Capítulo XVII

07:03 a.m.

Ela se olhou no espelho, e pela primeira vez em sua vida, viu outra imagem refletida. Um olhar ferino, machucado por lembranças frias.

--..frui drogada, maltratada, e quase violentada. – Falou com uma voz tão suave e baixa, que talvez só um vampiro fosse capaz de escutá-la.

Fechou os olhos e mais uma vez recordou-se dos horrores daquela noite. Era como se um filme passasse por sua mente recapitulando cada cena que para ela simbolizava tortura.

Vestiu-se completamente de negro, em luto. Não só por ela, tomou as dores de todas as garotas que sofreram maus-tratos, inclusive muito piores.

Usava um macacão preto, com um tecido que colava ao seu corpo sem respeitar suas medidas esbeltas, a impressão que tinha era que o modelito havia sido costurado sob sua pele. Justíssimo, com uma gola alta sobre o pescoço e sem mangas. Uma bota plataforma em seus pés, e um coque elevado modelando as madeixas louras.

Vestiu um sobretudo preto aproveitando-se do dia nublado. Espiou pela janela, e reparou no céu cinza derramando uma chuvinha fina e gelada.

De súbito um lampejo de uma inocente esperança brilhou em sua mente. Ela pegou seu celular e discou para Talbot, em busca de boas novas.

--Oi Talbot. – Sussurrou assim que escutou a voz do promotor. – Hã, você está melhor?. – Iniciou educada, para ver se ele não guardava nenhum rancor dela, devido ao ciúme de Mick.

--Se você está perguntando sobre meu olho.. – Respondeu levemente mal humorado. – Está bem roxo. – Falou em um tom escandalizado.

--Ohh.. sinto muito. – Murmurou. – Eu sei que é cedo, mas estou ansiosa para saber progressos sobre a prisão dos Giolli´s. – Introduziu o assunto com uma ponta de otimismo.

Quase chorou diante do enorme silêncio que se seguiu. E se não fosse pelo pigarro que escutou do outro lado da linha, teria desligado achando que a ligação tivesse caído.

--Eu lamento... – Foi só o que conseguiu compreender, depois se desligou da realidade e ao fundo escutou o promotor se desdobrar em um milhão de justificavas burocráticas, e algumas coisas sobre "advogado do diabo", para vê-lo finalizar com alguns palavrões.

--Certo.. eu também lamento..- Desabafou dolorida, enquanto sentia lágrimas quentes umedecer sua pele.

--Escuta Beth, isso não significa que deixaremos eles saírem impunes.. O melhor a fazer agora é respirar fundo, e não pensar em fazer bobagens.. – Falou tentando imaginar o que se passava pela ousada mente feminina.

Ela não o escutou e nem se deu o trabalho de se despedir, apenas desligou o celular, revoltada. Abandonou o aparelho sobre a mesa e pegou sua bolsa.

--Novo plano: – Murmurou sombria e determinada. – Arrancar uma confissão daqueles assassinos.


Apartamento de Mick St. John.

07:26 a.m.

Depois de ter ficado uma hora sobre sua cama de gelo, havia levantado e iniciado uma sessão de exercícios. Estava perturbado demais para dormir.

Fazia movimentos de Ninjutsu, uma arte ninja da qual ele apreciava. Estava sem camisa, e enquanto mantinha-se concentrado, uma fina camada de suor brilhava sobre a superfície dos seus músculos.

O som de seu celular o incomodou, mas ele praticamente voou para atendê-lo, na expectativa que fosse Beth.

--ALÔ!! – Disse ansioso, sem ter tempo de ver quem era.

--Oi.. – Soou a voz do promotor, indigesta para Mick. – St. John, acho que temos um problema.. – Iniciou sisudo.

Mick contraiu a face preocupado.

--..Eu acho que a Beth fará uma besteira. – Murmurou preocupado.

--Por que você acha isso? – Exclamou.

--Por que há alguns dias atrás ela me fez levá-la para praticar tiros.. – Sua voz falhou, quando teve a impressão de ter escutado um rosnado do outro lado da linha. – Hã, tudo bem com você?

