Consegui voltar antes do que havia imaginado e acredito que no início do mês, eu já esteja com meu notebook em mãos ^^'. Aí voltarei a postar quinzenalmente novamente, bem certinho ;).

Desejo a todos uma boa leitura.


"Quando os ventos de mudança sopram, umas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento."

Érico Veríssimo


O despertador soou, o som estridente arruinando os ouvidos sensíveis das duas kunoichis que até então dormiam profundamente. Ino se virou para o lado oposto da cama e colocou o travesseiro sob sua cabeça para abafar o som irritante e insistente e Sakura, que estava próxima ao aparelho, desligou-o, sem delicadeza alguma.

— Filho de uma vadia! –Sakura murmurou ainda sonolenta. Entreabrindo os olhos, percebeu que havia quebrado o objeto e se deu conta de que se quisesse não atrapalhar os treinos com Kakashi e Konohamaru teria de comprar outro.

A reclamação nem era por ter que gastar mais dinheiro e sim por ter de se levantar depois de ter dormido tão mal. As horas dormidas não foram o suficiente para que se recuperasse das doses de álcool que havia bebido; francamente, como havia se desacostumado a beber... Era até ridículo perceber a veracidade da situação.

— Oh, droga! Eu quase me esqueci! Tenho que ir à casa dos meus pais. –Ela reclamou, se levantando.

Sakura se dirigiu ao banheiro e fez sua higiene matinal para evitar comentários da loira sobre seus olhos sujos e mau hálito, mais uma vez. Finalizada a tarefa, ela voltou ao quarto e percebeu que a amiga ainda não havia se levantado.

— Hey, Ino. Vou à casa dos meus pais, você quer vir junto? –A rósea convidou, cutucando-a.

— Oh, Testa... Que sono! –Ino reclamou, retirando o travesseiro de cima da cabeça e se espreguiçando, sem abrir os olhos. — Que horas são? –Perguntou bocejando.

— Bem, creio que são dez horas. Não posso dizer com certeza, pois quebrei o despertador meio que sem querer. –Sakura respondeu rindo sem graça.

— Uh... E essa escuridão?! Não me lembro de ter notado isso noite passada. –A loira questionou ao abrir os olhos.

— Eu deixei tudo fechado, não queria acordar com um facho de luz nos olhos novamente. –Ela disse, seguindo para o corredor que dava para a cozinha. — Não gosto de ser chata contigo, mas, por favor, se decida se irá comigo. Enquanto você toma sua decisão, irei preparar um desjejum para nós.

Enquanto preparava sanduíches de pão de forma com patê de frango, Sakura ouviu o chuveiro sendo ligado e só então riu... Gargalhou, na verdade. Ino também acordava feia, por mais que houvesse pensado o contrário; a loira havia retirado a maquiagem escura da noite anterior, porém, ainda havia resquícios de rímel e delineador sob os olhos, fazendo-a parecer um filhote de panda. Os cabelos, sempre bem arrumados estavam alguns centímetros mais alto, deixando-a bem estranha, o que fez a rósea se sentir um pouco melhor com relação à sua aparência durante o período da manhã.

Ao acabar com a metade do pacote de pão, com a bandeja em mãos, Sakura seguiu para o quarto. Deixou-a sobre a cama e trocou de roupa, já que havia tomado banho na madrugada, quando Kakashi se fora. Ino falava mal de seu comportamento, mas com certeza havia ido dormir sem tomar banho. "Porca! Por isso não há apelido melhor para essa loira folgada!". Sakura pensou consigo mesma enquanto se analisava no espelho.

Sentia-se muito magra nesses últimos meses, mas como Ino dizia, seu traseiro estava muito "gordo", o que não deixava de ser verdade. Talvez fosse impressão sua, mas achava que isso era bom, pois dava certo equilíbrio às suas formas. Deixando de lado as preocupações frívolas com seu corpo, começou a comer, sentando-se na cama desarrumada.

