ACHARAM MESMO que eu ia detonar meu queridinho atoa, né non? Então, aqui vai o que ele estava fazendo esse tempo todo.
Eu havia crescido, ou melhor, evoluído muito nos últimos 15 anos. Criei coragem e forças que nunca pensei que poderia ter - mas que sempre soube que precisaria criar um dia. Foram longos anos - os mais longos da minha vida - em que me preparei para cumprir algumas promessas, das quais apenas uma escolhi fazer.
Era em volta dessa promessa que todas as outras giravam (e dela o meu mundo dependia).
Quando fui ao Japão pela primeira vez, ainda criança, meu mestre me fez prometer que eu seria o mago mais poderoso da China. Mas as coisas não aconteceram de acordo com as metas dele, e quando perdi a posse das cartas para Sakura, ele exigiu que eu procurasse a todo custo outros meios de cumprir essa promessa, uma vez que as cartas Clow já estavam nas mãos de outro mago. Todo o tempo que passei no Japão dando suporte para Sakura fez com que eu percebesse a força desse desafio, pois naquela época, não tinha forças nem para auxiliá-la devidamente. E então eu soube que, para cumprir a promessa feita ao meu mestre, meu treino seria mais intenso do que qualquer treino que eu conhecesse.
Minha família, por outro lado, possuía tradições seculares, regras a serem seguidas e não foi fácil fazer uma simples visita ao Japão durante todos esses anos. Para visitar minha querida namorada Sakura, foi necessário que eu fizesse muitos favores e tarefas complicadas. Eles queriam, o tempo todo, mais de mim do que ser apenas companheiro da herdeira de Clow. A presença dele em nosso sangue não era nem ao menos louvada o bastante para que quisessem dele mais do que as suas cartas e seu poder, entretanto, era necessário para eles que eu fosse maior, que eu merecesse meu nome, que eu não fosse uma sombra de Sakura e nunca precisasse ser protegido por ninguém. Então minha família - enquanto clã Li - fez com que em cerimônia eu prometesse ser mais forte, física, mágica, financeira e intelectualmente do que meus antecessores, antes que pudesse ganhar a liberdade de ir para o Japão livremente.
Essas duas promessas me obrigaram a muitas outras, que me levaram a muitos trabalhos exaustivos demais. Eu lutei, me feri, me fortaleci. Trabalhei, cumpri e superei todas as expectativas dos meus superiores no clã, criando patrimônio próprio e independente, viabilizando uma vida sem clã nenhum, planejada para ser vivida com a Sakura, preferencialmente longe de todas essas complicações, assim que cumprisse a promessa que fiz a minha mãe.
Eu prometi que não abandonaria minha família antes que a compreendesse e amasse - algo que, a princípio, me pareceu impossível. Estudei mais que qualquer outro descendente dos Li sobre de onde viemos e o que nos fez o que somos. Amar os Li por isso foi a parte mais difícil de todas, e para tanto precisei recuperar memórias perdidas, e muitas delas dariam mais orgulho para nós do que as que são contadas para as crianças. Muitas gerações foram fruto dessas versões erradas das histórias certas, e foram os valores delas que me fizeram brigar com a Sakura tantas vezes enquanto criança. Pude engolir parte da minha raiva por toda a sujeira do clã, e respeitá-lo novamente. Foi em uma das últimas conversas que tive com a minha mãe acerca dessas histórias e da promessa recém cumprida que descobri que eu estava atrasado.
Ainda restava uma promessa, aquela que me fez correr atrás de todas as outras. Eu havia completado todos os desafios a fim de me tornar forte e hábil, apenas para perceber que o meu prêmio não era um objeto, não era uma estatueta de ouro ou uma relíquia parada e reluzente no fim de uma longa batalha. O que eu mais queria não era uma recompensa, não era uma princesa que me esperaria para sempre em um torre. Eu amava alguém vivo e real, e havia sido tolo o bastante para pensar que apenas me esforçar em silêncio bastaria. Fui tolo o bastante para acreditar que ela não perceberia que eu não a contava tudo - e criei um espaço entre nós onde ela deveria ter estado para me apoiar, para que eu não lutasse sozinho, para que eu tivesse apoio - pois de mim nunca havia sido cobrada a solidão que me impus. Eu fiz de tudo para no fim perceber que tudo havia sido pouco, tudo estava atrasado, que eu ainda tinha uma luta final, mais difícil do que qualquer outra.
No segundo em que eu recebi a notificação de um e-mail novo e pedi um instante a minha mãe para lê-lo, eu percebi que agora eu estava lutando contra o tempo, para cumprir a promessa mais importante de todas: a que fiz à Sakura.
Eu estava voltando.
Agora, dois pontos importantes:
1 - Esse POV Syaorano não tem o papel de fazer com que tudo o que a Sakura trabalhou em todas essas cartas tenha sido em vão, apenas faz com que ele note que o tempo passou (e eu sofri calado, não deu/PERA) e ele errou pra caramba deixando isso acontecer. Na verdade são uma porção de coisas que a Sakura não tinha como saber (porque não tem bola de cristal), mas o Syaoran não contou.
2 - Existe toda uma história a ser aberta nesse vácuo temporal pelo lado dele. Enquanto a Sakura se fortaleceu no canon que é sobre ela (SAKURA card captors -q) nesse espaço entre ela estar cuidando da vida dela no Japão - que eventualmente incluía suas incumbências de maga da região - o Syaoran precisou se fortalecer também, o que exigiu um esforço bem maior, tendo em vista que até o fim do mangá ele se fortaleceu também mas não no mesmo nível que a Sakurinha.
3 - (sim, criei um ponto novo) Sei o quanto é clichê esse lance de obrigações de Syaoran para com o clã. Mas é tão difícil fugir daquilo que você cresceu lendo... UASHDUASHDUSAUHD No fim das contas gosto de ver ele assumindo esse papel que ele nasceu pra cumprir. -q E somos criados por referências, né! Até essa ideia de, talvez, fazer uma fic do Syaoran surgiu depois que li Senhor do Norte (que é de Inuyasha), e que me fez pensar um pouco mais numa fic de mais ação/política do que só romance romance romance. Vamos ver se funciona (e se sai do papel de verdade).
4 - (MAIS UM PORQUE SIM) Lobo - coming soon. Leiam e, quem sabe, a conversa entre Syaoran e Sakura não vá acontecer? (Mas não garanto finais felizes porque... bem. Alguém aqui leu Menina? UHSADUHAUDHSAUHDUASHDUHASDUH)
5 - OBRIGADA POR LEREM ATÉ AQUI. Sejam meus amigos pra sempre, por favor?
