Capítulo 9

Eu estava absolutamente, completamente, miserável. Uma semana em meu "regime" já estava me matando. Estava começando a perder peso. A idéia era de que Harry percebesse o que estava fazendo consigo mesmo e voltasse a comer bem. De início não conseguir saber se ele tinha reparado. Ainda estava entre o mundo e seu mundo na maioria das vezes. Já estava me sentindo desencorajado. Normalmente, é quando começo a desistir de alguém. No passado, quando a amizade começava a ficar complicada demais ou eu não ficava satisfeito, sempre abandonava a pessoa sem pensar duas vezes. Harry foi diferente. Em vez de esquecer tudo, comecei a olhar por outros ângulos. Quase desejei ter o e-mail de Granger... Palavra chave: "quase".

No oitavo dia, desci para o café da manhã, e observei Harry mexendo com a comida. A parte estranha era que não havia pilhas. Ele fez uma cara de poucos amigos, e começou a comer a comida do prato... toda. Agradecendo aos céus, fiz o mesmo segundos depois. Dois pratos de ovos mexidos depois, fiquei sem fome pela primeira vez desde que comecei a colocar o plano em ação. Minha mãe estava nos encarando com um olhar preocupado, mas não me importei. Harry levou seu prato à pia – tinha desistido de o convencer que não precisava – e pediu licença da mesa. Nenhum de nós dois disse nada até estarmos de novo na "casinha".

Harry me disse. "Você sabe o quanto aquilo foi estúpido, certo?"

Levei uns segundos para entender sobre o que ele estava falando. "É estúpido quando você faz também," respondi.

Ele balançou a cabeça. O olhar em seus olhos já falava tudo: estava realmente puto da vida comigo. "Não vou discutir mais com você," me disse antes de sair da casinha.

Apenas fiquei ali. Não tinha ficado tão pasmo já havia muito tempo. Na maioria das vezes, quando Harry estava puto, geralmente sua raiva era dividida entre ele mesmo e a situação. Dessa vez, entretanto, era toda direcionada a mim. Ele sempre foi tão educado que quando o vi assim, isso me deixou como um idiota encarando a porta. Depois do choque inicial, uma onda de indignação percorreu em mim. Como ele se atreve a ficar puto comigo por apenas tentar ajudar! Bem, dessa vez eu não iria atrás dele para me desculpar.

Rumei para o estábulo para amuar, quando vi um carro parar. Era um velho Corvette pintado de vermelho, e mal pude ver o homem atrás do volante. Minha curiosidade ascendeu. Segui o carro estranho até onde ele tinha estacionado. Quando cheguei o motorista já estava dentro da casa, e comecei a examinar o carro mais atentamente. Eu sei absolutamente nada sobre carro. A única razão de eu saber que esse era um Corvette é porque eles são bem distintos, e meu pai possuía um similar a esse. No banco do passageiros havia vários embalagens com o nome de Harry escrito.

Mal eu vou em direção a maçaneta da porta e Dobby vem em minha direção gritando. "Oh, mil desculpas! Eu estava lhe procurando, senhor Malfoy. O senhor sabe onde está o senhor Potter?" Dobby era geralmente esganiçado, mas desta vez estava mais do que o normal.

"Não, não vi," eu disse, ainda amuando.

"Eu preciso o encontrar," disse Dobby antes de sair apressado. O mundo inteiro endoideceu!

Quando achei minha mãe sentada com o estranho na sala, eu próprio estava a beira da insanidade. Tinha procurado nos lugares em que minha mãe geralmente recebe visitas para achá-los todos vazios. A única vez que ela vinha para o quarto azul era quando estava extremamente infeliz. Ela olhou quando eu abri a porta. Já me olhava com os olhos cheios de raiva e animosidade. Ela ao e incomodou em falar quando sinalizou para mim, Dragão, onde você estava?

Por aí com Harry.

Ela balançou a cabeça. Onde está ele?

Não sei. Brigamos e ele saiu. Aconteceu alguma coisa?

Minha mãe se controlou. "Draco, esse é o seu primo, Sirius Black... o padrinho de Harry."

Só naquele momento em que dei atenção ao estranho sentado na poltrona. Nos estudamos cuidadosamente. Minha mãe deveria estar me apresentando, porque ele parecia estar a escutando. Sirius Black era facilmente um dos homens mais bonitos que eu já tinha visto, decidi isso após alguns momentos. Ele era alto, magro com um pele meio bronzeada e longo cabelo comprido puxado em um rabo de cavalo. Suas roupas eram extremamente caras. Ele me ofereceu a mão. Eu tentei fazer o mesmo. "Oi."

