A fic não foi betada
De volta às suas raízes
Penélope acordou depressa na manhã seguinte, a voz da professora de adivinhações a despertara. Era a hora de tomar o seu chá. Sybill se apressou naquele ato, a mulher não tinha a menor curiosidade de ver amiga do Severus em alguma de suas crises.
Medicada, Penélope voltou a dormir, em vinte minutos estava de pé novamente. Ativa, curiosa e um tanto inquieta. Reclamou por um passeio nas mediações do castelo, mas as ordens de Snape foram claras:
— Sybill, não a deixe sair de sua sala, amanhã bem cedo eu venho vê-la.
Mas ele não veio, e estando presa na sala da professora, aquele cheiro nauseante de incenso já começava a deixá-la mal humorada. Penélope estava farta de viver trancada e, ali na torre de astronomia não tinha com quem conversar. Trelawney passava horas sentada em posição de lótus, sonorizando uma meditação, tomando de tédio aquele aposento.
Lane caminhou até a varanda, que Sybill teimava em chamar de observatório, viu um time de quadribol treinando no campo ao longe. Ela não tinha certeza, mas aqueles jogadores pareciam tão ágeis e espertos.
— Devem ser sonserinos.
As palavras de Penélope aguçaram a curiosidade da mulher concentrada ao seu lado. Desde a noite anterior ela estava louca pra bombardear sua hóspede de perguntas, mas conteve-se e apenas a deixou descansar.
— Todos os Lanes eram sonserinos?
— Oh, claro! — ela respondeu como se aquilo fosse óbvio. — A família do meu pai era toda sonserina.
— E sua mãe? — a mulher insistiu
— Minha mãe era sonserina, mas o irmão dela- -
Lane hesitou. Estava prestes a falar de seu tio, Calvinus, a ovelha negra da família Stanley. A lembrança dele a fez recordar de uma velha história que seu pai lhe contava:
— Seu tio foi da Grifinória. Sabia disso, Penny? — Sim, ela sabia, ele nunca deixara seus filhos esquecerem daquilo. — Por pouco eu não me casei com a sua mãe.
O patriarca da família Lane, o seu avô, sempre foi muito exigente quanto à pureza da linhagem deles. O pai de Penélope sempre achou que se um de seus filhos seguisse os passos do tio porra-louca, seu próprio pai morreria do coração. Mas, em vez disso, o velho morreu atropelado. Uma história bem irônica pra quem costumava dizer — O que vem dos trouxas não me atinge.
— "Mas" o que, Penélope? — Sybill perguntou, tomada de curiosidade.
— "Mas", não é da sua conta, Trelawney.
Mexer no passado nunca foi uma virtude de Penélope, sempre que fazia isso se via contrariada. Tão contrariada ao ponto de tratar mal a quem lhe estendia a mão.
— Me desculpe. — a mulher disse secamente — Quando estive no Ministério sempre ouvi falar da morte dos Lanes. Queria apenas saber se - -
— O que disse, senhora? — Lane a interrompera.
A moça não acreditava no que acabara de ouvir. Sua família estava morta? Estiveram eles todos esses anos enterrados enquanto que Penélope se debatia numa cela amaldiçoando cada um por não visitá-la?
— Disse que; quando trabalhei pro ministério ouvi falar muito da morte da sua família.
— Você está brincando, certo? — ela perguntou cética. — Esta brincando comigo, não está?
— Não, eu não estou!
Trelawney não conseguia entender o porquê daquele alvoroço, ela apenas havia comentado algo que se fez claro há uns vinte anos atrás. Aquilo ainda doía em Penélope?
— Sua lunática! Não se brinca com uma coisa dessas!
— Se acalme! — a outra pedia — Me desculpe, eu não quis relembrar um passado triste e- -
— Como eles morreram?! — ela exigia uma resposta — COMO?!
