10. O Concerto – Parte 2

"Onde nós estamos?"

Serene ficou na ponta dos pés para ver melhor a avenida, mas o lugar estava lotado de bruxos animados. Ela conseguia ver as árvores, e mesmo as casas à distância, mas bem em frente a eles havia um palco aberto e uma arquibancada semicircular. A maioria das pessoas estava sentada ao ar livre, então alguém tinha removido a neve dos assentos – provavelmente com um feitiço, ela pensou. Os degraus de pedra pareciam perfeitamente limpos e confortáveis, apesar do frio. Na parte de trás dos degraus, alguns estandes – ou melhor, barracas – ofereciam melhores lugares para se sentar, e foi lá que Claire tinha reservado os lugares para eles. Apesar de Julia ter se oferecido para conseguir ingressos gratuitos para eles, Claire tinha insistido que a Winterstorm Inc. compraria os seus números usuais de ingressos.

Remus apontou para a ponta da torre da igreja atrás das árvores, e foi para trás, para a sombra do toldo. Eram apenas 5h da tarde, mas a lua já estava no céu, ao mesmo tempo o provocando e apavorando. "Nós estamos em um parque Trouxa no centro de Londres." Ele tentou lembrar o nome.

"Hyde Park?"

Ele franziu a testa, então seu rosto se iluminou. "Hampstead Heath."

Serene balançou a cabeça. "Eu só conheço Londres como turista." ela disse, ao mesmo tempo tentando banir a lembrança dela seguindo Laurel – para apavorá-la ou mesmo matá-la, se tudo o mais falhasse... "Não existia um anfiteatro deste tamanho em Hampstead Heath. Tenho certeza disso."

Remus sorriu indulgentemente para ela. Ele nunca deixaria de se maravilhar com a maneira como ela havia se adaptado ao mundo dos bruxos. E pensar que ela havia vivido como Trouxa até três anos antes - bem, uma Trouxa com talentos mágicos consideráveis, mas mesmo assim, uma pessoa criada como Trouxa. E agora ela vivia no mundo dele como se fosse o mundo dela também, de tal maneira que às vezes ele se esquecia como as coisas que ela experimentava deviam parecer estranhas.

Ele pegou a mão dela. Quanto mais perto da lua cheia, mais ele necessitava do toque dela. Mesmo assim, apesar das apreensões de Snape, ele tinha certeza de que podia ficar ali naquela noite, se ficasse sob um telhado e tivesse Serene ao seu lado.

"Existe um anfiteatro, mas ele é mantido invisível a maior parte do ano pelo Departamento da Conservação da Magia. E esta multidão," ele apontou para as centenas de bruxos e bruxas ocupando os degraus de pedra, "está escondida dos olhos de qualquer Trouxa por uma porção de feitiços, também."

"E alguns estão mais escondidos do que outros." uma voz suave falou.

Remus e Serene se viraram.

"Sirius!"

Remus tossiu e baixou a voz. "Você está maluco? Aparecer aqui, bem diante dos olhos de centenas de Aurores?"

Então ele franziu a testa, subitamente ansioso. "Espere. Essa é a sua idéia de diversão, não é? O Feitiço Fidelius, estou certo? Você provavelmente vira de costas e reaparece a todo minuto, rindo de nossas caras de surpresa."

Sirius suspirou. "Bem, não é mais desse jeito. A diversão acaba muito rápido, acredite. Como você sabe?"

"Bem, você nunca deixaria Claire quando ela precisa de você, deixaria? E mesmo quando você estava fugindo na primeira vez, mandava uma coruja de vez em quando."

Sirius sorriu, sem graça. "Você está certo. Sinto muito sobre isso."

Serene olhou para seu amante, incerta sobre o que ele e Sirius Black estavam falando.

"O Feitiço Fidelius?" ela perguntou. "Você quer dizer que ele tem estado por perto todo esse tempo e nós não conseguimos lembrar?"

Remus concordou, pensativo.

"Pena que não vamos lembrar de nossas conclusões brilhantes assim que ele virar as costas."

Sirius colocou a mão no ombro dele. "Sinto muito, Moony." Ele já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha pedido desculpas nos últimos meses, mas todas as vezes que ele se encontrava com Remus, se sentia como se tivesse traído seu melhor amigo. Ele sabia da decisão de Remus de ficar sem a poção Wolfsbane, tinha até feito companhia a ele na última lua cheia, como eles costumavam fazer quando eram meninos. Mas Remus não se lembrava de que Sirius tinha estado lá…

Claire se reuniu ao pequeno grupo e sorriu para o marido. "Acabo de encontrar um bruxo cujo filho sofria da Síndrome do Prisioneiro. Ele acordou semana passada, não é maravilhoso? Ele disse que foi o melhor presente de Natal que já ganhou."

Sirius a puxou para perto dele. Eles tinham decidido manter segredo sobre a identidade de 'S. Padfoot' apesar das pessoas que lembravam de seu apelido provavelmente suspeitarem que ele fosse o autor dos três livros extraordinários que tinham libertado tantas vítimas da prisão de suas próprias mentes, causada por Voldemort.

