Capítulo X – Aquele do Natal

Narrado por: Marlene McKinnon

Acordei com beijos no pescoço, no rosto, na testa. Enquanto tomava café, recebi um bom dia junto com um beijinho. Enquanto pegávamos o trem, segurou minha mão. Para entrar no parque, insistiu em pagar minha entrada. Abraçou-me pela cintura em todas as fotos.

Um perfeito cavalheiro. Aquele era Sirius Black desde nosso beijo no alto da torre, dia 20. Dois dias depois, não demonstrava nenhum sinal de bipolaridade, como vinha acontecendo nos últimos meses. E para o bem da vida dele, aquela era a forma como ele se comportaria nos meses seguintes.

- Por que você fez isso? – perguntou sorridente quando nos soltamos.

- Você não gostou? – respondi arrogante. Sabia a resposta.

- Até demais. É só que você estragou meu plano.

- Que plano? – questionei curiosa. Ele sorriu outra vez, tirando uma rosa vermelha do casaco.

- Eu estava esperando chegarmos aqui. Iria te chamar pra ver o céu. Deveria ter estrelas. Não tem – suspirou, olhando em meus olhos. – Iria te pedir desculpas por todos os erros que cometi. Iria dizer que assim que te conheci, há tantos meses atrás, percebi a pessoa maravilhosa que você é. Iria te contar que fiquei desesperado quando me percebi apaixonado por você sem muito esforço.

- Sirius... – ofeguei. Ele pôs o dedo sobre meus lábios, me silenciando.

- Iria te contar sobre com quantas garotas estive pra tentar esquecer você... e que falhei miseravelmente. Iria te contar como eu me sentia a cada vez que brigávamos e terminávamos nos beijando. Iria te contar o quão enojado eu me sentia por saber que estava cultivando esperanças em você, e por saber que, apesar de ter certeza que estava apaixonado, eu iria lutar contra isso até que brigássemos novamente... e eu pudesse ter mais um beijo seu. Iria te contar sobre o ciúme que eu senti daquele Max.

- Matt – corrigi, brincando. Ele revirou os olhos.

- Eu iria te contar que não estive no Joe's por acaso.

- Eu nunca pensei que estivesse – afirmei, fazendo-o sorrir de modo envergonhado.

- Acho que te devo mais um pedido de desculpas por isso. Mas não sinto muito. Sou ciumento.

- Eu sei. Eu também.

- Iria te dizer que Emmeline foi uma tentativa de ocupar minha cabeça com outra pessoa. E iria dizer que falhei nisso também... Fui eu quem sugeriu essa viagem ao pai de James, porque queria encontrar o lugar e a hora perfeita pra te dizer isso. Mas você estragou tudo.

- Eu estraguei tudo – afirmei, sorrindo.

- Essa seria a hora em que você diz que me perdoa, eu entrego a rosa a você, você aceita ser minha namorada e nós nos beijamos.

- Mas como eu estraguei tudo... – disse, e então o beijei outra vez, brevemente. – Primeiro nos beijamos, depois eu digo que te perdoo, então aceito ser sua namorada e finalmente você já pode me entregar essa rosa.

- Pensando em que? – Sirius perguntou, demonstrando curiosidade.

- Em você – respondi hesitante. Ele sorriu.

- Que bom – disse, abrindo seu sorriso mais doce. – Vem, vamos nos juntar aos outros.

Chelsea, Emmeline e Petunia haviam concordado que passar o dia virando de cabeça para baixo em montanhas-russas, expostas ao vento frio, não faria bem para a pele e para o cabelo, então estavam ocupadas fazendo compras nas incríveis lojas do local, enquanto tiravam fotos com os personagens humanizados que encontravam.

Ninguém realmente reclamou. Manter distância delas, especialmente de Chelsea, seria bom para minha saúde mental. Se antes eu achava que ela era chata, depois da viagem comprovei que era insuportável.

- E então, próxima parada? – Remus perguntou, animado.

- Space Mountain! – Katie e Lily responderam juntas. Concordamos, animados. James, Sirius e Remus estavam numa empolgação que eu não sabia que pudesse existir por outro motivo senão futebol.

Caminhamos até a fila, onde ficaríamos por uma hora. Quando estive aqui com meus pais, Eric, Julie e Brittany, as horas de fila pareciam intermináveis. Com meus amigos e namorado, porém, passavam incrivelmente rápido.

