NOTAS EM OFF:
*ESTE CAPÍTULO FOI FINALIZADO NO DIA 27/03/2015!
*ESTE CAPÍTULO AINDA NÃO FOI FINALIZADO. NO DIA 13/03/2014, ESTARÁ COMPLETO, NESTE MESMO POST. É SÓ ROLAR O CURSOR ATÉ O MEIO DO ARQUIVO.
*COMENTÁRIOS DE CADA CAPÍTULO ESTÃO SENDO POSTADOS PELA AUTORA ATRAVÉS DO SITE fan fiction PONTO com PONTO br /historia/586381/Memories_Truth_or_Dare/ (tudo junto, com ponto: .)
10. REVELAÇÕES (PARTE I)
Eu quase pulei da cama. Perdi a noção do tempo por completo. Meu coração estava quase saindo pela boca. Virgem. Nenhum namorado. Nada. Nadinha. Olhei para o lado e Edward estava se aprontando, sério, me olhando. Ainda eram seis da manhã.
–O que houve hoje? – ele sentou na cama.
–Nada. – falei, eufórica. Estava sorrindo e quase chorando, tamanha era a confusão mental.
–Me fala...
–Não aconteceu nada. – respirei fundo e tentei me acalmar.
–Está se sentindo bem?
–Estou.
–Tem certeza?
–Tenho. – dei um sorriso falso.
– Coma alguma coisa, tem pão fresco na mesa.
–Já vou. – olhei para ele, quase sorrindo. Ou chorando, porque não sabia o que pensar sobre minha nova descoberta... patética.
– Tenho que ir para a prova. – ele olhou, ainda desconfiado.
– Boa prova. Sei que vai arrebentar, Edward. – enfatizei.
Ele ia levantar e eu tive o impulso de puxá-lo para beijar. Edward retribuiu o selinho e riu, porque eu quebrei a rotina e não escovei os dentes antes. Quando eu percebi o que fiz, fiquei sem graça e mexi no cabelo igual a ele.
– Obrigado, lábios de sonho. Volto no início da noite.
Quando ele se foi, eu sentei à mesa e tomei meu café, maravilhada com minha descoberta. Medonha ou não, era mais uma descoberta. Queria tanto contar para o Edward, mas não sabia como fazer. Ele agora era meu namorado e não sei como levaria a notícia. Eu tinha vergonha e receio de que ele fosse me deixar.
Se eu queria fazer? Claro.
Quando? Definitivamente, não agora.
Perdida em pensamentos, peguei meu violão para me distrair. Já fazia alguns dias que não tocava. Aprendi uma nova música, mas logo fiquei entediada. Então resolvi ir para a cozinha. Edward tinha comprado massa de macarrão, e eu resolvi fazer uma macarronada com carne enlatada. Dessa vez não errei no sal, mas a droga toda quase caiu no chão quando misturei, e queimei meu dedo de leve. Consegui cozinhar um ovo e fiz um tempero com azeitonas, pois sempre via Edward roubando todas quando comíamos na rua.
Terminei e ainda era fim de tarde.
Como não estava com fome, resolvi ir para a lagoa. Lá, a céu aberto, eu conseguia relaxar melhor. O tempo estava se abrindo aos poucos, e boiei para deixar o sol aquecer minha pele mais que pálida.
Não conseguia esquecer o que aconteceu ontem. Eu perdi meu controle e Edward quase fez o mesmo. Bem, ele perdeu de fato o controle. Pelo menos sobre seu corpo, isso ficou claro. Eu senti sua ereção ali, na minha frente, ainda que não fosse intencional. Fiquei grata que não aconteceu, e que Edward reagiu bem ao meu comentário sobre a "hora certa". Agora só restava saber como ele reagiria a isso. Quero dizer, ele precisava saber. Era algo que eu deveria o contar. Dividia todas as minhas experiências com ele até agora, não era justo deixa-lo sem saber. Até porque ele acompanhava minha evolução. Então, mais calma, cheguei á conclusão de que não o deixaria de fora.
Quando acordei da minha viagem-mental-quase-psicodélica, saí da lagoa e andei praticamente me arrastando para a cabana.
Continuei pensando e dei graças a Deus que iria para a vila. Ter mais um médico ajudando no meu caso seria bom. Eu adorava o Edward, e todo o seu processo de estímulo a memórias por meio de passeios e conversas questionadoras e motivadoras realmente faziam efeito, mas ter alguém mais velho observando o caso poderia ser ótimo. Eles poderiam trocar ideias e eu poderia passar as tardes fora pelo menos duas vezes na semana.
Eu peguei minha roupa e levei para o banheiro. Quer dizer, nossa roupa. Eu sempre vestia uma das suas camisas dentro da cabana. Gostava do cheiro e do caimento em mim. Tirei a blusa dos Stones, completamente distraída. Quando comecei a tirar a bermuda, e estava prestes a ligar a água, ouvi uma voz bem perto de mim.
–Isabella?
Virei com o rosto para a porta, e lá estava Edward, de olhos arregalados e queixo quase no chão.
–Merda! Desculpa. – ele saiu completamente atordoado.
Eu ficaria apavorada também. Na verdade, só não devo ter ficado por completo porque a cara dele foi hilária. Eu agarrei a blusa que tinha acabado de tirar e coloquei na minha frente. Não sei se ele teve sequer tempo para ver alguma parte minha. Eu definitivamente perdi a coragem de tomar banho naquele momento. Vesti minha roupa de novo e voltei para a entrada da cabana, fingindo que nada tinha acontecido. Em vão.
–Da próxima vez, faça algum sinal de que está entrando, droga! – fui completamente agressiva no meu tom.
Edward estava sentado na cadeira com as pernas abertas, os cotovelos em cada uma e curvado para a frente com as mãos enterradas no cabelo, agora completamente desarrumado. Incrível como ele conseguiu levantar todos os fios em menos de três minutos.
– Que foi?
Ele levantou e se focou em meus olhos, enquanto os seus sorriam para mim.
–Isabella! Eu terminei!
–Você terminou... o que? a faculdade? – minha máscara séria caiu e eu abri um sorriso.
–Terminei! – ele riu.
–Porra, Dr. Edward Cullen! – corri para abraça-lo, e ele nem ligou que eu estava um trapo, totalmente molhada e com cabelo bagunçado.
–Merda!
–Peraí, você me viu pelada? – me afastei dele para perguntar.
–Ainda não. – ele riu.
Edward me pegou em seus braços e me levantou do chão, como se eu fosse alguma criança ou irmã caçula dele. Podia senti-lo me apertando e foi delicioso. Seus abraços eram os melhores. Aliás, agora eu já sabia que não só os abraços eram únicos. Seus lábios também trabalhavam muito bem.
–Parabéns! – eu falei enquanto ele ainda me carregava. –Estou orgulhosa de você – sorri, e ele riu.
Quando me desceu para o chão, foi fatal. Continuou me abraçando e nos beijamos. Pensei que seria um beijo de felicitação, que realmente deveria ser, mas não. Foi mais.
Ele me sentou na mesa, onde eu não tinha o que fazer se não abrir as pernas, e voltou a me beijar. Lembrei que a comida estava ali atrás, e era uma ótima chance de cortar.
–Edward, a comida está quente, preciso sair daqui. –segurei seu cabelo para ele parar de me beijar e deixar eu falar.
Ele riu, me pegou no seu colo e me colocou sentada na cama. Ele sentou ao meu lado e me empurrou devagar, caindo junto comigo no colchão e me cobrindo de beijos pelo rosto todo. Eu ria como uma idiota com sua alegria, e então ele estava em cima de mim.
Não era nada sensual, ele apenas estava feliz e brincando comigo. Eu acho. Ele só parou quando pegou no meu cabelo e reparou que eu estava toda molhada.
–Vamos ter que trocar essa roupa de cama.
–Tá. – sorri como uma boba para ele.
–O que é isso? – ele procurava o cheiro olhando curioso pela casa, mas ainda em cima de mim. Eu dei de ombros. – Você fez comida? – eu acenei com a cabeça, dizendo que sim, e ainda sorrindo.
–Eu fiz macarronada.
–Macarronada? Como?
–Bem, você comprou macarrão e vi que tinha carne e outras coisas na geladeira.
Ele sorriu e continuou seu ataque de beijos pelo meu rosto.
–Você é a melhor, Isabella. – ele beijava minha orelha.
–Eu sei. – virei meus olhos.
–Metida. – ele franziu os olhos, e eu ri. – vou pra lagoa, vem cair comigo.
Céus.
Como negar? Simplesmente concordei e foi com ele. Quando chegamos perto da água, ele me jogou dentro e pulou em seguida.
As brincadeiras continuaram. Jogávamos água um na cara do outro. Não via Edward tão animado assim há dias.
–Você está machucando meus olhos! – protestei.
–Deixe-me ver. – ele puxou minha mão e me colocou junto dele, descendo seu rosto para ficar no nível do meu. Quando conseguiu, grudou a testa na minha e manteve seus olhos fixamente dentro dos meus. Quando ele fazia isso antes de começarmos a namorar, dizia que ele estava me cortejando. Agora, ele estava era me seduzindo, sem pudor.
–Tá vendo, doutor? – brinquei.
–Acho que preciso te examinar. - ele sorriu maliciosamente e me pegou de jeito de novo. Eu balancei a cabeça desaprovando a piada ambígua.
Edward agarrou meus lábios e foi fundo em seus beijos. Eu retribuí a cada um, muito feliz por ele.
–Como está se sentindo agora? – perguntei em seu ouvido.
–Parcialmente realizado profissionalmente. – ele me puxou, colocando meus pés por cima dos seus e me guiando até o canto da lagoa... onde ontem quase perdemos o controle.
– Agora é só trabalho?
–Sim. – ele sorriu, agora me beijando gentilmente no rosto todo, enquanto eu já estava encostada na parede de pedras. – Três vezes por semana, nos próximos dois anos.
–Isso é incrível. – falei baixo para ele. –Agora tenho ainda mais orgulho ainda por ser sua namorada. Você conseguiu!