Pensou no que sua mãe diria quando soubesse da missão que aguardava sua única filha e só deduziu o pior; ela a conhecia muito bem e sabia que sua mãe tinha tendência a chiliques quando se tratava de longas missões, mas essa ainda tinha o agravante do "casamento", o que com certeza, faria Mebuki surtar. Rindo de suas conclusões, Sakura não notou quando Ino saiu do banheiro. Ao ver a amiga rindo sozinha, Ino sorriu; fazia tanto tempo que não a via tão relaxada e isso era ótimo.

— Endoidou, Testa?! Está aí, rindo sozinha... –Ino comentou, começando a se trocar. Ela pegou um dos vestidos leves e coloridos que Sakura havia lhe dado no dia anterior e o vestiu por cima da toalha.

— Uh... Eu estava aqui imaginando o que a mamãe dirá quando souber da minha missão. –A Haruno respondeu ainda sorrindo.

— Aposto que não era algo que prestasse. –A loira adivinhou, mostrando a língua para Sakura de modo infantil.

— Não mesmo e não queira saber por mim, você provavelmente verá se for comigo. Você irá?! –Questionou, empurrando a bandeja para a beirada da cama, para ficar próxima de onde Ino estava.

— Claro que irei. De lá eu volto para casa, já que o papai não estará. –Ino comentou com o semblante fechado.

— Porca... Eu estive pensando. Se você quiser, você poderá passar essa semana aqui comigo. Bem, como eu sairei em missão e não sei quando volto, terei de abrir mão do apartamento; eu não queria que isso acontecesse, pois estou morando aqui há pouco tempo e gostei muito daqui... Então, você poderia alugá-lo e meio que segurá-lo para mim, não é?! –A kunoichi decidiu de repente, já se animando com a ideia.

— Oh! Isso seria fabuloso, Sakura! E dependendo das circunstâncias em que eu estiver vivendo, e você também, nós poderíamos morar juntas após o seu retorno! –Ino complementou, entusiasmada.

— Bem, eu havia pensado em algo parecido! Ah, Ino, eu deveria ter feito isso antes! –A médica-nin se lamentou pensando em quanto tempo ficara longe da amiga. Era um fato conhecido que ela não estava muito sociável nos últimos tempos, mas Ino sempre tentara levantar seu ânimo.

— Aaah, Testa... Faz parte. E sim, eu vou aproveitar essa semana com você; vamos até a casa dos seus pais e eu passo na casa dos meus para pegar as minhas coisas. Aos poucos, irei buscando mais. –A loira respondeu e se aproximou da amiga. — Obrigada, Sakura, eu não sei o que dizer para lhe agradecer por me ajudar nesse período conturbado.

As duas se abraçaram e riram feito bobas. Depois de Ino terminar de se vestir e comer o desjejum, ambas saíram rumo à casa dos Haruno. Sakura queria aproveitar bem o dia, pois não veria seus pais por um longo tempo, ao menos era o que ela imaginava; na sua despedida oficial da Vila, na sexta-feira, ela não teria muito tempo com eles, então aproveitaria ao máximo tudo o que lhe fosse ofertado nessa semana, esse era o seu desejo. Restava-lhe saber se ela seria forte o suficiente para receber o que lhe fosse dado, independente das circunstâncias.

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Uma fina camada de suor cobria seu corpo, após tantas tentativas de se soltar; sua cabeça doía devido à tortura que lhe era empregada. Seus braços estavam presos por uma linha especial de chakra, o que impedia o fluxo do seu próprio e em mais uma tentativa se escapar, acabou esfolando o pulso, o que lhe trouxe um ardor na região.