- Ainda não entendo o que você tem contra a montanha-russa do Indiana Jones. Caramba, James, é o Indiana! – Lily tentou argumentar outra vez, bem-humorada.

- Jones! – exclamei, suspirando. Sirius, Remus e James reviraram os olhos.

- Essa sua mania de ver McFLY onde não tem – James me repreendeu, mas o ignorei. – Indiana Jones pode ser bom, não estou negando isso, Evans. Mas a montanha-russa dele é uma droga!

- Isso mesmo – Sirius concordou.

- Não é! – defendi Lily.

- Aquela coisa só tem um looping, pelo amor de Deus. Qualquer criança ficaria entediada nela – Remus disse.

- Você fica esperando acontecer alguma coisa... e nada – para minha surpresa, Katie defendeu o lado contrário.

- Traidora! – Lily a acusou, fingindo grande indignação.

James, Remus e Sirius riram alto, chamando a atenção de umas garotas, provavelmente americanas pelo sotaque, que estavam na nossa frente na fila. Uma delas sorriu para eles.

- Desculpem meninas, mas eles não falaram nada além da verdade. Aquela montanha-russa é ruim – Katie disse.

- Não é! – Lily e eu dissemos.

- É – James disse, tentando encerrar a discussão.

- Não é – Lily rebateu.

- É. Não discuta.

- Não é. Não me mande aceitar algo que está errado.

- Com licença, tenho direito a minha opinião – ele disse, se controlando para não rir, enquanto ela ia perdendo a paciência.

- Olhe aqui, James Potter... – disse, com as mãos na cintura, olhando pra cima pra poder encará-lo melhor.

Ele sorriu de lado.

- Precisa de um banquinho aí? – perguntou, indicando a diferença de altura dos dois.

Rimos, enquanto a ruiva corava furiosa. Ela não era tão baixa. Na verdade, era a mais alta de nós três, com 1,65m. Eu mal havia chegado a 1,60m. Ele é que era uma anomalia de 1,90m.

- Cala a boca – retrucou, virando a cara. James, Sirius e Remus gargalharam outra vez.

- O ano novo ta chegando – Katie mudou de assunto, antes que eles voltassem para a mesma discussão. – O que faremos este ano?

- Não sei. Não quero ficar em casa – Lily respondeu. – O que você costuma fazer, James?

- Meu pai geralmente dá uma festa lá em casa, mas só fico até meia-noite. Depois disso saio com Sirius e Remus para alguma festa.

- Parece uma boa ideia – Katie disse. – Podemos nos encontrar depois da meia-noite.

- Ou podem convidar suas famílias para a festa na casa do James. Tio Jason e Tia Ash não se incomodariam – Sirius disse, tentando ficar sério.

- O bom é que você convida as pessoas para a minha casa – disse James, revirando os olhos, mas rindo em seguida. – Mas tenho mesmo certeza que eles não se incomodariam. E você, Lene?

- Depois da meia-noite, talvez. Mas não poderia ir antes.

- Por quê? – me perguntaram, ao mesmo tempo.

- Meu irmão está vindo de Oxford com a namorada insuportável, e meus avós estão vindo de Dublin. E a irmã do meu pai vem também com o namorado e o bebê deles. Chegam amanhã para o Natal e vão ficar até... ano que vem.

- Começaram as piadas infames de final de ano – Remus reclamou, enquanto Lily ria de forma histérica.

- Mas sério. Vai ter a ceia e tudo mais... não acho que poderia ir. Mas para a festa, sim.

- Posso passar o Natal na sua casa? – Sirius perguntou, animado.

- Hmm... – respondi, mordendo os lábios. Isso seria mais complicado. Nunca havia apresentado ninguém aos meus pais antes. Não poderia acontecer de forma tão repentina e na frente de tantas pessoas. Eric estaria lá, e ele nunca gostara realmente de Sirius, James ou Remus. A opinião dele, filho homem e mais velho, influenciaria a opinião de meu pai, principalmente.

Aquilo era algo que eu realmente não queria que acontecesse, principalmente porque só estávamos juntos há dois dias. E se o namoro não desse certo? Não deveria ficar apresentando qualquer um para minha família.

