A Decisão do Youkai
Tetsuo e seus homens chegaram às terras de Shura e resolveu ficar escondido em uma caverna para poder executar o seu plano macabro de sequestrar Rin. Enviou dois espiões para se certificar se a propriedade estava sendo vigiada. Para alegria dele não estava. Tinham alguns aldeãos que poderiam facilmente ser rendidos. Entrariam na casa sem serem vistos e só dariam falta dela quando já estivesse bem longe.
- É isso que vou fazer! Não vou esperar casamento nenhum! Vou levá-la para bem longe onde nunca vão encontrá-la! Mas primeiro tenho que dar cabo da vida daquele youkai. Esse pode acabar com meus planos. Depois vou pôr fogo em tudo e exterminar a todos. Não sobrará ninguém para contar história! Hahahaha!
[ ... ]
- Lorde Sesshoumaru! O senhor tem certeza que realmente quer isso? – Perguntou o senhor Akisawa com uma cara de espanto, mas ao mesmo tempo de esperança.
- Sim!
- Mas... Eu... Nem sei o que dizer...
- Não diga nada! Em todo caso eu já havia decidido acabar com Tetsuo para vingar meu pai pela afronta que fez no passado. Quanto ao caso de Rin, mesmo que Tetsuo morra, o imperador vai nomear outro para se casar com ela, porque as terras de Shura não podem ficar sem herdeiros.
- O senhor tem sentimentos pela minha filha Rin, Lorde Sesshoumaru?
Aquela pergunta intrigou o youkai. Sim, é claro que ele sentia algo. Ou melhor, o que sentia por ela era amor. Noite passada havia se declarado para ela. Só que ele não ia admitir para o pai dela isso.
- Não! – respondeu secamente – O fato de duelar pela mão dela não significa que eu sinta algo.
- Mas o senhor sabe que se ganhar o duelo terá que se casar com Rin. São normas do costume, e se negar a casar-se com a minha filha ela perderá todos o direitos de uma nobre. O imperador não colocará outro para se casar com ela e ela se tornará uma serva dele, e deverá atendê-lo em seu castelo quando solicitada. Se não sente nada e não tem intenção de se casar, porque vai lutar por ela então?
- Não se preocupe! Rin ficará bem.
Respondeu-lhe isso e chamou Jaken para preparar parte da comitiva que o levaria à corte. Essa viagem dele duraria uns dez dias. Tempo suficiente para acabar com Tetsuo. O que ele não podia imaginar é que não o encontraria na corte, mas que ele, Tetsuo, estava bem próximo de todos ali, pronto para raptar Rin.
[ ... ]
- Ah! Mas que notícia maravilhosa! Eu sabia! Eu sabia!
Mizuki pulava de alegria. Tinha acabado de saber pelo senhor Akisawa a decisão de Sesshoumaru de duelar por Rin.
- Ele foi se preparar para ir à corte e conversar com o imperador. Vai dizer a ele que desafiará o general por causa da calúnia que fez ao pai dele no passado e também por causa de Rin. Se vencer, voltará para se casar.
- Meu senhor, o Lorde gosta da nossa Rin?
- Eu lhe fiz esta pergunta, não me afirmou nada. Se a ama ou se vai só casar com ela.
- Ele não afirmou e nem disse nada? – Perguntou Mizuki com uma cara de espanto.
- Não.
- Mas... por quê vai lutar então? Ai... Ele não pretende abandonar a pobrezinha para ela virar serva na corte. Não, não pode fazer isso, seria um castigo muito grande para a Rin. Se livrar de um destino cruel para acabar em outro...
- Eu espero que nada disso aconteça Mizuki. Mas algo me diz que o senhor Sesshoumaru tem outros planos.
- Será? Ai céus!
Os dois ficaram cheios de dúvidas. Não poderiam fazer nada que ajudasse a mudar o futuro de Rin. Decididamente esse futuro estava nas mãos do youkai. Caberia só a ele que final iria dar.
[ ... ]
Rin chegou de sua ida ao vilarejo bem ao anoitecer. Tinha ido lá comprar uns kimonos novos, além de perfumes e outras coisas que estava precisando. Claro que não foi sozinha, uns três criados e mais duas outras servas a acompanharam. Entrou e foi direto para o quarto. Estava triste e aborrecida, e não tirava da cabeça aquele momento em que Sesshoumaru se declarou. Por que ele tinha que falar dos seus sentimentos por ela se parecia que só a queria para satisfazer o desejo de tê-la em sua cama? Como havia conseguido, nada mais importava. Mas só parecia.
Mizuki entrou com tudo no quarto para lhe contar a última novidade.
- Tenho uma boa nova que vai te alegrar, Rin...
- Pode falar Mizuki...
- Adivinha quem vai duelar com aquele general fedido pela sua linda mão?
- Não sei, não faço a mínima ideia... - Respondeu com desânimo.
