Professor Potter – Capítulo 10
Pela décima vez, Hermione lançou um olhar para Ginny. Ela continuava do mesmo jeito: embolada na manta vermelha preferida, olhando friamente o pôr-do-sol pela janela do avião. Tinha estado assim desde que tinham embarcado no avião particular da família Weasley, uma hora atrás. Hermione tinha decidido que a deixaria em paz, mas não era fácil. Ela queria saber o que tinha acontecido.
Ron, Fred e George roncavam alto nos assentos da frente. Ginny estava sentada perto do banheiro. Hermione se encontrava angustiada, no meio do avião. Olhou para o relógio. Ainda faltava outra hora de vôo. Ela não conseguia mais agüentar aquilo. Se levantou e foi decidida até onde a amiga estava sentada, e se jogou na poltrona ao lado dela. Ginny não pareceu ter notado nada, apenas continuou olhando as nuvens.
- Ginny? – Hermione chamou, hesitante.
A ruiva se sobressaltou.
- Sim? – ela respondeu, assustada. Parecia ter saído de um transe.
- O que aconteceu? – a morena perguntou cautelosamente – Porque você está agindo assim desde que voltou da sala do professor Potter?
A ruiva fechou os olhos ao ouvir aquele nome e respirou fundo para controlar as emoções. Então abriu os olhos e mirou Hermione.
- Eu disse para ele que o amava – ela falou, a voz falhando.
Hermione arregalou os olhos e passou quase um minuto olhando surpresa para a amiga.
- Como é que é? – foi tudo o que ela finalmente conseguiu dizer.
- Eu escrevi uma carta para ele – Ginny continuou – E então nós nos beijamos.
- VOCÊ BEIJOU O PROF... – Hermione começou a gritar, mas Ginny lhe lançou um olhar que claramente dizia "cale a boca!". As duas olharam para as cabeças ruivas dos irmãos Weasley, mas nenhum deles parecia ter acordado.
- Você beijou o professor Potter? – Hermione continuou, sussurrando.
- Foi.
Ninguém disse mais nada durante algum tempo. Hermione estava surpresa demais para pensar em qualquer coisa para dizer. Sabia que aquilo teria um milhão de conseqüências, mas não conseguia pensar direito em nenhuma.
- E como foi? – Hermione perguntou, finalmente.
Ginny fechou os olhos e sorriu, como se estivesse sonhando.
- Foi ótimo – ela respondeu, mas não acrescentou mais nada.
- E porque você passou todo esse tempo como se estivesse em depressão, se a coisa que você mais queria finalmente aconteceu? – Hermione finalmente verbalizou a dúvida que estava martelando em sua cabeça.
A expressão de Ginny rapidamente mudou, seus olhos refletindo muita preocupação.
- Porque eu estou confusa – a voz dela falhou – Eu não sei o que vai acontecer. Tive que ir embora porque o Ron me ligou, e quando eu estava saindo da sala ele não disse nada. Só ficou me encarando.
- Você acha que ele se arrependeu?
- Eu não sei! – ela exclamou, frustrada – Esse é o problema. Eu não sei o que ele está pensando, e agora eu só vou poder descobrir daqui a dois meses. Até lá, ele nem vai se lembrar do que aconteceu.
- Bem, disso eu duvido – Hermione deu uma risada fraca, mas não foi seguida pela amiga. Vendo que Ginny estava realmente triste, ela chegou mais perto da amiga e a abraçou – Não se preocupe. Vai dar tudo certo.
Não havia mais nada que ela pudesse dizer, pois afinal, ela não sabia o que ia acontecer. Só podia rezar para que a amiga não saísse magoada daquela história.
A limusine que Arthur Weasley tinha providenciado para buscar seus filhos parou em frente à linda mansão da família. Hermione sorriu. Ela adorava a casa de Ginny. Na primeira vez que tinha ido lá, ela comentou com a amiga que a casa dela parecia uma mansão do século XIX. Nunca tinha se esquecido da resposta de Ginny:
- Isso é porque ela é uma mansão do século XIX.
Todos saíram da limusine e esperaram enquanto o motorista tirava as milhares de malas que estavam dentro do carro. Ginny respirou fundo, sentindo o ar puro invadir seus pulmões. Sua casa ficava no meio de um vasto terreno, constituído principalmente de bosques e riachos. Parecia um paraíso para relaxar, e ela adorava aquele lugar, principalmente porque só tinha que morar ali quatro meses ao ano. Tinha certeza de que, se fosse passar um ano inteiro num castelo no meio de um bosque, iria enlouquecer no meio de tanta natureza. Era por isso que estudava em um internato – que não se localizava exatamente em uma cidade grande, mas pelo menos havia pessoas e um McDonald's –, e era por isso também que sempre visitava a casa de Hermione em Londres pelo menos uma vez ao ano. Todo mundo precisa de um pouco de gás carbônico uma vez ou outra, afinal.
- Tudo pronto, senhores – disse o motorista. Ele entrou de volta na limusine e foi embora antes que qualquer um dos adolescentes pedissem para que ele os ajudasse a carregar as malas até a casa.
Ginny olhou a grande extensão de grama verde que teriam de percorrer com as malas. Não estava com nenhuma vontade de fazer aquilo, então já ia tirar o celular do bolso para ligar para a mãe, quando esta apareceu na porta de entrada da mansão. Ela veio correndo até eles, e logo depois surgiram atrás dela vários empregados. Assim que chegou perto dos filhos, ela pulou no pescoço de cada um deles.
- Ah, que saudades de vocês! – ela dizia – Como foi a viagem? Como foi o semestre? Hermione, você está mais bonita do que nunca! Como vão os seus pais? Rony, deixe que o Albert carregue as malas de vocês...
Depois de beijar e abraçar todos, Molly começou a liderar o caminho para a porta de entrada da casa. Albert, o mordomo, e mais três empregados vinham atrás da família, carregando as malas com muito esforço. Eles subiram os degraus até a imponente porta de madeira e entraram em um hall luxuriante.
