Título: Os Corações Da Questão
Autora: Lab Girl
Beta: Poly
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, romance/drama
Advertências: Os temas a serem abordados nesta história são de conteúdo adulto, com linguagem e situações muitas vezes inapropriadas para menores. Favor levar em consideração o alerta antes de prosseguir com a leitura!
Classificação: variando do R ao NC-17
Capítulo: 10/?
Status: Em andamento
Os Corações da Questão
por Lab Girl
Parte I: Graus de Aproximação
# 10: Recuar Para Preservar
Royal Diner
7:05 p.m.
Ele entrou pelo Diner e logo a avistou. Na mesa de sempre.
A mesa deles.
Um sorriso involuntário brincou em seus lábios.
Ao contrário do que ela havia dito ao sair do FBI pela manhã, os dois não haviam almoçado juntos. Ela tinha enviado uma curta mensagem se desculpando, dizendo que estava ocupada e não poderia encontrá-lo para o almoço.
Apesar da decepção inicial, Booth respondera num texto breve um 'Ok, fique bem', esperando com aquelas simples palavras atingi-la, de algum modo. Mas não pôde deixar que uma onda de receio o tomasse ao pensar que talvez ela o estivesse evitando por causa do que quase acontecera de manhã entre os dois na cabine, antes da entrada - providencial, por mais que detestasse admitir - de Sweets.
Sabia que tinha sido imprudente ao se aproximar tanto da parceira, mas naquele momento ela estava tão cansada e tão visivelmente frágil... que não fora capaz de resistir. No entanto, havia sido salvo por Sweets. Sim, mesmo que a raiva causada pela frustração o tivesse consumido na hora, o lado prudente de sua mente tinha que agradecer aquela interrupção, ou do contrário... talvez as coisas tivessem ficado piores e ela tivesse realmente fugido e se fechado em copas.
Enfim, no meio da tarde uma surpresa inesperada o fizera renovar o ânimo e as esperanças – uma pequena mensagem de Brennan, dizendo que o encontraria ao final do dia, no Diner. E ali estava Seeley, aliviado e com um sorriso no rosto pelo simples fato de que a reaproximação havia partido dela. O que lhe indicava que talvez as coisas não tivessem sido tão abaladas por seu comportamento incauto da manhã.
Ela estava de costas para a entrada, por isso permaneceu alheia a sua chegada, até invadir o espaço, deslizando sobre o banco logo à frente dela.
Brennan ergueu os olhos para ele.
"Já fez os pedidos?" perguntou, observando que os dedos de uma das mãos dela brincavam com a borda de um copo de suco.
"Ainda não. Só pedi algo para beber, por enquanto."
Booth percebeu que ela ainda continuava distante. Estava melhor do que no período da manhã, quando haviam interrogado o eletricista. Mas ainda podia ver as leves sombras das olheiras sob os olhos claros. E a maneira como ela evitava manter contato com seus olhos por mais do que alguns segundos lhe confirmava que ela ainda estava lutando internamente com alguma coisa.
Inspirou, contendo-se e prometendo a si mesmo que não a pressionaria a se abrir. Ainda.
Ela precisava de tempo, ele daria isso a ela. Confiava na parceria que tinham, e confiava haverem construído uma forte o bastante para que no momento certo Bones desse um passo em sua direção.
Pressões não eram boas quando se tratava de Temperance Brennan. E ele já havia obtido uma amostra disso – para o bem de seu orgulho masculino.
Afastando logo as lembranças que aquele pensamento lhe trouxe, voltou ao presente, tentando estabelecer uma aproximação que talvez o levasse aonde queria.
"Eu estou me sentindo sufocado" murmurou, cruzando as mãos sobre a mesa e suspirando.
Aquela confissão era uma oportunidade de alívio, e, ao mesmo tempo, esperava que fizesse Temperance sentir que não era a única afetada por aquele caso. E por mais que tivesse se irritado com os palpites de Sweets, se o garoto estivesse correto, era uma forma de mostrar à parceira que também tinha seus medos e inseguranças - uma forma de deixá-la à vontade para fazer o mesmo... se abrir com ele, desabafar e aceitar seu ombro amigo quando estivesse pronta.