— Não foi o seu irmão comensal que os matou?! Aquele que morreu pouco depois e - -
Patrick havia matado sua família há vinte anos atrás. Patrick havia arruinado a sua vida inteira. Patrick era um monstro. Patrick merecia morrer, e naquele momento o que ela mais queria era matá-lo, porem ele já estava morto.
— Oh, meu Deus! — Ela se deixara exclamar — Oh, meu Deus!
— Você não quer dizer Oh, meu Merlin?
Mas, anos trancafiada num hospício, sendo obrigada a decorar a bíblia a havia transformado numa herege. Ela blasfemava por tudo.
— Vá buscar - - Severus. — ela pediu fingindo sucumbir na cadeira mais próxima.
— O quê?!
— Vá buscá-lo, Trelawney!
Sybill foi buscar ajuda mais rápido que pôde. A ajuda do professor de poções, claro. E, de uma torre à outra, aquela mulher magricela correu em busca de Snape. E pra quê?
A sonserina queria um pouco de privacidade. Privacidade pra chorar. Levou as mãos ao rosto, mas lágrimas não rolaram. Era um choro calado de dor. Não tímido, pois o seu silencio era constantemente quebrado por gemidos, mas seco como um choro fingido. Ela adoraria estar fingindo, mas talvez em vinte anos seus olhos tivessem secado.
— Patrick. — ela deixou-se dizer — É sorte sua estar morto. — soluçou — Por que eu juro que eu iria até o inferno te matar. Eu iria - -
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[20 anos atrás]
— Acha mesmo que eu irei deixá-la sujar assim o nome da nossa família? Não seja idiota, Penélope.
— Não me chame de idiota, seu - -
A garota avançou contra o irmão. A pequena Penélope não tinha muitas certezas em sua vida, mas uma das poucas certezas que tinha era a de odiá-lo:
O odiava por ser mais amado e resistente. O odiava por ser mais sonserino, mais belo, mais estúpido e por fim: por ter o cabelo mais comprido que o seu. Bem, e foi nessa ultima característica odiosa dele que ela se pendurou. Fechou o punho em volta daquele longo e escuro rabo de cavalo provocando gritos de dor no irmão.
Fazendo uma pequena análise de Penélope Lane, pode-se dizer que: todas as certezas que a garota possuía eram ligadas ao ódio: odiava Patrick, odiava grifinórios, odiava a família Black e odiava trouxas. Penny estava certa de apenas um sentimento bom: faria qualquer coisa por seu amigo, Severus Snape. Qualquer coisa mesmo. Na verdade ela não sabia se esse era um sentimento bom, mas o cultivava dentro de si.
— Me largue, sua pirralha! — Penélope também odiava ser chamada de pirralha.
E odiava principalmente ser chamada assim por Patrick.
— Devolva minha varinha! — ela bradou ainda agarrada ao irmão — Já estou melhor e quero ir embora! Quero voltar para Hogwarts.
— Você nunca mais vai voltar pra lá, está me ouvindo? — ele disse esquivando-se da irmã.
Penélope saiu com vários chumaços de cabelos presos entre os dedos.
— Eu não tenho medo de você — e avançou novamente nele — Devolva minha varinha.
Como se repelisse um bicho nojento de si, num sonoro tapa, Patrick a jogou no chão.
— Não tem medo de mim? — ele perguntou, ensaiando batê-la — Sua coragem é disfarçada!
Ela começou a chorar, e se ajoelhando aos pés dele viu todo o seu orgulho ir pro espaço. Penny queria ir embora. Mas depois desse episódio, jamais voltou à escola.
[/20 anos atrás]
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— Você deu detalhes sobre a morte do caçula?
A ofegante Sybill não conseguia se encontrar em meio às perguntas de Snape.
— Sybill! — ele a chamara a atenção — Você a contou?!
Penélope tinha estado enfeitiçada por um longo tempo e, de mau jeito acabou atirando no seu irmão mais novo. Sybill não sabia disso. Snape ficou feliz em saber desse fato, porque se as coisas dependessem só dele, Penny nunca ficaria sabendo daquele episódio. Ela matou o próprio irmão? Não. Segundo Snape, Patrick matou a todos da família.
