Once again, thanks for the original author for allowing me to this adventure!

Obrigada por todos os reviews.

Particularmente eu gosto bastante deste capítulo, pois nele começa a aparecer um laço mais forte entre os Lupins adultos e a nossa abelhuda preferida.

Disclaimer: Ah, vocês já sabem!

10: Pessoinhas Detestáveis

A cabeça baixa e as mãos vasculhando os bolsos do blazer à procura da chave da porta de casa, Carrie Winters foi trupicando apressada pelos degrais da entrada de casa, o coração ainda batucando em seus ouvidos.

Ela tinha que entrar. Agora...

"Wotcher, Carrie!"

Carrie ignorou o cumprimento que foi direcionado a ela, tão concentrada ela estava na procura que mal percebeu que a voz era familiar. Ela tinha que entrar, dar um jeito na sua aparência antes que sua mãe chegasse em casa... o que raios os seus pais diriam se eles vissem o estado dela? E onde estava a droga da chave? Ela começou a procurar nos outros bolsos...

"Como foi a escola? Você teve um bom dia?"

Não está nesse... ou nesse... onde estava?

"Carrie...? Você está bem, querida?"

Encontrando todos os bolsos vazios, Carrie só conseguia concluir que tinha deixado as chaves em casa. Ela deu um chute frustrado e mesmo assim fraco na porta, antes de cair pra frente, a testa apoiada na madeira, soluçando.

Ela ouviu passos rápidos vindos de algum lugar à sua esquerda e ela sentiu uma mão em seu ombro.

"Carrie...?"

Carrie se endireitou de vagar e se virou para olhar para a mãe do seu melhor amigo com olhos desesperados e chorosos.

A sra. Lupin simplesmente a encarou em silêncio, os olhos lentamente se arregalando com a surpresa do que via antes de murmurar.

"Santo Merlin..."

"Dora?"

Carrie deu um pequeno puso de susto com a voz rouca que veio da casa dos Lupins e a sra. Lupin olhou, chocada, para a menina por mais um tempo antes de se virar e gritar sobre o ombro:

"O que?"

"Você vai se atrasar para o trabalho!"

A sra. Lupin franziu o rosto enquanto olhava de novo para Carrie, antes de por um braço em volta da garota.

"Que se dane o trabalho, Remus!"

"...O que?"

"Eu disse QUE SE DANE O TRABALHO! Eu estou OCUPADA!" A bruxa sorriu para Carrie enquanto começava a guiá-la pela caminho da entrada em direção da casa dos Lupins. "Vem, Carrie, nós vamos dar um jeito nisso, não se preocupe..."

Carrie se viu ser levada para dentro da casa e pelo corredor até chegar à entrada da sala de estar e, através das lágrimas, a trouxa foi atingida por uma forte sensação de déjà vu.

"Senta lá, querida," a sra. Lupin falou pra ela gentilmente, "eu volto aqui em um minuto. Não se preocupe com ele, não é contagioso."

Enquanto a bruxa desaparecia pelo corredor em direção da cozinha, Carrie se arrastou pela sala, olhando para o mago enrolado em cobertores que estava, mais uma vez, deitado no sofá, com o aspecto quem estava morrendo. Suas lágrimas foram cessando devagar enquanto um sentimento de alívio e calma começaram a acalmá-la. Carrie deu um suspiro tremido e conseguiu falar:

"Olá, sr. Lupin."

Os olhos do pai de Teddy se abriram preguiçosamente, do mesmo jeito que tinha sido no dia em que Teddy lhe deu a caneca de chá fervente, e parece que levou um tempo para que os seus olhos conseguissem focar na garota parada no meio da sala.

Ele piscou. E então piscou de novo. Aparentemente convencido de que não estava vendo coisas ele jogou os cobertores de lado e se sentou, os olhos se arregalando do mesmo jeito que o da esposa tinha feito há alguns minutos.

"Em nome de Merlin, o que..."

"Senta, Carrie." a voz da sra. Lupin interrompeu alegremente do corredor, e Carrie se virou para ver a mulher de cabelos cor de rosa já entrando na sala, uma grande caixa plástica verde de baixo de um dos braços. Enquanto Carrie obedientemente se sentava em um poltrona, o sr. Lupin pegou uma pequena garrafa de rolha do chão ao lado do sofá, uma das mãos segurando a testa enquanto ele tentava destampá-la com o dedão. A rolha saiu com um leve barulho e o mago estava para levar a garrafa à boca quando a viu ser apanhada das suas mãos.

