Epílogo
SAIA JUSTA

A câmera dá um panorâmica do cenário! Enormes painéis com diversas letras e desenhos sobrepostos, um pequeno altar recheado de traquitanas, badulaques e salamaleques, e, sentadas sobre quatro poltronas brancas, quatro jovens mulheres: Mary Sue Black, Lilá Brown, Parvati Patil e Hermione Granger.

– Olá! – cumprimentou Hermione. – Começa agora o Epílogo de Mary Sue: a Hora da Verdade Continua! – A Beldade nos Trópicos -. Esse capítulo será completamente diferente de todos os outros! Nesse capítulo, os autores da fic fingem que são populares e que receberam vááááários e-mails de leitores interessados em saber mais sobre nós, as quatro principais personagens femininas da fic!

Todas as garotas bateram palmas animadamente.

– É isso aí! – gritou Lilá.

– Nós somos as melhores! – comemorou Parvati.

– Bem, – Hermione retomou a palavra, – gostaria de pedir a todas as minhas amigas que fizessem uma breve apresentação de si, para os leitores poderem nos conhecer melhor.

Mary Sue olhou para Hermione com a pior cara do mundo e disse:

– Hermione, dá para passar logo duma vez para as perguntas que os leitores mandaram! Essa é a parte divertida!

– NÃO! – interrompeu Parvati. – Talvez todo mundo saiba o que tem para saber sobre você, Mary Sue! Você é a protagonista! Eu gostaria de aproveitar essa oportunidade para contar um pouco mais sobre mim!

– Eu também! – disse Lilá. – A única coisa que as pessoas sabem sobre mim é que eu sou uma menina linda, sou faixa preta em todos tipos de artes marciais e tinha um coelhinho chamado Binky que morreu!

– Acho que isso já é bastante! – retrucou Mary Sue.

– NÃO É, NÃO! – irritou-se Lilá. – Bem, meu nome é Lilá Brown, eu cresci numa fazenda numa pequena cidade da área rural da Escócia com meus pais e irmãs! Eu sou a única bruxa da família! Morávamos numa linda casinha de campo com uma cerquinha branca linda e um quintal em que eu plantei meu primeiro álamo! E ele está enorme, vocês precisam ver! Quando eu era pequetita gostava de escalar o álamo e cantar "Um Mundo Ideal", do Aladdin, lá de cima para alegrar os corações dos meus coleguinhas que estavam indo para a escola... Ah, bons tempos! Depois eu fiquei mocinha, e mamãe disse que não tenho mais idade para subir nos álamos, que eu tenho de arrumar um rapaz que seja bom para mim, que seja honesto e também trabalhador. Isso é muito difícil! Tem muito homem merda nesse mundo! E eu nem sou muito exigente nesse quesito! Eu apenas gosto de receber massagens no dedão do pé e de longas caminhadas na praia...

– LINDO! – interrompeu Mary Sue. – Agora é sua vez, Parvati! Seja rápida! Ou pelo menos seja interessante!

– Tudo bem! – riu Parvati. – Eu sou filha de imigrantes indianos, e é por isso que eu sou completamente linda desse jeito! Meus pais descobriram que eu era bruxa um pouco antes de recebermos a carta do Dumbledore me convidando a estudar em Hogwarts! Apareceram os Agentes da Imigração, e eu desejei, aos prantos, que eles explodissem. Foi horrível! Mamãe passou três dias achando pedaços de gente atrás da geladeira e debaixo dos armários!

– Gente! Que horror! – chocou-se Mary Sue.

– Bem, minha irmã explodiu um agente da Imigração também, alguns minutos depois, mas estávamos todos olhando para a cara dela meio que pensando "OK, mas isso não é novidade para ninguém!".

– Ahn... Acho melhor nós passarmos para as perguntas! – Hermione interveio. – Vamos aproveitar que estamos falando sobre nossas vidas, para responder as perguntas pessoais! Mary Sue, nós temos três perguntas que são, essencialmente a mesma! Três viúvas Black – *Carol Black*, Hermione_Black e Lu Black – nos escreveram e querem saber o que você pensa de a JK Rowling ter assassinado o Sirius em Harry Potter e a Ordem da Fênix!

