E aí galera! ~
Então, temo dizer que Utopia está em seus últimos capítulos, mas prometo: não vamos acabar com as coisas mal resolvidas pra nenhum personagem. Por isso, esse capítulo sera dedicado aqueles fora do universo SasuNaru, sim, aos figurantes de Utopia HAHAHAHA.
Espero que gostem.
Desculpem qualquer atraso! Obrigada por lerem, comentarem e acompanharem!
Abraços do tio Att.
Have Fun ~
Betagem por: Tkitsunne
Os orbes verde-água assistiam de forma impassível à cena lamentável diante de si. Tudo o que Gaara conseguia pensar era em controlar ao máximo a torrente de palavrões que se prendiam em sua garganta, depositando muita força de vontade nisso. Ele havia deixado Naruto ir com o Uchiha, havia permitido que o loiro fizesse o que tinha vontade, e ali estava ele, perdido, confuso, chorando como uma criança mimada e desiludida, e o pior, obrigando ele - Gaara - a não só passar pela humilhação da noite anterior, como também supostamente ter o dever de consolá-lo agora.
Naruto continuava sendo um egoísta que não media as próprias consequências, visto que era óbvio que o loiro estava ocupado demais pensando em si e no quanto estava machucado para cogitar, em algum momento, se o ruivo estava se sentindo confortável com toda a situação.
Contudo, estranhamente, ouvir as palavras que eram balbuciadas em meio às lágrimas e os soluços não o machucavam com tanta efetividade como antes. Parecia que depois que viu a realidade bem diante aos seus olhos, que finalmente pensara na coisas com mais calma, e, por fim, que ao reconhecer o que era verdadeiramente ser desejado por alguém fez com que seu interior ficasse mais... leve ao escutar o nome "Sasuke Uchiha".
— E-Ele sequer olhou pra mim, Gaa... - Naruto falava enquanto cobria os olhos, encolhido em meio à manta laranja, consciente de que Gaara estava sentado concentrado na cadeira ao lado da cama. — Ele n-nem disse t-tchau ou p-pediu desculpa por s-ser tão grosseiro, s-sabe?! e... — Mais um soluço e uma nova onda de lágrimas. — E-Eu me sinto tão burro, tão sujo... M-Me sinto tão idiota por ter acreditado que eu... — Hesitou, mas logo em seguida admitiu: — Q-Que eu estava chegando a algum lugar com aquele bastardo. — Sentiu seu coração apertar dolorosamente com a carga sentimental depositada nas palavras.
Finalmente se rendeu ao choro, tendo como único som ambiente o mantra e os soluços. Como pudera ser idiota daquela maneira? Por que confiou de maneira inconsequente em alguém que mal conhecia? Por que Sasuke o usou daquele jeito tão baixo, tão covarde, e o descartou sem mais, nem menos? Por quê? Por quê?
Sentiu um leve toque em sua cabeça: Era a mão alva de Gaara depositada passivamente em seus fios loiros.
O ruivo suspirou e, sem pensar muito, disse de súbito sua opinião: — Não é só culpa dele, Naruto. Você sabia e queria tudo o que aconteceu. — O loiro parou instantaneamente, virando, finalmente, os olhos azuis marejados para os verde-água firmes. — Não adianta jogar toda a responsabilidade em cima dele por você estar assim.
— O quê? — Havia ouvido direito? — Como você pode dizer isso? Isso é um absurdo! Eu não usei ele apenas como um objeto de desejo! — Elevou a voz, ainda não acreditando no que o amigo acabara de dizer.
— Nem ele usou você. — Criticou. — Como pode ter tanta certeza de que é isso que ele pensa? — Gaara estava tão incrédulo quanto o próprio Naruto quando se pegou defendendo o Uchiha. Ele estava com raiva, isto era um fato, mas não era de Sasuke...Era de Naruto. Já estava farto de todo aquele egocentrismo. O que diabos ele estava pensando ao ir tão fácil para a cama de outro homem e achar que as coisas simplesmente sairiam como seus contos de fada fajutos queriam? Ele era o que, por acaso, uma garota inocente de doze anos? Aquilo era ridículo!
— Você transou com ele porque quis. Ninguém rejeitaria você estando naquele estado, não pense que a culpa é somente dele.
Não era possível que estava levando um sermão justamente quando era tudo o que não precisava. Ele havia sido usado, enganado! Será que Gaara não compreendia a gravidade daquela situação?
— Ah, é?! — Naruto disse raivoso, puxando um Gaara surpreso pra cima de si. — Então qualquer homem vai transar comigo se eu fizer um esforço? — Inverteu as posições, sentando em cima da cintura do ruivo e, logo após, tirando a camiseta. Desceu os lábios de encontro com o dos mais velho, sendo retribuído de má vontade.
— Naruto... — Gaara empurrou os ombros do loiro. — Não me faça ficar com mais raiva do que já estou. Não me trate como um substituto barato ou como seu remédio de amnésia, e, acima de tudo, — Desabafou à medida que saia debaixo do loiro. — Não ache que transar agora comigo ou com alguém vai te ajudar em algo. — Caminhou até a porta, contendo a vontade insana de cuspir tudo na cara do loiro, tudo o que guardou por anos. — E, principalmente, pare de tentar se curar machucando a si mesmo. — Olhou fundo nos orbes surpresos e inchados. — Pense, pense apenas uma vez na vida antes de agir inconsequente. — Concluiu. — Tô indo embora, fique bem. — Fechou a porta atrás de si, guardando na mente o rosto confuso de Naruto.
Agora sozinho, o loiro, seminu, ainda processava o que acabara de acontecer, e foi somente quando a ficha caiu que as palavras recém-ditas fizeram sentido, fazendo com que ele se sentisse a pior pessoa do mundo.
Havia feito de novo, havia agido semelhantemente ao Naruto de sete anos atrás: Egoísta e egocêntrico.
Com mais um peso adicionado à sua consciência, desmoronou em prantos, chorando não somente por se sentir usado, como também por, novamente, ter feito mal a alguém importante para si.
Sua mãe, onde quer que ela estivesse, provavelmente estava decepcionada com ele agora.
Quatro meses depois...
Os olhos perolados observavam apreensivos a reação dos dois conhecidos ao mastigarem os biscoitinhos caseiros feitos cuidadosamente por si, em especial para o rapaz de madeixas castanhas e personalidade feroz.
— E-E então? — Fitou as mãos que estavam sobre os joelhos, sentindo a familiar ardência nas bochechas.
— Deliciosos, Hinata! Como esperado de você! — Kiba exclamou de maneira tão sincera que sequer se importou de estar falando com a boca cheia.
— N-Não é p-pra tanto, Kiba-kun. — Embora estivesse sendo modesta, um sorriso involuntário adornou os lábios lúridos da jovem Hyuuga. De uns tempos pra cá, todos os seus esforços passaram a ser direcionados exclusivamente ao amigo de infância, com o objetivo de agradá-lo e assim receber como recompensa aquela expressão feliz que magicamente criou o hábito de invadir seus pensamentos.
— Ei, Gaara, por que não é gentil uma vez na vida e elogie os biscoitos que a Hinata teve tanto trabalho de fazer? — Alfinetou o rapaz ruivo sentado ao seu lado que comia silenciosamente. Gaara, que já esticava o braço para pegar mais um, interrompeu a ação e encarou o rosto azedo do moreno.
— C-Calma, Kiba-kun. E-Eu sei que esse é o j-jeito do Gaa-kun... — Hinata manifestou-se um pouco tímida. — A-Afinal, se ele c-continua comendo, é porque g-gostou, né?! — Coçou as bochechas meio incrédula nas próprias palavras.
— ... — Os olhos verdes analisaram o semblante encabulado da Hyuuga, pegando outro biscoito do prato enquanto dizia: — Estão muito bons. — Levou-o à boca, mordendo com satisfação.
