Olhhha quem voltou! Sim eu ahahaah :) e como prometido, mais um cap novo ;*
10.
"Preciso falar com você..." – sou surpreendido com a sua voz. Olho para a porta do quarto e ali ele estava de braços cruzados me encarando.
"O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar trabalhando ou estudando?"
"Isso não vem ao caso..." – ele faz seu espaço e puxa uma cadeira para se sentar. – "passei uma semana ponderando se deveria ou não pra casa, pois precisava pegar algumas coisas e cheguei à conclusão que eu tinha que vir..."
"Sei..." – eu não acreditava muito que era só isso, mas beleza.
"Como eu sei que você não é idiota ou algo do gênero, você sabe bem do que eu quero falar..."
"Eu, idiota?" – franzi a sobrancelha – "sei..." – respirei fundo – "como ela está?"
"O que você acha?" – ele cruzou os braços e ficou me encarando.
"Aconteceu..." – tentei demonstrar descaso sem sucesso algum.
"Eu sei o que aconteceu, me poupe desses detalhes... porque diabos você não pega logo essas suas coisas, enfia em algumas caixas e se muda de vez pra New York?"
"Você fala com tanta convicção, mas eu sei bem quem também enrolou tempos para pegar as malas e mudar de cidade..." – ele torceu a boca como se aquilo não importasse no momento.
"As circunstancias eram bem diferentes.. eu iria pra outra cidade sem perspectiva alguma... sem emprego, sem futuro, sem nada... se não fosse pelo Blaine..." – seu olhar fixa em um ponto do quarto e ele logo balança a cabeça parecendo tentar espantar os pensamentos. – "enfim, não vim aqui falar de mim Finn..."
"Eu..." – eu não estava com paciência para entrar naquele assunto. Não agora.
"Você vai me ouvir" – ele deixou aquilo bem claro ao ver minha expressão de aborrecimento – "e você vai pegar as suas cartas, aceitar a faculdade em New York, preparar as malas e viajar comigo de uma vez por todas..."
Dei uma gargalhada no mais alto volume e ele continuava sério.
"Eu ainda não decidi se vou pra New York..."
"Você não era idiota assim..." – ele se levanta da cadeira e vai em direção ao meu closet.
"Nem invente Kurt..." – me levanto indo em sua direção – "pra que esse súbito interesse em mim.. alias, na minha relação com a Rachel? Desculpa mas até certo tempo atrás você parecia pouco se importar com o que a gente fazia ou deixava de fazer..."
"Eu estava atolado em mil problemas" – ele tenta se justificar – "sei que posso ter falhado nesse ponto, mas aqui eu estou e quero entender qual é o seu problema."
"Qual o meu problema?" – ri – "você acha que eu não sei o que aconteceu? Eu não sou burro nem cego."
"Você diz com relação a?"
"Ela e aquele cara de cavalo constipado.." – bufei.
"Então ela feriu o seu orgulho masculino?" – agora era ele que bufava. Movi meus ombros, sentei e coloquei a cabeça entre as mãos. – "Finn..." – sinto suas mãos nos meus ombros. – "vocês precisam conversar.."
"Eu preciso é esquecê-la..."
"Não... você não precisa esquecê-la..." – vejo que ele se ajoelha a minha frente e eu levanto o olhar – "sei que a situação não é bem a mesma, mas eu consegui perdoar o Blaine.. e ele fez o que fez enquanto estávamos juntos... e não no meio de incertezas, você me entende." – ele respira fundo e continua falando – "eu não agüento mais ouvir Finn aqui, Finn acolá e não suporto mais ouvi-la chorar a noite quando ela jura que eu já estou dormindo.." - olhei pra ele em descrença. – "Sim.. ela ainda chora por você seu idiota..."
Aquelas palavras ficaram ecoando por alguns segundos na minha cabeça. Levantei-me, andei de um lado para o outro e ele agora me encarava em silencio. Volto a sentar na cama, respiro fundo e abro a gaveta do criado-mudo encarando aquelas malditas cartas que vinham literalmente tirando o meu sono. Olho para ele que me estendia o seu celular.
"Tome uma decisão de uma vez por todas..." – ele se levanta e vai até a porta – "vou deixar você fazer isso sozinho.. acho que já fiz minha parte aqui, qualquer coisa estou na sala com meu pai..." – concordei com a cabeça e o vi fechar a porta.
~.
Odiava os finais de semana que o Kurt viajava pra casa. Ele até havia perguntado se eu não queria ir com ele, mas no presente momento eu queria distancia de Lima. Ele justificava que tinha que passar mais tempo com o seu pai e eu o compreendia. Eu ainda precisava organizar minhas idéias e meus pensamentos. Estava tudo uma confusão, um nó só. Nesses finais de semana eu tirava para decorar textos, procurar por novos testes. Assistia a alguns espetáculos, até mesmo sozinha ou me jogava no sofá com um pote de sorvete e assistia a alguma comedia boba romântica que sempre me levava as lagrimas no final. E sozinha eu podia vestir uma velha camisola ou uma velha camisa que sempre me trazia boas lembranças de casa.
Kurt havia notado que eu estava usando mais uma vez a aliança pendurada como pingente em um colar, mas ele nada disse. Melhor assim. Eu ainda preciso acalmar minhas idéias antes de colocá-la outra vez dentro de uma caixa bem no fundo da minha gaveta.
Após passar algum tempo mexendo no computador, fui tentar fazer uma nova receita de bolo que havia encontrado na Internet. Estava batendo a massa do bolo quando escuto um barulho na porta.
"Já vai..." – grito passando as minhas mãos ainda sujas de farinha em um pano de prato.