Ele soltou um sorriso tão grande que pensei até que iria deslocar a mandíbula. Seus olhos ficaram levemente úmidos, mas não tive certeza porque estávamos na água.
–Até hoje, só tinha ouvido isso do Dr. Masen. – ele colocou suas mãos na minha cintura. – Fico satisfeito por ouvir isso de você, Isabella.
– Bem, então vou dizer de novo: Eu tenho orgulho de você... e de ser sua namorada. – corei e sorri.
Não necessariamente nessa ordem.
–Está tão linda aqui dentro... - ele se aproximou lentamente e começou a me beijar de novo. Lançou pequenos beijos pelo meu pescoço e garganta, e logo encontrou meus lábios molhados. Ele me beijou gentilmente, e sua mão começou a acariciar minhas costas.
E então, eu lembrei do que aconteceu ontem e do que tinha para contar. Prendi meus lábios, insegura sobre a conversa, e me afastei um pouco. Edward me olhou por alguns instantes, desconfiado.
–Eu não vi praticamente nada lá dentro. Palavra de médico. – ele me assegurou.
–E de advogado?
–Também. – ele virou os olhos. – Só um detalhe ou dois.
–O que? O que você viu? – arregalei os olhos, tentando esconder minha vergonha.
–Vi seu seio de lado. Só a curva. – ele ria com mais malícia ainda, fazendo o movimento curvo do meu corpo com sua mão e mordendo o lábio inferior.
–Puta merda. – fingi dar um tapa no meu rosto.
–Qual é o problema? Foi tão rápido que nem pude...
–Nem pôde o que?
–Apreciar? – ele sugeriu, sorrindo. – Olha, foi só a curva mesmo. Nem sombra do seu mamilo.
– Edward, por favor. Cala a boca. – balancei a cabeça, irritada. – Ainda quero uma porta no banheiro. – lembrei.
–Sim, senhora.
Eu continuava em silêncio, olhando para a grama.
–Porque eu tenho a impressão que tem algo a me dizer desde que acordou?
–Hã?
– Quando vai me falar? – ele me olhava e tirava o cabelo do meu rosto.
–Falar o que? – fingi não entender.
–Isabella... você ainda é uma péssima atriz comigo.
–Ok. Depois do almoço. Tá?
–Certo. Vamos entrar. Estou faminto.
Depois de me certificar que ele sabia que eu estava entrando no banheiro, tomei meu banho. Ele tomou o dele e sentamos à mesa para comer. Edward ficou em êxtase com a comida.
–Você nunca falha, Isabella.
–Não?
–Não. Eu adoro a sua comida. Sempre. Só sabia que tinha azeitonas.
–Como?
–Sua boca salgada. – ele virou os olhos.
–Eu já devia saber. – comecei a arrumar a mesa. Ele segurou minha mão de volta, para eu não levantar da cadeira. – Degustador.
–Então, pode falar.
Eu gelei. Quase entrei em pânico. Limpei a garganta. Cocei o cabelo. Pisquei infinitas vezes as pestanas.
–É tão sério assim? – ele arqueou a sobrancelha, esperando na outra cadeira e penteando o cabelo um pouco crescido para trás, com os dedos.
–Não tenho certeza.
–Fala logo, Isabella. – ele começou a batucar impacientemente na mesa com os dedos, esperando e olhando pra mim.
–Bem, eu... – falei sentada na ponta da cadeira, batendo os pés no chão e querendo que surgisse um buraco bem ali para me jogar. – eu tipo lembrei de uma coisa hoje.
–Ótimo. – ele estimulou, gesticulando com as mãos.
–Não me sinto confortável para falar...
–Por que não?
–Porque tipo envolve... nós dois.
Ele franziu os olhos, sem entender.
–"Tipo"... não estou entendendo porra nenhuma. – ele riu, ironicamente.
–Eu tenho vergonha.
– Isabella, estou te perguntando como médico. O que descobriu? – ele se inclinou para minha frente e segurou forte nas minhas mãos, parando os meus joelhos impacientes.
–Edward... não me odeie por isso.
–Fala. Agora.
–Eu sou virgem. – virei a cabeça para baixo, me sentindo completamente escrota. Levantei um pouco os olhos, para observar sua reação. Ele sorria de lado, então levantei o rosto todo, esperando qualquer reação menos essa.
–O que mais?
–É basicamente isso. – o olhei confusa, e ele revirou os olhos, ainda segurando minhas mãos.
–Com todo o respeito, Isabella, isso não é novidade.
–O que? Por quê?
–Eu acho que já sabia disso.
–Como? Nem eu sabia.
–Eu suspeitava. – ele sorriu e me puxou para sentar na perna dele.
–Por quê?
–Você é diferente de todas aquelas garotas lá da cidade. Você é única. Quando te olho, vejo uma garota pura.
–Garota pura? Que porra é essa? – perguntei incrédula.
–Você é inocente. – ele riu.
–Inocente? Eu não sou inocente merda nenhuma. – fechei o rosto.
–É sim.
–Não sou.
Ele apertou os olhos para mim e bufou.
Eu fiquei perplexa. Lutei comigo mesma pensando em conta-lo, e ele... simplesmente sabia mais de mim do que eu mesma? Bizarro.
Ele me ajudou a arrumar a mesa e guardar a comida, e eu deitei na cama, tentando entender como aquilo pôde acontecer. Ele me espiava enquanto arrumava suas coisas e limpava seus instrumentos cirúrgicos.
–Não vai dizer mais nada? – ele perguntou, sentando na cama de cima e segurando meu braço depois de quase uma hora.
–Eu esperava que você terminasse comigo depois dessa.
Ele riu baixo, e me empurrou para o lado para deitar comigo.
–Olhe bem para mim, Isabella. – ele encostou a cabeça na minha, e eu o olhei. – eu não te pedi em namoro para conseguir transar contigo. E sim porque você é um todo interessante.
–É, sei. – virei os olhos. - Você tem muito mais experiência do que eu.
–Desculpe te desapontar se você me julgava tão mal assim.
–É que isso não faz sentido.
–Por que não? – ele tirava meu cabelo para trás.
–Você poderia namorar com qualquer garota. E escolhe logo... eu. Por quê?
– Tem razão, eu poderia ter qualquer uma. – ele admitiu. – Mas eu não quero uma qualquer, Isabella. Eu quero é você. E digo isso com toda a minha honestidade.
–Obrig... – ele tampou meus lábios e começou a acaricia-los com a ponta do dedo, fazendo cara feia.
– Eu não pretendo te forçar a nada. E nunca poderia te odiar por isso. Não seja boba. Tudo tem uma primeira vez. Posso esperar.
–Tem mais. – o olhei apreensiva.
–Diga.
–Eu nunca namorei. E... bem, se interessa, sou virgem sobretudo por uma convicção pessoal, mas de cunho levemente religioso.
– "Cunho levemente religioso". – ele riu – Não precisa me dar explicações. – beijou minha testa. – você é uma peça. Vê? Por isso escolhi você.
–Não estou brincando.
–Nem eu. – ele beijou de novo minha testa e acariciou minha cabeça. – Então você realmente é uma Virgem Mary.
–Não brinque com isso. – bati de leve nele.
–Não vou te zoar. Acho... interessante. Há tantas vadias por aí, e você é alguém especial. Deveria se orgulhar de si também.
–Então... – demorei para falar.
–Então?
–Então não vai querer fazer... nada comigo?
–Só quando você quiser, Isabella. Se me pedir, farei de você uma mulher... completa.
Eu não pude fazer nada, apenas sorrir.
–Agora...tente não ficar mais ansiosa, ok?
–Ok.
–Há algo mais que queira falar?
–Não de mim. – dentei de bruços, com os cotovelos na cama.
–Ok, escolho "verdade". Pergunte. – ele ia virar os olhos, mas desistiu e começou a analisar pequenos cachos do meu cabelo.
– Acha que vai resistir com uma virgem?
–Te pergunto o mesmo. – ele franziu o cenho. – Eu já te falei, Isabella. Eu quero ficar contigo, não pelo sexo especificamente. – ele me olhou.
– Então não pensa na gente... assim?
– Por que está preocupada com isso?
–Porque às vezes, tipo quando estamos na lagoa... eu sinto que você... sinto que você quer.
–Eu nunca disse que não queria. – ele olhou para cima, soltando meu cabelo. – E sim que posso esperar.
– Então... você quer?
– Absolutamente. – ele me olhou novamente, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo, e eu corei, sorrindo de lado. – Isabella, eu sou um homem. Eu já transei. Várias vezes. – ele riu. - Qualquer homem tem tesão, desejos, vontades, sei lá como você quer chamar. Não sou diferente. É claro que tenho curiosidades sobre você.
Após alguns instantes, confessei.
– Eu acho que quero fazer também. – falei bem baixo, e fechei os olhos, sorrindo. – ele virou para o lado, me olhando. – Ainda estou pensando, quero dizer.
–Vai ter que parar de corar toda hora. – ele riu. – Ou não vou conseguir nem tirar sua blusa, no dia. – eu franzi os olhos tentando imaginar, e ri.
–Eu sei.
–Então por isso tem lido romances proibidos. – era mais uma afirmação do que uma pergunta, e eu quase sentei, o encarando.
–Eu não leio romance erótico.
–Ah, lê sim. E fica toda alegrinha nas partes mais claras. – ele riu e eu bati de leve em seu braço.
–Eu não faço isso. – protestei.
–Você leu um e ficou corada. Quando saiu, vi que marcou na parte que eles trepavam.
–Edward! Não acredito que fez isso.
–Por que? Fiquei curioso. E você facilitou marcando a página. – ele continuava rindo. Eu deitei na cama de novo olhando pra cima.
–Bem, eles não estava "trepando", como você diz. Eles fizeram amor. – mordi meu lábio superior, quase sorrindo. E o livro não é proibido.
–Mulheres... – ele imitou minha posição e revirou os olhos.
–E quanto a nós, por enquanto, ficamos nesse meio termo. – deixei claro.
–Meio termo? – ele sentou para me olhar.
–É. Você sabe – virei os olhos.