A atitude impressionou a Hyuuga e Kiba, já que agir daquela maneira não era do feitio do amigo. Geralmente quando se reuniam, o moreno sempre implicava com o rapaz, porém, não era algo tão eficiente a ponto de arrancar uma reação do ruivo, que apenas mantinha sua fachada de indiferença, diferente do que acabara de ocorrer. Não sabia dizer exatamente quando ou o porquê, mas pouco a pouco percebiam uma leve mudança em Gaara, tornando-o mais gentil e, principalmente, mais aberto, ainda que fosse algo ínfimo.
A jovem dedicou um olhar transbordado de carinho a Gaara, que estava ocupado demais comendo para vê-lo, feliz ao ser elogiada diretamente por ele. Finalmente, depois de tantos anos, parecia que os dois estavam se tornando verdadeiramente próximos como amigos.
— V-Vou esquentar o chá. — Levantou-se, olhando cúmplice para Kiba, que acenou sorrindo com a cabeça, seguindo em direção à cozinha.
Gaara, ao constatar que estavam totalmente sozinhos no recinto, comentou casualmente: — Vocês dois parecem estar se dando bem.
Kiba, pego de surpresa, quase se engasgou.
— O-O-O que você quis dizer com isto? — Agora estava tão vermelho que as tatuagens do rosto se camuflaram com a tonalidade.
— Você sabe. — Cruzou os braços, sorrindo triunfante. — Não pense que aquela troca de olhares passou despercebida pela minha perspicácia.
O moreno realmente não esperava que o ruivo trouxesse o assunto à tona tão repentinamente e logo ali, por isto não soube de imediato como reagir. Ignorou o coração descompassado no peito, disposto a prosseguir, afinal, Gaara sempre o apoiou com seus sentimentos em relação à Hinata, mesmo que os motivos deste fossem impuros, pois ele sempre sentiu ciúmes da Hyuuga com Naruto: — Bem... Digamos que a atitude do idiota do Naruto naquele dia no Pub me deu um empurrãozinho... — Foi cauteloso ao mencionar novamente o episódio ocorrido no Dark Souls, não sabia como o ruivo lidava com isto.
— E? — A menção do dia catastrófico, surpreendentemente, não trouxe a memória da humilhação que fora obrigado a presenciar ao ver Sasuke e Naruto se engolindo vivos, mas sim flashes de um certo moreno mal humorado com o qual compartilhou não só a infância como também aquela noite e, até então, não haviam mais entrado em contato. Sentiu um aperto incômodo no peito, ele sempre o sentia quando pensava em Neji, entretanto, novamente ignorou o sentimento e se focou na explicação de Kiba.
—- Como assim " E "?! É lógico que depois da Hinata presenciar aquele pornô homossexual ao vivo com o garoto pelo qual ela foi apaixonada há anos, eu tive que consolá-la! — Disse grosseiro, porém, a verdade é que estava realmente desconfortável em contar com detalhes o que acontecera, portanto, não sabia como agir. Para a sua sorte, Gaara o conhecia bem e não interpretou erroneamente o tom de voz.
— Não é como se nas outras vezes houvesse sido diferente, você sempre foi o cão de guarda dela. — Uma veia pulsou na têmpora de Kiba, fazendo-o cerrar os punhos. — O que mudou?
— Claro! Acho que o fato de que o príncipe encantado com o qual você sempre sonhou desde criança ser gay não muda em nada, não é?! - O sarcasmo era palpável. — E descobrir isto da pior maneira possível com certeza não deve te desmotivar em nada.
— Idiota, não me referi a isto. — Retrucou. — O que eu quis dizer é que sentimentos nutridos durante anos não somem de uma hora para outra. — Sabia bem do que estava falando, pois passava por uma situação idêntica com Naruto. — O que você disse ou fez para que ela seguisse em frente?
A resposta nem precisou ser vocalizada perante a expressão de Kiba diante da pergunta; os olhos arregalados e a feição suspeita diziam por si que tipo de atitude o moreno tomou.
— Deixa pra lá... Seu comportamento explica bastante. — Resolveu encerrar a conversa por ali. Não queria invadir a privacidade dos dois amigos.
— E-E-Eu m-me d-declarei. — Para a sua surpresa, o moreno ao seu lado continuou. Ele tremia tanto que chegava a ser engraçado. Era a primeira vez durante tantos anos de amizade que Gaara via esse lado de Kiba.
Ao ver o jeito que o ruivo o encarava, tratou logo de deixar as coisas bem claras: — N-Não naquele dia, i-idiota! Afinal, eu nunca me aproveitaria de uma mulher no seu momento de fraqueza... — Esclareceu recordando-se do quanto Hinata estava frágil em tal noite e do quanto teve que ter força de vontade para poder honrar as palavras que proferia agora.
— Dá pra notar que a sua declaração foi bem recebida. — Expôs o óbvio.
— Mais ou menos... — O moreno rebateu, agora mais calmo. — Eu lembro que na hora, a Hinata ficou tão surpresa e vermelha que parecia que ia desmaiar a qualquer momento e eu não sabia o que fazer... — Desviou o olhar para os polegares com o qual brincava na mão. — E bem... Durante um tempo ela mal conseguia falar comigo ou até mesmo me encarar... E eu passei a me odiar todos os dias por não ter sido forte o suficiente e guardado os meus sentimentos pra mim... — Gaara pôde perceber o tom de melancolia na narração do amigo.
— Então parece que vocês já superaram essa fase.
— Sim... — Um sorriso involuntário escapou dos lábios antes trêmulos. — Parece que a Hinata também percebeu o quanto estávamos nos afastando por culpa dessa declaração e, do nada, ela voltou a se reaproximar de mim, só que dessa vez as coisas parecem diferentes... — Encarou os biscoitinhos caseiros depositados sobre a mesa, lembrando-se do dia em que passou em frente a uma padaria na companhia da Hyuuga e comentou casualmente a sua vontade de comê-los. — Não posso afirmar isto, afinal, ainda não recebi uma resposta, mas sinto que hoje em dia, a Hinata não é mais um sonho impossível pra mim, quer dizer... acho que se ela não me rejeitou, está tudo bem pensar assim. — Fitou convicto o rosto inexpressivo do ruivo.
Gaara, ao ver a postura segura e feliz do amigo de infância, retribuiu o olhar firme, sorrindo discretamente ao depositar a mão no ombro de Kiba e dizer sincero: — Estou feliz por vocês.
Kiba surpreendeu-se com a veracidade das palavras ditas pelo homem que, há meses atrás, provavelmente as pronunciaria por mera formalidade e satisfação, tendo em vista que Hinata não seria mais um empecilho em seu caminho quando se tratava de Naruto, seu maior objeto de feição e possessividade, o que era, sem dúvidas, estranho.
Enlaçou os ombros do ruivo, puxando o corpo para mais perto de si e, com a mão do braço livre, deu-lhe um cascudo nas madeixas vermelhas, rindo à medida que exclamava: — Obrigado, amigão! – Tinha ciência do quanto Gaara detestava quando ele fazia isto, ou ao menos fingia detestar.
— Você sabe que eu odeio isso. – A voz gélida não surtia tanta eficácia quando o dono dela se encontrava com o cabelo bagunçado e todo para cima. Uma imagem engraçada e incomum demais para ser ameaçadora, pelo contrário, causava o oposto no moreno.
— HAHAHAHAHAHA — Kiba não fazia o mínimo esforço para controlar as risadas. – E você sabe o quanto eu gosto de implicar com você e que isso nunca vai mudar. – Declarou ufano.
— ... – Bufou, ajeitando os fios desalinhados.
Após se arrumar e dedicar um olhar mortal a Kiba, este não deu a chance que o silêncio se instaurasse no cômodo, indagando uma questão que o incomodava durante uns meses: — E você e o Naruto? Como estão?
Os olhos verdes continuaram indiferentes, não se permitindo sequer estar surpreso com a pergunta. Notar sua mudança com o loiro de olhos azuis era algo esperado, na verdade, a partir do dia em que se opôs à infantilidade de Naruto, recusando a chance de novamente se aproveitar de sua vulnerabilidade e tomar o corpo cobiçado para si, não haveria mais volta, não poderia dar um passo para trás, ainda que fosse tão difícil. Havia feito uma escolha.
