Going down in flames
- Vai fazer as compras? – James estava sentado à mesa da sala de jantar (curiosamente ele tinha uma, que nunca usava... Então, pra quê ter?).
A gravata pendendo frouxa em volta do pescoço alvo, os primeiros botões da branca camisa abertos e tendo espalhado a partir de si, marcas pela roupa. O notebook, até o instante em que me aproximara da porta, era a coisa mais sensual e interessante para meu primo.
Ele trabalha como um condenado.
Peguei o paletó que ele abandonara em cima do espelho de uma das cadeiras e que terminara no chão.
Atirei-lhe na cara.
- Vou, se não fosse por mim você morreria por inanição – abri a porta, sem olhá-lo, ultimamente evitava me defrontar com aquelas orbes que me lembravam sóis adentrando a terra no início da noite.
Poético...
- E não queremos Narcisa correndo para os braços do senhor Malfoy, certo? – fechei a porta antes que o visse chorando, ou levando as mãos ao par de galhos que despudoradamente carregava na testa.
Já nem tão poético assim.
- Imbecil... – murmurei e segui para o supermercado.
Dez dias haviam se passado desde o incidente da minha brilhante fuga. Quando as meninas ficaram sabendo, cada uma teve uma reação diferente. Samara riu abertamente da minha tentativa (falha) de escapar, Alice ficou com muita pena de mim e me ofereceu um bolo com cauda de chocolate no outro dia e, Aline não entendeu a razão que me fez fugir do meu primo, ele não era amigo do Edgar?
As pessoas sempre me surpreendem...
Elas não aprovam a minha amizade com Severus, elas o acham, no mínimo, estranho. Sem mencionar o fato de que, devido a ele o meu tempo com elas foi reduzido. E bem, para elas soava como se ele fosse meu namorado e eu as estivesse abandonando.
E Sevvie não é meu namorado.
Vestida como uma adolescente, com a trança contribuindo ainda mais para o meu look desleixado, adentrei o supermercado. Peguei um carrinho qualquer e resisti à tentação de enchê-lo com besteiras, em vez disso coloquei minha bolsa esportiva dentro dele e me encaminhei para a sessão de produtos de limpeza.
O solado do meu tênis produzindo um "cheque-cheque" incômodo contra o piso reluzente do local.
- Será que eu vou ter que lavar o banheiro de casa? – me perguntei em voz alta.
- Eu nunca perguntei a Jay se ele tem uma lavadeira ou uma diarista... – reconheci com um pouco de vergonha, afinal eu morava lá também.
Somente porque cozinhava, não significava que era o suficiente, eu acho... E olhando mais de perto, a casa sempre me pareceu razoavelmente limpa. Ele deveria ter alguém que cuidasse do seu lar e de suas roupas, pois das minhas eu mesma cuidava. E essa pessoa deveria cumprir horários que não coincidiam com os que eu estava no apartamento.
A imagem de Tom Cruise, nos trajes de Missão Impossível, bancando a faxineira de casa enquanto eu dormia ou tomava banho adquiriu contornos extremamente sensuais na minha mente incuravelmente fantasiosa.
Voltando para a realidade cruel: na dúvida comprei o que achava essencial para a limpeza de todo o apartamento. Então procurei a sessão de alimentos em conserva.
Muitos molhos de tomates depois, era a hora de comprar comida de verdade.
Atravessei a sessão de biscoitos praticamente de olhos fechados, até bater em algo. Outro carrinho estava no meio do meu caminho e um casal discutia acaloradamente na minha direita.
A garota deveria ter uns quatorze anos e se eu alcunhava o meu look de desleixado, eu estava completamente por fora.
O cabelo tingido de rosa, muitos piercings na orelha, dois na sobrancelha e um no nariz e imaginei que se ela estirasse a língua para fora da boca, eu veria mais um ali. A bolsa que me lembrava um cabide para tudo que se pudesse pensar em pendurar. A saia desbotada e rasgada terminando bem (bem!) acima dos joelhos, para dar vazão as meias de arrastão negras e esburacadas.
Apressei em desvencilhar meu carrinho do outro quando a vi fixar seu olhar em mim, ela percebera que eu a estivera observando.
- Hey moça! – ela rapidamente se aproximou de mim e não desisti de tentar ir embora dali.