Não que eu achasse que Sirius fosse qualquer um, lógico que não, era só que... não deveria ficar mais sério antes? Eu não deveria preparar meu pai psicologicamente? Quer dizer, não que eu fosse algum tipo de criança, mas ele acreditava nisso. Era uma questão complicada, realmente.

- Marlene? – voltou a chamar, animado. Percebi que James, Lily, Remus e Katie haviam se afastado para nos dar certa privacidade.

- Você não deveria passar com sua família? – desconversei.

- O Natal não é uma data muito comemorativa na minha família.

- Por quê? Vocês são judeus?

Ele riu.

- Não. Porque a família não é muito unida.

- Como assim? – perguntei surpresa.

- Bem... Digamos que a minha mãe é uma senhora não tão... agradável. Não se dá muito bem com meu pai. Acho que é o que acontece em casamentos que são realizados por dinheiro.

- A sua mãe...? – gaguejei, incrédula. Aquilo era tão... século XVIII.

- Meu pai é arrogante e prepotente. Meu irmão mais novo é a cópia dele. Eles se acham tão importantes, com seus sobrenomes, suas contas bancárias e suas linhagens nobres. Não vêem que nada disso, nada disso importa.

- Sirius... eu sinto muito. Eu não sabia.

Ele riu de forma triste.

- Não se preocupe. Em Junho completo 17, e no ano seguinte estarei fora de lá para sempre. Mas e então, posso passar o Natal com você?

- Claro... claro que sim – sorri, tentando parecer confiante. Como eu poderia dizer não depois de descobrir que ele não tinha uma família com quem passar o Natal? Meu pai teria que entender que eu não era mais nenhuma criança, em Maio faria dezesseis anos. Além disso, se Eric podia levar a namorada, por que não eu...?

Namorado. Estremeci só de pensar o que seria daquele Natal.

Narrado por: Katherine Mackenzie

Enquanto esperávamos na fila do que me parecia a milésima montanha-russa, Remus estava estranhamente calado. Na verdade, ele estava assim desde a Space Mountain, três horas atrás, e eu simplesmente não conseguia identificar o motivo.

- Sério, o que você tem? – perguntei outra vez.

- Você não vai desistir mesmo, não é? – perguntou, meio irritado.

- Não – respondi, sorrindo da mesma forma que minha irmãzinha fazia ao quebrar algo e ser descoberta.

- Tudo bem... eu digo – suspirou. – Esse irmão da Marlene...

- O que tem ele? – perguntei, desconfiada.

- Não gosto muito dele – sua relutância em dizer as palavras era clara.

- E? – insisti.

- Ele tá vindo passar uma semana em Londres, não é?

- Sim. Remus, você pode falar de uma vez? – disse, tentando parecer perfeitamente educada, apesar de já ter perdido a paciência desde as palavras "irmão da Marlene".

- Tudo bem. É o seguinte. – suspirou outra vez – Espero que você não me leve a mal, mas... eu gostaria que você evitasse a casa da Marlene na semana em que ele estiver aqui.

- Você o que? – perguntei incrédula. Ele realmente estava me pedindo para evitar a casa de uma das minhas melhores amigas?

- É só que eu não me sentiria bem... em saber que vocês estão... convivendo, sabe? – a cada palavra, ele parecia mais arrependido por ter começado aquela conversa.

- É mesmo? Por causa de Eric? – Ele confirmou, ainda parecendo irritado. – E quanto a todas as garotas que você já ficou e falam com você na escola, almoçam em sua mesa e saem com você após os treinos de futebol? Eu já pedi alguma vez para você não conviver com elas?

- Não é comigo que elas almoçam, falam e saem. É com o time. Há uma diferença.

- Bem, não é comigo que Eric vai conviver, é com a família dele. Há uma diferença.

Quando ele retrucou um "tanto faz" ignorante, suspirei e disse:

- Só pra confirmar: você quer que eu evite entrar na casa de uma das minhas melhores amigas...

- Sim – disse, parecendo aliviado pela minha compreensão e calma.

- Enquanto o irmão mais velho dela estiver no lugar em que ele mora...

- Morava – tentou amenizar.

- Porque nós ficamos... um vez... há muito tempo.

- É – pareceu ainda mais zangado ao ouvir minhas palavras. – É isso mesmo.