"Dá isso aqui."

Enquanto a sra. Lupin pegava a garrafa e virava as costas pra ele, se ajoelhando em frente de Carrie, o bruxo a encarou meio bobamente.

"Você não pode dar isso pra ela..." ele protestou sem muito entusiasmo, e a sra. Lupin revirou os olhos.

"Fica quieto, Remus."

"Mas..."

"Me ajuda a lembrar, amor, quem tirou um Ótimo em Poções nos NIEMS?

"Foi você..."

"E quem tirou um Trasgo em Poções nos NOMS?"

"Não fui eu..."

"Mentiroso. Vai colocar a chaleira no fogo, por favor. Se é pra eu me atrasar pro trabalho eu vou fazer isso da melhor maneira e beber mais uma xícara de chá."

Enquanto o sr. Lupin se levantava com dificuldade e ia tropeçando pelo caminho para a cozinha, sua esposa abria a caixa, que parecia ser um tipo de estojo de primeiros socorros. Ela foi vasculhando até encontrar um pequeno copo com medida e Carrie assistiu em silêncio enquanto ela colocava uma pequena dose da poção da garrafa nele, antes de a colocar em suas mãos.

"Beba isso que nós vamos ver o dá pra fazer com o seu nariz."

Carrie olhou para o líquido turvo preocupada e a sra. Lupin voltou a procurar algo na caixa.

"O que é isso?"

"Solução fortalecedora tripla de casca de salgueiro e raiz forte*. É um analgésico... para dores extremamente fortes... mortais, na verdade... REMUS?"

"Sim?" a resposta do sr. Lupin foi fraca e rouca.

"Você sabe que comprou solução fortalecedora TRIPLA, né?"

"Eu não sou um completo idiota, Dora."

A sra. Lupin revirou os olhos.

"Você quase me enganou!" ela declarou e, pela primeira vez desde que o sinal da escola tocou por volta de meia-hora atrás, Carrie sorriu. O sorriso desapareceu instantaneamente quando a sra. Lupin inspecionou seu nariz ensanguentado e falou:

"Eu acho que está quebrado."

Carrie sentiu lágrimas se formarem em seus olhos de novo enquanto ela assistia a sra. Lupin colocar a mão no bolso e puxar sua varinha.

"Ei, não se preocupe!" a bruxa assegurou confiante. "Eu posso consertar, vai ficar novinho em folha! Isso é legal, você não acha? Ninguém nunca fez mágica em você, não é? Você está pronta?"

Carrie não conseguia decidir o que ela sentia com maior intensidade no momento: uma alegria súbita por esse marco histórico ou pânico total. Sem querer decidir por um dos dois, ela deu um leve aceno de concordância com a cabeça. Enquanto a sra. Lupin levantava a varinha, Carrie não pode evitar o impulso de fechar o olhos e, depois de algumas palavras murmuradas, o seu nariz de repente parecia muito quente. Mas logo que abriu os olhos de novo Carrie percebeu que a sensação estava começando a diminuir e, hesitante, colocou a mão no nariz para testá-lo.

"Lindo como sempre, eu prometo." a sra. Lupin falou e pegou alguns lenços na caixa para limpar o resto de sangue do rosto da garota. "O que é uma sorte, com o rosto daquele jeito você podeira entrar em uma disputa com o Remus."

"O sr. Lupin não parece ter acabado de lutar doze assaltos com o Mike Tyaso." Carrie murmurou desanimada, e achou um pouco divertido qnado a sra. Lupin franziu as sobrancelhas meio confusa e disse:

"Não sei, não. Ele me parece bem nocauteado!"

Enquanto a bruxa ia arrumando as coisas de volta na caixa, Carrie tentava pensar em algo para dizer, antes que a mãe do Teddy pudesse fazer a temida pergunta: O que aconteceu?

"O Teddy disse que o sr. Lupin sempre fica doente." ela murmurou, e a sra. Lupin franziu as sobrancelhas quase que imperceptívelmente enquanto concordava:

"O Teddy está certo, ele fica mesmo."

"Há quanto tempo ele... é doente?" Carrie perguntou, e seu coração ficou apertado quando ouviu a resposta:

"Remus é assim desde que ainda era uma criança."

"Isso é horrível..."

"Isso é a vida, Carrie querida."

