FFFFUUUUUU! Vai começar o drama. Esse capítulo todo foi Fnchel enfrentando os Berry. Sem SMUT nesse. xD


Capítulo 10: Family VS. Love

Pai.

Aquele sujeito enorme – talvez do seu tamanho -, forte, negro, com cara de poucos amigos... Ele era um dos pais dela? Se um deles era daquele jeito, Finn não queria imaginar como era o outro. Estava assustado. Espera um segundo, não. Ele estava a ponto de se mijar ali mesmo na cama dela. Por uns instantes perdera a capacidade de respirar, temia que se fizesse um único movimento sua cabeça seria arrancada fora... Ou pior: seria castrado. Do que adiantava, se mexendo ou não ele teria o mesmo fim trágico. Rachel estava um pouco a sua frente, nua e podia se dizer que estava com uma das mãos sobre os seios e a outra cobrindo a parte inferior. Era tentador desviar o olhar para a bunda dela, uma visão muito mais atraente do que ficar encarando o pai dela.

Tinha planos sim de se apresentar aos pais dela – só estava tomando coragem para fazer, pois se já difícil lidar com um casal comum com uma única figura paterna, o que dirá com DUAS de uma vez. -, mas não. Ele era Finn Hudson e as coisas tinham que sair de um jeito completamente errado para ele, é isso que chama de carma? Deve ser. Sua mente vagou nas coisas mais absurdas que ele poderia imaginar, tal como traçar um plano para saltar da janela do terceiro andar pelado. Lógico, sairia machucado, mas pelo menos não teria o seu pau cortado fora – porque era exatamente isso que iria acontecer, o que mais um pai poderia fazer ao se deparar com a sua filha transando com um completo desconhecido? Ainda mais um pai como aquele parado a porta dela! -, contudo, agir desse jeito seria um perfeito ato de covardia e que bela segunda impressão para dar para o pai de sua namorada. A primeira impressão era com certeza era de que ele era o sujeito que estava comendo a sua filha.

Está certo, se isso for um pesadelo, por favor o acordem nesse exato momento.

Não, não era um pesadelo. Fudeu.

Vamos ser claros aqui: Ele estava fudidamente fudido.

Rachel por outro lado, esta não conseguia parar de pensar que aquilo era a maior vergonha de sua vida. Aliás, vergonha que Santana teve uma participação fundamental. Lidaria com a AMIGA (grande amiga, hein!, pensou) mais tarde – isso é, se saísse viva nas próximas horas. Desde o momento em que iniciou um relacionamento com Finn, coisas desse tipo vinham acontecendo, e se achava que ter ficado exposta a Sam, Puck, Blaine e Quinn numa mesma sala tinha sido o seu pior pesadelo é porque ela não sabia que umas semanas mais a frente seria pega no flagra, no ato, justamente pelo seu pai mais assustador: Leroy. Não queria culpar Finn, culpá-lo numa hora dessas era algo irracional, vai ver era o maldito universo se divertindo às custas dela de novo, como de costume.

O que fazer? Como sair daquele quarto de cabeça erguida e enfrentar as inevitáveis conseqüências? Como sair dali e tentar manter a calma para tentar explicar o que tinha acontecido? Aliás, não tinha nada para ser explicado, a visão em si já esclarecia tudo. A imaculada filhinha de Hiram e Leroy Berry, a excelente aluna de Julliard estava nua em seu quarto transando com um sujeito desconhecido em plena tarde de Domingo. As piores conclusões logo seriam postas para fora e pelo histórico entre Santana e os seus pais – afinal de contas, o casal nunca achou que uma amizade entre elas fosse apropriada diante do comportamento sem freio da latina, embora a tolerassem -, com certeza a culpa cairia sobre a Estudante de Medicina com a desculpa péssima influência sobre Rachel. Mesmo achando que Santana deveria ser castigada, ela não queria que fosse pelos seus pais, mas pelas suas próprias mãos, e isso seria mais tarde.

E Finn?