–Não sei. Tipo... dando uns amassos?
Eu fiz cara de desprezo pra ele.
–Nós podemos trocar carícias, Edward. Eventualmente. Isso que eu quis dizer. – ele sorriu com expressão de animação e deitou de novo.
Eu olhei de lado para ele e pensei seriamente se ele poderia ser capaz de esperar para ir comigo pra cama. Edward nunca foi romântico antes de me conhecer e já tinha deixado claro que nunca gostou de ninguém. Certamente eu não ouviria aquelas tais três palavras tão desejadas da sua boca. Mas ele estava fazendo um esforço para mudar. Ele conseguia ser romântico comigo e nem parecia o resmungão que aparentava ser na rua. Mas ainda era uma incógnita se ele seria capaz mesmo de levar a frente um namoro assim. Se ele era capaz de... me amar.
Ele quebrou o silêncio quando me viu séria, olhando para cima.
–Amanhã vamos para a vila de carro. Vou para o hospital cedo e depois te pego aqui.
–Tá.
–Mal acredito que consegui terminar tudo.
–Você foi louco em fazer duas ao mesmo tempo. Deve ter sido puxado.
–Foi loucura mesmo. Mas era tudo ou nada.
–E agora?
–Agora o que? – ele me olhou.
–O que vai falar. Seus pais vão quere te ver em algum escritório. – usei aspas imaginárias com os dedos.
–Eu sei. Meu...pai – era difícil ele falar a palavra. – havia dito que iria trabalhar com ele em dois anos. Ele disse para eu viajar nesse tempo e fazer todas as bostas que quisesse porque depois eu assumiria os compromissos da família. – Ele olhou para a parede atrás de mim, desconfortável com o assunto. – Eu não disse como usaria esses dois anos, então... terei tempo para terminar o que quero.
–Ele não vai espiar o que você anda fazendo?
Edward fez uma careta que claramente dizia "meu pai está se lascando pra mim", de um jeito mais grosseiro, é claro.
– Tem um escritório de advocacia na própria faculdade. Eu vou fazer um estágio curto lá, só pra enganar. E darei aos lobos o que eles querem. Entro na maldita área e me deixam em paz. – ele me olhou, ainda sério.
Aquilo pareceu um "desculpa, não quero mais falar sobre isso", e eu parei, entendendo apenas pelo seu olhar.
–Bem, tenho muito orgulho de você e de como está se saindo nesse pequeno caos. – repeti, tímida.
Edward forçou um sorriso e virou na cama, indo para cima de mim, e me beijou com carinho.
–Isabella, você é a melhor coisa que aconteceu na minha vida nesses últimos tempos. –ele disse enquanto eu fazia carinho nos seus ombros.
Sorri, corei, quase chorei. Ele roubou meu coração ao dizer aquilo.
E sim, ele talvez ainda pudesse amar.
Eles me arrastavam pelo chão de novo.
Gritavam no meu rosto.
Queriam... me matar.
Acordei berrando e chorando no início da madrugada. Edward estava saindo do banheiro e levou um susto tão grande que quase teve um treco comigo. Ele berrou um "porra" direto da porta e correu, me abraçando e tentando me acalmar.
–Você precisa se acalmar. Já acordou, agora respire. – ele esfregava minhas costas por baixo da blusa, e eu chorava.
–Eu cansei, Edward. –olhei para ele, chorando. – Não quero mais esses pesadelos. – soluçava.
Ele gentilmente largou minha mão e foi até a cozinha pegar água com açúcar. Me deu o copo e depois o colocou vazio no chão.
–Precisa ser forte, Isabella. Amanhã tudo vai melhorar. Cadê sua marra, moleca? – ele apertou minha bochecha e deitou abraçado comigo na cama. Por algum motivo, me acalmava quando deitávamos assim.
Não conseguia enxerga-lo direito, com a vista embaçada de sono.
Senti que estava muito calor e me descobri.
Tirei a bermuda deitada na cama. Vestia só uma calcinha e sua blusa, que também dobrei nos braços. Edward me abraçou de novo e beijou minha testa, sempre tentando me proteger.
–Está melhor?
–Dor de cabeça. – eu secava as lágrimas enquanto ele me abraçava por trás, agora fazendo carinho na minha cabeça.
–O que mais?
–Nada.
–Tenta dormir. Vou ficar aqui.
Segurei na sua mão e ele deixou presa na minha, pousada na minha barriga.
–Melhor?
–Sim. – me espreguicei.
–Se distraia. Leia um livro. Volto em breve para te buscar.
–Não tenho mais o que ler. Acabei todos. – esfreguei as mãos nos olhos, que provavelmente ainda estavam vermelhos.
–Porra, que rápida. Olha, se sairmos cedo da vila, te levo numa livraria.
–Não precisa ir só por isso.
–Eu tenho que comprar uns livros, você escolhe alguns para você.
–Então tá. Devo fazer o almoço?
–Não, vou trazer alguma coisa pra gente. E amanhã de noite a gente pode sair, se você quiser.
–Vamos ver. – o olhei ainda grogue da péssima noite.
–Até mais. – ele sorriu e se aproximou, me pegando pelas costas e me dando um beijo apaixonado, ignorando completamente minha cara de sono.
–Até, Edward.
–Cuide-se. – ele piscou e saiu com a Harley.
Eu entrei para pegar meu violão e tentar tocar alguma coisa.
–Medo? – Edward perguntou, sorrindo de lado.
–Não. – o deixei tirar todo o sangue que queria, torcendo para aquilo acabar logo. Eram cinco frascos e se fosse outro médico, provavelmente eu já teria desmaiado. Edward colheu o mais rápido que pôde, e colocou um algodão no meu braço.
–Perdão por isso. – ele derramou álcool em uma gaze e passou pelo meu nariz, para evitar meu mal-estar. Depois acariciou minha mão, sabendo que eu odiava ver agulhas.
–Tudo bem.
A vila de Tacoma era bem simples, o que eu gostei. Era perto de onde a cabana ficava, na verdade. Segurei tensa em sua mão. Edward a apertava e me olhava enquanto esperávamos pelo Dr. Masen na clínica. Para todos ali, eu ainda era irmã do seu melhor amigo. Somente nós três sabíamos da minha história, e somente Edward e eu sabíamos do nosso namoro. Não queríamos comentar com o Dr. Masen. Nem precisava. Quando ele entrou na sala e viu Edward acariciando minha mão, depois de tirar a borracha muito apertada do meu braço onde colheu sangue, franziu os olhos e fechou a porta atrás dele, nos perguntando.
–Estou interrompendo alguma coisa? – ele tentou não sorrir e ficar o mais sério possível.
–Não, senhor. – Edward disfarçou e soltou minha mão, dobrando meu braço para cima enquanto levantava. – Dr. Masen, Isabella. Isabella, Dr. Masen.
–Prazer, Isabella. Ou Mary? – ele sorriu.
Edward já havia contado a ele que eu lembrei o meu nome.
–Só Bella. – o cumprimentei com o braço livre, e depois cocei o local onde a borracha apertou.
–Vou deixa-los a sós e ver se alguém precisa de mim lá na frente. Até mais, Isabella.
–Tchau, Edward. – eu sorri para ele e Dr. Masen nos olhava, intrigado.
–Então, minha jovem Isabella...
–Só Bella, por favor. Edward insiste em me chamar assim. – repeti, e o Dr. Masen sorriu, enquanto pegava o medidor de pressão e uma pequena luz, não tenho ideia para que.
–Edward sempre foi teimoso.
–Eu sei! Ele é assim.
Dr. Masen franziu os olhos e sorriu, pegando a luz e levando até meus olhos.
–Bella, farei alguns exames de rotina. Vou marcar alguns exames para checarmos se tudo está bem e depois vamos conversar um pouco sobre você.
–Tá.
Dr. Masen me examinou. Não foi muito diferente do que Edward fez comigo nos quase dois meses em que nos conhecíamos. Talvez o mais diferente tenha sido uma série de marteladas no joelho. Ele disse que meus reflexos eram ótimos e eu sorri. Depois marcou alguns exames neurológicos para os dias em que Edward me levasse à vila. Aparentemente, eu iria estrear um equipamento que veio de manutenção do hospital, e eu nem decorei seu nome.
Todo o processo não demorou mais do que uma hora, e então ele sentou-se à sua mesa, e eu, na cadeira de paciente.
A série de perguntas começou também parecida com o que Edward já havia me perguntado. Perguntou sobre minhas memórias do passado, o que eu gostava de fazer, até que a conversa finalmente tomou um rumo diferente. Senti-me num verdadeiro talk show, e aquilo era bizarro.
– Certo, Bella. Agora fale de você e Edward.
Eu só poderia ter duas cores naquele momento, estampadas em meu rosto: vermelha ou branca. O Dr. Masen escrevia por cima de um livro com caligrafia não estranha. Acho que era a letra do Edward, mas ali estava mais arrumada do que nos garranchos de anotações em seus livros. Ele levantou os olhos quando me viu calada.
Eu tentei disfarçar.
–Nós somos... dois grandes amigos. – eu sorri torto, mordendo o lábio superior, sem graça. - Edward é meu melhor amigo. Isso é óbvio. – eu virei os olhos e Dr. Masen balançou a cabeça.
– Como ele trata você?
– Bem. Ele é ótimo.
– Soube que mora com ele. Conte como é a convivência.
–Dr. Masen, isso faz parte da consulta? – eu perguntei sem querer, e ele levantou os olhos, tirando os óculos e encostando na cadeira.
–Sim, Bella. Eu não estou lá, então preciso saber de tudo o que acontece com você. E se isso inclui Edward, também faz parte da consulta.
–Certo. – franzi os olhos.
–A menos que tenha algo muito pessoal que não queira me contar. – ele esboçou um sorriso, e eu corei.
Dr. Masen era um jovem senhor, mas era muito bonito. Talvez tenha alguma química estranha no ar de Washington que atraia médicos bonitos.