– Em primeiro lugar em gostaria de comunicar à produção que essa postura da Hermione de se achar a líder do programa é podre! Peço para que tomem esse laptop dela e o entreguem a mim! Agora, respondendo à pergunta... – Mary Sue tomou ar enquanto Hermione se engalfinhava com dois assistentes de produção, ao meio de mordidas e beliscões. – Eu fiquei incrivelmente chateada com o fato de Pápi ter sido morto de uma maneira estúpida e sem propósito, de forma que apenas me recuperarei quando tiver acesso à monumental herança que ele deixou, incluindo bens como aquele adorável casarão do Largo Grimmauld, n º 12, e aquela espetacular Harley Davidson mágica e supersônica.

Após terminar a sua resposta, Mary Sue mexeu vigorosamente no sensor do laptop arrancado a custo de Mione, agora amarrada em sua cadeira.

– Aqui tem mais uma pergunta interessante da Lyla Malfoy: "Mary Sue, qual a sua opinião sobre os filmes de Harry Potter?". Bem, eu acho que os filmes são um lixo completo se comparados ao espetáculo da literatura que é essa fanfic! Também penso que a Emma Watson é uma piriga completa e quando forem escalar alguém para fazer o meu papel, terá de ser uma menina mil vezes mais LINDA E TALENTOSA do que ela! Ah, e acho que aquele homem horrível que botaram para fazer o meu pai não tem nada a ver com ele, que, na realidade, é a cara do Dr. Kovac do Plantão Médico!

– Sem falar que aquela gritaria segurando a plaquinha de preso em Azkaban é pra lá de ridícula, né? – ponderou Parvati. – Quem é que segura placa da Polícia Federal aos gritos? Leva logo uma cacetada no crânio e fica com o lado esquerdo paralisado!

– Ih, filha! – interrompeu Hermione, mesmo amarrada. – Pior que isso são aqueles pais do Harry rodopiando! RODOPIANDO, vê se pode! Alguém rodopia nessa vida? Nem o Carlinhos de Jesus!

Todas balançaram a cabeça concordando, e Mary Sue começou a ler a pergunta seguinte:

– Ah, essa é ótima! "Mary Sue...".

– Só tem pergunta pra você, é? – interrompeu Lilá.

– É! – respondeu Mary Sue, secamente. – Como eu estava dizendo, "Mary Sue...".

– É MENTIRA! – interrompeu Hermione. – Eu li todas as perguntas! Tem pergunta pra todo mundo!

– Produção! – Mary Sue estalou os dedos. – Mordaças, por favor!

Lilá e Parvati se levantaram de suas poltronas completamente revoltadas, enquanto a produção enfiava uma meia na boca de Hermione. Passado o bafafá, Hermione cuspiu a meia na cabeça de um dos cameramen e deu-se continuidade ao programa. O laptop foi posto diante de Lilá para ser usado de maneira mais democrática.

– Essa é MUITO BOA e é para todas nós respondermos! É da Lari Lovegood: "meninas, se vocês pudessem ser qualquer outro personagem (mesmo de fora do universo HP) quem vocês seriam?". Quem quer começar?

Mary Sue, como sempre, tomou a palavra:

– Eu seria CATHERINE TRAMELL, a personagem da Sharon Stone em "Instinto Selvagem"! Aquela cruzada de pernas sem calcinha durante o interrogatório é simplesmente a apoteose do que está acontecendo! Eu sou perfeita para esse personagem, afinal, sou linda, sexy e muito maravilhosa.

– Sem falar em modesta – ironizou Mione. – Eu seria Helen Gamble, a promotora linda-sexy-fashion-superpoderosa, personagem de Lara Flynn Boyle em "The Practice".

– RÁ! – cortou Mary Sue. – Sonhe bastante, Cabeção! Quero ver você conseguir prender essa juba num coque!

– Eu seria a Paris Hilton: loira, milionária e inútil – respondeu Lilá.

– A Paris Hilton não é uma personagem! É uma pessoa de verdade! – corrigiu Hermione.

– RÁ! – riu Lilá. – Sinto muito, Hermione, mas nada do que você me diga vai conseguir me convencer de que AQUELA CRIATURA pertence à nossa realidade!