- Ah, se anima vai! É o Lorde Sesshoumaru! Quem mais poderia ser?! Oras!
Rin se surpreendeu ao saber que Sesshoumaru havia decidido lutar por ela. Mas não se alegrou como presumia Mizuki. Por que ela ouvira dele que só a queria por desejo. De certa forma as palavras dele lhe tiraram a esperança de ter algo com ele. Mesmo com a revelação dos sentimentos dele, ela já não acreditava mais nele. E nem fazia questão de voltar a acreditar.
- Não me interessa o que esse youkai vai fazer!
- Mas Rin pensa bem. Se ele vencer o general Tetsuo, vai se casar com você... Aiaiai... E ele é jovem, rico e um nobre muiiiiito bonito! – disse Mizuki suspirando.
- Não muda em nada minha opinião! Eu não me casarei com ninguém que eu não queira!
- Rin, sabe que não pode escolher e nem decidir por você.
- Não me interessa! Não vou e pronto!
Rin saiu do quarto.
– Maldito costume! Que droga que mulher não pode fazer nada! Só os homens que decidem o que é melhor para eles! Não veem que temos sentimentos e desejos?!
Estava entristecida demais. O fato de saber que o youkai iria lutar por ela não a motivou em nada.
- Mizuki disse que ele casaria comigo se vencesse. - sentou-se na varanda e viu Jaken arrumando a carruagem que levaria Sesshoumaru para a corte.
- Senhor Jaken, estão indo embora daqui? – por um momento imaginou que Sesshoumaru fosse embora dali pelo que aconteceu entre eles. – "Não... Teria que ser algo mais forte para fazê-lo ir-se daqui..." – pensou.
- Não senhorita Rin! O senhor Sesshoumaru vai à corte para oficializar seu título de Lorde, o que herdou de seu pai.
- Ele vai para a corte?
- Sim vai!
- Ele vai demorar-se muito por lá?
- Não. Mas também resolverá outras duas importantes questões.
- Está bem. Obrigada, senhor Jaken.
Entrou em casa. Estava tão acostumada com a presença de Sesshoumaru que não imaginava ele longe dali. Pensou em perguntar a ele quando partiria, mas será que ele conversaria numa boa com ela? Ela o havia expulsado do seu quarto e praticamente da sua vida. Deu medo nela ao pensar que talvez não o visse mais. E se Tetsuo matar ele? Não! Tinha que falar com ele! Mesmo correndo o risco de ele expulsá-la do quarto. E ele teria todo o direito.
[ ... ]
Sesshoumaru estava no quarto arrumando uns documentos de algumas de suas propriedades na corte. Como ia mesmo para lá resolveu também ver os negócios pendentes.
Rin bateu na porta.
- Posso entrar?
- Oras. Para quem disse que não tinha mais nada para falarmos. – continuou a arrumar as coisas da viagem, não dando a mínima.
- Soube que vai para a corte...
Ele nem respondeu. Tampouco parou o que estava fazendo para olhar para ela.
- Leve-me com você, Sesshoumaru!
Aquele pedido o fez derrubar os papéis que estavam em suas mãos.
- O quê?!
Ela se aproximou dele. Os olhos brilhavam. O abraçou.
- Me leva com você...
Sesshoumaru não sabia se a abraçava ou se a afastava. Aquilo o pegou de surpresa. Ela estava agora ali em seu quarto pedindo que a levasse com ele. Ficou olhando para ela, mas não a abraçou. Veio a mente que seria bom estar com ela e desfazer todo mal entendido que houve, mas por outro lado aparecer com ela na corte não seria de bom tom.
- Rin...
- Por favor, prometo que vou me comportar! Se quiser até fico em outro lugar só para não te aborrecer. Eu juro! Eu nunca fui à corte! Papai me disse que é um lugar muito bonito. Seria uma oportunidade única. E além do mais...
- E o que mais Rin?
- Eu estaria com você...
O pedido junto com aquela vontade de estar com ela deixou Sesshoumaru sem resposta. Há pouco ela não queria nem mais vê-lo e agora estava querendo estar junto dele na viagem.
- Rin... Você me confunde... Não se trata de nada disso e você sabe muito bem!
Rin se afastou dele triste.
- Me perdoe por tudo o que eu disse...
- Você não tem nada do que me pedir perdão. - voltou a arrumar os papeis.
Ela não estava conseguindo convencê-lo. Depois dos últimos acontecimentos entre eles seria meio difícil mesmo. Sesshoumaru estava distante dela.
- E se... Eu... Droga! Sesshoumaru... E se eu...
- Rin! Nada do que disser ou fizer vai fazer com que eu a leve comigo!
Ele lançou um olhar frio para ela. Aquilo fez doer o coração dela. Saiu da presença dele indo para o quarto dela. Fechou a porta. Não aguentou segurar o choro.
O youkai que ficou no quarto sentou-se na cama.