"Quando o show vai começar?" ele perguntou, levando a conversa para um assunto neutro.

"Claire, você tem certeza de que é seguro para ele?" perguntou Serene, preocupada. "Mesmo com o Feitiço Fidelius... se um dos Aurores o encontrar e prender..."

"Estou lisonjeado de ouvir que você se preocupa com minha segurança." zombou Sirius e Claire lhe deu uma cotovelada nas costelas. "Claro que nós tomamos certos cuidados extras." Ele apontou para o estande. "Castor está atrás dos estandes. Hoje à noite ele é minha primeira linha de defesa. Ele conhece a maioria dos Aurores e vai me avisar se algum deles chegar muito perto. Também existe um feitiço preparado para aumentar as sombras no estande Winterstorm."

Remus acenou a cabeça, concordando. Ele também ficaria grato pelas sombras assim que o luar começasse a subir além das copas das árvores. "E vejo que você pegou a capa de Harry emprestada." Uma ponta de tecido prateado aparecia na bolsa a tiracolo que Sirius carregava.

"Então você não precisa se preocupar." Sirius não conseguiu se conter e zombou de Serene.

Ela deu a ele um olhar de desdém. "Realmente, Black, não me preocupo com você. Mas não quero que Claire fique viúva antes do concerto acabar."

"Nós concordamos com você." A voz aveludada de Severus Snape fez com que eles se virassem, espantados. "Se eu fosse um Auror, você estaria amarrado e inconsciente agora, Black." ele comentou acidamente. "E se eu fosse um Comensal da Morte, você estaria morto agora, ou nas mãos impiedosas de Voldemort."

Laurel colocou a mão no braço esquerdo de Snape para confortá-lo. A poção que ele tinha desenvolvido para anestesiar a Marca Negra deixava seu braço inteiro dormente. Mas com tantos seguidores de Voldemort presentes, a possibilidade de haver um chamado era muito grande para eles arriscarem.

Sirius segurou o próprio braço e o deixou cair como um pedaço de madeira. "Está vendo, Mestre de Poções? Tenho sido um bom rapaz."

"Ou a sua esposa importunou você até você aceitar usar a poção." Laurel riu do rosto irritado dele. De repente os olhos dela se arregalaram.

"Não acredito! Como esse homem... horrível ousa mostrar o rosto em público? Depois de tudo o que ele fez!"

Todos se viraram ao mesmo tempo e imediatamente Sirius foi para as sombras para ninguém ver seu rosto.

"Ben." disse Serene e deu um sorriso inseguro para o bruxo das Trevas.

Olsen olhou pelo canto dos olhos e viu como Remus Lupin ficou tenso com mal contida fúria e teve que se virar rapidamente para esconder sua carranca.

Com deliberada lentidão, ele acariciou o rosto de Serene. O maldito lobisomem era um problema temporário com o qual ele lidaria assim que Voldemort recuperasse o poder que merecia. Enquanto isso, nada o impediria de puxar um pouco a corrente do outro bruxo. Ben quase riu de sua própria piada. Oh, sim, em breve Lupin estaria preso por uma corrente – uma corrente de prata que o prenderia a uma parede de uma jaula.

"Por que você não respondeu minhas cartas?" ele perguntou a Serene. Ele tinha que admitir que ela estava mais bonita do que nunca. Os círculos escuros sob os olhos dela haviam desaparecido e a pele dela estava parecendo uma pérola. "Eu fiquei preocupado."

Serene olhou para os sapatos. "Eu queria... mas estava muito ocupada."

"Não ligue." A mão dele ficou no rosto dela, não apenas porque ele gostava de tocar nela, mas para tentar captar os pensamentos dela e por último, para enfurecer o lobisomem. "Senti sua falta. Nós fomos feitos para estarmos juntos, Serene."

Ela suspirou intimamente. Tinha vivido sozinha a maior parte de sua vida e tinha se orgulhado de sua habilidade de governar a própria vida. Por que de repente todos pareciam achar que ela lhes pertencia?

"Eu preciso de tempo, Ben." ela murmurou, tentando manter suas barreiras mentais para evitar que ele lesse seus pensamentos. "Preciso de tempo para decidir sobre o que eu quero."

"Mas você sabe o que quer." ele a repreendeu, meio na brincadeira. "Você sabe quem você é, o que você é. E você sabe o que vai acontecer. Bem no fundo você sabe que é uma de nós."

A mão dela voou para a boca e ela começou a se preocupar com a unha de seu dedo anelar, enquanto Ben continuava a falar.

"Como você está na companhia da nata de Hogwarts, devo imaginar que você vai retornar para lá em breve? Você realmente deveria, é o seu destino, afinal…"

O sangue de Remus ferveu, estando tão perto da lua cheia seu sentido do olfato aumentava dramaticamente e ele podia farejar o desejo do bruxo e a confusão de Serene. E ela estava roendo as unhas novamente...