–Não. Sim. Bem, eu... – comecei a gaguejar. – Olha, ele é o melhor amigo que eu poderia ter. Se não fosse por Edward, não estaria mais aqui. Ele me salvou, cuidou de mim, me deu abrigo e comida. E roupas – olhei o que eu vestia e balancei os ombros, enquanto o Dr. Masen me olhava na cadeira. – Não tenho o que reclamar dele.
–Já reparou como anda o humor dele enquanto está contigo?
– Muda constantemente só quando falamos dele... Eu sei que Edward tem problemas pessoais, mas ele parece estar lidando bem com a vida... longe de casa. – Voltei o foco para nós dois. - Edward me protege desde o primeiro dia. Ele agora está numa fase de me agradar e querer ser meu... grande... melhor... – limpei a garganta escondendo a palavra. – ele quer ser o melhor amigo que eu poderei ter.
– Como ele faz isso? – Dr. Masen sorriu com minha pequena confusão.
–Ele me leva para passear bastante.
–Isso é perigoso. – ele franziu os olhos.
–Foi o que ele sempre me disse. Mas depois que passaram algumas semanas do meu "aparecimento" – usei aspas imaginárias no ar, e Dr. Masen continuava esboçando um quase-sorriso. – ele disse que podíamos sair para alguns lugares. Desde então sou sempre a irmã do seu amigo Nestor. Criamos uma história e até agora deu certo. – eu ri e Dr. Masen tentava acompanhar.
–Então ele sempre te trata bem?
–Sim.
– Nunca presenciou nenhum comportamento estranho dele?
–Não que eu lembre. - franzi os olhos, sem entender.
–Isso é formidável – Dr. Masen voltou a ler o livro e eu fiquei sem entender por que aquelas perguntas sobre o comportamento do Edward.
–Que tipo de comportamento estranho ele poderia ter? E... o que é formidável?
–Bella... a consulta é sua. Perdão por desviar o foco.
–Tá, mas se ele faz parte disso tudo... e o senhor o conhece há mais tempo... acho que poderia me falar. – tentei usar seu mesmo argumento.
Dr. Masen me olhou de lado, hesitou um pouco e voltou à sua posição inicial.
Ele sorriu.
–Bella, há muito sobre o Edward que você ainda vai aprender. Ele é um rapaz um pouco atormentado.
–Eu prometo que nada sairá daqui. Sei que nos conhecemos há pouco tempo, mas Edward sempre fala bem sobre o senhor, de como o ajudou e de como ele é grato, e ele gosta de verdade do senhor. Eu nunca entendi algumas coisas e ele parece não gostar de tocar no assunto "vida pessoal" – usei aspas imaginárias novamente. – comigo.
–Não sabia que ele falava de mim com admiração.
–Ele já falou várias vezes. – me inclinei na mesa, tentando o convencer. – viu? Eu disse algo novo, o senhor deveria fazer o mesmo.
–Boa estratégia, Bella.
–Não falarei nada sobre essa conversa com ele. Por favor... eu gostaria de saber mais sobre ele.
– Então ele não fala nada sobre a vida dele contigo?
–Fala. Já falou sobre como seus pais são severos, como ele foi insano de cursar duas faculdades escondido, como ele admira o senhor, e mencionou que sua família tem algo a ver com a política.
O Dr. Masen sorriu, pensou um pouco, e resolveu falar.
–Bella, você sabe bastante, se comparada aos próprios colegas dele. Edward é mesmo misterioso. Mas acima de tudo, ele tem um bom coração. Não o julgue.
– Não farei isso.
– Vou te contar algumas coisas porque acho que deveria saber. – ele me olhou e continuava sorrindo. – Edward mudou completamente de uns tempos para cá.
–Como assim?
–Ele é outro. Agora chega sorrindo, arrumado, limpo e parece mais jovem, de acordo com a idade dele. Ele está mais esperançoso no próprio trabalho. Edward sempre foi bom no que faz aqui, mas eu temia que faltasse... um pouco de fé no seu trabalho, e que eventualmente ele acabasse desistindo. E a perda de um talento como ele, seria uma lástima.
Cada vez mais, a história dele me deixava curiosa.
–Já percebi que ele é meio nerd com os estudos. – nós rimos. - Como ele era antes? – estava com os cotovelos na mesa, ouvindo tudo com o maior interesse do mundo. Descobrir mais sobre Edward numa conversa com um conhecido seu era algo raro. Tinha que fazer o assunto render.
– Antes, era triste, mal-humorado, ansioso e... grosso, digamos assim, com as mulheres. – eu ri quando o Dr. Masen falou em ansiedade, já que Edward me acusava de ser assim. Mas fiquei super confusa sobre sua situação com as mulheres. Voltei minha atenção às suas palavras. – Ele nunca aceitou bem algumas situações... e sua família. Por isso, sempre foi rebelde e fechado.
– Ele já comentou comigo sobre esse mal-estar familiar. Acho que esse foi o único ponto claro bem que ele me revelou... e acho que isso explica algumas experiências dele com... coisas estranhas.
– Ele já fez muita besteira sim, Bella. Mas agora, é impressionante como mudou. Lembro que no mês passado ele apareceu aqui a ponto de ter uma nova crise. E de um dia pro outro, simplesmente mudou. Tenho percebido uma grande mudança nas últimas semanas.
Eu apertei os olhos, fazendo uma conta rápida. Fazia praticamente dois meses que nos conhecíamos. O Dr. Masen percebeu e confirmou minha sensação.
–Bella, acredito que toda a mudança no comportamento de Edward pode ter a ver contigo.
–Verdade? – franzi os olhos. Edward já havia me dito algo parecido sobre como estava mudando, mas eu nunca levei a sério pensando que ele estava jogando charme para cima de mim. Ouvir aquilo de alguém de fora, mais velho e amigo dele, era revelador.
– Certamente. Creio que ele tenha... uma grande afeição por você. Nunca sentiu isso?
–Sim. – sorri de lado e provavelmente corei. – Só que nunca soube que ele parecia realmente outra pessoa antes. Quer dizer, eu sei que ele experimentou algumas coisas proibidas, e só. E isso é o mais distante do Edward que eu conheço. Mas ele é diferente comigo.
–Ele se preocupa muito contigo. – Dr. Masen virou o livro para eu ler.
Me aproximei da mesa e vi que era um registro médico minuciosamente escrito... sobre eu mesma. Virei as páginas voltando para o início e, para meu choque, tudo era sobre mim. Desde o primeiro dia. Tudo. As marcas em meu corpo, a posição que eu estava na estrada, minhas taxas de glicemia e pressão, os resultados dos meus exames de laboratório. Passei as páginas, encontrei minhas primeiras palavras para ele. Minha cicatriz. Meus pesadelos. Tudo. Edward devia ser louco.
Tive vontade de bater nele por nunca ter me falado sobre aquilo. Acho que apenas sorri. Dr. Masen me olhava enquanto eu lia. Tive que esconder minha expressão de "porra, que louco" que estava pensando. Lembrei-me de quando eu tentava ler suas anotações, ele as fechava e me dava outros livros disfarçando.
– Edward é exagerado. – eu disse, ao ler a palavra "teimosia" escrita em seu registro, perfeitamente grifada.
– Acho louvável que vocês dois sejam tão amigos. Talvez você também esteja fazendo muito bem para ele, sem saber. Edward também tem problemas, Bella. Não se deixe enganar. Ele sempre sofreu em silêncio, e isso sempre me preocupou. Fico feliz em ver que ele esteja com uma boa companhia.
Eu sorri. Mas esperava que o Dr. Masen não tivesse notado nada além do que Edward e eu deixamos escapar. E não pude deixar de perceber que havia algo errado quando ele mencionou o sofrimento solitário de Edward. Aquilo eu não entendi muito bem. Parecia que tinha algo por trás, além do que eu sabia. Quando eu ia perguntar sobre o assunto, alguém bateu na porta. Vieram chamar o D. Masen para a sala de emergência. A consulta acabou e eu não pude perguntar mais nada.
–Bella, desculpe. Preciso ir, espere por Edward aqui. Até amanhã.
–Tudo bem, até amanhã, Dr. Masen. Foi um prazer lhe conhecer.
–O prazer foi meu. – ele tentou sorrir, mas não conseguiu. Apertou as minhas mãos e logo estava na porta, com pressa.
Esperei na cadeira até começar a ficar impaciente com tanta demora para alguém entrar ali. Passaram-se mais de trinta minutos. De repente, ouvi um choro de criança. Na verdade, era um bebê. O som insistiu por alguns minutos, até diminuir e, por fim, parar. A porta se abriu, e Edward entrou. Ele estava suando e usava um jaleco branco.
Eu... tremi.
Ao vê-lo entrar pela sala e fechar a porta, meu queixo foi provavelmente no chão. Ele ficava lindo de terno, mas de jaleco era algo do outro mundo. Eu confesso que tive vontade de pular em cima dele, mas continuei ali, sentada como uma trouxa na cadeira.
Ele me olhou enquanto eu estava o admirando, e sorriu de lado.
–O gato comeu sua língua? – ele brincou.
–Ainda não. – eu rebati, perplexa. – Mas bem que o gato poderia... – sorri de lado e ele aprovou meu projeto de cantada com a cabeça.
–Muito bem. Ele vai comer quando chegar em casa. – Edward sussurrou e se inclinou rápido, dando um selinho em mim.
Eu corei, com certeza.
Tentei disfarçar, limpando a garganta, e vi algumas gotas de sangue na sua roupa.
–Estava chorando? – perguntei.
–Quem, eu?
–É...ouvi um choro de bebê. – Edward se afastou e riu, enquanto ele tirava o jaleco.
– Se fosse eu, te diria que chorei porque quero mam... deixa pra lá. – ele coçou a cabeça e mudou o foco. – Estava atendendo um recém-nascido. – Ao perceber que eu olhava as manchas de sangue, explicou. - Ele está um pouco ferido, mas estável. Vai ficar bem.
–Um bebê? Sério?
–Sim. Ele tem cerca de quinze dias. – Edward sorriu.
–Não consigo te imaginar carregando um bebê.