- E se por acaso ele desistisse de Oxford e voltasse para Londres... eu estaria proibida de entrar na casa de Marlene para sempre?

- "Proibida", não... Mas seria bom.

Eu sorri pra ele, de forma angelical. O sarcasmo no meu ato, porém, era evidente.

- Mas isso não vai acontecer – eu disse, finalmente. – Nem agora, nem em um milhão de anos.

- Posso saber por quê? – disse, aumentando o tom de voz.

- Mas é claro que pode. O motivo é muito simples: é porque eu espero que você confie em mim, como confio em você.

- Mas eu confio em você! – praticamente gritou, parecendo ainda mais arrependido pela escolha das palavras. As pessoas da fila olhavam para nós de forma curiosa. – É nele que eu não confio – trovejou por fim, enfurecido.

- Remus, ele tem namorada!

- E? Isso nunca impediu a mim ou a nenhum homem de ficar com a garota que quis.

Arregalei os olhos, surpresa. Ele percebeu a besteira que falou, porque tentou se redimir:

- Quer dizer, a maioria dos homens... você sabe.

- Não sabia, não. Mas é bom saber.

Virei às costas e andei na direção contrária, passando por Sirius e Marlene que lançaram olhares confusos em minha direção, por Lily e James, que estavam trocando um longo abraço e não perceberam o ocorrido, e, assim que me livrei da fila, comecei a correr.

Quando estava consideravelmente longe da Montanha-Russa, desacelerei o passo, mais ou menos quando o ouvi gritar "Katie" e correr em minha direção.

Pensei em continuar correndo, mas sabia que não faria a menor diferença - ele me alcançaria em questão de segundos, afinal, ele era um atleta, enquanto eu era apenas uma aspirante a artista.

- É por isso que você tem medo que eu o traia, Remus? – perguntei, quando ele estava suficientemente próximo. – Porque tem me traído?

- Não, não, Katie! Você entendeu tudo errado!

- Tem alguma coisa que você precise me contar? – ele ficou em silêncio, então continuei - Quem é ela, Remus? Alguma líder de torcida que sai com o time depois do treino?

- Não, Katie! – repetiu, parecendo desesperado.

- Ou foram mais de uma?

- Eu...

- Responda – ordenei, em um tom mais frio do que eu sabia ser capaz de produzir.

Ele sentou em um banco próximo, pondo a cabeça entre os joelhos, e as mãos sobre a cabeça. Sentei ao seu lado.

Aquilo tudo era inacreditável. Eu nem sabia o que pensar.

- Não foi traição. Não tecnicamente.

- Por que não? Você só a beijou tecnicamente? – dizer aquelas palavras doíam. Doíam demais, mas eu lidaria com a dor depois. Agora precisava saber, precisava entender...

- Nós não estávamos namorando ainda. Lembra o que eu disse naquele dia? Que eu havia percebido que não queria ficar com ninguém, além de você?

- Lembro.

- Eu... tive um encontro com a Susan na quarta, dois dias antes de pedir pra namorar você.

- A Susan? – perguntei incrédula. A mesma líder de torcida que estava destinada à ele desde a primeira festa em que dançamos juntos, na casa da Chelsea, tantos meses atrás? A mesma que namora o intercambista brasileiro, mas ainda me lança um olhar de superioridade todas as vezes que nos encontramos? Petunia havia me dito, havia me avisado... Susan estava observando tudo. Jamais deixaria passar em branco uma substituição. Claro que ela buscaria vingança.

E havia conseguido.

- Ela insistiu... praticamente se jogou em cima de mim. Não pude dizer não. Seria só um encontro, eu havia prometido pra mim mesmo, mas ficamos realmente bêbados e... fomos para a casa dela e... – olhou pra mim, de forma triste – dormimos juntos.

- Voc...

- Katie, juro que foi só uma vez, e não significou nada. NADA! Só serviu para que eu percebesse que a garota que eu amo é você, que eu sempre quis só você!

- Então eu deveria agradecer? Deveria mandar flores ou bombons?

- Não... não seja irônica agora, por favor. Venho tentando te dizer isso há meses... mesmo que não estivéssemos namorando, me senti péssimo...

