Na cabine de Lílian, Thomas revirava cada gaveta, baú, ou caixa que encontrava. Procurava por qualquer coisa de valor. Conhecia bem Jack, bem até demais, e sabia que ali encontraria algo.

Lílian o seguiu em passos rápidos. Deixou Jack caído naquele convés em guerra, com um peso no coração, enquanto ia atrás daquele homem por que passava a sentir cada vez mais repulsa.

– Não vai encontrar nada aqui! – Ela entrou algum tempo depois dele, encontrou uma grande bagunça, mal reconheceu sua cabine.

Thomas parou no mesmo instante em que ouviu aquela voz, olhou em direção a porta, onde encontrou a bela ruiva, com uma expressão nada agradável.

– Não sabia que Jack tinha companhias tão agradáveis. – ele riu faceiro a ela, mas estava admirado. Lílian era linda, sedutora, uma mulher maravilhosa, e estava ali em frente a ele, empunhando uma espada como uma grande guerreira – Quem você pensa que é pra falar assim comigo?

– Sou a capitã do navio que você acabou de atacar... E sou a mulher que vai tirar a sua vida. – Sem mais demoras, ela partiu rápida até ele, Thomas surpreendeu-se com o ataque dela, mas respondeu rápido, levando a espada junto à dela. Nela a beleza se fundia com o ódio com o qual lutava.

– Devia ser mais delicada para uma dama, nem tão vingativa. – Ele bloqueava a passagem dela, jogando o corpo de encontro a ela, enquanto ouvia o tilintar das espadas em combate.

Lílian sentia-se enojada por ele, acabou por ferir-lhe o braço arrancando um grito seco dele, o jogou de encontro à mesa de canto. Thomas caiu sobre ela, amassando muitos papeis que estavam largados lá, garrafas estilhavam-se no chão. No meio da bagunça encontrou o verdadeiro item de valor, algo que jamais esperou estar nas mãos de Jack.

– Parece que encontrei muito mais do que queria em sua cabine Capitã Lílian. – Ele as pegou em mãos, admirando-se com cada detalhe que conseguia ver nelas. As marcações feitas por Jack, às exatas coordenadas deixadas por ele ali, em seu poder.

Lílian ficou perplexa tanto quanto ele, as cartas estavam em sua cabine, sem ela nem ao menos as ter visto. Lembrou-se de Jack, da manhã que passaram juntos ali, devia ter trazido aquilo cedo, antes mesmo dela ter acordado.

– Largue-as! – Ela o ameaçou vendo-o levar as cartas consigo.


No convés, Jack acordava tonto, sentia uma dor terrível na nuca, passou a mão de leve vendo o sangue escorrer nas mãos, não tinha sido uma pancada nada leve.

Levantou-se cambaleando, no meio da confusa em que se encontravam os dois navios.

Viu-se desarmado e pegou uma espada depositada ao chão junto a um homem, já morto. Ele a pegou decidido a encontrar Thomas, mas não viu sombra dele no convés.

Gibbs lutava próximo a ele, derrubou por fim um homem na água, e correu até Jack.

– Senhor Gibbs! Onde está aquele safado, faceiro, traidor? – Jack falava convicto, enquanto se fingia de recuperado.

– Fala de seu irmão, Jack? – Gibbs ainda ofegante tentava se recuperar.

– Que outro traidor seria?

– Entrou na cabine da capitã, Lílian correu atrás dele, já estão lá há algum tempo.

Jack lembrou-se das cartas que tinha largado na cabine, descuidado. Correu atrás de encontrá-las, antes que alguém as tivesse achado.

– Mas Jack, o navio está afundando. – Gibbs sabia que não venceriam, a tripulação do outro navio era terrivelmente maior, já estavam por perder, tinha de avisar Jack rápido.

– Então arrume um barco rápido, e me espere. Tenho que resolver alguns assuntos agora.