–Já carreguei alguns, Isabella. Não muitos. O de hoje chama-se Jacob e é todo enrugado.
–Não me lembro de ter visto um bebê enrugado antes. – tentava puxar pela memória, mas era em vão.
–Quer ver um agora? – ele perguntou, enquanto guardava o jaleco na bolsa.
–Você estava tão sexy de jaleco, Edward. – me distraí do assunto e pensei alto demais. – Foi bom ter vindo porque agora sei que verei isso com meus próprios olhos com alguma frequência.
Edward me olhou torto e riu enquanto arrumava a roupa na bolsa. Devia estar chocado com o que eu disse...ou não.
–Bom saber que gostou. Talvez da próxima vez possamos brincar de médico. – ele riu e piscou.
–Ok... –virei os olhos envergonhada. - Então, quero ver o bebê. – cocei o braço que ele tirou sangue. Eu era tão pálida que o local onde foi amarrada a borracha, ainda estava vermelho.
–Ele está na enfermaria, sendo vestido. Vamos.
Edward pegou sua pasta, saímos e ele trancou a porta. A clínica era muito simples, mas os pacientes eram aparentemente bem cuidados.
Quando entramos na enfermaria, Edward me deu um tipo de roupa especial e mandou eu lavar as mãos. Ele fez o mesmo e entramos. Era uma ala pequena, de recém-nascidos. Havia duas incubadoras, e apenas uma estava ocupada. Quando me aproximei do bebê, um enfermeiro estava saindo com um lençol enrolado, provavelmente sujo. Jacob era lindo, parecia um índio de desenho animado. Mas estava com os pés enfeixados, e dava para ver marcas vermelhas, em carne viva, entre suas pernas.
–O que aconteceu com ele? – perguntei aflita a Edward, que estava ao meu lado.
–Está machucado... com queimaduras.
Meu coração doeu. Como alguém poderia deixar aquilo acontecer com um recém-nascido? Jacob era tão lindo.
–Que droga. – olhei para o bebê, triste.
–O pai está internado na UTI do hospital. Estava apenas com ele, e só conseguiu falar que é prematuro de duas semanas. Trouxemos o bebê porque ele não está fora de perigo, e é mais perto para eu ou outro médico olhar.
–Quem fez isso? – eu não tirava os olhos das perninhas de Jacob, e Edward me olhou rapidamente.
–Eu te disse que Yellow Woods não é um lugar seguro para quem chega. – ele estava sério, me olhando.
–Tirando essas feridas, ele está bem?
–Está. Teve febre, mas está bem. Estamos o mantendo aqui somente porque a pele é fina e pelas feridas. Mas o peso está bom. – Edward voltou o olhar para o bebê, levantou as mãos dele e sorriu de lado. –Vê? Todo enrugado.
– Posso tocar nele? – perguntei, sorrindo.
–Contanto que não o quebre.
Peguei nas mãozinhas de Jacob e ele era realmente todo enrugado. Fiz carinho na palma da mão dele e ele abriu os olhos, me olhando.
–E o pai? Vai ficar bem?
–O pai está numa pior... está em coma. Ainda não sabemos da família. Ficaremos com ele até aparecer um parente ou o pai melhorar. – Edward sorriu enquanto observava minha atenção e os olhos de Jacob em minha direção. Ele parecia querer sorrir também.
–Ele é uma gracinha. – eu sorri.
–Moleque esperto. Não tira os olhos de você. – Edward riu.
–Cala a boca, Edward. – eu balancei a cabeça. – quem vai cuidar dele aqui?
–Vamos revezando. Temos quatro médicos e quatro estagiários, todos terão que passar por aqui. Por essas e outras precisamos de alguém na ala infantil. Preferencialmente uma moça. – ele me olhou, sugestivamente.
–Bem, olhando assim, acho que é um bom trabalho. – sorri, enquanto Jacob agarrava meu dedo com sua mão. Ele começou a bocejar, e os olhos ficaram apertadinhos.
–Ele precisa descansar. Vamos à livraria? – Edward sorriu, me olhando.
–Vamos. – pousei as mãos do bebê no lençol, delicadamente. – Tchau, Jake! – sussurrei. Edward ajeitou a cabeça de Jacob no pequeno travesseiro e me levou para fora dali.
10. REVELAÇÕES (PARTE II)
Pegamos a Harley e Edward estava interessado em saber sobre meu dia.
–Como foi com o Dr. Masen?
–Bem. Ele é bem legal.
–Amanhã você vem comigo de novo, mais cedo.
–Ele disse que meus reflexos são bons. – eu ri, enquanto esperávamos o sinal abrir.
– Ah, claro. Porque você deixa os maus reflexos para tropeçar perto de mim. – ele riu, e eu revirei os olhos.
Quando chegamos ao subúrbio de Seattle, Edward andou comigo até uma pequena livraria em um beco. A rua era praticamente boêmia, e a fachada da livraria não fazia jus ao interior. Era imensa.
–Acredito que literatura fique ali. – ele se inclinou para falar ao meu ouvido e apontar a direção. – Pegue o que quiser. Vou ver os meus e já volto.
–Tá bom. – eu sorri e Edward desapareceu pelo salão atrás de mim. Entrei na seção de romances e escolhi três. Coloquei na cesta e percebi alguns títulos eróticos na prateleira da parede, ao meu lado. Olhei para trás pra ver se estava sozinha, totalmente culpada pelo que ia fazer, e fui até ela. Olhei os nomes e escolhi o mais apropriado. "Doce Pecado". Não soava pesado. Peguei para folhear e ver se o conteúdo iria me agradar. Parecia interessante, e o coloquei na cesta, entre os outros. Quando me virei, gelei. Edward estava sentado na cadeira à minha frente, de perna cruzada e me olhando, sorrindo maliciosamente.
–Só um?
–Já é o quarto. – corei.
–Desse gênero você só pegou um. – ele levantou e foi até onde eu estava, me olhando.
– Edward... para. – eu fiz uma careta.
–Esses são geralmente mais baratos. Pegue mais. – ele falou baixo. – Olha. – ele pegou um livro igual na prateleira e olhou na capa o preço. – Viu? Três dólares. Pegue outros. Eu sei que gosta desses. – ele riu baixo.
–Cala a boca. – Empurrei o livro devagar nele.
–Vou olhar as novidades. Me encontre perto do caixa depois.
–Tá.
Voltei a escolher mais dois livros. Eu queria mais cinco, mas Edward provavelmente me chamaria de tarada se visse mais romances eróticos do que livros de literatura. Virei os olhos para meu próprio pensamento e deixei tudo como estava. Três de literatura e três romances eróticos. Escondi os últimos entre os outros dentro da minha cesta.
Era uma forma de esconder minha própria vergonha.
Quando voltei para o salão principal da livraria, Edward estava olhando o jornal. Ele se levantou e pegou minha cesta.
–Terminou?
–Sim. – eu sentei na cadeira onde ele estava e deixei-o sozinho no caixa. Quando ele tirou os livros para o balcão e o funcionário da loja o olhou de lado, apático, Edward virou para mim.
–Mary, devia ter pego mais. – ele prendeu uma risada e o atendente viu que eu estava com ele.
–Só quero esses. – balancei o pé, completamente irritada e envergonhada.
Edward voltou com nossas sacolas e eu o olhei furiosa.
–O que? Ele ia pensar que eram meus. – ele disse bem baixo.
–Podia ter ficado calado.
–Quer saber? Vai já anoitecer. Tem uma lanchonete no outro salão, vamos jantar? – ele convidou.
– Tá.
Entramos na lanchonete da livraria e pedimos lasanha. Eu, de frango e Edward, bolonhesa. Ele me contou sobre seu primeiro dia apenas como trabalhador, e eu fiz algumas perguntas sobre a vila e a clínica.
Edward e eu estávamos muito bem. Ele me entendia, me respeitava e eu não podia pedir mais nada de um namorado como ele. Olhava para ele enquanto falava sobre seu trabalho, e por um momento me desconcentrei, reparando como era bonito. Era um pacote completo. Inteligente, lindo e atencioso, pelo menos comigo era perfeito. Ele parou de falar quando percebeu meu olhar, sorrindo como uma boba.
–Que foi? – ele bebia seu suco enquanto me olhava.
–Nada... por que?
–Está com esse olhar de peixe morto.
– Não é olhar de peixe morto. – eu repreendi e voltei a rir.
–Está flertando em público. – ele disse baixo, desconfiado.
–Talvez. - virei os olhos e ele riu. – Tá bem, estou. Algum problema?
–Não lembro de ter visto você fazendo isso antes. Geralmente eu que flerto. – ele sorriu, estranhando.
–Não na sua vista. Cansei de esconder com meu "olhar sem expressão".
–Fica bem atraente flertando. – ele riu quando eu falei.
–Ok... – olhei torno - vamos?
–Quer ir pra ca... – ele observou um senhor chegando perto de nós. – sua casa?
–Quero. Meu irmão não vai gostar se me levar tarde. – eu falei num tom quase debochado e ele riu de lado.
Edward pagou a conta e fomos até o estacionamento. Ele arrumou as bolsas no baú da Harley e subimos.
Mal chegamos na cabana, e a chuva começou a cair.
Tomamos nossos banhos e não havia mais nada para fazer, então sentei na cama enquanto ele colocava os livros no armário. Eu não tirava os olhos dele, quase sorrindo. Não conseguia mais negar: meu namorado era... definitivamente tão sexy que até arrumando livro me fazia suspirar.
– Quer alguma coisa, Isabella?
–Não, por quê? – balançava os pés na cama.
–Está me olhando tanto.
–Nada. Apenas olhando. Você ficou sexy de jaleco.
–Já sei, já me disse isso. – ele riu, me provocando.
–E cuidando do bebê também. – eu ri.
–Fiquei sexy cuidando do bebê? – ele fez uma careta, como se eu dissesse algo ridículo.
–Sim, todo machão e tal, e troca fraldas. – eu ri.
–Não troco fraldas. Eu apenas vejo se ele está bem, troco os curativos e vejo se está com febre. – ele sentou ao meu lado. – Basicamente, isso.