— Não contei nada não, professor Snape! — a mulher esbravejou — E, por favor, parem com essa mania de gritar comigo!
— Ah. Desculpe-me, Sybill. — ele lhe disse — Você foi muito atenciosa. Mas, terei que tirá-la daqui. Poderia nos fazer um último favor? Fique com ela até - -
—Não! — a mulher respondeu de pronto — Já paguei o meu carma do dia!
Severus não mais insistiu. Sibyll costumava ser muito compreensiva, mas estava na cara que dividir sua casa com uma ex-paciente psiquiátrica não fazia o seu tipo. Sem hesitar, ele seguiu a caminho daquele recinto, disposto a tirar Penélope de uma vez da torre de astronomia.
- - -
O corpo de Penélope jazia estático, jogado numa das cadeiras ao balcão do Caldeirão Furado. A sua frente estava um copo de água intocado, ela tentou, mas, Severus a proibiu de tomar cerveja amanteigada. Segundo ele, causaria uma má reação junto com a poção-chá.
Penny não insistiu, aquilo não fazia a mínima diferença já que o seu mundo - que parecia ter caído há vinte anos atrás – tinha voltado a desmoronar sobre sua cabeça.
— Por que você não me contou, Severus? — ela por fim deixou-se perguntar.
— Me desculpe, Penny. — ele lamentou friamente — Eu ia contar. Só estava esperando o momento certo - -
Mas Penélope não deixou que ele se explicasse
— Quando?! — ela bradou — No meu leito de morte?! Sabe, há vinte anos atrás eu não estaria aqui... Decadente, implorando por míseras respostas.
— Ah, não? — ele perguntou
— NÃO! — ela respondeu perdendo a paciência — Eu já teria me levantado e esbravejado aos quatro ventos - -
— Se acalme, garota. — ele pediu — Você não é mais aquela menina mimada, então, se acalme.
— Eu estou calma! — ela mentiu — Descobri que toda minha família foi morta pelo meu miserável irmão. Estou calma até demais, Severus.
— Estou vendo. — ele continuou irônico — Tomou o seu remédio hoje?
— Porque você tem que ser tão frio e metódico?
— Frio? Metódico? — ele repetiu — Meus anos de irreverência foram pro espaço, Penny!
Talvez Penélope não se lembrasse, mas, uma vez Snape havia feito algo por impulso. Há vinte anos atrás, durante o Baile de Primavera dos Campeões, ele mostrou-se o maior dos perdedores; tentando impressionar Lily com seus cadenciados passos de valsa, e por fim forçando Penélope a um beijo; como se Evans fosse realmente sentir ciúme daquela cena estúpida.
— Você nunca faz nada por impulso.
— Impulso não leva a nada. — ele disse secamente.
— Estou perdendo o melhor que eu tinha! — ela exclamou — Aos poucos estou me transformando em você, Severus.
— Acredite: Esse defeito que você insiste em chamar de qualidade, não era o melhor que você tinha.
Snape puxou o copo de água para si, o bebeu em um só gole. Angustiado, ele suspirou em busca de alívio, mas nada parecia lhe devolver a paz de espírito. Há anos Snape não vivia em paz, e Penélope não era a principal culpada disso.
— O que eu tinha de melhor, então?
— A fé. — ele se deixou disser, já com os olhos mareados — A fidelidade que você sempre depositou nas coisas em que acreditava. E quanto a mim- - Eu nunca tive nada.
— Severus, por favor - -
— Não! — ele bradou — Acredite! Isso era e é o melhor que você tem. Eu daria qualquer coisa pra por um pouco da sua fé.
— Mas, Severus, você sempre foi o meu grande apoio.