- Hermione, você sabe qual é o seu quarto, querida – Molly continuou tagarelando – Mas eu presumo que você vá querer dormir no mesmo quarto que a Ginny, como sempre... Então, todos vocês podem ir logo tomar um banho e trocar de roupa. Arthur e os irmãos de vocês chegam daqui a uma hora para o jantar. Estejam prontos até lá, sim?
Ginny, Hermione, Ron, Fred e George foram para seus respectivos quartos para tomar banho e trocar de roupa, assim como Molly tinha ordenado. Hermione tinha um quarto só para ela na mansão, mas quase nunca o usava, pois gostava de dormir no mesmo quarto que a melhor amiga. Uma hora mais tarde, às sete horas da noite, todos se encaminharam para a sala de jantar. Arthur, Bill, Charles e Percy já estavam lá, esperando para dar boas-vindas aos recém-chegados.
As reuniões de família dos Weasley eram sempre singulares: havia tantos filhos, tanto espaço, tanto dinheiro e tanta comida que era impossível não se divertir. Até Ginny, que ainda não tinha esquecido seu beijo com Harry, conseguiu tirar aquela história da cabeça por algum tempo e brincou com seus irmãos mais velhos. Hermione, também, não deixou de se divertir. Afinal, ela já era considerada parte da família, e tinha muito orgulho disso. Era uma grande diferença entre a sua pequena família de três pessoas e a enorme família com nove que era a família Weasley. E os irmãos mais velhos de Ginny eram todos bonitos, educados e divertidos. Quem não gostaria de fazer parte de uma família assim? Ela estava com raiva de um dos irmãos, mas isso não a impedia de interagir com o resto.
Depois de se cumprimentarem, abraçarem e beijarem, o grande grupo de pessoas se locomoveu até a sala de jantar. Uma grande ceia de boas-vindas para os filhos mais novos estava esperando por todos. Houve uma grande confusão de conversas e arrastar de cadeiras enquanto todos se sentavam.
- Estudando muito como sempre, Hermione? – Charles perguntou, com um sorriso de escárnio do rosto.
- Claro que sim, essa nerd – Fred respondeu quando Hermione estava abrindo a boca – No dia em que Hermione parar de estudar, eu e George começamos.
- Ou seja, isso nunca vai acontecer – George completou.
- Pelo amor de Deus, Hermione, mas porque esse exagero? – Bill revirou os olhos – Eu sempre te disse que você tem que se divertir mais.
Antes que ela pudesse responder, foi interrompida novamente.
- Ela está mais do que certa – disse Percy – Você pode se divertir depois, quando estiver formada e com o seu emprego. Até lá, não há tempo para se divertir.
- Eu não concordo – disse o Sr. Weasley, calmo como sempre – Acho que deve haver equilíbrio. Claro que estudar é mais importante, mas algumas horas de diversão não podem fazer mal...
- Bem, você pode até ter razão, pai – interrompeu Fred – Mas eu acho que gastar essas horas de diversão com o Roniquinho, como a Hermione anda fazendo, é um grande desperdício...
Até aquele momento, todos já tinham falado, menos Hermione. Mas aquela última frase fez com que ela finalmente erguesse a voz para conseguir se pronunciar no meio de tanta gente que não lhe dava oportunidade de responder por si mesma.
- O que você quer dizer com isso? – ela exclamou com uma voz que nem parecia a dela. Encarou o rosto sorridente de Fred.
- Não fique ofendida, Mione – ele riu da expressão de ódio de Hermione – Estamos em família.
- Pois é – George completou – E não é como se todo mundo não soubesse que você e o Ron andam...
- George – Ron interrompeu o irmão, o rosto completamente vermelho de raiva – O que você pensa que está fazendo?
Ele lançou para o irmão um olhar que claramente dizia "cale a boca, seu idiota, você já falou mais do que devia", mas o irmão o ignorou. Estava prestes a abrir a boca para falar, quando a Sra. Weasley o interrompeu.
- Eu não estou entendendo – ela falou, com uma expressão confusa – O Ron e a Hermione estão namorando? Mas eu pensei que o Ron estivesse namorando com a Lavender...
- Eu estou – Ron falou rapidamente. A pressa que ele teve em confirmar seu namoro com Lavender fez o estômago de Hermione revirar – Eu estou namorando com a Lavender. Fred e George são uns idiotas, eles só estão brincando, não se preocupe...
A expressão de Molly se suavizou, assim como a do Sr. Weasley. Ele tinha sido mais discreto do que a esposa, mas também tinha ficado tenso quando aquele assunto começou.
- Ah – a Sra. Weasley disse, bem mais calma, mas ainda parecia um pouco perturbada – Bem. Que bom que está tudo bem entre você e a Lavender, então. Ela é uma ótima garota. Vocês são amigas delas, não é, meninas?
- Aham, claro – Ginny respondeu sarcasticamente, mas sua mãe não pareceu notar o tom de sua voz.
- Bem, não muito... – Hermione começou, hesitante.
- Ah, Hermione, mas com certeza você já percebeu que ela é uma menina maravilhosa – Molly a interrompeu alegremente – Ela é filha de um amigo de Arthur, sabe. Também é envolvido com política, essas coisas... Na verdade, foi ele quem deu a Arthur o cargo de Lord-Lieutenant...
- Molly – Arthur interrompeu a esposa, tenso – Porque não falamos sobre outra coisa? Tenho certeza de que os garotos não querem discutir política...
- Não seja bobo, querido – Molly lançou um olhar significante para o marido, e então voltou a falar com Hermione – Hermione é uma garota muito inteligente, tenho certeza de que gosta desse tipo de assunto. E nós nem estamos discutindo política, só estamos comentando o seu trabalho. Não é, querida?
- Hã, claro – Hermione respondeu, olhando de um para o outro para tentar entender o que estava se passando entre eles. Ela sentia que havia alguma coisa estranha.
- Ainda bem que o seu namoro com a Lavender está indo bem, Rony – Molly continuou – Vocês são um lindo casal, e tenho quase certeza de que vão se casar. Seria uma pena se vocês terminassem. E o pai da Lavender ficaria tão triste...
