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Capítulo 10

Aí sim, o coração ficou aos saltos, e a voz quase não saiu, quando ela gritou: "Grissom! Grissom!". Ele olhou, para ver quem estava quebrando o silêncio daquele lugar.. Ela correu na direção dele e se jogou sobre ele; buscando sua boca com sofreguidão, beijou-o demoradamente, com paixão e saudade.

Ele até que ficou agradavelmente surpreso, mas pouco depois, agarrou-a pelos pulsos, empurrou-a um pouco à frente, interrompendo o beijo.

- Desculpe, mas eu a conheço?

Isso foi como um balde de água fria para Sara, que ao vê-lo ficara tão eufórica, que até tinha se esquecido da teoria de Nick, que se mostrava verdadeira. Ele tinha os olhos de quem está perdido... Longe...

- Meu nome é Maurice! E você é...

- Sara, eu me chamo Sara. Me desculpe você.. É que de longe, me pareceu que você era Grissom. Procuramos por ele...

- Ele é seu amor, não? – Falou ele, num tom de voz estranho; parecia que isso o deixava meio aborrecido.

- Sim, é... E você, é daqui?

- Não sei de onde sou! Perdi a memória... Estou sendo cuidado por minha noiva, Rita Walsh, conhece?- Nesse momento ele espirrou e, tirando um lenço do bolso, assuou o nariz.

-Saúde!- Disse ela depressa.

- Obrigado! Estou com um resfriado tremendo, que não sei onde peguei...

"Eu sei, meu amor. mas não vou contar, você precisa descobrir sozinho", pensou Sara. Disse em voz alta:

- Rita Walsh? Sim, a conheci, recentemente...

- Espere um pouco! Você não é a mulher que esteve aqui ontem, procurando por alguém?

"Sim, você sabe que sou eu". Sara sorriu e respondeu:

- Eu mesma!

- Vem sempre por esses lados Sara?

- Sim! – mentiu ela. – É um bom lugar para meditar...

- É o que eu penso, também! – Declarou satisfeito. Tirou o lenço do bolso e sacudiu o nariz. – Este resfriado...

- Cuide-se! – Sara sorriu.

- Você virá amanhã?- Perguntou ele apressado.

Nisso uma voz estridente chamava por Maurice. Procurava-o para o jantar.

- Sim, estarei aqui a essa mesma hora! "Não deixaria de vir por nada, meu amor!".

- Bem, tenho de ir agora – disse olhando em direção à cabana. - Até amanhã, Sara!

Ela foi caminhando sem pressa até seu carro. Tendo feito uma rápida avaliação do estado de saúde dele, e vendo que ele não tinha nada, além de uma perda de memória, que ela considerava ser temporária, Sara resolveu guardar seu próprio segredo.

Achava Sam Phelps, um perigo, a ser evitado a todo custo. Os próprios colegas, não a apoiavam nisso; então era melhor que ninguém soubesse de sua descoberta.

Dirigindo pela estrada, sentindo uma leve aragem, em seus cabelos, trazida, pelo início da noite, Sara pensava se esse não seria o melhor lugar para Grissom se esconder! Tendo outra identidade, não sabendo quem era, no meio de lugar nenhum...

Enquanto dirigia-se ao laboratório, ia arquitetando seu "segredo"." Afinal, se Grissom podia ter, por que ela não?" E não estava fazendo nada demais: só dando tempo ao tempo." A um determinado momento ele vai se lembrar sozinho... Enquanto isso, faço minhas investigações, sem me preocupar se ele está vivo ou morto...".

Só tinha um detalhe nessa história, de que ela não gostava: Rita Walsh. Ela tinha ciúmes de Rita, que estava próxima a ele e, naturalmente sendo noivos, seriam íntimos.

Bem, antes perdê-lo para Rita, que amava seu Maurice e, só queria o melhor para ele; que perdê-lo para Sam, que o detestava e naturalmente só desejava o pior para ele.

Para Grissom continuar intocado e ela não se preocupar com isso, ela faria qualquer coisa; aguentaria qualquer sacrifício. Tudo por amor a ele.

