ILYRIA
By Dama 9
Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Ilyria é uma criação minha para essa saga...
Boa Leitura!
Capitulo 10: Tocando a Vida.
I – Primeiros problemas.
Hanay corria aflita pelos corredores do templo em busca do Mestre Miatsu. Não imaginara que as coisas chegariam a esse ponto em menos de três dias; a senhora pensava visivelmente aflita.
-SENHOR; ela quase gritou, ao encontrá-lo em uma das salas de meditação, ouviu alguns monges murmurarem irritados por serem interrompidos, mas não se importou em invadir o local praticamente correndo até o monge.
-O que foi, Hanay? –o monge perguntou preocupado, Hanay sabia muito bem que não deveria entrar na sala de meditação quando um número muito grande de monges estivesse reunido, por isso concluiu que fosse algo realmente urgente.
-Senhor, um mensageiro do santuário; ela respondeu ofegante. –Um cavaleiro de prata deseja falar com o senhor; Hanay falou com medo.
-Uhn; Miatsu murmurou com ar pensativo. –"Foram bem mais rápidos do que imaginei"; ele pensou se levantando, -Não se preocupe, estou indo recebe-lo; o monge respondeu com uma calma assustadora.
-o-o-o-o-
Nicols olhava impaciente para tudo aquilo, em outros momentos até teria apreciado a arquitetura do local, a riqueza de detalhes como a história hinduísta era passada por cada uma daquelas colunas, mas não fora pra isso que fora mandado ali.
Desde que Ares assumira o comando do santuário as coisas estavam acontecendo de maneira estranha. Primeiro, qualquer cavaleiro que pedia permissão ao mestre para ver Athena ele negava-se veemente, dizendo que ela estava dormindo ou não achava necessário provar a algum ser pouco evoluído e sem fé sobre a permanência da deusa no santuário, porem o que andava acontecendo era muito suspeito.
Segundo, o sumiço do cavaleiro de Gêmeos, já se passavam quase dois anos que ele desaparecera e ninguém sabia de seu paradeiro e as pessoas já estavam comentando, aonde o homem cuja bondade e gentileza digna de um Deus se encontrava em momentos tão turbulentos, ainda mais agora que o santuário fora maculado com a revelação de um traidor entre os santos.
Nicols sentiu um arrepio cruzar sua espinha, não acreditava que o menino Aioros fosse um traidor, como assim ele chamava o sagitariano. Ele era nobre, fiel a seus princípios, apaixonado pelo que fazia, não poderia trair aquela a quem jurara eterna fidelidade, mas Ares alegara que o jovem tentara matar Athena e ele como por um empurrão do destino aparecera na hora para salvar o pobre bebe.
O mais suspeito de tudo agora era o comportamento do cavaleiro de Capricórnio, considerava o sagitariano um irmão mais velho, porem agora o repudiava como um santo fazia diante de suas tentações.
Era inacreditável como as coisas mudavam de uma hora pra outra, porem agora que Ares momentaneamente lembrara-se da existência da armadura de Lincys a queria no santuário, alguns mais ousados diziam até que era apenas por capricho, já que Mú de Áries partira do santuário levando sua armadura e pouco se importando com as represálias dos outros. Mandando todos aqueles que achava hipócritas para o inferno, de maneira gentil, porem ainda era o inferno que a eles desejava.
-O que deseja cavaleiro? –Miatsu perguntou entrando de repente na sala principal do templo, vendo o cavaleiro dar um salto de susto.
A armadura de altar era realmente bela, semelhante à armadura de Cruzeiro do Sul, mesmo sendo uma armadura de prata, os desenhos em azul e preto davam um belo contraste à vestimenta do cavaleiro, que em seus gloriosos dias de juventude tentava cumprir aquela estranha missão.
-Mestre Miatsu; Nicols falou fazendo uma breve reverencia. –Vim a mando do Mestre Ares do Santuário da Grécia, em nome de Athena; ele falou.
-Sei da onde vem e a mando de quem; Miatsu o cortou, desde que entrara naquela sala, não deixara de estudar cada reação do cavaleiro, uma das habilidades do monge era identificar o que era verdade ou o que era mentira e usar isso para proteger aquilo que lhe era caro. –Agora gostaria que fosse mais objetivo e dissesse porque?