"O que há de errado com ele?" A pergunta saiu da boca de Carrie antes que ela conseguisse parar, e ela imediatamente colocou a mão na boca.

A sra. Lupin se levantou com a caixa na mão, e deu um sorriso fraco para a menina. Antes que ela pudesse responder, ou mesmo antes que Carrie pudesse pedir desculpas por ter metido o nariz onde não foi chamada, o sr. Lupin apareceu na porta, um trio de canecas levitando à sua frente. Cada um dos adultos pegou uma delas do ar e a terceira veio flutuando para o colo de Carrie. Ela a pegou cuidadosamente e a envolveu com as mãos. A garota estava satisfeita em ter algo para segurar, pois os pais de Teddy se sentaram no sofá e, enquanto ambos a olhavam curiosamente, a sra. Lupin disse:

"E então, você quer nos contar o que aconteceu na escola hoje?"

Carrie achava que esse era o tipo de conversa que deveria ter com os seus próprios pais e não com os de outra pessoa, mas se ela fosse honesta ela não conseguia suportar a idéia de contar à sua mãe e ao seu pai sobre as valentonas da escola, e parecia muito mais fácil falar para os Lupins, ao invés disso. Talvez fosse porque, ao longo das últimas semanas ela tenha começado a vê-los como a uma segunda família, e eles eram tão diferentes das relações convencionais que ela não tinha vontade deixá-los de fora dos seus problemas.

"Eu caí... algumas vezes." ela sussurrou, descobrindo que não estava tão à vontade assim.

"Quem te empurrou?" a sra. Lupin perguntou, e quando Carrie simplesmente a encarou surpresa ela deu de ombros. "Eu sei tudo sobre tombos," ela explicou, parando para olhar para o marido de maneira provocadora, como se o desafiasse a dizer alguma coisa. "Eu caio o tempo todo."

Com os olhos fixos nos próprios sapatos, Carrie contou a eles tudo sobre os seus dois encontros com as valentonas naquele dia e, depois de terminar, secou os olhos com as mangas do blazer, olhando preocupada para os dois adultos.

O sr. Lupin suspirou pesadamente enquanto olhava pensativo para a sua xícara, e a sra. Lupin estreitou os lábios por um momento antes de resmungar:

"Merdinhas filhos da p..."**

"Dora!" o sr. Lupin interrompeu rápidamente, sua mão indo para o cotovelo dela, e o rosto dela se contorceu indignado.

"Mas eu estou certa, não estou, Remus? É uma verdade da vida! Crianças são horríveis!"

"Você está generalizando..."

"Como se você pudesse falar!" a sra. Lupin gritou, apontando um dedo acusador na cara dele, por pouco não o acertando nos olhos. "Esse aqui, Carrie, quando estava na escola, virava um pote cheio de adubo na cabeça de outro menino! E isso foi só o começo! As coisas que a turma dele fazia... Tão ruins quanto alguém consegue ser, eles todos!"

"Não fui eu, foi o Sirius..."

"Não tente jogar tudo nas costas de um homem morto, Remus, admita! Se o Teddy fizer a metade do que você fazia quando estava na escola você ficaria irremediávelmente envergonhado dele! E tinha eu, também, né? Merlin, se eu fosse minha mãe eu teria me mandado pra um desses convênios trouxas..."

"É convento, Dora..."

"Exatamente! Coisinha desagradável, eu era, saltitando por Hogwarts, usando todo hora de almoço para planejar alguma coisa contra o Charlie Weasley... ele também era uma criaturinha odiosa, sabe, Carrie. Uma vez eu o flagrei tentando olhar por baixo da minha saia no sexto ano quando eu estava fazendo teste para Quadribol!"

Os olhos do sr. Lupin se fecharam e ele os esfregou com uma das mãos.

"Isso é uma piada, não é?" ele murmurou esperançoso, e sua esposa se virou para olhar para ele com os olhos arregalados de irritação.

"Não é, não!" ela gritou, e Carrie o viu afundar ainda mais no assento, as sombrancelhas franzidas ao ouvir essa notícia. "E agora você tem que se sentar na frente dele na mesa de jantar amanhã e puxar qualquer conversa trivial com ele sabendo que ele já viu minhas calcinhas! Viu? Criaturinha odiosa!"

Carrie não conseguiu evitar e acabaou dando risada.