Ele deu um passo à frente e inseriu seu corpo entre Serene e Ben.

"Ah, Professor Lupin." o bruxo das Trevas sorriu. "E eu estava pensando que você era um exemplo de boas maneiras."

O olhar de Remus teria feito qualquer homem sensato recuar e se virar e até Ben teve que lutar contra o desejo de correr quando sentiu os olhos âmbar queimar os dele.

"Toque nela mais uma vez, Olsen, e juro que vou rasgar sua garganta aqui e agora." disse Remus, com suavidade enganadora.

Com um sorriso vacilante, Ben virou a cabeça e puxou de leve a manga do casaco de peles de uma bruxa que estava de costas para eles, observando Snape falar com Draco Malfoy, que parecia zangado.

"Laeticia, minha querida, olhe quem está aqui!"

Remus empalideceu.

Serene sentiu uma ansiedade estranha quando a mulher deu um sorriso estonteante para Remus e a ignorou completamente. Mas antes que ela pudesse falar qualquer coisa, Ben a levou para longe do grupo.

"Remus, querido!" Laeticia de Malheur sorriu como um gato que estivesse mostrando as unhas para um pássaro particularmente saboroso. Ela vestia um casaco de peles tão negro quanto seus cabelos e conseguia parecer delicada e elegante ao mesmo tempo.

Ele não sorriu de volta. "Laeticia. Você devia se envergonhar."

"Envergonhar? Eu, não! Eu deixei de me envergonhar quando tinha doze anos de idade." Ela lambeu os lábios. "E nunca me arrependi."

Remus pegou o cotovelo dela e a guiou para fora do alcance do campo de audição dos outros com uma certa urgência.

"Deixe o menino em paz." ele disse muito suavemente.

"O menino? Oh, Draco?" A condessa piscou para ele. "Ele não é adorável? Ele me lembra você… só que ele não é tão inocente."

Remus rangeu os dentes. "Ele só tem dezesseis anos, droga! Ainda é uma criança!"

"Ele é filho de Lucius Malfoy." Laeticia replicou e olhou para Draco que falava com Snape, com uma expressão de desafio em seu rosto angelical. "Aos dezesseis ele já viu mais do que você tinha visto aos dezenove."

"Eu aprendi bem rápido em sua companhia. Deixe-o em paz…" Remus rosnou, e um estremecimento percorreu o corpo da bruxa elegante.

"Oh…" Ela traçou a linha do rosto dele com a sua unha vermelha. "Já estamos naquela época do mês, não é, meu pequeno lobo?" Remus fechou os olhos e tentou controlar sua respiração e a necessidade de se transformar naquele exato momento. Tão fácil liberar a fera que havia nele e se esquecer de seu lado humano. Mas aí ele provavelmente cortaria a garganta de Laeticia…

"Deixe Draco em paz." ele conseguiu falar novamente, apesar de sua voz estar tão rouca que era difícil entender suas palavras.

"Ou o quê?" Laeticia deu um pequeno sorriso. "Afinal de contas, sou a madrinha dele. Eu deveria orientá-lo, ou pelo menos, foi o que me disseram. E realmente preciso de um pouco de diversão." Ela assoprou no ouvido dele e sussurrou: "Ou você quer tomar o lugar do jovem Draco?"

O sorriso dela se alargou quando viu Serene se aproximar com uma expressão mortal nos olhos. Deliberadamente, ela colocou a mão no pescoço de Remus e puxou o rosto dele para perto do dela, ignorando a respiração entrecortada dele. "Uma palavra sua e eu certamente desistiria dele…"


"Draco."

A voz de Snape não demonstrava nenhuma emoção para que o menino não pudesse pensar que o professor estava com pena dele. Severus se lembrava muito bem como se sentira aos dezesseis anos e totalmente sozinho. "Eu sinto muito sobre… Lucius. Como sua mãe está lidando com a situação?"

Draco inclinou a cabeça. "Ela foi para casa de meus avós. Eu não tive vontade de ir." Ele reportou o fato de ter ficado na Mansão Malfoy com apenas os elfos para lhe fazer companhia, sem maiores explicações.

"Então quem é o responsável por você enquanto Narcissa está na Itália?" Severus tentou chamar a atenção de Laurel. Deveria ele oferecer ao menino para ficar com eles até o início das aulas? Afinal, ele conhecia o filho de Lucius desde que o menino nascera. Não que amasse o rapaz, nem tinha certeza se gostava dele. Ainda assim, ele conhecia uma alma em perigo quando via uma.

Draco deu de ombros, mais entediado do que polido, enquanto seus olhos azuis se tornavam frios como gelo. "Laeticia é minha madrinha, como você deve saber. E o Sr. Olsen é meu guardião, agora que meu pai está morto." A testa franzida diminuiu a beleza do rosto jovem. "Já que você não estava apto para a tarefa, Professor..."