Ela falou aquilo casualmente demais. Hermione imediatamente percebeu o que havia de errado naquela história. Olhou para Ron, mas ele estava evitando o olhar de todo mundo, principalmente o dela. Hermione sentiu uma grande culpa invadi-la.
- Tenho certeza de que o pai de Lavender entenderia se eles acabassem – ela falou corajosamente – Ele não iria querer que a filha continuasse em uma relação que não está dando certo. Não é o caso, é claro, mas talvez esperar que eles se casem seja um pouco demais, não?
Àquelas palavras seguiu-se silêncio. Hermione e Molly se encararam. A morena sabia que tudo aquilo era uma espécie de aviso que Molly estava lhe mandando, e por mais que ela tivesse um grande afeto pela Sra. Weasley em geral, naquele momento ela não estava simpatizando muito com a senhora.
- Sim – a Sra. Weasley finalmente quebrou o gelo – Talvez seja demais esperar que eles se casem. Mas quando se trata de amor, tudo podem acontecer, não é? Você gosta muito de ler romances, Hermione, e sabe que para um casal apaixonado, tudo é possível. E você pode me dizer algum casal mais apaixonado do que esses dois?
Ela falou tudo aquilo em um tom perfeitamente normal e agradável, mas Hermione sabia que a senhora estava com raiva. O pior de tudo era que Hermione sentia que Molly realmente acreditava que Ron era infinitamente apaixonado por Lavender. E se, depois daquela conversa tremendamente esquisita, Hermione tinha alguma certeza no mundo – além de que vai pagar imposto e morrer, é claro -, é que Ron não amava Lavender. Talvez ele não amasse Hermione também, mas com certeza ele não gostava de Lavender.
- Sim, tudo é possível para um casal apaixonado – ela falou com todo o orgulho que conseguiu reunir.
Ninguém mais falou. Todos tinham percebido a tensão que tinha se estabelecido na sala de jantar, e Hermione ficou surpresa ao perceber que os irmãos de Ron pareciam tão confusos quanto ela. Então eles não sabiam que o coitado do irmão deles tinha que namorar uma loira burra e nojenta só porque o pai deles queria manter o cargo de governador? Que ótimo. Aliás, o próprio Sr. Weasley não parecia muito confortável com tudo aquilo. Ele tinha tentado impedir Molly de continuar a falar, e agora estava claramente envergonhado. Hermione chegou à conclusão que a verdadeira culpada de tudo aquilo era a Sra. Weasley. Com certeza ela não queria perder a boa vida que tinha por causa do trabalho do marido.
Hermione não conseguiu evitar a sensação de desilusão que tomou conta dela. Sempre tinha pensado nos Weasley como uma família feliz e perfeita. Mas aparentemente não era assim. Acho que ninguém é perfeito, no final das contas, ela pensou. Toda família tinha um defeito, um conflito. Ela tinha acabado de achar o defeito dos Weasley.
O resto do jantar se passou normalmente. Não tão normal quando comparado às outras reuniões familiares dos Weasley, que eram sempre cheias de confusão, conversa e risadas. Mas normal quando comparado a famílias normais. Quando o jantar acabou, Bill, Charles e Percy se despediram do resto da família, pois tinham suas próprias casas – o que, na opinião de Hermione, era bem inteligente da parte deles. Os que restaram rapidamente se dispersaram pela casa. Fred e George se trancaram no quarto deles. Hermione e Ginny foram para o quarto da última, e nenhuma palavra foi trocada entre elas sobre o que tinha acontecido no jantar. Foi como se um acordo não-verbal tivesse sido estabelecido. Elas iriam simplesmente fingir que não tinha acontecido, e as duas estavam muito feliz por causa disso. Hermione não queria discutir a sua "briga" com Molly com a filha da própria, nem queria discutir o motivo da briga. Ela nem sabia se Ginny tinha chegado à mesma conclusão que ela, mas não seria ela que iria fazer a amiga chegar caso isso não tivesse acontecido.
Mas ela não precisava se preocupar, pois Ginny com certeza tinha entendido a jogada da mãe. Não culpava a amiga pela forma ela como tinha agido, e de repente, estava sentindo uma grande pena do irmão. Rony sempre fora seu irmão mais próximo, por mais que os dois brigassem mais do que se entendessem. Ela decidiu que teria uma conversinha com ele no dia seguinte, e que também falaria com a mãe deles. Ah, e com certeza, iria pegar as cabeças de Fred e George e batê-las uma contra a outra pela estupidez deles. Eles não tinham que ficar espalhando sobre Ron e Hermione, mesmo que fosse entre família. Aliás, como eles sabiam daquilo? Será que Ron tinha contado a eles? Mas que retardado! Como ele foi confiar em Fred e George?
Sozinho em seu quarto, Ron se sentia revoltado. Ele estava deitado com a barriga para cima e os braços cruzados atrás da cabeça, encarando o teto branco e desejando que ele caísse em cima dele. Estava com muita raiva de Fred e George por terem levantado aquele assunto, até porque ele tinha confiado nos irmãos e dito para eles que estava apaixonado por Hermione. Eles não levaram a sério, e Ron realmente não esperava que eles levassem, pois já era querer demais, mas ele achava que os dois teriam noção de que aquilo era um segredo.
Mas sua raiva maior não era, nem de longe, direcionada aos irmãos. Eles não tinham culpa de absolutamente nada. O que realmente o deixava irado era o comportamento do pai. Ele se deixava ser manipulado pela esposa tão facilmente! Via que Ron não estava feliz, mas ainda assim apenas assistia enquanto a mãe de Ron falava e falava e falava, apenas fazendo cara de "me desculpe". Até parecia que a mãe de Ron era a verdadeira política da família.
- Sr. Ron? – disse uma voz através da porta trancada do quarto. Ron sentou-se na cama no momento em que uma das empregadas da família abria a porta de seu quarto, hesitante.
- Oi, Lisa – ele respondeu, tentando sorrir para a mulher. Ela não devia ter mais de trinta anos.
- Seu pai quer te ver no escritório dele – ela falou, então pediu licença e se retirou.