Não respondi. Era simplesmente inacreditável. Além de levá-la em um encontro, com nossa relação encaminhada (naquele ponto em que não saímos com outras pessoas porque está óbvio que vai resultar em namoro), ele ainda dorme com ela? E só me conta meses depois? Era... humilhante. Doloroso. Revoltante.

- Não acredito... não consigo... é surreal demais. Eu... realmente queria que fosse diferente, Remus... mas eu não posso mais fazer isso – disse, finalmente, depois de vários minutos em silêncio.

- Isso o que? – perguntou, desesperado.

- Nós. Eu... preciso de um tempo.

- Katie... não faça isso – implorou.

- Engraçado. Há uma hora eu estava ofendida porque você não confiava em mim. Agora você pode ficar o quão ofendido quiser. Eu não confio mais em você.

- Katie, por favor, eu estava bêbado! Não desista de nós!

- Eu não fiz nada, Remus. Você escolheu assim – levantei, antes que mudasse minha decisão.

Ele ainda me chamou três outras vezes, mas eu fiz sinal para que ele não me seguisse. Talvez fosse até melhor assim.

Se ao menos eu pudesse controlar minhas lágrimas...

Narrado por: Lily Evans

- No fim das contas, não foi a melhor das viagens pros dois, foi? – James perguntou, me passando outro prato.

- Não... – respondi, distraída.

- Eu sabia que ele tinha um encontro marcado com a Susan. Só não sabia o que resultou disso...

- Uma ideia infeliz – eu disse, secando o que me parecia o milésimo prato.

- De fato. Mas eles vão se acertar, assim que a raiva dela passar.

- Assim espero.

Fomos encarregados por nossos respectivos mãe e pai de lavar todo o aparelho de jantar que seria usado na ceia de hoje. A porcelana era frágil demais para ir pra máquina. James lavava, eu secava e Petunia deveria por à mesa, mas estava ocupada pintando as unhas e fofocando com a intercambista brasileira no quarto.

- Estranho que a Duda esteja aqui sem a irmã dela, não acha?

James me reprovou com o olhar, mas sorriu de lado ao responder:

- O irmão mais velho da Chelsea apareceu. Você sabe. Filho do primeiro casamento do pai... ele não ia lá desde o verão.

- Aquele que foi expulso da AEHS ano passado? É, ele é meio que uma lenda... então, ele apareceu para passar o Natal? Simplesmente?

James riu, me passando outro prato.

- Até agora... De qualquer forma, Natal é coisa de família, certo?

- Certo. Eu realmente não iria querer passar o Natal com a Chelsea. Não me olhe desse jeito, só estou sendo sincera.

- Sei que está... e dessa vez não ligo muito – acrescentou, com a voz baixa.

- Sério? – perguntei, soltando o pano e me aproximando para enxergá-lo melhor. Notei que ele também largou o prato e voltou-se para mim.

- Ela infernizou na França – se explicou.

- Desde que saímos de Londres, na verdade. Então isso inclui a Inglaterra.

- Certo... a Inglaterra – disse, e eu não pude evitar reparar no quanto a boca dele era bonita, principalmente quando estava sorrindo assim, torto. – Mas tirando isso, foi uma viagem divertida, não foi?

- Demais.

- A melhor parte foi ter me aproximado tanto da minha irmãzinha – brincou, me puxando para outro abraço apertado. Ele adorava aquilo. Eu não protestava. Era sempre tão forte, cheiroso e... gostoso.

- A melhor parte foi ter conhecido sua família. Sua mãe é adorável. Eu só não entendi... – dei um passo pra trás, voltando a estabelecer contato visual. – Por que ela pensou que eu fosse sua namorada?

Ele riu, parecendo constrangido.

- Ahhh... besteira dela. Você sabe como são as mães, sempre vendo coisa onde não tem. Ela me disse algo sobre a forma como... trocávamos olhares, segundo ela.

- Trocávamos olhares? – perguntei, corando.

- É... ela disse que eu não conseguia tirar os olhos de você... e vice-versa. Mas estava enganada.

- É claro – conclui, apressadamente.

Claro que ela não poderia estar mais certa, e aquilo indicava que eu precisava ser mais discreta quando fosse medir o grau de gostosura de James com cada roupa que usava.

No momento, de suéter natalino e um avental de cozinha por cima, ele merecia definitivamente um dez.