Snape devolveu a carranca. "O que você quer dizer com isso?"

A voz do menino estava cortante como o fio de uma espada bem afiada. "Meu pai confiava em você… até você…"

"Draco, querido, eles já vão começar." Laeticia interferiu calmamente e deu um curto aceno para Snape. "Despeça-se de seu professor. Ben quer que nós procuremos nossos lugares."

O menino corou um pouco. Então ele seguiu a mulher elegante, como uma cobra enfeitiçada, até que o pequeno grupo desapareceu na multidão.


Enquanto a banda entrava no palco e depois de um pequeno discurso de Josh, o tocador de baixo, começava com um velho sucesso preferido da multidão, Remus e Serene ficaram em um canto atrás das barracas olhando um para o outro.

"Por que ele quer que você volte para Hogwarts?"

"Você ouviu!"

"Eu sou um lobisomem, droga!" Ele olhou em volta para se certificar de que ninguém tinha ouvido as palavras dele. Não seria bom gerar pânico, o que aconteceria se alguém soubesse que havia um lobisomem em um lugar público, enquanto a lua cheia estava para aparecer. "Meus sentidos estão mais aguçados!"

Desafiante Serene enfiou as mãos para dentro de suas mangas para mantê-las aquecidas. "Era uma conversa particular e não era da sua conta!"

"Bem, eu vou fazer com que seja! Você se recusa a voltar para lá enquanto ele quer que você volte…" Os olhos dele se estreitaram em súbita suspeita. "Tem alguma coisa a ver com Harry?"

Ela empalideceu e evitou o olhar dele. Sim, ela havia decidido contar a ele a verdade essa noite… Mas não ali, na presença de metade de Londres.

"O que faz você pensar isso?" A voz dela tremeu apesar de tentar aparentar calma.

"Você quase desmaiou quando pensou que Claire tinha trazido Harry ao concerto."

Ela estremeceu. Ela era tão transparente? Era nisso que dava deixar alguém chegar tão próximo a ela…

"Ben é meu amigo. Claro que ele se importa com os meus planos para o futuro!"

"Um amigo! Você quer dizer, um assassino. Por Merlin, ele é o Terceiro no Comando de Voldemort agora que Lucius Malfoy está morto." Ele não tinha contado a Serene que no dia do ataque a King's Cross, ele tinha visto Olsen sair da sala poucos segundos antes dele encontrar o corpo de Malfoy. "E ele trata você como se fosse propriedade dele!"

"Você não sabe nada sobre Ben!" Serene sentiu que sua mente ficava vazia devido ao medo. Assim que ele soubesse a verdade, iria desprezá-la como desprezava Ben agora… "E você está apenas sendo ciumento!"

Remus sentiu o sangue martelar em suas orelhas e o chamado do luar estava fazendo com que perdesse o autocontrole.

"Pelo menos eu admito que sinto ciúmes!" ele rosnou. "Pelo menos sou honesto e admito que não posso tolerar ver este… este canalha… passar a mão em você!"

"Ele. Não. Passou." sibilou Serene. "Ele apenas... me beijou no rosto. Enquanto aquela vampira com o casaco de dez-mil-galeões quase despiu você! E você gostou!"

Os olhos de Remus se estreitaram perigosamente. "Eu gostei?"

Ela cerrou os punhos. "E não pense que não sei que você e Laeticia tiveram um caso!"

"Um caso!" Ele quase sufocou. "Você não tem a menor idéia do que houve entre Laeticia e eu!"

"Então me conte!"

"Por que eu deveria?" a voz dele soou amarga. "Já que você não quer ter direitos sobre mim, por que deveria ligar para isso?"

O lábio inferior de Serene tremeu e ela lutou para controlar as lágrimas. Ele a tinha encurralado.

"Eu não vou discutir isso em público!" ela falou, mostrando a multidão no anfiteatro.

Remus pegou o braço dela e soltou imediatamente quando ela estremeceu devido à força do aperto dele. Ele deixou a mão cair.

"Vamos para casa conversar sobre isso." ele sugeriu com toda a calma que conseguiu reunir.

Serene inconscientemente esfregou o cotovelo e deu a Remus um olhar furioso. "Não mesmo! Você pode ter vindo aqui para encontrar uma velha conhecida, mas eu vim para assistir a um concerto!"

Suspirando, Remus ficou observando enquanto ela jogava o cabelo para trás e desaparecia através da multidão em direção ao palco.


Durante o intervalo, os membros da banda ficavam sentados no palco, afinando os instrumentos ou se reunindo com amigos na audiência. O tocador de baixo ruivo estava sentado na beirada do palco e conversava com sua namorada, uma repórter do Profeta Diário.

De repente, ele sentiu um frio na espinha, como se… alguma coisa… estivesse muito perto. E então… alguma coisa, alguém… tivesse sussurrado no ouvido dele.

