À Beira do Abismo

Capítulo 9

Jared estava muito nervoso e teve uma crise de ansiedade, por isso teve que ser sedado durante o parto. Apesar de tudo, a cirurgia correu bem e somente horas depois, quando já estava no quarto, trouxeram o bebê para que ele a conhecesse.

- Olha quem veio conhecer o papai? Precisamos ser rápidos, porque esta belezinha precisa voltar para a incubadora - A enfermeira que carregava o bebê falou em tom meloso, tentando chamar a atenção de Jared para a sua filha, mas o moreno continuou virado de costas, olhando para o nada.

- Senhor Padalecki? - A mulher insistiu, trazendo o bebê para perto, mas Jared simplesmente empurrou seu braço, a afastando.

- Tire-a daqui.

- Mas… senhor…

- Saia daqui. Agora - O moreno tinha raiva na voz e a enfermeira saiu rapidamente do quarto, assustada com sua reação. Depois de devolver o bebê à incubadora, ela foi rapidamente chamar o doutor Benedict, que foi até o quarto, verificar como o moreno estava.

- Soube que você não quis conhecer a sua filha? - O doutor falou, observando as reações de Jared.

- Eu estou cansado, só quero dormir - Jared falou baixinho, sem olhar pra a o médico.

- Apesar de prematura, ela está bem. Terá que ficar na incubadora por algum tempo, para ganhar peso, mas é perfeitamente saudável. Eu sei que você passou por um momento difícil, mas quando quiser vê-la, nos deixe saber, okay? - Doutor Robert falava pausadamente. - Vou deixá-lo descansar agora. Pela manhã, eu vou pedir que um psiquiatra venha conversar com você.

Jared ouvia o doutor falar, mas sua mente estava longe dali.

- Está sentindo dores? – Na falta de resposta, doutor Benedict continuou. – O corte vai incomodar um pouco, até cicatrizar. Vou receitar alguns analgésicos, você vai ficar bem.

Sim, o corte ardia e todo o seu corpo doía pelo cansaço. Mas nada se comparava à dor que sentia em sua alma, e aquela, nenhum analgésico podia curar. Tudo o que Jared queria era poder dormir e não acordar nunca mais.

Aquela criança merecia um pai melhor. Uma família melhor. Jeffrey poderia dá-la para a adoção, pois qualquer família que a tivesse, seria melhor do que eles.

Quando doutor Robert deixou o quarto, Jared alcançou o copo com água que estava na mesinha ao lado da cama. Olhou para ele por um instante, com um sorriso triste no rosto, então despejou seu conteúdo no chão.

Segurou o copo pela borda e o bateu contra a barra de metal da cama, usando uma parte do lençol para abafar o barulho.

Fez um pequeno corte no seu dedo, mas não se importou. Segurou um dos cacos de vidro com sua mão direita, e com ele, rasgou seu pulso esquerdo, sentindo o sangue quente escorrer, encharcando os lençóis e a camisola do hospital que vestia.

Fechou os olhos... podia sentir a sua vida se esvaindo junto com o sangue, e a sensação era muito boa. Pela primeira vez, em meses, pode se sentir em paz novamente. Estava livre das preocupações, da saudade, da culpa, do medo... Poderia finalmente descansar.

- Não... não... não... não... Baby, o que você fez, baby? – Jeffrey ficou desesperado ao entrar no quarto do hospital e se deparar com aquela cena, digna de um filme de horror.

Gritou por ajuda e com um dos seus braços puxou Jared para si, enquanto sua outra mão segurava firmemente o pulso do moreno, que sangrava.

- Você não pode fazer isso comigo. Não pode me deixar – Jeffrey chorava, lágrimas de desespero. – Não, meu amor – Beijava o topo da sua cabeça, sentindo Jared desfalecer em seus braços.

No instante seguinte, entraram no quarto dois enfermeiros e um médico, que ouviram os gritos desesperados de Jeffrey. Tiveram que tirar o homem praticamente à força do quarto, para poderem atender Jared, pois ele se recusava a deixá-lo. Jared fora socorrido e levado para o centro cirúrgico.