"Está com algum problema respiratório, Booth?" os olhos dela se abriram em preocupação. "Talvez deva ir ao médico."
Booth riu. Não pôde evitar.
Mas assim que viu o semblante confuso da parceira, levou uma das mãos à boca, forjando uma tosse. Endireitando-se, inspirou antes de tornar a falar.
"Não foi isso o que eu quis dizer, Bones. Eu estou falando desse caso" seus olhos buscaram os dela, mostrando seriedade.
Ela o fitou por uns segundos, a assimilação varrendo sobre as feições delicadas, suavizando a linha das sobrancelhas, e ela entreabriu os lábios para dizer algo, mas foram interrompidos pela chegada da garçonete.
Depois de fazerem rapidamente seus pedidos, quando a funcionária do restaurante se afastou, Booth inclinou-se um pouco sobre a mesa, os cotovelos apoiados na superfície.
"Estamos no ponto zero outra vez" murmurou, em voz baixa, sentindo a frustração invadi-lo novamente. "Ficamos sem um suspeito, não temos ainda uma arma que combine com a bala retirada de você..." suspirou, antes de seguir, "Só temos um punhado de terra de uma região rural de Washington e os destroços de uma granada militar dos anos 80."
Brennan crispou os lábios, obviamente compartilhando daquela mesma sensação de impotência.
"Seria um bom material em outras circunstâncias, mas parece que estamos sem direção" ela suspirou, os olhos se perdendo em algum lugar ao fundo do restaurante. "Já sabemos que foi alguém com noção do que estava fazendo. Hodgins conseguiu descobrir que foi uma espécie de granada antiga, usada somente por soldados do exército em treinamentos e táticas de guerra."
"É... eu reconheço o tipo, e realmente apenas alguém que é ou foi um militar conseguiria acessar esse material" murmurou, suas mãos se apertando nervosamente em punhos sobre a mesa.
Naquele instante, a garçonete retornou com seus pedidos. Ao ver o prato, Booth logo se deu conta de que estava faminto. Apesar de toda a frustração do caso, começou a comer sem preâmbulos.
"Hmmm" murmurou, terminando de mastigar um pedaço do sanduíche de queijo.
Só então, seus olhos se ergueram para a parceira e percebeu que ela ainda nem havia começado a tocar na própria comida. Ela apenas observava o prato, o olhar distante.
"Bones?" ele a chamou.
Ela ergueu os olhos para ele, que continuava a encará-la com um olhar questionador.
"Eu estou bem, Booth" ela respondeu, sem olhar em seus olhos, e começou a comer um pouco da salada.
~.~.~.~.~
Temperance mastigou mecanicamente os vegetais. Na verdade, não tinha fome e mal sentia o gosto da comida. Por alguma razão, ainda se sentia estranha depois do pesadelo da noite anterior. E naquele momento, mais do que nunca, sentia vontade de pegar o responsável pelo crime no Jeffersonian.
Tentando mudar o foco, procurou começar uma conversa com o parceiro.
"Eu estive com o grupo de antropólogos que vai para a Indonésia depois que saí do interrogatório" disse. "Eles me ligaram. Disseram que adiaram a viagem."
Booth ergueu os olhos do sanduíche para ela, interrompendo a bocada no meio.
"Logo que saí do hospital eu informei a eles que não poderia mais participar do projeto, tendo em vista o meu acidente e a necessidade de me recuperar" disse, brincando com os tomates no prato, sem conseguir encarar o parceiro. "Agora eles me informaram que não querem dar início ao projeto sem mim. E que vão me esperar."
Booth então jogou o sanduíche sobre o prato, parecendo ter perdido repentinamente o apetite.
"Bom, você já está recuperada. Quando vai partir?" ele perguntou, mortalmente sério.
"Eu não pretendo ir ainda, Booth" ela disse, olhando-o nos olhos. "Ainda temos um caso para resolver. E tem o julgamento da Taffet. Não posso ir antes disso."
