Capítulo 9 – Desviando-se da Batalha

— Onde está sua varinha? — Minerva perguntou enquanto o professor dava algumas explicações básicas. Hermione foi até o canto da sala e fechou os olhos. Minerva a seguiu. Ambas eram observadas pelo moreno e pelo loiro.

— O que houve Hermione? Todo bruxo tem que ter uma varinha.

Hermione então lembrou-se do colar que ela carregava no pescoço. Lembrou-se que não era apenas um colar. Era uma bolsa. Uma bolsa que ela havia encantado com o feitiço de expansão indetectável e que ela guardava coisas preciosas. Lembrou-se de alguém que ela não conseguia ver a forma jogando a sua varinha para longe. Lembrou-se dela deitada ao chão, agonizando e de gritos e risadas malignas e estremeceu com a memória. Forçou a lembrança novamente para o fundo de sua mente.

Hermione tirou o colar pequeno do pescoço e enfiou a mão lá dentro. Oh Merlin, havia tanta coisa ali.

— Feitiço indetectável de expansão. — Minerva sussurrou espantada. Era preciso muito talento e astúcia para realizar aquele feitiço. Tom e Abraxas entreolharam-se.

Enfim Hermione achou a varinha que estava lá dentro. Ela não tinha certeza se lhe pertencia, mas ela sentiu um poder emanando da mesma. Apenas deu de ombros e rezou para que se lembrasse de bons feitiços para a hora do duelo.

— A varinha dela parece poderosa. — Abraxas comentou. — Será que ela realmente não se lembra de nada? — ele lançou a suspeita.

— Vou me certificar disso assim que a aula terminar. — Tom completou com olhos fechados em fendas.

A primeira aula passou rapidamente. Todos eles experimentaram feitiços bobos de ataque e desarmamento. Logo o professor estava anunciando o duelo. O professor dividiu a pequena turma em casas, formando quatro grupos distintos. Havia apenas quatro alunos de cada casa. O professor era muito metódico na escolha de sua turma.

Hermione, na junção da casa, acabou conhecendo Charlus Potter e Septimus Weasley que a saudaram com sorrisos calorosos. Assim que Hermione colocou os olhos nos dois garotos o seu coração errou uma batida e uma lágrima formou-se em seus olhos. Ela enxugou rapidamente e sorriu de volta. O que havia com ela afinal de contas?

— Somente serão proibidas maldições imperdoáveis. Cada vitória vale 10 pontos para a casa respectivamente vencedora, podendo somar até 40 pontos se os quatro componentes da casa forem vencedores. O primeiro duelo será entre Tom Riddle da Sonserina contra Septimus Weasley da Grifinória. — o professor anunciou.

Ambos garotos aproximaram-se do meio do salão e fizeram uma reverencia. Tom tinha uma confiança absoluta. Hermione olhava o garoto a sua frente e tentava imaginar o que se passava na mente dele. Ele era tão complexo.

Tom apontou sua varinha para Septimus que fez o mesmo. Foi tudo muito rápido.

Trip Jinx — Tom lançou e Septimus tropeçou caindo de cara no chão. —Estupeffaça. — Tom arrematou estuporando Septimus que ficou logo inconsciente. O professor logo o enviou para a ala hospitalar.

Os sonserinos aplaudiram enquanto Tom tinha um riso presunçoso no rosto.

— Muito bem. Dez pontos para a sonserina. O próximo duelo será entre Minerva McGonagall da grifinória e Cedrella Black da sonserina.

Ambas as meninas foram até o centro fazendo uma reverencia. Hermione desejou boa sorte à Minerva. A batalha foi dura. Cedrella era atenta, mas Minerva era boa no que fazia. — Opugno — Minerva lançou o feitiço que fez com que pequenos objetos que estavam na mesa do professor fossem disparados em alta velocidade no rosto de Cedrella que rapidamente caiu inconsciente.

As batalhas continuaram assim até que restou somente Hermione da grifinória que ainda não havia duelado. Minerva havia ganhado os dez pontos, mas Charlus perdera o duelo contra Abraxas.

A corvinal havia ganhado dois duelos e perdido dois, o que somou vinte pontos para cada casa. Hermione estava nervosa, em breve ela iria duelar contra Lisbeth Bullstrude e ela não tinha ideia se saberia como fazê-lo.

O professor foi até o centro da sala e fez as meninas se aproximarem. Lisbeth tinha um sorriso de escárnio no rosto e Hermione sentiu vontade de fazê-la engolir os próprios dentes. Eu já lutei com gente bem pior. De repente a frase formou-se em sua mente e ela sabia que era verdade.

Tom ficou tenso. — Tirando eu e você, Lisbeth é a melhor duelista de Hogwarts. Ela vai acabar com Hermione. — ele falou isso sentindo um peso em seu coração. Não queria ver Hermione machucada de nenhuma maneira. — Vou tentar convencer o professor a anular esse duelo.