- Como ele está? - Jeffrey andava de um lado para o outro, na sala de espera.

- Nós conseguimos estabilizá-lo - O médico respondeu. - O pulso foi suturado, e ele está recebendo uma transfusão de sangue, no momento.

- Como vocês permitiram que isso acontecesse, afinal? Isso aqui não é uma merda de um hospital? - Jeffrey estava muito nervoso, fora de controle.- As pessoas deveriam estar seguras, aqui.

- Senhor Morgan - Doutor Benedict saiu da sala de cirurgia e fez sinal para que o outro médico plantonista os deixasse. - Seu marido… Jared é seu marido, certo? - Viu Jeffrey confirmar e continuou. - Ele está com sintomas de depressão profunda. Nós não podíamos prever que ele fosse tentar algo assim.

- Depressão? Depressão pós parto? - Jeffrey franziu o cenho.

- Ele já estava com alguns sintomas durante a gravidez, eu inclusive o aconselhei a procurar ajuda profissional, mas acho que ele não me deu ouvidos.

- Não deu ouvidos? - Jeffrey forçou uma risada. - Não era sua obrigação tomar conta da saúde dele? Não foi pra isso que eu paguei uma fortuna em consultas e exames todos os meses? - Ergueu a voz, se achando com a razão.

- Eu fiz o pré natal, e a criança está perfeitamente saudável, apesar de ter nascido prematura. Eu não podia obrigar meu paciente a fazer nada que ele não quisesse. Mas e o senhor, no papel de marido? Nunca percebeu nenhum sinal de que a saúde mental dele estivesse comprometida?

Jeffrey lançou um olhar mortal ao doutor, mas não disse mais nada. Não podia negar que tinha sido negligente. Conhecia o histórico de Jared, e devia ter percebido os sinais.

- O que vai acontecer agora? - Perguntou, num fio de voz.

- Ele terá que ficar internado por alguns dias, até se recuperar fisicamente. E pela manhã um psiquiatra irá avaliá-lo, para que o tratamento seja iniciado o quanto antes. Depois vocês poderão consultar um profissional à sua escolha.

- Certo - Jeffrey suspirou, passando a mão pela própria barba. - E o bebê?

- O senhor pode ir vê-la na incubadora, quando quiser. Ela é bastante saudável, mas precisa ganhar peso, e só então poderá ir para casa. Em torno de duas semanas, eu imagino.

- Okay - Jeffrey suspirou.

- Senhor Morgan, é muito importante para o bem estar de Jared e desta criança, que ele seja tratado. Ele tentou suicídio uma vez, é bem possível que tente novamente.

- Ele vai receber o melhor tratamento possível, doutor. Eu não posso perdê-lo, por nada neste mundo - Jeffrey tinha os olhos marejados.

J2

Jensen teve pesadelos, e acordou várias vezes durante aquela noite. Sentia uma angústia muito grande dentro do peito, como se estivesse prestes a sufocar. Levantou-se da cama e foi até a sacada do quarto, pois precisava de ar puro.

Respirou fundo, olhando para as luzes da cidade, mas tudo o que conseguia pensar era em Jared. Tanto tempo já havia se passado desde que se separaram, mas a saudade ainda doía. Sentia uma vontade enorme de ligar para ele, para se certificar de que estava bem, para saber como estava o bebê… Mas não podia. Não fazia mais parte da vida dele, afinal.

Não conseguia evitar pensar em como Jared estaria lidando com aquilo, e um pequeno sorriso se formou em seu rosto. O moreno ainda era tão jovem, e sequer pensava em ter filhos, deveria estar surtando com aquela gravidez.

Vendo que já era muito tarde e que teria que trabalhar no dia seguinte, Jensen voltou para a cama, onde depois de muita luta, acabou adormecendo, vencido pelo cansaço.

Quando acordou na manhã seguinte, já havia tomado sua decisão.

