Perdão. Prometi que não demoraria e por pouco não consigo postar o capítulo. Todavia, como os anões e eu temos a teimosia em comum, aos trancos e barrancos, aqui está. Mais uma vez obrigada a:

Sadie (que dispensa apresentações, grata, por tirar leite de pedra e dar uma olhadinha no texto)

Reggie Jolie autora de Of Elves and Humans(Em português, apesar do título internacional...)

Gessi - Ane Sekhmet (que deu sinal de vida esses dias. Espero que sobre um tempinho para 'As Areias do Tempo')

Dani ( Que se propôs a atualizar sua "Se Você Partir", uma história cheia de surpresas e sustos deliciosos, que a inspiração não tarde!)

Vindalf Dvergar, que tem compartilhado comigo essa paixão pelos khazâd e praticamente adivinhou o conteúdo desse capítulo ( sua chata - heheheh) Será que estou sendo tão obvia assim? Suas fics O Problema Com Kili e O Mundo de Acordo com Dis são minhas preferidas!

Marina, querida Marina, como esquecer de você? Beijos mil! E obrigada pelas postagens que sempre me inspiram!

Para você também, Marcela, que o ffnet não permite que deixe reviews, mas que sempre encontra um jeitinho de me inspirar!

Gilda H, que a correria do dia-a-dia não a vença! (Cria uma conta no ffnet pra gente poder trocar umas idéias! bjs)

Danda, obrigada por estar acompanhando a fic.

Gostaria de mandar um abraço especial à minha querida Myriara, minha eterna mestra, da qual sou fã incondicional. Sua Trilogia com Haldir e Darai e Daroe Míriel é insuperável. Que Mordor não a mantenha por muito tempo longe de nós.

Todas as fics indicadas estão nos meus favoritos. Cliquem e confiram que vale a pena! Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.

Reviews! Please! Deixem-me saber o que acharam. Sugestões, críticas, impressões e questionamentos serão vistos com carinho e respondidos no menor tempo possível.


Chegado o dia dos esponsais, Frigga, sua família e os representantes de seu povo tomaram a direção da Montanha Solitária. A viagem fora tranquila e permeada de entusiasmo. Anões gostavam de festejos. Fazia parte de sua natureza celebrar a vida. A grande caravana quedou-se em Valle para que a princesa se preparasse para a cerimônia.

A principal hospedaria do lugar fora especialmente reservada para a comitiva khuzd, alegrando o proprietário que sabia, de longa data, como anões pagavam bem e consumiam muito.

Ao longe, os vigias da grande muralha de Erebor perceberam a aproximação de seus irmãos das Colinas de Ferro. Thorin fora prontamente avisado da chegada de sua noiva, ocorrida no dia combinado, apenas algumas horas antes da cerimônia. Ponderou sobre a possibilidade de vê-la. 'O assunto poderia esperar?' Refletiu consigo mesmo. O herdeiro de Thrór encaminhou-se até seu quarto. Colocou o casaco e os apetrechos de montaria. Mirou o armário por alguns instantes antes de abrir a porta do mesmo. Balançou a cabeça afirmativamente.

Resolução tomada, o príncipe pôs-se a caminho cavalgando até a cidade que florescia aos pés da montanha. Ao chegar, buscou pela comitiva na hospedaria que fora facilmente identificada. Apeou do animal e entrou em busca dos parentes de sua futura esposa. A visita inesperada surpreendeu os soberanos das Colinas de Ferro. O herdeiro de Erebor foi recebido pelo pai e pelo irmão de Frigga.

- Viva a linhagem de Durin – cumprimentou Thorin ao adentrar a área comum da hospedaria que, aquela altura, era quase que propriedade exclusiva de seus parentes das Colinas de Ferro.

- Folgo em vê-lo – disse Náin, sem conseguir disfarçar a surpresa ante a chegada do futuro genro – mas o que o traz aqui?

- Gostaria de ver sua filha antes da cerimônia – respondeu objetivamente.

A solicitação de Thorin foi tão inesperada quanto sua vinda. A possibilidade de algo de errado estar rondando seus planos fez com que o filho de Grór buscasse esclarecer a situação junto ao parente.

- Algum problema, meu primo? – indagou Náin.

- Em absoluto – respondeu Thorin, erguendo a mão.