--NÃO, não está tudo bem, que tipo de idiota alimentaria esse tipo de atitude em uma mulher zangada e teimosa?! – Ralhou furioso.

--Acredite, eu jamais pensei que ela tivesse coragem de fazer qualquer coisa semelhante. – Declarou o promotor sincero.

--Suponho que eu não tenha que me preocupar, já que ela não tem uma arma.. – Comentou Mick respirando com tranqüilidade.

--..bom na verdade. – Começou a dizer Talbot com cuidado. -.. acho que ela disse qualquer coisa sobre uma Colt 45.. – Suspirou vencido, sentindo-se a criatura mais estúpida do mundo.

--Ok. – Foi à única coisa que Mick conseguiu dizer, em uma vã tentativa de não ser muito grosseiro. – Correrei atrás dela, mas de qualquer forma, se eu não encontrá-la agora, para onde acha que ela iria?

--Nesse momento os Giolli´s estão na mansão deles, Bel Air Road 1002, LA. – Passou o endereço com rapidez. – Então qualquer coisa me liga.. – Pediu, tentando colocar de lado a rivalidade.

--Certo, ligarei se precisar de reforços. – Garantiu Mick.

Após desligar, discou com urgência o número do celular da repórter, e como o previsto, o viu cair na caixa postal. Na seqüência ligou para o apartamento dela. Sem paciência largou o celular no canto, e correu para seu esconderijo de armas, arrancou com fúria os livros da estante, e retirou uma pequena malinha, ao abri-la constatou o inevitável. Beth estava com sua Colt 45, podia até mesmo sentir o cheiro dela sobre aquele material.

Definitivamente ele tinha uma certeza: hoje seria o dia. Recordou-se do olhar infeliz dela hoje de manhã. Sabia que por trás daquela cabecinha linda, existiam planos sombrios. E dessa vez, ele estaria lá para salvá-la.

Com fúria, passou a derrubar todos os seus livros, e reunir seu perigoso arsenal de armas. Pegou três 9 mm e as colocou em cantos estratégicos do seu corpo, vestiu um cinturão ao redor do quadril repleto de munição. Granadas e explosivos carregado com o delicado C4. Vestiu uma camiseta preta, e seu sobretudo. Estava pronto, e preparado para qualquer ameaça, não esqueceu também de preparar sua arma automática. Sorriu perversamente, e correu para fora do apartamento. Nesse momento, não saberia calcular quanto tempo de vantagem Beth tivera, apesar do perigo, sorriu excitado com a aventura, e emocionado com a coragem da repórter que ele tanto amava.


Mansão dos Giolli´s

09:03 a.m.

--O QUÊ?? – Gritou Hamona histérica ao ver Beth Turner na sua frente, dentro do escritório da grande mansão. – COMO ENTROU AQUI? – Perguntou estarrecida, ao fitar a figura completamente diferente da jovem que havia conhecido alguns dias atrás no hotel Palazzo.

Beth deu alguns passos à frente com um olhar misterioso e um sorriso de puro deboche nos lábios:

--Entrei pela porta.. – Respondeu com uma voz tranqüila causando arrepios em Hamona.


AVISO: Preparem-se... esse capítulo está repleto de surpresas lindas e tristes. (Estamos chegando ao final)

Capítulo XVIII

--O que você quer? Não está satisfeita em ver Omar morto?!..O que mais deseja sua intrometida.. – Disse com rispidez, permanecendo imóvel sentava em sua poltrona. – ..Teve sorte de sair viva, dei uma chance a você, avisei-a para ficar longe disso. – Repreendeu-a Hamona encolerizada.

--Eu quero uma confissão. Quero justiça, desejo que você e o estúpido do seu marido se entreguem para a polícia, agora mesmo. – Replicou ousadamente Beth.

Hamona a fitou por alguns segundos, chocada, como se estivesse assimilando cada palavra que escutara. Então caiu em uma gargalhada alta e insuportável.