Percebendo sua reação, quem o mantinha cativo riu, um riso sensual e se aproximou de seu rosto; lábios suaves e cheios tocaram os seus em um beijo possessivo, lembrando-o de quem estava no comando. Visto que não havia para onde escapar, rendeu-se ao beijo e sentiu o corpo feminino se aproximar do seu, trazendo-lhe calor. Por estar nu, a aproximação foi mais que bem-vinda, mas mesmo assim, ainda temia saber quais eram as verdadeiras intenções da mulher.

Ao vê-la chegando a seu apartamento, ele não imaginava que ela fosse lhe render tão facilmente, tampouco que iria deixá-lo assim, incapaz de reagir e começar uma doce tortura. Ela estava acariciando-o há algum tempo e só agora havia lhe beijado, o que o deixou intrigado. Por mais que detestasse estar de mãos atadas, literalmente, havia gostado da iniciativa e jamais havia imaginado isso vindo dela... Sempre tão séria e distante. A pressão das amarras se afrouxou levemente, o que permitiu seu sangue correr mais livre, mais rápido, se juntando em uma região específica de seu corpo.

Quando a mão macia tocou o seu membro, seu corpo se retesou inconscientemente e o beijo cessou, dando lugar a um gemido rouco. A mulher distribuiu beijos por toda a extensão de sua pele e ao chegar à região em que tinha entre uma das mãos, sugou-o, fazendo-o gemer novamente. A língua quente e úmida fazia círculos suaves em toda a longitude de seu pênis, deixando-o próximo ao limite a cada ação.

Sem poder segurar-lhe os cabelos para orientá-la, contentou-se em mexer os quadris, ritmando os movimentos; tão logo ela percebeu, logo o parou. Com a mão livre, a mulher começou a erguer a blusa e desceu o minúsculo short que usava, deliciando-o com a visão de sua calcinha de renda vermelha.

De repente, para seu desespero, a mulher parou o que fazia e retirou a blusa completamente, exibindo os seios cobertos por um sutiã, também vermelho. A visão não poderia ser mais bela e seu membro reagiu aos pensamentos que lhe invadiram. Poder tocar aquela pele clara e macia era o que ele mais queria e pensou em dizer-lhe, mas sabia que seria repreendido.

Viu que ela se aproximava e esperou por suas ações. A mulher retirou a minúscula calcinha e jogou-a em seu rosto, rindo. Extasiado e confuso, percebeu que ela o montou, dirigindo seu membro pulsante até sua entrada molhada, sem sequer se preocupar com a proteção de ambos. Ele jamais transava sem proteção, mas dadas as circunstâncias, nada poderia ser feito, então apenas apreciou a sensação de preenchê-la. Assim que a penetrou, ouviu seu nome soar baixinho.

— Kakashi...

Ele apenas gemeu em resposta, sentindo dificuldade em se movimentar devido às amarras que ainda o prendiam.

— Kakashi... –Falou mais alto, deixando-o mais enlouquecido. As amarras começaram a se afrouxar, e com um puxão mais forte, ele se livrou totalmente. Com as mãos livres, Kakashi segurou a cintura fina e estocou mais forte, mais fundo, gemendo e arfando a cada movimento.

Ele nunca havia perdido o controle ou se envolvido tão facilmente como estava sendo agora. Realmente, essa mulher era uma feiticeira; mexia com seus sentidos, fazendo-o dar uma resposta tão ávida ao simples toque. Estar com ela, dentro dela, era o paraíso e ele ainda não estava acreditando que aquilo estivesse acontecendo.

— Kakashi! –Sua voz começou a ficar mais alta e diferente, porém, embevecido e envolto em sua áurea de prazer, ele sequer se atentou ao fato; pancadas foram ouvidas, mas ele imaginou que fosse a cama batendo na parede, pois agora ela o montava com ainda mais força, quase com selvageria.

— Sakura...

— Puta merda, Kakashi. –Dessa vez um grito foi ouvido, dissipando a sensação de torpor que o envolvia. Quando percebeu, a ex-aluna já não estava em cima de seu corpo e aos poucos, voltando à realidade, percebeu que alguém quase derrubava a sua porta, tamanha impaciência demonstrava.