Hermione fez um sinal com a cabeça de quem entende a validade do argumento do adversário. Lilá ainda acrescentou, antes de dar a palavra para a seguinte:

– E, ainda por cima, a Parvati poderia ser a Nicole, minha melhor amiga mais pobre e mais feia!

– Claro que não! – retrucou Parvati. – Eu seria...

– A Miss Piggy! – riu Hermione. – Para combinar os pés com a bela cara!

– Ssshhhh! – Parvati quase subiu pelo teto. – Quer ficar quieta, sua cabeçuda?

– Aliás, ótimo você ter mencionado isso, Hermione. – disse Lilá. – Chegou uma pergunta aqui que eu achei ótima! Kubrick: "Parvati, a sua irmã gêmea Padma também tem pés iguais a patas de porco?".

Parvati ficou branca, depois ficou verde, depois ficou roxa, aí ficou vermelha, saiu fumacinha por seus ouvidos e, por fim, caiu dura e preta no chão.

– Acho que isso quer dizer que não! – traduziu Mary Sue. Depois acrescentou, rindo. – A Padma, na verdade, tem pés de pato!

Lilá moveu os dedos pelo sensor, procurando as últimas mensagens para encerrar o primeiro bloco do programa. Esbarrou na pergunta do Pontas e a jogou na mesa, para responderem: "afinal, quem ficou com quem?".

– Finalmente! Vamos passar para o lado sacana! – Mary Sue esfregou as mãos. – Quem deu pra quem?

– Quem FICOU com quem! – corrigiu Lilá. – Deixe de ser pervertida, Mary Sue, que essa fic não é NC-17!

– Verdade seja dita, – ponderou Parvati, – é quase isso!

– RESPONDAM! – gritou Hermione. – Todo mundo sabe que eu só namorei o Rony, hihihihihihi...

– Que risadinha tímida é essa? "Eu só namorei o Rony...", que podre isso! – Mary Sue implicou. – Eu acho que eu namorei geral! Eu namorei oficialmente o Harry, mas também peguei o Draco e o Rony! Mas também quase fiquei com o Dino. Ah, e me agarrei com o Rogério Davies num dos armários de vassouras de Hogwarts. E teve aquela noite do banheiro, em que eu fiquei muito encachaçada e, ao invés de ir pro dormitório das meninas, lá na Grifinória, acabei no dos septanistas da Lufa-Lufa. Aí foi uma loucura! Mas não sei o nome de ninguém, não. Tirando um menino de cabelo enroladinho que se chamava Steve, acho. Ou Stuart. Ou... Ah, sei lá! Não lembro, não!

Parvati e Lilá olharam um pouco aterrorizadas para a cara da colega e optaram por continuar falando, como se nada tivesse acontecido.

– Bem, eu fui ao baile com o Draco, mas não rolou nada! – disse Lilá. – E fui a única de nós que não deu pro Rony. Na verdade, eu só peguei o brasileiro surfista de MS2, o Fernando. GENTE, QUE HORROR! Eu sou a encalhada dessa fic? Peguei tantos garotos quanto a Hermione?

– Não rolou nada com o Draco... Que mentira! – lembrou Mary Sue. – Vocês bem se agarraram no último capítulo de MS1! Sem falar que, naquele dia no armário com o Rogério Davies, você estava lá também.

– Ah, é verdade! – disse a lourinha, reconfortada. – Sinto-me melhor agora!

– Eu peguei o Dino, que me levou ao baile, o Zezinho, em MS2, e teve aquele episódio casual com o Rony. – explicou Parvati.

– Além disso, o Rony pegou o Harry, a Bellatrix e a Trelawney... – Parvati começou a puxar da memória.

– E o Draco, além da MS e de mim, pegou a Gina! Acho que só. – Lilá finalizou.

– Claro que não! – riu Mary Sue. – Esqueceram-se da Ana Luísa, a vadia, que pegou todos os personagens masculinos da série, inclusive o Filch e o Dumbledore?

Todas concordaram com a cabeça, depois de um "Ah, é!" de constatação.

– Todos menos o Snape, que continua virgem! – corrigiu Mione.

Todas voltaram a concordar com a cabeça, depois de outro "Ah, é!" de constatação.

