Disclaimer: Naruto pertence a Masashi Kishimoto, mas o enredo dessa história é minha

O Pergaminho

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Ela piscou os olhos e viu que estavam de volta. Olhou ao redor do quarto hospitalar e respirou fundo. Seu olhar voltou para o garoto ao seu lado, o Sasuke habitado por outro Sasuke. Se ela fosse outra pessoa, o olhar nulo dele se confundiria com o olhar cheio de ódio do Sasuke desse tempo, mas ela sabia melhor do que se deixar enganar agora. Sentiu o peso de um chakra e seu olhar voltou para a porta. Apesar de estar condensado e contido, depois daquela fria manhã no interrogatório Hinata nunca mais deixaria de perder aquele chakra, por mais ínfima que fosse sua liberação no corpo dele; no corpo de Kakashi. Uma mão pousou em seus ombros e Sasuke se inclinou para frente.

— Pense no que eu disse.

Silêncio. Sasuke apertou os lábios numa linha fina e suspirou. Seus olhos negros fixos nela.

— Hinata, — ela o encarou — isso precisa ser feito. Não somos o Naruto. Não há glória em cada um dos nossos atos. Se é preciso perder tudo para fazer o certo... Então que seja. Acredite em mim, você não é a única a fazer algo realmente drástico nos últimos cinco anos.

Ele suspirou de forma quase imperceptível quando a imagem de Itachi brilhou em sua mente. Se estavam com treze anos agora, então o massacre ocorrera a mais ou menos cinco anos. O dia em que ele havia perdido a própria família e em que Itachi havia deixado tudo que tinha em nome de Konoha. Respirou fundo e puxou a garota para si gentilmente.

— Mas que isso seja feito amanhã, hoje você precisa de descanso. Durma.

O olhar dela ficou vazio quando começou a reclinar-se na maca. Seus olhos pouco a pouco se fechando.

Sasuke observou-a lentamente ceder na luta contra o sono. O olhar dele pousou nas feridas cobertas com gaze e ele lutou contra a vontade de ir até a porta e bater no próprio sensei, mas haviam coisas maia importantes a serem feitas no momento. Abraçou a garota e de mansinho deixou o sono entrar.


Kakashi tinha cochilado na porta do aluno quando foi sacudido acordado por gritos. Em um segundo estava de pé abrindo a frágil porta. Atirou-se no recinto pronto para agir, porém parou no meio do caminho. Seu olhar caiu nos dois pré-adolescentes na única maca do quarto. Observou a cena um pouco confuso e se aproximou de mansinho.

Sasuke estava sentado na ponta da cama hospitalar de costas para ele. Corpo curvado para frente, ombros caídos e mãos paradas no colo. Inclinou um pouco o rosto para o lado apenas para ver Kakashi fechar a porta de soslaio e logo voltou sua atenção para a frente; para ela.

A garota mantinha os olhos abertos e arregalados fixos no nada enquanto debatia entre gritos. Chakra deixava seu corpo como a eletricidade de um raio correndo na superfície da água. A mãos dela estavam fechadas em punho e filetes de sangue escorriam por entre os dedos, mostrando a eles que as unhas que lhe restavam estavam tão fortemente fincadas na pele que feriam a ponto de tirar sangue. A forma como ela se revirava e contorcia ia desfazendo as gazes enroladas e expondo a pele repleta de hematomas. Tudo isso e ainda assim ela não acordava.

O Hatake engoliu a ânsia que lhe tomou ao lembrar-se que ele havia sido um dos culpados do estado do corpo da menina, que se ela tinha pesadelos agora o provável agressor no mundo dos sonhos era ele. Sentindo-se culpado, Kakashi se aproximou com cuidado pronto para acorda-la de qualquer pesadelo que a garota estivesse tendo quando uma mão segurou seu antebraço e o manteve no lugar.

— Ela está assim por sua causa. — uma pausa. O albino focou o olhar no aprendiz. — Se ela acordar e a primeira coisa a ver for você, vai te atacar cegamente. Alguém vai terminar fortemente ferido e não vou permitir que esse alguém seja ela. — o olhar do garoto era duro enquanto as palavras escapavam frias e desprovidas de emoção.

Kakashi recuou.

— Então acorde-a você. — ele disse e mais um grito dela rasgou a calmaria do andar no hospital. Podiam ouvir as enfermeiras correndo ao longe tentando juntar morfina para acalmar a paciente. Provavelmente não haviam reparado até esse momento que Hinata não havia voltado para o seu quarto.

— Não posso. — o outro respondeu.

— Por que?

Sasuke deu de ombros.

— Os medos a farão mais forte.

Kakashi suspirou.

— Os medos também poderão destruí-la.

— Ela precisa disso.

Mais um grito e uma onda de chakra os atingiu. Os dois se recusaram a mudar de posição com o tapa de energia e assistiram imóveis ela começar a encolher até a testa encostar nos joelhos.

— Sa-suke. O la...go. - murmurou e mais lágrimas escaparam. — Cuidado. Cui-dado. Cui - da - do. Sasu ... Ke.

Sasuke franziu as sobrancelhas.

— A noite no lago... — ele murmurou para se mesmo.