-Bem; Nicols começou hesitante. –Mestre Ares deseja saber do paradeiro da armadura de Lincys.
-Infelizmente não posso lhe fornecer essa informação; Miatsu falou a queima roupa.
-Porque? –Nicols falou alarmado.
-Porque a cerca de quatro anos atrás uma amazona conquistou essa armadura; Miatsu falou de maneira tão convincente que se ele não conhecesse Ilyria chegaria a acreditar em sua própria mentira. –Ela levou a armadura embora, lutou contra outras três aspirantes que também desejavam sagrar-se, porem nenhuma delas sobreviveu; ele falou com pensar.
-Mas onde esta essa amazona? –Nicols perguntou.
-A ultima vez que soube dela, estava a caminho da China, não sei o que ela pretendia, a função dos monges do templo principal era guardar a armadura selada na antiguidade para que o escolhido pela sua Deusa, permitisse que ela a possuísse o poder de romper o lacre; Miatsu falou. –Mas essa jovem levou a armadura daqui e nós não a impedimos, pois era o seu direito; ele concluiu.
-"A China é muito grande"; Nicols pensou demonstrando cansaço, teria que ir atrás da tal amazona e saber o paradeiro da armadura. –Ahn! O senhor poderia me dizer quem na China lhe avisou sobre a amazona? –ele perguntou num ultimo fio de reduzir o tempo de viajem.
-Era de um pequeno povoado na fronteira;
Não demorou para Miatsu contar sobre uma pobre família de fieis a Buda que vivia na fronteira e que lhe avisara sobre a amazona, porem o que o cavaleiro de Altar não sabia é que quando lá chegasse não teria uma noticia agradável, ainda mais ao saber da suposta morte da amazona e o roubo da armadura, sabe-se lá por quem, mas que possivelmente ninguém nunca mais veria a armadura de Lincys.
-Obrigado por me ajudar Mestre; Nicols falou numa breve reverencia. –Creio que agora tenho que continuar a viajem nessa busca, me desculpe por interromper suas atividades; ele completou.
-Não se preocupe, às vezes é bom sair da rotina; Miatsu respondeu com um sorriso descontraído.
II – Respostas.
Sentia seu corpo flutuar, era como se conseguisse sentir todas as ondas do som e da luz que emanavam daquele lugar. Era como se estivesse sendo embalada pelos braços de um anjo, caindo em um estado de torpor que não lhe permitia manter a ordem dos pensamentos, não tinha noção do tempo, se era dia ou noite, se chovia ou fazia sol, se a neve já caia ou se ainda tinham tempo.
Os batimentos cardíacos jaziam ritmados, a respiração estava calma, controlada. Sem aflições, enjôos ou até mesmo tonturas, tudo em perfeito equilíbrio.
-Ilyria; uma voz chamou-lhe ao longe, fazendo com que os pêlos de seus braços se eriçassem.
Procurou tornar a concentrar-se e não dispersar os pensamentos, numa luta interna contra si mesma que parecia aos poucos vacilar.
-Ilyria;
Novamente aquela voz, porem agora soou bem mais perto, como um sussurrou atrevido ao pé do ouvido, fazendo com que necessitasse de todo seu auto-controle para não dispersar os pensamentos, estranhamente sentia-se sonolenta.
Numa guerra silenciosa aos poucos o cosmo da amazona começava a se intensificar, chamando a atenção de Hiray que observava a distancia tudo aquilo, de certa forma para dar privacidade à amazona no que tinha de fazer.
Era como se pudesse sentir os pés descalços tocando a superfície molhada do chão. Frio e insegurança. Talvez fosse essa mesma sensação que alguém tinha ao caminhar sobre um lago de gelo fino ou pisar sobre frágeis cascas de ovos.
A corrente de ar intensificava-se aos poucos, chocando-se contra a respiração da jovem que não estava mais tão ritmada, os batimentos cardíacos já estavam descontrolados.
Da mesma forma que chegou, toda aquela ansiedade se foi, um cosmo cálido parecia abraça-la, era como se pudesse sentir longos e finos dedos tocando seus braços por cima da blusa, causando um leve tremor, em movimentos inocentes, calculados, para baixo e para cima, mantendo-a em um estado de letargia.
Sentiu todo o peso do corpo ser jogado para a base das pernas, em sua mente se via caindo de joelhos, porem ainda permanecia na posição de lótus.