A repórter não notou nada, mas ficou tentando descobrir possíveis alusões ocultas nas letras das músicas da Salamandra, mas a bruxa colocou a mão no braço do namorado, ao perceber que ele estava primeiro assustado e depois agradavelmente surpreendido. Ele acenou concordando, uma vez, duas, e então se virou frenético e com a mão passando pelo ar.

"Josh?"

Quando ele não reagiu, a bruxa beliscou o braço dele.

O baixista estremeceu. "Ouch! Isso dói!"

"Josh, o que houve?" ela perguntou.

Ele sorriu, e passou a mão pelos cabelos. "Um… fantasma… acabou de me contar uma coisa."

"Contar o quê?"

"Você vai ver. Oh, céus…" Ele olhou para o palco onde Julia Lupin estava sentada e afinava seu alaúde, sorrindo sonhadoramente, seu rosto olhando para o vazio enquanto se concentrava nas cordas. "Acho que vamos ter uma noite excitante."

Depois do intervalo, quando a banda se reuniu no palco novamente e a audiência enchia o terreno, Josh levantou as duas mãos para pedir silêncio à multidão.

"Senhoras e senhores," ele se curvou zombeteiramente. "a maioria de vocês conhece muito bem a história do Salamandra. Provavelmente melhor do que nós aqui."

Aplausos responderam às palavras dele. Mais uma vez ele levantou as mãos. "Mas apenas alguns de vocês sabem que no começo…" ele baixou a voz dramaticamente. "bem no começo, éramos cinco. E seremos cinco esta noite, novamente." Ele deu um enorme sorriso na direção do estande da Winterstorm.

"Senhoras e senhores… Castor Black!"

A audiência se virou surpreendida, assim como as pessoas no estande da Winterstorm.

Cas, que estava no fundo do estande, corou até a raiz dos cabelos e se escondeu nas sombras, procurando um jeito de fugir...

"Eu odeio você, Sirius." ele sibilou por entre os dentes. "Sumido por quatro meses sem dizer uma palavra. Agora você aparece por menos de cinco minutos e consegue me envergonhar na frente de metade da comunidade dos bruxos!"

Seu irmão que estava bem perto dele nas sombras, deu um leve empurrão nele e um sorriso zombeteiro. "Que pena, não? Confie em mim, você vai esquecer isso muito em breve."

Outro empurrão, e Cas foi jogado na luz - e nos braços de dois bruxos, que, acreditando se tratar de uma brincadeira, o empurraram mais para frente, na direção do palco. Finalmente, ficando sob a luz forte, Castor se viu cercado pelos outros membros da banda, seus antigos companheiros. Apenas Julia continuou sentada em seu lugar, ignorando o tumulto em volta dela.

Cas tentou se afastar duas vezes, mas os músicos não o deixavam.

"Josh, por favor!" ele pediu suavemente. "Eu sou um Auror agora!"

"E daí?"

"E daí? Eu não posso cantar em um concerto como o nosso governo é estúpido!"

"Quando eles fizeram de você um Auror, você jurou proteger o que era bom e verdadeiro, não é?" disse Helen, a violinista, com a testa franzida.

Castor esfregou a testa, confuso. "Sim. Eu jurei. Mas o que…"

"Você jurou proteger a Luz. É o que nós fazemos. Nossas músicas falam a verdade e você sabe disso!"

"Vocês trabalham para Voldemort!" protestou Castor. "Fazendo com que as pessoas fiquem descontentes com o governo, vocês…"

"As pessoas não precisam da nossa música pra ficarem descontentes com o governo." corrigiu Josh e colocou a mão no ombro dele. –"Nós apenas damos uma voz a elas. Mas se Voldemort tentar se levantar novamente, a mesma voz vai gritar tão alto que os tímpanos dele vão estourar…"

Castor fechou os olhos, muito cansado. "Você não tem idéia, Josh! Você é um tolo""

A audiência começou a bater palmas ritmicamente e estava ficando cada vez mais impaciente.

Josh olhou diretamente nos olhos azuis de Castor. "Não, meu amigo. O tolo é você." Ele apontou na direção de Julia, que continuava olhando para o final do anfiteatro. "Por encontrar o amor… e o abandonar…"

Cas suspirou e o resto de sua resistência evaporou. Mais uma vez ele tocou o distintivo por baixo de suas roupas, então deixou que Josh forçasse uma guitarra em suas mãos e o empurrasse para um banco alto. A banda começou a tocar um fundo musical familiar para ele. Cas não conseguia tirar os olhos de Julia. A guitarra parecia um pedaço de madeira morta nas mãos dele e ele não conseguia se lembrar de nenhum acorde, muito menos na melodia que ele deveria tocar.

Então a bruxa loura de repente virou a cabeça e olhou para ele.

E sorriu.

E o coração de Castor Black lembrou da música e suas mãos acharam a canção por elas mesmas.

A música que eles tocaram encantou a platéia com magia própria, inocente e gentil no começo, depois mais rápida e mais exigente. Falava da vida. Sobre dor e alegria, sobre amanhecer e sobre noites estreladas. Sobre estações do ano e amor infinito.