"Mas você vai... é só uma questão de tempo" ele deu um meio sorriso.
Mas Brennan notou que o sorriso não alcançava os olhos dele. Por experiência e observação, ela sabia que quando Booth estava genuinamente feliz o sorriso chegava até os olhos castanhos, fazendo-os brilharem. Não era o caso naquele instante. Eles estavam apagados.
"Eu só pretendo me juntar a eles depois que tudo isso estiver resolvido, Booth. Não vou deixar você sozinho nisso. Além do que," acrescentou, sentindo um nó se formar no estômago, "sou uma peça fundamental no julgamento da mulher que quase nos matou."
Brennan sentiu os dentes cerrarem, e observou a mandíbula de Booth se retesar. Ela sabia que compartilhavam o mesmo efeito quando mencionavam aquela maldita criminosa.
"Vai dar tudo certo, você vai ver" ele disse, então. "E logo você vai estar embarcando para o outro lado do mundo."
"Na verdade a equipe vai partir antes de mim. Conseguiram adiar o projeto por um mês, mas não achei justo que ficassem parados apenas me esperando. Disse que me juntaria a eles no meio do caminho."
Ela percebeu os olhos dele brilharem. E não era um brilho de felicidade. A simples constatação fez seu coração se apertar um pouco... o suficiente para que sentisse uma vontade urgente e irracional de abraçá-lo.
Ele estava bem ali, à sua frente, o rosto tão sério, uma leve sombra de melancolia sobre os traços perfeitos. Brennan queria apenas se esticar para ele... tocá-lo... pedir a ele que não ficasse triste... ela não suportava vê-lo triste...
Mas como? Se ela própria se sentia assim?
Estava sufocada por dentro - e agora entendia perfeitamente o sentido das palavras que ele havia dito anteriormente.
Estava sufocada por tantas emoções confusas... frustração, raiva, medo... talvez aquela experiência com os antropólogos pudesse lhe devolver o foco quando aquele pesadelo todo acabasse. Ela iria para longe por um ano, e talvez Booth não precisasse mais correr atrás de assassinos e malucos todo o tempo. Talvez ele pudesse apenas se dedicar a parte mais burocrática e menos perigosa do serviço dele. E ela não sentiria tanto medo de perdê-lo.
Um medo irracional, ela sabia. Mas um medo real, e que se tornara maior naquela noite nos jardins do Instituto. Quando a mera possibilidade de que Booth fosse atingido levou-a a tomar um tiro por ele.
Ele estava ali, no entanto. São e salvo. E ela faria tudo de novo, se fosse preciso... apenas para vê-lo à sua frente. Apenas para ouvi-lo. Mesmo que nunca mais pudesse tocá-lo...
Tocá-lo...
Tocar Booth era um prazer perigoso demais para seus sentidos. E ser tocada por ele era mais perigoso ainda... a mera lembrança da mão dele em seu rosto naquela cabine da sala de interrogatório... o cheiro dele, tão próximo... o roçar dos dedos dele em seu lábio inferior...
Um arrepio atingiu sua espinha, e ela teve de respirar fundo naquele minuto. O que teria acontecido se Sweets não os tivesse interrompido?
Tinha receio de pensar...
Porque sabia... no fundo, sabia o que aconteceria...
E por mais que quisesse ser beijada por Booth, tinha sido providencial a aparição do psicólogo. Ou do contrário ela provavelmente teria cedido à fragilidade que sentira naquele instante.
Um instante perigoso demais... perfeito demais...
Por isso mesmo precisava recuar enquanto era tempo. Precisava proteger sua sanidade. Precisava proteger-se de suas emoções fragilizadas.
Precisava proteger Booth... sempre. Mesmo que fosse de si mesma.
Muitíssimo obrigada pela paciência, Poly! Este custou um pouco mais que o normal pra mim. E como pode ver eu acrescentei mais uma coisinha no final *escritora atormentada mode on* ^^
Leitores, leitoras de todos os cantos... obrigada por lerem ;)