-Você sabe que não pode mais hesitar, não tenha medo;a voz falou, era impossível saber qual era a fonte, sentia novamente os dedos tocando seus braços, era como se estivesse completamente entregue, entorpecida por caricias inocentes que pareciam minar-lhe as forças e a concentração.
-Quem é você?- ela perguntou em pensamentos, perdendo completamente aquela batalha.
De orbes fechados, apenas sentiu uma leve presença atrás de si, os finos dedos abandonando os braços e enlaçando-a pela cintura, fazendo com que ela se recostasse em o que quer que fosse que estivesse ali atrás. Uma respiração quente e ritmada chocava-se contra a pele do pescoço. Novamente aquele torpor.
-Não tenha medo, sempre estarei com você e nada mais importa; a voz respondeu, apertando-a mais entre os braços. A amazona jogou a cabeça para trás, ao mesmo tempo que sentia o par de braços desaparecer e suas costas chocarem-se de encontro ao chão molhado.
Uma explosão de cosmo irrompeu do corpo da jovem que fez as águas da gruta tremerem. Hiray parecia assustado, tentou aproximar-se, porem recuou espantado ao ver uma cortina de luz erguer-se a sua frente e dali surgir à imagem de um gato selvagem impedindo-o de continuar.
Orbes azuis, às agarras alongaram-se raspando no chão molhado, poderia até mesmo dizer que faíscas douradas escapavam a cada movimento do felino. O olhar compenetrado parecia estudar o monge que recuou assustado. A pelagem caramelo, quase beirando a castanho-claro refletia a pouca luminosidade do local, dando um ar mais enigmático aquele ser místico.
A energia se intensificava, uma estranha e doce melodia era entoada, poderia jurar que ela vinha da armadura, ou da vibração das pedras e da água ali dentro; Hiray pensou.
Ilyria jazia imóvel no chão, parecia desmaiada, porem mesmo a distancia podia ver que ela respirava. O felino ainda estava ali e até mesmo o monge conseguia sentir todo o poder emanado daquele cosmo. Se continuasse assim criaria um big bang.
-Cuide de Celina; a voz tornou a sussurrar, fazendo com que Ilyria despertasse, ao mesmo tempo que o Lince preparava-se para pular em cima do monge, como se temendo pela vida a jovem diante daquele desconhecido.
-PARE; ela gritou, chamando a atenção dos dois, ao por se de pé em um pulo. O felino pareceu reconhecer a jovem, caminhando até ela e sentando-se sobre as patas traseiras.
Ilyria o observava com atenção, nunca vira um animal tão lindo como aquele, a delicadeza com que o gatinho lambia uma das patas, chegava a ser até um pouco infantil, porem o mesmo parou, encarando-a diretamente. Olhos verdes; ela pensou, vendo-o estranhamente assentir diante do pensamento que ela tivera.
Lincys levantou-se e manhosamente esfregou-se na perna de Ilyria, como um gato exigindo carinhos e afagos de seu dono, Ilyria ajoelhou-se no chão, ficando na altura do felino, deixando que suas mãos brincassem, variando entre as orelhas e o focinho, ouviu um ronronar vindo dele, ao mesmo tempo que o via afastar-se, como se pedisse sua atenção e dissesse 'venha'.
Ilyria levantou-se, ignorando o chamado de alerta do monge. Lincys virou-se furiosamente para o monge, como se o mandasse ficar quieto. O felino continuou caminhando até o trono, sendo seguido por Ilyria.
Ao aproximar-se mais, a luz se intensificou. Sentiu um pequeno empurrão em sua perna, olhou para baixo encontrando Lyncis que lhe empurrava a perna com a cabeça, fazendo-a ir para a frente.
-Você quer que eu a toque? –Ilyria perguntou, apontando para a armadura.
Lyncis assentiu, encaminhando-se até subir no trono e sentar-se sobre as quatro patas. Ilyria se aproximou e ao encostar os dedos na armadura uma nova explosão de luz aconteceu, ao mesmo tempo em que Lyncis desaparecia completamente e a intensidade da energia dispensada arrastou Ilyria para uma distancia segura da armadura.
-Ilyria; Hiray chamou aproximando-se da jovem que jazia de joelhos no chão respirando com dificuldade.