O coração de Ron começou a bater mais rápido, alimentado por uma pequena esperança. Será que o pai iria finalmente desistir daquela história e diria que Ron podia fazer o que quisesse da vida? Quem sabe?
Ele se levantou em um pulo e saiu andando em passadas largas em direção ao escritório do pai. Parou em frente à imponente porta de madeira escura, nervoso e feliz. Porém, quando ele abriu a porta e viu que sua mãe estava lá – e não apenas sentada num sofá parecendo culpada, como Ron esperava, mas estava lá de pé, olhando severamente para ele -, todas as suas esperanças foram drenadas de seu ser. Ele pôde praticamente senti-las vazando pelos orifícios de seu corpo.
- Queria me ver? – ele perguntou para o pai, que estava sentado atrás da escrivaninha, como sempre.
- Sim, queria – a mãe dele respondeu, quando viu que Arthur simplesmente abaixou a cabeça e encarou as mãos na mesa. Ela caminhou até o centro da sala e colocou as mãos na cintura como sempre costumava fazer quando ia dar sermão nos filhos.
Ron teve vontade de revirar os olhos, mas achou que seria melhor não. Se quisesse negociar com os pais, teria que ser civilizado e paciente.
- É sobre o que aconteceu no jantar, não é? – ele perguntou da maneira mais educada que pôde – Antes que vocês digam alguma coisa, eu posso me defender?
Molly estava abrindo a boca para dizer que não, mas Arthur a interrompeu.
- Claro, filho – ele disse.
- Bem – Ron começou, sem jeito – Eu sei que vocês querem que eu namore com a Lavender para garantir que o pai dela fique feliz e não tire o cargo do meu pai...
- Nós concordamos que era o melhor para a família, Ron – Molly o interrompeu – Você concordou.
- Eu sei – ele respondeu, começando a ficar impaciente – E eu estou namorando com ela, não estou? Sempre namorei e sempre fui fiel - ele não achou que ser completamente honesto fosse a melhor estratégia naquele momento – Sempre fiz o que pude para deixá-la feliz.
- Você disse que a amava, Ron – Molly falou severamente – Quando nós tivemos essa conversa pela primeira vez, você estava mais do que feliz em fazer isso. Porque nos últimos tempos você tem mudado de idéia?
- Eu tinha quatorze anos! – ele exclamou – Ela era bonita e queria ficar comigo, então é claro que eu achava que a amava, mas vocês sabem muito bem que eu estava errado. Eu nem sabia o que era amor naquela época.
- E agora você sabe? – Molly estreitou os olhos.
Ron respirou fundo.
- Sei.
- E como sabe o que é amor, se você acabou de dizer que não ama a sua namorada? Quem você ama, então? – ela falou, sua voz ficando cada vez mais histérica.
- Eu amo a Hermione – ele falou com toda a coragem que conseguiu reunir. Não olhou para a mãe, mas focalizou toda a sua emoção no pai, na esperança de que ele fosse entender – Eu quero ficar com ela, e não com a Lavender.
- Então fique – Molly retrucou – Mas tenha cuidado para quem conta os seus segredos, pois se chega aos ouvidos da Lavender que você e Hermione estão tendo um caso...
- Você não entendeu não? – Ron interrompeu a mãe, sua voz aumentando cada vez mais – Eu não quero ter um caso com a Hermione, mãe, eu quero namorar com ela e sair em público e...
- E arruinar a sua família? – ela completou – É isso que você quer? Você sabe que sem o apoio do Sr. Brown o seu pai iria perder o cargo...
- Isso não é verdade – Ron falou, olhando exasperado para o pai – Porque você deixa que ela faça isso com você, pai? Você faz tudo que ela diz? Mesmo sem o apoio do Sr. Brown, você continuaria a governar o condado, eu tenho certeza. Você é ótimo com o povo daqui, todos te adoram...
- Seria muito arriscado – o pai respondeu, triste – A minha preocupação não é perder o cargo, a minha maior preocupação é o bem-estar de vocês...
- Nós podemos viver muito bem sem tudo isso – Ron interrompeu – Não é como se nós fossemos pobres, pai.
- Chega – Molly exclamou – Eu já disse o que tinha para dizer, Ron. Continue com a Lavender, e se quiser brincar por aí com a Hermione, que seja. Mas faça isso sem que ninguém saiba. Essas são as minhas ordens, e as ordens do seu pai. Agora pode sair.
Ron lançou um olhar exasperado para os pais.
- Como é que é? – ele disse – Então o que eu quero não é levado em consideração?
- Você quer o bem da sua família? – Molly perguntou – Quer ir para a universidade de desenho nos Estados Unidos? Quer que sua irmã vá para Columbia?
- Claro que quero, mas...
- Então você quer deixar a Lavender feliz – ela concluiu por ele – Boa noite.
- Péssima noite! – ele gritou, já se virando para ir embora – Para vocês dois!
Então lançou um último olhar para os pais e bateu a porta atrás de si com toda a força que conseguiu reunir.
Provavelmente já passava da meia noite, mas Hermione não conseguia dormir. Ela olhou para o monte escuro do outro lado do quarto que era Ginny, dormindo profundamente em sua cama. Resistiu ao impulso de acordar a amiga, pois ela sabia que Ginny jamais iria perdoá-la se fizesse aquilo. Ginny detestava ser acordada. E além do mais, o que ela poderia fazer pela insônia de Hermione? Nada. Elas poderiam tentar conversar, mas Hermione não queria conversar sobre aquele assunto que ainda não tinha saído da sua cabeça, e que ela tinha certeza de que era o causador da sua falta de sono.
Tudo o que ela queria era que a manhã chagasse logo, para que ela pudesse falar com Ron e se desculpar, esclarecer as coisas. Obviamente, se ela dormisse, a manhã chegaria mais rápido, mas sua ansiedade pela chegada da manhã a impedia de dormir. Era tudo muito contraditório, e só fazia com que ela ficasse ainda mais irritada. Ajeitou os lençóis impacientemente, numa tentativa de achar uma posição confortável para dormir, mas depois de se revirar umas cinco vezes, ela desistiu. Mais uma vez. Assim como tinha feito durante toda a noite até aquele momento.