— Estamos bem. — Foi objetivo como de costume.
— Não é o que parece. — Pôde ouvir o outro soltar o ar ao seu lado, parecendo incomodado. – Vocês sempre foram melhores amigos, estavam juntos pra cima e pra baixo. Isso parece ter mudado nesses últimos tempos...
— Não se engane, o Naruto continua sendo o meu melhor amigo... – Automaticamente o cortou. A menção do nome com os próprios lábios resultou no calor conhecido no peito junto com a memória do belo sorriso responsável por várias noites em claro.
— O que mudou? – Repetiu propositalmente a mesma pergunta feita mais cedo pelo ruivo, não dispensando o tom sarcástico.
— ... — Silêncio total. Gaara não parecia disposto a lhe responder, mostrando mais interesse na parede para onde olhava fixamente do que naquela conversa.
— Ah, não me venha com essa cara de defunto! Não é justo que só eu banque o idiota apaixonado aqui! – Elevou a voz impaciente, esquecendo-se completamente de que estava na casa de Hinata. – Você confia em mim ou não?
Era óbvio que Gaara confiava em Kiba, a questão ali não era esta, e sim que o ruivo não era acostumado a falar sobre os seus problemas com ninguém; ele sempre resolvia os mesmos sozinhos, guardando tudo dentro do seu interior e jamais expondo a alguém. Qualquer atitude contrária era sinônimo de fraqueza em sua concepção, e isto era inadmissível... até agora.
Respirou fundo antes de iniciar aquele diálogo irritante, o rapaz ao seu lado merecia um gesto de reciprocidade seu, ainda que significasse passar por cima dos seus valores ao fazê-lo.
— As consequências daquela noite não atingiram somente você e a Hinata, eu também fui afetado. – Pôde sentir a garganta seca, eram informações demais: O ódio e o desprezo ao se deparar com Sasuke na pista de dança; a dor e a humilhação ao ver Naruto nos braços do Uchiha, pouco se importando com a sua presença ali e não podendo culpar a bebida por tal postura; O choque e a excitação ao ser dominado, mais uma vez, por alguém que esperava nunca mais ver; E, por fim, o turbilhão de sentimentos que resultaram da noite prazerosa com Neji, que não serviram para nada além de só confundir a sua cabeça e sentir raiva ao perceber o egoísmo da pessoa de quem mais precisou na hora. – O jeito com o qual eu olhava para Naruto mudou.
— Como assim? Você deixou de gostar dele? — Kiba não estava entendendo nada.
— Não, eu ainda gosto mais do que deveria... – Embora não houvesse percebido, era a primeira vez que admitia nutrir algo daquela natureza para outrem. – Mas eu percebi que continuar insistindo nisso é tolice. Não existe um futuro para nós dois. – Era difícil vocalizar a verdade.
— E por que, do nada, você passou a pensar assim? — Gaara estava realmente desistindo de Naruto? Depois de tantos anos? Recusava-se a acreditar até que ouvisse um motivo convincente.
— Não foi "do nada". – Irritou-se. – Não é fácil ter que aceitar que um desconhecido, em pouco tempo, desperta as sensações que você inutilmente tentou durante anos na pessoa que ama.
O moreno surpreendeu-se com o que ouviu, falhando em conter a curiosidade: — O quê?! Quer dizer que o Naruto gosta de alguém? Quem?
— Isso não vem ao caso... — Cruzou os braços, fechando a cara ao ver, involuntariamente, a imagem de Sasuke com sua postura superior invadindo sua mente. – A questão é que, se o Naruto nunca considerou a possibilidade de me ter como um amante durante todos esses anos, não acredito que isto vai mudar agora, e eu não quero mais perder tempo. – Era deprimente pensar no longo período que o loiro ocupara seu coração, não permitindo que mais ninguém entrasse, e o pior era que tudo havia sido em vão. – Além do mais, tínhamos uma promessa e a hora de desfazê-la chegou.
— Promessa? – Levantou uma das sobrancelhas escuras, visivelmente intrigado.
Os olhos adornados pelas exóticas olheiras fecharam-se, inevitavelmente ouvindo o som da própria voz ofegante ecoando no subconsciente enquanto memórias da noite onde fizeram o maldito acordo passavam como um filme:
Gaara beijou o pescoço do menor. — Vamos fazer isso... — Subiu o beijo até o queixo do loiro, recebendo um gemido em troca. — Até encontrarmos alguém... — Beijou a bochecha. — Que nos faça perder o ar... — Beijou o lóbulo, que fez com que outro gemido escapasse dos lábios entreabertos de Naruto. — E faça com que o nosso coração bata mais rápido... — Beijou a testa. — Alguém que a gente ame. — E, por fim, beijou com volúpia os lábios tão desejados daquele garoto.
Era com pesar que decidiu que aquela seria a última vez que desenterraria do passado os momentos que julgava preciosos com o loiro. Era hora de seguir em frente e cumprir com sua palavra, ainda que não tivesse certeza do que Naruto sentia por Sasuke, porém, uma coisa podia afirmar: O que o amigo nutria por si e por Sasuke estavam em patamares completamente diferentes, e isto era incentivo o suficiente para não hesitar mais.
Tornou a abrir os orbes impassíveis, deparando-se com um Kiba cabisbaixo e fitando o chão pensativo. Conhecia o tipo de olhar fixado nos olhos castanhos, o tipo que mais detestava.
— Ei... — A voz rouca chamou a atenção do moreno, tirando-o de seus devaneios. – Você tem cinco segundos para tirar esse olhar de pena do rosto. Caso contrário, eu mesmo tratarei de fazê-lo – Levantou o punho, sinalizando que o método teria como base a violência.
— Desculpe, é que... — Explicou-se desanimado, embora soubesse que Gaara tinha razão. — Sabe, nos conhecemos desde moleques e você sempre... – Não teve coragem de concluir que parte da vida do ruivo esteve interligada a Naruto e, no fim, havia sido em vão.
— Eu sou grande o suficiente para entender que nem sempre as coisas dão certo. – A voz em nenhum momento falhou, confirmando sua maturidade. – Eu vou ficar bem. – Afirmou mais para si do que para o rapaz ao seu lado.
Kiba sorriu, acenando positivamente com a cabeça e pensando no quanto a criança calada que vivia agarrada possessivamente com o pequeno loiro havia crescido e se tornado um homem maduro. Sim, ele iria ficar bem, confiava nisso.
Antes que pudesse dizer algo para descontrair, a atenção de ambos foi voltada para Hinata, que retornava da cozinha segurando uma bandeja prateada com o bule de porcelana, as xícaras e mais um prato de biscoitos caseiros.
— V-Voltei! — Anunciou alegremente ao mesmo tempo em que colocava as coisas sobre a mesa para servir os amigos. — Espero que o chá esteja do agrado de vocês.
— Pare de se preocupar conosco e se junte a nós, Hinata. — Inclinou-se na cadeira com a intenção de ajudar na arrumação, todavia, as duas mãos, de Kiba e Hinata, encostaram-se acidentalmente quando, de maneira inconsciente, planejaram pegar o pote de açúcar na bandeja. Num ato automático, afastaram-se, mas não sem antes dos orbes perolados se encontrarem com os castanhos. O tom vermelho tingiu a pele alva da jovem Hyuuga enquanto Kiba coçava a nuca explicitamente nervoso.
Gaara se divertia assistindo à ingenuidade dos dois.
O moreno abriu a boca para se desculpar, porém o pedido não chegou a ser vocalizado, pois foi interrompido pelo som da campainha.
— E-Eu atendo. — Hinata, ainda vermelha, rapidamente seguiu em direção à porta, aproveitando a deixa para acalmar o coração que parecia querer sair pela garganta a qualquer momento.
Assim que virou o corredor, escorou-se na parede branca, aproveitando as novas sensações que passara a vivenciar a partir do momento em que soube dos sentimentos de Kiba por si. Levou a mão recentemente tocada pelo rapaz de personalidade feroz, acariciando-a e sorrindo ao lembrar-se do calor dele. Deveria estar parecendo uma boba apaixonada.