- Alguma alteração sobre a aliança? – persistiu o soberano das Colinas de Ferro enquanto estreitava os olhos tentando descobrir o que se achava por trás da visita do filho de Thráin.

- Por certo que não – retorquiu o herdeiro de Erebor deixando transparecer certa impaciência ante a insistência do pai de Frigga.

- Do que se trata, então? – perguntou Dáin, menos político que o pai e tão sincero e direto quanto Thorin.

- É assunto nosso – respondeu o rapaz levando as mãos às costas.

Os hereiros de Grór trocaram olhares. Que assunto pedendente poderia haver entre os noivos que já não houvesse sido devidamente acertado?

- A princesa está se preparando para os esponsais. Infelizmente, não será possível que ela o receba – explicou o pai de Frigga, sem se deixar convencer pela insistência do noivo da filha.

- Além de não ser costume entre nosso povo um pedido de tal monta – completou Dáin.

Thorin bufou ante a resistência apresentada por seus parentes.

- Também não é usual, meus senhores, que uma noiva exija conhecer o noivo da forma que me foi feita e que tampouco este se submeta a tal pedido, contudo, demonstrei minha boa vontade e espero que minha solicitação seja tratada a altura – argumentou deixando transparecer seu incômodo.

Pai e filho se entreolharam novamente. Se o príncipe de Erebor insistia daquela forma, alguma boa razão deveria haver. Talvez não fosse muito prudente causar um desentendimento tão próximo ao arremate final da aliança.

- Seria tal assunto tão urgente assim? Não poderia aguardar o fim dos esponsais, parente? – indagou Náin cautelosamente.

- Não – disparou Thorin cruzando os braços.

- Pode nos garantir que não há realmente problema de nenhum tipo? – indagou Náin buscando a confirmação que mitigaria suas preocupações, tanto de pai, como de governante das Colinas de Ferro.

- Tem minha palavra, parente – garantiu Thorin.

- Já que coloca de tal forma, me acompanhe – propôs Náin capitulando diante da teimosida do príncipe de Erebor.

Sob o olhar desconfiado de Dáin, o rapaz seguiu o pai de Frigga. O futuro cunhado de Thorin ainda não se convencera de que o herdeiro de Thrór era uma boa escolha para sua irmã, conhecido que era por seu espírito aventureiro e beligerante. O irmão de Frigga, naquele momento, não se via como futuro rei do Povo de Durin. Forjar uma aliança com Erebor era, sem dúvida um passo acertado, entretanto, unir sua princesa a alguém que mal conhecia, definitivamente, não era uma ideia que agradasse ao irmão zeloso que era.

Thorin e Náin subiram as escadas que conduziam aos aposentos mais afastados e, após vencerem alguns corredores, vislumbraram a porta do quarto onde a princesa se preparava.

O mais velho deu algumas batidas na madeira e a criada veio atender.

- Sim, uzbad.

- Diga a Frigga que seu noivo gostaria de lhe falar.

- Oh! Mas... como...?

- Sem mas nem como, avise-a.

- Mas Alteza...

- Algum problema, Holda? – indagou a princesa aproximando-se da porta ao perceber a estranha movimentação.

A abertura deixada pela criada para que pudesse falar com seu senhor fora o bastante para Frigga perceber que havia alguém ao lado do pai.

- Seu futuro marido está aqui para vê-la – disse empurrando a porta sem que Holda pudesse oferecer qualquer resistência.

Thorin apareceu, todavia não cruzou os umbrais da entrada. Esperava pela permissão da noiva.

- Garanto que serei breve – comentou o anão.

Frigga assentiu. Estava entre intrigada e surpresa pela inusitada visita do noivo.

- Pode nos dar licença, meu primo? – solicitou ao pai de Frigga.

Náin olhou para a filha e para o rapaz. Uma expressão reticente na face.

- Está tudo bem, meu pai – disse a princesa – Holda ficará comigo.

- Certamente – concordou o anão mais velho ao retirar-se.

Thorin assentiu e entrou, dando lentamente alguns passos pelo quarto. Observou displicentemente a decoração antes de se voltar para a princesa. Estava ricamente trajada, pelo menos em relação ao modo como a conhecera. No vestido, o vermelho e o branco predominavam. Joias de ouro, prata e rubis. Os cabeços feitos em tranças com fios de ambos os metais preciosos. E, é claro, a pulseira que lhe fora dada pelo noivo.