Severus largou o copo sobre o balcão e agarrou uma das mãos de Penélope, ela tremia. Não por efeito do remédio, mas por estar inconsolável, dividindo um dos piores momentos de sua vida com quem amava. Snape enroscou um de seus longos e pálidos dedos aos pequenos dela. Percebeu uma antiga mania: Lane ainda roia suas unhas ao limite. Snape odiava esse vicio tolo — É o primeiro sinal de fraqueza — ele dizia, mas Penélope era bem forte.
— Severus - - — ela continuou— Você é tudo o que eu tenho, não vê?
— Penélope, como assim tudo o que - - ?
— Tudo! — ela o interrompeu — Tudo!
Penélope se debulhava em lágrimas soluçando entre as palavras mal expelidas
— Por favor. — ele insistiu — Eu nunca lhe correspondi a nada. Eu sinto muito por isso, mas, nunca lhe dei nada, Penny
— É tudo o que eu tenho.
— Então você não tem nada. — Severus disse, soltando-lhe a mão — Escute - -
— Não — ela gemeu levando as mãos ao rosto — Eu tenho tudo!
— Por favor — ele tentava a ignorar — Me escute: O dono desse bar é amigo do Professor Dumbledore. Seu nome é Tom e ele aluga quartos- -
— O que você ta tentando me dizer? — ela tomou a palavra — Vai se livrar de mim?
— Você vai viver aqui. Venho visitá-la quando puder, ok?
— Daqui a vinte anos?
— Não. — ele respondeu com um riso nos lábios — Pelos próximos quarenta anos eu virei aqui visitá-la.
— Todo dia? — ela perguntou
— Todo dia. — Snape repetiu. — Mas por hoje, eu tenho que ir
Snape se levantou da cadeira, ensaiou uma despedida breve, mas Penélope ficou curiosa. Aonde Snape iria à hora do almoço?
— Aonde vai?
— Desculpe — ele lamentou — Mas eu não posso- -
— Ah. — ela exclamou — Claro, vai a um encontro.
O que Lane estava pensando? Snape tinha um encontro com outra mulher? Com Molly Weasley, talvez? Ou com Nimphadora Tonks? A grande verdade era que Snape tinha sido convidado, por Dumbledore, para almoçar na sede da Ordem da Fênix.
— Vou almoçar com um bando de aurores, ok? — ele dizia tentando tornar aquilo mais simples aos ouvidos dela.
— Aurores? — ela repetiu com deboche — Você passou pro lado deles mesmo, hein?
Snape puxou-a pelo braço, ensaiando levá-la junto.
— Ah, por favor, venha logo! — ele disse — Te explico tudo no caminho.
— Vai me levar a um almoço importante?! — ela perguntava com os olhos brilhando — Mesmo eu usando essa roupa?
— O que tem de errado com essa roupa? — ele retrucou, observando-a vestida com o seu próprio casaco — Era o meu melhor sobretudo.
— Era? — ela repetiu incrédula — Então ta.
- -
Severus e Penélope aparataram na sala de estar da casa número doze do Largo Grimmauld.
Snape pousou seus pés com cautela sobre o carpete e Penélope despencou sobre o mesmo ao seu lado.
Lane não conseguia se por de pé, então num só movimento Snape a puxou. Penélope demorou a encontrar o equilíbrio, mas por fim se apoiou no ombro do seu amigo mantendo-se firme.
— Onde diabos nós estamos? — ela perguntou, mas logo fora interrompida por gritos vindos do cômodo ao lado.
— SANGUE PURO! — Walburga gritava de seu retrato — SANGUE PURO AMALDIÇOADO! LEVE SEU AMIGO MESTIÇO PARA FORA DAQUI!
Penélope estava apavorada com aqueles gritos, mas Snape já estava acostumado com os escândalos da Sra. Black.
— Acho que sua chegada acabou a acordando - -
— Severus, onde estamos? — ela quis saber — E o que exatamente eu acordei?
Era chegada a hora de finalmente contar a Penélope onde eles haviam ido parar: A casa dos Black.
— Estamos na sede da Ordem da Fênix.