Ele sorriu. "Nem precisa perguntar para ver que você é um Malfoy," Sirius comentou.

Eu estava incerto se tinha sido um insulto ou não, então não comentei nada enquanto sentava entre eles. Ele é um babaca.

Olhe o vocabulário, minha mãe reclamou. Mas sim, ele é.

Alguma coisa me disse para não sair dali por nada no mundo. Os lábios de minha mãe estavam um pouco comprimidos. Ela obviamente não me queria ali, mas sabia que eu não iria embora sem discutir. "Como eu estava dizendo, não vou deixar você levar ele sem a permissão dos Dursley. E acho que você deveria ir embora agora," minha mãe falou, severamente. Sirius pareceu não gostar muito. Não peguei o que falou depois, mas fez as bochechas dela ficarem vermelhas. "Saia agora! Não dou a mínima para o que você tem a dizer!" ela gritou.

Black percebeu o erro que tinha feito. "Não estava falando sério, Cissa! Me desculpe. Entendo que te coloquei em uma má situação, mas tem de entender..."

Eu virei em direção a minha mãe bem a tempo de ler a sua resposta. "...depois de dizer isto, eu deveria apenas entender? Como se atreve, e em frente de meu filho!"

Seus olhos voltaram-se para mim. Vá para o seu quarto!

Não!

Black aproveitou a situação para implorar. Ele era um homem desesperado, até eu percebi isso. "Cissa, eu não tinha o direito de falar o que falei, mas por favor... Harry é tudo o que me resta neste mundo, e não o vejo desde que tinha três anos! Estou te implorando... me deixe vê-lo mesmo que seje só aqui."

Minha mãe se acalmou no sofá. Vá chamá-lo, ela me disse.

Todos em casa procuraram de cima para baixo, mas era como se ele tivesse desaparecido. Finalmente, o achei subindo as escadas com Maria. Poderia jurar que ouvi ela falar que Harry já estava velho demais para se esconder nos armários. Não entendi, mas isso podia esperar.

"Harry, sabe quem está aqui?", perguntei.

Ele apenas sacudiu a cabeça.

"Sirius Black!"

A cor desapareceu do rosto de Harry. "Ele está puto comigo?"

"Acho que não. Por que estaria?"

"Porque eles não me deixavam responder suas cartas. Nem chegava a lê-las. As vi antes que Valter queimasse elas, mas nunca soube o que estava escrito."

"Harry, tudo o que eu sei é que ele quer te ver," disse, honestamente. "Quer que eu fique com você?"

Harry balançou a cabeça positivamente, e entramos no quarto azul juntos.

Por um longo tempo, Harry e Sirius apenas se encaravam. "Deus, você é a cara de James," Sirius disse, deixando a alegria tomar conta de seu rosto. Ele abriu os braços para Harry, mas ele não se mexeu.

Ele parecia estar morrendo de medo. Ele mordeu os lábios. "Todo mundo fala isso."

Sirius abaixou os braços. "Apenas porque parece. Apesar de James era mais alto do que você. Ouvi dizer que você joga igual a ele no Hóquei. Gostaria de ver um de seus jogos."

O clima no quarto estava meio tenso. "Ele foi o melhor ano passado, mas neste ano eu vou jogar," eu disse, olhando mais para Harry. O provocava constantemente com isso, e esperava ganhar alguma reação.

Ganhei um pequeno sorriso. "Cala a boca, Malfoy."

"Educação..." Sirius brincou. Peguei a diversão do momento em seus olhos. Poucas pessoas tinham tanto interesse assim por mim. Não tinha percebido que ele olhava para as minhas mãos quando estava comentando sobre ele com minha mãe.

Corei. "Você sabe?"

Sirius riu, mas vi que estava concentrado. Quando levantou suas mãos novamente, elas moviam-se devagar enquanto tentava se lembrar dos sinais. "Costumava a sinalizar muito bem."

Agora entendi porque minha mãe não gostava dele. Você entendeu o que estávamos falando e apenas nos deixou continuar!

"Calma! Já faz anos que não sinalizo," Sirius explicou rindo. Ele se voltou para Harry. "Seu amigo é bem cabeça quente. Cuidado. Apenas Deus sabe o que aconteceria se James e Remy não estivessem me vigiando por causa disto."

Esqueci da minha timidez quando vi Harry rir. Seus olhos estavam brilhando. Ele finalmente tinha relaxado. "Dumbledore me contou que você e meu pai tinham talentos para causar confusão."