– Para finalizar, e a gente corta para o próximo bloco, - advertiu Lilá, - pergunta de vários dos que colaboraram com o programa, entre eles o Lucas Granger, a Dri Malfoy, a *Carol Black*, Slytherin Fan e a Mary Diggory: "há planos para um terceiro episódio?".

Em coro todas responderam:

SIM! HÁ!.

O ângulo panorâmico voltou a pegar todas as quatro meninas às gargalhadas e entrou a musiquinha característica do programa, indicando as chamadas comerciais.

O epílogo "Saia Justa" voltou do break fechando em Lilá Brown, que, após uma disputa entre Hermione Granger e Mary Sue Black, foi quem acabou sendo apontada para conduzir o programa com o mínimo necessário de charme e imparcialidade.

– Abrindo o segundo bloco do programa, gostaria de chamar à baila os dotes artísticos de Mary Sue para a leitura do momento "Abra seu Coração!", um segmento do nosso programa em que um leitor ou uma leitora expõe um problema seu e nos pede aconselhamento para resolvê-lo. Mary Sue, por favor!

Mary Sue pigarreou gentilmente e leu com sua melhor voz de moça de aeroporto:

– É um e-mail de Néssa Potter! Ela diz: "Meninas, sou gordinha. As minhas amigas implicam comigo por causa disso, e está começando a me incomodar profundamente. Sou uma pessoa legal, não ouço Avril Lavigne, não acho que o Eminem seja uma forma de vida inteligente e, acima de tudo, não sou gótica! Mesmo assim, elas judiam de mim! Por favor, me ajudem! Não agüento mais essa implicância, chega a parecer tortura. Beijos, Néssa Potter!".

– QUE ABSURDO! – urrou Hermione, preparando-se para emendar um de seus discursos feministas intermináveis.

– Produção! – Mary Sue voltou a intervir. – Aquela mordaça, por favor! Ou, pelo menos, coloquem aqueles apitinhos por cima dos palavrões!

– NÃO PRECISA! – irritou-se ainda mais Hermione. – Já me controlei! Só vou te dizer uma coisa! Não ouça o que dizem essas idiotas! Depois, denuncie na "Liga Protetora dos Nerds, Gordos, Fedorentos e Outros Potencias Columbines", porque isso é um caso grave de bullying! Vire na cara delas e diga: "Sou gorda, mas sou feliz! Mais gordo é quem me diz!".

Parvati, Lilá e Mary Sue observaram petrificadas e em silêncio enquanto Hermione terminava o seu discurso. Então, olharam umas para as outras e urraram de tanto rir da sugestão de recitar o "sou gorda, mas sou feliz". Aí levantaram e espancaram Hermione com toalhas molhadas. Quando finalmente conseguiram parar de chorar de tanto rir, se recompuseram em suas cadeiras, e Mary Sue deu a dica:

– Queridinha... Emagrece! Só tem essa sugestão para você! Seja com lipo, seja vomitando as refeições na privada, seja tomando Herbalife... O importante é ser incrivelmente magra. Do tipo 1,75m e 35kg! Se você vai ter uma parada cardio-respiratória, falência múltipla dos órgãos por inanição, um choque anafilático, ou se vai romper o diafragma de tanto vomitar... Bem, são riscos que a gente tem de correr para ser linda! Mas vale a pena!

– Aiai... "Sou gorda, mas sou feliz..." – Lilá ainda enxugava a última das lágrimas. – Vamos seguindo em frente! Temos tempo para mais perguntas! Vamos com essa de Slytherin Fan: "Se houver uma terceira fic, voltaremos a ver Dra. Regina Phalange, Fernando e Zezinho? Por favor, eu AMO a Dra. Regina Phalange!".

A própria Lilá foi quem deu a resposta:

– Querido Slytherin Fan, eu estou autorizada a responder essa pergunta, na condição de homônima e interlocutora do autor da fic, Lilá Brown! Como já confirmado acima, há planos para um terceiro episódio de Mary Sue, mas não se decidiu sobre todo o conteúdo desse terceiro, e possivelmente último, episódio da Saga de Mary Sue. O pouco que se tem até agora não menciona Dra. Regina Phalange, nem Zezinho, nem Fernando, nem Ana Luísa, a vadia (por quem você não perguntou, mas não custa incluí-la nessa lista). Aliás, MS3 nem se passaria no Brasil.

