Capítulo 10 - Desculpas

[P.V.: REGINA]

Finalmente optei por mandar uma mensagem para Emma. Eu não tinha certeza se teria forças para ouvir a voz dela. Segurei o telefone em minhas mãos por excruciantes 15 minutos antes que eu pudesse finalmente reunir coragem para começar a enviar mensagens de texto.

"Olá, Emma. Você ligou? Eu fiquei acordada até tarde, só consegui checar meu telefone agora." Demorei mais três minutos para pressionar o botão "enviar". Meu coração começou a acelerar no momento em que enviei.

Depois de menos de um minuto, ela respondeu.

"Você deixou todo mundo preocupado, Regina. Eu ouvi sobre sua pequena aventura na noite passada. Espero que tenha valido a pena, sua majestade."

Eu definitivamente mataria a Branca dessa vez. Para sempre. Antes de começar a planejar uma maneira de matá-la, mandei uma mensagem para ela rapidamente.

"VOCÊ CONTOU PRA EMMA?! MAS QUE DROGA, BRANCA!" Ao que ela respondeu prontamente.

"Desculpa! Eu posso ou não ter colocado no viva-voz quando você disse aquilo... O que significa que Emma pode ou não ter ouvido sua confissão... Realmente sinto muito."

Deus. Eu queria descontar na Emma. Gritar com ela, fazê-la sofrer. Mas eu nem sabia se tinha valido a pena. Eu senti uma descarga de adrenalina pelo meu corpo. Claro, eu mentiria.

"Sim, valeu a pena, com certeza. Também vi o Gancho. O pirata tá devastado, sabia disso?" Apertei o botão "enviar" e senti meu coração afundar. Ver o Gancho assim me fez sentir uma certa simpatia pelo pirata que eu nunca imaginei. Ele, de todas as pessoas, não era culpado de nada. Ele merecia seu final feliz assim como ela. A questão era: eu merecia o meu?

Eu ouvi passos. Meu coração disparou. Era Brooke? Uma batida tímida na porta encheu a sala e eu engoli em seco antes de dizer. "Entre". Eu observei quando a loira timidamente entrou na sala.

- Oi. - Ela disse, colocando uma mecha solta de cabelo atrás da orelha.

- Olá. - Eu disse, sentando-me na mesa. - Por favor entre.

Ela entrou na sala lentamente, fechando a porta atrás dela. Ela sentou no sofá e olhou para o chão.

- Então... Você tem algum remédio pra curar uma ressaca horrível? - Ela perguntou, e corou. Eu ri.

- Bem, eu posso ter algo melhor. - Eu disse. - Eu tive algumas ressacas incríveis recentemente e desenv... Descobri uma cura. É 100% natural - Eu menti, mostrando um soro para ela. Era uma poção que eu criei. Tomei um gole e entreguei o restante para ela. Ela olhou para o frasco por exatamente 3 segundos, e depois bebeu tudo. Eu não pude deixar de sorrir. Havia uma certa inocência misturada com beleza em tudo o que ela fazia. A poção funcionou praticamente instantaneamente, o que a fez mudar sua linguagem corporal completamente.

- Uau! Realmente funciona! - Ela disse, sorrindo largamente.

- Sim... Funciona mesmo. - Eu disse e peguei uma garrafa de martini de uma gaveta próxima. Servi-me um copo e olhei para ela, levantando uma sobrancelha. Eu balancei a cabeça para ela, esperando por seu comando. Ela lambeu os lábios e disse:

- Bom. A dor passou, então... - Nós duas rimos. Deitei-lhe um pouco do líquido e sentei-me ao lado dela no sofá.

- Eu receio não lembrar de tudo o que aconteceu ontem... - Eu disse, corando.

- Ai, graças a Deus! - Ela disse e expirou, como se estivesse prendendo a respiração por 3 horas. - Eu pensei que eu era a única com um pouco de amnésia. - Ela corou mais desta vez, e eu sorri com carinho para ela.