A campainha novamente tocou.
Por um pequeno momento, esqueceu que havia alguém lá fora esperando ser atendido. Voltou à realidade, indo à sala e abrindo a porta, deparando-se com olhos exoticamente idênticos aos seus, porém obstinados.
— Neji nii-san?
As batidas consecutivas na superfície de madeira desviaram a concentração que Kakashi dedicava aos papéis pendentes de análise sobre a mesa de seu escritório. Fez uma nota mental de resolver isto mais tarde e, já tendo ciência de quem se tratava, disse:
— Entre.
Instantaneamente a figura alva com exóticos cabelos rosa se fez presente no cômodo. As mãos finas seguravam um envelope branco. A feição sempre alegre e despreocupada de Sakura dava lugar a uma completamente oposta, que somado ao fato da rosada tê-lo procurado mais cedo para expor que precisavam conversar a respeito de algo importante, alarmou o grisalho.
— Com licença, Kakashi-san.
Sakura puxou uma cadeira, sentando-se e tomando a iniciativa:
— Desculpe incomodá-lo, sei o quanto é ocupado... – Os orbes verdes desviaram-se para a pilha de processos à sua frente. – Muito obrigada por me receber e dedicar um pouco de sua atenção. – Curvou a cabeça num gesto de respeito e gratidão.
— Não é nada, Sakura. – Kakashi, contraditoriamente, não exigia tanta formalidade, principalmente vinda da rosada que conhecia há tanto tempo e tinha certo carinho e simpatia devido à convivência. – Você sabe que não é nenhum sacrifício da minha parte, ainda mais quando sei que há algo que te incomoda. – Foi direto ao ponto. – O que aconteceu?
— Hehe, não tem jeito, acho que sou transparente demais... – Sorriu tristemente. – Eu vim lhe entregar isto. – Estendeu a carta.
Desconfiado, o grisalho a pegou e abriu logo em seguida. Os olhos, a única parte visível de seu rosto, analisavam o conteúdo digitado, não transparecendo nenhum tipo de reação, para o desconforto de Sakura.
Depois de terminada a leitura, Kakashi pôs a carta de lado e indagou a jovem:
— Uma carta de demissão?
A rosada apenas balançou a cabeça em concordância, não tendo coragem de encará-lo.
— Por quê? — Queria confirmar as suas suspeitas.
— B-Bom, é que... – Sakura ainda não o fitava e tremia quase imperceptivelmente, sinais mais do que claros para o mais velho do quanto estava nervosa. – P-Percebi que secretariado não é bem o meu ramo...
— Não era a impressão que você passava em torno de uns dois meses atrás. – Os olhos verdes se arregalaram e a rosada engoliu em seco. Será que não fora convincente? – Principalmente quando Sasuke estava por perto. – Disse propositalmente a última frase, ciente de que este era o ponto fraco da funcionária.
— M-Mas as coisas podem mudar bastante em dois meses e eu p-percebi que realmente não t-tenho a v-
— Sakura, - Kakashi a cortou. — Não pense que esse discurso ensaiado irá me fazer apoiar a sua decisão. Eu não sou idiota e muito menos um estranho. – Percebeu a jovem se encolhendo na cadeira, claramente nervosa. – Você pode confiar em mim para contar o que realmente aconteceu. – Amenizou o tom de voz, realmente preocupado.
— ... — A rosada ainda ponderava, até que finalmente os lábios trêmulos pronunciaram: - Kakashi-san deve pensar que eu sou realmente uma idiota... – Sentiu a visão embaçar e o nó incômodo na garganta.
— Eu nunca pensei isso de você. — A resposta surpreendeu Sakura que, com os olhos cheios de lágrimas e surpresa, finalmente encarou o rosto calmo à sua frente. – Tenho certeza de que tem os seus motivos para optar por algo tão duro ou que, na verdade, eles se resumam em apenas um: Sasuke.
A jovem permaneceu em silêncio, parecendo pensativa sobre como começar a falar. Enquanto isso, Kakashi abriu uma gaveta embutida na sua mesa, retirando de dentro uma caixa de lenços de papel. Puxou um e, gentilmente, ofereceu à sua futura ex-funcionária: - Pegue-o. Lágrimas não combinam com o rosto sempre sorridente que eu vejo diariamente nesse prédio.
— Obrigada... – Atendeu ao pedido e secou os olhos, acalmando-se. – Você está certo. Sasuke-kun é o porquê de eu ter tomado essa decisão. – Confessou, agora se sentindo mais à vontade para conversar com o homem à sua frente. Não que alguma vez houvesse sido diferente, pois Kakashi sempre fora aberto e amigo dos seus funcionários, parecendo não ter noção de seu status ou de sua posição hierárquica na sociedade, pelo contrário, a sua humildade era o que conquistava o respeito e carinho de todos, nunca recebendo alguma queixa ou insatisfação em troca. Realmente era uma pena ter que deixar aquele lugar...
— O que houve entre vocês? – Os sentimentos de Sakura em relação ao seu afilhado nunca foram um mistério para si ou para alguém - Era óbvio -, portanto, qualquer atitude impensada e mais fria do Uchiha era o suficiente para machucá-la a ponto de fazê-la querer sair.
— Eu... Eu finalmente me confessei ao Sasuke-kun... — Um sorriso triste adornou o belo rosto da rosada, junto com o tão conhecido calor nas maçãs que sempre se fazia presente quando falava sobre o Uchiha. – Mas as coisas não saíram como eu planejava...
Kakashi, receoso das atitudes de Sasuke, prosseguiu:
— O que o meu afilhado estúpido fez dessa vez?
Inevitavelmente as lembranças daquele dia vieram como um filme à sua cabeça, permitindo à Sakura sentir novamente a dor e a adrenalina que vivenciara naquele momento:
Chegara ao escritório mais cedo do que o normal. Há semanas que não tinha uma boa noite de sono, pois desde que presenciou o estilo de vida noturna do homem pelo qual sempre fora apaixonada, a imagem do mesmo beijando o loiro misterioso assombrava a sua mente, roubando qualquer resquício de descanso ao deitar a cabeça no travesseiro.
Não era nenhuma novidade que Sasuke era bem ativo quanto a isto; inúmeras foram as vezes que recebera telefonemas com vozes femininas e fora obrigada a dar o fora nelas por ele, sem falar em vê-lo chegar com olheiras em torno dos olhos sempre apáticos. Sempre soube que o Uchiha se deitava com alguém diferente todas as noites, e sempre pensou que pudera lidar com isso, entretanto, ao ver a realidade bem diante de si, percebeu o quanto era tola e, pior, o quanto era fraca.
O que sentia por Sasuke era intenso demais para ignorar o que viu no Dark Souls e egoísta demais para aceitar a ideia de que aconteceria de novo, de novo e de novo. Um ciclo sem fim.
— Será que um dia eu poderei te alcançar, Sasuke-kun? – Lançou a pergunta no ar, deixando que o vento levasse as palavras e a dor de nunca saber a resposta.
Disposta a não pensar mais sobre o assunto, começou a ajeitar as coisas para mais um dia de trabalho, afinal, chegara tão cedo justamente para ocupar a cabeça e assim não se permitir afetar com todo aquele turbilhão de sentimentos.
Organizou a agenda da semana, separou processos importantes, fez os cálculos das contas pendentes e preparou o café. Tudo estava indo bem, seu objetivo de manter o foco se cumpria com êxito...
Até as portas metálicas do elevador se abrirem.
O tempo pareceu parar quando os orbes verdes avistaram a figura alva e o olhar blasé dedicado a si. A voz grave e rouca se fez presente, agitando o coração antes calmo no peito:
— Bom dia, Sakura.
Todo o esforço havia ido por água abaixo.
Desviou o olhar, atitude não despercebida por Sasuke, que apenas estranhou, e respondeu mal conseguindo conter o nervosismo:
— B-Bom dia, S-Sasuke-kun. — Suas bochechas deviam estar em chamas. — D-Deseja que eu leve algo à sua sala?