— Quanta superproteção. Acho que estou começando a achar que Hermione está certa quando diz que você é bipolar. — Abraxas riu arrancando um pequeno rosnado de Tom. Era tarde. As meninas já estavam posicionadas encarando-se. Olhando nos olhos uma da outra. Hermione mantinha-se inexpressiva.

— Acha que vai poder ficar com o Tom...? — Lisbeth jorrou para Hermione que levantou uma sobrancelha surpresa. — Ele será meu e de mais ninguém. Não vou deixar que uma sem graça estrague meus planos. — ela falou para que só Hermione escutasse, mas Tom estava perto o suficiente para ouvir, então acabou olhando para Abraxas e fazendo uma negativa com a cabeça. Lisbeth era linda, mas ele já havia tido tudo o que desejou dela. Absolutamente tudo e não estava interessado na garota vulgar no momento.

Hermione apenas fez uma cara de desgosto para ela e não se dignou a responder. O professor deu o sinal anunciando o ultimo duelo da aula.

Confringo. Bombarda, Bombarda Máxima. — Lisbeth lançou e Hermione esquivou-se por pouco. Os feitiços bateram do outro lado da sala explodindo duas cadeiras e parte da parede e então Hermione percebeu que a garota não estava para brincadeira. A garota lançava uma tempestade de feitiços em cima de Hermione sem lhe dar espaço para revidar. — Protego Nerus! — Hermione gritou fazendo uma proteção negra aparecer diante dela, o que deixou a sala totalmente muda. Era possível sentir que sua magia era poderosa. Até a própria Hermione se assustou com o poder de sua proteção.

Protego Nerus só pode ser usado por um bruxo altamente experiente. Eu não consigo fazer isso e olha que eu já treinei bastante. — Abraxas falou cruzando os braços. — Acho que realmente Hermione não precisa de proteção. — Tom estava surpreso demais para falar enquanto olhava o duelo.

— Ah, muito fácil se esconder atrás dessa nuvem, garotinha medrosa. Eu quero ver você me enfrentar. — Lisbeth provocou. Hermione respirou fundo fazendo sumir a nuvem negra do protego.

— Você quer lutar Lisbeth? — a voz de Hermione era fria surpreendendo a Tom e a todos os presentes. — No momento em que você estiver na Ala Hospitalar, lembre-se de que foi você quem pediu por isso.

Locomotor Mortis — Hermione usou rapidamente o feitiço das pernas presas, deixando Lisbeth temporariamente paralisada.

Hermione olhou para a estátua guerreira no canto da sala e ergueu a varinha de forma sonelene. — Piertotum Locomotor. — a estátua de pedra ganhou vida levantando a cabeça e olhando diretamente para o rosto da garota que havia lhe animado. — Ataque-a. — Hermione apontou a varinha para Lisbeth e prontamente a estátua começou a mover-se na direção da garota que começou a gritar desesperadamente.

Minerva pulava de alegria. Ela sempre quis aprender a usar aquele feitiço.

— Não, por favor! — Lisbeth implorou.

Hermione apenas revirou os olhos. — Finite Encantatem, finite encantatem, ahhh, finite encantatem! — Lisbeth gritou desesperada soltando as pernas da azaração simples que Hermione havia lançado sobre ela. Ela correu da estátua e usou novamente o feitiço que parecia ser a sua marca registrada. — Confingro! — ela apontou raivosa para a estátua que explodiu com um alto estardalhaço. Hermione riu.

— Quanto desespero Lisbeth!

Hermione respirou fundo e fez o que ela sabia que podia fazer. Sem abrir a boca, usou o Expelliarmus. Um raio vermelho saiu da ponta da varinha de Hermione desarmando Lisbeth. O murmurinho foi intenso.

— Ela sabe fazer feitiços não-verbais. — Tom admirou-se.

Lisbeth deu dois passos para trás. Os olhos duas vezes maiores que o normal. Hermione pensou no feitiço e o lançou. Estupore. E outro raio vermelho saiu da ponta de sua varinha acertando Lisbeth em cheio. Ela voou para trás batendo as costas na parede e desacordando no mesmo instante.

— Magnífico! — o professor aplaudiu Hermione. — Vejo que a senhorita deveria ser uma das melhores alunas no Instituto em Salem. Feitiços não-verbais! Que magnífico. Aprendam alunos de Hogwarts! Aprendam com essa aluna! Dez pontos para a grifinória. E agora para terminar, teremos realmente o último duelo. Vejo que finalmente surgiu uma aluna à sua altura Tom. Quero ver os dois duelando.

Hermione sentiu o sangue fugindo de seu rosto. Isso não estava no acordo. A boca de Tom estava ligeiramente aberta. Não era comum o professor permitir duelos entre garotos e garotas.

Abraxas deu um cutucão em Tom que despertou ligeiramente de seu torpor.