- Eu entendo o que você está passando, Jensen. Eu realmente entendo, mas você tem certeza sobre deixar Nova York? Quero dizer, eu estou sendo egoísta aqui, porque não quero perder você nem como profissional, nem como amigo – Sebastian Roché falou.

- Vocês não vão me perder como amigo, Sebastian. Qual é? Sem sentimentalismo agora, okay? – Jensen tentou brincar.

- Por que você só não tira umas férias? Viaje, fique um tempo longe, e depois volte pra nós. Um dia você vai ter que superar isso tudo, amigo.

- É difícil, correndo o risco de encontrar com ele por aí o tempo todo. Quero dizer, eu não sei se eles voltaram pra NY, ou se eu só o encontrei naquele dia por acaso, mas... Ainda assim, eu me sinto sufocado. Cada canto do meu apartamento tem lembranças dele. Eu ando pelas ruas, ou nos bares, e tenho a sensação de que vou encontrá-lo. Ou talvez seja o meu subconsciente querendo encontrá-lo, eu não sei... Esta noite eu sonhei com ele mais uma vez. Acordei angustiado, no meio da madrugada, e eu não conseguia me lembrar do sonho, mas eu fui dormir com aquela sensação de que algo estava errado, sabe? Tive que me segurar, para não ligar pra ele àquela hora. Seria patético, certo? - Jensen riu de si mesmo. - Eu sei que isso parece loucura, às vezes eu acho que estou mesmo ficando paranóico, porque eu já devia tê-lo esquecido, não é? Já faz tanto tempo... eu já devia tê-lo esquecido - Suspirou, frustrado.

- Eu não sei se a gente consegue realmente esquecer um amor verdadeiro, Jensen – Sheppard comentou, o que deixou o loiro surpreso, pois ele não fazia o tipo "conselheiro amoroso", nem nunca falava sobre a sua vida pessoal. – Eu nunca consegui.

- Bom, isso não é muito animador - Jensen forçou um sorriso.

- E pra onde diabos você pretende ir? - Sebastian perguntou.

- Ainda não me decidi, mas eu estou pensando no Texas. Dallas, talvez Austin. Tudo depende de onde eu conseguir um emprego, porque preciso manter a minha mente ocupada.

- Austin? Humm… - Sheppard ficou pensativo por um tempo. - Esta semana mesmo eu falei com uma amiga, Samantha Smith, ela tem um escritório de advocacia em Austin, e está prestes a ter um bebê, então ela precisa de alguém para substituí-la por um tempo. Por que você não fala com ela? Quem sabe você não precise ir embora de vez... fique um tempo longe, e volte pra nós quando achar que está pronto.

- Pode ser uma ideia - Jensen concordou.

Tinha sido fácil conversar com seus companheiros de trabalho, e também com seus amigos. Jason e Steve, apesar de ficarem tristes, apoiaram a sua decisão. E sempre poderiam viajar para vê-lo; era longe, mas quando a saudade apertasse, poderiam administrar aquilo.

Mas Jensen não poderia dizer o mesmo quanto a Chris. Kane ficara arrasado, e não queria aceitar o término do relacionamento.

- Por que, Jensen? Jared já seguiu em frente, ele está prestes a ter um bebê que é filho do seu pai…

- Chris, eu não estou rompendo com você pra ir atrás do Jared. - Jensen fechou os olhos por um instante. Por que Chris sempre tinha que tocar neste assunto? - A minha história com ele acabou há meses, não existe mais volta. Mas o que eu e você temos, não está funcionando.

- Não está funcionando por quê? Eu pensei que você estivesse feliz.

Jensen passou as mãos pelos cabelos, suspirando. Qualquer um que o conhecesse um mínimo que fosse, saberia que ele estava muito longe de se sentir feliz. Mas talvez Christian só não quisesse enxergar. Não poderia culpá-lo, afinal.

- É por causa do que eu fiz aquele dia, lá no shopping? Por causa da brincadeira com Jared? - Kane perguntou, sua tristeza estampada na voz.