- Bom, como disse, serei breve – comentou encaminhando-se em direção a princesa e parando próximo o suficiente para que suas mãos alcançassem a parte de trás do pescoço de Frigga.

- Não permitirei que me desposes usando esse colar – decretou retirando a joia sem pedir permissão e entregando-a à criada, ante o olhar escandalizado de Holda que segurou a peça sem saber exatamento o que pensar ou como agir.

Frigga, igualmente perplexa com a atitude inesperada, apenas observava os movimentos calculados do noivo sem saber como interpretá-los. Quando os lábios dela se abriram em uma tentativa de contestação, Thorin retirou do casaco uma caixa, entregando-a nas mãos de Frigga.

A princesa demorou um lapso de tempo antes de compreender o que significava o gesto do noivo.

- Espero não precisar aguardar muito até que você se decida a abri-la – disse diante da perplexidade da moça.

'Grosso', pensou Frigga estreitando os olhos ao fitar seu futuro marido.

'É bom ir se acostumando comigo', disse mentalmente erguendo as sobrancelhas enquanto intuia o pensamento da princesa pelo olhar que lhe lançara.

Frigga voltou os olhos para o presente e abriu a caixa quedando com a boca entreaberta ao constatar o conteúdo da mesma. Levou a mão ao peito. Olhou alternada e lentamente, durante algum tempo, para a joia e para o khuzd que lhe dera.

- Kibil-nâla!*1Onde a encontrou? – indagou em um sussurro. A voz lhe escapara da garganta enquanto fitava o presente inesperado.

- Eu a fiz.

Frigga ergueu os olhos direcionando-os ao anão diante de si. Observou a expressão em seu rosto bem como a intensidade do olhar. Havia mais por trás daquela couraça do que se poderia supor, refletiu Frigga consigo mesma.

- Como?

- Sua descrição e a pintura me ajudaram. E pelo que vejo em seu rosto, parece que consegui fazer um bom trabalho – concluiu levando as mãos às costas.

A princesa passou os dedos pelas pedras. Uma infinidade de lembranças lhe tomando a mente. Não havia palavras que pudessem expressar tudo o que aflorara em seu coração. Mesmo seus pensamentos lhe pareciam confusos naquele instante.

- Por Mahal – disse a criada ao mirar a joia – está idêntica à da senhora Nira!

- Se ficou tão boa assim – disse tomando lentamente a caixa das mãos de Frigga – convém que vá para o lugar que lhe é devido.

Thorin retirou a joia de seu invólucro e deu-o à criada, antes de se aproximar da moça e prender o colar no pescoço da mesma. Após o que, contemplou a arte no colo de sua futura esposa deixando as pontas dos dedos escorregarem pelas pedras.

Não pode evitar perceber que a respiração da princesa se alterou. Estavam próximos o suficiente a ponto de sentirem a respiração um do outro.

Holda tossiu.

Thorin fitou-a antes de baixar a mão e voltar a olhar a noiva. Aguardou ainda por alguns momentos ante o silêncio da princesa. Esta, contudo, apenas mirava o noivo sem proferir palavra alguma.

- Preciso ir. Nos veremos em breve – disse o anão com voz grave.

Frigga apenas assentiu. O rapaz cumprimentou em resposta e encaminhou-se até a porta.

A princesa acompanhou o noivo com os olhos. A jovem ainda se empenhava em acreditar que as mãos que julgara interessadas apenas pelo manejo da espada também se dedicassem a artes daquela monta. Também lhe custava crer que o poder observador do khuzd, no dia em que se despediram, estivesse voltado não para a riqueza da peça, e sim, para o significado que esta tinha para si.

Quando Thorin já se encontrava com a mão na maçaneta, ouviu a pergunta feita à filha de Náin pela criada.

- Não vai agradecer, menina? – indagou Holda.

Thorin voltou-se e olhou nos olhos de sua futura esposa.

- Não é necessário – afirmou antes de se retirar.

Se o reconhecimento não fosse iniciativa da dona do colar, não lhe interessaria.

Não queria gratidão protocolar.


*1Kibil-nâla: veio de prata