E se ela resolvesse me raptar para extrair minha pele a fim de usá-la como enxerto na sua e aí sim, usar mais piercings? Não somente fato possível, como muito doloroso. Sem cogitar a possibilidade de levarem os meus rins, porque é sempre assim! Eles lhe abordam com um sorriso amigável, uma cerveja e um papo consolador e depois a última coisa que você se lembra é que o cara te abandonou pela prima da Paris Hilton. A qual mais tarde se revelou um travesti...
- Diga a ele que biscoito de baunilha com morango e doce de leite é muito melhor que o de chocolate! – ela apontou para o homem com o qual estava discutindo, me chamando de volta para o presente em tempo e espaço.
E ao olhar para onde ela indicava, o reconheci imediatamente.
Era um dos amigos de James! O que sempre se mantinha calmo, independentemente da confusão que o rodeasse, isso mesmo! Era ele, o... o... Sr. Maracujina.
- Tonks, fique quieta – era para ele repreendê-la, mas parecia que estava comentando o tempo – Oi, você é a prima de James, não é? – ele apertou minha mão com firmeza e simpatia.
Discretamente me certifiquei de que nenhum resíduo amarelo e ácido permanecesse nos meus inter dígitos.
As formigas podiam me atacar e James iria me chamar de irresponsável, egoísta e criança e... Acabei pegando coisa pior do que mordida de formiga, estou infectado com Potteríte, obrigada Potter!
- Remus Lupin e esta é Nimphadora Tonks, prima do Sirius – ele fez as apresentações.
- Iew! – ela prontamente se manifestou – Esqueça o Nimphadora, ruiva, só Tonks – e torceu o nariz com certa graça.
- Prazer, Lily Evans – disse e Tonks esboçou um pequeno sorriso travesso.
Não se pode esperar muito coisa boa depois desse sorriso...
- Então você é prima do Potter, huh? – não gostei do tom e do brilho peralta em seus olhos, eu sabia que viria bomba – Nós somos iguais! Você trancada com o seu primo e eu, com o meu primo Six – aposto que se Remus não estivesse por perto, ela teria feito uma imensa lista qualificando o seu querido priminho.
E os lábios delicados dela se retraíram, como que procurando se comedir para não deixar escapar mais alguma coisa. Porém, Tonks não era o tipo de garota que era comedida.
Era só olhar para ela, afinal o efeito maracujol não era nada para alguém como ela, o que era algo facilmente legível ali.
- Mas existem compensações, sabe ? – então ela lançou um olhar que descaradamente despia peça por peça da roupa de Remus.
Ele, por sua vez, corou profusamente e revirou os olhos, daquele modo que queria dizer: "essa garota ainda vai fazer alguém acreditar que temos alguma coisa...!".
E eu estava loiramente enganada... O senhor Lupin queima como fogo, ou como maracujá debaixo do sol... Tanto faz.
- Pare de falar besteiras Nimphadora – devolveu, quando eu pensei que ele só iria desviar do assunto, e colocou as mãos nos bolsos da calça, num gesto impaciente a se perguntar internamente de onde a pirralha tirava aquelas idéias bizarras.
- Não me chame de Nimphadora! – e Remus usara o nome que ela odiava para dar o troco.
Teve algo que discordava com a pose de Tonks, algo que não pude entender e discernir exatamente o que era. Mas depois não tive tanta certeza de que realmente existia esse tal "algo", ela estava brigando com ele de novo e falando alto.
Acenei sem saber direito o que fazer para lhes chamar atenção, eu ainda tinha aula à tarde na universidade e não podia me demorar muito.
- Hey Lil's, me dá o seu número pra gente marcar de sair juntas! – ela me alcançou já desfeita da discussão, deixando um Remus levemente aborrecido para trás.
Ela tirava qualquer um do sério, eu podia facilmente entender o rapaz...
E eu tinha outra saída? Além do que, ela me parecia ser legal e talvez fosse a minha vez de usar alguns piercings, tatuagens e meias de arrastão faltando pedaços...
Só para aperrear o James, lógico.
- Você não vai me ajudar com as sacolas?! – inquiri abobalhada pela indiferença de James diante da minha quase morte, por quase estourar minhas vísceras devido à força descomunal para carregar as compras.