Não vi o que Sirius disse depois disso. Ver Harry voltando a vida era tão bonito, que acho que o mundo poderia estar caindo sobre mim e eu não iria perceber. Então uma coisa me veio a cabeça: isso é o Harry precisava mais do que tudo... muito mais do que eu. Forcei um sorriso. "Vou voltar lá para baixo."

Harry estava rindo de tudo. "Ok"

Logo depois que fechei a porta atrás de mim, deixei minha mágoa prevalecer. Alguém tinha tirado Harry de dentro de suas paredes e não tinha sido eu. Com certeza era uma ótima visão, mas eu queria ter sido aquela pessoa. Queria que me amasse por isso. Combinando isso com o fato de que eu ainda não tinha sido perdoado da nossa briga de antes, o desapontamento era quase insuportável. Me escondi no meu quarto pelo o que parecia ser uma eternidade.

A luz se acendeu, eu virei esperando que fosse Harry. Minha mãe estava na porta, segurando uma pasta, eu franzi. Ele ainda está aqui? Perguntei de repente.

Está, minha mãe confirmou. Dragão, seu pai diz que eu te mimo muito. Que eu não lhe dou oportunidades o suficientes para ser homem. Bem, vou lhe tratar como um hoje, e preciso que você haja como um tal.

Concordei.

Quando você escreveu pela primeira vez sobre Harry vir para cá, a razão que fez ele demorar tanto para dar uma resposta era porque um investigador pessoal estava aqui. Havia alguns rumores... mas bem, deixei Harry sair com Sirius para comer uma pizza. Provavelmente não foi a melhor idéia, eu sei, e seu pai não irá ficar feliz, mas não planejo em contar para ninguém. Leve o tempo que precisar para ler. Ela colocou a pasta na mesa do computador, e podia ver que ainda estava batalhando para não retirá-lo de lá. Dragão, há chances de você não gostar do que tem aí. Agradeceria se não contasse nada ao Harry.

É tão ruim assim? Perguntei. Se fosse, talvez nem quereria ler.

Minha mãe balançou a cabeça. Não é uma história feliz. Não é ruim. Apenas estranha.

Peguei a pasta como se fosse um bicho peçonhento prestes a me picar. Ela estava certa; precisaria agir como um homem. Abri na primeira página.

Sr. Malfoy,

Aqui está a informação que solicitou. Tenho de admitir que essa talvez seja a situação mais bizarra que eu já tenha investigado.

O básico da história faz parte do conhecimento público. Harold James Potter nascido em 3 de Julho de 1983. James e Lily Potter foram mortos em 31 de outubro de 1986, quando o helicóptero em que estavam apresentou problemas técnicos logo após de decolarem e explodiu (provavelmente falha mecânica). Harry de três anos foi tratado de queimaduras de terceiro grau em sessenta por cento de seu corpo. No dia após o acidente Valter e Petúnia Dursley pediram permissão a corte judicial para terem custódia de Harry citando que Sirius Black não servia ao modelo de um bom pai. Isso e outras coisas foram paras as páginas dos jornais.

Suas suspeitas de que os Dursley não são exatamente normais estão corretas. Valter e Petúnia Dursley não tem nada em suas fichas além de algumas multas de trânsito. Petúnia é, em todos os modos, uma devotada dona de casa e mãe. O trabalho de Valter o senhor provavelmente já sabe, tenho certeza. Apesar de não se ter provas de abuso físico, todos com que falei pareceram ter notado alguma coisa estranha na relação do menino com os Dursley. Os vizinhos informaram-me sobre as festas extravagantes dadas a Duda, mas ninguém parece lembrar-se de alguma para Harry. Na verdade, alguns nem sabem de sua existência na casa. Olhei algumas fichas feitas por psicólogos que falaram com ele durante a briga da custódia. No geral, Harry é um garoto tímido, e os Dursley apenas se focam com Duda. Tenho a impressão de que se o Sr. Black não estivesse com tantos problemas, não teria nenhum problema em conseguir a guarda, como estava escrito no testamento dos Potter. Também inclui alguns papéis da história de Black – o que, tenho certeza, o senhor já conhece.