— Ordem de quê? — ela repetiu confusa
— Ordem da fênix! — ele explicou já impaciente — Que também é a casa de Sir - -
As palavras de Severus foram interrompidas por um pigarrear de garganta às suas costas. E, como que em sincronia, ele e a sua amiga voltaram-se a quem exigia atenção: O dono da casa, claro.
— Sejam bem-vindos, meus velhos amigos. — ele os cumprimentou debochado.
Penélope mirou aquele homem dos pés à cabeça, porem não conseguiu de primeira reconhecê-lo. Aqueles olhos não lhe eram estranhos: pequenos, azulados e desconfortantes... Aquele era Sirius Black?
— Severus - - — ela pedia ajuda ao outro — Por que me trouxe aqui?
— Pra que você conheça meu segundo trabalho.
— Segundo trabalho? — ela repetiu — Como assim - -
— A faxina está te esperando, Snape. — Black brincou. — Ora, somos a Ordem da Fênix, Lane.
Sirius riu, Penélope não. Ela voltou a mirar Snape ao seu lado exigindo explicações
— Achei que ele estava morto, Severus.
— Eu nunca lhe disse isso — Snape respondeu por entre os dentes. — Todos nós fazemos parte da Ordem da Fênix e - -
— Me explique de uma vez o que é a Ordem da Fênix?!
— A Ordem da Fênix, minha cara - - — Sirius tomou a palavra antes que pudesse se sentir escanteado em sua própria casa — É uma organização, criada pelo professor Dumbledore a fim de que lutemos contra o - - — ele voltou-se à Snape — Como ele se chama mesmo, Snape?
— Lorde das Trevas
— Sim, o Lorde das trevas e toda a sua corja. — ele continuou — Somos cruéis, Lane. Lutamos pelos ideais dos sangues ruins. Você está sozinha por aqui, querida.
— Black, por favor, ela não esteve bem. Não a provoque, OK? — Snape pediu — Você sabe de toda a história dela e - -
— Ele sabe?! — ela repetiu, sentindo seu orgulho ferir — Eu quero ir embora, Severus.
— Não, Penny. Nós vamos ficar e almoçar com todos os outros. Acha que eu também gosto de estar aqui?
— Acha que eu gosto de recebê-los aqui? — Sirius os interrompeu — Além de odiar essa casa eu odeio vocês dois.
Severus deu de ombros e arrastou Penélope pelo interior da casa. Alvo Dumbledore estava à espera dele, e os discursos infantis de Sirius não iriam atrasá-lo mais do que já estava.
— Se você tivesse me dito, eu - -
— Shiu — ele fez menção para que ela se calasse. Os dois chegaram à cozinha onde todos daquela organização, excetuando Sirius à espalda deles, jaziam sentados ao redor de Alvo Dumbledore.
Como se fosse a dona da casa, Molly Weasley veio ao encontro da visitante a fim de cumprimentá-la, e, meio que de mau jeito, à moça retribuiu àquele aperto de mão. O marido da anfitriã fez menção para que aquela dupla atrasada se sentasse junto aos outros.
Snape ocupou a outra cabeceira da mesa, Penélope uma cadeira próxima a esta. Ao seu lado, Nimphadora Tonks que por sua natureza alegre e espontânea decidiu cumprimentar a estranha ao seu lado.
— Oi! Eu sou a Tonks. — ela disse lhe estendendo a mão — Como vai?
Penélope hesitou em cumprimentá-la, olhou da moça pra Snape que franziu o cenho mediante a falta de educação da sua amiga.
A sonserina entendeu aquela censura e retribuiu o gesto de má vontade.
—Tonks de quê? — ela perguntou em seguida
— Er - - Só Tonks. — a garota mentiu
— Cabelo engraçado, Tonks.
— Ah - - — a mais jovem não sabia se havia sido elogiada — Obrigada.
— Na verdade- - — Sirius as interrompeu sentando-se à frente de Lane — - - Pode limpar as suas mãos, sua grosseira. A Tonks também é uma Black.
Penélope deu de ombros voltando seus olhos aos demais à mesa.