Só de pensar no pobre do namorado enfrentando aquilo já fazia com ela quase perdesse todas as forças de suas pernas. Não era desse jeito que planejava apresentá-lo a Hiram e Leroy, com certeza não. Já tinha até montado um plano para isso acontecer, seria no seu aniversário – que estava próximo -, seria perfeito. Seus pais não poderiam desagradá-la e teriam que aceitar Finn com largos sorrisos, mas agora? Agora Hiram e principalmente Leroy tinham todos os motivos para odiá-lo, desprezá-lo e se dependesse do seu pai mais carrancudo o castraria impossibilitando de engravidá-la num futuro não muito distante.

- Querido, o que acon—

Hiram agora também estava parado na porta ao lado do marido. Parou abruptamente ao deparar com a cena.

MARAVILHA! Finn pensou ironicamente ao ver o homem franzino, caucasiano de óculos se juntar a eles. Como é que aquele ser pequenino podia agüentar...? NÃO! Não, Finn não podia e nem queria ter aquele pensamento completado. Mas estava explicado a estatura de Rachel, pelo menos. Minúscula que nem o outro pai.

- Oh. – ele exclamou um pouquinho assustado. – Santana e Leroy, vamos. Eles precisam se vestir e com certeza de um tempinho para se recuperarem do choque de você, meu bem, ter flagrado os dois. – completou com uma voz equilibrada e dando uma rápida piscadela para filha.

Rachel pareceu ter recuperado o motivo para viver somente com aquele discreto sinal que Hiram tinha lhe enviado. Não a interpretem de maneira equivocada, amava e se orgulhava demasiadamente dos seus pais, mas Hiram sempre a ganhou com a sua personalidade calma e bastante racional, ao contrário de Leroy que era explosivo, superprotetor e muito impulsivo. As coisas não estavam completamente perdidas, afinal de contas. Em resposta repuxou o canto do lábio para ele e os viu saírem pela porta.

- Pegue os meus lençóis e faça uma corda. Tente descer pela minha janela. Três andares não é lá muito alto, acho que consegue. – Rachel falou se virando recolhendo suas peças íntimas e jogando para ele a boxer branca que ela tanto adorava.

Estava sendo séria. Estava mesmo dando a ele uma rota de fuga.

- O que?

A voz dele saiu tão seca da garganta que a menina realmente começou a acreditar que ele estava tão apavorado quanto ela. Era a primeira vez que o vira com medo, sempre demonstrou uma auto-confiança exuberante. A situação também não era favorável, qualquer um perderia toda a coragem com um Leroy Berry na sua frente.

- Estou lhe oferecendo uma chance de escapar enquanto pode. Planejo ser mãe num futuro não muito distante, mas não posso fazer isso se o pai dos meus filhos estiver morto ou castrado. – Rachel levou a mão a boca instantaneamente.

Bom, se papai Leroy não fosse o suficiente para assustá-lo, agora com o seu descontrole e impulsividade com as palavras com certeza teria dado o motivo que Finn precisava para apavorá-lo ainda mais. Ele, contudo, permaneceu imóvel sustentando o olhar intenso com ela, um silêncio tão sólido estava instalado dentro do quarto. Rachel de um lado com os olhos saltando das órbitas e com a mão sobre a boca trajada somente de calcinha e sutiã e Finn do outro já desprotegido do lençol, vestido com a cueca branca com a mesma expressão inexpressiva. Não demonstrava nenhuma reação, não parecia mais assustado, surpreso, absolutamente nada.

Pai.

De novo a mesma palavra, mas agora com outro significado. A mesma palavra numa outra situação, num outro contexto. A mesma palavra aplicada a ele, ao próprio Finn, num "futuro não muito distante" – como ela mesma disse. -. Pai. Uma simples palavra composta de três letras que carregavam tanta coisa. Sentiu um aperto no coração, por um lado era agonizante, era inevitável não trazer as lembranças, porém, por outro lado o seu aperto no coração era algo agradável, reconfortante, saber que alguém conseguia vê-lo como "pai". Seria apropriado imaginar uma pequena família formada por ele, Rachel e uma criaturinha que era uma mistura dos dois? Era cedo demais para se aventurar por esses lados, não só pela questão da idade, tinha só vinte anos, mas também pelo recente relacionamento.