– Mas não perca as esperanças, – piscou Mary Sue, – quem sabe os autores não mudam de idéia e nossa médica favorita não faz uma participação especial em MS3?

– Para fechar o bloco de maneira especial... – falou Lilá num tom de quem anuncia a entrada do Pink Floyd num mega show atômico com participação da Tina Turner nos vocais de "Another Brick In The Wall". – A Hermione vai atender a um pedido especial da Lu Lee Star e cantar "Everybody's Fool" do Evanescence! Com vocês, Hermione Granger!

Hermione surgiu vestida com andrajos pretos e um cabelo pro alto, numa verdadeira homenagem aos góticos – tanto os que construíram a Catedral de Notre Dame, reproduzida na juba de Mione, quanto os cafonas que se fantasiam de Kiss em pleno Terceiro Milênio e passam o maior sufoco no calor de 50ºC (na sombra) de Bangu.

Perfect by nature, icons of self indulgence

just what we all need, more lies about a world that

never was and never will be

have you no shame don't you see me

You know you've got everybody fooled

Look here she comes now

bow down and stare in wonder

oh, how we love you

no flaws when you're pretending

but now I know she

never was and never will be

you don't know how you've betrayed me

and somehow you've got everybody fooled

Without the mask where will you hide

can't find yourself lost in your lie

I know the truth now, I know who you are

and I don't love you anymore

It never was and never will be

you're not real and you can't save me

somehow now you're everybody's fool

Terminada a apresentação, Lilá chamou o comercial para o terceiro e último bloco do epílogo.

– No próximo bloco, um convidado no nosso programa e a "Pergunta Saia Justa". Não perca, daqui a pouco!

Voltou a câmera a pegar o ângulo panorâmico que, dessa vez, focalizava todas as meninas e o tal convidado surpresa do último bloco. Lilá começou a última etapa do programa apresentado o ilustre visitante aos leitores:

– Bem, os leitores das aventuras de Mary Sue sabem que assinam essa fic dois autores: Lilá Brown e Bartô Crouch. Pois bem, desde o primeiro episódio de MS1 que o público pôde se deleitar com esse espetáculo mesopotâmico que sou eu, a genial e espetacular Lilá Brown! Agora, alguns já se puseram a pensar e nos perguntaram: e então? Quando é que o Bartô vai ter a sua participação? Pois, bem! Essa espera acabou! Conosco, aqui no Saia Justa, o co-autor da saga de Mary Sue, BARTÔ CROUCH!

Uma saraivada de palmas enlouquecidas partiu das meninas e de toda a equipe responsável pela gravação do programa. Bartô Crouch, que se encontrava meio adormecido no sofá, acordou assustado.

– Eita, diacho! – resmungou. – Que que é isso? Vocês não têm estudo, não? Acordando um velho desse jeito? E, vejam só vocês, justo eu que tive de extrair um dos meus tímpanos após um acidente lamentável em que eu usava a minha varinha para tirar a cera do ouvido!

– Desculpa, Bartô! – adiantou-se Parvati, ignorando o comentário sobre cera de ouvido. – É que estamos muito animadas com a sua visita! Não é sempre que nós conseguimos a participação de uma celebridade reclusa na nossa fic!

– É verdade! Geralmente, nós só conseguimos ponta daquelas celebridades meio falidas, que fazem de tudo para aparecer, tipo a Márcia. – lembrou Mary Sue. – E então, seu Bartô? Do que quer falar?

– Olha só, minha filha! Eu servi ao meu país com honra. Eu construí um nome na comunidade bruxa! Eu passei seis anos em Paa Nang num campo de concentração iemenote com um chinês de 1,20m que sabia fazer de tudo com uma agulha, até costurar manteiga no pão! E eu te digo, menina, – Bartô encarou Mary Sue, – na minha época, protagonista era a Vivien Leigh, tá me entendendo? E ela jurava por essa terra, e tinha Deus por testemunha, que nunca mais ia passar fome de novo! Não vem saidinha pra cima de mim, porque esse seu estilo "Sex and the City" não se cria comigo!

– Que é isso, Bartô! - Lilá procurou amenizar. – Não é hora de fazer birra!