- Bem, o que você acha de começar de novo? Eu sou a Regina. - Eu disse e estendi a mão para ela. Ela apertou e disse:

- Eu sou a Beth. - Beth! Eu sabia que era alguma coisa com B. - Prazer em conhecê-la novamente, Regina. - Nós duas rimos. - Qual é a última coisa que você lembra? - Ela perguntou, eu me mexi desconfortavelmente no sofá, e ela colocou a mão sobre a minha perna. – Tá tudo bem. Eu já passei por isso muitas vezes. - Ela riu. Eu relaxei um pouco antes de continuar.

- Eu acho que... Quando o Gancho foi embora, ou algo assim.

- Gancho? - Ela perguntou, intrigada.

- Sim, o pirata.

- Eu não tenho ideia de quem você tá falando. - Ela disse, e eu não pude deixar de sorrir. – Desculpe. - Ela corou novamente.

- Tá tudo bem. Vamos fingir que a noite passada foi um prelúdio para nós nos encontrarmos hoje, tudo bem para você? - Ela assentiu com a cabeça. - Então, Beth. - Comecei. - Diga-me, o que você gostaria de saber sobre mim? - Ela mordeu o lábio inferior e olhou para a minha boca. Senti um arrepio na espinha e meu coração disparou. Eu sabia o que ela estava prestes a fazer, mas eu não tinha certeza se queria que isso acontecesse. Ela chegou mais perto e eu estava começando a entrar em pânico.

Quando seus lábios estavam prestes a alcançar os meus, a porta foi abruptamente aberta. Ruby entrou, boca aberta, pronta para dizer alguma coisa, mas quando ela viu a mulher ao meu lado, sua boca se fechou. Ela ficou em silêncio sem saber realmente como proceder.

- Beth, você poderia nos dar licença por um segundo? - Eu perguntei educadamente. Ela assentiu e saiu do quarto em passos apressados. Ruby fechou a porta atrás dela e parecia que ela estava prestes a começar a falar novamente, mas eu sinalizei para ela não fazer isso. Então eu rapidamente encantei o quarto para que ninguém pudesse ouvir o que estava acontecendo do lado de fora. Eu sabia que isso poderia rapidamente se transformar em uma conversa acalorada ou desesperada. Balancei a cabeça para ela, e ela começou a vomitar as palavras.

- Regina… Mas que porra nós fizemos?! Eu... Quer dizer... Quem é essa garota que dormiu comigo?! E aquela que tava quase te beijando?! Oh, Deus!

Ela afundou no sofá ao meu lado e eu coloquei uma mão em sua coxa.

- Respire, mulher. - Eu disse, e ela respirou fundo várias vezes. - Beth. - Red olhou para mim. - O nome dela é Beth. Eu não sei sobre a sua… Bom. Eu não sei como nomeá-la.

- Deus, isso é um pesadelo. - Ela colocou as duas mãos nas laterais da cabeça, parecendo completamente perdida. Eu senti pena dela.

- Vamos lá, não é tão ruim assim. Quero dizer... Beth está bem com isso, e eu aposto que... A outra mulher também. Ela continuou respirando fundo. - Ruby, relaxe. Não é tão ruim.

- Sim… É sim, Regina. - Ela disse, lágrimas rapidamente inundando seus olhos. - Eu a traí. - Ela limpou algumas delas, olhando para o chão. - Quero dizer, eu fui embora. Mas nós nunca realmente terminamos, sabe. Eu acho... Eu só... Precisava de algum contato humano.

Ela suspirou e colocou a cabeça no meu colo. Ficamos nessa posição por algum tempo, sem dizer nada. Ruby chorou todas as lágrimas que estava segurando por um tempo muito, muito longo.

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Depois de quase uma hora, descemos as escadas e encontramos uma nota no sofá da sala de estar. Ela dizia:

"As coisas ficaram muito confusas, nós sentimos muito. Se vocês quiserem, gostaríamos de nos encontrar novamente - menos bêbadas dessa vez. Mesma hora, mesmo lugar? Beijos. PS: nossos nomes são Jane e Beth, só pra saber."

Ruby e eu nos olhamos ao mesmo tempo.

- Então, você quer...

- NÃO! Deus, eu não posso fazer isso de novo. - Ruby disse, andando de um lado para o outro.