— Kakashi-senpai, eu sei que você está aí! Abra essa porta!

Kakashi reconheceu a voz de Yamato e perdendo totalmente a letargia proporcionada pelo sono e sonho, se levantou, com a intenção de abrir a porta para o ex-anbu; se desvencilhou do cobertor e do lençol, sendo que o último estava enrolado em seu pulso, esticado sobre o corpo. Ele sequer se preocupou com o que vestia e ao abrir a porta, viu que cometera um erro... Havia saído nu e como se isso não bastasse, estava com o pênis ainda ereto, consequência do sonho erótico.

Tais detalhes não passaram despercebidos aos olhos do Yamato; incrédulo a princípio, o usuário de Mokuton não esboçou qualquer reação, apenas arregalou os olhos e abriu a boca para falar algo, mas nenhum som saiu. Kakashi já estava perdendo a paciência, tanto pela situação em si, quanto pelo que a provocou e ralhou.

— Você vai entrar ou eu ficarei aqui o dia todo segurando essa porta com o "instrumento" de fora?!

Ao perceber a irritação do prateado, Yamato adentrou no recinto e, recuperado do choque inicial, começou a falar.

— Uuuh, eu interrompo algo, Kakashi-senpai?! –O mais jovem questionou com um sorriso prepotente estampado nos lábios. — A responsável por isso já saiu pela janela ou eu devo esperar lá fora para que ela saia por aqui?! –Ele zombou, apontando para as partes baixas do amigo e em seguida para a porta.

— Oh! Foda-se, Tenzou. –Kakashi largou Yamato na sala e seguiu para o quarto; em meio a um amontoado de roupas que estavam em cima de sua escrivaninha, encontrou uma camisa azul marinho com a máscara acoplada e a vestiu. Procurou por alguma roupa íntima e como não encontrou, vestiu a primeira bermuda que viu pela frente. Esfregou os olhos que ardiam por ter acordado de repente e voltou à sala, onde Yamato o esperava sentado no sofá.

— Você tem algo a me contar, senpai? Nunca o vi tão... Descuidado com sua privacidade. E se eu estivesse acompanhado? –Yamato questionou, ainda rindo maliciosamente.

— Droga, Tenzou, não tem ninguém aqui... Pare de me amolar! –Kakashi verificou as horas e se assustou, passava de uma hora da tarde. Ele nunca havia extrapolado tanto em seu sono, mas depois de ficar tanto tempo refletindo, só conseguira realmente dormir por volta das seis da manhã. "Diabos, a imagem dela me atormenta inclusive nos sonhos! Tudo isso é por causa da noite anterior e esse filho de uma mãe tem culpa nisso, fica colocando coisas na minha cabeça"

— Oe, Kakashi-senpai, você já passou da idade de ter ereções matinais. –O ex-anbu zombou, gargalhando.

Decidindo ignorar o amigo, Kakashi foi até a cozinha e colocou água numa chaleira, em seguida, colocou-a para ferver, mesmo que talvez não fosse tomar chá algum. "Ok, eu nunca dormi até tão tarde... e agora, tomo o desjejum ou almoço?!" Pensou coçando a cabeça e por meros segundos se esqueceu de Yamato.

— Senpai, não adianta me ignorar... Você vai me contar o que aconteceu ou eu terei que adivinhar?!

O amigo perguntou, andando até a cozinha. O riso de deboche não saía de seus lábios, o que instigou o prateado. "O que esse folgado quer? Já não basta o que me fez passar no pub e ainda me provoca em minha própria casa?". Ele abriu a porta de um armário que era fixado à parede acima da pia, pegou uma caixinha de chá e uma caneca.

— Já falei para parar de me chamar de senpai, Tenzou. –Kakashi advertiu, fugindo do assunto e colocando um sachê do chá na caneca.