O que ela realmente precisava era de uma coisa para ajudar a passar o tempo. E que, de preferência, também a fizesse esquecer toda aquela história, pelo menos por algumas horas. Hermione puxou os lençóis de cima do corpo e se levantou da cama. No escuro, ela olhou ao redor, procurando a silhueta de alguma coisa que pudesse servir como passatempo, mas não achou nada. Começou a andar pelo quarto, enquanto mexia nas coisas de Ginny, pegando um objeto, olhando-o e colocando de volta no lugar sem nenhum interesse. Estava quase a ponto de gritar.
Tomando uma súbita decisão, Hermione se dirigiu até a porta em passadas longas, mas silenciosas. Chegando no corredor, ela começou a andar mais suavemente, para não acordar ninguém – principalmente a Sra. Weasley. Desceu as escadas para o piso térreo e atravessou a sala em direção à cozinha, sempre com as mãos esticadas na frente do corpo para não bater em móveis e outras coisas. Quase derrubou um abajur - como se ela precisasse de mais algum motivo para estar na lista negra da Sra. Weasley.
Quando finalmente entrou na cozinha, ela soltou a respiração que estava prendendo inconscientemente. Graças a Deus, não havia ninguém lá. Hermione não sabia porque tinha esperado encontrar alguém na cozinha no meio da noite, mas ela simplesmente tinha a sensação de que podia haver algum empregado lá. Quer dizer, eles não ficam na cozinha o tempo todo durante o dia? A idéia de que eles não estivessem ali durante a noite parecia estranha. Mas ela não estava reclamando. Só queria ficar com a cozinha para ela mesma, sem ninguém para atrapalhar.
Agora, onde ficava o interruptor? Depois de muito tempo tateando pelas paredes, ela o achou atrás da geladeira. Aproveitando que estava nas redondezas, ela abriu a porta da geladeira para ver o que tinha para comer. Afinal, quer uma distração melhor do que comida? Comer enquanto a noite passava para se livrar dos pensamentos depressivos parecia um plano perfeito, na visão de Hermione. Tirando o fato de que ela não estava na casa dela, tudo bem. Ela não estava se importando muito com a dona da casa, no momento.
Hermione não fazia idéia do que queria comer. Olhou suas opções cuidadosamente, mas nenhuma chamou sua atenção. Até que seu olho caiu em cima de uma lata de leite condensado. Foi como amor à primeira vista. Como ela não tinha pensado naquilo antes? Brigadeiro era o melhor remédio para angústia/ansiedade/depressão, e ela estava sentindo tudo aquilo junto. Agarrou a lata, sem se importar com o que as pessoas iriam pensar quando percebessem que havia uma lata faltando. Depois disso, ela abriu as portas dos milhares de armários da cozinha gigantesca atrás de uma panela, e então atrás do chocolate, mas no final tinha todos os ingredientes em mãos. Colocou a panela em cima da grande mesa de madeira no centro da cozinha e derramou tudo lá dentro. Então levou a panela ao fogão. Algum tempo depois, estava tudo pronto. O cheiro estava simplesmente maravilhoso, e já tinha, sozinho, conseguido curar Hermione dos pensamentos perturbadores. Ela nem se lembrava mais do porquê de estar ali cozinhando, tudo o que queria era meter uma grande colher de brigadeiro na boca. Ela colocou o doce em um prato fundo e se sentou à mesa da cozinha. Assim que levou a primeira colher à boca, a familiar sensação de felicidade e bem-estar de quando se come chocolate a invadiu. Ela fechou os olhos para aproveitar bem a sensação. Depois de mais algumas colheradas, ela se levantou e abriu a geladeira novamente para pegar alguns morangos que tinha visto antes. Os colocou em um prato e levou para a mesa para comer com o brigadeiro. Pegou um e melou com chocolate, e então deu uma boa mordida. Soltou um gemido baixinho. Ela adorava morango com chocolate.
Enquanto comia com os olhos fechados, Hermione não percebeu que alguém a observava.
Ron tinha descido até a cozinha porque não tinha conseguido dormir, e queria ver se tinha algo bom para comer. Quando tinha aberto uma brecha da porta, tinha dado de cara com Hermione. Ele ficou algum tempo observando-a, hipnotizado pela visão da garota comendo morango com brigadeiro. Ela sujou o queixo um pouco e limpou superficialmente com o dedo. Aquilo o lembrou da foto que tinham juntos, em que ela estava limpando chocolate da boca dele. Ron não se moveu por muito tempo, apenas ficou olhando Hermione comer. Ela estava usando uma camisola de seda roxa, com algumas rendas brancas no decote – que era bem grande – e na barra – que era bem curta. Era a coisa mais erótica que ele já tinha visto – e ele já tinha visto muitas. Mas então ele percebeu que não poderia ficar ali, então pigarreou e entrou na cozinha. Hermione levou um susto enorme.
- Ron! – ela exclamou, olhando para ele com os olhos arregalados e um morango a meio caminho da boca.
- Oi – ele falou, tenso. Sabia que deveria estar com raiva dela, mas não conseguia.
Ele andou até onde ela estava e sentou-se na cadeira ao lado. Hermione tentou não olhar para o torso nu de Ron, mas ficava difícil já que ele estava vestindo apenas uma calça de flanela azul.
Ficaram em um silêncio constrangedor por alguns segundos, até que ele falou:
- Não conseguiu dormir?
- Não – Hermione respondeu – E você?
- Também não.
Eles não falaram mais nada por algum tempo. Hermione reuniu toda a coragem que tinha, pois sabia o que tinha que fazer, e disse:
- Me desculpe – ela se virou na cadeira para ficar de frente para Ron. Ele olhou para ela de forma interrogativa – Todo esse tempo você me disse que havia um motivo maior para que você não acabasse com a Lavender e eu não acreditei, achei que você estava mentindo. Eu não fazia idéia...