Quanto aos bens de Harry, os Dursley não conseguiram alterar nada do testamento. Deve-se lembrar de que os Potter nunca tencionaram para eles terem sua guarda. Todas as provisões no testamento notificavam Sr. Black como tutor legal. Antes de sua morte, James Potter colocou sua companhia de Óleo na mãos de um outro diretor, que fazia um ótimo trabalho desde que entrara nela, para se concentrar em trabalhos humanitários com sua esposa. Dois milhões de dólares seriam doados para a caridade que ele estava trabalhando no período de sua morte, e outros três milhões foi dado aos Dursley na esperança de que isso os acalmassem. O resto do dinheiro seria guardado até o aniversário de dezoito anos de Harry. Foi quase impossível obter a informação detalhada da quantia exata, mas a consegui para você. Levando em consideração de que Black também tem uma vasta fortuna, os Potter deram duzentos milhões para cuidar do menino (sua educação não está sendo levada em consideração nessa quantia). Há uma outra conta nas mãos de Albus Dumbledore. Com tanto dinheiro em tantos lugares, não é de se espantar que os Dursley foram incapazes de alterar o documento.

Todos os documentos que o senhor pediu estão em anexo. Consegui tudo o que pediu e outras coisas. Se deseja saber mais, sabe que pode me contratar a qualquer momento.

John Aimes

Senti um estranho pressentimento enquanto virava cada página. Em apenas duas curtas horas, havia aprendido mais sobre Harry do que aprendi nesse tempo em que nos falamos. Estudava em uma escola separada da de Duda. Os professores comentavam sobre sua natureza reclusa, mas tirava notas perfeitas. Em Hogwarts... bem, eu já sabia de tudo. Depois era sua ficha médica, tinha poucas coisas. Alguns check ups, um pulso quebrado quando tinha nove, e a batida na cabeça desse ano. Todos os médicos anotaram que ele estava abaixo do peso. Os psicólogos concluíram que Harry não era tão sociável para sua idade. Ele era um pouco amedrontado quando os Dursley não estavam. Todos os assistentes sociais perceberam que eles davam mais atenção a Duda do que para Harry.

Estava curioso para saber porque ele ainda estava com essas pessoas, mas as minhas perguntas foram respondidas quando cheguei na sessão Sirius Black. Sua história estava repleta de denúncia. A primeira foi de tentativa de assalto quando tinha dezoito anos seguido por porte de drogas. Foi preso a dois anos atrás. No total, serviu sessenta dias de pena na cadeia. Além disso, Black esteve em vários lugares de reabilitação. Até foi internado na clínica de Azkaban depois de tentar o suicídio usando Vicoden e vodca.

Minha cabeça estava girando. Sem comentários sobre Harry ter problemas. As pessoas com que ele vivia deixavam claro que não o queriam e o único que queria tinha ficha criminal. Mas como puderam descartá-lo? Claro que alguém notou o que ele estava fazendo consigo mesmo! Porque não se importaram? E porque pagariam tanto dinheiro para parar de ir ao tribunal se não o queriam? Quer merda estava acontecendo na casa dos Dursley? Algo me disse que meu pai pagaria John Aimes novamente para descubrir.

Coloquei a pasta na escrivaninha, e passei o resto do dia no computador. Era quase noite quando vi luzes lá fora. Harry estava rindo e sorrindo quando saiu do carro, com alguns equipamentos de hóquei. Observei. Não houve hesitações enquanto Harry abraçava Sirius. O homem parecia que iria chorar e beijou Harry na testa. Não entendi o que ele disse, mas vi que fez Harry feliz. Sirius foi embora, e eu desci.

"Se divertiu?" perguntei.

Ele balançou a cabeça positivamente. "Sirius me contou algumas histórias dos meus pais."

O brilho não havia deixado Harry naquela noite quando fomos ver filmes. Parecia que eu era o único se que lembrava da briga de mais cedo, e não estava certo se era uma coisa boa. Quando trouxe pipoca, Harry comeu um pouco, mas com um estranho olhar. Enquanto estivesse comendo, decidi, deixaria esses olhares passarem despercebidos. Não podia contar sobre Sirius também. Ele estava tão feliz. Apenas me convenci de que as coisas iriam melhorar, e melhoraram.

As pessoas tem um mau hábito de bloquear o que não querem ver ou ouvir. Preciso apenas me preocupar com metade disso. A semana que veio, passou muito rápido. Harry e eu passamos os dias conversando ou jogando basquete. Até conseguir fazer com que cavalgasse um pouco. Havia tanta coisa que não percebi até a ficha cair, mas quando caiu fui confrontado com a mais dura realidade.


Meu pai santo cristo amado! Finalmente consegui acabar de traduzir isso aqui! Mas não parem de ler! Segredinho pra vocês: sigam a setinha ali em baixo ó

Como prometido o outro capítulo está lá, esperando na solidão escura e fria e solitária, o seu calor de leitor para ter a compaixão de lê-lo. Divirtam-se!