— E eu já lhe disse para não me chamar de Tenzou, senpai. Vamos ficar nisso o resto da vida... E não fuja do assunto, ok? Eu até já sei o que aconteceu. Eu não senti qualquer chackra além do seu, então apenas deduzo: você sonhou com ela, não foi?! –Yamato adivinhou se aproximando do prateado e batendo-lhe nas costas amigavelmente. Tal atitude contradizia o seu comportamento, pois ele estava gargalhando.

Kakashi que até então fingia estar concentrado na tarefa de preparar o chá, desistiu e encarou o ex-subordinado. Sua vontade era de mandá-lo fazer mil outras coisas, nada respeitosas ou dignas, mas ele se contentou em responder-lhe:

— Certo. Você me pegou. Foi isso mesmo, eu sonhei com... Ela... Com a Sakura! Mas eu não deveria lhe contar, já que não é da sua conta. Eu não fico lhe atormentando por causa da Ino... E vocês realmente têm algo, o que eu tive foi apenas um sonho idiota, beleza?! Foi algo sem precedentes, foi uma fantasia estúpida, tola... Ok?! –Kakashi respondeu sarcástico, alterado... E ele próprio estranhou sua reação tão fervorosa.

— Oe, calma aí, Hatake. Eu só deduzi. –Fazendo um muxoxo, Yamato continuou. — Depois que vocês saíram do pub a Ino começou a comentar que possivelmente acontecerão coisas entre vocês e como a Sakura virou uma mulher muito bonita, eu imaginei que ela estivesse certa. Venha cá, vamos nos sentar e conversar sobre isso. –Yamato apaziguou, tentando levar o outro jounin para a sala.

— Ah, agora você virou psicólogo e eu não estou sabendo? –Kakashi questionou novamente com ironia, mas seguiu o amigo até a sala e se sentou no sofá à frente da poltrona em que o outro havia se sentado.

— Sério, senpai, vamos parar com os ataques. Eu vim aqui para te chamar para comermos um churrasco, mas dadas as circunstâncias... –Interrompeu-se e tossiu, disfarçando o desconforto repentino. — Bem, o que eu quis dizer é que não há como esconder que provavelmente acontecerá algo entre vocês e sim, não é da minha conta, mas espero que você não estrague tudo. Ela já é uma adulta e vocês não têm mais a relação de aluna e professor, os tempos são outros... Muita coisa aconteceu e ambos mudaram. Não quero dizer que vocês vão sair de lá querendo se casar de verdade, como brinquei na noite passada... Só acho que vocês devem aproveitar as oportunidades, quando elas surgirem, logicamente. –O ex-anbu completou seriamente.

— Veja bem, Tenzou... Para você é fácil me aconselhar dessa forma, a Ino nunca foi sua aluna, sequer formaram um time e ela não esteve sob o seu comando. É uma questão muito complicada e sensível para mim... e eu não estou certo de que isso dê em algo, é só uma mera atração, uma ilusão que vai passar assim que começarmos a conviver; você sabe, casamentos, de mentira ou não, costumam ser um fardo. Creio que não seja algo com que eu deva me preocupar. –Kakashi concluiu, esticando as pernas no sofá. — E também, se eu cogitasse qualquer chance positiva, ainda teria a questão da idade. Ela tem o quê, vinte e três, quase vinte e quatro anos e eu, bem, eu farei trinta e sete... Lá se vão quatorze anos de diferença! É praticamente impossível que as circunstâncias dêem em algo substancial.

— Eu te entendo perfeitamente, senpai, mas deixando de lado tudo isso, pense no que será melhor para você. E sobre a idade... Isso não é lá grande coisa! Eu e a Ino, por exemplo, há uma diferença de dez anos entre nós! –Yamato completou, persuadindo o prateado.

— Tudo bem, eu verei o que posso fazer. –Cansado de debater, Kakashi fingiu que havia cedido.