— Apenas a minha agenda e uma xícara de café. — Disse indiferente enquanto seguia em direção ao escritório.
Após ouvir a batida da porta, permitiu-se soltar o ar. Por quanto tempo as coisas continuariam da mesma maneira?
As horas seguintes pareceram se arrastar, como se a simples presença excêntrica de Sasuke fosse o suficiente para deixá-la inquieta. Toda a produtividade havia se esvaído por não conseguir se concentrar em nada além do homem do outro lado da parede.
Finalmente, no final do dia, constatou no relógio de pulso que já era hora de encerrar o expediente. Cabisbaixa, pegou a sua bolsa e trancou algumas gavetas da recepção, indo à sala do Uchiha para se despedir, como de costume. Bateu duas vezes na porta, entrando sem cerimônia.
Sasuke estava de costas, aparentemente fitando o crepúsculo no céu exposto pela grande janela. Estava tão concentrado que sequer notou a sua presença no recinto, coisa que só contribuiu para tornar as coisas piores. Intrigada, resolveu se aproximar, andando com o máximo de cautela para não tirá-lo de seu transe.
Chegando mais perto, pôde visualizar, ainda que na lateral, a expressão que sustentava o belo rosto: As esferas negras, geralmente frias e indecifráveis, encaravam o alaranjado daquela imensidão sem realmente enxergá-lo, pois estavam distante demais dali, aonde quer que seus pensamentos estivessem; os lábios finos e perfeitamente desenhados estavam entreabertos. Nunca vira tal lado de Sasuke, nunca imaginou que aquela aura melancólica pudesse fazer parte dele. Ele estava ali, bem diante dos seus olhos, mas simultaneamente tão longe, tão inalcançável, tão solitário...
Cada vez mais afastado da realidade.
Cerrou os punhos e sentiu uma ardência incômoda na garganta. Por quê? Por que ele parecia um sonho impossível? Por que mesmo que ela estivesse ao lado dele, ele não a notava, não saia daquele mundo? Por quê? Por quê? Tinha tanto o que perguntar...
Inevitavelmente sentiu algo formigar no canto dos olhos: lágrimas, confirmou ao limpá-las. Estava atingindo o seu limite.
— S-Sasuke-kun... — Murmurou consigo no tom de um desabafo, porém, foi o necessário para fazer Sasuke sair de seus devaneios e levantar a guarda.
– Sakura? – Indagou surpreso ao finalmente vê-la ali. Há quanto tempo ela estava ali?
— Eu... Eu vim avisar que j-já estou indo. — Droga, a voz estava começando a vacilar.
Ao ouvir o motivo da rosada, Sasuke se atentou para o fato de que não sabia que horas eram. Olhou para o relógio sobre sua mesa, dando razão às palavras da sua secretária. Perder-se no tempo durante o dia estava virando rotina toda vez que vinha ao seu escritório, pois não conseguia mais ter controle dos próprios pensamentos desde que se afastou do loiro de olhos azuis. Precisava beber.
— Certo, também estou indo. — Disse à medida que se levantava e pegava o paletó cuidadosamente pendurado na cadeira. — Tenho afazeres hoje à noite.
Como uma pontada no peito, Sakura repentinamente se alarmou. Tinha plena noção do que tais afazeres se tratavam. Não, não conseguia mais suportar aquilo...
Sem se importar com o estado imóvel da rosada, o Uchiha começou a andar até o elevador, sequer se despedindo. A única coisa que se passava pela sua cabeça era no quanto o seu paladar ansiava pelo gosto amargo do álcool, levando-o para longe dos seus problemas.
Todavia, sua linha de pensamentos foi cortada por algo de encontro às suas costas.
Cessou os passos, completamente surpreso com a atitude repentina de Sakura. Os olhos ônix desceram para visualizar os braços pálidos e levemente trêmulos ao redor de sua cintura. O que diabos estava acontecendo ali?
— Não vá... — Quase não pôde entender pelo que a voz embargada suplicou, arregalando quase imperceptivelmente os orbes, realmente não esperando por aquilo.
O silêncio se fez presente por alguns minutos, até Sasuke, um pouco sem paciência, suspirar e dizer: — Sakura, eu n-
— Por favor, Sasuke-kun... — Porém, foi interrompido pela súplica da jovem. As lágrimas desciam desenfreadamente, manchando o terno cinza. — Não vá, apenas fique comigo, por favor...
Como ela era ingênua, pensou consigo. Talvez este tenha sido uns dos motivos do por que nunca ter conseguido se sentir atraído pela jovem de cabelos rosa, mesmo com tanto tempo de convivência. Um sorriso irônico brotou em seus lábios.
— E por que eu deveria? — Embora não pudesse ver, sabia que a feição de Sakura, naquele momento, era de choque com as suas palavras. Levou sua mão até a da rosada, que ainda o abraçava, afastando-a gentilmente e, em seguida, virou-se e olhou fundo nos olhos verdes, levantando o queixo fino com os dedos enquanto dizia maliciosamente: — Por acaso tem algo a me oferecer? Seu corpo, talvez? — Aproximou-se do ouvido e sussurrou luxuriosamente: - Ou você ainda é virgem? — O sorriso se alargou quando presenciou o temor e descrença nos orbes puros.
A verdade é que queria assustá-la de propósito, para que assim ela desistisse o quanto antes. A vida não era um provável conto de fadas que havia criado na sua cabeça, e ele não faria parte disso.
Convencido de que o assunto estava encerrado, tornou a seguir ao elevador, porém, obrigou-se a parar novamente quando ouviu atrás de si:
— Por quê? — Parecia mais um cochicho do que outra coisa. — P-Por que eu n-não posso te a-alcançar? — Vociferou para as costas à sua frente. — POR QUE, SASUKE-KUN? — Agora não podia mais voltar atrás.
— Ninguém pode me alcançar, Sakura. — Foi tudo o que disse, lembrando-se involuntariamente do sorriso que iluminava o rosto de Naruto, o sorriso que sentia tanta falta...
— EU TE AMO TANTO! — As lágrimas desciam desenfreadamente junto com os soluços consecutivos. — EU TE AMO TANTO QUE ATÉ DÓI, SASUKE-KUN!
— ... —Sasuke apenas escutava em silêncio.
O choro intenso foi o único som do ambiente. Sasuke continuava de costas para a jovem que agora se encontrava ajoelhada no chão com a cabeça baixa, totalmente perdida, principalmente por não conseguir arrancar nenhuma reação do homem para qual acabara de se declarar.
— Eu tenho pena de você. — Choque, foi tudo o que conseguiu sentir. Incrédula no que acabara de ouvir, ergueu a cabeça para fitar a figura inerte à sua frente. Ele jamais olhava para trás, jamais olhava para si. Pôde jurar que seu coração se despedaçou em mil pedaços naquele momento, e aquelas palavras a assombraria mais do que as recordações dolorosas que fora obrigada a vivenciar com o Uchiha.
Entretanto, o que Sakura não sabia é que Sasuke não se referiu a ela, e sim a ele mesmo. Alguém como ele não merecia sentimentos tão nobres como aqueles; não merecia ser amado, e por culpa de sua maldição, Sakura seria mais uma das inúmeras pessoas que fizera sofrer, mais uma daquelas onde não podia sentir nada senão pena.
Disposto a não esclarecer as dúvidas na cabeça confusa coberta pela franja rosa, caminhou e apertou o botão para o térreo, entrando dentro da caixa metálica, jamais retribuindo o pedido mudo para que ele pelo menos dedicasse um olhar aos orbes mergulhados em dor e derrota.
— E foi basicamente isso o que aconteceu. — Encerrou a narração um pouco encabulada, envergonhada demais para fitar o grisalho.
— Pena, é?! — Repetiu a palavra com uma postura pensativa, parecendo compreender o real significado por trás dela. O comportamento de Sasuke, em especial após o dia onde conversaram sobre o futuro do afilhado que envolvia Naruto, havia mudado contraditoriamente.