Continuamos lavando pratos por alguns minutos, enquanto trocávamos opiniões sobre as melhores bandas das ultimas décadas, quando Petúnia desceu, acompanhada pela amiga, e ordenou que nos aprontássemos para a ceia, que começaria em três horas, enquanto ela acompanharia Duda até em casa e aproveitaria pra cumprimentar Chelsea. Obedecemos, felizes por nos livrarmos das louças.

Tomei um banho quente, sequei meu cabelo, me maquiei, pus o vestido vermelho que comprei exatamente para a ocasião, calcei as sandálias prata, me perfumei e sentei próximo à janela, esperando. Enquanto a neve caía, considerei muitas coisas.

Segundo Tio Jason, seria uma ceia pequena. Apenas seu irmão mais velho e família, sua irmã mais nova e família, e a minha tia Mary, irmã mais nova da minha mãe, com meus primos. Diferente do último Natal, de qualquer forma, quando esta não pode vir, transformando o evento em um triste acontecimento para minha mãe, Petúnia e eu.

Há um ano eu tinha uma paixão platônica por James Potter, que vivia esbarrando em mim em corredores, mas sempre acabava se apresentando outra vez, já que parecia incapaz de lembrar quem eu era. Esse, que parecia o ser mais estúpido da Terra, revelou-se uma pessoa linda, alguém dedicado e atencioso, em quem eu podia confiar, e cujo único defeito parecia ser ter uma namorada que fosse minha inimiga.

Muita coisa pode acontecer em 365 dias. Muita coisa mesmo. Mas muita coisa ficaria do mesmo jeito se eu me acomodasse. Foi o que percebi quando James abriu a porta de meu quarto, arregalou os olhos e disse "wow... você está incrível!".

Controlei-me para não dizer que ele ficava muito gostoso de Black Tie, ainda melhor do que de avental (só não barrava as voltas do treino de futebol, sem camisa), e agradeci o elogio, dizendo que ele também estava muito bem.

Assim que o relógio marcou 21h, ele me puxou pela mão e descemos as escadarias juntos, para descobrir que Alice, a tia de James, já estava sendo recepcionada por minha mãe e seu prestativo marido.

James olhou pra mim, sorrindo. Devolvi o olhar na mesma intensidade, e estávamos para participar efetivamente da ceia quando um flash nos cegou. Olhamos na direção da luz, e vimos Petunia feliz, acenando.

- Fiz uma foto linda dos dois! Olhem, olhem!

- Você quase nos cegou – protestei, mas sem deixar de observar como a foto estava mesmo bonita.

- Vai ser a fotógrafa da noite? – James perguntou, parecendo aprovar a foto também. – Vamos tirar uma, nós três. Espera um minuto, me deixem cumprimentar todos antes.

Ele me puxou pela mão outra vez, em direção à sorridente Alice.

- Tia Alice! – cumprimentou-lhe sorridente, e então trocaram um abraço. – Quanto tempo!

- James! Como você está alto.

- Deixe-me lhe apresentar... esta é Lily Evans.

- Tudo bem, querida? – nos cumprimentamos, e ela era exatamente do jeito que parecia: jovem, descontraída, discreta (ao contrário da maioria das tias, cujo papel principal parecia ser proporcionar constrangimento e vergonha alheia a seus sobrinhos e todos ao seu redor).

Pouco tempo depois, as filhas de Alice, de seis e oito anos, entrosaram-se com meus primos, de oito e dez, transformando a casa em um cenário surpreendentemente comum para uma ceia natalina, com agradável música, vozes e risadas altas, crianças correndo pela casa, flashes sendo disparados e bebidas alcoólicas ingeridas.

O outro tio de James, Michael, tinha uma filha de dezenove anos, Summer, que era a prima querida de James e estava tendo uma conversa amigável conosco.

Após a meia noite, todos os tios e tias, assim como seus respectivos cônjuges, além de Jason e minha própria mãe, pareciam animados demais. Deixamo-los à mesa do jantar, bebendo e rindo alto, e acompanhamos as quatro crianças até a sala de estar, onde a árvore de Natal piscava e diversos presentes a seus pés pediam para serem abertos.