--Você enlouqueceu?! – Riu, levantou-se e pegou o interfone. – A única pessoa que irá sair junto com a policia, será você.. Sua reporterzinha enxerida, já me causou muitos aborrecimentos e prejuízos.

Beth continuou de pé e imóvel, como se nenhuma palavra da loira a tivesse atingido.

--Você consegue dormir a noite? – Questionou Beth com uma voz fria e imperturbável. – Porque eu fico me perguntando o que leva uma pessoa a agir assim, não se importar, não se preocupar com as vidas que está retirando, as famílias que está destruindo..

--Já terminou seu discurso moralista?! ..Pois eu preciso me livrar de você imediatamente, tenho negócios a tratar.. – Redargüiu com indiferença, erguendo o interfone até seu ouvido, pretendia chamar seus seguranças e quem sabe a polícia.

--Se eu fosse você não faria isso, senhora Giolli. – Advertiu Beth com uma voz sombria.

--Tente me impedir. – Rebateu buliçosa.

Beth não se moveu, e assistiu à loira acionar o botão de segurança, tentando falar com os próprios funcionários. Após alguns momentos insistindo, desistiu exasperada.

--O QUE VOCÊ FEZ SUA VADIA?? – Berrou alarmada, partindo para cima de Beth. – MATOU MEUS FUNCIONÁRIOS, É POR ISSO QUE ELES NÃO ESTÃO RESPONDENDO AOS MEUS CHAMADOS?!

Beth sacou a arma imediatamente, e bateu com toda força que tinha no rosto bonito e zangado de Hamona, fazendo-a cair com um grande corte sangrando na testa.

--A única vadia aqui, é você.. – Exclamou enojada, chutando-a no alto do estomago, e depois pressionado sua bota plataforma sobre a cabeça da mulher caída. – Onde estão as provas, querida? – Perguntou Beth com uma voz delicada, enquanto apontava a arma para a cabeça da loiraloira.

--VÁ A MERDA.. – Xingou-a furiosa.

--RESPOSTA ERRADA. – Beth engatilhou a arma com um simples movimento de mão, causando um som estalado do gatilho, que para Hamona soou como o som da morte ecoando significativamente em seus ouvidos. – ..Ou faremos da forma mais simples, ou mais difícil. Você escolhe. – Ameaçou Beth.

--O que? Pretende me torturar, como eu fiz aquela noite com você? Quando tentei arrancar informações? – Questionou Hamona irônica, caindo em uma gargalhada louca. – ACHA QUE CONSEGUE FAZER ISSO? – Gritou.

Beth apertou os próprios olhos com ódio, e pressionou sua plataforma sobre a bochecha da mulher com tanta força que podia escutá-la gemer de dor e medo.

Um som na porta as interrompeu. E as duas ergueram o olhar para a fechadura que começou a se mover.

--Devem ser meus seguranças.. Talvez, até o Evan, lembra dele? – Caçoou Hamona, certa que a segurança da mansão não era falha.

Beth continuou na defensiva, apontando a Colt 45 para a cabeça da loira. Logo, a porta se escancarou e Mick passou por ela, com um olhar selvagem e uma postura soberba.

--Tudo bem querida? – Perguntou ao fitar a cena a sua frente, sem qualquer estranheza.

--Sim, missão "C" resolvida. – Afirmou Beth com um sorriso esperto.

--Ótimo.. Ah, já ia me esquecendo. – Disse Mick enigmático. Então ele puxou uma corda com brutalidade, ela se estendia das mãos dele e seguia para fora do escritório, sua força havia sido tão grande que fez Antony Giolli atravessar a porta quase voando e cair sobre os pés do detetive com um gemido rouco de dor.

Ele estava com os pulsos amarrados. Beth fitou aqueles olhos azuis que um dia lhe causaram terror. E agora reparou no homem em que ele fora reduzido, nem mesmo seu formoso terno impunha mais respeito. O troco fora dado! Podia ver a confusão no olhar masculino: surpresa, medo, mas jamais arrependimento. Mafioso que é mafioso sabe que a qualquer momento pode se deparar com seu inimigo, e o dia dele chegara.