-Estou bem; ela respondeu erguendo a mão e o detendo, poderia jurar que vira a imagem do ariano ao lado da de Lyncis, mas talvez nunca viesse, a saber, se isso era mesmo possível.
Lagrimas brotavam de seus olhos, deixando que uma ultima vez aliviasse seus sentimentos, seria forte e não mais choraria pelas coisas que não podia mudar, tinha uma vida pra viver e mais uma para criar. A vida continuava, e quanto a isso nada poderia mudar.
III – Saudade.
Três anos depois...
Era um lugar tão calmo, o vento da primavera esvoaçava seus cabelos, enquanto Ilyria permanecia sentada em baixo daquela arvore, em seu colo a pequena cabeça de uma garotinha repousava, vez ou outra a via remexer-se em seu colo ressonando baixinho, enquanto seus dedos brincavam com as mexas castanho-esverdeadas dos cabelos da criança.
Ainda lembrava-se com perfeição do que acontecera antes de lacrar a armadura, tempos depois Celina nascera, nunca mais esqueceu-se da primeira vez em sua vida que deparou-se com Lyncis, sua nova missão agora não era proteger Athena ou servir a algum prepotente com mania de superioridade, agora tinha aquele pequeno anjinho, a razão de sua vida, para cuidar e era só o que importava.
-Mãe; a garotinha chamou, tirando-a de seus pensamentos. Celina levantou-se um pouco, permanecendo sentada sobre as próprias pernas, esfregando os olhos, sonolenta.
-Acordou, meu anjo; Ilyria falou sorrindo, vendo a filha bocejar. Era incrível a semelhança dela com Shion, três anos, apenas três anos de idade e já aparentava tamanha semelhança com ele.
-Mamãe, cadê o papai? –a criança perguntou a queima roupa, pegando Ilyria de surpresa.
-Ahn! –Ilyria começou, engolindo em seco, Celina era apenas uma criança.
-Mamãe, papai ta lá em cima, não é? –ela perguntou inocentemente, apontando para o céu.
Ilyria sentiu as lágrimas novamente escorrerem por seus olhos, prometera a si mesma não chorar na frente da criança, mas era praticamente impossível.
-Vem aqui; Ilyria chamou com a voz fraca, puxando a garotinha para o colo e lhe dando um abraço apertado. –Um dia quando você puder entender eu vou te contar tudo o que você precisa e quiser saber sobre seu pai; ela começou. –Mas por hora saiba apenas que ele ta lá em cima e que te ama muito; ela completou.
Sentiu a garotinha aninhar-se em seus braços e não demorar muito a cair no sono novamente. Ilyria suspirou pesadamente, não sabia o que o futuro lhe reservava, era sempre tão incerto mesmo depois do santuário ter desistido da armadura.
Mas mesmo assim sentia vez ou outra uma inquietação, um cosmo que por vezes se manifestava de forma atormentada que até mesmo Celina despertava chorando, esse cosmo vinha de longe e se manifestava de forma agressiva, por sorte, desde que começara a treinar desenvolvera a habilidade de ocultar o cosmo, sabia que Ares não iria desistir da armadura, ainda mais porque ela era o que Shion tanto queria que ela conquistasse.
-o-o-o-o-
Ilyria tomou mais um gole de chá, respirando pesadamente. Via a completa confusão nos orbes do ariano que a ouvia com extrema atenção. Desde que começara a falar não podia negar a sensação de alivio, por muito tempo as únicas pessoas que sabiam sobre isso era a filha, Hanay, Hiray e o Mestre Miatsu que a cerca de dois anos morrera levando isso consigo.
-Continue, por favor; Mú pediu com a voz tremula, tentando concentrar-se novamente no assunto.
-o-o-o-o-
Doze anos depois...
-Celina, venha aqui; Ilyria chamou a jovem, no calendário comum aquele seria exatamente o dia quatro de abril, há quinze anos atrás Celina nascera. Estava na hora de contar a verdade e saber qual era a escolha dela.
-Algum problema, mãe? –a jovem perguntou preocupada, aproximando-se da arvore que Ilyria sempre ficava quando queria pensar, atrás do templo principal.
-Precisamos conversar; a amazona falou, indicando para a filha se sentar a seu lado.
Um momento de silencio, Ilyria simplesmente idealizara essa conversa nos últimos doze anos e agora sentia-se completamente perdida, tinha que contar tudo.