O garoto foi ao centro da sala e viu os olhos arregalados da castanha. Ele se aproximou dela.

— Eu não quero duelar com você. — ela falou num miadinho de voz. Soou dengoso mesmo sem querer.

— Eu também não... Não quero machucar você. — ele falou, não conseguindo impedir as palavras de saírem.

— Vocês não querem duelar? — o professor perguntou desconfiado.

Hermione fez um não frenético com a cabeça para o professor.

— Oras... Vamos, por favor. — o professor pediu implorativo.

Hermione olhou a contra gosto para o professor e rendeu-se. Ela foi até o centro da sala e fez uma reverencia graciosa a Tom. Ele riu e repetiu o gesto. Parecia mais um cortejo. Ambos sorriram um para o outro. Naquele momento um burburinho surgiu. Eles estavam colocando lenha na fogueira. Se antes as garotas do castelo achavam que eles tinham algo, com essa negativa para duelar e o cortejo, então todos tiveram certeza. Minerva observava tudo com astúcia e percebeu o brilho nos olhos da nova amiga. Ela sentia algo pelo garoto pálido. O garoto que Minerva não confiaria nem em um milhão de anos.

Isso, garoto. Marque território. — Abraxás sussurrou para si mesmo.

— Começar! — o professor falou e ambos apontaram a varinha um para o outro.

Levicorpus. — Tom falou rindo e apontando a varinha para a garota. Seu corpo foi suspenso magicamente pelos calcanhares e uma superfície invisível a sustentou. Ela começou a rir, mas não soltou a varinha.

Liberacorpus. — ela gritou apontando a varinha para si mesma e caindo no chão habilmente. — Afferte Corpus — ela gritou apontando a varinha na direção de Tom. O Afferte, trazia a pessoa atingida para perto de quem havia lançado o feitiço. Tom foi lançado em alta velocidade na direção de Hermione parando a poucos centímetros de seu corpo.

Tarantallegra. — Hermione falou e automaticamente as pernas de Tom começaram a se mexer em uma dança engraçada e ele começou a rir. — Finite Encantatem! — ele gritou apontando para as pernas. — RictuSempra. — ele apontou o feitiço para Hermione fazendo-a ter um ataque de riso.

— Tá, tá, tá! — o professor fineus interrompeu os dois. — Já entendi que os pombinhos não querem duelar. — Finite. — ele apontou a varinha para Hermione fazendo-a parar de rir. — Vocês são magníficos mesmo sem querer duelarem. Dou mais dez pontos a cada casa pela maneira sábia com a qual os dois alunos desviaram-se de um pedido que não queriam cumprir. Srtª Granger, a senhorita é sem dúvida uma grande aquisição para Hogwarts. Vão, vão. Estão liberados.

Minerva riu e Hermione riu de volta, corando por todos os elogios que o professor lhe fizera. Ela estava sendo aplaudida por todos e involuntariamente olhou para Tom que estava aplaudindo-a e sorrindo lindamente para ela. Ele fora um cavalheiro com ela e ambos brincaram ao invés de lutar.

Saíram da sala e Tom segurou Hermione delicadamente pelo braço detendo-a, enquanto vários olhos detiveram-se neles dois. Minerva e Abraxas pararam logo a frente e se cumprimentaram a contra gosto.

Hermione olhava de forma confusa para Tom.

— Desculpe-me Hermione... Eu estava apenas chateado mais cedo por você não estar na mesma casa que eu. Entenda, eu desejei muito tê-la mais perto de mim e quando isso se provou impossível eu simplesmente surtei. Agi pior que um trasgo e peço que me perdoe. — Tom falava mantendo um contato visual constante com a castanha.

— Não tem problema. — ela corou pela proximidade dele. — Eu fiquei triste quando você se afastou. Não... Não faz isso de novo. — ela foi sincera e ele riu carinhoso. Suas mãos involuntariamente acariciaram o rosto da castanha até a altura dos lábios e ela fechou os olhos.

— Não. Não farei. — ele sorriu enquanto via a entrega dela.

Impetuosamente a garota o abraçou. Ele demorou cerca de dois segundos para processar o ato. Pela primeira vez na vida ele estava recebendo um abraço sincero. Abraxas e Minerva viam a cena sem de fato acreditar, principalmente porque Tom tinha abraçado de volta. O garoto mais frio, calculista e desumano que Abraxas conhecia havia simplesmente se entregado a um abraço. Um abraço verdadeiro.

— Que diabos essa menina tem? — Abraxas perguntou com a boca aberta.

— Eu não sei... — Minerva respondeu surpreendendo a Abraxas. — Mas sinceramente, se ela conseguir fazer bem a Tom Marvolo Riddle, então eu sei que ela consegue fazer qualquer coisa nesse mundo.

E os dois interlocutores improváveis continuaram a observar a cena que se seguia ali na frente. Tom e Hermione permaneceram abraçados por um longo, longo tempo...

(...)