- Você tinha que ser duro não é, youkai? Droga! A minha vontade é sim de levá-la. Lógico! Mas... Rin, não é tão fácil assim...
Não havia nada que o impedisse se realmente quisesse levá-la. Quando decidia ou queria algo, satisfazia seus desejos sem problema algum. O fato de Rin ser a noiva de um general e aparecesse com ele de repente na corte quase que as vésperas do casamento não soaria bem. Só que isso não preocuparia Sesshoumaru nem um pouco, caso decidisse mesmo levá-la. Ele não ia estar nem aí com a opinião alheia. Sorriu ao imaginar-se com ela.
- É Rin... Você realmente iria adorar conhecer a corte do imperador...
[ ... ]
Rin estava decidida a fazer com que Sesshoumaru a levasse com ele. Procurou o pai para pedir sua permissão e claro que, como amava demais a filha, concedeu.
- Filha, sabe que não será de bom tom aparecer na corte com o Lorde Sesshoumaru. Mas em vista de tudo o que eu aconteceu. Quem sou eu para impedir que fique feliz? Sim, pode ir conhecer a corte, como uma nobre que é, merece ir lá sim. Agora espero que consiga convencê-lo a te levar. Eu confio no Lorde Sesshoumaru, sei que lá ou em qualquer lugar ele irá protegê-la. Tenho percebido que ele tem sim um sentimento por você, por mais que esconda ou não queira admitir.
- Pai, eu sabia que podia contar com você! Obrigada!
Subiu e foi direto para o quarto do youkai. Ele não havia descido para o jantar. Parou na porta e respirou fundo. Era sua última chance de falar com ele. Não sabia por que, mas tinha que estar com ele nesta viagem.
Ela bateu na porta duas vezes. Sesshoumaru abriu.
- O que foi Rin?
- Quero conversar com você.
- Se for sobre a ida a corte, esqueça. – Ia fechar a porta, mas ela o empurrou e acabou entrando no quarto.
- Por que está me tratando desse jeito? Não entendo.
- Não entende? Estou te tratando da forma que pediu! Disse que não tinha mais nada que falarmos. Esqueceu?
- Não, não esqueci. O que você queria? Você fez o que fez e quer que fique tudo bem entre nós.
- Alto lá! Não escondi nada de você e lhe disse por que fiz...
- Mas agora está tão diferente comigo...
- É melhor assim, Rin.
- E o seu amor por mim... Acabou?
Essa pergunta fez o youkai ficar sem ação. Virou-se e Rin estava sentada na cama com o olhar triste.
- "O que estou fazendo? É só uma menina! E espero que a atitude dela seja como de uma mulher adulta." – pensara enquanto olhava para ela sem saber o que fazer.
E o amor que disse sentir por ela? A cada dia que passava aumentava mais. Mas não queria dizer que a amava. Não queria que ela sentisse nada por ele.
Ela havia conseguido a permissão do pai, e só faltava ele dizer que sim. Rin começou a chorar na frente dele. E ela mesma tinha dito que não ia mais verter uma lágrima. Mentira. Chorou feito criança.
- Rin...
- Me desculpe... Eu... Eu não sei por que estou agindo assim... É tudo tão estranho... As coisas que estão acontecendo, você... Tem hora que eu me sinto sozinha e tenho medo... Eu não quero me casar com aquele monstro... Decidi que ninguém vai me obrigar e... E nem que para isso eu me mate!
- Não chore, eu estou aqui.
A abraçou sentando na cama. Sentiu o corpo dela estremecer. Chorava mais ainda. Sentia necessidade de extravasar todos aqueles sentimentos retidos dentro da alma. Ultimamente estava aflita e nervosa. Com toda aquela situação, não falou nada com ninguém.
- Sesshoumaru... Deixe me ir com você, por favor...
A tristeza nos olhos dela era visível. Ele decidiu então por bem tirá-la dali, para que ela possa respirar outros ares. Levá-la para conhecer a corte iria fazer um bem enorme a ela, principalmente por que ia esquecer um pouco das tristezas que sentira.
- Está bem.
- O quê?
- Você vai comigo.
- Sério? Vou mesmo?! Vai me levar?
- Sim! - Levantou-se e voltou para os papéis. – Vá arrumar as suas coisas, partiremos amanhã bem cedo.
Ela deu um pulo de alegria, igual a uma criança quando ganha um presente. Foi até ele e o abraçou, agradecendo. Segurou o rosto do youkai e o beijou.
- Obrigada Sesshoumaru!
Ele segurou suas mãos e sorriu. Ela saiu do quarto correndo, com certeza chamaria a ama para ajudar com a arrumação para a viagem do dia seguinte. Sesshoumaru não tinha certeza se deveria mesmo levá-la, se seria o certo. Mas algo dentro dele dizia que não poderia sair dali e deixá-la. Tinha que estar perto dela para protegê-la não se sabe do que.