- Bom... Eu posso saber de algo que pode te convencer. - Mordi meu lábio inferior nervosamente. Imediatamente senti o gosto do sangue e lembrei-me do corte da noite anterior. Lambi-o para limpá-lo, mas Ruby pareceu não notar. Ela estreitou os olhos e sentou-se no sofá.

- Desembucha.

- Infelizmente, não me lembro de todos os detalhes, mas havia algo sobre outro feijão mágico. O último. E Jane tem ele.

Ruby continuou olhando para mim por dez segundos, antes de desviar o olhar, imersa em pensamentos. Eu vim e me sentei ao lado dela a uma distância razoável, colocando minha mão direita sobre o encosto.

- Não pode ser. Como isso é possível? Eles nem mesmo são daqui.

- Sim, eu também pensei nisso, até que Beth me disse que o Gold deu a elas um saco de feijões. Foi assim que encontraram esta cidade e muitos outros lugares. Elas não têm ideia de quem somos. O que é bom... No meu caso. - Eu me mexi desconfortavelmente no sofá e Ruby olhou para mim.

- Gold? Mas por que diabos ele faria isso?

- Isso também me fez pensar. E tem mais. Ele ainda disse que se os feijões acabassem, elas poderiam vir atrás de mais. Eu nunca soube que Gold tinha uma pilha de feijões, mas ele definitivamente está tramando alguma coisa. Ele nunca faz nada por pura bondade. Ele queria que eles viessem aqui, mas por quê?

- Eu não sei. Você disse que elas ainda têm um?

- Sim. O que você sugere que façamos?

Red suspirou e começou a andar de novo. Ela parecia estar tendo muitas lutas e discussões internas diferentes, e eu decidi não perturbá-la. Após cerca de três minutos, ela desistiu e caiu no sofá com um pequeno baque.

- Eu não sei o que fazer.

- Tô vendo. - Ela olhou com raiva para mim, mas eu continuei antes que ela pudesse dizer qualquer coisa.

- E eu posso entender sua luta. Eu também não sei o que eu faria, mas parece que estamos de volta à questão do Gold. - Red assentiu e olhou pela janela.

- A pior parte é que eu poderia ter evitado isso. Nós ainda poderíamos estar lá, felizes juntas. Mas eu só tive que ir e foder tudo de novo. - Eu removi minha mão do encosto e coloquei em sua coxa esquerda. Ela olhou para mim com muita tristeza.

- Não faça isso consigo mesma. Eu já estive nesse lugar e posso garantir que isso não leva a nada de bom. Primeiramente: vamos pensar em nossas opções a partir desta noite. Tudo bem pra você? - Eu olhei para ela e ela balançou a cabeça calmamente. - OK. Então, A: nós vamos lá, conversamos com eles e obtemos informações sobre esse último feijão; B: Nós não vamos lá e continuamos imaginando tudo de qualquer jeito; C: Nós não vamos lá e você se sente infeliz para sempre. Devo continuar?

Ruby revirou os olhos, mas pareceu concordar comigo.

- Mas isso não significa que eu vou beijar alguém hoje à noite.

- Você não precisa fazer nada com o que não se sinta confortável, Ruby. Relaxe, nós daremos um jeito nisso.

- Espero que você esteja certa. - Eu sorri tranquilizadoramente para ela.

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- Você tem certeza que temos que fazer isso? - Eu perguntei e mordi meus lábios pela milésima vez seguida.

- Sim. E é sério, você e Emma precisam conversar. - Eu abri minha boca para protestar, mas ela continuou. - Não minta para si mesmo. Há mais do que algo físico.

- Não há nada…

- Ah, sério? Então, como você descreveria seu último beijo?

- Bem, nós… Eu… Ahn… - Corei, engoli em seco e senti meus olhos se arregalarem. Ruby sorriu para mim e eu revirei os olhos.

- Não há como negar, Regina. Você está apaixonada por ela. - Eu sabia que estava, é claro que estava, mas dizer isso em voz alta seria demais para mim agora.

- Isso é um mal-entendido completo! Eu não tô apaixonada por ninguém. Além disso, só tem alguns dias, isso nem é possível.

- Sério, nós vivemos em um mundo de conto de fadas. Qualquer coisa é possível.

Eu estreitei os olhos e desviei o olhar, andando pela sala de estar. Ruby ainda estava sentada no sofá e parecia muito satisfeita com o rumo dos acontecimentos. Aquela bastarda.