Kakashi ouviu o murmúrio e franziu suas sobrancelhas. Estava confuso e exausto. Se sentia culpado por torturar a garota que sempre considerou a mais frágil do Rookie 9. Entretanto, não conseguia afastar a sensação de que algo não estava sendo dito, que estavam mantendo-o no escuro a força.

— Sasuke, o que está acontecendo? Primeiro você some, então ela te encontra num lugar que ninguém tem acesso... — um suspiro frustrado. Ele coçou o queixo sem saber o que dizer e fixou o olhar na Hyuuga. Lembrou-se de forma incomoda que o pai dela não havia visitado-a ou intervindo quando o avisaram que ela seria torturada. — Eu quero que você explique, calmamente, o que é tudo isso. Por favor, Sasuke.

O Uchiha fitou o homem por um momento. Os gritos dela ecoando como plano de fundo.

— As coisas fugiram da ordem natural, Kakashi. Tivemos que usar um ritual proibido para chegar até aqui.

— Do que você está falando...? — o olhar do moreno fez o Hatake vacilar. Ele nunca havia visto um olhar tão velho no rosto do aluno. Um olhar semelhante ao que portava quando parava para pensar no desastre que fora seu passado sozinho em casa acompanhado apenas pelo som dos pássaros na floresta próxima de seu apartamento.

— Esse garoto sentado na sua frente não é o Sasuke que você está acostumado. Seu aluno ainda está aqui, dormente, mas quem ocupa a maior parte da consciência dele agora sou eu. — Kakashi estreitou os olhos com a escolha de palavras. — Ainda é a mesma pessoa, mas eu venho do futuro. Sou a versão mais velha de Sasuke. — o garoto suspirou enquanto estava o pescoço. — Eu sou Uchiha Sasuke. Tenho 48 anos de idade. Sou veterano de guerras e guardião da esposa do Rokudaime. Também fui responsável por assegurar a segurança de Konoha operando nas sombras, fora da Vila por anos a fio. Sou a extensão do Rokudaime que sempre lidou com o trabalho sujo. Eu sou um homem jogado no passado pela força das circunstâncias e com a autorização dos kamis. — ele suspirou e voltou a fitar a menina. — Preciso que pare de atrapalhar, Kakashi. Só temos uma chance para mudar tudo e se as suas ações continuarem a direcioná-la rumo ao suicídio... Estaremos perdidos se a perdermos.

— Por que está fazendo isso?

— As coisas foram para o pior rumo possível no futuro e deixá-las continuarem a seguir o fluxo natural significa agravar os desastres e guiar o povo para outra guerra.

— Não entendo. Sasuke, o que...? — grunhiu frustrado. As palavras do moreno não faziam sentido.

— Haviam duas opções, Kakashi. A primeira era me enviar para o passado para impedir que tudo caminhasse rumo ao nosso fim e a segunda... A segunda opção era liderar um guerra civil junto a ela para tomar o poder de Konoha, que no momento havia voltado a ser do Dobe. Por causa de algumas decisões estúpidas ele se tornou um péssimo Kage em alguns quesitos importantes. Ele perdeu poder e ficou cego no meio político. Com a Hokage oficial, Sarada, incapacitada, o governo havia sido entregue a ele. Mas apesar dos belos discurso e de ser realmente efetivo em manter a paz entre as Nações, Naruto permitiu uma desestruturação interna. A opção restante era um golpe. Um massacre de figuras importantes no meio político. Você entende o que quero dizer, certo?

O Hatake olhou para Sasuke em busca de qualquer sinal de mentira. Mas nada traía o menino. Ele estava falando a verdade.

— Sasuke...

Era melhor aquilo não ser uma brincadeira, uma mentira bolada para protegê-la, Kakashi pensou. Respirou fundo e tentou organizar a bomba de informações simplificadas dentro de sua mente.

O moreno virou-se para observar o sensei.

— No futuro você declarou estar do lado dela caso uma guerra civil estourasse. A guerra estourou e suas alianças estavam feitas. Sua lealdade estava jurada. E agora, Hatake, de que lado você está?

Hinata soltou outro grito. As enfermeira finalmente pareciam ter percebido que ela não estava no quarto certo e seus passos apressado ecoavam no corredor se aproximando. Sasuke por um momento riu pra si mesmo pensando que ele nunca tinha falado tanto em um só dia de sua vida. Talvez tivesse usado seu estoque de palavras da semana, afinal não era do tipo falador. Isso era o trabalho de Naruto.

Kakashi respirou fundo e fitou a menina. Se no futuro ele estava ao lado dela, por que não agora? Ele tinha um palpite de que Sasuke estava falando a verdade...

E seus palpites nunca estavam errados.

Continua


Mais um! Demorei, mas lancei. Desculpem-me.

malvis, os capitulos variam entre mil e duas mil palavras. Não acho pouca coisa não. Mas enfim, fico feliz que esteja gostando.

Amy23, apesar do aspecto de maturidade acelerada que ela vai ganhar com Sasuke nessa fic, ela não deixa de ser uma criança; e como toda criança uma decisão dessa pesa muito mais, pois o egoísmo é mais forte que qualquer altruísmo. Acho que é so isso, continue mandando reviews e ate!

BarbaraGava, SASUHINA!SASUHINA!SASUHINA! * gritinhos alegres* Talvez não role deu ter tcc. Mas se eu cursar minha segunda opção vou ter que fazer um dos mais difíceis que já ouvi falar.