- Ei – Ron a interrompeu, colocando a mão por cima da dela, na mesa – Não precisa se desculpar, Hermione, você não fez nada demais. Eu não te culpo por não ter acreditado em mim.
- Mas eu te conheço há anos, devia ter entendido você melh...
- Você me entendeu perfeitamente – Ron lhe deu um sorriso torto – Eu não nego que, se fosse outra pessoa e outra situação, eu realmente estaria mentindo. Você me conhece, Hermione. Sabe que era exatamente o que eu faria, e foi por isso que ficou com raiva de mim. Eu não te culpo. Eu sei que eu sempre dei motivos para que as pessoas pensassem assim.
- Bem – ela disse, um pouco desorientada com tudo aquilo – Acho que tudo bem, então. Mas, Ron...
- Não – ele a interrompeu novamente e entrelaçou seus dedos nos dela – Antes que você diga alguma coisa, me deixa falar primeiro.
Hermione ficou esperando em silêncio.
- Eu falei com meus pais depois do jantar, mas eles não cederam. Por mim, eu já teria acabado com essa história há muito tempo, porque eu não ligo se o meu pai é Lord-Lieutenant ou um mendigo. Mas eu preciso pensar no resto da família, em Ginny, na universidade...
- Eu entendo, Ron – Hermione falou, mas sua voz falhou – Mas isso tudo é tão... horrível e...
- É – ele concordou – Eu sei que é. Mas meu pai não depende do pai da Lavender, sabe. Eu tenho quase certeza de que ele poderia continuar com o cargo mesmo sem o apoio do Sr. Brown, mas minha mãe não quer arriscar, e meu pai é medroso demais para contrariá-la ou até mesmo para arriscar. Mas eu vou conversar com ele, vou importuná-lo até que ele desista, porque eu não vou desistir.
- E se ele também não desistir?
- Ele vai desistir – Ron falou confiante – E então – ele chegou um pouco mais perto de Hermione – Eu vou poder acabar meu namoro com a Lavender...
Ron ergueu a mão que não estava ocupada com a mão de Hermione e acariciou o rosto dela.
- E nós vamos poder ficar juntos – ele completou.
O coração de Hermione falhou quando ouviu aquilo. Ela observou enquanto Ron se levantava e já ia começar a andar para a porta da cozinha, mas ela o impediu. Agarrou seu pulso ao mesmo tempo em que se levantava. Antes que Ron pudesse dizer qualquer coisa, Hermione passou os braços ao redor de seu pescoço e o beijou.
Não demorou muito para que Ron se recuperasse da surpresa e envolvesse Hermione pela cintura. Ele a puxou para mais perto de si, e seus corpos ficaram tão colados que eles quase se desequilibraram. Ron pediu passagem com a língua entre os lábios de Hermione, e assim que ele aprofundou o beijo, sentiu o forte gosto de morango com chocolate na boca da morena. Ele a beijou mais avidamente do que antes, querendo sentir aquele sabor delicioso. Hermione enfiou os dedos nos cabelos de Ron e puxou não muito levemente, mas Ron não protestou, apenas deslizou as mãos fortes pelas costas delas. Os joelhos de Hermione fraquejaram e ela apoiou uma mão em cima da mesa para se equilibrar, mas seus dedos bateram dentro do brigadeiro.
Ela interrompeu o beijo, mas não se separou de Ron. Vendo a idiotice que ela tinha feito, os dois começaram a rir e depois Hermione lambeu o dedo enquanto lançava um olhar para Ron. Ele estava beijando seu pescoço, mas ergueu a cabeça para lamber o dedo dela também, embora não houvesse muito chocolate sobrando. Ela enfiou o dedo no brigadeiro novamente, e então o colocou na boca de Ron. Ele riu e lambeu todo o chocolate, e então voltou a beijá-la. O gosto de brigadeiro no meio do beijo fez tudo ainda melhor. Ron esticou a mão cegamente, enquanto sua língua percorria toda a boca de Hermione, e tentou alcançar um morango. Quando conseguiu, ele se afastou dos lábios de Hermione e mergulhou o morango no chocolate, e então deu uma mordida. Com ele ainda na boca, ele beijou Hermione rapidamente e depois melou a outra parte do morango para colocá-lo na boca de Hermione. Os dois estavam achando aquilo incrivelmente divertido, e continuaram a alternar entre beijos e morango com chocolate até que os morangos acabaram.
Quando estavam acabando de mastigar o último morango, eles voltaram a se beijar. Ron desceu as mãos pelas costas de Hermione e a levantou para que ela sentasse em cima da mesa. Automaticamente, a garota afastou as pernas e passou-as ao redor da cintura dele. Ron começou a beijar seu pescoço e colo, ao mesmo tempo em que deslizava as mãos pelas coxas dela. Hermione arfou e jogou a cabeça para trás quando o ruivo mordeu seu ombro e começou a afastar a alça de sua camisola. Ele beijou o lugar onde a tinha mordido, e então passou os lábios por todo seu ombro, até seu colo e então melou o queixo dela com um pouco de brigadeiro e lambeu até que não havia mais nada. Então seus lábios se reencontraram, e dessa vez o beijo foi o mais ardente de todos. Cada pedaço do corpo de Hermione estava tremendo de desejo, e ela podia sentir a excitação dele entre suas pernas. Aquela situação era totalmente diferente para ela, mas de jeito nenhum era ruim. Sentir a ereção de Ron contra sua virilha a fez sentir mais desejo ainda.
O ruivo, por sua vez, estava quase enlouquecendo. Ele precisava beijar e sentir cada parte do corpo de Hermione. Suas mãos subiram pelas pernas dela até chegarem à barra da camisola, e ele enfiou as mãos por ali até o quadril dela, o que fez com que o vestido subisse até a cintura e deixasse sua calcinha branca exposta. Ela não protestou, apenas continuou a beijá-lo avidamente, e apertou ainda mais as pernas ao redor da cintura dele. Devagar, Ron subiu as mãos pelas costas de Hermione, massageando suavemente, e, ao mesmo tempo, levando a camisola junto com ele. Quando finalmente chegou na parte de cima das costas da garota, ele interrompeu o beijo e ajudou-a a tirar a camisola por completo. Hermione se sentiu constrangida, mas não conseguiu pensar muito no assunto porque Ron logo voltou a beijá-la. Ele foi dando pequenos beijos pelo seu queixo, pelo seu pescoço, até que chegou ao colo e beijou a região entre os seios da garota. Hermione jogou a cabeça para trás e apoiou as mãos na mesa para não desmaiar. Seu corpo todo tremia de ansiedade e desejo. Não acreditava que estava fazendo aquilo, mas agora que tinha começado, não queria nem iria parar.