- Bons tempos, quando ficávamos quicando de um lado para o outro até a meia noite, para podermos abrir nossos presentes – Summer disse, sorrindo de forma saudosa. – Mas Sirius geralmente estava aqui conosco. Onde ele está?

- Na casa da namorada – respondeu James. – Bons tempos mesmo... os nossos estão por aqui... esperem. Ah! Petunia, este é o seu. Summer, o seu. Este é o meu. E Lily... o seu – nos entregou embrulhos bonitos e cor-de-rosa, que me fizeram sentir vergonha por não ter pensado em comprar nada pra ele.

Quase morri de emoção ao abrir meu presente e encontrar uma câmera preta, linda, semi-profissional, do tipo que vinha namorando há meses pela vitrine do shopping. O abracei bem forte, e estava para perguntar como ele sabia que era exatamente o que eu queria, quando a campainha tocou. Entreolhamos-nos, sem saber o que achar daquilo. Não estávamos esperando ninguém, afinal.

Minha surpresa foi enorme ao encontrar Katie parada à porta, com uma garrafa de vodca à mão, e a maquiagem borrada, numa expressão que indicava que estivera chorando recentemente.

- Katherine! – James exclamou, puxando-a pelos ombros e a acomodando no sofá. – Ta tudo bem?

Ela olhou de mim para James, enfiou o rosto em uma almofada e disse algo como "ele não me ligou".

- Quem? – Petunia perguntou de olhos arregalados.

- Remus – ela disse com a voz abafada. Summer anunciou que pegaria um copo de água para ela, enquanto tentávamos entender melhor o que se passava. – Remus não me ligou para desejar feliz Natal... e estava tudo tão deprimente! Jantamos às nove, minha irmã dormiu, e meus pais também foram dormir logo em seguida! Sabe o que é ficar sozinha no Natal? É inevitável que sua cabeça acabe focando no que não deveria... foi assim que eu vim parar aqui. Desculpem-me!

Disse, entre soluços abafados pela almofada. Era de dar dó. James e eu nos entreolhamos outra vez, sem ter certeza do que fazer.

- Katie... sinto muito pelo Natal. E pelo Remus – James disse. Eu me limitei a abraçá-la e acariciar seus longos cabelos loiros. Passei a garrafa para Petunia, que arriscou uns goles ao invés de livrar-se dela.

- Tenho certeza que ele só está tentando te dar o tempo que você pediu. Tudo aconteceu há apenas alguns dias. Ele deve estar esperando você esfriar a cabeça para tomar uma decisão definitiva – eu disse, com algum esforço. Ela levantou a cabeça da almofada.

- Eu sei que ele está. E é exatamente esse o problema. Eu não queria que ele fosse o Remus de sempre, calculista e racional... Eu queria que ele agisse com o coração, ao menos desta vez. Que batesse à porta da minha casa no meio da noite, implorando meu perdão. Que me ligasse, mandasse mensagens e flores. Que lutasse por mim do modo mais arriscado e tosco – voltou a afundar a cabeça na almofada, e sussurrou:

- Porque eu faria o mesmo.

Katie ainda chorou alguns minutos, até parecer mais inclinada a dormir que desabafar. Então nos aproveitamos disso, e estávamos na metade das escadas para levá-la até meu quarto, quando a campainha tocou outra vez. Uma das crianças atendeu, e como em um passo de mágica, Sirius e Marlene cruzaram o Hall e as salas e nos ajudaram a por Katie na cama.

- Posso saber o que diabos vocês estão fazendo aqui? – James sussurrou, após acomodarmos Katie em minha cama de dossel.

- O Natal não deu muito certo. Meu pai não aceitou bem nosso namoro, e nós brigamos. Nem preciso dizer que Eric teve influência total nisso. Irmão inútil.

Sirius beijou a garota na testa, parecendo orgulhoso.

- Precisavam ter visto a forma como ela os desafiou. Vou dizer algo a vocês, nunca contrariem esta baixinha.

Nós rimos.

- E então vocês pensaram em vir aqui? – perguntei.

- Eu disse a ela: "Lene, se você quer saber onde tem um Natal que vale a pena, esse lugar é a casa dos Potter", e então ela concordou e viemos de taxi.

- Agora sim o Natal está completo – Summer comemorou, sorrindo.

Estávamos todos em minha cama, ao redor de Katie, que dormia levemente.