Kakashi tinha plena consciência de que, a partir do momento em que Sasuke abrisse mão de um capricho seu, seria o gatilho para mais problemas de rebeldia do Uchiha até que este se conformasse com a escolha que havia feito, mas as coisas tomaram um rumo contrário do que esperava. Nunca mais, desde então, recebera notícias do afilhado envolvido em brigas dentro de boates, telefonemas ou escândalos de mulheres na porta empresa, sem falar que há tempos o mesmo não frequentava o Dark Souls. Estranhou de súbito, desconfiando e passando a prestar mais atenção no Uchiha, porém, pôde confirmar com os próprios olhos que a sua rotina passara a se resumir somente ao trabalho, casa e vice-versa.
No início, sentiu-se aliviado ao constatar que finalmente Sasuke havia encontrado paz e sossego, mas, com o fluxo dos dias, passara a se arrepender drasticamente por pensar assim. O homem, que geralmente era tão egocêntrico e sarcástico, mais parecia um morto-vivo, como se houvesse mergulhado fundo numa aura de melancolia e solidão, isolando-se do resto do mundo e retroagindo àquela época, onde se lembrava de ter encontrado o adolescente com a tez manchada de sangue e os olhos sem vida nos becos do Pub, vagando sem rumo.
E esta era a pior de todas as possíveis consequências.
Pela primeira vez na sua vida, não soube o que fazer. Não poderia simplesmente chegar e pedir para Sasuke voltar a ser o bastardo arrogante de sempre, pois fora ele – Kakashi – quem provocou tudo aquilo. Não tinha tamanho direito, estava completamente de mãos atadas, um castigo que o afetava mais do que qualquer outro.
Suspirou, cansado de tudo, de tantos problemas.
Desfocando-se de Sasuke, concentrou-se na rosada à sua frente, disposto a, pelo menos, resolver o dela.
— Foi uma péssima experiência. Agora eu posso afirmar que compreendo os seus motivos em deixar a empresa. — Resolveu não se aprofundar mais no assunto para não mexer na ferida que provavelmente não cicatrizada ainda.
— Na verdade, não é essa a verdadeira razão por trás disso... — Confessou naturalmente.
— O quê?! — Kakashi não pôde deixar de se surpreender ao ouvir aquilo. Havia mais?
Sorrindo melancolicamente, Sakura disse: — É, eu sei que é um absurdo o que eu acabei de dizer, mas posso afirmar que se há algo pior do que ser rejeitada pelo homem que você ama... — A visão começar a nublar novamente. — É você ser ignorada por ele todos os dias. — Sentiu a trilha morna escorrendo pela bochecha. Kakashi não ousou pronunciar um som, pois nada seria o suficiente para fazer uma mulher com o coração partido se sentir bem naquela situação. — Sabe, e-eu pensei que s-seria desprezada, e-evitada ou até o-odiada, mas... — Agora já não tinha mais controle sob as lágrimas que desciam uma atrás da outra. — M-Minha declaração não causou nada nele! Nada! Nenhuma reação! — Cobriu o rosto com as palmas das mãos, soluçando. — T-Toda vez que eu c-chegava pra trabalhar e ele o-olhava pra mim como se nada tivesse acontecido, e-era como se m-meu coração fosse e-esfaqueado sem dó! E-Eu poderia suportar tudo, tudo! Menos iss-.
Repentinamente, a rosada experimentou uma sensação quente ao redor de si.
Tirando as mãos do seu campo de visão, constatou, confusa, seu rosto próximo ao ombro de Kakashi. Ele a estava abraçando.
— Kakas- — Antes que pudesse perguntar o que estava acontecendo, foi interrompida pelas palavras sinceras do mais velho:
— Desculpe, não há nada que eu possa fazer além de oferecer um ombro amigo para que você possa chorar.
Ao receber apoio e forças de quem menos esperava, Sakura falhou em conter toda a vontade de desabar nos braços confortantes, libertando toda e dor e frustração de dentro de si em forma de lágrimas e soluços.
Gaara levava a segunda xícara de chá à boca, diferente de Kiba que sequer tocara no bule desde que a Hyuuga se ausentara para atender quem tocara a campainha.
— Ei, o chá vai esfriar se você resolver esperar pela Hinata. — Alertou indiferente, não fazendo nenhuma questão de aguardar que a anfitriã da casa se juntasse a eles para começar a degustar do líquido quente.
— Eu não me importo. — Deu de ombros. — Diferente de você, eu sou um verdadeiro cavalheiro que prefere deixar de comer a fazê-lo na ausência de uma dama. — Provocou descontraidamente.
— Então você é um idiota. — O ruivo rebateu despreocupado com sua falta de etiqueta.
— Seu... — Diferente da postura inabalável de Gaara, sentiu uma veia pulsar em sua têmpora. Irritou-se ainda mais quando viu o maldito sorriso triunfante no rosto do mesmo. Droga, ele sempre saia por cima!
— O que é isso, Hinata?! A confraternização dos perdedores, por acaso? — Uma terceira voz masculina se fez presente no recinto, chamando o olhar dos dois para a figura excêntrica do homem pálido de madeixas longas e castanhas escorado na parede. A partir do momento onde os orbes verde-água se chocaram com os perolados, tudo ao redor pareceu sumir e o coração falhou uma batida. Finalmente, depois da noite que compartilharam juntos, haviam se encontrado e, embora não fossem admitir, ambos ansiaram por esse momento.
Gaara resolveu cessar a troca de olhares antes que Hinata ou Kiba percebessem. Não queria que eles desconfiassem de algo. Neji, diferente do ruivo, continuou o encarando com o semblante sério, pouco se importando em ser discreto.
— Humilde como sempre, Neji. — Kiba foi o primeiro a cumprimentar o Hyuuga mais velho, alfinetando a superioridade que este, desde criança, ainda fazia questão de exibir, comprovando que mesmo que não o visse há anos, isto era algo que não havia mudado.
Neji sorriu torto com o sarcasmo, reparando em seguida nos traços que o jovem de personalidade feroz adquiriu com o tempo. Exceto pelo cabelo mais curto, a aparência de Kiba continuava imutável.
Gaara, desconfortável com a situação, apenas acenou com a cabeça como forma de cumprimento, recebendo uma atitude idêntica como resposta.
— P-Por que não se senta conosco, Neji nii-san?! — A voz tímida de Hinata fez o convite ao primo. — O c-chá ainda está quente. — Disse à medida que andava em direção à cadeira.
— Hn. — Desfez a postura séria e se juntou aos amigos na mesa, fingindo não perceber a tentativa falha do ruivo à sua frente de não transparecer qualquer resquício de como estava se sentindo, como a mão levemente trêmula que segurava a xícara junto com os ombros quase imperceptivelmente tensos, que eram sinais que não fugiam de seus olhos perspicazes.
Tanto Kiba quanto Hinata tinham plena consciência de que Neji era quase uma réplica perfeita de Gaara no que dizia respeito à indiferença e silêncio, sendo o Hyuuga ainda mais fechado que o ruivo, afinal, a convivência vinda da infância era o suficiente para afirmar tal fato, portanto, o clima apático era mais do que comum em todas as vezes quando se reuniam, sendo Kiba o responsável por iniciar um diálogo e descontração.
As horas seguintes se resumiram em conversas sobre o passado, Neji respondendo as perguntas de Kiba sobre sua profissão, rotina e o porquê de continuar sendo tão narcisista, quer dizer, esta última ele fez questão de dar uma resposta que irritasse o ego do rapaz facilmente manipulável. Gaara não ousara pronunciar um som, não compreendendo o motivo de seu coração estar batendo descontroladamente no peito a ponto de desnorteá-lo o suficiente para sequer conseguir se concentrar no que acontecia ali e desviar os orbes toda vez que estes se encontravam acidentalmente com os perolados inexpressivos.