— Lupin?! — ela exclamou mirando o homem de aparência doentia a alguns metros dali. — Severus - - — ela voltou-se ao seu amigo — Aquele é Remus Lupin?
— Sim, Lane
— Nós vamos nos casar! — Tonks tomou a palavra num cochicho. Penélope não estava nem um pouco interessada naquela baboseira, mas fingiu esta prestando atenção.
— Severus - - — ela voltou a chamá-lo — Ele não era gay?
— Penélope, por favor!
— Licença! — Sirius gritou — Não pode chegar por aqui e sair ofendendo as pessoas.
— Sirius - - — Tonks tentou acalmá-lo, mas a tentativa foi em vão.
— Não! Essa mulher não é ninguém. O que ela está fazendo aqui, hein?
Severus pensou em se esconder embaixo da mesa, mas acabou enfrentando aquela situação embaraçosa. Sua amiga estava ali por que ele a havia trazido. Certo que a casa não era dele, mas, por Merlin, vintes anos se passaram e aqueles dois ainda eram arquiinimigos?
— Eu a convidei, Black.
— E daí? —Sirius o peitou — Só com você rondando por aqui nós já temos sonserinos demais à mesa. Não precisava ter trazido a sua namorada
— Cala a boca, Black! — Penélope por fim dirigiu-se ao homem à sua frente
Molly, que acabara de sair da cozinha com uma grande panela em mãos, passou pelo trio que discutia, censurou Black por estar gritando tão alto — Posso ouvi-lo claramente da outra ponta da mesa. Não seja mal educado. — E, antes que se fosse, ela os serviu do contido daquele recipiente; um liquido vermelho. Sopa de tomate, talvez.
Envergonhado, Sirius se calou, mas agora era Penélope quem queria desabafar.
— Você não devia falar assim com os mentalmente incapacitados, Black. — a moça fingiu-se ofendia.
— Penélope, não diga isso. — Severus a censurou, mas, ela nem ligou.
Sirius continuou calado.
Sim, ela era mentalmente incapacitada, então não valia a pena perder tempo com aquela discussão sem razão.
— Ele me ofendeu
— Ele não lhe ofendeu.
— Sim, ele me ofendeu. — ela insistiu. Mas, Snape sabia bem que ela não estava ofendida. — Ele me ofendeu e eu estou ficando nervosa.
— Ah vá pro inferno, Lane — Sirius a provocou.
— Severus — ela insistia, fingindo choramingar — Eu tomei o meu remédio hoje?
Snape estava impaciente, aquele teatrinho já tinha ido longe demais. O homem simplesmente não entendia porque que ela insistia em fazer biquinho cada vez que Sirius lhe virava o rosto.
— Sim, Penélope, você tomou - - — Severus teve a impressão de vê-la piscar os olhos em sua direção. Ele hesitou em continuar falando, mas de repente ela repetiu aquele gesto. Estaria ela querendo combinar algo com ele? Mas o que seria?
— Tomei? — ela piscara de novo. Sirius acabou voltando-se àquela conversa confusa.
— O que tem nessa porcaria de remédio de que ela tanto fala, Ranhoso?
Ranhoso? Aquele estúpido ainda chamava o seu Severus por aquele apelido ridículo? Bem, Snape era muito profissional e Lane não se admirou dele se forçar a aturar aquelas provocaçõeszinhas de Black.
Mas, Penélope não convivia com aquela gente, ela não lhes devia respeito e nem eles a ela, claro. Porem, em face daqueles insultos com que o outro insistia em bombardear Severus, ela se viu apta a usar da triste situação de sua vida para defendê-lo. Ou pelo menos investir numa pequena vingançazinha.
— Está com medo, Black? — ela provocou, mas o outro não teve tempo de responder, Severus lhe tomou a palavra:
— É graças a essa porcaria de remédio, Sirius, que a minha amiga aqui se mantém lúcida por, mesmo que pouco, tempo.