- Carregue menos que você consegue – ele nem desviou a atenção da tela do notebook e com um bluetooth na orelha esquerda, ele voltou a falar seja lá com quem estivesse conversando.
Inacreditável...
Mas no fundo isso realmente não me surpreende.
Sentindo que iria ter um filho ali mesmo, segui dando passos mais errados e cambaleantes para a cozinha. Depois do que me pareceu serem séculos, eu terminei de tudo.
Voltei para a sala de jantar, que ficava contígua a nossa sala de estar, coloquei as mãos na cintura e encarei, com o mais predador dos olhares, James Potter.
- James Potter! – pronunciei, me visualizando a pendurá-lo de cabeça para baixo pelos tornozelos do lado de fora da janela, com ele trajando somente uma cueca de piu-piu e meias soquetes pretas furadas nas pontas dos dedos.
- Precisamos aumentar a ala norte. A sessão de atendimento ao cliente precisa ser reciclada urgentemente, não quero meus investimentos sucateados...
Isso também não me surpreende.
- Você vai me ignorar mesmo? Sem almoço pra você! – bradei possessa agitando meu punho na sua direção.
- Mas eu disse a vocês que a terceirização desse setor só nos traria dores de cabeça e agora? Como e agora! Teremos que esperar a conclusão do contrato! Pense! – ele continuou compenetradamente.
Eu já esperava isso...
- Um dia você vai precisar comer, você é um homem como outro qualquer Potter, não um robô! – e passei por ele para deixar o carrinho, que usei do condomínio, de volta para a área do subsolo onde todos permaneciam guardados.
Talvez eu devesse arranjar um emprego para mim, não estágios na minha própria área. Não, algo que me faça abrir os olhos e aprender outras coisas. Ainda mais com o índice de desemprego, quem me garante que quando sair da universidade, eu acharei um emprego com facilidade? Por isso é bom ter um currículo variado...
Posso falar com Sevvie, ele sempre está por dentro e pode me dar uma forcinha. Ninguém mais do que ele teve que tomar as rédeas da própria vida bem cedo, adquirir responsabilidade e amadurecer de verdade, contar unicamente consigo mesmo não me figura como algo tão comum de se ver e fazer.
Ainda mais para mim, que usualmente acabo tendo alguém a me amparar e eu tenho certeza absoluta, que chegará o dia em que não terei nada além do que os meus próprios ânimos para me sustentar.
Por que não começar desde agora? Assim a queda não será tão grande e os machucados não serão tão incuráveis e profundos. Quando mais cedo, melhor, já diziam meus pais.
Entrei no apartamento selecionando mentalmente em que gênero poderia começar a procurar um emprego, algo que tivesse a ver comigo e que eu pudesse verdadeiramente me interessar e levar a sério.
James ainda estava falando naquele negócio estranho e analisava uns gráficos no note. Fechei a cara e desejando deixar minhas pegadas imprimidas no piso, caminhei de volta para a cozinha a fim de arrumar as compras.
- Volte aqui! – de repente fui arrancada do chão e carregada para trás num puxão repentino e bruto.
Meu estômago quase perfurou a minha costa e imaginei poder vê-lo estirado no chão aos meus pés.
- Você é louco?! – retorqui para o demente do Potter que me puxara descuidadamente pelo cós da minha calça jeans – Isso machuca, seu idiota!
Ele murmurou algo para a pessoa com a qual falava antes e vedou o note ao rebaixar a tela do mesmo, encostando-a na face do teclado.
O que deu nele?! Meu Deus, que homem sei lá o quê mais! Parece que esqueceu de tomar o remédio, ou melhor, esqueceram de retorná-lo para o manicômio.
Sinto que estou me tornando repetitiva quando o assunto envolve meu primo.
- Você está magoada comigo, criança?
Filho de uma porta... Criança é o seu querido e amado c- coelhinho...!
Ele nem notou a minha careta de aversão para ele e prosseguiu.
- Eu tenho que colocar dinheiro para dentro dessa casa, o que você queria? Morar debaixo da ponte? – tá, papai, agora me solta, seu desalmado.
Respirou fundo e com a mão livre, a escorregou por entre os cabelos em sinal de cansaço e pedindo paciência.
- O que você come é com o meu suor, seja mais compreensiva e madura. Não fique batendo seus pezinhos por aí, seja mais agradecida com este seu primo, que batalha para lhe dar um vida mais digna – ele até parece uma pessoa nobre... Dá pra me soltar seu legume de cabeça espetada?!
