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Entrei em casa e logo vi a Tchia sentadinha na poltrona lendo um livro. Ela sorriu para mim e já adivinhou que eu não estava com sono, disse: "mas já está na hora de você estar na cama, mocinha." Eu ficava parada e sorrindo pra ela, perguntei da mamãe... desanimada, a Tchia me pegou no colo e foi caminhando em direção da cozinha, enfim me dizia que a mamãe estava dormindo, foi se deitar mais cedo pois estava muito cansada. Mas eu não era boba, perguntei se aquele estado da mamãe tinha alguma ligação com o sujeito que se dizia meu pai, a Tchia nunca mentia pra mim e mesmo assim eu conseguia olhar em seus olhos a tristeza e preocupação que rondava por aqui.
Enquanto fazia um leite com chocolate para nós bebermos antes de ir dormir, ela contava que a mamãe realmente tinha andado muito mal esses dias e certamente tinha uma ligação com o sujeito.
Depois de beber o leite com a Tchia, todos nós da casa fomos dormir. Entrei em meu quarto, olhei para ele como se fosse a ultima vez, me deitei na cama e por lá fiquei horas esperando o sono vir. Fechava os olhos mas não conseguia dormir, ficava pensando na mamãe... como ela estava diferente, estava quieta, desanimada. Para falar a verdade não era só ela, se olhássemos nos olhos de cada pessoa que morava em casa, poderíamos ver que estavam tristes e desanimados também.
No jantar, quando costumávamos conversar e contar as novidades do dia, fizemos diferente... ficávamos todos quietos, mudos. A casa nunca esteve tão desanimada antes.
Passavam-se as horas e eu ali pensando na mamãe e na nossa situação. De repente ouvi um barulho no corredor, curiosa, me levantei da cama e sai do quarto para ver o que era. O barulho vinha da cozinha, pensei comigo "então não sou a única que não consegue dormir por aqui.". Da porta da cozinha, vi o Tchio parado em frente à janela com um copo de leite na mão. Me aproximei dele e perguntei se tinha vindo assaltar a geladeira, ele sorriu, me pegou no colo e colocou-me sentadinha no balcão. Perguntou se eu também não conseguia dormir, confirmei com o olhar. Então o Tchio olhou para mim e disse: "Sobrinha, eu prometo que não deixo ninguém te tirar da sua "manhe". Eu agradeci com um sorriso no rosto, embora ainda estivesse preocupada. Mas o Tchio me mandou ir para a cama, pois já estava muito tarde.
Pelo corredor, passei pelo quarto da mamãe. Não resisti e abri sua porta cuidadosamente para não acordá-la. Estava dormindo, parecia um anjo, fiquei mais calma ao vê-la ali. Me aproximei dela e em cima da cômoda, pude ver várias caixinhas de remédios, xereta como sou, cheguei mais perto para vê-los e notei que vários comprimidos ela já tinha tomado, pois a maioria das caixinhas estavam vazias. Pensei comigo se era por causa disso que ela estava dormindo. Subi na cama e me deitei ao seu lado, mas a mamãe nem me notou lá.