– Jack e seus segredinhos... Você deve ser só mais um deles. – Ele já não ligava para as ameaças dela, não estava disposto a travar uma luta novamente. – Tola, acha mesmo que significa algo?

– Vocês são terrivelmente diferentes. – Ela estava atordoada, já não sabia se pegava as cartas, ou se mantinha distancia daquele homem asqueroso.

– Tem toda a razão! – Ele caminhava até ela, sorria sordidamente, enquanto ela apontava a espada a ele, preparada para atacá-lo. Thomas, porém, foi mais rápido, apertou o pulso, dela, fazendo-a sentir uma dor aguda, largando de imediato a espada. – Vocês são todas iguais... Fracas! Tem sorte de ser tão bela, ou não te trataria tão bem assim.

Ele a puxou de encontro a si bruscamente. Beijo-a sedento, enquanto a segurava com brutalidade, Lílian tentava inutilmente soltar-se dele, dava socos em seu peito, mas era inútil, ele era um homem forte, a prendia firmemente sem que ela pudesse se soltar.

Jack vinha cambaleando até a cabine, os passos tortos eram demorados, mas estava determinado a continuar, precisava encontrar os mapas. Porém, ao entrar, encontrou mais do que queria.

A cena era pior do que qualquer vertigem que a tontura pudesse lhe causar. Sentiu ódio por aquele homem, ódio pelo próprio irmão, que mais uma vez o traia, diante de seus próprios olhos. Sentiu ódio por Lílian, por vê-la ali, nos braços dele, correspondendo ao beijo.

Jack não era um homem de amores, mas sim de paixões, as vivia intensamente. Porém com Lílian foi diferente, ele sentia isso conforme a cena se seguia.

– Interrompo? – Seco ele observava sério.

Thomas parou no exato momento em que ouviu a voz de Jack, riu consigo da cena, não podia ter chegado em melhor momento.

– Não, eu já terminei com ela... E tenho de reconhecer, dessa vez você fez uma ótima escolha! – Ele ria debochado enquanto passava os dedos pelos lábios, vagarosamente.

– Canalha! – Ela sentia-se enojada por ele, cínico, ele a colocava contra Jack. – Ele pegou as cartas Jack!

– E você encontrou um ótimo meio de reavê-las não é? – Ele a encarava sério, permanecia perplexo com tudo que virá, mas não esboçava qualquer reação diante deles.

– Jack... Você não acha que eu...?

–... Eu não acho nada Lílian, eu vi. Você não perdeu tempo não é Thomas, tratou logo de conseguir o que eu guardava de valor.

– Está no sangue roubar! Só cumpri minha tarefa. – Ele exibiu as cartas em mãos, enquanto encarava Jack. – Agora preciso ir, então tratemos de negócios. – Ele agarrou Lílian a trazendo junto de si, pressionando uma pequena adaga em seu pescoço. – Você me deixa passar e eu te devolvo a garota.

– E leva meus mapas?

–Claro, mapas que agora são meus! Então se decida, ou me deixa passar, ou a jovem encantadora morrera, jorrando em sangue. O que escolhe?

Jack permaneceu em silencio, olhava a cena a frente, totalmente indeciso. Desejava as cartas, desejava a água da vida mais que tudo no mundo. Mas Lílian teria de morrer por isso? Teria de perdê-la nas mãos daquele homem? Sentia um ódio por ela naquele momento, mas pensar em vê-la morta a sua frente o assustou terrivelmente.

– Eu não estou brincando Jack. – Thomas afundou a adaga de leve na garganta dela, pequenas gotas de sangue, surgiram em cascata descendo pela pele clara dela. – Não estou disposto há esperar tanto tempo.

Lagrimas começaram a escorrer tímidas pelos olhos dela, olhava Jack, esperançosa esperando pela ajuda dele, para poder abraçá-lo novamente, sentir-se segura de encontro à pele quente dele. Mas Jack mantinha-se indiferente, sem qualquer reação.