– Que seja. – sorri, flertando.
–Se continuar fazendo essa droga, vou achar que quer que eu faça um em você.
–Um o que?
–Um bebê.
–Não, obrigada. – franzi os olhos, assustada. – Estou muito longe disso, e você bem sabe.
– Não será virgem para sempre. – ele me olhou, rindo maliciosamente.
– Não, só não pretendo fazer isso agora. – me afastei dele na cama.
–Eu não disse que será agora. – ele levantou as mãos, se desculpando. Depois se inclinou e quase me beijou. – Mas vai perder qualquer hora.
– É isso que você quer, né? – apertei os olhos para ele, ficando bronqueada.
– Já te disse que nunca disse que eu não quero.
–O que? – fiquei confusa.
–Deixa pra lá. – ele riu.
Me inclinei para beijá-lo, e ele se afastou um pouco, balançando a cabeça.
Edward estava negando um beijo meu pela primeira vez na nossa história.
Droga.
– Isso é sério? – perguntei, incrédula.
–Perdão, não posso fazer isso agora. – ele disse, coçando a cabeça.
–Por quê? – olhei desconfiada.
–Porque com esses olhares e essa conversa toda, acho que se te beijar vou fazer algo estranho.
–Como o que? – o olhava bem de perto, pra ver o quanto ele iria resistir. Mordi meu lábio inferior num esboço de sorriso, e ele se perdeu na minha boca.
–Como isso.
Edward mordeu meu lábio inferior quando o soltei, e me beijou com fervor. Foi inesperado, mas ainda tinha mais por vir.
Segurei no seu pescoço enquanto ele me beijava, com as mãos enterradas no meu cabelo molhado. Seu beijo ficou mais intenso, e senti sua língua brigando com a minha. Ele, despreocupadamente, desceu a mão pelas minhas costas enquanto trabalhávamos nos nossos lábios, e ela pousou na minha cintura. Ele a colocou por debaixo da minha blusa e subiu novamente, por toda a minha coluna.
Sua mão era quente, macia e enorme, o que fazia com que ele tivesse quase total controle quando me segurava. Ele massageou minhas costas enquanto nos beijávamos e o contato da minha pele nua com a dele me deixou arrepiada. Me aproximei mais dele, e ele encostou na parede por trás da cama.
Sua mão não saiu de mim, e aquilo não estava apenas me aquecendo.
Edward estava... me deixando louca.
Eu sentei na perna dele e o deixei massagear minhas costas por longos minutos enquanto nos beijávamos. Quando me mexi um pouco em cima dele, encostei minha perna sem querer na frente da sua calça, e o senti de novo. Edward estava excitado, ainda que não estivéssemos fazendo nada além de nos beijarmos. Suas mãos desceram lentamente para minha cintura, onde ele apertou meus quadris enquanto eu o beijava. Logo, ele tocou nas minhas coxas, e agarrou as duas com vontade, diminuindo o ritmo dos beijos.
Ele começou a acariciar minhas pernas de forma mais calma, e parou de me beijar. Abri meus olhos. Ele mantinha o foco nos meus.
–Tudo bem, eu disse que podemos nos acariciar.
–Isso não te dá medo, Isabella?
– Não. Por que? – prendi meus braços ao redor do seu pescoço.
–Porque não quero... não posso, mas parece que vou te desrespeitar.
–Não vai não. – eu ri com sua preocupação e pelo fato do jogo estar virando novamente. – Eu confio em você, Edward.
Eu... o queria.
–Se fosse você, não confiaria em mim nessas horas. – ele balançou a cabeça e riu, sem graça. Logo virou os olhos e bateu a testa na minha, brincando. – Mesmo sabendo que farei o possível para esperar. – ele piscou.
–Pode esperar mesmo? – eu massageava as costas dele.
–Acho que sim. Com uma condição.
–Qual? – eu olhava atenciosamente.
–Vai ter que ser comigo. – ele sorriu, ironicamente.
–Com quem mais seria? – bufei.
–Sei lá, quando saímos esses caras ficam te olhando... vai que você acha alguém mais bonito ou mais legal? – ele tirava meu cabelo do rosto. – Na clínica mesmo... não sou o único estagiário.
– Tem ciúmes?
–Tenho. – ele me olhou, agora mais sério.
–Isso é bom. – sorri e dei um selinho. Nossos olhos estavam no mesmo nível, e ele sorriu. – Mas não precisa.
–Acho bom. – ele fingiu um ar de convencimento.
Agora sim.
Naquele momento, senti que Edward era meu primeiro, grande e verdadeiro amor. Queria beijá-lo e me entregar ali mesmo, dá-lo a prova de que era ele. Só seria ele.
Estava totalmente disposta a ir contra os meus valores naquela hora.
– Não seja burro, Edward. Eu te am... – ele tampou meus lábios com a mão, e eu levei um susto.
Ele levou um susto.
Fechou a cara e ficou branco, me olhando em estado de choque.
Eu soube na hora que ele não queria ouvir. Eu o amava, espontaneamente, mas ele não quis ouvir.
Ele soltou meu corpo e eu imediatamente saí do colo dele, sentando ao seu lado, na cama.
– Precisamos acordar cedo amanhã. – falava secamente, e aquilo foi um golpe em mim. - Vou dormir. Boa noite.
Merda.
No exato momento em que tive a certeza que o amava, ele quebrou meu coração. Fiquei completamente frustrada e indignada com sua atitude fria.
Ele teve a coragem de arrumar sua cama no chão, apagar a luz e realmente deitar para dormir. Sem virar para minha direção. Totalmente indiferente. Eu fiquei perplexa sentada na cama, e deitei com um grande sinal de interrogação na mente.
Não conseguia digerir nada, até lembrar da nossa conversa de semanas atrás, quando ele disse que nunca amou ninguém.
Eu era uma ninguém.
Na manhã seguinte, o clima continuava estranho. Quando acordei, Edward já estava vestido e havia feito o café. Ele, que sempre sorria quando eu acordava, nem virou da cadeira para me ver levantar. Quando voltei do banheiro, eu resolvi quebrar o silêncio.
– Bom dia. – me inclinei ao seu lado, virando o rosto para sua direção. Ele olhava a lagoa e tinha olheiras. – Você tá bem?
–Bom dia. Estou.
Fiquei arrasada ao ver que ele ainda estava estranho comigo. Eu não fiz droga nenhuma, apenas ia dizer que o amava. Que mal havia nisso?
–Acho que vou ficar por aqui. Diga ao Dr. Masen que acordei indisposta e que mandei um abraço. – falei, triste.
– Não. Você vai. Tome seu café e se arrume logo, vou esperar.
–Não vou sair com alguém que não está de bem comigo. Edward, o que eu te fiz?
–Nada. Eu simplesmente não estou bem. Vamos, se arrume logo.
–Então tá.
Ele não me beijou. Não me abraçou. Não conversou. Não disse uma palavra no caminho para a vila. Nem sorriu. Aquele devia ser o Edward que o Dr. Masen havia falado ontem. Até com ele Edward foi indiferente, o que fez o Dr. Masen nos olhar desconfiado.
Ele me consultou. Fez um encefalograma e mudou alguns medicamentos que Edward me prescreveu há dois meses. Eu estava com a cabeça em outro lugar, e ele percebia a todo momento.
Edward me deixou ali e seguiu para o hospital da faculdade. Ele voltaria na tarde.
O Dr. Masen não tinha muitos pacientes no dia, então logo voltou para sua sala. Ele me pediu ajuda para organizar alguns prontuários antigos, e eu não falei nada. Apenas fiz, sentada. Calada.
–Aconteceu alguma coisa, Bella? – ele levantou os olhos dos óculos.
– Não. – fui curta e grossa.
– Ontem estava mais animada. Edward também parece... estranho. De novo.
Eu o olhei e voltei minha atenção aos papéis.
–O senhor foi claro ontem que não queria falar sobre ele. Talvez saiba melhor do que eu. – respondi e meu tom o preocupou.
– Não foi minha intenção ontem, Bella. E agora não estou te atendendo. Podemos conversar enquanto espera por ele. Se quiser.
–Nem pensar. Minha cabeça está doendo. Ele está sendo um idiota desde ontem. – virei os olhos.
–Vocês dois brigaram?
–Não. Ainda não. Mas ele está pedindo por isso. – largava as folhas na mesa com raiva.
–O que Edward fez?
Eu larguei os papeis, já que não estava me concentrando mesmo. Olhei o Dr. Masen e ele estava de mãos cruzadas, curioso e me encarando, esperando por alguma resposta. Decidi fazer uma barganha.
–Se eu disser tudo, o senhor promete me dar detalhes que justifiquem Edward fazer essa palhaçada comigo?
–Sim. – ele continuava me olhando, curioso.
–Promete? – repeti.
Ainda não podia confiar sem ouvir uma promessa.
–Prometo, Bella.
–Tá. Espero que o senhor saiba mesmo manter segredos. - Dr. Masen sorriu e encostou na cadeira, esperando.
– Pode confiar, Bella.
– Edward e eu estamos... conversando melhor – o Dr. Masen continuava a sorrir como se já soubesse onde eu queria chegar, e então eu prossegui. – ele é legal comigo e me respeita, como eu disse ontem. Ele sempre foi um cavalheiro até... ontem à noite. Aí conheci o Edward que o senhor mencionou.
–O que aconteceu ontem à noite?
– Nós estávamos conversando e... bem, pela primeira vez eu quis dizer a ele que... gostava... um pouco dele. – contava meio embaraçada, e o doutor me olhava na expectativa. Eu resolvi falar. – E... que o amo... como amigo, é claro. – enfatizei a palavra tentando não ser clara, por mais impossível que fosse.
–Disse isso a ele?
–Não. Ele me interrompeu e está agindo estranho desde então. Ele não me olha mais. Eu não estou entendendo mais nada.
Dr. Masen olhou para baixo e limpou as lentes do óculos, sorrindo de lado.
–Bella, como te disse, ele é um jovem adulto atormentado.
–Qual é o problema dele com sentimentos?