Enfim, pela primeira vez, realmente, me olhou.
- Estamos acertados? – e eu achava que ele realmente havia me olhado...
Entreabri os lábios e James encerrou o monólogo.
- Boa menina – e dando tapinhas na minha cabeça, me libertou – Agora pode ir fazer seus deveres – e sorriu orgulhoso.
- Puff... – ainda não acreditava no que ele me dissera e sacudindo a cabeça em negativa, rumei para a cozinha.
- James? – após seis passos, me virei para ele.
Ele estava entretido mais uma vez com seu notebook e não me fitou, murmurou alguma coisa para indicar que estava me ouvindo.
- Eu... – engoli algo muito ardente e doloroso, desviei meu olhar de sua pessoa para pousá-lo na cadeira mais perto de mim, todo o meu corpo e músculos repentinamente tensos e sofrendo como se tivessem sido surrados numa maratona.
- Só queria dizer que... – nada dele me olhar, esse Drácula desdentado...! -... Tô grávida!
James empalideceu e ficou rijo como uma múmia.
Saltitei que nem a chapeuzinho vermelho ao saber que poderia passear livre e sozinha por aí.
- E vou me casar em Las Vegas com o Alejandro, para em seguida vivermos no México como coyottes¹ – terminei de afundar a estaca no peito de James e zarpei para a cozinha.
Agora esse desgraçado prestaria atenção em mim!
- LÍLIAN EVANS GAIARDONI! Venha já aqui!!!
É incontestável o quão atencioso meu primo é comigo...
- Foi o que eu disse a ele! Lily, você tem que acreditar em mim – Severus rapidamente se postou na minha frente, dando seus passos de costa enquanto fincava seus olhos, escuros e moldados em súplica, sobre mim.
Estava entardecendo, plena quarta-feira, dia especialmente lotado para nós, alunos de Hogwarts. Eu e Sevvie mais uma vez estávamos rumando para o metrô, mas não iríamos para nossas casas, veríamos algum filme novo sem muita importância...
- Eu acredito, mas você não devia andar com ele... Você sabe o que ele anda fazendo – não recolhi meu tom de reprimenda.
Eu realmente me preocupo com Severus. Alguém, além dele mesmo, precisa olhar por ele. E Mulciber não é amigo ou companhia certa para ninguém.
Acenei para uma colega de classe e verifiquei se podíamos atravessar a rua.
- Não... Andei pensando... – meu cadarço desamarrou de novo! Era algum tipo de praga? Havia algum duende invisível pago pelo Potter para desamarrar meu tênis? – Se... Se você não gostaria de... Ir à festa de sábado comi...
E Severus não completou sua frase, porque foi jogado para dentro de um carro negro.
O movimento de pessoas na calçada, a escuridão servindo de cortina nebulosa para o acontecimento fez com que tudo se passasse discretamente aos olhos de outros transeuntes. Mas não aos meus!
Ignorando o tênis folgado nos meus pés, corri e bati na janela espelhada do automóvel. O sumiço dele tinha sido tão inesperado, absurdo e repentino que eu não vi o que exatamente o arrastou para lá. Apesar de saber que Sevvie estava ali. Mais por um sexto sentido do que de fato ter visto algo claramente, afinal eu não estava olhando para ele quando tudo aconteceu.
Intensifiquei os golpes e estava prestes a juntar gritos e pedidos de socorro à minha luta quando o automóvel arrancou, me deixando sem reação para trás.
- Arre! – abri a porta do apartamento aos trancos e barrancos, ainda atordoada pelo o que acabara de acontecer.
Pela primeira vez eu estava totalmente perdida, sem saber o que fazer. Eu deveria ter ligado para a polícia? Deveria ter ligado para as minhas amigas? Pedido socorro para as pessoas que estavam próximas?
E por mais absurdo que possa parecer, eu voltei correndo para casa esperando encontrar meu primo aqui, já que ele não respondeu ao meu chamado pelo celular.
O pânico seria a última emoção a me assaltar, porque eu sou uma garota destemida e sei uns bons golpes tipo: dedo no olho, torcer dedos mindinhos e chutar umas partes frágeis por aí, além de sempre saber como agir em qualquer tipo de situação. Só que desta vez...