- Happy hour até de manhã, pessoal! – Petunia anunciou, trazendo alguma bebida que não pude identificar e diversas taças. Comemoramos.

- Um brinde ao Natal! – Sirius propôs, parecendo animado.

Aos poucos, o álcool venceu a vontade de permanecermos acordados. Summer dirigiu-se ao quarto que ocuparia aquela noite, Petúnia para seu quarto, Katie, Sirius e Marlene ocuparam minha cama e, com a casa cheia e não muito sóbria, não fiz objeção ao convite de dormir no quarto de James.

Quando ele deitou-se ao meu lado e anunciou que dormiríamos de conchinha, um calafrio subiu pela minha espinha. Mas era bom.

E quando as luzes se apagaram e o frio já não incomodava tanto, o abracei pela cintura ainda mais forte, sussurrando um desejo de boa noite em seu ouvido como há muito tempo vinha querendo fazer.

E quando ele entrelaçou os próprios dedos nos meus, antes de beijar minha mão e também me desejar boa noite, percebi que valia a pena lutar por ele. Apesar de todas as dificuldades que amar James Potter viesse a representar, aquele, definitivamente, era um sentimento que valia a pena.

Fechei os olhos e deixei os sonhos manifestarem minha felicidade.

xxx

N/A: oooooooooi, gente! Saudades de postar aqui! Como vocês estão? Como foram as festas de fim de ano? As minhas foram maravilhosas, passei o Réveillon em uma festa com meus amigos e depois fomos ver o sol nascer na praia! Eu posso estar de férias.. dia 28 foi a última prova e agora estou esperando os professores resolverem lançar as notas para saber se passei direto. Mas enfim! Esse capítulo foi dramático, mas fofo.. até um pouco demais. Remus, Katie, trouble in paradise? Sirius e Marlene, James e Lily, why so cute? Espero que vocês tenham gostado do que leram como eu gostei de escrever! E agora, como prometido há capítulos, resposta aos comentários do capítulo nove! Beijão, até o próximo, que vem mais rápido do que esse veio! :)

Mila Pink: "quando a lerdeza aumenta, nada que uma jogada na parede não resolva" concordooo! Hhahahaha não que eu tenha a coragem que a Lene teve, mas na teoria, concordo! Também amo viajar, Paris é lindaaaaa. Deve ser perfeita no inverno! Que sonho! Obrigada pelo comentário! beijooo

Denise: obrigada! Desculpa ter te feito esperar. Espero que goste do capítulo! xo

CamiEvansPotter: obrigada! A piada do chumbinho foi meu melhor amigo quem fez, sempre me acabo quando lembro hahaha. E pra onde você vai viajar dia 8? Ah, na verdade, essa não é minha primeira fic, tem outra no Floreios e Borrões, mas eu escrevi com 13 anos e está cheia de emoticons e piadas desatualizadas. Talvez um dia a recicle, como estou fazendo com essa! (: Boa viagem pra você! Bjj

Sarah Weasley Potter Black: obrigada, boas festas pra você também! Espero que tenha gostado do novo capitulo e desculpa pela demora(:

Mlalvares: de nada! Hahaha obrigada vcc pelo comentário. Espero que as férias já estejam mais animadas. Bjoo

Aline Gomes: obrigadaaaaaa por todos os comentários, ri demais deles hahahah fico mt feliz que você esteja gostando! E espero que tenha gostado do capítulo novo, yayy!

Gabriela Black: antes de tudo, obrigada pelo comentário e pelo elogio, fez meu dia! Sim, a fic pode ser bem clichê, mas quem não é fã de um, certo? Hahaha tem cenas extremamente gays e açucaradas, mas fazer o que? Sou dessas! Hahahaha monitoria é complicadoo! Boa sorte! Eu curso Direito na UEMA (universidade estadual do maranhão). Você faz jornalismo? Eu fiz um período na UFMA (federal), mas não consegui conciliar e tive que largar. Mas eu amavaaa! Espero que goste desse capitulo também e boa sorte com sua vida universitária agitada! Hahaha bjoo

Lady Aredhel Anarion: faculdade acaba mesmo com nossa sanidade hahaha que curso você faz? Lene e Six é demaisssss hahahahah e awn, James é lindo tbb :33

Maria: hoje! :D