Mas parecia tão... Certo.

Levantou-se da cama e acabou assustando a namorada com o movimento brusco e inesperado. Rachel parecia uma menininha assustada no seu canto, acuada achando que o mundo desabaria sobre sua cabeça a qualquer momento, mas Finn caminhou até ela e a envolveu em seus braços.

- E deixá-la sozinha para enfrentar o papai parrudão? Jamais. – ele respondeu beijando a testa dela. Rachel relaxou quase no mesmo instante. – Vamos, a gente vai enfrentar isso juntos, okay Julliard?

Uma vontade arrebatadora de chorar lhe invadiu, até nisso ele tinha essa necessidade descontrolada de lhe proteger. Sua insinuação de que planejava um futuro com ele foi deixada no ar, mas de alguma forma sabia que ele não tinha ignorado, pois era um ser humano com duas orelhas e até onde sabia tinha uma audição perfeita, logo ele tinha escutado sua frase impulsiva. Talvez Finn não estivesse pronto para uma resposta. Finn era muito mais do que ela podia pedir, como é que um cara como ele tinha ido parar em seus braços? Voltou a olhar para cima com os olhos brilhando, estava muito perto de perder a batalha para as lágrimas, mas lutou até o último segundo e lhe ofereceu um minúsculo sorriso como resposta.

- Eu e você contra o mundo. – Finn falou sorrindo com ela.

Sempre, Rachel pensou.


- Sentem-se. – Hiram pediu apontando o sofá de dois lugares.

De mãos dadas, o casal, já devidamente trajados dos pés à cabeça, se dirigiu ao lugar apontado pelo homem. Leroy estava sentado numa das cadeiras da pequena mesa da sala em frente aos dois, Hiram voltou ao seu lugar ao lado do marido. O pai mais alto continuava com a sua postura irredutível, seus olhos pairavam sobre a figura do jovem rapaz analisando-o, ponderando-o, julgando-o. Notando o comportamento dele, Rachel pigarreou levemente chamando a atenção do pai número dois, este prontamente cutucou o marido com o cotovelo. Sem sucesso, só serviu para aumentar a intensidade do olhar.

A idéia de fazer uma corda com lençóis lhe pareceu bem tentadora agora, se já tinha ficado daquele jeito nos poucos segundos que ficou sob a sua mira no quarto dela, agora tendo que encará-lo por longos minutos era a pior coisa do mundo. Apostou com ele mesmo quanto tempo conseguiria manter a compostura e não afrouxar a bexiga ali mesmo. Não, ele tinha que parar com esses pensamentos covardes, tinha que tentar não se abater pela postura apavorante que o pai parrudão empunhava. Mas não deixou de se perguntar se o real motivo de Rachel não ter tido muitos namorados era justamente a presença desse ser enorme e mal encarado. Poucos teriam a coragem de olhá-lo nos olhos. Será que se apresentasse coragem o suficiente para fazê-lo, ele o apreciaria de um jeito menos violento? Será que se o encarasse ele pouparia a sua vida justificando que ele era um cara corajoso? Ou seria apenas um ato de estupidez fitá-lo? Provavelmente estupidez. Por isso permaneceu com a cabeça virada para baixo. Contudo, prometera minutos atrás a Rachel que não deixaria que ela carregasse a situação toda sozinha, que estavam juntos nisso. Apertando ainda mais a mão da namorada ele respirou fundo umas três vezes torcendo para que assim que erguesse os olhos não estaria olhando para o cano de uma arma pronta para estourar o seu crânio.

Quase gargalhou de alívio ao ver que não havia arma alguma. Finn estava ficando paranóico, possivelmente mais um dos dotes assustadores do pai parrudão: pressão psicológica. Engoliu uma grande quantidade de saliva e olhou Rachel de soslaio, os dois suavam como dois porcos mesmo com o frio estridente que Nova York se encontrava.