- Tá. Nós vamos lá. Mas eu não posso garantir que vai ser bom.

- Eu sei. Eu realmente entendo o que você está sentindo. - De repente, o rosto de Ruby ficou completamente simpático e agradável. - Mas por favor, entenda que eu preciso fazer isso, e eu me sentiria mais confortável se você estivesse lá comigo.

Eu suspirei profundamente e fechei meus olhos por um segundo, parando de andar. Ela estava certa. Ela precisava fazer isso, e seria melhor se estivéssemos juntas. Eu olhei para ela e ela parecia extremamente animada - como uma criança estaria.

- Vamos fazer isso antes que eu mude de ideia. - Ela sorriu largamente e eu nos teleportei para o apartamento de Branca.

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- Jesus, Maria e José! - Branca gritou quando Ruby e eu aparecemos na frente dela em seu próprio apartamento, sem aviso. Ela colocou uma mão sobre o coração como se quisesse diminuir a velocidade. Eu sorri para mim mesma e Ruby cutucou minhas costelas, fazendo-me protestar de dor.

- Ai! O que eu fiz?! – Perguntei, esfregando minha lateral. Ruby revirou os olhos e sacudiu a cabeça em resposta. Desta vez eu consegui esconder o sorriso que estava prestes a dar o ar da graça novamente. - De qualquer forma. Desculpe pela entrada, Branca. - Eu disse enquanto ela resmungava. - Mas nós meio que temos uma emergência, e gostaria de alguns conselhos e pensamentos sobre isso. – Ela parecia curiosa.

- Tem alguma coisa a ver com as suas… Convidadas? - Ela olhou para Ruby e eu com uma sobrancelha levantada.

- Sim, mas não só isso. - Era a vez de Ruby falar, e ela mordeu o lábio inferior nervosamente. - O Gold tem algo a ver com isso, e pode haver uma maneira de eu voltar para Dorothy.

- Como assim? - Disse Branca e andou até a mesa, sentando em uma cadeira. Nós duas a seguimos e nos sentamos em frente uma da outra. - A razão pela qual elas apareceram aqui em primeiro lugar foi porque Gold deu a elas uma pilha de feijões mágicos, e agora elas só têm um. Disse-lhes que, se precisassem de mais, poderiam vir procurá-lo, aqui. – Branca assentiu lentamente, tentando absorver a informação que lhe foi dada.

- Mas por quê? Por que ele presentearia estranhos com itens extremamente raros, como feijões mágicos? – Branca pareceu não entender, e olhou para os nossos olhos.

- Nós também não sabemos. Acontece que... Elas nos convidaram para ir ao bar novamente, na mesmo hora, esta noite. Decidimos ir, mas precisamos de alguns pensamentos sobre isso primeiro.

- Você vai? - Eu ouvi uma voz vindo do quarto e olhei para cima a tempo de ver Emma encostada no batente da porta, braços cruzados e estreitando os olhos em direção a mim. Eu não pude deixar de engolir em seco.

- Emma, não foi ideia dela. Na verdade, eu a coloquei nisso, ela não queria ir. - Ruby antecipou, e eu me senti um pouco aliviada quando os braços de Emma se desdobraram e ela se aproximou da mesa, sentando ao meu lado.

- Então, o que vocês vão fazer, exatamente? - Emma perguntou a Ruby, sem olhar para a minha direção nem um pouco. Eu revirei meus olhos.

- Precisamos de informação. Qualquer coisa que possamos conseguir sobre esse feijão perdido, mas não temos ideia de como as coisas vão acabar. Viemos aqui para pedir apoio. Como isso é algo que envolve o Gold, não podemos ser levianas. E se ficar fora de controle em termos de... Beber e fazer coisas estúpidas, - Emma olhou para mim estreitando os olhos novamente. - então vai ser bom ter vocês lá para nos tirar daqui. O que vocês acham?

- Sim. - Emma rapidamente respondeu, e Mary Margaret olhou para ela com a boca aberta. - Nós estaremos no bar, apenas fingindo olhar em volta. Se alguma coisa acontecer, nós vamos intervir.

