Achados e Perdidos
An original story by Ligya Ford
EPÍLOGO
UM MÊS DEPOIS
Amanda caminhou o corredor e parou diante da vidraça da sala de diagnósticos da equipe do Dr. House. O viu parado na frente de uma lousa branca.
Viu a cabeça loura, diante do chefe. Ele estava em pé, na frente da mesa, onde Dra. Cameron e Dr. Foreman estavam sentados.
Passou a mão pelos cabelos, e tentou alisar o vestido plissado que usava. Passou a língua pelos lábios. Estava sem coragem de bater na porta e chamá-lo.
Chase se virou para o vidro e levantou as sobrancelhas ao ver Amanda. Ela sorriu e levantou a mão o cumprimentando.
- Com licença. – ele pediu.
Ao dizer isso, House, Foreman e Cameron se viraram para o vidro, e a viram.
Ele abriu a porta, e a encarou.
- Oi.
- Oi. – ela disse. Ele se aproximou e lhe um beijo no rosto.
- Como você está?
- Vou bem. E você?
- Estou ótimo.
- Robert, eu vim... eu só vim aqui pra me despedir.
- Despedir?
- É. Minhas aulas acabaram e estou... indo pra casa. Mas sei que vou ter ver novamente... no casamento da minha amiga com... Dr. Wilson.
- É. Surpreendente, hein?
- É. Não entendo porque um casamento tão rápido...– ela mordeu o lábio, e o fitou com prazer. Era difícil se despedir. Difícil renunciar a algo bom. Por um momento, seu coração disparou, e desistiu. Mas tinha que fazê-lo. Tinha que deixá-lo ir. – Robert... eu andei pensando.
- Pensando em quê?
Ela tentou sorrir, e engoliu seco. Como desistir de algo tão lindo?
- Nem sei como fazer isto...
- Amanda... – ele disse numa voz melodiosa, e o coração dela acelerou ao ouvir o sotaque. -... só diga.
Ele tinha os olhos serenos como um lago cristalino. Quantas vezes havia se perdido naquele azul! E naquele momento, ali, enquanto ela procurava as palavras corretas a dizer, achou que estava perdendo a respiração.
Droga! Tinha se apaixonado, e agora tinha que renunciar àquilo.
- Nós passamos um tempo... delicioso juntos. Mas...
- Por que "mas"?
- Mas... não pode dar certo. – a voz dela mal saia da garganta. – Você é apaixonada por aquela médica, que está fingindo não prestar atenção em nós dois aqui, mas...
- Amy... não estou entendendo.
- Você não pode simplesmente deixar as coisas... pra lá. Sei que é a primeira vez que eu me apaix... digo, eu não sou experiente em amar alguém, mas... mas sei que não se pode desistir.
Então por que estou desistindo?
- Você tem que dar outra chance ao seu coração. E amar outra mulher... mesmo que seja eu, e... não se deixe levar pela minha vulnerabilidade no momento, mas... você não pode desistir dela. Não pode.
Os olhos de Amanda ardiam. Ela tinha um profunda vontade de chorar, mas não deixou se levar por aquilo. Ele poderia pensar que era um truque feminino barato. Toda mulher fazia isso. E Amanda não se deixou ser como todas as outras.
Tinha que renunciá-lo. Ficar com ele, por mais que quisesse, não era opção.
- Sei que você a ama. E ficar comigo não vai mudar isso. Então... volte pra ela. Não desista. Encontre recursos. Diga que a ama. Pelo menos você não pode não dizer que não tentou.
Chase não piscava. Ponderou todas as palavras de Amanda. E tudo o que ela lhe dissera havia feito sentido. Ele amava Cameron. Nada iria mudar aquilo. E não podia desistir. Tinha que tentar até o fim.
Ele se aproximou e a abraçou. Amanda não conseguiu segurar as lágrimas, e as deixou cair pelo rosto. Seu coração batia com uma força estranha. Como se a tristeza fosse um combustível.