Sirius, tendo guardado a capa da invisibilidade no bolso, mas ainda escondido de olhares curiosos pelo feitiço de Severus que enchia o estande de sombras, segurou a mão de Claire.

"Me concede o prazer dessa dança, minha adorada?"

Claire sorriu e bateu de leve na barriga. "Você acha que consegue lidar com nós duas?"

Ele deu a ela um sorriso estonteante, do qual ela nunca se cansaria, e dançou com ela.

Laurel observou os dois por um tempo, sonhadoramente se movimentando ao som da música do Salamandra. A felicidade que irradiava do casal que dançava, parecia iluminar as sombras do estande e fez com que ela sorrisse.

Ela sentiu a presença de Severus antes dele falar, antes de sentir a respiração dele em seu pescoço. O braço esquerdo dele estava caído ao longo do corpo. Severus a puxou para perto dele com o braço direito, até que os corações dos dois batessem no mesmo ritmo, acompanhando a música.

"Eu não danço em público." ele disse baixinho e a voz grave dele fez o coração dela doer.

"Sim, Professor." ela sorriu. "E se alguém nos vir, nós sempre poderemos negar tudo."


Remus estava no final da escada e tentava respirar devagar. O suor frio molhava sua testa. Ele olhava para Malfoy e Laeticia sem realmente vê-los. O sangue dele, sua pele, seu coração, pareciam estar sendo atraídos pela lua que brilhava acima da avenida. Ele cerrou os punhos com tanta força que suas unhas feriram as palmas de suas mãos.

"Droga, Lupin. Acalme-se." ele murmurou, e o casal perto dele se afastou, por medida de segurança. Ninguém se arriscava com tantos malucos pelas ruas ultimamente. O bruxo com olhos âmbar e respiração entrecortada, que murmurava coisas para si mesmo não estava interessado na música do Salamandra e podia ser perigoso.

Remus sentiu seu autocontrole voltar, apesar de pouco por causa do encontro com Olsen e Laeticia. Se ele pudesse tocar Serene agora, encontrar conforto na presença dela... Mas ele nunca conseguiria passar pela multidão sem ser atingido pelo luar e pelo cheiro de presa... Ele precisava fugir, ele sabia. Ele precisava de uma floresta, de um lugar aberto… um lugar para correr. Um lugar sem pessoas… sem…

Ele esfregou o rosto em um esforço para se controlar. "Um lugar sem presas."

O casal andou mais para frente e o bruxo sacou sua varinha, para se prevenir.

Remus tentou se concentrar em Olsen e Laeticia. Laeticia ainda era uma aliada dos Comensais da Morte e dos bruxos das Trevas na França e obviamente não tinha perdido a preferência pelos muito jovens e inocentes. Ele estremeceu. Apesar de não gostar particularmente de Draco Malfoy - ele sabia distinguir um encrenqueiro1 quando via um - ele não queria que o menino experimentasse a dor que ele mesmo tinha experimentado através das mãos pintadas de Laeticia. E Olsen – que acariciava o rosto de Serene e beijava a mão dela como se tivesse o direito de tocá-la...

Um direito que ela devia ter dado a ele... ou então ela teria protestado, não teria?

Ignorando o casal assustado, ele seguiu abrindo caminho através da multidão que cantava, dançava e batia palmas.

Serene viu quando ele saiu e sentiu como se uma mão fria apertasse seu coração. Ela viu como ele olhara para Laeticia de Malheur durante toda a noite e o que primeiro pareceu ser uma sensação desconfortável, se transformou em raiva e depois em desespero. Então os comentários daquela mulher tinham sido verdadeiros. Ela havia sido a primeira mulher que Remus amou - e obviamente os sentimentos dele não haviam mudado.

Ela se perguntou quantas maneiras de dar prazer a uma mulher Laeticia tinha ensinado a ele. Tinha sido ela a ensinar a ele a acariciar com beijos de borboleta? E tinha sido ela a primeira a notar como o ponto logo abaixo do umbigo dele era sensível? Ele tinha se segurado tanto com Laeticia quanto quando fazia amor com ela, Serene?

Uma fúria de ciúmes disse a ela que não.


Quando Serene chegou à casa de Claire, já passava de meia-noite. Uma vez que o Ministério tinha proibido o uso de vassouras e tapetes na noite do concerto para evitar que centenas de Trouxas vissem objetos voadores não identificados e notificassem a polícia, ela havia sido obrigada a usar o metrô pra a Rua Charing Cross.

O Caldeirão Furado ainda estava cheio de gente, mas ela conseguiu passar por eles e seguir para o Beco Diagonal.

A casa estava às escuras, mas um elfo que abriu a porta informou que o Mestre Lupin havia voltado há uma hora atrás. Serene subiu a escada, sua raiva havia desaparecido na caminhada pelo ar gelado da noite. A raiva por ter visto Laeticia tocar Remus tão naturalmente tinha se transformado em um medo sufocante. As palmas de suas mãos estavam úmidas e ela parou de subir para respirar fundo. Na noite anterior ela havia dito a ele para procurar outra mulher para amar. Agora o mero pensamento dele tocando outra mulher fazia seu coração subir para a garganta.