– QUEREM FAZER O FAVOR DE PARAR DE ME CHAMAR DE BARTÔ QUE EU NÃO LHES DOU ESSAS INTIMIDADES? – ralhou o velho. – A única pessoa que pode me chamar de Bartô é a minha velha Mirtes! Ela me atura há mais de quarenta anos, aquela velha safada, me conhece como a palma da mão dela, e foi ela quem colocou essa caneca encantada no lugar do meu cerebelo quando eu levei com um balaço enfurecido nos cornos!

– Então! Fale mais da sua Mirtes para nós, seu Bartô – solicitou Hermione.

– Isso! – insistiu Parvati. – Pode contar todos os seus segredos, não precisa segurar nada!

– SEGURAR? – o velho deu um riso e seu nariz emitiu um som como o de um apito de locomotiva. – Filha, metade da minha bexiga já necrosou por causa da idade! Nem que eu quisesse, poderia segurar alguma coisa. Uso até fralda, hoje em dia!

– Que agradável revelação, não? – Lilá tentou contemporizar, enquanto Bartô Crouch abaixava ligeiramente as calças para mostrar o elástico da fralda geriátrica, e Mary Sue, horrorizada, procurava tapar os olhos discretamente.

– E isso porque eu nem comecei a mostrar os meus ferimentos de Guerra pra vocês! – regozijou o velho Crouch.

– Então você serviu na Guerra contra Grindewald, o Bruxo das Trevas? – animou-se Hermione. Para a bruxa-trouxa, qualquer oportunidade que remotamente acrescentasse um pouco mais de conhecimento à sua já enorme bagagem de nerdismo absoluto era sempre bem-vinda.

– RÁ! – vibrou Bartô, enquanto deixava escapulir um peido assustadoramente fedorento ("desculpe, filha, troquei meu intestino por filamentos de cordas vocais de baleia cachalote e não consigo segurar", explicou a uma atordoada Parvati). – EU SOU BARTOLOMEU ALFONSE CROUCH! LUTEI EM DUAS GUERRAS, DEIXEI FILHO, TERRAS E FORTUNA, E AMEI APENAS UMA MULHER NESSA VIDA! E GRINDEWALD TREMERIA DE MEDO DIANTE DE MIM!

– Que super, não? – Lilá se abanava freneticamente. – Ahn... Que tal relembrar conosco algumas de suas lembranças do front de batalha?

– Bem, eu me lembro de uma ocasião bastante peculiar em que fui atacado por três inimigos e acabei completamente estuporado. Desde então, o meu lado esquerdo só funciona dez segundos depois do direito, e é por isso que os meus olhos sempre piscam meio desordenados...

– Lilá! Pelo amor de Deus! – suplicou Mary Sue. – Faz logo essa pergunta Saia Justa, porque, se demorar mais um pouco, vai acabar que esse velho é, na verdade, uma cabeça flutuando numa jarra!

– Por favor, senhor Crouch, a saída é pela direita, nossos seguranças o acompanharão! Muito obrigado pela sua participação!

Lilá procurou se recompor, enquanto encaminhavam o convidado à saída.

– Leitores e leitoras, para finalizar, a pergunta Saia Justa! – Lilá anunciou com pompa.

A loira estendeu o envelope lacrado com a pergunta, enquanto Mary Sue erguia-se e fazia um mini-desfile até o outro lado do cenário para ter em mãos o valiosíssimo envelope vermelho. A deusa atirou-se na cadeira e, com uma breve pausa dramática perguntou:

– PERGUNTA SAIA JUSTA: qual foi o melhor momento das duas fics até agora?

– Puxa, não sei! – começou Mary Sue. – Todos os momentos em que eu apareço são tão especialíssimos que é difícil de escolher um!

– Eu também não sei como poderia escolher um momento... – suspirou Parvati.

– Ora, Parvati! – exclamou Lilá. – O seu momento favorito não foi, por acaso, o do "objeto defecado" na piscina de Mary Sue, em MS1?

– DEUS ME LIVRE – Parvati se chocou.

– Isso realmente foi uma pobreza... – lembrou-se Hermione. – E olha que nós nunca conseguimos descobrir quem era o cagão misterioso!