Ele se afastou dela, e fez uma expressão triste ao ver seu rosto molhado.
- Não chore, Amanda. – ele secou as lagrimas dela com os dedos.
- Não, eu... só odeio despedidas. Principalmente essa.
Chase manteve uma das mãos no rosto dela, e a encarou. Amanda tentou ser forte, apesar de sentir as pernas tremendo.
- Você é incrível. – ele afirmou.
- É. Eu sou. Eu sou uma... – idiota!
- Não, não é. – ele disse, como se tivesse lido a mente dela. – Você não é como as outras. Isso é mais que admirável. É...
- ... nobre. Eu não queria ser nenhuma mártir, Robert. Mas desconfio que é o meu destino.
Chase sorriu, confiante.
- Não acredito que seja. Você vai ter o mais idílico destino do que qualquer um.
Amanda sorriu, encantada. Não faz isso comigo!
- Melhor eu ir. – ela se soltou das mãos dele. – Tenho algumas horas de estrada.
Ela tirou os óculos escuros do decote, e os postou nos cabelos.
- Eu não vou te ver mesmo? – ele perguntou.
- No casamento, provavelmente.
- É mesmo. – Chase soltou, e em seguida, ficou mudo. Não sabia o que dizer. Também estava... infeliz por ela partir. – Tenha uma vida incrível, Amy!
- Vou ter. Prometo. – ela sorriu, e piscou. Segurou a gravata dele, e por uma ultima vez, o beijou. Chase segurou seu rosto, e lhe beijou de volta. Se afastou, sem desviar os olhos. – Até mais!
E se virou na direção dos elevadores, afundando os óculos escuros no rosto molhado. Chase acompanhou-a ir, com um sorriso nos lábios. E quando ouviu o plim do elevador descendo, baixou a cabeça, e se amaldiçoou por deixar mais uma pessoa ir embora da sua vida.
Se virou para a sala de diagnósticos, e encontrou os olhos de Cameron. Estavam frios, e estranhamente, raivosos. Por dentro, dançou uma conga. Amanda estava certa, afinal.
Xx lfn xX
Chase olhou Cameron pelo rabo de olho durante uma ressonância. Foreman havia dito que a paciente havia sido envenenada. E agora, eles tentavam ver algo nos pulmões da moça.
Chase respirou fundo. E pensou no que Amanda havia dito.
- Cortes de seis milímetros começando no ápice. – ele soltou, olhando os monitores. – Além disso...
Não havia porque não tentar.
- ... queria te avisar, que se mudar de idéia, eu vou estar disponível.
Cameron apenas estreitou a testa. Disponivel? Isso significava uma coisa...
- Você não está ficando cansado de me ouvir dizer isto? Eu não tenho a intenção de sair com você, ou fazer sexo com você, fazer qualquer coisa com você, exceto trabalhar.
- Não temos que fazer um escarcéu sobre isso. Só achei que você devia saber. Eu decidi que as terças feiras seriam um bom dia pra fazer isso.
- Você não se apaixonou por mim de repente. Você estava procurando por algo, e por acaso, eu fui...
- Cameron, tá tudo bem. Não tem necessidade de continuar com isso. – ele a olhou bem nos olhos, e desviou para os monitores. – Estou passando pelas bases do pulmão.
Cameron ainda tinha a testa estreitada numa interrogação.
- Precisamos deixar isso pra trás. – ela sugeriu.
- Entendido.
- Mas você continua levantando o assunto.
- É você quem continua falando. – ele afirmou. – Olha, eu não estou te pedindo nada. Não estou te seguindo até em casa. Não tenho expectativas. Um lembrete gentil e educado uma vez por semana é dificilmente considerado perseguição.
Ela ia protestar mas desistiu.
Chase sorriu internamente. Não desistir nunca. Com certeza.
Xx FIM xX
Agora é o fim. Beijão a todos!