– Não sei se estou certo, mas Edward não está acostumado a ser... amado por ninguém.
– E não deveria ser bom ouvir isso de alguém?
–Sim, mas as pessoas são diferentes. Olha, eu o conheço há muitos anos. Pense comigo. Ele não se sente confortável em casa. Não tem apoio nem afeto familiar. Não costuma se envolver com ninguém. De repente ele está conhecendo alguém, e acho que é sério, porque nunca o vi tão diferente, e essa pessoa quer mostrar um sentimento ao qual ele não está acostumado.
–Então o problema é esse?
–Não sei. Mas sabendo como é o gênio dele, é uma possibilidade.
–Mas eu o amo, Dr. Masen. – percebi o que disse e limpei a garganta, antes de me consertar e frisar. – como amigo, é claro. Eu só queria dizer.
–Dê um tempo a ele. Se esse for mesmo o problema... ele precisa se acostumar. Como eu disse, não o julgue. Ele já passou por muitas dificuldades, mas é um bom rapaz.
–Tá. Acabei de contar um segredo. O senhor pode não comentar com ele, por favor? Nem com ninguém.
–Não o farei, é uma promessa.
Eu sorri para o Dr. Masen. Senti certo conforto em poder dividir meus problemas com alguém mais velho e que conhecia Edward há muito mais tempo que eu.
– O que faz Edward sofrer em silêncio, Dr. Masen? Fiquei com isso na cabeça desde ontem.
–Eu deveria deixar para outra ocasião.
–Dr. Masen... depois da minha própria identidade, não há nada mais que eu queira saber nesse mundo que não seja sobre a vida dele. Quero dizer, ele é meu amigo – frisei de novo - e me permite saber tão pouco... Eu gostaria de saber mais para poder ser uma amiga melhor. Eu queria entendê-lo melhor.
O Dr. Masen respirou fundo e parecia calcular o que deveria fazer.
–Bella, ainda que seja inadequado falar sobre pacientes, irei te contar coisas sobre Edward que quase ninguém sabe. Isso porque vejo que vocês têm uma conexão especial que eu ainda não entendo, nem preciso entender. – ele sorriu, mas logo ficou sério. – E acho que você também pode ajuda-lo, se fizer algumas revelações.
–Eu juro por Deus que ninguém saberá.
–Não se impressione com o que vou falar.
–Tá bem.
–Edward já foi viciado em medicamentos e drogas. Ele tem depressão desde os dez anos de idade. E tentou se matar três vezes.
Quando ouvi aquelas palavras, foi como se um punhal fosse enfiado no meu coração, repentinamente. Eu nunca imaginaria que Edward era depressivo. Era fácil aceitar sobre nas drogas, naquele ponto, mas ouvir sobre sua condição e tentativas de suicídio, eu fiquei chocada.
–Acredito que isso ele nunca me contaria. – Olhei para baixo, com os olhos úmidos de choque.
–Provavelmente. Por isso eu disse ontem que é incrível como ele mudou de repente. – Dr. Masen sorriu quando viu uma lágrima cair do meu rosto.
Aquilo era demais para mim.
– Ele nunca ficou louco a ponto de cair pelas ruas, nunca surtou a ponto de espancar ninguém. Sempre se escondeu por trás do sofrimento. É solitário. As pessoas não sabem pelo que ele já passou. Vamos dizer que ele sempre usou uma máscara para conseguir viver. Mas, no fundo, ele está quebrado. Tente entende-lo, Bella. Provavelmente não reagiu assim por mal. Edward está mexido com o que quer que você tenha dito.
–Vou tentar. – limpei os olhos com as mãos e respirei fundo. – Dr. Masen... acha que os pais do Edward não gostam dele?
– Minha filha, o que eu posso afirmar é que eu sempre tentei ajuda-lo porque além dele ser o melhor aluno da turma, acredito que ele precisa de uma chance de ser feliz fazendo suas próprias escolhas.
Pensei em tudo que o Dr. Masen disse e a reação de Edward fazia muito mais sentido agora.
Eu poderia dar mais espaço a ele, apesar da sua atitude ainda me machucar. Isso, eu não podia negar.
–Obrigada, Dr. Masen. Acho que agora posso entendê-lo um pouco melhor. – estiquei minha mão e ele me cumprimentou.
–Por nada. Espero que dê tudo certo. – ele sorriu.
Eu lembrei do meu amiguinho da vila enquanto voltava a arrumar os prontuários na gaveta do armário.
–Dr. Masen, como está o bebê?
–Jacob?
–Sim.
–Está bem. A febre passou de vez, agora está em observação. – ele sorriu e levantou a sobrancelha, incerto. – não sabia que o conhecia.
–Edward me mostrou ontem. Fui à enfermaria com ele. Ele é uma gracinha. Quero dizer, o bebê. – me consertei, e o Dr. Masen sorriu.
–O menino é o novo mascote da nossa equipe. Edward trouxe o pai e ele para a vila e...
–Edward que achou eles? – eu o cortei.
–Sim. Edward teve a ideia de trazer o garoto para cá.
–Não sabia. Bem, ele não dá todos os detalhes do trabalho pra mim... – olhei os papeis pensativa.
–Médicos não costumam dar detalhes do dia-a-dia. Acho que é algum acordo que temos em nosso subconsciente. Assim como aquele que diz, "nunca se envolver com pacientes" – ele riu sem me olhar, e eu engoli a seco. – Gosta de crianças?
–Acho que sim. Parecem bem menos complicados do que certos adultos. – eu limpei a garganta de novo, ironicamente.
– Em termos. Se tivesse a oportunidade de checar por si mesma como são, aceitaria?
–Não entendi. – eu estava cortando a pasta para arrumar os últimos papeis na gaveta, e voltei a olhar para o Dr. Masen.
–Precisamos de uma moça aqui na clínica, para olhar as crianças na enfermaria e cuidar de bebês como o Jacob enquanto ele estiver se recuperando.
–Ah, Edward comentou. Bem, eu não tenho um diploma.
–Não precisa. Se tiver interesse, só precisa se inscrever em um curso básico de enfermagem conosco, adiante. Gostaria de fazer um teste trabalhando aqui?
–Acho que sim. – sorri. – Eu queria estudar, mas acho que não posso agora... – olhei para baixo novamente.
–O que a impede?
–Meus problemas. Esse lance de identidade e tudo... e mal posso sair de casa.
–O que gostaria de estudar? – Dr. Masen me olhava e escrevia em algum relatório.
–Eu gosto de Literatura.
–Imaginei. – ele sorriu.
–Como? – o olhei, sem entender.
–No seu prontuário alguém escreveu, "leitora compulsiva".
–Edward... merda. – percebi o tom da palavra e meu queixo caiu de vergonha, corando. – Desculpe.
–Temos o curso na University of Washington. – Dr. Masen sorriu, após me olhar quando eu disse o expletivo.
–Eu soube. – terminei nas gavetas e voltei a sentar na cadeira.
–Pode se matricular no próximo período, se quiser.
–O que? – levei um susto.
–Se quiser frequentar o curso, poderá assistir às aulas.
–Eu adoraria, mas eu não tenho como pagar sem trabalhar antes. – recusei, largando a tesoura na mesa dele.
–Bella, eu sou o reitor da universidade. Ajudei Edward e agora que está praticamente encaminhado academicamente, gostaria de ajudar outra pessoa. Estou te oferecendo uma vaga, independente da evolução do seu quadro e da sua origem. Os custos ficam por minha conta, assim como fiz com Edward.
–Dr. Masen, se não estivesse namorando Edward, eu diria que o senhor é incrível. –falei sorrindo e chocada, e ele riu do outro lado da mesa. Nem percebi o que tinha acabado de revelar.
– Quanto à papelada necessária, não se preocupe por enquanto. Daremos um jeito. Pode ingressar como ouvinte e adiante legalizamos sua matrícula, quando tiver todos os documentos em mãos.
Eu fiquei momentaneamente muito feliz com a oferta de trabalho e estudo do Dr. Masen. Mas logo lembrei da minha condição.
–Dr. Masen...
–Sim?
–Muito obrigada.
–Não há de quê. Espero poder lhe ajudar com isso também.
Eu estava agradecida com tanta bondade, mas... algo também parecia errado aqui. Era estranho para mim pensar em trabalhar e estudar sem saber quem eu era. Aquilo me incomodava demais.
O Dr. Masen me olhou quando eu voltei a ficar séria, e decidi pergunta-lo.
–O senhor acredita que vou lembrar de tudo logo?
–Claro. Seus exames não mentem. Você não tem problema algum, Bella. Apenas um trauma, e está sarando aos poucos.
Tão logo ele terminou de falar, Edward bateu na porta e entrou. Ele já estava na vila, e eu nem sabia. Ele parecia desviar o olhar de mim, e se dirigiu somente ao Dr. Masen. Não consegui tirar os olhos dele. Ele estava de jaleco e um gato, pra variar. Mas... me ignorou completamente. Meu coração bateu duplamente apertado, pela sua beleza e pelo tratamento a mim dado. Eu olhei para baixo, triste, de novo.
–Com licença, doutor.
–Fale, meu filho.
–Acabei de trocar um gesso e não tenho mais pacientes no momento. Tenho sua permissão para já olhar a criança?
–Sim, Edward. Vá olhar o Jacob e troque seus curativos.
–Sim, senhor. – Edward entrou na sala e procurava uma embalagem nova de gaze.
Dr. Masen voltou a me olhar e falou em um tom que desse para Edward ouvir.
– Bella, quando vier na próxima semana, te darei algumas coordenadas. – ele olhou Edward novamente e aumentou a voz.
–Pegue duas roupas e mais luvas, Edward. Bella vai olhar o Jacob contigo hoje.
Edward apenas balançou a cabeça e me entregou a roupa, fazendo menos contato visual possível. Levantei para me arrumar e lavar as mãos na pia da entrada da sala. Dr. Masen nos observou por cima de seus papeis. Ele corria os olhos na direção de Edward e na minha, enquanto um grande silêncio preenchia a sala.