Penélope, debatia suas pernas em baixo da mesa ensaiando uma falsa crise. Ainda calçava tênis brancos, como todas as pacientes do manicômio, e era com eles que agora chutava Black por debaixo da mesa. Todos naquele recinto se voltaram àquela cena. Lane se remexia na cadeira, enquanto tentava provar um pouco da sopa em seu prato.
— Ei! — o animago exclamou se levantando — O que esta louca está fazendo?
— Ela está em crise, oras — Snape dizia mantendo a calma. — Tem certeza de que não tomou o seu remédio, Penny querida? — ele a perguntou tenramente
Lane o respondeu com um desajeitado sacudir de cabeça. Ela levou uma colherada, mesmo que com a mão muito trêmula, daquele líquido vermelho à boca. Sorriu para os ali presentes, mas numa atitude bipolar começou a ensaiar um falso choro.
— A sopa está - - Uma delícia! — ela chorava.
— Eu sei, Penny, mas não precisa chorar. — Snape a consolava. Ele realmente havia entendido o espírito da coisa.
— Está muito boa, mesmo - - É uma pena.
— Pena porque, Penny?!
— É, Porquê?! — Sirius repetiu, buscando um ângulo melhor daquela cena.
— Leve-a embora, Severus — Dumbledore pediu ao longe.
— Nãããão — ela gritou quando Severus a agarrou pelo braço.
— Vamos Penny, já chega — ele lhe sussurrou, querendo acabar com aquilo
— Mas eu não terminei — ela respondeu.
Por fim se levantando, ela soltou-se de Severus, e livrando-se daquelas expressões ridículas que antes transparecia na face, abaixou os olhos. — Ela voltou ao normal! — alguém exclamou à mesa, mas ela nunca esteve anormal, esteve?
Penélope voltou-se à Sirius, sem se arrepender nem por um instante do planejava fazer. Ela tomou em mãos o prato de que antes estava se servindo, olhou-o profundamente: Era realmente uma pena se livrar de uma sopa tão bem temperada e tão saborosa como aquela que Molly preparara.
— Vá embora, Lane — ela ouviu Black dizer como que em câmera lenta — Vá - -
— Vá pro inferno! — ela gritou segurando aquele recipiente com as duas mãos e atirando-o na direção do, outrora belo, homem à sua frente. Num piscar de olhos Black estava coberto daquele líquido rubro e quente. Quente? Aquilo pegava fogo, ainda fervia pois tinha acabado de sair do tacho.
— Aaai! — ele gritava de dor.
Lupin levantou-se de pronto e correu ao auxilio de seu amigo.
— Você é louca!? — o licantropo esbravejou antes de sumir com Sirius pelo interior da cozinha.
Lane continuou parada em frente à todos aqueles aurores. Encarava cada expressão naqueles rostos boquiabertos que lhes censuravam. A mulher parecia ostentar na ponta do seu pequeno nariz todo o orgulho do mundo. O que ela estava esperando com aquela pose? Aplausos?!
— Sim, eu sou louca!
Severus a puxou pelo braço, o professor de poções estava morto de vergonha, transparecia raiva, mas o que mais gostaria de fazer era encontrar um buraco para se meter e só sair dele em nada menos do que - - Vinte anos?!
— Penny! — ele exclamou ainda arrastando-a rua à fora. — Porque você fez aquilo - -?
Mas, Penélope não lhe respondeu, ela receava por tê-lo desapontado. No fundo do seu coração, ela não tinha feito aquilo por mal. Fizera aquilo apenas por todas as detenções pagas e por todos os cenhos franzidos de Snape. Sem falar que, no final das contas; Sirius Black precisava tomar banho.
Severus a encarava com os lábios cerrados esperando uma explicação digna daquele teatrinho, mas ela apenas sorriu, e alguns segundos se fizeram até que ele a seguisse naquele gesto. O homem deu-se por vencido: afinal aquela cena foi por demais engraçada. Imaginem: Sirius Black literalmente pegando fogo em meio a tomates temperados com muito amor.