Por qual motivo ele havia sonhado justamente com ela, quando qualquer outra mulher em Konoha e fora dela poderia tomar conta de seus pensamentos? Era fato que ele não tinha uma companheira há algum tempo, mas isso não justificava nada, pois ele era acostumado a passar por um longo período de abstinência sexual e nada parecido havia lhe ocorrido e isso lhe trouxe ainda mais preocupações.

— Preste atenção, a sua vida nesses últimos anos não tem sido das melhores. Apenas mantenha isso em mente: você se dedicou tanto à Konoha, sempre colocou o dever em primeiro lugar... Acho que está na hora de pensar mais em si mesmo. –Ao ouvir uma resposta mais positiva do jounin, Yamato começou a relaxar, mas ainda aconselhou.

— Pensarei Tenzou, pensarei. –O prateado sabia que pensar seria o que ele mais faria nos próximos dias, mas queria ficar em paz por enquanto, tentaria esquecer o sonho, mas sabia que seria difícil.

Kakashi pensaria em tudo o que Tenzou havia lhe dito e em muitas outras coisas, que ele ainda não queria compartilhar com o amigo, mas ainda tinha uma decisão a tomar e seu estômago doía de fome; ao ouvir o apito da chaleira, soube que tinha feito a escolha errada. Restava-lhe esperar que suas decisões não fossem tão ruins quanto à escolha de sua refeição.

— Mas e você, por qual motivo ainda não assumiu seu relacionamento com a Ino? –O Hatake questionou, encarando Yamato.

Ao ouvir a pergunta, Yamato abriu a boca, com a intenção de dizer algo, porém as palavras não foram articuladas e ele desviou o olhar para o tapete, pensativo. Kakashi se levantou, querendo dar um tempo para o amigo pensar e foi até a cozinha. Ele desligou o fogo, jogou o sachê de chá na lixeira, guardou a caneca e voltou ao quarto. Retirou a bermuda e colocou sua calça ninja e o colete. Ele não iria ficar em casa morrendo de fome enquanto esperava por uma resposta que certamente não viria.

Kakashi saiu do quarto e foi em direção à sala novamente. Yamato ainda mantinha sua pose pensativa, então ele caminhou até a estante, pegou a sua carteira e foi até o sofá novamente, sem se sentar, ficando em pé ao lado do ex-subordinado.

— Tenzou. –Chamou-o, começando a ficar preocupado.

Assim que Yamato viu que Kakashi havia retornado e lhe encarava, sua expressão fechada se desfez, aos poucos. Ele coçou a cabeça, sem jeito e quando o prateado já estava perdendo as esperanças de saber a resposta, ela veio de forma hesitante.

— Ora, senpai. Eu não assumo o que eu e a Ino vivemos simplesmente porque eu não sei o que ela sente por mim. Talvez o que ela queira de mim seja apenas diversão, um caso passageiro e eu não estou preparado para ouvir isso dela. –O ex-anbu disse com o semblante triste.

— Tenzou, você é mais burro do que eu havia pensado! –Kakashi zombou, dando um leve tapa no ombro do amigo. — Vamos comer aquele churrasco, aí a gente conversa sobre isso.

Dessa vez seria Kakashi quem diria poucas e boas e ai de Yamato se ele ousasse interrompê-lo, ou dissesse que o que ele via ou sentia era uma besteira. Kakashi tinha experiência o suficiente para dizer com toda a certeza sobre o que Ino sentia pelo seu amigo idiota e não haveria melhor oportunidade que essa para terem uma conversa séria.


Gente... meus "escritos" mais picantes, digamos assim, estão enferrujados, então me perdoem se a cena do sonho não ficou muito hot, preciso voltar a escrever hentai ... Espero que mesmo assim, tenha agradado; quanto à posição em que o Kakashi se encontra, perturbado pela Sakura, logo iremos entender, beleza?!

Espero vê-los nos comentários. A próxima postagem será dia 11/10, se tudo der certo.

:*