– Ué? Não foi você, Mione? – surpreendeu-se Lilá.

– CLARO QUE NÃO!

– Então porque a Mary Sue espalhou cartazes por toda Hogwarts responsabilizando-a pelo acontecido? – também estranhou Parvati.

– O QUÊ?

– Águas passadas! – decretou Mary Sue. – Agora é o momento de respondermos à Pergunta Saia Justa! Vamos nos concentrar!

– Ah, sim! Claro! – Lilá alegrou-se. – Minha passagem favorita foi quando fizemos aquela transgressão por realidades paralelas e por tempos remotos e vimos nossas outras vidas, em MS2! Simplesmente amei!

– Aaaaaah... Eu não participei disso! – choramingou Parvati. – Que melhor amiga mais merda é você, hein, Lilá? Nem para escolher um melhor momento em que eu aparecesse?

– E qual é o seu, então? – inquiriu Lilá.

– Foi quando nós todos cantamos Heal the World para o Selacanto! Eu adoro o Michael Jackson, apesar de ele mudar de cor, andar para trás e comer criancinha! Especialmente essa música!

– Bem, se eu tivesse de escolher um momento para ver e rever incontáveis vezes, seria aquele em que a Hermione arrancou o próprio cabelo, no episódio musical de MS1! – riu Mary Sue.

– Você é insuportável, sabia? – resmungou a bruxa-trouxa.

– E então, Mione? Só sobrou você. Qual o seu momento favorito? – perguntou Parvati.

– Ah, eu sei! Foi quando você apareceu vestida de franga no baile da Mary Sue! – arriscou Lilá.

– Pfff! – bufou Hermione. – Passou longe!

– RÁ! – exclamou Mary Sue. – Pois eu sei! Aposto como o seu momento favorito é, logo no primeiro capítulo de MS1, quando o Rony paga um bundalelê para uma velhota na plataforma 10 ½ e você pôde dar uma boa olhada no traseiro ruivo dele!

Hermione corou violentamente, mas assegurou que não era esse o seu momento favorito. Depois explicou:

– Meu momento favorito foi quando eu transformei a Trelawney em homem e impedi o Rony de "comer a velha", em MS1! Fiquei tão orgulhosa de mim que até elevei o meu nível de auto-estima de "mais baixo que o umbigo do Flitwick" para "um ponto que quase podemos deixar de considerar desprezível".

Lilá, um pouco apiedada de Mione, virou-se para a câmera e fez o fechamento:

– Pois, é! Chegou ao fim o nosso Saia Justa! Até a próxima!

O foco voltou a ser panorâmico e pôde-se ver todas as quatro meninas acenando alegremente para as câmeras, mandando e beijos e abraços para todos, desejando, feliz Natal, um ótima Páscoa, um bom Ano Novo, um Carnaval animado e que não chova em Finados.

Por fim, rolando o último dos créditos, escuta-se a voz de Mary Sue.

– ATÉ MS3! FIQUEM COM A GENTE!

Agradecimento:

Demorou, mas saiu!

Para quem não entendeu nada, esse capítulo foi feito com perguntas elaboradas por amigos dos autores que passaram a vida toda fingindo que leram a fic, quando, na verdade, era tudo enrolação. Pois agora, tiveram de ler mesmo, quem mandou contar caô, não é verdade?

Agradecemos a todos que participaram! Não deu para colocar todas as perguntas no capítulo, até porque a maioria foi feita de sacanagem, porque amigo só é amigo mesmo quando tira uma da sua cara! O texto das perguntas foi modificado, às vezes só um errinho de português, às vezes todas a pergunta para tornar o texto mais breve ou mais engraçado, ou para juntar várias perguntas numa só. A essência das perguntas foi preservada sempre.

E um agradecimento especial a duas pessoas: à Vanessa (leia-se Vâ-néssa, por favor), vulga Néssa Potter, que nunca nem leu Harry Potter, pelo "Momento Abra o seu Coração", e ao Kubrick, que é o único que de fato lê a fic e mandou a melhor pergunta que poderíamos esperar (sobre os pés da Padma).

Mary Sue, Hermione, Parvati e Lilá, bem como os autores (Lilá Brown e Bartô Crouch) agradecem infinitamente a atenção e a colaboração de todos! ^^