- O quê? Não. Já fazem semanas, eu já nem me lembrava mais - Mentiu.

- Você mudou completamente depois daquele dia. Eu não sou nenhum idiota, Jensen. E eu já me desculpei, não entendo por que você…

- Chris, só pare de tentar achar um culpado, por favor. Eu pensei que nós pudéssemos fazer isso numa boa, sem maiores dramas. Eu amo você, mas como meu amigo. Como um irmão... não como você quer que seja. Foi um erro, e me desculpe, mas eu não posso continuar com isso. Não é justo nem com você, nem comigo mesmo.

- Certo - Kane mordeu o lábio inferior, com os olhos marejados. Acho que só me resta aceitar, não é mesmo?

J2

Duas semanas se passaram e Jared voltou para casa, junto com sua bebê que já estava mais forte. Jeffrey contratara uma babá para tomar conta da menina, já que Jared parecia ter se desligado do mundo.

O psiquiatra havia lhe receitado remédios fortes, que o deixavam um tanto zonzo e sonolento. Jared passava o dia na cama, e não tinha nenhuma vontade de sair dali, nem mesmo para tomar conta de sua filha.

- O que eu faço com você, baby? - Jeffrey se deitou ao seu lado, na cama, fazendo carinho em seus cabelos. - O que é preciso pra trazer você de volta pra mim? - Beijou seu rosto, com carinho. - Eu preciso de você. Nossa filha precisa de você. Ela sequer tem um nome ainda, meu amor. Por que você não sugere algum? - Jeffrey arriscou falar na menina, para ver se Jared teria alguma reação, mas foi em vão.

Naquela noite, depois que Morgan dormiu, Jared finalmente se levantou. Sentia-se fraco, tudo o que tinha comido durante o dia era um pouco se sopa, e por insistência de Jeffrey, já que não sentia fome.

Vestiu seu roupão e viu seus remédios sobre o criado mudo. Decidiu não tomá-los, pois queria estar consciente do que fazia. Caminhou até o closet, onde escalou as prateleiras, com alguma dificuldade, até encontrar o que estava procurando.

Carregou a caixa de madeira consigo, e saiu do quarto, caminhando até o banheiro que ficava no corredor, pois não queria que Jeffrey acordasse e acabasse atrapalhando seus planos.

Colocou a caixa sobre a pia de mármore e a abriu, retirando a arma de Jeffrey de dentro dela. Desta vez não haveria erro. Pegou a caixa com munição e a carregou, colocando as balas, uma a uma.

Percebeu que suas mãos tremiam, e lágrimas escorriam pelo seu rosto. Não. Não podia perder a coragem agora. Olhou para a própria imagem no espelho, tentando encontrar um motivo sequer para viver, uma ponta de esperança na qual se agarrar, mas tudo o que conseguia ver era dor e sofrimento.

Não apenas a própria dor, mas também a que tinha causado.

Fechou os olhos, tentando se lembrar de algum momento feliz, querendo se lembrar como era a sensação...

Sua mente estava confusa, mas a primeira imagem que lhe veio à cabeça, foi de uma aula de direito penal, quando Jensen ainda era apenas o professor que mais admirava e, secretamente, o seu objeto de desejo.

Jared estava sentado nos fundos da sala, o observando atentamente, enquanto o loiro caminhava pela sala, explicando a matéria. Num determinado momento ele parou de falar e seus olhares se cruzaram. Jensen sorriu de um jeito tão lindo que Jared pensou que seu coração fosse derreter. Então ele passou a língua inconscientemente pelos lábios, pigarreou e continuou sua explicação, como se nada tivesse acontecido. Naquele momento Jared teve certeza: Aquele homem teria que ser seu.

E fora. Até a vida se encarregar de destruir tudo e transformar em um pesadelo. Mas Jared sequer podia culpar Morgan. Ele mesmo tinha feito as escolhas erradas, que o levaram por este caminho. E agora, a única coisa que desejava, era acabar com tudo. Ninguém sentiria a sua falta; o mundo seria um lugar melhor sem ele.