Alguém tinha que começar aquela maldita conversa de uma vez, quanto mais o silêncio preenchia a sala do apartamento, mais a tensão se solidificava. A sensação era de que tudo sairia do controle em questão de instantes e era isso o que Rachel mais estava temendo. Gostava de ter o controle das coisas, gostava de contornar as situações do seu jeito, mas o que ela menos tinha ali era a porcaria do controle. As batidas do seu coração eram tão fortes e altas que ela teve que verificar se alguém ali além dela também seria capaz de escutá-las. E onde estava Santana no meio disso tudo?

- Não fomos apresentados. Sou Hiram Berry e este aqui é o meu marido, Leroy. – de novo, o mesmo tom equilibrado na voz. O pai franzino estendeu a mão amigavelmente.

Progresso. Pelo menos esse pai era muito mais legal. Finn retribuiu o gesto se apresentando:

- Finn. Prazer. – trocaram apertos de mãos. – Perdão pelo o que aconteceu instantes atrás. Definitivamente começamos com o pé esquerdo. – completou.

- Não, imagina. Você começou muito bem com o seu pênis introduzido na vagina da minha filha! – Leroy rosnou com a sua voz grossa.

- PAPAI! – Rachel reclamou completamente envergonhada pela escolha de palavras do seu pai. – O senhor fala como se ele estivesse me estuprando! – disse com um pequeno de desafio em sua voz.

- Ao meu ver, é exatamente o que eu vi. O que você acha que eu devo pensar ao encontrar a minha princesinha nua com um estranho na cama? – ele refutou ignorando o forte aperto que Hiram lhe deu em seu braço numa tentativa de pará-lo.

Rachel arregalou os olhos com a acusação implícita dele.

- Argh! Como é que você tem coragem de falar isso? – a menina perguntou indignada. – Finn é o meu namorado! E eu estava nua sim, porque eu estava transando com o meu namorado! – fala tomada por uma enorme necessidade de desafiá-lo. Poucas vezes teve a coragem de bater de frente com ele. – E pare com essa fantasia ridícula de que eu ainda sou a sua princesinha! Não estou mais sob os seus cuidados, tenho um emprego, moro sozinha e faço faculdade! MINHA VIDA e não a de vocês.

- Então assume o fato de estar nua com um estranho? – Leroy permaneceu na pergunta, agora o seu olhar estava completamente concentrado na filha sentindo que ela estava mesmo a enfrentá-lo, mas só queria saber até onde ela seria capaz de fazê-lo.

- Querido, ele não é um estranho. O rapaz acabou de se apresentar. É Finn. – Hiram interveio falando o óbvio fazendo tanto quando o marido quanto a filha espumarem ainda mais de raiva. – E agora estamos sabendo que ele é o namorado de Rachel.

- Isso não muda dele ser um completo desconhecido e você estar tendo relações sexuais com estranhos. – novamente a voz de Leroy saiu grave e firme, além do olhar estar recaído mais uma vez em Finn.

Antes que Rachel tivesse chance de protestar, Finn se levantou do seu lugar no sofá e a menina tinha a certeza de que seria agora que tudo sairia do controle, o caos iria estourar e ela, Hiram e Santana estariam presos na confusão prestes a se formar. Ergueu-se ao mesmo tempo em que o seu outro pai também ficou de pé, Leroy e Finn agora separados por duas palmas de distância, de um lado um pai superprotetor e impulsivo, do outro um namorado com o temperamento explosivo e também superprotetor.

- Preste atenção nas suas palavras. – Finn falou com os dentes trincados e punhos fortemente cerrados.

- Está me ameaçando, rapaz? – Leroy perguntou debochado.

- Depende. Vai se referir a sua filha como se ela fosse uma vagabunda de novo falando que ela anda tendo relações sexuais com estranhos? – o baterista refutou encarando-o diretamente nos olhos e estufando o peito. Todo o medo e pavor inicial sumiram, quando se tratava de Rachel ele não media esforços para defendê-la.

- Okay, vocês dois. Parem. Sente-se Leroy! – Hiram ordenou e pela primeira vez a sua voz tinha se alterado um pouco. O homem se colocou no meio deles empurrando o marido de volta a sua cadeira enquanto Rachel guiava o namorado de volta ao sofá. – Vamos tentar ser civilizados aqui, por favor!