Sabia muito bem que tipos de sentimentos o Hyuuga nutria por si, isto é, se eles ainda existissem, pois muitos anos se passaram desde que se viu obrigado a se afastar do mais velho, já que não conseguia desejar mais ninguém senão o loiro sorridente de olhos azuis que tomou parte dos seus pensamentos durante boa fase da sua vida. Durante esse longo período, Neji não só poderia ter conhecido outras pessoas, como também, assim como ele - Gaara -, percebido que alimentar um amor unilateral era perda de tempo e ter finalmente desistido, fazendo com que o motivo do moreno tê-lo agarrado na boate não se resumisse a nada além de tesão reprimido. Claro, os dois tinham química, isto não podia negar, e como provavelmente Neji também estava com as semanas de sexo atrasadas, uniram o útil ao agradável para se satisfazerem, e para si estava tudo bem aceitar essa ideia. Não havia problema nenhum.
Nenhum...
Mas por que, de repente, sentia-se mal ao pensar daquele jeito?
Por que o fato de não terem trocado uma palavra durante aquela noite, inclusive quando os corpos ofegantes e suados em prazer se tocavam desejando sentir o calor mútuo, o incomodava tanto por dentro? Os gemidos não lhe eram o suficiente?
Por que ansiou tanto por ouvir seu nome ser pronunciado novamente por aqueles lábios que o beijava com volúpia e desejo?
E, por fim, por que a imagem de um Neji adormecido e totalmente vulnerável cismava em assombrar a sua cabeça por cada maldito dia?
Eram tantas perguntas que não queria encontrar as respostas... Ou, na verdade, tinha medo de se decepcionar ao encontrá-las.
Quando voltou os olhos para o rapaz à sua frente, constatou que ele também o olhava fixamente. Dessa vez, não desviou. Encarou firmemente dentro do exótico tom perolado, como se assim pudesse ler a alma daquele homem enigmático, podendo entendê-lo um pouco, porém, tudo o que conseguiu enxergar foi o seu próprio reflexo.
Um sinal mais do que claro do quanto o interior de Neji era inviolável.
A risada alta de Kiba com algum comentário de Hinata quebrou aquele contato único, tirando-os daquela realidade cúmplice e enigmática.
Neji, discretamente, suspirou, fechando as pálpebras, parecendo refletir sobre algo, gesto que não passou despercebido pelos atentos orbes verdes. Tornou a abri-las, fazendo o raro som da sua voz ecoar pelo ambiente:
— Hinata, precisamos conversar. — Disse com o tom sério.
— C-Certo. — A Hyuuga rapidamente mudou a postura alegre para uma tensa. Era inevitável não se sentir desconfortável na presença do primo, pois sentia um complexo de inferioridade em relação a ele, afinal, o jovem era considerado o prodígio da família, enquanto ela... bem... estava num patamar completamente desproporcional. — E-Er... — Olhou ao redor para a figura dos dois amigos que prestavam atenção no diálogo, principalmente o ruivo. — Em particular?
— Não é necessário. — Embora não houvesse planejado encontrar Gaara e Kiba na casa da prima, a presença dos dois não o incomodava, principalmente do primeiro. Agora que ele estava ali, queria que tivesse ciência do que diria a seguir: - Tenho um comunicado a fazer.
Hinata meneou positivamente a cabeça, incentivando-o a continuar.
— Em torno das últimas semanas, recebi uma oportunidade única para a minha carreira. — "E assim estar um passo a frente do gênio Uchiha", pensou bem humorado, sorrindo internamente ao perceber que ainda alimentava esse lado infantil e competitivo. — Me ofereceram o cargo de advogado de defesa de uma das vítimas do caso Orochimaru. — Concluiu.
— O QUÊ?! — Kiba levantou-se da cadeira tamanha a sua surpresa. — Aquele do farmacêutico japonês que fazia experiências clandestinas?
Hinata e Gaara fitaram chocados a atitude calma de Neji, que anunciava uma proposta de repercussão internacional como se não fosse nada demais.
— Sim. — Afirmou indiferente.
— E como você consegue ficar tão tranquilo assim, cara?! — Kiba ainda não acreditava no que ouvia. — Esse caso não sai dos noticiários do mundo todo! É a chance da sua vida, Neji!
— I-Isso é ótimo, Neji nii-san! — Hinata disse empolgada.
— Eu sei. — Cruzou os braços e exibiu um sorriso triunfante.
Gaara, após processar as palavras, não soube como reagir. Era evidente que este era o caso ápice de carreira para qualquer advogado, portanto, deveria estar feliz por Neji, mas isso significava que...
— Se vocês estão acompanhando o caso, sabem que a competência para julgamento foi alegada a um tribunal do outro lado do País. — Os lábios que permaneceram imóveis desde a chegada do Hyuuga finalmente vocalizaram algo, tomando a atenção de todos para si, principalmente a de Neji.
— Isso mesmo. — O prodígio deu prosseguimento à fala de Gaara. — Logo, sairei em uma viagem por tempo indeterminado para lidar com essa ação. — Disse objetivamente, expondo a frase que o ruivo, inconscientemente, não queria ouvir.
Cerrou os punhos.
— Ainda não tô acreditando que nosso amigo de infância vai aparecer na televisão! — Quem via por fora, parecia até que era Kiba quem havia recebido a proposta. — E eu não dava nada por você! — Provocou divertidamente.
— Nunca me interessei em ter o reconhecimento de um fracassado. — O moreno rebateu. Seu senso de humor não permitia que levasse na brincadeira a alfinetada de Kiba.
— HAHAHAHAHA — Mas o rapaz de personalidade feroz nem se importava. Implicar com Neji era sempre divertido justamente por ele levar a sério tudo o que dizia. – Sei, sei.
Agora de mau humor, ergueu o braço para constar a hora no relógio de pulso. Já havia desperdiçado demais o seu precioso tempo; precisava voltar logo para casa e preparar suas malas e os documentos para viajar o mais rápido possível. Enfim, antes de se levantar, se dirigiu à Hinata: — Bom, peço que avise aos meus tios e que me acompanhem pelos jornais. — Dedicou um último olhar ao ruivo, querendo gravar a expressão que ele tinha no rosto em sua memória, entretanto, a única imagem que entrou em seu campo de visão foi o rosto coberto pelos fios vermelhos, parecendo estar imerso nos próprios pensamentos, alheio à realidade, escondendo os orbes que por anos tentou esquecer.
Perguntava-se o porquê de ser fraco o suficiente a ponto de não conseguir superar aqueles malditos sentimentos que embriagavam cada célula do seu corpo, cada dia da sua vida. Quando se tornara um masoquista de merda?
E pensar que ele, o egocêntrico Neji, um dia chegou até propor um futuro para ele e o ruivo juntos, rebaixando-se ao nível de uma pessoa que jamais o corresponderia.
"Fique comigo."
O pedido que expôs naquela vez amaldiçoava novamente a sua cabeça e, consequentemente, o semblante de pena estampado no rosto normalmente inexpressivo, a cena que se tornou seu pior pesadelo; testemunhar aquilo foi mais doloroso do que ser rejeitado mil vezes¹. E, para completar, acrescentou à sua lista de idiotices o fato de terem transado depois de atacá-lo na boate, o que só serviu para deixá-lo pior e mais fraco.
Todavia, a partir do momento em que acordou e se viu sozinho na cama King Size, sem nenhum vestígio da presença de Gaara, aceitou que o ciclo vicioso continuaria, nunca resultando numa mudança, somente na sua destruição interna, portanto, estava disposto a não insistir ou conversar sobre o que aconteceu. Além do mais, o ruivo também não parecia interessado numa conversa, o que o poupava de cometer outra idiotice.
Ficaria bem, estava convencido disso. A viagem surgiu em boa hora para si; era a oportunidade perfeita para focar-se em algo útil e tomar um rumo diferente na sua vida, investir em sua carreira e deixar de lado coisas que só o atrasavam, e Gaara era uma dessas coisas.
— Obrigado pelo chá. — Começou a andar em direção à saída da casa, nem se dando o trabalho de se despedir ao menos da prima.
— B-Boa sorte, Neji nii-sama.