–Quando terminarem, estão liberados. Tenha um bom fim de semana, Bella. – acenei enquanto já estava na porta, e Edward foi parado quando veio atrás de mim.
–Edward, você fica. Bella, ele já vai.
Fiquei do lado de fora, encostada na parede oposta à sala. Edward não demorou mais do que cinco minutos. Dr. Masen abriu a porta para ele sair, e nos encontramos.
Fomos em silêncio para a enfermaria da ala infantil, até a incubadora de Jake.
–Já volto. – Edward sumiu pela ala infantil, indo em direção à cozinha.
O bebê estava acordando e eu comecei a conversar com ele como se realmente ele pudesse falar. Já que Edward não queria papo comigo, aquele pequeno ali parecia querer. Mal coloquei minha mão perto dele, Jacob agarrou meus dedos como ontem, e ficou me olhando. Tive vontade de sorrir para ele, mas Edward voltou com seu mal humor. Ele me mandou tirar as mãos dali e me deu uma mamadeira, enquanto abria a incubadora.
–Hora do almoço, rapaz. – ele disse, pegando o frasco na minha mão. Me olhou rápido, ainda sério, e ofereceu. – Vamos, dê você. Levante a cabeça dele com uma das mãos e cuidado com a coluna.
–Ok. – eu, que não lembrava de ter pego um recém-nascido antes, até que consegui levantar a cabeça de Jacob com facilidade. Ele era tão leve que parecia um boneco. Sua pele era macia e seus olhos realmente pareciam de um indiozinho. Ele não parava de me olhar, e eu sorri para ele.
–Não o solte por nada, e cuidado com as pernas. – Edward me olhou e passou a mamadeira de volta. Eu segurei na direção da boca de Jake e Edward consertou minha mão, deixando a mamadeira inclinada. O bebê continuava me olhando e segurou por cima da minha mão, enquanto mamava. Ele parecia faminto. Era tão bonitinho que por um momento esqueci que Edward estava estranho comigo e soltei um beijo para Jake. Edward, que estava ao meu lado, me olhou e sorriu de lado para o garotinho. Eu tirei a mamadeira dele só quando acabou.
–E agora, o que faço? – perguntei, ainda segurando a cabeça dele.
–Vai segurar no colo. Levante mais sua mão e com a outra, o apoie.
–Assim? – tentei passar a mão por baixo de Jacob e ele ameaçou chorar. Eu provavelmente toquei na ferida dele. – desculpa, meu lindo.
–Não. A mão aberta na fralda dele. Assim. –Edward pegou na minha mão e foi a primeira vez que nos tocamos desde ontem. E esse ontem parecia uma eternidade, considerando o quanto já estávamos... próximos ultimamente. Ele guiou minha mão e eu ergui Jacob no meu colo, com cuidado. Tentei não tocar nas perninhas machucadas dele, e quase chorei quando vi que por baixo as marcas eram maiores.
–Assim? - perguntei, respirando fundo.
–Isso. Tome, deixa-o descansar que vou trocar o curativo antes de irmos para casa. – ele me deu uma toalha e eu deixei perto da boca do bebê, pendurada no meu ombro. Jake era tão lindo que eu fiquei encantada com ele no colo. Logo comecei a balança-lo devagar e ele bocejou, fechando os olhinhos. Eu sorri, distraída. Quando levantei meus olhos, Edward estava encostado na parede, nos olhando e sorrindo de lado. Ele fechou os olhos e encerrou seu sorriso quando viu que eu percebi.
–Vou ver se alguém precisa de mim lá na frente. Consegue cuidar dele sozinha?
–Sim. – sentei na cadeira da enfermaria, olhei para Jacob e ele já estava dormindo no meu colo, com as mãos dobradas tentando se segurar em mim, eu acho.
Edward saiu e ficou algum tempo fora. Jake adormeceu por completo em meu colo e já estava de boca aberta, provavelmente sonhando.
Fiquei imaginando como seria com Edward quando fôssemos para a cabana. Ele provavelmente continuaria me ignorando, e aquilo estava me deixando completamente pra baixo de novo. Tentei me concentrar no bebê novamente. Aquilo era um teste, e eu tinha que fazer direito. De repente, Dr. Masen veio até a porta da enfermaria e nos observou.
–Tudo bem aí? – ele sorriu, e eu percebi que estava sendo observada. Acenei com a cabeça, dizendo que sim. -Edward foi atender outro paciente. – Dr. Masen continuou nos observando e Jacob arrotou no meu colo, dormindo ainda. Eu ri com a falta de cerimônia dele e Dr. Masen também. Edward veio por trás dele, em silêncio, e ele deu passagem, olhando para Edward.
– Ele já se acostumou com ela. – Dr. Masen tentou puxar assunto, e Edward me olhou, enquanto eu ninava o menino. – Be...Mary – ele limpou a voz. – vou pedir para uma enfermeira te mostrar como trocar fraldas e dar banho nele. Edward provavelmente só saberá como fazer isso quando tiver um filho. – Dr. Masen piscou para mim e eu corei infinitamente. Se Jake não estivesse no meu colo, teria esfregado meu cabelo a la Edward. Já ele, franziu o cenho para o Dr. Masen e foi totalmente defensivo.
–Eu não sou tão estúpido. Só acho que se ela for ficar, esse será o trabalho dela. Ou das enfermeiras.
–Eu sorri de lado para o Dr. Masen e ele fez uma careta para mim, por trás de Edward.
–Comportem-se, crianças. – ele saiu, sorrindo. – E nada de portas trancadas, Edward. – avisou e fechou a porta.
–Sim, senhor.
Depois de alguns minutos, Jacob começou a chorar, acordando. Edward estava arrumando o armário da enfermaria e foi lavar as mãos.
–Deite ele de novo. Vou trocar os curativos, já que acordou.
Eu levantei e o coloquei no lavadouro, que Edward tinha acabado de limpar. Aproveitei para tirar as luvas e lavar as mãos, que coçavam bastante. Ele abriu os curativos e meus olhos saltaram. Jacob tinha queimaduras horríveis. Mesmo com a pomada dava para ver. Meus olhos ficaram úmidos e quase chorei, mas precisava ficar ali e ver aquilo. Edward me olhou quando ficou com a mão suspensa no ar, segurando a gaze suja. Ele manteve os olhos nos meus, por alguns instantes.
–Ele está fora de perigo. – Edward tentou me certificar de que estava tudo bem.
Em outros tempos, ele iria sorrir e me dar um beijo confortável.
Eu balancei a cabeça e prestei atenção no que ele fazia, tentando não chorar. Edward limpou todas as feridas de Jake, e ele berrava de dar dó. Eu estendi minha mão na frente dele que, aos poucos, controlou o choro, segurando meus dedos. Eu sorri para ele, e Edward me olhou enquanto fazia um novo curativo. Ele parecia chocado por eu ter conseguido parar o choro de Jacob.
– Pronto. – ele disse, ainda me olhando. Eu lavei as mãos sem ele precisar mandar, de novo. – Vista suas luvas de novo e leve ele pra maca. A enfermeira da noite deve estar chegando.
Eu fiz tudo com cuidado e a supervisão de Edward. Quando a enfermeira chegou, ele me apresentou como Mary, supervisora infantil em treinamento. Edward nem me olhou, e aquilo estava começando a me machucar demais. Me despedi de Jacob e saímos dali.
Tiramos nossas roupas especiais e colocamos num lugar que parecia uma lavadora. Reparei que era igual a da cabana. Nos despedimos do Dr. Masen e do médico da noite, e pegamos a Harley. Edward não disse uma palavra, e eu mal conseguia tocar nele, que dirá segurá-lo na moto. Ele foi completamente seco e me mandou segurar firme por duas vezes, quando quase o soltei para coçar as mãos. Só.
Tomamos nossos banhos e nem parecia que tinha duas pessoas na cabana. O silêncio era absurdo, e aquilo me deixou tão irritada que eu deitei para dormir, mas acabei chorando encolhida em minha insignificância. Edward continuou acordado, sentado na cadeira.
Até que ele finalmente se levantou e parou na frente da cama, me olhando.
–Isabella, está acordada ainda?
–Sim. – respondi de olhos fechados, sentindo as lágrimas escorrerem.
Mesmo tendo entendido tudo o que o Dr. Masen me contou, mas não conseguia evitar.
–Podemos conversar?
–Estou com dor de cabeça, Edward.
–Por favor. É importante.
Eu sentei na cama e olhei para o chão. Já estava chateada o suficiente para ainda ter que ver seu rosto e me machucar ainda mais.
–Está chorando? – ele me olhou apreensivo, e eu fechei a cara, ainda olhando para o chão.
–Não interessa. – eu falei, seca como ele estava fazendo comigo há vinte e quatro horas.
–Isabella, me perdoa. Por favor. Sei que estou agindo como um babaca desde ontem. Acontece que estou confuso com algumas coisas e... – o interrompi.
–Você está me tratando como um "pedaço de lixo ambulante". – lembrei do que ele já me falou uma vez, mas tentei me controlar. – e eu não sei o que fiz para você. Eu estou triste. Só isso.
–Nunca foi minha intenção. – ele tentou pegar na minha mão e eu a tirei de perto. Edward me deixou ficar afastada. – Eu gosto de você e sabe disso. Apenas não soube lidar com uma situação.
–E por isso está me ignorando. Ótimo. – bufei.
–Eu sou um idiota. Mas estou aqui assumindo minha falta contigo e te peço perdão. Não quero que fique magoada comigo por nada nesse mundo. Por favor, me perdoa?
–Tá, Edward. – virei os olhos. – preciso dormir, estou com dor de cabeça.
–Não vai jantar?
–Não estou com fome.
–Quer um remédio?
–Não, obrigada. Só quero dormir. – deitei bruscamente.
–Ok...boa noite, Isabella. – Edward timidamente se inclinou e me beijou na testa. – me perdoa, coração... – ele sussurrou ao meu ouvido, e eu já não sabia se estava acordada ou sonhando.
Edward não só me pediu perdão todo romântico como voltou a me chamar de "coração".
Essa era nova na listinha de apelidos.