Seguro do que queria, segurou a arma com firmeza, a engatilhou e levou-a até a sua têmpora. Fechou os olhos e abaixou a arma ao ouvir os gritos de sua filha, chorando no quarto ao lado. De repente ficou preocupado que o som do tiro poderia assustá-la. Mas seria rápido.

Desta vez abriu os lábios e apontou a arma para o céu da boca. Apertou os olhos, impaciente, quando os gritos da sua filha se intensificaram. Como uma criança tão pequena podia ser capaz de fazer tanto barulho?

Irritado, Jared deixou a arma sobre o balcão da pia e foi até o quarto da menina.

- Será que dá pra você ficar quieta por um minuto? Como alguém pode se matar desse jeito? - Jared se assustou ao ouvir sua própria voz dizendo aquilo.

Se aproximou do berço onde sua filha estava deitada, agitando seus bracinhos e pernas, o rosto muito corado e banhado em lágrimas, pelo choro.

- O que você quer? Hmm? Está com fome? - Era a primeira vez que Jared a olhava de perto. Tocou sua bochecha, secando as lágrimas que haviam ali, e sorriu ao perceber o quanto ela parecia pequenininha, comparada à sua mão enorme. A menina se agarrou ao seu dedo e parou de chorar imediatamente.

Jared sorriu, emocionado, e tentou resistir, mas acabou pegando-a no colo. Segurando-a delicadamente, encostou o rostinho dela contra o seu, aspirando o seu cheiro.

- Você é um pequeno anjo, não é? - Lágrimas escorriam pelo seu rosto, seu coração estava tão cheio de amor novamente, que Jared pensou que não conseguiria largá-la nunca mais.

- Senhor Padalecki - A babá entrou no quarto, com uma mamadeira na mão. - Desculpe, ela estava dormindo quando eu fui preparar a mamadeira, eu não devia tê-la deixado chorar e acordar o senhor.

- Está tudo bem - Jared sorriu, secando as lágrimas do próprio rosto. Eu ficarei com ela, você pode ir descansar, se quiser.

- Talvez o senhor queira dar isso a ela? Ela deve estar faminta - A mulher lhe entregou a mamadeira.

Jared se sentou na poltrona ao lado do berço e ajeitou o bebê em seus braços, então, depois de testar a temperatura do leite no próprio pulso, levou o bico da mamadeira até a boca da sua filha, que o sugou desesperadamente.

- É, acho que você estava mesmo com fome - Jared sorriu, observando as feições da menina.

O nariz era arrebitadinho e parecido com o seu, mas os fios de cabelos eram loirinhos, os cílios muito longos e os olhos ainda não tinham uma cor definida, mas puxavam para o verde. Era assustador o quanto ela se parecia com Jensen. Mas Jensen era filho de Morgan, então aquilo não provava nada - Pensou. - Ou será que sim? Ao mesmo tempo em que queria saber a verdade, também tinha medo. E se ela fosse mesmo filha de Jeffrey?

Depois de alimentá-la, a menina adormeceu em seus braços e Jared a colocou de volta em seu berço. Voltou silenciosamente até o banheiro onde havia deixado a arma, retirou as balas e guardou-a novamente no lugar, para que Jeffrey não percebesse.

Sem vontade de voltar para perto de Morgan, Jared se deitou na cama que havia no quarto da sua filha, e acabou adormecendo por ali.

J2

Jeffrey acordou pela manhã e se assustou ao ver que Jared não estava ao seu lado. O procurou pela casa até encontrá-lo no quarto do bebê.

Ficou surpreso ao vê-lo com ela nos braços, cantarolando uma canção de ninar.

- Angel - Jared falou quando notou a presença de Jeffrey.

- O quê?

- O nome dela, é Angel.

- É um belo nome - Jeffrey sorriu.

- Ela não é a coisinha mais linda e perfeita que você já viu? - Jared acariciava os fios de cabelos loirinhos.