- Peço desculpas pelo meu comportamento, Mr. Berry. – Finn falou de maneira suave olhando para Hiram, este sorriu aliviado com a atitude humilde dele. Se não podia ganhar a simpatia de um deles, pelo menos tinha que fazer uma média com o pai mais racional e menos assustador.

- Isso aqui só vai ter algum sentido se você deixar de ser tão hostil, papai. – Rachel disse fitando o pai negro que continuava com o olhar sustentado em direção ao namorado dela. Era óbvio que ele estava furioso.

- Certo, você tem razão querida. Mas eu quero saber de vocês dois, quando isso começou? Estão há quanto tempo juntos? – o caucasiano perguntou realmente interessado e oferecendo uma feição alegre para o casal. Isso pareceu diminuir um pouco a tensão deles.

- Quase um mês como namorados, mas estamos juntos por quase três. – ela o informou animada e pegando na mão do namorado. Sentindo-se mais ousada inclinou um pouquinho para frente e lhe deu um selinho. Hiram soltou uma exclamação, algo parecido com um "awn".

- Isso é maravilhoso. Você também é aluno de Julliard, Finn? – Hiram quis saber fitando o garoto e percebendo que ele tinha ficado um pouco incomodado com a pergunta.

- Hãn, embora a gente tenha se conhecido numa festa de faculdades, Finn não é universitário, papai. – ela respondeu apertando ainda mais a mão dele como se quisesse assegurá-lo de que tudo estava indo bem. E estava, sem a intromissão do outro pai, a conversa corria perfeitamente bem.

- Não senhor. Trabalho num bar próximo ao Brooklyn e sou baterista de uma banda que também toca nesse bar. Divido um apartamento com os meus amigos da banda e às vezes faço bico como garçom, quando Will precisa de mim. – explicou.

Silêncio. Longe de ser aquela ausência de palavras confortável, era algo incômodo. A tensão que tinha se dissipado um pouco com a escolha de Leroy de permanecer calado voltou com força total, este remexeu-se inquieto em sua cadeira e trocava olhares significativos com o marido, Hiram por outro lado também se mostrou amedrontado mordiscando o lábio inferior num claro sinal de nervosismo. Rachel respirava minimamente, o aperto na mão do namorado ainda mais forte, e Finn sentindo a alma de sua mão se umidificar mais uma vez, alguma coisa estava para acontecer e seria muito, muito em breve. A tensão tinha um gosto de expectativa no ar, suas íris corriam de um pai para o outro esperando a reação, que sem dúvidas tinha que vir de Leroy:

- Interessante.

Mesmo com o comentário, o ínfimo entusiasmo em sua voz demonstrava que o que sentia era algo bem distante de "interessante."

- Baterista, huh? Pelo menos podem dizer que foram unidos pelo amor a música. – o pai mais simpático falou numa tentativa desesperada de evitar que o pior ocorresse. Inútil, seu marido já estava pronto para estragar a situação toda. – O que tocam? Músicas originais ou covers mesmo? – tentou de novo querendo atrasar a atitude de Leroy.

- Covers, papai. A maioria do Journey e de outras bandas dos anos 80. – a jovem lhe respondeu também ciente de que tudo estava caminhando numa linha tênue e que o seu pai mais irritante logo daria o ar de sua graça de novo.

- Você não me parece daqui, de onde você veio, rapaz? – Leroy perguntou.

- Sou de uma cidadezinha pequena em Ohio. Deixei o meu estado assim que me formei. – Finn falou largando a mão da namorada e enxugando-a discretamente na calça jeans.

- Pelo menos você tem o Ensino Médio. – refutou baixinho, mas foi o suficiente para Rachel ouvir e bufar irritada. – E você pretende levar essa vidinha medíocre até quando, rapaz? – sua indagação saiu ainda mais azeda de sua boca.

O jovem garçom abriu a boca tomado pela total surpresa, embora soubesse que mais cedo ou mais tarde Leroy acabaria jogando o rumo do interrogatório para esse lado. Imediatamente as palavras de Will no início daquela tarde lhe vieram a mente, mas a sua posição continuava a mesma, ainda não tinha noção alguma do que fazer com a sua vida.