– Solte-a... E suma da minha frente, antes que eu acabe com você com minhas próprias mãos.

– Se assim deseja! – Ele caminhou até a porta jogou-a de encontro a Jack, sorrindo cínico. – Você sempre faz as piores escolhas... Tolo.

Ele correu antes que Jack pudesse fazer o mesmo, passou rápido pelo convés, sorrindo vitorioso.

Lílian permanecia abraçada a Jack, chorava silenciosa, enquanto ele imóvel olhava pra porta, onde a pouco viu seu inimigo ir embora.

– Jack eu não fiz nada do que imagina, ele me agarrou e...

– Eu não tenho tempo pra isso agora, precisamos sair desse navio, antes que ele afunde.

– Eu não vou embora... Não posso.

– Não te tirei das mãos dele para vê-la morrer então venha, tem uma divida comigo.

– Divida? – Ela indignou-se pela indiferença dele. – Então porque não escolheu aquelas malditas cartas? Porque não me deixou morrer?

Jack parou em frente à porta olhando ela novamente, olhava fundo nos olhos azuis marejados de lagrimas.

– Porque eu sou fraco... – Sai silencioso, Lílian sentiu-se horrível pela situação na qual estavam. Esperava ouvir que ele a tinha salvo porque a amava, porque não queria vê-la morrer. Mas a indiferença com que ele lhe tratava doía mais do que ter aquela faca atravessada no pescoço.

Acompanhou-o silenciosa, enquanto ele se dirigia a procura de Gibbs, no meio de toda aquela confusa.


No Holandês o clima era tenso entre a tripulação, não estavam satisfeitos com a explicação que Will os tinha dado, não sabiam a que propósito iam tão próximos a terra.

Julia andava quieta pelo convés os vendo trabalhar, sentia-se fraca, um aperto no peito a consumia. Sozinha ela tentava conter-se, mas a dor era terrivelmente profunda.

Sentiu lágrimas escorrerem pela face, apertou fundo o amuleto pendurado ao pescoço. Depositou uma fé sobre-humana nele, na força que a amizade, a família exercia naquele objeto.

Quando criança fazia a mesmo em noites de tempestade, quando se sentia sozinha o trazia ao peito apertando-o com todo o pesar do momento, sempre fora seu consolo, a trazia paz, recobrava a alegria com ele.

Mas naquele momento a fé não ajudava muito. Will a viu de longe, ela andava cabisbaixa, ofegante, lagrimas escorriam pelo rosto da jovem. Assustou-se com a cena, nunca a viu daquele jeito.

Ele desceu as escadas correndo em direção a ela, encarou-a levantando o rosto dela em mãos. Admirando a doce inocência em sua face.

– Julia, o que houve? Está pálida, chorando.

Ela o abraçou sem pensar, recostou-se a ele, encanto as lagrimas desciam em grande densidade. Ele petrificou-se com o toque, mas retribuiu dando o apoio que ela necessitava.

– Eu não sei Will, sinto que algo de errado está acontecendo. É mais forte do que eu...

Voltaram a afastar-se ela agora se abraçava tentando confortar-se. Porém um brilho imenso reluzia aos olhos dele.

A pedra brilhava, mas seus raios eram misteriosos, belos, hipnotizavam a qualquer um que os olhos nela depositassem. Will sentiu-se encantado por ela, aproximou-se de Julia esticando a mão para tocá-la. Mas ao tê-la em mãos, sentiu uma pontada na cabeça, um flash de imagens surgiu em sua mente. Enquanto um sentimento fraco de dor o alcançou.

– O que é isso? Nunca vi nada igual antes. – Ele esperou que ela respondesse a fitava atento, curioso.

– Um amuleto. Ganhei na infância, de uma amiga. A única lembrança que tenho dela no mundo. Mas parece ter algo errado com ele, sinto um pesar, uma tristeza.