- Eu tenho que acrescentar... - Jeffrey se aproximou e tocou o rosto de Jared - Que você também é a coisa mais linda e perfeita que eu já vi - Sorriu. - Mas se ela conseguiu tirar você daquela cama e trazer esse sorriso de volta pro seu rosto, ela ganhou muitos pontos comigo - Brincou. - É muito bom ter você de volta.

- Jeff - Jared colocou a menina de volta no berço. - Nós precisamos conversar - O moreno saiu do quarto de Angel e Jeffrey o seguiu até o quarto do casal.

- Por que, Jared? - Jeffrey perguntou, muito sério. - Por que você tentou aquilo, lá no hospital? - Morgan segurou o pulso de Jared e beijou o local, onde ainda havia um curativo.

- Eu não sei. Eu só queria que tudo acabasse. Eu estava sendo egoísta, só pensei em mim mesmo, não estava pensando nela… - Jared falou com os olhos marejados, sentindo-se culpado. Ainda mais pela segunda tentativa, da qual Jeffrey não sabia.

- Nem em mim - Morgan completou. - Se eu não chegasse àquela hora, Jared, eu… - A voz de Jeffrey embargou, sequer conseguia cogitar a possibilidade.

- Eu vou embora - Jared falou, sem se deixar abalar pelas emoções.

- O quê?

- Eu não posso mais viver aqui com você, Jeff. Acabou.

- Eu… - Jeffrey parecia chocado. - Você não está falando isso por causa daquelas bobagens que você mesmo inventou, não é? Porque aquilo é ridículo, Jared…

- Eu não sei mais o que é verdade, ou o que é mentira, e já não faz mais diferença. Mas eu não posso continuar vivendo aqui e fingir que está tudo bem. Eu nem sei quem é você de verdade, Jeff.

- Jared…

- Uma hora você era o homem mais amoroso do mundo e de repente você me tratava como se eu tivesse uma doença contagiosa… E então, na hora em que eu mais precisei de você… - A voz de Jared saiu quebrada.

- Eu estava no meio de um jantar de negócios, e o meu celular estava desligado o tempo todo. Assim que eu ouvi sua mensagem eu fui correndo para o hospital. Jared, por favor…?

- Eu já tomei minha decisão.

- Você sequer está em condições psicológicas de tomar qualquer decisão - A voz de Jeffrey se tornou fria de repente.

- Eu sei bem o que estou fazendo. Não é nenhuma decisão recente, eu teria ido embora na noite em que a Angel nasceu.

- Você ia me deixar?

- É o certo a fazer. Isso tudo foi um erro, Jeff.

- Um erro? - O homem mais velho andou pelo quarto, passando a mão pela barba. - Okay… Você pode até ir embora se quiser, mas o bebê fica - Jeffrey sabia que Jared jamais iria embora sem ela.

- O quê?

- Você acha que eu irei deixar a minha filha nas mãos de alguém que está doente, e que acabou de tentar suicídio? - Jeffrey parou, muito próximo. - Você é um perigo, Jared. Não só para ela, mas para si mesmo.

- Não - Jared forçou um sorriso. - Eu estou bem agora, eu jamais faria qualquer mal pra minha filha.

- Você passou pelo menos dezessete dias sem sequer olhar para ela.

- Eu tinha acabado de passar por um momento difícil, eu… Eu estou bem agora. Ela me salvou - Jared falou com a voz embargada, seu coração cheio de dor e arrependimento.

- Eu amo você e tudo o que quero é que sejamos uma família. Agora... se você quer mesmo ir embora, eu não posso impedí-lo, mas a menina fica. Ela precisa de alguém com estabilidade emocional para criá-la.

- E esse alguém é você? - Jared estava tentando controlar sua raiva.

Jeffrey suspirou. - Acho que você não vai querer brigar comigo na justiça, vai? - Sorriu, vitorioso. - Acha mesmo que algum juíz daria a guarda dela pra você?

- Por que você está fazendo isso? - Jared não conseguia entender. - Você nunca mostrou qualquer interesse por ela, por que agora…?