Ela reparou nos ferimentos dele, enormes hematomas no rosto, lábios sangrando, cortes na testa, mãos feridas, corpo contorcido de dor e talvez alguns ossos quebrados. Parece que Mick St. John tivera uma conversa em particular com ele. Pensou Beth sentindo-se um pouco culpada, ele podia ser um lixo humano, porém Beth ainda conseguia sentir pena. E por mais que desejasse a vingança, tanto por ela, como por todas as outras garotas. Não conseguiu evitar os pensamentos aflitos.

--Ué, ele tentou reagir? – Quis saber Beth levantando uma sobrancelha curiosa.

Mick titubeou um pouco, até responder:

--Hâ.. é.. ele reagiu. – Respondeu com um sorriso culpado no olhar.

Beth lhe devolveu um sorriso triste. Admirada pelo amor que recebia daquele homem, e todas as regras que ele parecia disposto a quebrar só para ajudá-la e protegê-la. Percebeu o peito oprimido, como se pressentisse pelo pior, e desejou estar sozinha com ele, em paz. E dizendo-lhe o quanto era grata por tudo, e o quanto o amava.

O retribuiria mais tarde, decidiu pensativa, depois que tudo isso acabasse teria todo o tempo do mundo para amá-lo, e devotar sua humilde existência a ele, como ele mesmo fazia por ela.

Diante da cena desfavorável Hamona ficou calada. Agora começava a compreender a extensão daquele ataque.

--E os outros? – Questionou Beth preocupada.

De pente todos escutaram um grito, e alguns barulhos de objetos se quebrando.

--JJJOOOOSSSEEFFFF!! – Gritou Mick irritado. – DÁ PARA FAZER MAIS BARULHO, ACHO QUE A CALIFORNIA AINDA NÃO ESCUTOU..?? – Resmungou bravo.

Foi então que Josef apareceu todo pomposo em seu terno Armany listrado. Ele pegou um lenço e limpou os fragmentos de sangue em sua boca.

--Eu estava fazendo um pequeno lanchinho, oras, será que um homem não pode mais se divertir!! - Respondeu sarcástico. Ele olhou para Beth rendendo Hamona, e comentou: - Oh, muito bem Beth.. Olá Hamona!! – Zombou.

Hamona emitiu um murmúrio zangado.

--Resolvido? – Inquiriu Mick para Josef.

--Sim, meu caro.. é claro.

--Cadê o Logan? – Perguntou Beth.

Josef coçou a cabeça e olhou para Mick. Mick suspirou e olhou para Beth.

--LOOOOGGGGGGGGAAAAAAAAAAAAAANNNNNNNNNN!! – Esbravejou com toda a intensidade de sua voz.

Todos escutaram mais alguns barulhos de coisas caindo e se quebrando, e agora foi à vez de Logan aparecer na frente deles com um sorriso brejeiro.

--Eu estava fazendo meu desjejum. – Ralhou brincalhão.

--Anda logo com isso, não temos o dia todo. – Repreendeu Mick impaciente.

Logan piscou para ele, e se sentou em frente do computador. Começou a digitar enlouquecidamente, fazendo caras e bocas aturdido com tudo o que se deparava.

--Vejamos, temos aqui muitas contas na Suíça e em várias partes do mundo. Alguns vídeos criminosos.. – Dizia enquanto acessava tudo. – Oh, "Lo Stivale", agora ficou fácil.. – Riu empolgado. – ..vídeos com filmagens de meninas... Ohh que horror, que cara sádico.. – Sobressaltou-se surpreso.. - ..armas..muito contrabando por aqui. – Falava enquanto checava tudo, e transferia para o pen drive.

--NÃO TENTEM NOS AMEAÇAR. – Gritou Hamona com sua voz esganiçada. – CONTAREMOS PARA A POLÍCIA OS MONSTROS QUE VOCÊS SÃO. – Berrou.

--CALA A BOCA. – Bradou Beth machucando-a com seu pé. Ao mesmo tempo lançou um olhar preocupado para Mick.