– É lindo, mas é assustador. – A imagem voltou a se reproduzir em sua mente, um homem estava ferido ao chão, viu o sangue escorrer pela madeira abaixo dele. Uma sensação terrível passou por Will, sentiu um calafrio, ele o Capitão do Holandês, sentiu-se mal, conhecia aquele homem, não sabia de onde, mas sabia quem era. Aquilo não estava certo.

– Não fique assim, volte para a cabine e descanse deve ser a vida ao mar que a está causando vertigens. – Ele sorriu a ele, virando-se de volta ao timão.

– Não se trata de vertigem Will. – Ela pousou a mão no braço dele, Will parou no mesmo instante se virando e encontrando Julia bem próxima a ele, lembrou-se do abraço e sentiu-se desconfortável com aquela situação, mais ainda sabendo que ela não se encontrava bem.

– Eu vejo muito sangue, dor... Uma voz familiar pede ajuda, ajuda a um homem. A voz cortada me causa calafrios, todo momento em que se repete em minha mente. – Ela o olha suplicando, pedia silenciosa por ajuda, e vê-la acabou com todas as defesas que Will vinha criando contra a essência dela, contra os sentimentos que surgiam aos poucos.

– Esqueça... Nada, nem ninguém, fará algum mal a você. – Ele aproximou-se dela, hipnotizado por cada detalhe do rosto, os lábios finos, rosados, eram um convite tímido a ele. – Eu vou te proteger de qualquer perigo Julia.

Lentamente ele se aproximou dela, Julia o encarava silenciosa, olhava nos olhos daquele homem encontrando sinceridade. Sentiu-se confortada por isso, cedeu a cada movimento dele.

Os olhares se encontraram novamente. Will a admirava, cada gesto, cada lagrima que rolava pela face, era percebida por ele. Julia sentiu uma paz com ele a seu lado, a protegia, cuidava dela, sem nem ao menos conhece - lá.

Will entregou-se ao sentimento que vinha consumindo-o, Julia mexia com ele, confundia seus sentimentos.

Frente a ela, como por instinto, ele levou os lábios de encontro aos dela, Julia não recuou, sentiu-se segura ali com ele. Uma lagrima desceu de seu rosto, alegria talvez... Mas a sensação era mágica a ela, Will era algo mais do que poderia compreender, sentia-se atraída por ele, pelo sorriso, o olhar misterioso. Estava se apaixonando por aquele homem... E temia por isso.

– Will... É melhor não... – Ela se separou dele, estava confusa, preferiu sair.

– Julia espera – Ele a segurou pelo braço, mas ela persistiu até a cabine.

Ele recostou-se a parede de madeira, enquanto sentia cada sensação rondando sua mente. Os lábios ainda vermelhos, quentes revelavam o beijo recente, o beijo que Will secretamente tanto desejou... O beijo de Julia.


...And the first kiss!

O tão pedido beijo aconteceu, o que acontecerá com esses dois agora?

O que Jack fará sem as cartas? E o que Thomas pretende com elas?

Muitas perguntas, rsrs.

Aproveitando que no capitulo anterior eu coloquei a foto do Thomas, nesse vou colocar a da Julia. Carinha de menininha, meiga...enfim. Me inspirei na Anna Paquin para compor a aparência dela.

http://img140.imageshack.us/img140/2720/annapaquinjuliavm4.jpg

E por ultimo, acho que essa seria Lílian. Aqui, me inspirei na Simone Simons.

http://img178.imageshack.us/img178/3184/la716a2c0ee6b4d7aaa8e64ou5.jpg

O capitulo de sexta acabou não saindo, editei muito ele, mas saiu como de costume na segunda-feira.

Bjokas para Rô, Dorinha, Mah, Taty, Paula, Jenny, Druckgeister, Carlinha. Obrigada a todas pelo apoio que me dão com as reviews!

Bjus até semana que vem!