-Lembra quando eu te prometi que quando você pudesse entender as coisas da vida eu lhe contaria sobre o seu pai; Ilyria falou, vendo o choque nos orbes da jovem que apenas assentiu. –Agora você já tem quinze anos, na sua idade eu já entrava na maior idade e já me preparava para ser uma amazona; ela começou.
-Amazona? –ela falou meio confusa.
-Lembra aquela história que lhe contei sobre os cavaleiros de ouro, o santuário e a deusa Athena?
-Lembro, a senhora disse que Athena escolhe jovens de grande valor para serem cavaleiros e proteger a ela e a Terra; Celina respondeu com olhar pensativo, lembrando-se de tudo que a mãe falara.
-Isso mesmo, esses cavaleiros existem Celina, cavaleiros e amazonas, guiados por estrelas que lhes iluminam desde seu nascimento, quando eles entram na maior idade, isso começa exatamente aos seis anos até os quinze, completando um treinamento árduo para concorrer a sagrada armadura; Ilyria explicou.
-15 anos; Celina murmurou vendo o que aquilo implicava. –A senhora é uma amazona, não é? –a garota perguntou, vendo Ilyria assentir. –Onde esta a sua armadura? –ela perguntou curiosa.
-Esta lacrada, mas antes de você saber sobre ela, tenho que lhe contar como me tornei uma amazona; Ilyria completou.
Por cerca de uma hora, mãe e filha, passaram em baixo daquela arvore, enquanto Ilyria contava a garota tudo o que vivera nos últimos anos, o massacre, o treinamento, a amizade com o cavaleiro de Áries e acima de tudo o amor que florescera naqueles poucos anos por aquele que veio mais tarde a descobrir ser o Grande Mestre, as suspeitas quanto à integridade do novo mestre, a descoberta de que estava grávida, a noticia de que Shion havia morrido e por fim como lacrara a armadura alguns meses antes do nascimento dela.
-M-ã-e; Celina falou pausadamente, toda a seriedade que via nos olhos de Ilyria impediam que ela duvidasse que isso fosse realmente possível. –Meu pai morreu por causa de um traidor? –ela perguntou recuperando-se do choque e chamando a atenção de Ilyria pela pequena centelha que parecia querer queimar nos orbes da jovem.
-Eu acredito que sim, nunca fui ao santuário; Ilyria respondeu. –Você entende o que a lei das amazonas diz sobre isso, não queria te perder, por isso preferi lacrar a armadura e viver aqui; ela completou.
-Entendo; Celina murmurou como resposta. –É que isso parece fantástico demais, sabe, é normal a gente ver isso em algum mito, história antiga, mas saber que a própria mãe viveu algo do gênero; a jovem falou confusa, embora estivesse visivelmente animada com a descoberta. –Mãe, como ele era? –ela perguntou de repente.
-Quem?
-Meu pai; ela respondeu impaciente.
-Era uma ótima pessoa, nunca conheci alguém tão singular quanto ele... Único; Ilyria falou, recordando-se de todos os momentos que viveram. –Particularmente no começo eu o achava serio de mais, adorava irrita-lo; a amazona falou com um meio sorriso e os olhos brilhando. –E alem do mais, ele me deu o maior tesouro da minha vida; ela falou, saindo de seus devaneios e olhando para a jovem.
-Mãe, posso pedir algo? –Celina começou cautelosa, recebendo um aceno afirmativo de Ilyria para continuar. -Quero treinar para conquistar a armadura; a garota pediu confiante, por um momento teve a impressão de ver o ariano ao lado dela sorrindo confiante, balançou a cabeça para afastar os pensamentos, aquilo era impossível.
-Mas Celina; Ilyria ia contestar, mas a jovem a cortou rapidamente.
-Sei que essa armadura é muito importante para a senhora, da mesma forma que foi para o meu pai, quero manter isso entre a família, não me perdoaria se outra pessoa ficasse com ela; ela falou convicta.
-Já vi que não tem como fazer você mudar de idéia; Ilyria falou, nunca imaginava que Celina fosse ter aquela reação. –Amanhã começamos o treinamento;
-Obrigada; Celina respondeu animada, jogando-se nos braços da mãe.
A vida poderia ser incerta, mas sempre valia a pena. As pequenas coisas por mais ínfimas que fossem sempre faziam com que valesse.
Continua...