- O que foi? Perdeu toda a coragem agora, é?

- Leroy! – Hiram advertiu.

- Acha mesmo que eu vou deixar a minha filha continuar com um sujeito sem a menor prospecção de futuro? Rachel foi criada para ser independente e não para sustentar tipos como você!

- Papai! O que eu fa—

- CALADA RACHEL! – Leroy gritou se erguendo da cadeira e lhe apontando o indicador de modo tão assustador que acabou levando a garota às lágrimas quase instantaneamente.

Hiram também se levantou para conter o companheiro.

- Isso está saindo do controle, Leroy! Rachel já tem vinte anos e sabe perfeitamente discernir o que é certo e o que é errado. Sabe muito bem o que é melhor para ela e o que não é. Por mais que estejamos preocupados não podemos interferir porque isso é a vida dela e ela já não é mais uma criança, pelo amor de Deus! – o pai franzino, que apesar de ser pequeno, pareceu ganhar proporções enormes com suas palavras naquela sala.

- Não me venha com esse papo, Hiram! Rachel é minha filha e eu me recuso deixá-la continuar nesse relacionamento sem um pingo de futuro! Que tipo de emprego é esse, afinal de contas? Que porcariazinha de vida é essa? Baterista e garçom! Faça-me o favor! – o parrudo exasperou impaciente e em seguida se virou para a filha com o dedo apontado. – Porque diabos foi trocar Jesse St James por esse... Por isso? – perguntou indicando Finn com o olhar de desdém.

- Jesse? – Rachel questionou confusa no meio do seu choro. – Jura que o senhor está me perguntando isso? Por acaso esqueceu o que aconteceu? O que eu te contei? – ela não estava acreditando no que estava ouvindo. Seu pai preferia Jesse a Finn.

- Pelo menos ele não é um garçonzinho de quinta e um bateristazinho insignificante. – justificou novamente de maneira desdenhosa - Jesse é alguém com futuro, princesa. Tenho certeza de que se vocês dois sentarem e conversarem serão maduros o suficiente para esquecerem o passado. – acrescentou suavizando a sua voz de novo.

- PAPAI, JESSE ME TRAIU! COM DUAS! COMO TEM CORAGEM DE FALAR ISSO PARA MIM? – gritou inconformada com o pensamento ridículo do seu pai. Ele estava sendo completamente irracional.

- Você está passando dos limites, Leroy! – Hiram tentou mais uma vez acalmar o marido. Sem sucesso. – A sua lógica está completamente fora de questão, querido! – completou tomando as dores da filha.

- É assim tão difícil entender que eu não quero que a minha filha termine sustentando esse vaga—

Nesse momento Finn, que continuava sentado e calado assistindo a discussão, se colocou de pé e encurtou a distância entre ele e Leroy num piscar de olhos. Ambos eram altos, Finn tinha alguns milímetros de vantagem, agora se encaravam intensamente. Leroy interrompeu a sua frase com o repentino movimento dele, mas estava clara tanto em seus olhos quanto nos olhos do homem mais jovem a mais pura fúria.

- O que foi? Perdeu toda a coragem agora, é? – Finn repetiu as palavras ditas por Leroy minutos atrás. Um sorriso brincando em seus lábios, um sorriso maldoso, ousado e desafiador. – Completa, vai. Termina o que você ia falar. – incentivou.

- Va-ga-bun-do. – Leroy falou pausadamente também tomado pela ousadia. – É isso o que você é, um típico vagabundo, rapaz. Alguém que não merece a minha filha. – agora era a vez dele de sorrir ao notar que suas palavras tinham abaixado um pouco a crista de corajoso de Finn.

- Um diploma faz tanta diferença assim? O senhor tem certeza de que um mísero diploma de ensino superior é o suficiente para medir o caráter de uma pessoa? Que tipo de pai você é que prefere a porra de um diploma à felicidade da sua própria filha?

No segundo seguinte Finn estava ao chão com a mão no queixo e cuspindo o sangue no carpete. Leroy acima dele massageando a própria mão que tinha lhe acertado com um soco, Rachel agachada assustada e furiosa com o rumo daquela conversa. Hiram catatônico demais para fazer alguma coisa.