"Não se preocupe, Carrie," a sra. Lupin lhe assegurou sorrindo enquanto o sr. Lupin continuava carrancudo, por trás dos olhos fechados. "Eles vão acabar parando com isso quando mais velhos. É o que acontece com a maioria. E eu tenho certeza de que você consegue se manter longe delas, não pode? Eu vi aquela escola, é um lugar bem grande. E eu tenho certeza de que seus irmãos te trariam pra casa se você pedisse. Você não estava preparada hoje, só isso."

Carrie se sentiu só um pouco mais calma, mas se deixou levar pela conversa para tirar a cabeça dos problemas. Ela contou a eles sobre a Cleo Clancy, sua obsessão e todas as suas falsas idéias sobre magia e sobre a sua poção de ervilhas amassadas, a qual eles acharam muito divertida. Ela falou pra eles das diferentes aulas e até mostrou o planejamento de aulas assim eles poderiam discutir quais dias tinham as melhres combinações e quais seriam mais chatos. Enquanto Carrie e a sra. Lupin começaram a especular sobre o que mais estava escondido nos obscuros bolsos de Cleo, o sr. Lupin folheava distraidamente as folhas do planejamento, até encontrar uma página que lhe capturou a atenção. Quando ele não respondeu uma pergunta direcionada a si, a sral Lupin se virou pra ver o que ele estava encarando. Carrie também espiou sobre as páginas.

Ele estava olhando para um pequeno mapa impresso do prédio da escola.

"Eu tenho uma idéia." ele anunciou quando as duas olharam pra ele inquisidoramente, tamborilando os dedos sobre os papéis, pensativo.

"Ah é?" a sra. Lupin perguntou, arqueando uma sobrancelha. Ela olhou para o mapa por um tempo, e antes que Carrie pudesse entender o que raios estava acontecendo, um sorriso começou a aparecer no rosto da mulher.

"Você está planejando fazer o que eu acho que você está planejando fazer?" ela perguntou, o que confundiu Carrie ainda mais.

"Eu acho que sim." ele falou lentamente, um sorriso se formando em seus lábios. "Foi a sua conversa sobre os seus tempos em Hogwarts que me fizeram pensar..."

"Você sabe que isso seria ilegal, não sabe, querido?"

O sr. Lupin ofereceu à esposa uma sobrancelha arqueada.

"Você vai me prender?" ele perguntou, juntando os punhos e os oferencendo a ela em uma falsa rendição.

"Ah, cala a boca!" a sra. Lupin empurrou as mãos dele pra longe. "Eu acho essa idéia brilhante!" ela disse, passando o braço pelos ombros dele e lhe dando um leve beijo no rosto. "O que, na francamente Remus, é surpreendente, considerando a quantidade daquela poção você tomou hoje. Você tem tomado doses duplas, é um milagre você conseguir formar algum pensamento coerente..."

"Eu posso pegar isso emprestado?" o sr. Lupin perguntou para Carrie meio alto, fazendo com que as reclamações parassem antes dela terminar de falar.

Carrie pensou bem antes de responder numa última tentativa de tentar entender o que exatamente estava acontecendo, até que finalmente falou:

"Bem... eu acho que sim... mas... mas.. eu vou precisar dele amanhã de manhã na escola..."

"Ótimo!" o sr. Lupin sorriu pra ela enquanto se levantava do sofá e ia para a porta, seus passos trôpegos, de alguma maneira, determinados. "Eu coloco na sua caixa de correio depois do jantar."

"Certo, então," a sra. Lupin também se levantou, um movimento muito mais leve e fácil do que o dele tinha sido. "Vamos te levar pra casa, então, Carrie. Eu destranco a porta da frente pra você..." ela fez um movimento vago com a varinha enquanto passava pela menina, que se levantou para segui-la. "Ah, e leva isso aqui." ela pegou um frasco pequeno do bolso e o entregou à trouxa. Enquanto Carrie examinava o pequeno tubo de Tira-Arranhão, a bruxa lhe assegurou: "É bem mais eficaz do que ervilhas amassadas! Sua cabeça vai estar completamente normal de manhã!"

Carrie tinha que concordar que isso parecia muito mais promissor do que a "poção secreta" da Cleo.

Quando fechou a porta atrás de si alguns minutos depois, Carrie ainda estava se sentindo meio confusa com a última conversa que viu os pais de Teddy desenvolverem. Mas enquanto escalava as escadas para o seu quarto, o tubo de creme seguro em seu bolso, ela não conseguia deixar de pensar que os Lupins estariam muito mais presentes em sua vida do que lhe pareceu à primeira vista.