— Boa sorte, Neji! Acabe com esse bandido do Orochimaru!
As despedidas tirou o ruivo dos devaneios. Automaticamente se virou para fitar as costas que cada vez mais se afastavam e, quando saíssem pela porta, deixaria no ar a dúvida de quando as veria de novo.
Sem hesitar e dar uma satisfação aos amigos, seguiu-o. Não podia deixá-lo ir embora sem antes dizer algo.
— Ei. — Foi tudo o que disse quando conseguiu alcançar Neji, que já estava com a mão na maçaneta.
O Hyuuga, intrigado com aquela atitude repentina, parou, porém, dessa vez não se virou para que pudesse encará-lo. Não se permitiria deixar ser confundido; não se permitiria sentir um fio de esperança.
Gaara se sentia um idiota naquele momento, justamente por não saber o que falar. Eram tantas perguntas que tinha a fazer, tantas dúvidas, e Neji estava ali, bem à sua frente, a um passo de sair por aquela porta e sumir mais uma vez...
"Vamos, diga alguma coisa! Desde quando você tem medo?" – Seu subconsciente o julgava.
— Boa viagem. — Surpreendeu-se com o que disse, arregalando levemente os olhos. No fim, não tinha coragem, não passava de um fraco...
Neji, já preparado para o pior, suspirou. De fato, era um ciclo vicioso.
— Obrigado. — Agradeceu formalmente para logo depois girar a maçaneta e continuar seu caminho, nunca olhando para trás.
Gaara permaneceu estático, decepcionado consigo o suficiente para ser incapaz de se mover. Havia o deixado ir, havia o permitido levar com ele as respostas que pelas quais ansiara. Mas o que não sabia era que aquilo era apenas o prelúdio da onda de consequências que resultariam da sua omissão.
O tom laranja tingia o céu naquele fim de tarde em Konoha. Era uma bela visão para qualquer pessoa que dedicasse o mínimo de atenção àquele espetáculo da natureza, o que não era o caso de Naruto, que voltava a pé depois de mais um dia cansativo na faculdade. A música que ecoava pelos fones de ouvido o fazia refletir sobre várias questões em aberto na sua vida.
Estava tão envolto nos pensamentos que, sem perceber, chegara em frente à fachada da sua casa. Entrou, subindo as escadas; adentrou seu quarto, largando automaticamente a mochila no canto da parede, deitando-se na cama em seguida. Os olhos puramente azuis fitavam o teto, esperando que dele pingassem todas as soluções em seu rosto, porém, como sempre, ele era imutável.
Não sabia quantas horas por dia vinha fazendo isto, visto que tal atitude havia virado um hábito, pois era naquele momento que tinha seu auto julgamento, coisa que acontecia agora. Suspirou ao relembrar tudo o que acontecera nos últimos meses: Suas atitudes infantis e egoístas junto com a sua briga com Gaara que acabou por, de certa forma, separá-los, dando a ele o exato tapa na cara e espaço do qual precisava para começar a pensar e agir como o adulto que era.
Não poderia culpar o ruivo por se afastar depois do lamentável episódio que o obrigou a passar. O único responsável pelo produto de sua atual e solitária realidade era ninguém além do que ele mesmo, por ser não somente demasiado ingênuo, mas também um individualista que só pensava em si.
Ele já estava com vinte e dois anos, já havia passado da hora de parar de pensar igual a uma criança mimada. A partir do dia onde tomou ciência dos próprios atos, prometeu a si que não agiria tão imaturamente nunca mais, e que enfrentaria seus problemas sem precisar depender de ninguém, afinal, problemas não são nada mais do que consequências de suas escolhas, certo?
Com essa nova linha de raciocínio, ao longo dos meses, trabalhou em sua sanidade mental para torná-la forte o suficiente para que assim os impassíveis olhos negros não o tirasse do sério quando os via nas raras vezes que tinha as malditas reuniões a respeito do processo de seu pai.
Quando o assunto envolvia Sasuke, poderia resumir desta maneira: Como se nada houvesse acontecido entre os dois. Há quatro meses, desde que foi tratado pior do que uma garota de programa, Sasuke jamais entrou em contato, e muito menos Naruto o procurou. Só o via nas reuniões porque era um pedido do pai para que comparecesse, e ainda assim apenas o fazia por amor ao seu velho, pois toda a vez que era obrigado a ficar frente a frente com o bastardo, sua vontade era de voar no pescoço alvo e estrangulá-lo, acabando de uma vez com aquela postura narcisista que o irritava mais do que qualquer xingamento vindo dele.
Entretanto, para o seu alívio - Ou não -, a audiência que tratava do caso do seu pai havia acabado há três semanas, e Naruto sabia muito bem que aquela era a despedida de ambos, provavelmente nunca mais tornando a vê-lo.
Sentiu a dor costumeira no peito ao fazer tal constatação, principalmente por saber que era verdade.
Mas quem se importava? Pro inferno tudo aquilo!
Precisa ocupar rápido a sua mente.
Pegou o material na mochila e começou a estudar a matéria do dia, surpreendendo-se por se ver fazendo as tarefas e os estudos diariamente, o que levou a aumentar de forma significativa as suas notas na faculdade.
Apontou o lápis e, quando ia começar a fazer as anotações, sentiu algo vibrar no bolso de sua calça. Enfiou a mão, retirando de lá seu celular. Os olhos azuis se focaram na tela e, como um soco no estômago, o nome escrito nos pixels o acertou:
" Sasuke teme "
Por que diabos aquele bastardo estava ligando?
Ponderou por alguns segundos antes de atender. Não sabia o porquê de Sasuke achar que tinha o direito de lhe ligar, porém, não tinha a mínima ideia de como agir. Respirou fundo e, com a voz mais profissional possível, atendeu:
— Alô?
—... — Alguns segundos de silêncio antes que a voz rouca e extremamente morta dissesse: — Precisamos conversar.
Notas do Autor:
Galera, não sei direito o que dizer desse capitulo. Sinceramente, foi intenso.
O capítulo foi escrito em maioria pela T. por que eu, como péssimo escritor, não estava "a fim" de escrever, mas como o esperado, ela não me decepcionou.
¹: Quero falar que a historia do Gaara e do Neji sera explicada em uma SideFic chamada Home, que postaremos nas notas finais do ultimo capitulo de Utopia assim que este for postado.
Obrigado por lerem! Algum comentário, T?
~ Olá, queridos leitores! Agradeço a quem está nos acompanhando até aqui :D Obrigada pela paciência! UASHUSAUHA
Não tenho nada muito relevante a comentar sobre o capítulo, tirando o fato de que os figurantes TÊM SIM seu espaço em Utopia, a ponto de terem 21 páginas dedicadas só a eles. AWWW QUE AMOR :3333
Quanto ao desenvolvimento, espero que os KibaHinas de plantão tenham curtido HAHAHHAHAHA e se alguém aqui curte SasuSaku ( O que acho difícil ), SORRY SAKURA, MAS NÃO FOI DESSA VEZ :C Agora, MOOOOOOVE E SAIA DO CAMINHO DA VIADAGI ~
GEMT, vocês já pararam pra contar quantas vezes o Kakashi já cortou as falas de alguém nessa fic? PFVR, ELE É O REI DO CORTE RÁPIDO, TRAMONTINA. AHHAHAHAHHAHAHAH
Clima tenso entre Gaara x Neji :T Mas devo confessar que eu e o Att. estamos bem empolgados quanto à SideFic. Quem curte o ship, espere ansiosamente pois prometemos dar a devida atenção a esses lindjos :3 Inclusive explicar sobre o que houve no passado desses dois.
No mais, é isso. Gostaria de reforçar os agradecimentos a todos que estão seguindo, favoritando e, principalmente, comentando. Sério, reviews fazem toda a diferença para um escritor, não só no plano de satisfação, como também nos incentivam a continuar com prazer e querer melhorar cada vez mais, pois é graças às críticas e sugestões de vocês, leitores, que isto é possível. Obrigada mesmo :D
See ya in the next chapter, guys ~