Branca assentiu ao mesmo tempo em que a porta se abriu, revelando David e Henry. Os dois estavam segurando sorvetes e sorrindo um para o outro, quando os olhos de Henry encontraram os meus e depois os de Emma. Ele parou de sorrir imediatamente. Branca pareceu ficar tensa e se mexer na mesa. David também mudou completamente sua linguagem corporal e cumprimentou a todos, apoiando-se no balcão da cozinha. Henry ficou colado ao portal, agora olhando diretamente para mim. Emma olhou para ele e para mim, franzindo a testa.

- Garoto? Você está bem?

- Sim, mãe. Eu tô ótimo. - Ele mentiu, olhando para longe.

- Henry, podemos conversar? - Eu perguntei, olhando para ele. Ele simplesmente assentiu e foi para o quarto. Eu o segui, fechando a porta atrás de nós. Fui direto para o quarto e sentei-me enquanto ele ia até a janela, desviando o olhar.

- O que houve, querido? - Levou alguns minutos antes que ele pudesse falar ou até mesmo olhar para mim nos olhos.

- Eu sei sobre você e a mamãe. - Eu engoli em seco e mexi nervosamente na cama.

- O que você quer dizer...

- Mãe, por favor. Eu não sou mais uma criança. - Eu balancei a cabeça enquanto ele olhava para mim nos olhos. - E Robin? Você já se esqueceu dele?

- Henry… Não é assim...

- E o Gancho? Você não pensou nele, não é? A Emma pensou nele? Eu sabia que você nunca gostou dele, mas isso é baixo, mãe.

- Henry! Cuidado com o que você diz para mim, agora...

- Não foi culpa dela! - Emma entrou no quarto e parecia determinada. Só então percebi que provavelmente estávamos gritando, pois ela ouviu e decidiu intervir. – Fui eu que comecei. - Sua voz saiu baixa, quase como um sussurro, e Henry olhou para ela, incrédulo.

- Mas você tem namorado. Você ama o Gancho! - Emma olhou para baixo e fechou a porta atrás dela, encostando-se nela. - Quero dizer… Você ama ele, né? Eu realmente tô tentando entender o que tá acontecendo aqui, mães.

Emma e eu nos entreolhamos ao mesmo tempo, quase como se estivéssemos implorando uma para a outra para fazer algo para acalmá-lo.

- Henry… Foi apenas algo que aconteceu. Um erro. Claro que ainda amo Robin. Eu nunca vou parar de amá-lo, assim como Daniel. E Emma ama o Gancho. - Eu senti como se uma faca tivesse acabado de perfurar meu coração com o pensamento. - Não vai mais acontecer.

- Como você pode ter tanta certeza?

- Foi uma decisão mútua, Henry. Tem sido rápido demais para nós, e precisamos pensar, para colocar as coisas em ordem.

- Sim, Regina está certa, garoto. Além disso, fizemos tudo errado. Eu fiz tudo errado. Nunca poderia funcionar.

- Sim, você definitivamente fez. - Eu ri levemente e Emma estreitou os olhos para mim.

- Eu disse 'nós', sabe. Eu não estou sozinha aqui. - Eu ainda estava sorrindo enquanto olhava para Emma, sua expressão se iluminando um pouco. Ela estava tentando esconder um novo sorriso quando Henry falou novamente.

- Oh meu Deus. Vocês nem conseguem ver, não é? - Nós duas olhamos para Henry e para a outar, confusas.

- Ver o que, garoto?

- É óbvio que vocês têm sentimentos uma pela outra. - Eu rachei e Emma franziu a testa, cruzando os braços.

- Por favor... Não seja ridículo.

- Então pare de tentar esconder isso. Vamos ver quem é o ridículo aqui.

- Eu olhei severamente para ele e pude sentir Emma mudando o olhar de Henry para mim, uma e outra vez.

- Não há nada a esconder, garoto.

Henry pareceu desistir, levantando as duas mãos no ar e saindo do quarto. Ele bateu a porta antes de sair e ninguém veio atrás dele. Emma chegou mais perto de mim e sentou-se ao meu lado na cama. Nós duas estávamos olhando para o chão por algum tempo, tentando encontrar as palavras para dizer o que quer que estivesse em nossa mente.