Quando chegou ao laboratório. Warrick já estava de volta de Pioche. Sara perguntou-lhe como foi. Ele respondeu que bem: achou logo a clínica e perguntou sobre Rita Walsh.

- O pessoal mais novo, não sabe quem é! Mas o Dr. Miland e a enfermeira Shepard, que estão lá há mais de dez anos e trataram dela, ainda se lembram..

- E? – Perguntou Sara impaciente.

- E ela mistura tudo. Alterna momentos de lucidez, com outros em que alucina, e não bate muito bem.

- É louca então?

- O Dr. Miland, não usou esta palavra, um só momento. Disse que ela foi internada pelo pai, com um forte abalo nervoso, por causa do desaparecimento do noivo.

- E o pai dela, onde está?

-Mudou-se com a filha para aquela cabana e já é falecido. Parece que deixou uma pequena renda, que permite à filha sobreviver.

- Bom, parece que o assunto Rita Walsh está resolvido...

- Ainda não Sara! Amanhã vou até a cabana, ver quem é o homem misterioso, que estava espirrando. - Comunicou Warrick.

- Não precisa – Adiantou-se Sara. .- Verifiquei enquanto você estava em Pioche.

-E o que descobriu?

- Eu o vi e não é Grissom. – Mentiu.

- É Maurice?

- Não sei, não o conheço... – Falou na maior cara- dura do mundo.

Era boa nisso: ninguém desconfiava dela, pensou. Para salvar Grissom faria qualquer coisa.

Maurice chegou à cabana, com excelente humor. Jantou com apetite e até repetiu o prato. Rita sentiu-se feliz, quando ele elogiou sua comida. Pensou que seu noivo, amável e gentil estava de volta.

Achou que ele não repeliria mais seus carinhos. E ela estava com uma sede de dez anos para aplacar. Ele estava com a cabeça em uma morena, com pernas compridas, sorriso brejeiro, com dentinhos separados e uns olhos castanhos, onde ele tinha se atolado. Rita se aproveitou disso. E ele se aproveitou de Rita.

Ele não contou, que havia se encontrado com Sara. Nem ele mesmo sabia porque fazer disso um segredo. Volta e meia passava a mão nos lábios e sorria: lembrava do beijo que Sara lhe dera e então, sorria sozinho.

No dia seguinte ela foi até o rio, encontrar "Maurice". Ele já estava a sua espera.

- Você não me conheceu antes, não, Sara?

- Antes do quê? – Evitou seu olhar, que lhe varava a alma.

- De eu ir para o Iraque.

- Não! – Viu que não era tão fácil mentir para ele, como era para os outros. – Por que?

- Rita me mostrou fotos e reportagens de lá. E não me sinto, nem me vejo, participando de uma guerra... Não sonho com nada ligado ao horror da guerra, o que é estranho... Só sonho com chuva... Não é engraçado?

Sentindo um estremecimento, Sara concordou. Mas era muito cedo, para ele começar a lembrar. Respondeu que era normal fugir de algo que lhe fazia mal. Maurice balançou a cabeça e fingiu concordar, porém, tinha suas dúvidas quanto a isso.

Naquela noite, ela e Warrick andavam pelos lados da delegacia e viram Brass acompanhar uma prisioneira, algemada. Sara brincou com o capitão;

- Muito trabalho, Jim?

- O normal; mas isso deve lhes interessar: esta mulher é Anna Lee Phelps, a morta que nunca foi- morta, por Sam Phelps!

Sara prestou melhor atenção, naquela mulher, que aparentava uns quarenta anos, tinha aproximadamente 1,60 m de altura, era um pouco cheinha e tinha olhos e cabelos castanhos. Perguntou ao capitão:

- Ela está sendo presa? Por quê?

O capitão olhou assombrado para ela. Parecia aérea, desatenta. Muito diferente da Sara Sidle, que ele conhecia.

- Hello! Tem alguém aí dentro?- Perguntou com ironia.

Sara sorriu. Concordava que tinha muita coisa na cabeça, andava meio distraída mesmo.

- Se ficar provado, que Anna sabia que o marido ficou preso por quinze anos, pela morte dela, que não aconteceu, ela será presa, sim. E ela também precisará explicar aquela mancha de sangue, que Grissom encontrou!