- O SENHOR PERDEU A CABEÇA? – Rachel gritou de novo ajudando um Finn ainda zonzo com o soco a se levantar. – SANTANA? – chamou pela amiga que emergiu da cozinha. Aparentemente estava ali o tempo todo ouvindo a discussão.

A latina levou a mão à boca ao olhar para o namorado de sua amiga. Rapidamente foi até a geladeira onde pegou algumas pedras de gelo e as enrolou numa toalha de rosto entregando para Rachel colocar sobre o queixo do rapaz. Mas sem dizer uma única palavra, Finn saiu da proteção dos braços se sua garota voltando ao quarto dela retornando em seguida com a jaqueta numa das mãos e o capacete na outra. Cruzou a sala como um raio saindo e batendo a porta com tanta força que o apartamento todo tremeu. Rachel correu atrás gritando o seu nome pelos corredores desertos, mas só o que recebeu foi a sua própria voz ecoando nas paredes. Voltou ao apartamento abrindo a janela ainda a tempo de ver a moto de Finn arrancar na neve acumulada nas ruas.

O choro agora era silencioso, quase inaudível. A brisa congelante já não lhe fazia nenhum efeito, não sentia frio, calor, nada. Absolutamente nada. Estava presa num torpor, e ainda sob os olhares dos seus pais e de sua amiga ela cruzou mais uma vez a sala e fez o mesmo movimento de abrir a porta, parou ao lado dela indicando a saída.

- Fora. – sua voz saiu sombria. – Os dois, agora.

- Ra-Rachel? – Hiram gaguejou incrédulo.

- Você não pode nos mandar para fora? Somos seus pais! – Leroy contrapôs como se estivesse coberto de razão. – Além do mais, esse apartamento não lhe pertence. Você o divide com Santana. – completou olhando de esguelha para a latina.

- Não me interessa. Quero os dois fora daqui! Saiam! – pediu com a mesma obscuridade em sua voz e dessa com um pouco mais de impaciência. Trocou olhares rápidos com a amiga e logo soube que ganharia apoio naquela luta se fosse preciso.

- Se eu sair por aquela porta, a senhorita pode ter a certeza de que irei cortar sua mesada mensal! – Leroy ameaçou rude.

- Faça o que bem entender com a porcaria do seu dinheiro. Tenho o meu emprego. Agora sumam! ANDA!

Hiram foi o primeiro a cruzar a porta à beira das lágrimas, tentou fazer como que eles se olhasse, mas Rachel permanecia irredutível. Era a primeira vez que ela tinha aquele tipo de comportamento, portanto era compreensível a sua surpresa e ao mesmo tempo decepção. Por outro lado não a culpava por estar agindo assim, depois de todo o caos provocado por Leroy qualquer um ficaria revoltado o bastante para expulsar os próprios pais de casa.

- Por favor, saiam. – Santana pediu se prostrando ao lado da estudante de teatro. – O senhor está certo, o apartamento não nos pertence, e eu divido com Rachel, portanto tanto eu quanto ela estamos expulsando-os. Agora saiam daqui. – finalizou apontando o corredor deserto e gélido do prédio.

Leroy passou de cabeça erguida e olhando a futura médica como se ela fosse pagar pela intromissão no assunto da família mais tarde. Hiram já tinha desaparecido pelas escadas e o pai parrudo fez o mesmo sem nem ao menos olhar para trás. A porta se fechou e foi o que bastou para Santana puxar sua pequena Hobbit para o sofá mais próximo e deixá-la chorar pelas horas seguintes em seu colo.


Rachel revoltou! Finn revoltou! Leroy revoltou. TODO MUNDO REVOLTS.

1ª "briga" séria deles T_T Mas a tendência é ainda piorar um pouquinho no próximo capítulo, mas eu prometo que eles irão fazer as pazes ainda no 11, tá? Ah e também vou criar uma tensão entre Britt e Santana. Ainda não será agora que essas duas irão se acertar.

Well, espero que tenham gostado da dose básica de drama.

Reviews?

;)