Eles ficaram ali por muitos minutos rindo à toa, sem se darem conta do que realmente os divertia; se as caretas que os convidados à mesa fizeram, ou se o susto que Sirius tomara. E, até que aquele devaneio cessasse, os vizinhos da sede certamente se perguntaram o que estariam fazendo aquelas duas estranhas figuras (vestindo sobretudos) gargalhando em meio à rua deles.
— Penny, já andou de metrô? — ele perguntou sem pensar
— O que é isso? — ela lhe perguntou em meio à alguns soluços.
— Um grande trem, bem divertido, que os trouxas inventaram.
— Trouxas? — ela repetiu com um falso asco na voz
— Ah, por favor! — ele insistia
— Hum. Então, o senhor Snape está sendo espontâneo? — ela perguntou. — Você pensa que não, mas - -
— Vamos ou não? — Severus insistiu, antes que alguma conversa idiota estourasse.
— Mas — ela continuou o ignorando — Eu me lembro muito bem da única vez em que o metódico Severus Snape foi irreverente.
Ela se lembrou, se lembrou da noite do baile de primavera. Agora, Snape estava arruinado. O homem tentou livrar-se daquela seção-nostalgia acelerando os passos à frente dela, mas, Penny sabia ser rápida.
— Penny - - — ele ensaiou pedir que ela se calasse, mas não surtiu efeito algum.
— Ah, Severus! Teria sido lindo- - Se não fosse tão ridículo.
— Um beijo forçado não é nada lindo, ok?
— Sim, um beijo forçado pode ser lindo — Lane repetiu — Posso te pedir uma coisa?
— Não
— Sem compromisso — ela continuou ignorando a resposta dele — Sem nada. Só pra relembrar?
— Eu não vou beijá-la - -
Penélope era bem mais baixa que ele e, agarrando-se ao braço de Snape, ela o puxou. Severus se surpreendeu com aquela atitude e virou o rosto na direção dela, confuso. Era exatamente daquele gesto que ela precisava. Nem hesitar, Penélope levou seus lábios aos de Snape e exatamente como fora da última vez; nenhum dos dois conseguiu se mover mais do que aquela posição desconfortável os permitiu. Eram dois lábios se empurrando e tomando o ar um do outro, mas acima de tudo eram dois amigos se provando de mau jeito.
Em poucos segundos, seus lábios já estavam separados. Num sonoro smack, num vácuo, Penélope voltava a ser Penélope e Severus voltava a ser Severus. Eles continuaram a andar emparelhados pelo Largo Grimmauld. Ela se agarrava ao braço dele como se Snape pudesse fugir a qualquer momento, mas aquilo nem passava pela cabeça dele.
— Porque está sorrindo? — ele lhe perguntou acelerando os passos.
— Por nada — ela mentiu.
Severus sabia que ela não estava falando a verdade então, insistiu:
— Então no que está pensando?
— Hm. Estou pensando que deve ser bem legal andar de metrô.
Verdadeiro fim está no próximo capítulo.
Um epílogo em forma de POV. Espero que gostem.
N/As
Agradecimentos:
Tati Cullen e Nina Rickman, Eris, Florence, Sweet Miss, Mara e Serena
- Pela paciência,
- Pelo apoio,
- Pelas reviews e...
- Por aceitarem a Penny (Merlin sabe que a maioria dos OCs não são bem vistos)
Algo bem irrelevante! "Sua, coragem é disfarçada!" tirei essa frase de o Morro dos Ventos Uivantes, e já a usei numa outra fic minha; Maus Costumes.
O Ospedale Antonini di Monbello realmente existe, só não sei se fica em Milão rs
Enquanto que a "Arruinando o seu casório" não sai, porque não tentam acompanhar The Xmas Club?? (risos) Tem Sev, Marlene, Penny e Sirius XD
Baixe já a trilha sonora dessa fic ( sim você não leu errado rs) E por favor não deixe de ler o READ ME do arquivo. O link está em meu perfil.