Ela arfou quando os lábios de Ron encostaram a pele de seu seio direito. Ele começou a sugar e lamber seu mamilo, ao mesmo tempo em que massageava seu outro seio com a mão. Era uma sensação maravilhosa, e ela logo esqueceu que estava na cozinha de uma casa que não era sua, no meio da noite. Só conseguia pensar em Ron, e nas sensações que ele estava provocando nela.
Ele fez movimentos circulares com a língua em seu mamilo, beijou, sugou e lambeu, enquanto acariciava o outro seio com a ponta dos dedos. Depois de algum tempo, ele trocou e começou a beijar o seio esquerdo. Em vez de massagear o outro seio, ele desceu a mão até o quadril da morena, e de repente, sem que ela pudesse perceber o que ele faria, ele enfiou a mão dentro de sua calcinha, e ela gemeu alto quando sentiu os dedos dele em sua intimidade. Não estava esperando aquilo. Ela segurou os cabelos dele, pois precisava de alguma coisa para extravasar tudo o que estava sentindo.
Ron continuou sugando o seio de Hermione enquanto explorava a intimidade da garota. Sua excitação era tanta que quase doía, e só fez aumentar quando ele sentiu que ela estava molhada e pronta para ele. Parou de beijar o seio dela para voltar a beijar seus lábios. Ela acariciou sua nuca e gemeu quando ele fez movimentos circulares com os dedos em seu clitóris. Ondas de prazer percorreram seu corpo e ela tremeu com aquilo. Ele continuou a tocá-la, acariciá-la e incendiá-la, fazendo com que ela gemesse entre os beijos. Aqueles sons só serviram para provocar Ron ainda mais. Hermione agradeceu aos céus que Ron estava beijando-a, porque não tinha certeza de que conseguiria controlar os gritos caso estivesse com a boca livre.
Aquilo já era o limite para Ron. Ele não conseguiria passar nem mais um segundo sem senti-la completamente. Ele a levantou rapidamente com um braço e puxou sua calcinha, num gesto tão seguro e rápido que mais tarde levaria Hermione a refletir se ele já teria praticado muito aquele tipo de coisa. Julgando pelo modo com que ele estava tocando-a e deixando-a louca naquele momento, a resposta com certeza era sim – mas ela não estava reclamando.
Ele se afastou um pouco para descer a calça de flanela. Hermione, sentada na mesa de pernas abertas sem nenhuma roupa, completamente suada e vermelha, achou aquele momento o mais constrangedor de todos. Não era todo dia que um homem se despia na frente dela, afinal. Por mais que tentasse evitar, seus olhos acompanharam o movimento atentamente, enquanto ele segurava a barra das calças e descia o tecido, revelando o pênis ereto. Ele agia como se fosse a coisa mais natural do mundo, e logo tinha voltado para perto dela e voltado a beijá-la. Hermione correspondeu, esperando que a qualquer momento fosse sentir a penetração acontecer. Mas Ron simplesmente a beijou apaixonadamente, de um jeito que nunca tinha feito antes, e sem que ela percebesse sua intenção, ele a empurrou para trás até que as dobras do joelho dela não deixaram que o movimento continuasse. Então, com as mãos nos joelhos dela, ele apoiou os próprios joelhos em cima da mesa e foi para cima dela, fazendo com que os dois deitassem em cima da mesa. Ele foi beijando seu pescoço enquanto baixava cada vez mais o corpo no dela, até que os dois puderam sentir cada pedaço um do outro, mas não a penetrou. Hermione gemeu quando sentiu seus seios se encontrarem com o peitoral musculoso e nu de Ron.
Depois de percorrer todo o caminho de seu pescoço até sua boca, Ron a beijou como nunca tinha beijado antes, fazendo com que ela se esquecesse de tudo e de todos. Ele estava entre as pernas dela, e aproveitando que ela estava distraída, ele começou a penetrá-la. Não tinha certeza se Hermione era virgem ou não, mas preferiu não arriscar. Ele se movimentou vagarosamente, sem parar de beijá-la, mas mesmo assim sentiu que Hermione ficou surpresa e acabou se contraindo. Ele parou onde estava para que ela se acostumasse, e interrompeu o beijo para lhe dar um tranqüilizante beijo na bochecha. Logo Hermione relaxou e ele voltou a fazer pressão devagar, mas ainda assim a morena estava com medo. Ela foi enterrando as unhas nas costas musculosas de Ron à medida que ele foi entrando dentro dela. A sensação era dolorosamente boa, e quando ele finalmente se encaixou completamente dentro dela, Hermione soltou um suspiro e enterrou ainda mais as unhas nas costas dele. Devagar, ele começou a se mexer para fora e para dentro. Enquanto Hermione sentia uma avalanche de sensações desabar em cima dela gradativamente, à medida que a dor ia passando para virar prazer, Ron estava enlouquecendo desde o primeiro minuto que tinha chegado perto da intimidade da garota. Já tinha feito aquilo antes, mas nunca tinha sido tão bom como estava sendo com Hermione, talvez porque com as outras garotas não havia amor. Mas com certeza ele amava Hermione, e aquilo fazia com que o sexo fosse melhor do que qualquer outra coisa que ele já tivesse experimentado.