- Você não me deu outra escolha, baby. Mas nós ainda podemos ser felizes, nós três - Jeffrey tocou o rosto de Jared, num leve carinho, e o puxou para os seus braços. - Se eu perceber que você não tomou seus remédios, mais uma vez… Serei obrigado a interná-lo. Não me force a isso, meu amor - Jeffrey beijou seus cabelos, sentindo Jared estremecer em seus braços.

Continua…


Resposta às reviews sem login:

Nicole: Te avisei que as meninas gostam mesmo é de sofrer, viu? rs. Bem vinda! Amei seus reviews. Olha, eu acho que Jeffrey realmente ama o Jared, mas de um jeito possessivo, doentio. E Jared está passando por momentos difíceis, e pior, sozinho, sem o apoio de ninguém. Não foi fácil pro Jensen ver Jared grávido do seu pai. Deu vontade de pegar ele no colo, né? Bom, pelo que você pode ver, as coisas não começaram a melhorar ainda, mas há esperanças no capítulo 10, eu acho… rs. Obrigada por ler e comentar. Beijos!

Val: Vocês são guerreiras, viu? Eu amo escrever angst, mas confesso que como leitora, às vezes eu fujo… rs. Pois é, Jensen era o namorado perfeito, e com certeza seria um pai e companheiro perfeito neste momento que Jared tanto precisa. Deu vontade de pegar Jensen no colo, né? Tadinho. Jared, então… U_U. Sobre a separação, acho que você tem razão, Jeffrey não vai simplesmente aceitar tudo numa boa. A desgraça nunca é pouca, né? Kkk. Beijos! Obrigada por ler e comentar.

Guest: Que bom que gostou! A cena do reencontro dos meninos me cortou o coração. Até eu odiei o Kane naquele momento… rs. É muito sofrimento, até pra mim. Bom, algumas questões foram respondidas neste capítulo. E a fila dos que odeiam o Jeffrey só vai aumentando… kkk. Obrigada por comentar. Bjos!

Acia cassimo: Sim, Jared está pagando pelos seus erros, né? Embora o preço seja um pouco alto demais, acho que ninguém merece todo esse sofrimento. Jensen e Chris nunca daria certo, né? Pro Jensen, Kane sempre foi só um amigo. Obrigada por comentar. Bjos!

Anaas: Jeffrey nunca foi tão odiado… E olha que eu amo o ator, tadinho. Meio que me arrependi de ter colocado ele aqui… kkk. As coisas não estão fáceis pro Jared, né? Quando ele resolveu ir embora, tudo desandou mais uma vez. Estou postando rápido porque a inspiração e os comentários tem ajudado, mas não posso garantir até quando… rs. Obrigada por comentar. Bjos!

Maria Aparecida: Sim, foi uma péssima ideia o Jensen namorar o Chris pra tentar esquecer o Jared. Mas talvez ele não estivesse pensando coerentemente, né? Tava carente, precisando colo, e o Kane estava lá… Mas sempre há tempo de consertar as coisas. Jared está depressivo. Acho que ele tem dúvidas até mesmo da própria sanidade mental. E estar sozinho num momento desses, não é nada fácil. O maior erro foi ele ter saído de NY e se afastado dos amigos. Você falou de "irmãzinha" e me deu até um arrepio aqui… kkk. Obrigada por comentar. Bjos!

Helena Candido: Não sei se Jared é forte, mas ele está sozinho nessa, vai ter que encontrar forças em algum lugar. Jeffrey é um personagem que será explicado mais pro final. Por motivos… rs. Obrigada por comentar. Bjos!

Sol Padackles: Jeffrey é mesmo um caso a ser estudado, né? Ele tem umas atitudes repulsivas, às vezes, mas ao mesmo tempo ele ama o Jared (de um jeito louco e obsessivo, mas ama… kkk). Bom, por motivos, este personagem só será explicado mais pro final da fanfic. Jared está numa situação complicada, né? Já estou querendo reverter toda a desgraça e dar colo pra ele… kkk. Obrigada por comentar. Beijocas!