Nessas horas que eu queria que essa porta tivesse um maldito olho mágico. – "Quem é?" – não recebo resposta. Pondero por uns segundos se devia abrir ou não. Corro para a cozinha e pego a primeira faca que vejo. Coloco-a dentro do bolso de trás do meu short. Melhor prevenir do que remediar. – "To indo..." – corro de volta para a porta já preparada para gritar caso fosse alguém querendo me seqüestrar.
~.
"Oi..." – e eu podia jurar que ela jamais esperaria que fosse eu do outro lado da porta.
"O que você está fazendo aqui?" – e foi quando ela me deu o seu mais sincero sorriso.
"Posso entrar?" – ajeito minha mochila nas costas e ela abre a porta me dando espaço. Vejo-a fechar a porta e rio quando retira uma faca do bolso.
"Nunca se sabe..." – ela continuava sorrindo.
"Entendo..." – tornei a sorrir.
Ficamos por um tempo sorrindo um para o outro que nem dois idiotas. Todo o discurso que eu havia preparado na minha mente havia desaparecido.
"Aonde eu posso colocar isso?" – aponto para minha mochila e ela morde a boca na duvida – "deixa aonde você quiser, não tem importância..."
Olhei para os lados e na duvida coloquei ela encostada perto do sofá.
"Posso..." - eu noto sua insegurança.
"Perguntar o que eu estou fazendo aqui?" – ela afirma com a cabeça. Sento-me no sofá e abro minha mochila procurando por dois envelopes. Faço um sinal para ela sentar. Ela logo se aproxima e se senta com uma certa distancia. Também tiro o notebook, separo meu celular e coloco tudo junto entre nós dois.
"Não entendi..." – ela mordia o seu lábio e demonstrava um certo ar de confusão.
"Vou precisar da senha do wifi de vocês..." – falei ligando o computador e colocando-o encostado ao sofá. Respiro fundo, olho pra ela e finalmente falo: "Eu preciso saber se você ainda vai me querer na sua vida, para eu poder tomar uma decisão."
Primeiro seus olhos se arregalaram. Depois ela baixou o olhar, mordeu de leve o seu lábio inferior e tornou a me encarar. Suas mãos pegaram os dois envelopes, separou os papeis, leu alguma coisa ou outra e tornou a me encarar.
"Precisamos primeiro ser sinceros um com o outro?"
~.
"Sim..." – fico apreensiva. Depois de meses parecia que finalmente iríamos ter uma conversa mais séria. Confesso que não estava esperando por essa. Eu jamais imaginaria que ele apareceria na minha porta com esses olhos cheios de esperança querendo saber se ainda existe espaço na minha vida para ele. Quando ele vai perceber que eu simplesmente não consigo existir sem a sua presença?
"Eu..." – tento achar as palavras que me fugiam, mas eu não podia esconder as coisas dele, eu não devia – "eu... e o Brody... bom... não estamos mais juntos tempo um certo tempo. Alias, ficamos muito pouco tempo juntos pra ser sincera..." – ele somente me encarava – "eu... bom..."
"Vocês dormiram juntos..." – ele afirmou mais do que questionou.
"Foi um erro..." – tentei de certa maneira me defender.
"Nós já não estávamos mais juntos Rachel..." – ele respira fundo – "não vou ser hipócrita ao dizer que isso não me magoa, não vou mentir ao dizer que quando voltei cheio de duvidas e esperanças pra New York eu pensei que você estaria me esperando de braços abertos. Eu fui um tolo e um idiota, mas eu estava perdido. Eu ainda estou perdido, mas agora parece que finalmente posso seguir em frente."
"Você..." – respirei fundo, engoli as lagrimas, eu não vou chorar, não vou – "me perdoa?"
"Você me perdoa?" – ele repete a pergunta e eu tenho vontade de pular no seu colo e cobri-lo de beijos.
Leio bem o cabeçalho dos papeis, separo o que seria importante e rasgo o outro em dois pedaços, depois em quatro pedaços e jogo no chão.
"Pronto... agora não tem mais o que decidir..." – pego o notebook, coloco no colo e encosto o meu corpo no seu – "a decisão já está tomada"
~.
Juntos entramos no site da universidade, preenchemos alguns cadastros, ficamos certos de datas, da distancia da minha faculdade pra sua, anotamos várias coisas em um caderno que ela deu pra mim. Escreveu meu nome ao lado de 'planos para o futuro', desenhou uma estrela dourada do lado e um pequeno coração ao lado da estrela. Sorri aos detalhes. Estávamos como nos velhos tempos, agindo como os melhores amigos que éramos, ela me contava com detalhes as primeiras coisas que eu deveria providenciar, explicou sobre as linhas de metrô que conhecia e até desenhou um trajeto até o loft para que eu nunca me perdesse.
"Precisamos saber de uma coisa..." - Mas a pergunta ainda estava no ar, a duvida ainda pairava entre nós dois. Ela não tinha coragem de perguntar e eu não sabia se era muito cedo pra isso.
"O que?" – me faço de desentendido.
"Eu..." – ela coloca o notebook encima da mesa e olha pros lados como se estivesse pensando em algumas mudanças – "você vem morar com a gente?" – e de novo ela me atacou com aqueles olhos cheios de esperança.
"Não quero incomodar..." – estava sendo sincero.
"Sei que o espaço não é muito grande..." – ela correu com as palavras – "mas eu tenho certeza que a gente pode se virar..." – silêncio. – "Eu sinto a sua falta Finn..."
Sorri porque eu também sentia sua falta. Ninguém imaginava a falta que essa baixinha fazia na minha vida.
