Capítulo 9
Cerimónia de Seleção
A multidão assistiu com curiosidade à entrada de um casal desconhecido, que logo se sentou na mesa junto aos restantes professores.
— Peço perdão, mas quem é que vocês pensam que são para se sentarem aí? Aliás como é que vocês conseguiram entrar no castelo? — interrogou o Diretor com uma expressão calculadora e colocando a mão discretamente no punho da varinha, pronto para defender os estudantes no caso destes serem um inimigo prestes a atacar.
— Mas de que raios é que estás a falar, Dumbledore? Acaso a idade está finalmente a afetar-te e adquiriste demência, que já nem sequer me consegues reconhecer?
Perante as palavras frias e o tom sarcástico que apenas poderia pertencer a uma certa pessoa em particular, Minerva McGonagall abriu os olhos com espanto, gaguejando sem parar:
— Se-Se-Se-Se-Se… Sev-Seve…
— Severus — concluiu o Mestre de Poções. — O meu nome não é assim tão difícil de pronunciar. Pelo que faz o favor de não o gastar.
— Severus!? — exclamou o velho espantado, não conseguindo acreditar no que os seus olhos viam.
— O próprio. Já que estamos nas apresentações… — O Professor de Poções levantou-se e cedeu a mão a Sally, ajudando-a a levantar-se. — Esta é a minha esposa, Sally Snape-Jackson. Ela irá ficar no castelo de agora em diante, pelo que espero que como membros honrados da Casa de Salazar Slytherin que são — disse na direção da mesa das serpentes —, não lhe faltem ao respeito ou ver-se-ão comigo todos os dias para um merecido e doloroso castigo. O mesmo vale para as outras Casas — ameaçou o moreno, retomando assento sem largar a mão de Sally.
"Jackson? Acaso esse não era o sobrenome daqueles estudantes americanos? Que estranha coincidência…", pensou a Sub-Diretora, recordando os gémeos que nunca haviam respondido às cartas de Hogwarts. "Mas… pensando bem, Severus desapareceu quando o mandei visitar a família Jackson. Hmm… Acho que já começo a entender… Sem dúvida tinha-los muito bem escondidos, Severus."
Desconfiado pela súbita aparição de uma misteriosa e desconhecida esposa, Dumbledore decidiu ler a mente de Severus. Imediatamente pequenos e rápidos flashes apareceram perante ele.
No entanto, o Mestre de Poções assegurou-se de que este apenas visse o que lhe convinha: Uma bela noiva… Uma cerimónia de matrimónio elegante, mas simples… Sem gémeos à vista, para que o velho não desconfiasse que o casamento era extremamente recente.
Não tendo encontrado nada que o levasse a desconfiar da veracidade das palavras do professor, O Diretor procedeu com a Seleção dos estudantes do primeiro ano.
Um a um, os estudantes ansiosos e temerosos desfilaram um por um. Até que por fim chegou a vez dos gémeos.
— Snape-Jackson, Heracles! — chamou Minerva McGonagall, causando uma expressão de desgosto na face do jovem de orbes esmeraldas.
— É Harry, Professora McGonagall — corrigiu o menor, caminhando de cabeça erguida e sentando-se no banco.
A Sub-Diretora ignorou as palavras do garoto e colocou-lhe o Chapéu Selecionador na cabeça, mas antes mesmo deste chegar sequer a tocá-lo, o chapéu gritou Gryffindor e desejou boa sorte à Chefe da Casa dos Leões, assegurando-lhe que estavam prestes a testemunhar o nascimento de uma nova geração de Marotos, com o ingresso deste peculiar duo gemelar, ao que a docente quase perdeu a consciência devido ao choque da notícia.
De seguida foi a vez do gémeo mais velho, que ao ser chamado pelo seu nome completo, também não deixou de expressar o seu desgosto.
— Pelo tive mais sorte que tu maninho, Perseus ainda soa melhor que Heracles e ao que parece não é tão fora de comum quanto isso — exclamou Percy, recordando o nome do Diretor de Hogwarts na carta de admissão e esboçando um sorriso traquina ao passar ao lado de Harry, que se encontrava sentado ao fundo da mesa dos leões, perto da área onde se estava a levar a cabo a seleção. Comparado com Albus Percival Wulfric Brian Dumbledore, Perseus até poderia ser considerado extremamente normal.
A multidão ainda se encontrava estupefacta pela revelação do sobrenome do primeiro gémeo a ser chamado para a Seleção, que nem se apercebeu das palavras de Percy ou de que ambos os gémeos eram autênticos leões.
Quando as pessoas começaram a regressar à Terra, os murmúrios não se fizeram esperar.
Snape é casado?
Snape tem filhos?
Oh, merda! Os filhos do Chefe da Casa Slytherin são Gryffindors?
Logo uma batalha campal tomou conta do Salão Principal…
As serpentes afirmavam que os filhos do seu Chefe de Casa não podiam ser membros da Casa dos Leões.
Os leões exigiam que estes fossem retirados da sua Casa, pois não queriam duas serpentes infiltradas na Torre, pois era óbvio que os gémeos eram espiões enviados pelos Slytherins.
Uma coisa levou à outra e os insultos, feitiços, murros, arranhadelas, chapadas e puxões de cabelo não se fizeram esperar.
Farto daquela balbúrdia sem sentido, Severus ergueu-se do seu assento, colocou a ponta da varinha no pescoço e utilizou um feitiço para ampliar a potência da sua voz.
— A próxima pessoa a insultar os meus filhos — Sally esboçou um sorriso complacido e orgulhoso, admirando a atitude protetora do marido. — terá castigo durante o resto do ano. Terão de limpar os caldeirões dos primeiros e segundos anos, todos os dias, incluindo fins-de-semana.
Os estudantes mais velhos tremeram ante a mera recordação dos seus próprios caldeirões quando tinham ingressado em Hogwarts pela primeira vez. Mais de um, tinha em dadas ocasiões explodido os seus caldeirões e terminado na enfermaria com ferimentos dolorosos, pelo que não havia forma de saber o que lhes poderia acontecer se tocassem por acidente nos resquícios das poções que os estudantes do primeiro ano haviam arruinado.
— Para aqueles que se acham muito espertos e não se importam de limpar uns quantos caldeirões…
Um sorriso maléfico decorou a pálida e atrativa face do Mestre de Poções, causando arrepios ao longo da espinha de uns quantos estudantes.
— Existem sempre outras possibilidades mais… hmm… arrojadas… O que é que pensam da ideia de vos mandar limpar o Quarto de Banho da Myrtle? Há muito que ela se queixa do quão só se sente naquele estreito cubículo… Tenho a certeza que uns quantos rapazes molhados e sem camisa a farão muito feliz!
Imediatamente os estudantes do quinto ano para cima fecharam as matracas e tomaram assento rigidamente, querendo desaparecer do raio de visão do professor o mais rapidamente possível.
— Para quem não sabe, Myrtle é um fantasma que não tem escrúpulos alguns na hora de espiar homens no banho…
Sally abafou o riso, retomando uma expressão séria e solene.
— Para as meninas que se estão a sentir aliviadas por não serem alvo da Myrtle Queixosa, fiquem a saber que Peeves precisa que alguém limpe o quarto dele regularmente… e sem magia, caso contrário não seria um castigo. Sabem… a sala mais imunda do castelo!? Nem o teto se salva…