Uma marcha fúnebre começou a tocar e meus olhos embaçaram, pois eu já antevia o enterro de Severus. Mas aí eu me lembrei que esse era o toque destinado para quando James me ligasse.
Atendi entre aliviada e desesperada – James! Meu amigo foi seqüestrado debaixo dos meus olhos! – não me importei com a provável histeria que eu deveria estar usando na minha voz.
- Como? Não grite, por favor, Lily – ele pediu calmamente do outro lado da linha.
Respirei fundo e caminhei para a cozinha, eu não estava conseguindo ficar parada por muito tempo.
- O meu amigo... acabou de ser seqüestrado bem na minha frente! – repeti mais devagar e dando leves socos na bancada.
- Você já tentou ligar para ele? Ou para a família dele?
- Hm... Não – admiti envergonhada por não ter pensado nisso antes.
- Então faça, se obter negativas. Me aguarde que estou chegando em casa – ele me orientou e suas instruções me deram a segurança que eu necessitava.
Corri para pegar o telefone e procurando na agenda do meu próprio celular o número de Severus, disquei.
Tocou uma, duas, três, várias vezes! Até cair na caixa postal. O medo e a angústia retornaram, mas duplicados. Agora eu também tremia e deste jeito, apertei o botão de rediscagem. Na quinta chamada, Severus atendeu.
Beirei um infarto.
- PeloamordeDeeeeeeeeeus Severus! Você quer me matar de susto, é?!
- Lily?
- Não, a Oprah! O que aconteceu com você menino?! Tá tudo bem??
- Claro... – ele hesitou antes de continuar – Por quê?
- Você endoidou?! O mundo nasceu virado do avesso e eu não fiquei sabendo?! Você sumiu da minha vista Severus!! Num puf! Bateu o Bin Laden em sumiço – atalhei sem fôlego por falar de uma única vez e levantado o volume ao me exaltar com a tranqüilidade desumana dele.
- Ahhh... Você se refere a isso... – ele disse, e alguma coisa não encaixava na história – Meus amigos, eles quiseram fazer uma surpresa e na brincadeira, não me deixaram voltar e falar com você.
- Até agora Severus? – rebati descrente.
- Eu tomei umas e não estou bem, por isso não te liguei... – ele respondeu.
Uma decepção se apoderou do buraco, que se abrira onde deveria estar meu coração devido ao sumiço de Severus.
Ele pigarreou e eu ainda estupefata, fiquei muda.
- Lily? – ele não tinha certeza se eu havia encerrado a ligação ou não e ao ouvir meu nome, algo em mim estalou.
- Então é só, adeus Severus – e sem esperar por ele, desliguei.
Meu cérebro não conseguiu formular idéias. Os acontecimentos se repetiam na minha mente como um curta metragem sem som e cores, além de sem sal.
- Lily? Onde você está? – ouvi James fechar a porta e seus passos se propagarem pela sala, permaneci quieta e calada diante do seu chamado, eu provavelmente não conseguiria nem produzir um latido se precisasse.
Ele avançou até mim preocupado e com pressa, mas estancou ao me ver boquiaberta e de cenho franzido.
Era agora, fale alguma coisa Lily! Qualquer coisa.
- Está tudo bem – disse não acreditando que aquelas palavras saíam da minha própria boca e ao mesmo tempo, as experimentando para analisar a sua veracidade.
Ele me encarou nos olhos e acariciando a minha bochecha, me puxou para um abraço.
- Você é muito bobinha... – sussurrou baixinho no meu ouvido.
- Ouch! – e recebeu um soco nas costelas pela ousadia.
- Às vezes Lily, às vezes...
N/A: Eu me esqueci de explicar o "ménage à trois" do cap anterior, significa sexo a três, James safadènhu ;D E coyottes são os caras q atravessam as pessoas ilegalmente pela fronteira entre México e EUA.
Eu tenho os MELHORES LEITORES DO MUNDO! Eu ainda estou nas nuvens depois das reviews! Prova disso é a postagem em CINCO dias! Não importa onde eu esteja, o estresse que a univ esteja impondo, se v6 me incentivarem a continuar EU POSTO! V6 determinam o ritmo das att's e o meu humor, mt obg! Mesmo, de coração S2 Adoro v6 meus foflettes x3
R&R \\o//
