi o Sirius.
Ri ainda mais com o comentário dele.
- Então, Lily - James levou a mão à cabeça ajeitando os óculos e botando as mãos nos bolsos. -, eu aceito suas desculpas sem motivo.
- Que bom. - Conclui a conversa.
Me virei de costas para ele, e comecei a andar em direção ao Salão Principal para o almoço, até que me lembrei mais uma vez de outra coisa.
Olhei para trás no fim do corredor, e percebi que James continuava parado no mesmo lugar me encarando e sorrindo.
- Você não vem? - perguntei gritando.
James parecia ter acordado de um transe, porque ajeitou a mochila nas costas e umedeceu os lábios. Em nenhum momento ele recusaria a minha proposta.
POV James
Caminhar ao lado de Lily à caminho do almoço era surreal. Só faltava estarmos de mão dadas para que meu sonho se realizasse.
Me desliguei completamente do mundo durante a aula de feitiços, pensando no que deveria fazer para que Lily acreditasse em mim quanto ao Diggory.
E percebi que ela jamais acreditaria em mim se eu continuasse agindo como um louco, e sem a confiança dela.
Então fiz sinal para Aluado, e mandei um bilhete bem no nariz do Flitwick, olhando atentamente para a nuca de Lily tentando imaginar qual seria a reação dela.
E foi mil vezes melhor do que eu esperava.
A ruiva caminhava do meu lado sem se esquivar de mim. Era como se eu fosse Aluado, um amigo para ela.
- Então - olhei para ela tentando pensar em algo que não fosse idiota para dizer. -, como vão as tarefas de monitora?
Lily sorriu ao meu lado olhando para baixo.
- Está tudo mais fácil agora sem vocês. - ela disse.
Epa, aquilo era alívio ou tristeza?
- Como assim "sem vocês"? - encarei-a incrédulo. - Os marotos ainda estão de pé.
- Eu sei. - Lily sorriu. - Mas vocês não tem dado muito problema.
- E você está feliz com isso? - perguntei incerto.
Lily riu mais ainda.
- Como assim, ? - ela usou meu nome em tom de brincadeira.
- É sério, Lily - sorri para ela dando sinal de honestidade. -, se você quiser, nós voltamos ao que era antes.
Lily olhou para mim surpresa.
- James, você não está realmente me oferecendo isso, está?
E nós voltamos a rir satisfeitos. Nunca pensei em como seria divertido conversar com Lily assim, sem vozes alteradas ou provocações.
Era fantástico cair na gargalhada com ela.
No final, acabamos entrando no Salão Principal ainda rindo e gargalhando, e eu sabia que nada no mundo nos faria parar.
Hey, espero que tenham gostado do cap... E juro que o cap do baile já vai chegar!
launogueira: Ainda não acredito que você instalou um roteador por minha causa, e que você está curtindo seu vizinho argentino do pastor alemão... Quero voltar logo para poa e ter uma internet normal para entrar todo o dia!
Regina Wassally: *-* Muito obrigada! é, eu sei... Estou recebendo reviews de muitos leitores odiosos do Amos, mas o que posso fazer? rs, o Amos mal só faz o James ser mais herói!
luiza: É, que pena que não coube. FELIZ ANO NOVO PRA TI TBM, e eu tbm te amo demais! E sim, o momento estrela no baile vai acontecer.