- Então ... Você realmente não fez isso só por causa de ser a Salvadora, certo? - Eu continuei olhando para baixo, mas ela olhou para mim e colocou a mão esquerda sobre a minha coxa direita.

- Ah, Regina. Como se eu fizesse algo assim só porque as pessoas queriam que eu fizesse. Eu acho que… Eu queria desde o começo. Eu só precisava de uma desculpa.

- Queria... - Eu repeti a palavra em voz alta, ainda olhando para longe.

- E... Me desculpa. - Sua voz era quase inaudível quando ela disse isso, e eu imediatamente olhei para ela nos olhos. Foi a vez dela de olhar para baixo. - Eu realmente sinto muito. Sei que as coisas saíram do controle e eu realmente não... Não sei como lidar com isso. E sei que te magoei, mas é porque é o que eu faço. Quando as coisas ficam mais intensas, eu simplesmente fujo. Fujo dos eventos, das pessoas e dos meus sentimentos.

Eu não pude deixar de tomar ambas suas mãos nas minhas, o que a fez olhar nos meus olhos. Havia uma certa tristeza naqueles olhos verdes e eles encontraram os meus castanhos.

- Eu entendo, Emma. Agora eu entendo. Obrigada. E também quero me desculpar. - Levantei a mão quando ela fez sinal para falar, e ela ficou quieta. Eu olhei para fora da janela. - Eu quero me desculpar pelo que aconteceu, por não poder cuidar do nosso filho, deixando toda a responsabilidade para você. E pelo jeito que eu reagi com essas garotas, quero dizer... - Corei e Emma segurou meu queixo, forçando-me a olhar em seus olhos.

- Eu fui uma idiota. Não se desculpe por isso. Você é solteira, livre, disponível... Eu não tenho o direito de ficar com raiva de você ou delas. Eu acho que fiquei com... Ciúmes. - Ela se mexeu na cama e olhou para baixo. - Isso é o que tá me assustando, sabe. - Sua voz era tão baixa que eu mal ouvi.

- Sim. - Emma e eu nos encaramos por menos de 10 segundos quando ela me perguntou o que eu mais temia na minha vida agora.

- Regina... Você tem sentimentos por mim?

- Eu... - Eu levantei e andei por alguns momentos. Emma olhou para mim a princípio, inquieta. Ela eventualmente se levantou e ficou na minha frente, quando percebeu que nenhuma resposta real estava chegando. Ela se aproximou mais, nossos narizes estavam levemente se tocando, testas inclinadas e nossos corpos colados um ao outro. Ela colocou a mão direita sobre o meu peito, sentindo o meu batimento cardíaco. Emma pegou minha mão direita e colocou sobre seu próprio peito, e nós duas podíamos sentir nossos corações acelerados e nossas respirações desiguais.

Nós não poderíamos evitar ou esconder mais. Emma fechou os olhos e expirou profundamente. Seu hálito quente alcançou meus lábios, o que fez minha boca se abrir levemente. Ela então abriu os olhos e olhou para os meus, intensamente. Coloquei minhas mãos em sua cintura, puxando-a para mais perto e ela segurou meu rosto. Nós nos olhamos uma última vez, antes de meus olhos se moverem para seus lábios. Mordi meu lábio inferior nervosamente e pude sentir meu coração batendo forte e rápido. Emma roçou os lábios nos meus e senti borboletas no meu estômago. Eu a puxei para um beijo mais profundo, línguas dançando juntas como em uma sinfonia. Nossas mãos estavam explorando o corpo uma da outra com desespero e ansiedade, um se nós tivéssemos desejado esse contato por um longo tempo - e o fizemos. Depois de alguns minutos, apesar da excitação e do fato de que precisávamos do corpo um do outro ainda mais perto - se é que isso era possível -, acabamos terminando o beijo do jeito que ele começou. Tocamos nossas testas novamente, respirando pesadamente e com os olhos fechados. Eu podia sentir o coração de Emma batendo contra o meu peito, e eu tinha certeza que ela podia sentir o mesmo sobre o meu próprio. Nós finalmente abrimos os olhos e nos entreolhamos, e eu não pude deixar de questionar:

- Então, o que fazemos agora?