A verdade. Laurel estava certa. Remus merecia a verdade e ela não podia fazer nada a não ser acatar a decisão dele. Ela havia temido esse momento por tanto tempo, mas agora a felicidade que tinham compartilhado nos últimos dias tornava mais fácil e ao mesmo tempo mais difícil dizer toda a verdade. Ele parecia tão certo de seu amor por ela... Mas será que o amor dele sobreviveria ao saber da verdade?

Determinada, ela abriu a porta do quarto deles. A cama não havia sido tocada e apenas uma pouco de luz em cima da arca dava mostras de que alguém tinha estado ali.

Então ela ouviu um leve ruído vindo do banheiro. Um suspiro. Um gemido.

Ela seguiu o barulho e, como na noite anterior, encontrou Remus em frente ao espelho. Só que dessa vez o espelho tinha virado uma pilha de cacos, brilhando como diamantes e a mão ensangüentada de Remus estava aninhada no peito dele.

Serene olhou a cena e quase automaticamente puxou a varinha para consertar o espelho. Mas o espelho não voltou a ficar inteiro.

"Não desperdice sua mágica com ele." Remus falou amargamente. "Ele não parava de comentar sobre minha aparência. Eu o matei."

"Você o matou?" Ela olhou para ele sem acreditar. "Você lançou Avada Kedavra no espelho?"

Ele levantou ambas as mãos, exasperado e cansado. "Você alguma vez prestou atenção nas coisas que ensinei nas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas? Você não pode…"

"Você não pode matar um objeto sem vida." ela repetiu com um sorriso zombeteiro. "Nem mesmo com o Feitiço proibido." Deixando a zombaria de lado, ela pegou a mão dele que estava sangrando e levou aos lábios. Se ela tivesse o dom de Claire que podia curar pequenas feridas, com um simples toque... "Agora, deixe-me dizer uma coisa a você, Professor Lupin. Socar um espelho não é recomendável." Ela beijou os pequenos cortes.

"Mas como eles se irritam facilmente, para fazê-los calar a boca, você só precisa botar sua língua para fora."

De repente, excitado, Remus não conseguia tirar os olhos da língua dela entre os lábios. Colocando ambas as mãos no lindo cabelo vermelho dela, ele a puxou para si. Abraçando-a, ele afastava a dor. Abraçando-a, ele acalmava a fera. Era só o que ele queria fazer, ele tentava acalmar a voz que estava em sua mente, avisando-o para parar. Ele só queria abraçá-la...

Mas Serene não se contentaria com a proximidade. Os dedos dela traçaram as linhas do rosto dele, suas têmporas, seu pescoço, como se ela quisesse memorizar o rosto dele. Um suspiro involuntário escapou dele quando ela começou a abrir a gola da roupa dele com mãos nervosas.

"Esta não é uma boa idéia, ma coeur…"

Ele tentou respirar com calma e enumerar todas as criaturas mágicas da Bretanha do A ao Z. Mas não adiantou. O toque dela já teria sido suficiente para excitá-lo, mas a voz dela, sussurrando palavras carinhosas no ouvido dele, não deixaram nenhuma chance dele escapar.

A razão protestou. Era muito perigoso. Apenas uma noite para a lua cheia… Ele estava muito perto de se transformar, muito perto de perder todo o controle. O risco era muito grande. Se ele se transformasse… Se ele se transformasse com ela em seus braços… Se os dentes dele tocassem a pele dela, iria infectá-la…

Ele havia avisado a ela, dado a ela sinais para recuar. E, mesmo assim, ela tocava nele, provocando-o, despedaçando o que lhe restava de controle. Ele precisava dela, sempre, mas agora, precisava desesperadamente dela. E quando ela não mostrou resistência, ficou toda derretida e flexível com os beijos dele, ele se sentiu orgulhoso e envergonhado ao mesmo tempo. Orgulhoso por ela pertencer a ele. Por senti-la. E envergonhado por saber, do fundo de sua alma, que ele facilmente se arriscaria a possuí-la, se arriscando a infectá-la. Para fazer que ela fosse como ele. Para que ela ficasse ligada a ele para sempre.

Os braços dele a prenderam na porta, deixando-a incapaz de aceitar ou dar ao mesmo tempo. O aperto de aço das mãos dele, a deixou indefesa.

Quente e quase brutal, sua boca tomou a dela.

O corpo de Serene respondeu ao dele, os seios dela contra o peito dele, a barriga macia dela contra a ereção dele, a língua dela saboreando a boca dele. E quando ele soltou os pulsos dela, ela o tocou. As mãos dela estavam em toda parte, ela mordiscava os lábios dele, arranhava o queixo dele com seus dentes, chamuscava a pele dele com beijos quentes. O sangue dele corria como fogo.