Mick se transformou e rugiu animalesco. Josef entrou na brincadeira.

--Sim, somos monstros. – Admitiu Mick se aproximando dela de tal forma que precisou se agachar.

--Eu ainda tenho fome.. – Riu Josef mostrando-lhe os dentes afiados e rosnando.

--NÃOOOO... – Gritou apavorada. – SEUS ANIMAIS...

--Você decide Hamona, ou vira lanche de vampiro agora.. Ou será eliminada na cadeia caso você abra essa sua boquinha. – Sussurrou Josef tão baixo, que nem mesmo Beth conseguiu escutar.

O Italiano ficou com seus olhos arregalados de pavor, sabia que estava muito encrencado, por isso não tentou dizer nada. Não compreendeu em palavras o que se passou, mas assimilou a situação pela leitura corporal.

Hamona encarou a face em pânico do próprio marido e se calou, sentindo-se vencida. Conhecia Josef, portanto tinha certeza que todo esse circo não se tratava de um blefe, por isso meneou a cabeça em um "Sim", concordando com a proposta nada agradável do vampiro.

Beth respirou mais tranqüila e olhou para Mick com um sorriso sereno, finalmente tudo aquilo acabaria. E acabaria bem, graças ao detetive. Se não fosse por ele aparecer hoje de manhã, interceptando seu caminho e seu plano insano, talvez não tivesse conseguido o que tanto desejou: Justiça. Agora Antony e Hamona, iriam para a prisão, e toda essa sujeira seria derrubada.

Olhou para aqueles olhos esverdeados, e encontrou o amor neles. Refletiu sobre os últimos dias, e viu que não fora uma boa namorada, apesar das noites quentes de amor, recordou-se das tantas vezes que discutiu com ele, gritou, e até mesmo recusou o carinho que ele sempre parecia disposto a lhe oferecer sem pedir nada em troca. Definitivamente Mick St. John fora outro homem nesses últimos dias, algo misturado com amor, paciência, impaciência e explosão. Se é que ela poderia dar uma definição para a forma como ele agiu. Mas sabia reconhecer que fizera tudo por amor. Sentiu-se engasgada, com saudades dele, e uma imensa vontade de lhe pedir perdão pela forma como ela agira, e agradecê-lo por tudo.

Passou longos momentos hipnotizada por aquele olhar, percebendo os próprios olhos marejarem. E de alguma forma sabia, havia uma falha naquele plano. Um repentino mal estar a invadiu, avisando-a do mau presságio. E infelizmente ela não tinha mais tempo de oferecer a ele um, "obrigado". Tudo o que tinha era apenas "um segundo" para arrumar toda confusão que ela mesma havia provocado. Por amor..

Mal percebeu quando a face de anjo dele se contraiu em um repentino desespero. Na verdade, a seqüência de fatos incidiu tão rápido que não teve certeza exatamente do que acontecera.

Em um minuto o estava encarando, e no outro, sentiu o ar faltar. Não escutou mais os sons, e nem compreendia o aquela boca maravilhosa tentava lhe dizer. Teve a súbita sensação de estar no chão, e por alguma razão sentia uma dor gigantesca lhe queimar e arder. Ainda não conseguia respirar, nem ouvir, nem falar, percebeu as próprias lágrimas aquecendo seu rosto, mas não era calor suficiente para parar-lhe os tremores, a luz parecia se desfazer, como todos os seus outros sentidos. E de repente o mundo perdeu a cor...

No seu sonho ou pesadelo... Teve uma certeza mórbida e dolorida: Tudo tinha seu preço. E mais uma vez o preço fora alto demais. Lamentou ter insistido em tudo aquilo, lamentou ter buscado por vingança, arrependeu-se por não ter dado ouvidos a ele e seguido adiante com o seu amor.

E mais do que tudo...

Atormentou-se por não ter tido tempo de dizer "Adeus", do último abraço, e o último "Eu te amo".


Autora: Michelli C.J.

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Obrigada por ler :)