Seus movimentos foram ficando cada vez mais rápidos e intensos, e Hermione não conseguia mais controlar os gemidos e lamúrias. Como ela nunca tinha feito aquilo antes? Era a melhor sensação do mundo. Ondas de prazer irradiavam por todo o seu corpo e fazia com que ela ficasse suada e tremendo. O corpo de Ron de encontro ao seu era uma sensação que fazia tudo ficar melhor ainda, e logo ela cruzou as pernas ao redor do quadril dele para que os dois ficassem ainda mais próximos, e para que ele conseguisse penetrá-la ainda mais fundo.
- Oooh... – Hermione começou a gritar, mas Ron a beijou para abafar o som.
Ele continuou beijando-a enquanto se movimentava, pois ele mesmo não conseguia controlar mais os seus gemidos, a não ser que fizesse outra coisa com a boca. Estar dentro de Hermione estava deixando-o completamente louco.
Ele continuou a penetrá-la cada vez mais rápido e mais vigorosamente, e seus gemidos abafados tomaram conta da cozinha durante muito tempo. Então, quando eles estavam totalmente grudentos, roucos e vermelhos, os dois chegaram ao ápice praticamente no mesmo momento. Hermione sentiu um prazer descomunal invadi-la, fazendo com que tudo girasse ao seu redor. Ela fechou os olhos para não ficar tonta, e então seu corpo todo tremeu quando ela teve o primeiro orgasmo de sua vida. Logo depois, ela sentiu o líquido quente invadi-la quando Ron gozou, e o corpo dele caiu mole em cima do dela. Ele enterrou o rosto na curva de seu pescoço, a respiração ofegante. Não acreditava que aquilo tinha acontecido, nem que tinha sido tão bom. Não queria sair de dentro de Hermione, nunca mais. Os dois passaram algum tempo ali, deitados e ofegantes, recusando a se separar.
- Já passou mais de uma hora que nós chegamos aqui na cozinha, Ron – Hermione falou, finalmente, com a voz rouca, quando ela olhou para a parede à frente e viu a hora no relógio.
O ruivo suspirou e se virou, saindo de cima dela para deitar-se ao seu lado. Os dois ficaram olhando o teto da cozinha por alguns segundos, os peitos subindo e descendo calmamente, enquanto eles aproveitavam aquela sensação maravilhosa de saciedade. De repente, Ron começou a rir e virou o rosto para olhar Hermione. Ela também virou o rosto para ele, olhando interrogativamente.
- E então? – ele perguntou com um sorriso maroto no rosto – Gostou?
Hermione corou e contraiu os lábios para não rir e fazer cara de chateada.
- Pare com isso – ela falou – Você me deixa envergonhada me olhando desse jeito.
- Porque eu adorei – ele continuou, como se ela não tivesse dito nada – Principalmente a parte dos morangos. Ótima idéia.
- A idéia foi sua – ela falou, surpresa.
- É, mas foi você quem preparou tudo – ele ficou de lado e apoiou o cotovelo na mesa para segurar a cabeça. Olhou para Hermione de cima e parou de rir, olhando-a nos olhos – Agora é sério, Hermione. Eu não estou brincando quando pergunto isso. Eu sei que foi a sua primeira vez.
- É, eu imaginei que você fosse perceber – ela retrucou, um pouco envergonhada – Mas é claro que eu gostei, Ron. Eu imaginei que você fosse perceber isso também, não? – ela riu e levantou uma sobrancelha.
- É, você fez questão de deixar bem claro – ele alisou as costas que estavam completamente arranhadas. Hermione corou.
- Me desculpe – ela disse – Eu não queria te machucar.
- Eu só estou brincando – ele riu da cara de culpa dela, então piscou um olho – Eu meio que gostei que você tenha feito isso. Foi sexy.
Hermione revirou os olhos e se sentou. Puxou a camisola e passou-a rapidamente por cima da cabeça, então colocou as pernas para fora da mesa e foi até onde a calça de Ron estava. Ela se abaixou para pegá-la e jogou para ele. Ron a seguiu com os olhos o tempo todo, e agarrou a calça quando ela jogou.
- Você ainda tem vergonha de mim, depois disso? – ele riu, mas vestiu as calças mesmo assim.
- Não – ela respondeu com sinceridade. Chegou perto de Ron, sentado na borda da mesa – Mas nós temos que sair daqui antes que o Albert chegue para preparar o café da manhã.
- Tudo bem – ele deu um impulso e aterrissou no chão bem perto de Hermione. Antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, ele passou um braço ao redor da cintura dela e a puxou para perto de si, pressionando os lábios nos dela levemente – Eu só quero saber de uma coisa – ele falou, olhando sério para ela.
- Qualquer coisa – Hermione respondeu.
- Isso quer dizer que nós estamos juntos agora? – Ron perguntou – Você não se importa de esperar até que eu convença o meu pai?
- Acho que não – ela respondeu, sorrindo tristemente – Pelo menos, não enquanto nós estivermos aqui de férias. Não sei o que pode acontecer se nós voltarmos para Hogwarts e você ainda não tiver conseguido negociar com o seu pai.
- Então não vamos pensar nisso agora – Ron falou em tom de conclusão – Vamos aproveitar enquanto estamos aqui.
- E tomar cuidado com a sua mãe – Hermione completou.
- Ela não entra muito no meu quarto, sabe – Ron sorriu e a puxou para mais perto – Você pode ficar por lá de vez em quando.
Hermione sorriu e lhe deu um leve beijo, então pegou sua mão e começou a conduzi-lo para fora da cozinha. Silenciosamente, os dois atravessaram a casa, subiram as escadas e finalmente chegaram ao quarto de Ron. Ele entrou no quarto e, quando percebeu que Hermione não estava atrás dele, se virou e olhou interrogativamente para ela.
- Não vai entrar? – ele perguntou.
- Ron... – ela riu – Eu preciso de um tempo para me recuperar, sabe? Dormir, descansar...
- Ah, vamos lá, Hermione – ele chegou mais perto dela e a puxou pela cintura – A segunda vez é sempre melhor.
Hermione tentou empurrá-lo, mas teve não forças porque seus joelhos fraquejaram quando ele começou a beijar seu pescoço. Logo ele a puxou para dentro do quarto, e Hermione fechou a porta atrás deles com o pé.