- Quem fará o interrogatório? – Indagou Warrick.

- Bem, se Grissom estivesse aqui, era ele que conduziria o inquérito, mas como não está, ficará ao meu encargo, mesmo! – Suspirou o capitão, que por muitos motivos, sentia falta do amigo.

- Vamos acompanhar pelo vidro, não, Warrick?

Sara olhou para o companheiro, com ar de menina, que quer brincar, mais um pouco. Warrick sorriu e aquiesceu. Como negar um pedido feito por um olhar tão pidão?E um jeitinho tão encantador?

- Está bem! – Concordou, afinal.

Eles então assistirem pelo vidro o interrogatório da assassinada, que estava viva. Brass entrou na sala e foi gentil com ela.

- Oi, Anna Lee! Sou o capitão Jim Brass, da polícia de Las Vegas. Você foi informada do que faz aqui?

A mulher balançou afirmativamente a cabeça. Brass então prosseguiu.

- Sabe que houve um julgamento, por causa de seu pretenso assassinato, sendo seu marido Sam Phelps o réu?

- Sim! – Respondeu, com o rosto impassível.

- Teve conhecimento de que ele foi condenado, mesmo sendo inocente?

- Sim! Porque ele me matar era uma questão de tempo! Ele ficava cada vez mais violento comigo! Na última briga, fui tão espancada, que passei dois dias internada...

- Ora, Sra. Phelps, há outras coisas, que podia fazer...

- Ele me acharia, capitão! É tão estranho ser chamada de Sra. Phelps depois de quinze anos!

-E como era chamada esse tempo todo?

- Pelo sobrenome de solteira: Wilson

Enquanto isso, a quilômetros dali, Maurice, revirava-se na cama, sem poder dormir. Rita abaixava a voz, tentando acalmá-lo.

- Acalme-se, Maurice, que o sono vem!

Mas parece que ela conseguia deixá-lo cada vez mais inquieto. Ele chegou a dormir um pouco e sonhar com chuva e ele e Sara nus, se beijando e abraçando, como se isso fosse muito natural. Acordou encharcado de suor, assustando Rita, que não entendia o que estava se passando.

Ele sentou-se na cama e pediu papel e lápis, tinha urgência de escrever algo.

- Não pode ser amanhã, meu amor? Já é tarde!

Mas não teve jeito de tirar isso de sua cabeça. Então, Rita arrumou-lhe um bloco e uma caneta esferográfica, dessas descartáveis. Ele sentou-se à mesa da cozinha e escreveu como se estivesse possuído.

Depois de escrever, sua expressão era de alívio, largou bloco e caneta sobre a mesa e voltou para a cama imediatamente e adormeceu em seguida. Fosse o que fosse que ele escreveu, parece que era algo que o incomodava e não o deixava dormir, porque depois, dormiu pesado.

Quem não conseguia dormir agora, era Rita. Ela estava curiosíssima, para saber o que o noivo teve tanta necessidade de pôr no papel. Levantou-se, com cuidado para não acordá-lo. Foi até a cozinha,abriu o bloco e leu:

* Quando o sol aparece,
Penso em você
Quando a chuva cai,
Penso em você
Quando estou feliz,
Penso em você
Quando estou triste,
Penso em você
Quando sinto dor,
Penso em você
Quando estou em paz,
Penso em você
Quando a noite chega,
Penso em você
Quando amanhece o dia,
Penso em você
Quando vejo algo bonito,
Penso em você
Quando choro,
Penso em você

Penso em você em todos os momentos da minha vida,
E no dia da minha morte, esteja certa, estarei pensando em você...

Ela franziu a testa: essa poesia não fora feita para ela. Sentia que não tinha nada a ver com a ela. Mas para quem seria? Ele quase não saía da cabana. Seria alguém que ele tinha conhecido no estrangeiro? Um brilho feroz, um pouco sinistro, passou por aqueles olhos verdes.

Ela fechou o bloco e voltou para a cama. Pensava que esperara muito tempo, para uma fulana qualquer roubar-lhe Maurice assim. Ela descobriria quem era e lutaria por ele.

* extraído do fórum, Jorja Fox Brasil