Serene abriu, impaciente, os botões da camisa de linho dele, e gemeu aliviada quando a pele dela tocou a dele. Esse era um Remus ela que ela não conhecia. Um lado que ele tinha escondido com cuidado. Mais bruto, menos refinado, mas, de muitas maneiras, mais honesto.

O verniz de educação tinha desaparecido, e foi como se ela tivesse dado a ele permissão para abandonar toda a delicadeza, todas as restrições. Pela primeira vez, ela sentia que o possuía de maneira total. O Remus real. Puro. Mas onde ela se sentiria temerosa com qualquer outro homem, ela sabia que Remus nunca a machucaria.

Um pote de cristal caiu no chão e os cacos se misturaram com os do espelho quebrado. Quase sem conseguir pensar coerentemente, Remus murmurou um feitiço que reuniu os cacos para evitar um perigo maior.

"Preciso de você." ele arfou enquanto a levantava e batia com as costas dela na parede do banheiro.

Ela envolveu-o com suas pernas e enterrou o rosto no cabelo dele. A sua boca encontrou a orelha dele.

"Remy." A voz dela tremeu assim como seu corpo, de um desejo desesperado "Sim." E então ela quase soluçou de alívio quando ele a penetrou.

Ele a preencheu completamente, sua boca envolvendo o mamilo dela, seus braços a apertando em um abraço possessivo. As unhas dela arranhando os ombros dele.

"Por quê?" ele gemeu quando os lábios dele deixaram o seio dela e foram para a sua garganta. Ele ainda estava duro, ainda se movimentando em investidas deliberadamente lentas.

"Por que hoje à noite? Por que eu e não Olsen?"

Serene arfou, confusa.

"Ben? Por que eu deveria..."

"Você diz que não é minha alma gêmea" ele arquejou. "Você não me ama, você não quer se comprometer comigo. Então por que você quer trepar comigo?"

Ela mal conseguia respirar com as ondas brancas de prazer correndo por seu corpo e estava chegando ao clímax com o toque dele. Como ela podia dizer a ele que ela temia perdê-lo para Laeticia? Como podia dizer a ele que ela precisava desesperadamente de segurança? 'Eu amo você.' pensou, quando o ápice do prazer tomou o corpo dela. 'Por que não posso falar isso para você?'

Ele investiu inexoravelmente contra ela, ainda mais fundo, até que ela se arqueasse sob ele e gritasse.

"Porque é diferente com você…"

O corpo de Remus ficou rígido. Os dedos dele se cravaram nos quadris dela. Seus olhos castanhos se tornaram âmbar, não mais humanos.

Um predador.

"Diferente."

A palavra saiu com esforço, estridente.

Com um ultimo esforço, ele a soltou, até que ela ficasse de pé, com os joelhos trêmulos, confusa com a súbita mudança de humor dele.

Um tremor percorreu o corpo dele, como se fosse uma febre. Com um gemido de dor, ele esticou a mão e o gemido se tornou um uivo baixo, profundo o suficiente para fazer os cabelos da nuca de Serene se arrepiarem.

Ela olhou para a mão dele, em choque, sem conseguir falar. Os joelhos dela ainda tremiam de exaustão e ela teve que se segurar na porta.

Os ossos tinham se arrastado por baixo da pele dele, mudando o formato da palma. As unhas viraram garras. Pêlo escuro… pêlo escuro…

Tudo o que ela conseguiu pensar foi que o pêlo deveria ser de um marrom mais claro. Malhado de cinza. Como o cabelo dele…

Remus fechou os olhos para controlar as lágrimas. Ele não podia encará-la. Não desse jeito.

Não podia mais tocá-la. Não podia explicar

A centelha de medo que ele tinha visto nos olhos dela quando ele começara a se transformar doía mais do que a transformação. Isso e a palavra que ela havia dito…

Como uma mulher podia causar tanta dor?

Mas apesar da fera gritar para se libertar, ordenando que ele a fizesse dele ou a matasse, ele resistiu.

"Corra." ele sussurrou com voz rouca. "Corra, menina."

E ela correu.

E Remus Lupin também.

Continua….

N.T. Bem, eu sei que faz tempo… Mas como eu disse várias vezes, não vou sossegar até terminar essa tradução. Por enquanto, minha volta está lenta… Muitas coisas mudaram na minha vida no ultimo semester. Trabalho sério, ultimo ano de faculdade, morando sozinha (e consequentemente, cuidando de toda a faxina da casa sozinha)… Já não tenho mais carro para me ajudar e a saúde ainda não está 100 (mesmo que já tenha melhorado bastante).

Voltei com todas as fics, mas a tradução é prioridade. Como ando com pouco tempo livre pra qualquer coisa, não prometo um capítulo por semana. Mas vou tentar não demorar um mês também pra atualizar…

Por enquanto só vou voltar a publicar Whole Again. Mais pra frente deixo vocês informados sobre a volta das minhas fics.

Harue-chan